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Províncias Imperiais - Oriente

em Sab Nov 25, 2017 7:03 pm

Para além dos mares Mediterrâneo e Negro, o Império continua. Seguindo políticas de governo semelhantes, com alguns pontos específicos ajustados para a melhor gestão dos territórios, os Governadores provinciais Cainitas são indicados pelo Senado Eterno e são responsáveis por seus territórios. Recebem apoio militar e pagam tributos de acordo com sua produção e arrecadação.

Aqui serão narradas as cenas nas províncias orientais, como as terras egípcias e a mesopotâmia.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Sex Fev 16, 2018 11:03 pm
* Galileia, província romana de Tiberíades, 122 DC.


Foi nestas terras, há algumas décadas, que o ainda jovem Tito Pulo liderou a cavalaria e dizimou os últimos resistentes antes da batalha se estender à Antióquia. Os dias de resistência e guerra acabaram e com eles a esperança do povo de Yeshua de escapar das garras da águia se esvaiu.

Por conta dos recentes conflitos, Roma apertou o cerco contra todos que seguem os princípios Judaicos. A situação político-religiosa se agrava com a crescente fé no autoproclamado Messias de jerusalém. A fera da guerra e da conquista que antes engolia e digeria culturas inteiras, seus Deuses e crenças, e os transformava em suas agora parece recuar diante a bravura e incapacidade de se curvar do povo Judeu e também da audácia cada vez mais crescente dos outros que seguem os passos do Cristo crucificado.

Sinais de um novo tempo? Por hora, sinais claros apenas de mais miséria para a plebe judaica. Fome assola centros menores, como Caná e Naim. As maiores províncias, Cafarnaum e Tiberíades abrigam villas romanas pomposas, ocupadas por Patrícios destacados especialmente para gerir a economia das terras próximas ao Mediterrâneo.

Em Tiberíades, longe do olhar mundano e encoberto por construções simples na área da plebe, existe um templo de estudo do Torá e adoração à Yeshua. Uma de suas câmaras de pedra abrigam seu guardião e guia espiritual daqueles que resistem - e escondem-se - do olhar julgador de Roma.

O sopro noturno ainda carregava o calor do fim do dia, das areias sempre mornas daquelas terras tão áridas quanto castigadas pelo julgo romano. Não chovia há meses. Era este o período do longo sol, no qual o povo pouco conseguia colher e mesmo a pesca rendia poucos louros. Ainda assim, desse mínimo, eram obrigados a continuar pagando altos impostos ao Império.

O despertar trouxe um cheiro adocicado às narinas do Cainita. Os aposentos simplórios, inteiramente de pedra, eram parcamente iluminados por tochas envolvidas em gaiolas de ferro que escondiam quase que em totalidade suas chamas. Ao abrir os olhos, Qaphsiel percebe que um de seus homens de confiança, Caleb, estava de pé ao lado da porta. Sua face sangrava, com um leve corte na bochecha esquerda. Ainda ofegante, ele clamou antes mesmo que o seu senhor pudesse levantar.*


- Perdoe-me Senhor, mas houve um ataque,  nós o capturamos. O infiel permanece em silêncio e diz que trouxe uma mensagem para vós.

* O pequeno templo construído e acobertado por simplórios casebres jamais havia sido atacado antes. A começar pelo fato de que os templos Judeus - e os de sua fé - não são mais alvos romanos desde o fim da Revolta, em 117 DC e por fim porque sua discrição o mantinha isolado e seguro. Qaphsiel desperta para a noite na qual isto parece ter mudado.*


Última edição por Storyteller em Qua Fev 21, 2018 10:18 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Sab Fev 17, 2018 9:08 am
Ao ouvir as palavras de Caleb, Qaphsiel se recorda das palavras do anjo que lhe visitou pela primeira vez em um sonho, dizendo que seu povo passaria milênios sem ter paz em suas terras. Seus planos de reconstruir uma resistência à Roma não aconteceriam sem perturbações, pois esta é a sina do guerreiro. Mesmo assim, a notícia de um ataque em seu refúgio o preocupava.  Ainda não era o momento no qual estava disposto a sacrificar seus aliados.

Qaphsiel levanta e se arruma, colocando sua espada curta e adaga na cintura. Ele amarra o keffyeh na cabeça, ocultando parcialmente seu terceiro olho. O fato do ataque ter acontecido durante o dia dava-lhe a certeza de que não foi perpetrado por um Cainita, de modo que era importante esconder sua natureza do humano invasor. Enquanto se arruma, pergunta a Caleb:

- Como foi esse ataque? Quantos homens foram responsáveis, além desse prisioneiro? Perdemos alguns dos nossos? Alguém gravemente ferido?

Por fim, ao terminar de se arrumar, Qaphsiel fala:

- Leve-me até o prisioneiro e vá cuidar dos seus ferimentos, meu bom Caleb. Algo me diz que devemos estar prontos para algo pior.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Ter Fev 20, 2018 12:35 am
Caleb


* O suor escorre pela face de Caleb e se une ao sangue em sua bochecha, os olhos do guerreiro tremulam por um instante antes de responder.*

- Hashashins, Mestre.

* As palavras do homem ecoam pelo aposento e atravessam os ouvidos de Qaphsiel afiadas como uma lâmina curva. A lendária ordem dos assassinos do médio oriente se fazia presente em Tiberíades e, quando a lâmina da noite aparece, a vida se esvai como a areia do deserto com o passar do vento*

-Onze dos nossos melhores homens morreram no salão de orações, meu Senhor.

* Caleb segura a espada em sua cintura com mais força, é possível notar os músculos de seu braço se tornarem mais protuberantes*

- Apenas...apenas um assassino invadiu o Templo.

* As luzes das tochas recobertas por metal pareceram diminuir conforme o relato ia se cumprindo. Caleb tensiona o maxilar, pressionando os próprios dentes antes de continuar*

- Após assassinar nossos homens, ele rendeu-se voluntariamente.

* Caleb se posiciona de lado em relação a porta, conferindo passagem a seu mestre e aguardando para segui-lo em direção ao salão de orações*

- O mantive vivo, pois a única palavra dita pelo assassino em nosso idioma indicou que há uma mensagem para o Arcanjo.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Ter Fev 20, 2018 8:51 am
Enquanto caminhavam para o salão de orações, Qaphsiel reflete sobre o que Caleb acabava de lhe contar. A situação era pior, muito pior do que imaginou de início. Não se tratava apenas de um meros simpatizantes de Roma tentando invadir seu refúgio. Era um assassino. UM hashashin, que sozinho foi capaz de eliminar onze dos seus. Um pensamento preocupante abalou uma certeza que havia acabado de ter tido:

- Me confirme uma coisa Caleb: o ataque aconteceu quando ainda havia luz do dia ou já ao cair da noite?

A dúvida de Qaphsiel é se em breve ele estaria diante de um Filho de Haqim ou apenas um dos seus lacaios. O zelote nutria um profundo respeito pelos assassinos. Lembrava das histórias sobre Chorazin, que seu mestre havia lhe contado. Lá, suas linhagens lutaram lado a lado contra os malditos infernalistas. Ainda que os Filhos usassem as sombras, o silêncio e o sangue como suas principais armas de combate, eles eram guerreiros nobres e cheios de coragem.

O que o perturbava agora eram as possíveis razões que levaram um assassino até seu abrigo. Certamente não seria uma causa própria dos Filhos de Haqim, imaginou. Qaphsiel ouviu dizer que eles estavam aceitando contratