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Províncias Imperiais - Oriente

em Sab Nov 25, 2017 7:03 pm

Para além dos mares Mediterrâneo e Negro, o Império continua. Seguindo políticas de governo semelhantes, com alguns pontos específicos ajustados para a melhor gestão dos territórios, os Governadores provinciais Cainitas são indicados pelo Senado Eterno e são responsáveis por seus territórios. Recebem apoio militar e pagam tributos de acordo com sua produção e arrecadação.

Aqui serão narradas as cenas nas províncias orientais, como as terras egípcias e a mesopotâmia.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Sex Fev 16, 2018 11:03 pm
* Galileia, província romana de Tiberíades, 122 DC.


Foi nestas terras, há algumas décadas, que o ainda jovem Tito Pulo liderou a cavalaria e dizimou os últimos resistentes antes da batalha se estender à Antióquia. Os dias de resistência e guerra acabaram e com eles a esperança do povo de Yeshua de escapar das garras da águia se esvaiu.

Por conta dos recentes conflitos, Roma apertou o cerco contra todos que seguem os princípios Judaicos. A situação político-religiosa se agrava com a crescente fé no autoproclamado Messias de jerusalém. A fera da guerra e da conquista que antes engolia e digeria culturas inteiras, seus Deuses e crenças, e os transformava em suas agora parece recuar diante a bravura e incapacidade de se curvar do povo Judeu e também da audácia cada vez mais crescente dos outros que seguem os passos do Cristo crucificado.

Sinais de um novo tempo? Por hora, sinais claros apenas de mais miséria para a plebe judaica. Fome assola centros menores, como Caná e Naim. As maiores províncias, Cafarnaum e Tiberíades abrigam villas romanas pomposas, ocupadas por Patrícios destacados especialmente para gerir a economia das terras próximas ao Mediterrâneo.

Em Tiberíades, longe do olhar mundano e encoberto por construções simples na área da plebe, existe um templo de estudo do Torá e adoração à Yeshua. Uma de suas câmaras de pedra abrigam seu guardião e guia espiritual daqueles que resistem - e escondem-se - do olhar julgador de Roma.

O sopro noturno ainda carregava o calor do fim do dia, das areias sempre mornas daquelas terras tão áridas quanto castigadas pelo julgo romano. Não chovia há meses. Era este o período do longo sol, no qual o povo pouco conseguia colher e mesmo a pesca rendia poucos louros. Ainda assim, desse mínimo, eram obrigados a continuar pagando altos impostos ao Império.

O despertar trouxe um cheiro adocicado às narinas do Cainita. Os aposentos simplórios, inteiramente de pedra, eram parcamente iluminados por tochas envolvidas em gaiolas de ferro que escondiam quase que em totalidade suas chamas. Ao abrir os olhos, Qaphsiel percebe que um de seus homens de confiança, Caleb, estava de pé ao lado da porta. Sua face sangrava, com um leve corte na bochecha esquerda. Ainda ofegante, ele clamou antes mesmo que o seu senhor pudesse levantar.*


- Perdoe-me Senhor, mas houve um ataque,  nós o capturamos. O infiel permanece em silêncio e diz que trouxe uma mensagem para vós.

* O pequeno templo construído e acobertado por simplórios casebres jamais havia sido atacado antes. A começar pelo fato de que os templos Judeus - e os de sua fé - não são mais alvos romanos desde o fim da Revolta, em 117 DC e por fim porque sua discrição o mantinha isolado e seguro. Qaphsiel desperta para a noite na qual isto parece ter mudado.*


Última edição por Storyteller em Qua Fev 21, 2018 10:18 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Sab Fev 17, 2018 9:08 am
Ao ouvir as palavras de Caleb, Qaphsiel se recorda das palavras do anjo que lhe visitou pela primeira vez em um sonho, dizendo que seu povo passaria milênios sem ter paz em suas terras. Seus planos de reconstruir uma resistência à Roma não aconteceriam sem perturbações, pois esta é a sina do guerreiro. Mesmo assim, a notícia de um ataque em seu refúgio o preocupava.  Ainda não era o momento no qual estava disposto a sacrificar seus aliados.

Qaphsiel levanta e se arruma, colocando sua espada curta e adaga na cintura. Ele amarra o keffyeh na cabeça, ocultando parcialmente seu terceiro olho. O fato do ataque ter acontecido durante o dia dava-lhe a certeza de que não foi perpetrado por um Cainita, de modo que era importante esconder sua natureza do humano invasor. Enquanto se arruma, pergunta a Caleb:

- Como foi esse ataque? Quantos homens foram responsáveis, além desse prisioneiro? Perdemos alguns dos nossos? Alguém gravemente ferido?

Por fim, ao terminar de se arrumar, Qaphsiel fala:

- Leve-me até o prisioneiro e vá cuidar dos seus ferimentos, meu bom Caleb. Algo me diz que devemos estar prontos para algo pior.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Ter Fev 20, 2018 12:35 am
Caleb


* O suor escorre pela face de Caleb e se une ao sangue em sua bochecha, os olhos do guerreiro tremulam por um instante antes de responder.*

- Hashashins, Mestre.

* As palavras do homem ecoam pelo aposento e atravessam os ouvidos de Qaphsiel afiadas como uma lâmina curva. A lendária ordem dos assassinos do médio oriente se fazia presente em Tiberíades e, quando a lâmina da noite aparece, a vida se esvai como a areia do deserto com o passar do vento*

-Onze dos nossos melhores homens morreram no salão de orações, meu Senhor.

* Caleb segura a espada em sua cintura com mais força, é possível notar os músculos de seu braço se tornarem mais protuberantes*

- Apenas...apenas um assassino invadiu o Templo.

* As luzes das tochas recobertas por metal pareceram diminuir conforme o relato ia se cumprindo. Caleb tensiona o maxilar, pressionando os próprios dentes antes de continuar*

- Após assassinar nossos homens, ele rendeu-se voluntariamente.

* Caleb se posiciona de lado em relação a porta, conferindo passagem a seu mestre e aguardando para segui-lo em direção ao salão de orações*

- O mantive vivo, pois a única palavra dita pelo assassino em nosso idioma indicou que há uma mensagem para o Arcanjo.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Ter Fev 20, 2018 8:51 am
Enquanto caminhavam para o salão de orações, Qaphsiel reflete sobre o que Caleb acabava de lhe contar. A situação era pior, muito pior do que imaginou de início. Não se tratava apenas de um meros simpatizantes de Roma tentando invadir seu refúgio. Era um assassino. UM hashashin, que sozinho foi capaz de eliminar onze dos seus. Um pensamento preocupante abalou uma certeza que havia acabado de ter tido:

- Me confirme uma coisa Caleb: o ataque aconteceu quando ainda havia luz do dia ou já ao cair da noite?

A dúvida de Qaphsiel é se em breve ele estaria diante de um Filho de Haqim ou apenas um dos seus lacaios. O zelote nutria um profundo respeito pelos assassinos. Lembrava das histórias sobre Chorazin, que seu mestre havia lhe contado. Lá, suas linhagens lutaram lado a lado contra os malditos infernalistas. Ainda que os Filhos usassem as sombras, o silêncio e o sangue como suas principais armas de combate, eles eram guerreiros nobres e cheios de coragem.

O que o perturbava agora eram as possíveis razões que levaram um assassino até seu abrigo. Certamente não seria uma causa própria dos Filhos de Haqim, imaginou. Qaphsiel ouviu dizer que eles estavam aceitando contratos de outros Cainitas. O fato de ter matado onze dos seus homens e se rendido já era uma mensagem. Ele poderia ter continuado, se assim quisesse. Enfim, especulações. Somente o assassino poderia responder. Era preciso ouvir a mensagem que ele trazia ao Arcanjo.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Ter Fev 20, 2018 11:18 pm
* Qaphsiel e Caleb começaram a caminhar pelo longo corredor de pedra polida, as poucas e esparsas tochas espalhadas e parcialmente cobertas por gaiolas de aço conferiam uma iluminação parca e amarelada ao ambiente. Nas paredes, os princípios da fé Judaica foram entalhados na pedra, cuidadosamente. Dentre eles, durante a caminhada, um se destaca iluminado por uma tocha próxima*


Confio plenamente que o Criador conhece todos os atos e pensamentos dos seres humanos, eis que está escrito: "Ele forma os corações de todos e percebe todas as suas ações"


*Caleb responde ao questionamento enquanto caminha ao lado de seu Senhor*

- O Hashashin nos atacou ao cair da noite, quando a lua já se fazia presente, Mestre.

* Após atravessarem o corredor, O Arcanjo e seu guerreiro chegam ao salão de orações. Um ambiente oval com o teto em redoma. Apesar de mais espaçoso,  era simples, sem qualquer adorno ou entalhes em metais preciosos ou pedras brilhantes. Nesta noite, contudo, nada mais chamava a atenção de Qaphsiel do que o cheiro adocicado do vitae fresco que o acompanhou por todo o corredor. Ao menos, até ser acometido pela visão.

Os corpos de seus homens, cobertos com tecidos ensopados em sangue, espalhavam-se pelo chão dispostos em um grande círculo. O restante dos guerreiros do Arcanjo mantinham suas espadas em punho, cercando e encurtando o espaço do homem ao centro de toda a comoção.

Os joelhos no chão e sentado sobre as próprias pernas, os olhos eram negros como a noite e fitavam a chegada do arcanjo. Trajava roupas leves, mas que cobriam-lhe quase todo o corpo. O Keffyeh era negro, assim como sua pele.

Enfim, após a chegada de Qaphisiel, o homem se levanta lentamente. Os guerreiros do templo encurtam ainda mais o seu espaço apontando as espadas em sua direção, formando um círculo ao redor do Hashashin.

Após alguns segundos fitando-o, a voz do invasor ecoa pelo salão, baixa e rouca*


- Estou diante de Qahphsiel, Cria de Za’aphiel, Mestre deste Templo?
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Qua Fev 21, 2018 1:06 am
Ali estava o assassino. A pele negra não deixava dúvidas que estava diante de um Filho de Haqim. Qaphsiel usa a sua Visão da Alma [Auspícios 2] para imediatamente perscrutar o interior do seu mais novo... visitante.

- Eu sou Qaphsiel, cria de Za’aphiel. Eu sou mestre e guardião deste Templo. Entrastes por nossas portas e profanastes este solo consagrado com o sangue do povo de Y’srael. Entendo que parte de sua mensagem foi entregue com a morte desses homens.

Qaphsiel faz uma pausa e, em um tom de voz irônico, continua:

- Caso contrário, se seu papel fosse o de me trazer apenas algumas palavras, poderia simplesmente bater em nossas portas e compartilhar do pouco vitae que tenho em minha dispensa.

Qaphsiel muda o tom, novamente, dessa vez deixando-o mais duro:

- Diga-me a que viestes aqui, hashashin. Dúvido muito que o que tenha a dizer valha a vida de qualquer um dos que acabou de matar.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Qua Fev 21, 2018 10:14 pm
* A tensão pairava no ar. Os homens do Arcanjo cerceavam o espaço do Hashashin com as espadas em punho, dentes cerrados e uma ânsia em vingar a morte de seus companheiros.

Ao usar seus dons de percepção, o Salubri nota uma aura pálida recoberta de veias negras.

O Invasor, contudo, mantinha-se imóvel e coberto por uma frieza espantosa. Sua cimitarra de lâmina longa e curva estava jogada ao chão, longe de seu alcance. Manteve-se em profundo silêncio durante as palavras do Mestre do Templo. Ao fim delas, deu um passo à frente e foi interpelado pelas espadas dos guadiões que prontamente fecharam o círculo impedindo seu avanço.

O Assassino ergueu as mãos e começou a retirar, lentamente e em clara demonstração de rendição,  um embrulho avolumado e preso em suas costas, que lhe caía pela lateral do corpo semelhante a uma algibeira de couro. O que quer que estivesse dentro do embrulho era de tamanho médio e de formato quadrado.  Após retirá-lo das costas, o desembrulhou, também lentamente e o fazendo com o cuidado de permitir ampla visão a todos no salão.

Se tratava de uma caixa de madeira, carmesim, com o Selo Imperial de Roma esculpido na frente. O Hashashin abaixou-se e ergueu o objeto, estendendo-o com as duas mãos em direção à Qaphsiel*


- Abra-a e, após isso, concluirei a entrega da mensagem de meu Mestre a vós, Arcanjo.

* Os homens do templo parecem receosos quanto ao posívell conteúdo da caixa, direcionando olhares duvidosos para Qaphsiel. Caleb dá um passo a frente, olhando seu mestre*


- Permita-me abri-la, meu Senhor. Não deves tocar no objeto trazido pelo Hashashin.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Qui Fev 22, 2018 7:56 am
O invasor havia maculado sua aura cometendo o pecado da diablerie. Qaphsiel não se surpreendeu com isso. Aprendeu que tratava-se de uma prática comum entre aqueles que escolhiam o caminho do guerreiro entre os Filhos de Haqim.

O objeto que o hashashin lhe entregava, contudo, causava-lhe surpresa. Uma caixa de madeira com o selo de Roma? O que seria aquilo? Todas as evidências apontavam que o Filho de Haqim estava agindo como um emissário, mas quem em Roma moveria recursos para contratar alguém tão competente apenas para entregar uma mensagem. A não ser, é claro, que essa mensagem envolva a morte do destinatário. Apesar de não saber quem, nesse momento, gostaria de vê-lo eliminado, Qaphsiel sabe que qualquer cidadão romano, vivo ou morto-vivo, teria motivos para querê-lo. Enfim, todos os sinais naquele momento de tensão apontavam para uma armadilha.

Qapshiel observava o olhar apreensivo de seus homens. Ao ouvir o pedido de Caleb, o Arcanjo exibiu um sorriso terno:

- Nobre Caleb, eu agradeço vossa preocupação, mas não posso atender seu pedido. Acaso não sou eu o guardião deste templo? Que espécie de defensor eu seria, se permitisse que aqueles a quem jurei proteger assumissem os riscos que são meus?

Ele se vira para o invasor ajoelhado e pega a caixa para abri-la, dizendo com convicção:

- Confio minha existência ao Criador. Ele sabe o que se passa nos corações de todos os homens, estejam esses corações pulsantes ou não. Yahweh sabe as intenções de todos aqueles que se envolveram até que essa mensagem chegasse até aqui. Qualquer que seja o desfecho, Ele o escolheu. Que assim seja. Ani noten et hachaim sheli lElohim.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Qui Fev 22, 2018 10:13 am
*Caleb dá um passo atrás, curvando-se lentamente após as palavras do guardião do templo em claro sinal de obediência e - acima disso - respeito.

Ao se aproximar da caixa, e do Hashashin que a ergue posicionado de joelhos no chão, Qaphisiel nota os detalhes no objeto de madeira. É, sem dúvidas, um objeto enviado por alguém de muitas posses. A caixa em si é entalhada a mão com o Selo Imperial de Marcus Aurélius,  O César. Além disso, possui um lacre em linhas finas de aço fundido e ouro.

Receio que se estende ao medo do desconhecido estampa os olhos dos homens do Arcanjo, assim como a prontidão para agir se necessário.

Enfim, o Salubri destrava a fechadura e abre a caixa.

No interior desta, há um pergaminho aberto e sobre ele algumas moedas cunhadas com a face do Imperador Romano. Moedas essas que resultam em uma pequena fortuna, para quem as possuir.

No pergaminho, logo visto por Qaphisiel, constam as seguintes palavras*


O César, Deus Vivo, Marco Aurélio Antonino Augusto,  decreta que os homens listados abaixo serão recompensados por sua bravura e servidão a Roma e a seu Imperador no cumprimento do dever lhes cabido de executar o rebelde conhecido como Qaphisiel.

Faça-se cumprir que devem garantir provas cabais da morte do homem do templo responsável por tantas revoltas que desembocaram em ações contra Roma e contra Deus. As moedas cunhadas e o pergaminho devem ser apresentadas em Roma, para que o Direito a Cidadania e as terras prometidas lhes sejam entregues.

São estes, e apenas estes, os homens beneficiados pela graça e perdão de César.

Imar ramash

Iasmael Kabur

..............( mais nove nomes)


*E assim os nomes dos onze homens do Arcanjo que agora jazem mortos no presente Salão estão citados no pergaminho.

O Hashashin, após entregar a caixa e seu conteúdo, mantém-se de pé e em silêncio aguardando que o Guardião do Templo termine de possuir consciência do conteúdo entregue*
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Qui Fev 22, 2018 12:09 pm
Os caminhos do Criador são tão misteriosos quanto o caminho do vento , pensou Qaphsiel. A lembrança do entalhe na parede de pedra do templo também lhe veio imediatamente à mente. O silêncio que se instaurou no salão do templo no curto espaço de tempo em que o Arcanjo leu a carta era inversamente proporcional ao ruído que se passava em sua mente.

Qaphsiel relia as palavras da carta. Seus olhos faziam um movimento de vai-e-vem, indo de cada nome ali escrito para o cadáver correspondente que jazia no chão. Não foi o Invasor que maculou aquele solo sagrado com sangue judeu. Foi a traição perpetrada por seus antigos homens. Sua fé havia sido forte o suficiente para protegê-los do efeito corruptor das riquezas de César.

Porém, em meio a raiva e a decepção, Qaphsiel sentiu algo mais poderoso em seu peito. Se a fé daqueles mortais foi fraca, a sua se fortalecia. Quis o Criador que aquele assassino viesse até ali para eliminar os traidores. Quis o Criador que Qaphsiel soubesse o nome dos seus possíveis assassinos antes deles serem capazes de eliminá-lo.

O Arcanjo se deu conta que, independentemente do desfecho daquela nova situação, possuia uma dívida com o Cainita que estava à sua frente, e provavelmente com o Mestre que ele havia mencionado.

Finalmente, Qaphsiel levanta os olhos da carta, deixando-a cair no chão, junto com a caixa de moedas romanas. Ele olha o hashashin nos olhos e fala e repete, em voz alta para que seus homens consigam ouvir, mas sem disfarçar o tom de decepção, as mesmas palavras que havia lido pouco antes:

- Confio plenamente que o Criador conhece todos os atos e pensamentos dos seres humanos, eis que está escrito: "Ele forma os corações de todos e percebe todas as suas ações". Você tem liberdade para concluir sua mensagem, Filho de Haqim.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Sex Fev 23, 2018 12:26 pm
* Os homens de Qaphisiel, incertos do que acontecera, mantinham-se em prontidão e com as espadas em punho. O Hashashin, com o semblante imutável durante todo o encontro, proferiu as palavras que veio trazer*

- Meu Senhor, Cria do Ancião da Montanha Sha'hiri, Mestre dos Espadas do Deserto -  Kalif Arhmad - o convida a um conclave que ocorrerá em sete dias entre as famílias da noite que desejam o fim do Julgo Romano sobre suas terras e Crenças. O local lhe será revelado, caso aceites, na próxima noite para que prepares tua Caravana a tempo hábil.

* Caleb e os demais homens parecem inquietos e ainda prontos para atacar. O Homem negro em suas vestes escuras se mantém incólume e desarmado, aguardando a resposta do Arcanjo.*
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Sex Fev 23, 2018 3:59 pm
Ao ouvir o convite proferido pelo Assamita, Qaphsiel ficou pensativo. Desde o momento que foi recrutado por Za'aphiel, fora instruído a respeito de algumas famílias que compartilhavam a maldição de Caim com os Salubri. Contudo, seu contato direto com outros Cainitas sempre foi reduzido. Seu Mestre lhe dizia que aqueles do sangue de Saulot devem se preocupar mais com os humanos do que com as políticas internas e os jogos de interesse dos mortos-vivos.

Seu conhecimento e julgamento a respeito dos outros clãs sempre esteve baseado na capacidade de combate e na nobreza dos valores que cada clã sustentava. Ele conhecia os Filhos de Haqim, a quem tinha na mais alta estima. Eram guerreiros e sábios, bem como os Senhores das terras onde Qaphsiel nasceu e cresceu, até que os vampiros que sentam nos tronos de Roma decidiram invadir a Judea. Também conhecia os Brujah, lutadores passionais e valorosos, apesar de Za'aphiel tê-lo alertado sobre a influência que alguns infernalistas tiveram em territórios Brujah. Por fim, sabia da nobreza, honra e capacidade de liderança dos Ventrue, mas sua sede por poder havia feito com que muitos se desviassem do caminho.

Para além disso, Qapshiel conhecia apenas alguns nomes e histórias esparsas, de modo que um conclave onde encontraria diversos Cainitas reunidos em um só lugar despertava nele sentimentos ambíguos. De fato, o Salubri estava curioso para conhecer quem seriam essas famílias que desejam o fim da presença romana em suas terras. Por outro lado, sair de seu refúgio e eventualmente deixar suas terras, para entrar no coração da política Cainita estava longe dos seus objetivos, de modo que a situação lhe causava receios.

Ainda assim, não seria essa a oportunidade para iniciar seu tão sonhado ataque à Roma? Não estaria Yahweh finalmente sinalizando os caminhos a serem seguidos? Deveria ele continuar se escondendo na Galileia, enquanto Roma apertava o cerco, corrompendo seus homens para que o eliminassem?

Qaphsiel interrompeu monólogo interno, desviando o olhar dirigido ao Hashashin e voltando-se para seus homens:

- Percebam, meus bons. O Criador é tão benevolente quanto é implacável. Sua fúria chega ao mesmo tempo e com a mesma potência que sua Providência. Ele nos abriu Yam Suph, mas logo fez com que ele caisse sobre a cabeça de nossos inimigos. O homem que entrou em nosso templo não é nosso inimigo, ao menos por enquanto - Ao dizer isso, Qaphsiel dirige um breve olhar para o Assamita.

- Nosso inimigo continua sendo Roma. O Imperador Romano, astuto como sempre, apelou ao yetzer hara que vive no coração de todos os homens. As moedas que estão no chão foram entregues como pagamento aos homens que jazem mortos. Queria o César que eles me eliminassem em troca do seu dinheiro e de salvo conduto no Império Romano.

Após revelar essa informação, Qaphsiel deu alguns segundos de silêncio para que seus homens diregissem aquela informação.

- Devemos absorver o que aconteceu aqui como uma lição e um desafio proposto pelo Criador. Primeiro, que ele foi ao mesmo tempo benevolente conosco e implacável com aqueles que se entregaram às suas inclinações malignas. Se nós estamos de pé e eles jazem mortos, é porquê Ele quis e isso demonstra que nosso caminho é o único caminho. Confiem no Criador. Em segundo lugar, aprendemos que Roma é fraca diante do Povo de Y'srael. Eles não podem vir à nossa porta e enfrentar-nos de peito aberto. Eles possuem riquezas e legiões, mas precisam corromper os homens para que façam seu trabalho. Não temam Roma, pois ela é covarde e o dia de sua queda há de chegar!

Qaphsiel olha para os homens mortos e abaixa um pouco o tom da sua voz:

- Por último, Yahweh nos desafia. O mal está no coração de todos os homens. Nutrir a raiva, o ódio e o medo é a maneira mais fácil de alimentar nosso yetzer hara. Por isso, não guardem rancor desses que nos trairam. Guardemos seus nomes para lembrá-los no dia de Yom Kippur. Devemos trazer a fúria do Criador para nossos inimigos, mas uma vez que eles sejam derrotados, a nós só cabe o perdão.

Depois de se dirigir aos seus homens, o Salubri se volta ao Hashashin finalmente se volta ao Hashashin:

- Em gratidão a você e seu Mestre, eu aceito o convite. Participarei do conclave, embora não possa dizer agora se concordarei com as decisões que lá serão tomadas. Antes, contudo, gostaria que me respondesse duas coisas, Hashashin: qual o seu nome, e como descobriu a conspiração que tinha como objetivo minha Morte Final?
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Sex Fev 23, 2018 10:46 pm
* Os homens ouvem as palavras de seu líder e mestre com atenção e um misto de sentimentos se tornam visíveis em seus olhares. Passam da descrença à fúria e dela ao lamento. Caleb é, sem dúvidas, o mais abalado de todos eles após a revelação. O olhar deste se torna perdido e vagante por entre os corpos cobertos por tecidos brancos ensopados de sangue.

O Hashashin ouve o questionamento e, com o mesmo olhar compenetrado e sóbrio na face desde sua chegada, responde*


- Os Espadas do Deserto não possuem nome ou rosto. Não me cabe lhe revelar nada além das exatas palavras já proferidas, de acordo com a vontade de meu Mestre. Devo deixar estas terras, agora.

* Ignorando quaisquer olhares, reações ou palavras, o homem de pele negra se vira e caminha primeiro em direção à sua espada, pegando-a do chão e a embainhando e em seguida, inicia a caminhada atravessando o salão de orações e a fileira de homens de Qaphisiel que, ainda incrédulos pelo ocorrido, tentam recobrar a postura caso o Arcanjo lhes ordene alguma ação*
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Sex Fev 23, 2018 11:50 pm
Qaphsiel percebeu que não conseguiria mais nenhuma informação do Hashashin.

- Então és livre para partir em paz, Filho de Haqim. Reafirmo minha gratidão a ti e a seu Mestre, Kalif Arhmad. Também reitero que aceito o convite para o conclave. Aguardarei as informações que chegarão amanhã a noite.

O Arcanjo faz um sinal para que seus o homens deixem o Assamita partir sem ser perturbado. Após sua retirada, dirige-se a eles:

- Sei que temos motivos para sentir raiva e desalento em momentos como esse, mas não deixemos que o inimigo desvie-nos do único caminho que leva ao Criador. Teremos muito trabalho nas próximas noites e eu precisarei de vocês enquanto estiver adormecido.

Ao olhar para os corpos no chão, Qaphsiel sente um aperto no peito. Raiva de Roma e tristeza por seus homens.

- Vosso primeiro trabalho é enterrar nossos mortos. Lembrem-se do princípio do k’vot hamet: devemos sempre honrar os mortos. Eles desrespeitaram esse Templo ao aceitar o dinheiro de César, mas já pagaram seu preço. Vamos honrá-los em respeito ao que foram antes de se corromperem. Quanto às moedas que jazem no chão, peguem-nas e guardem-nas. Vamos usá-las para nosso Templo e povo. Comprem comida, comprem roupas e ajudem o Povo de Y’srael. Apenas tomem cuidado para não ficar óbvio aos oficiais romanos que uma grande quantidade de moedas começou a circular nesta vizinhança. Gastem com parcimônia e discrição.

Após dar as instruções, Qaphsiel se aproxima de Caleb. Ele coloca as mãos nos ombros do seu aliado e diz em voz um pouco mais baixa.

- Não se abale, Caleb. Nossa batalha não será fácil, mas tu és uma fortaleza aos olhos do Criador. Usemos esse episódio para fortalecer nossa fé Nele. Precisarei de você nas próximas noites. Como você ouviu o Hashashin dizer, eu irei fazer uma viagem. Não sabemos para onde ainda, mas se ele disse que teremos sete dias para preparar uma caravana, é porque não será por perto.

- Você e mais alguns homens me acompanharão, pois não tenho condições de fazer esse tipo de jornada sozinho. Preciso que selecione alguém entre nós para se encarregar do Templo e da segurança de todos enquanto estivermos longe. Escolha alguém em quem confiaria a vida, assim como eu confio minha vida à sua.

Qaphsiel para por um instante. Estava prestes a fazer um pedido que sempre o deixava mal, pois evidenciava o aspecto maldito da sua condição.

- Nos próximos sete dias que antecederão nossa partida, pedirei que atentem ao sacrifício que alguns dos nossos homens se dispõem a fazer por mim. Peço-lhes que retirem um pouco do sangue e guardem em pequenas jarras de bronze. Elas serão a garantia de que não passarei fome durante nossa jornada.

Dadas as instruções para Caleb, Qaphsiel se retira para estudar a Torah em paz. Ele sabe que precisará da iluminação de Yahweh para as noites que lhe aguardam.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Ter Fev 27, 2018 1:48 pm
* Os homens obedecem e se retiram para seus postos. Caleb, visívelmente abalado, apenas concorda com as palavras de seu mestre. Qaphisiel se recolhe a seus estudos e o fim da noite se alonga, mas enfim lhe cai com o peso do sono diurno.

* Os três olhos finalmente se abrem e trazem a luz amarelada do cômodo de volta para a mente inquieta, que tentou mas não encontrou descanso durante o dia. Uma nova noite que trará respostas para os eventos da que passou tem início.

Ao despertar, o Arcanjo se depara com um pergaminho cuidadosamente colocado a seu lado, ainda fechado. Assim que os olhos do cainita se abrem, o papiro se desenrola sem qualquer toque e levita sobre o corpo ainda deitado de Qaphisiel. Inscrições em sangue começam a se formar, lentamente escorrendo por cima do papel amarelado*


Uma gota de Vitae revelará a localização para aquele que possuir a marca do convite.

O peso do compromisso honrado e dura pena do Sangue será aplicada
sobre aquele que tentar usurpar o direito de o localizar.




* Qaphisiel tem ciência de que entre os filhos de Haqim há aquele que é considerado por muitos o mais proeminente feiticeiro do Sangue que caminha sobre a terra*
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Ter Fev 27, 2018 8:40 pm
Antes mesmo de se levantar por completo, Qaphsiel gasta alguns segundos observando o pergaminho que flutua sobre si. Ele automaticamente se remete a uma noite em que caminhava no deserto junto a seu Mestre, Za'aphiel. Em um das suas muitas digressões sobre a comunidade Cainita, o Mestre mais uma vez falava sobre os Filhos de Haqim. Dessa vez ele ressaltava que alguns deles não se dedicavam apenas à arte da guerra, mas também ao estudo de forças ocultas.

Quando despertamos como crias da noite, todos nós adquirimos habilidades sobre-humanas. Alguns entre nós, contudo, se debruçam sobre segredos esotéricos. Pois uma coisa é saber que seu sangue pode torná-lo rápido, forte ou resistente. Mas é preciso dedicação e estudo para entender a natureza do Sangue. Aqueles que o fazem podem usar não só o seu próprio sangue, mas também o de outros Cainitas em seu favor. Entre aqueles que dominam esse ofício, há um entre os Filhos de Haqim que possui habilidades inigualáveis.

Feiticeiros. Místicos. Kesheph. Muitos são os nomes que podem ser usados para se designar esses vampiros. Fato é que o mais poderoso deles chamava Qaphsiel para um conclave. Se antes seus sentimentos se dividiam entre medo e curiosidade, agora a vontade de conhecer esses seres era desequilibravam a balança em favor da vontade de conhecer mais sobre este Cainita.

O Arcanjo pega sua adaga ao lado da cama, faz um pequeno corte na palma de sua mão e toca o pergaminho flutuante, deixando que seu Vitae tocasse o papel. Ele sabia que a ameaça que compunha o convite poderia ser cumprida com facilidade por parte daquele que o enviou. Mas se era ele o destinatário, o que deveria temer?
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Ter Fev 27, 2018 11:22 pm
* Apesar do corte, apenas uma gota do espesso e escuro vitae se desprende da mão do Arcanjo. A gota toca o pergaminho que flutua sobre seu corpo e se subdivide em dezenas, talvez centenas, de linhas avermelhadas. As linhas percorrem o papel amarelado manchando-o em um rastro rubro.

Por fim, um mapa se forma e no centro dele a gota do sangue de Qaphisiel se aloja e se desfigura em palavras.*


Makka al-Mukarrama - Meca, a Honrada.

* O desenho em sangue é delineia uma espécie de templo, no centro da cidade. As palavras se tornam sangue que voltam a se tornar letras*

Seis dias, Sete noites.


* A gota de sangue se refaz e desliza pelo papiro caindo nas vestes de Qaphsiel. O pergaminho retoma sua cor amarelada e sem inscrições e, logo a seguir, cai lentamente ao chão*
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Qui Mar 01, 2018 12:53 am
Mesmo após anos vivendo sob a Maldição de Caim e experimentando os poderes que ela lhe trazia, a magia de sangue ainda impressionava Qapshiel. As histórias que ouviu de seu Mestre falavam de demonstração de poder ainda mais surpreendentes do que o que acabara de presenciar, mas mesmo um papiro que se movimentava sozinho e escrevia mensagens por meio do sangue, como um fantasma, eram o suficiente para despertar sua curiosidade. Seria ele capaz de um dia aprendê-la para usar em prol de seu povo?

Qaphsiel desperta dos seus devaneios e caminha até onde seus homens estão. Deveriam partir em breve para a cidade de Mecca. Nunca havia estado lá, mas sabia que levaria alguns dias para chegar. Roma havia estendido seus tentáculos por toda o Hejaz, mas Qapshiel não tinha conhecimento se Mecca havia caído sob os domínios romanos. Era uma região inóspita, onde o deserto começava e tribos nômades viviam. Até onde sabia, a cidade era um entreposto comercial para os povos do deserto.

O Arcanjo busca Caleb para orientá-lo sobre os próximos passos que deveriam tomar. Esperava que, após um dia de descanso e orações, seu fiel aliado estivesse com a mente mais tranquila.

- Boa noite, Caleb. Espero que o Criador tenha acalmado suas angústias e afastado um pouco do trauma pelo qual passamos na noite passada. Como eu disse, precisarei de você nas noites que seguirão. Desenha-se no horizonte a trilha pela qual seguiremos para finalmente libertar o Povo de Y’srael do jugo romano que nos oprime.

- Recebi uma nova mensagem dos Hashashin, a respeito do encontro de todos aqueles que querem expulsar Roma de suas terras. Deverei encontrá-los na cidade de Mecca em seis noites. Isso significa que deveremos partir o quanto antes, pois o caminho é longo. Proceda tal como orientei-vos na noite passada. Preciso que designe aquele entre nós em que mais confie. Ele deverá cuidar deste templo em nossa ausência. Ao mesmo tempo, escolha mais quatro para que sigam conosco até Mecca. Eles devem ser corajosos, confiarem em suas capacidades de armas, bem como serem hábeis o suficiente para evitar problemas pelo caminho.

Qapshiel para por um momento, pensando nas limitações que todo Cainita enfrenta em longas viagens.

- Precisaremos de dois carros. Um deles para abrigar mantimentos para vocês, bem como oferecer um local de repouso para quando cansarem. O outro carro deverá ser resguardado para que nenhuma luz do sol entre, nele também deverão conservar os potes de bronze que mencionei. É neste carro que repousarei durante o dia.

Antes de continuar, Qapshiel esboça um sorriso:

- É neste carro que deixarei de ser seu Guardião e entregarei minha vida nas mão do Criador e de vocês, nobre Caleb. Assim, confio que nada precisaremos temer.

Mecca nos aguarda.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Qui Mar 01, 2018 11:32 pm
* Caleb mantém os olhos baixos, fitando o chão. Ouve atentamente todas as palavras de seu mestre e se ajoelha ao final delas. Desembainha a própria espada e a estende, segurando-a com ambas as mãos, enquanto começa a falar decidido e sem qualquer traço de medo ou dúvida.*

- Qaphsiel, Arcanjo e meu Mestre, eu falhei convosco e com a causa. Com a fé e com povo de Y’srael. Os homens que o traíram foram escolhidos e treinados por mim. Sob a minha liderança eles duvidaram e fraquejaram e eu fui inapto para perceber a fraqueza de caráter dos homens que escolhi.

* Ele inclina ainda mais a cabeça e ergue a espada*

- Não sou digno de organizar tua caravana, Arcanjo. Tua segurança deve ser entregue a alguém mais capaz. Verta de meu corpo as falhas através da lâmina que lhe ofereço. Minha vida é sua para tirar.

* Neste momento, um pequeno facho de luz oriundo de uma janela superior do salão de orações se projeta sobre a lâmina estendida que Caleb segura e nela o Salubri enxerga seu próprio reflexo. Por um breve momento, seu rosto refletido dá lugar à uma face ainda mais pálida, com cabelos longos e castanhos e um terceiro olho aberto na testa que derrama sangue incessantemente. A luz resvala mais forte na espada e o reflexo visto volta a ser o semblante de Qaphsiel*
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Sex Mar 02, 2018 2:02 am
Um sinal. A visão que acabara de ter ao olhar o reflexo na lâmina da espada só podia ser um sinal. Qaphsiel havia recebido uma mensagem do Criador na noite anterior, e agora, novamente, Ele se comunicava. Havia algo estranho em Caleb. Ainda que os eventos anteriores tenham sido pesados para qualquer pessoa, mortal ou não, Qaphsiel não podia crer que um homem pio como Caleb estaria disposto a entregar sua vida diante de uma provação.

Sem dizer uma palavra, o Arcanjo aguça os sentidos [Auspícios 1] se havia algo por perto, ou mesmo em Caleb, que poderia fornecer uma pista de algo anormal.

Ele se aproxima do homem ajoelhado, tomando lentamente a espada e colocando suas mãos sobre a cabeça de Caleb. Nesse momento, ele usa a Visão da Alma [Auspícios 2]. Era preciso verificar o que a alma de Caleb sentia.

Qaphsiel fala em um tom de voz baixo, porém decidido:

- Como seu Mestre, devo perguntar se não se lembras das palavras do Criador: Pus diante de ti a vida e a morte, a bênção e a invocação do mal; e tens de escolher a vida para ficar vivo.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Sex Mar 02, 2018 2:22 pm
* Qaphisiel amplia suas capacidades sensoriais e consegue ouvir os seus próprios homens conversarem ao longe, o som do vento a golpear as paredes em um ricochete quase eterno e até mesmo a dança das chamas nas tochas se faz ouvir. Seus olhos enxergam os mínimos detalhes da pedra polida que constitui o templo e das marcas de expressão, luta e tempo na face de Caleb. Mas, nada além do normal o circunda aparentemente.

Ao analisar a Aura de seu subordinado, o Arcanjo enxerga tons de púrpura fúnebres que denotam decepção e tristeza. Ainda assim, nada incomum para um homem neste estado.

Caleb inspira profundamente e responde, ainda de cabeça baixa e ajoelhado*


- Creio com plena fé que o Criador recompensa aqueles que cumprem Seus preceitos e pune quem os transgride.

* Ele ergue o olhar, encarando os olhos compreensíveis do Salubri*


- Por isso, meu Mestre, me apetecendo aos 13 preceitos que nos guiam, careço de punição a minha transgressão por incompetência. Minha indignidade para com a causa e a fé precisam ser sanados. Restabeleça minha honra, eu clamo. Não suportarei a vergonha de tamanha falha.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Ter Mar 06, 2018 10:25 am
O Arcanjo ficou surpreso. Aparentemente, não havia nenhuma influência externa afetando o comportamento de Caleb. Seu aliado estava tomado de uma profunda tristeza e o único motivo de fato parecia ser os eventos da noite passada.

Um pensamento horrível açoitou a mente e o espírito de Qaphsiel. Estaria ele mergulhando ainda mais em sua natureza Cainita, afastando-se da humanidade e esquecendo-se de sentir e sofrer como um mortal?

Com a voz baixa e falando devagar, ainda imerso em pensamentos, o Salubri se ajoelha ao lado de Caleb:

- Nobre Caleb, seu pedido me comove. Penso que posso atendê-lo, mas para isso preciso que faça uma coisa antes, como condição. Restabelecerei sua honra na próxima noite, se conseguir me mostrar nos textos sagrados e na sabedoria do povo de Y’srael que aquilo que chama de incompetência só pode ser redimido com a morte. Eu o livrarei dessa culpa se me mostrar que os homens devem ser punidos por falharem em perceber aquilo que apenas o Criador pode conhecer: o coração dos homens.

Qapshiel se levanta, deixando o tom de voz firme:

- E se assim for, se conseguires me mostrar o que estou lhe pedindo, sairemos eu e você para fora deste Templo, pouco antes do sol raiar. Como sabes, Yahweh me proibiu de caminhar durante o dia, para que eu proteja nosso povo durante a noite. Assim, eu lhe livrarei da culpa antes dos primeiros raios do sol. Depois disso, aguardarei sua chegada para que eu possa encontrar a MINHA morte. Pois se és culpado da suposta incompetência de não conhecer o coração dos homens - algo que, repito, apenas o Criador pode conhecer - eu também o sou, pois mantive esses homens sob este teto sagrado.

O Arcanjo olha seriamente para Caleb:

- Temos um acordo?
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Ter Mar 06, 2018 2:27 pm
* As palavras de Qaphsiel ecoaram pelas paredes do templo como trovões em uma noite de céu revolto. E, neste momento, a visão ganhou forma.

Os olhos de Caleb tornaram-se brancos como mármore, faltavam-lhe as pupilas e as íris, restando no lugar somente o vazio que refletia as estrelas não vistas de dentro do Templo do Arcanjo. Ergueu-se, deixando de tocar os joelhos no chão e de pé o homem emanava uma autoridade e uma luz esbranquiçada jamais vista pelo descendente de Saulot. A voz que ecoou em nada lembrava a do homem que cuidava de sua segurança, era grave e imponente e ressoava com um eco longínquo pelas paredes esbranquiçadas a seu redor, como se muitas fossem.*


- Não estendas a tua mão, e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho, o teu único filho.

* Ventos em torrentes percorreram o Templo. O corpo de Caleb caiu ao chão inerte, desmaiado e o mais profundo silêncio se abateu sobre a terra de Deus que foi quebrado somente pelos passos lentos e leves de um cordeiro branco como a mais alva seda a caminhar no corredor de pedra para além do salão de orações.*
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Ter Mar 06, 2018 5:55 pm
Ao ouvir as palavras que Yahweh disse a Abraão, dessa vez sendo proferidas a ele através de Caleb, Qaphsiel não conseguiu ter nenhuma reação além de prostar-se de joelhos no chão.

O Arcanjo já havia tido visões e presenciado demonstrações de poder inalcançáveis para mortais. Já havia recebido a visita de um anjo do Criador. Já havia, obviamente, passado pela experiência de morrer e voltar à terra dos vivos como uma criatura da noite. Mas nada se comparava àquilo: estar diante de uma manifestação direta de Yahweh.

Com os olhos vertendo lágrimas de sangue, Qaphsiel percebeu que, assim como Abraão o foi, fora testado por Yahweh. Quando o corpo de Caleb desceu ao chão, o Arcanjo ouviu os passos do cordeiro. Tal como aconteceu com Abraão, Qaphsiel sentiu que o Criador o testou com Caleb, mas enviou um cordeiro para que fosse oferecido em holocausto.

Qaphsiel se levanta devagar para ir atrás do cordeiro, ainda com as lágrimas nos olhos

Ani mode lecha elohim al habnei Y'srael - Eu te agradeço, Yahweh, pelos filhos de Y'srael.

Lá estava ele, caminhando calmamente pelo corredor de pedra. A alvura da sua lã refletindo as luzes que balançavam nas tochas. Qaphsiel se aproximou e acariciou seu pelo, como que para ter certeza de que ele era real. Ao mesmo tempo, um frio lhe percorreu a espinha, ao se dar conta de que tocava um animal enviado diretamente por Yahweh. Ao contrário do que comumente acontecia quando um animal de rebanho se deparava com um Cainita, aquele cordeiro não fugiu ao toque do Salubri. Estava calmo e não estranhava a natureza predatória que emana de qualquer vampiro.

Então levantou Abraão os seus olhos e olhou; e eis um carneiro detrás dele, travado pelos seus chifres, num mato. - pensou Qaphsiel.

Como ainda estavam no início da noite, Qaphsiel tinha tempo para fazer o que era preciso. Pediu que alguns de seus homens reunissem madeira para uma grande fogueira, enquanto outros deveriam chamar a todos que frequentavam aquele Templo para se reunirem no salão de orações. Enquanto tudo era preparado, o Arcanjo afiava sua espada. O Criador determinava que sua lâmina não deveria ter uma falha, uma dobra. Deveria estar limpa, sem nenhuma impureza. Suas vestes sujas também foram trocadas por uma túnica branca e imaculada. Por fim, Qaphsiel se aproximou novamente do cordeiro e tocou-lhe a fronte com o Toque de Morpheu [Valeren 3], para que dormisse profundamente e não sentisse dor no ritual que estava por vir.

Logo, o salão de oração estava preparado. Seus homens estavam ali, bem como todos que frequentavam o templo em busca de paz e conhecimento.
As pessoas se amontoavam no espaço, algumas sentadas e muitas de pé. No altar, uma estrutura de madeira recem coletada estava posicionada próxima a uma tocha. A visão do fogo fez algo no fundo da alma de Qaphsiel se manifestar de forma estranha, mas este era um momento de provação. Agora era o momento no qual sua vontade e fé deveriam mostrar força para dominar a Besta que sabia residir em seu coração.


O cordeiro dormia em uma grande mesa de pedra. Ao lado dele estava a espada de Qaphsiel e um grande recipiente de barro.

Qaphsiel sobe ao altar e olha para todos que estão ali presentes. Ele inspira profundamente, pois não era incomum esquecer que tal ato era desnecessário. Ele se dirige ao seu povo, em voz alta.

- Meus olhos e alma se alegram ao ver parte do povo de Y'srael reunido sob este teto, agregado entre essas paredes de pedra que por anos chamei de lar. Vocês me abrigaram e me alimentaram, me protegeram enquanto eu estava vulnerável. Em troca, eu os protegi durante a noite, ensinei-os a lutar com seus corpos e espíritos. Juntos, oramos e aprendemos sobre a natureza do Criador. Juntos, também lamentamos nossa condição. E juntos, nós sonhamos com nosso retorno à Tziyon.

O Arcanjo deixou que o nome ecoasse nas paredes antes de prosseguir

- Tziyon é nosso lar. É onde Yahweh disse que deveríamos ficar. Mas o invasor romano quis que saíssemos de lá. Muitos de nós se espalharam pelo mundo. Alguns se encontram no coração de Roma, perto daquele que se diz um deus vivo. Vocês escolheram ficar aqui. Pois sua escolha não será em vão.

- As últimas noites foram de conflito e dúvidas. Mas Yahweh quis me testar, tal como fez com Abraão no Monte Moriyah, pedindo-me que sacrificasse um de nós. E eu disse que só estaria disposto a matar um de vocês SE EU também me oferecesse em sacrifício. Pois sua vitória é minha vitória e sua derrota é minha derrota. Eis que Ele fala as mesmas palavras que disse a Abraão e, tal como aconteceu no Monte Moriyah, nos ofereceu um cordeiro, que agora dorme em vossa frente.

Qaphsiel caminha em torno do cordeiro no altar.

- Amanhã eu partirei com alguns de vocês para Mecca. Lá nos reuniremos para aquilo que será o início da nossa derradeira retomada de Yerushalayim. Roma vai cair! E o Criador nos mostrou que está conosco! Hoje, faremos o holocausto do cordeiro que Ele nos enviou. Hoje, renovarei minha aliança com Ele e com o Povo de Y'srael.

Após proferir essas palavras, Qaphsiel pega a espada que estava sobre o altar. Ele olha para a lâmina, que reluz com as chamas que estavam por perto.
Estaria buscando o rosto que vira olhando para si mais cedo? Mesmo que quisesse, o Salubri só enxerga a si, com suas vestes brancas. Ele se aproxima do cordeiro. Com gentileza, segura a cabeça do animal, enquanto posiciona o recipiente no chão, logo embaixo de seu pescoço. O rito do holocausto dita que todo o animal deverá ser consumido no fogo, incluindo ossos e sangue. Nada deve ser aproveitado para alimentação. Mas algo naquela noite lhe dizia que deveria prosseguir de modo diferente. Algo o guiava para consumir o sangue daquele animal. Qaphsiel podia jurar que conseguia sentir o pulsar da jugular, os lentos batimentos do coração do cordeiro. Ele precisava daquele sangue para renovar seu pacto com Yahweh.


Segurando a cabeça do cordeiro com uma das mãos, Qaphsiel pega sua espada afiada apenas para aquele propósito e a posiciona na jugular do animal.
Rapidamente, o Arcanjo desliza a lâmina em um só movimento, ainda que delicado, abrindo um corte ao longo da linha do pescoço do cordeiro. O animal não se move enquanto seu vitae quente jorra em uma torrente para o recipiente de barro no chão. Tal como Yahweh lhes ensinou, o abate deve ser sem sofrimento.


Após alguns segundos, quando o sangue para de escorrer, Qaphsiel deposita sua espada no altar. Ele pega o cordeiro no colo, tomando cuidado para que apenas suas mãos se sujem, e o coloca sobre a estrutura de madeira. O Arcanjo sabe que este será o momento mais difícil, o verdadeiro teste que Yahweh colocou diante dele. Qaphsiel olha para a tocha que está ali perto. A Besta se contorce dentro dele. Seu primeiro impulso seria se afastar dali, ou ao menos pedir que algum de seus homens ateie a fogueira com aquela chama. Mas não. Ele precisa fazer isso sozinho. Precisa mostrar ao Criador e ao povo de Y'srael que é digno de viver em seu meio. O Arcanjo lembra de seu Mestre Za'aphiel, dizendo que os decendentes de Samiel devem dominar a Besta acima de todas as coisas, pois se hoje ela lhe faz ter vontade de fugir das chamas, amanhã poderá fazer com que mate aqueles que lhe são queridos.

Qaphsiel usa sua força de vontade e fé. Em um movimento decidido, ele pega a tocha em suas mãos. O calor que emana das chamas é aterrorizante, mas ele sabe que o pior ainda está por vir. Quando joga a tocha na estrutura da fogueira, as chamas começam a se espalhar lentamente. Aos poucos, o fogo começa a consumir a madeira. Em poucos minutos, ele chega ao cordeiro, e o cheiro de carne queimada invade o ambiente. As cinzas sobem ao teto do templo. A visão da fogueira, com o fogo subindo, as luzes dançando em todas paredes de pedra, o calor que domina e quase queima a sua pele, fazem com que a besta se debata em sua alma. Qaphsiel cerra os punhos com força, enquanto se obriga a olhar o holocausto. O povo de Y'srael precisa dele, Yahweh está com ele. Sua fé no Criador o ajuda a aplacar a Besta.

O Arcanjo caminha até onde está o recipiente de barro. Ele se ajoelha e o pega com as duas mãos, ainda se mantendo de frente para a fogueira do holocausto.

Aceite, ó Criador, esse sacrifício. Proteja o povo de Y'srael. Torne-me forte e digno de Sua confiança, pois tudo o que faço é em Sua honra e em Seu Nome.

Qaphsiel levanta a tigela até sua boca. Ele abre seu terceiro olho, enquanto bebe o sangue que escorre. O vitae animal não é o mais saboroso, apesar de ainda estar quente. Certamente não é o suficiente para alimentá-lo, mas o Arcanjo sente sua alma vibrando.

Aqui eu renovo meu pacto com Ti, Yahweh. Eu bebo o Seu sangue, para entrar em comunhão Contigo. Tornai-me um instrumento de Sua vingança, pois em Ti eu sou mais forte. Dai-me forças para destruir os inimigos do povo de Y'srael. Tal como prometestes, voltaremos à nossa Terra.

O Arcanjo se levanta, virando-se de frente para as pessoas ali presentes. Ele as olha com seus três olhos abertos. Ele levanta a voz e diz:

- Próximo está o dia do Julgamento de Yahweh sob os homens. Perto, muito rápido, ele virá. Que toquem o shofar. Roma vai cair!
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

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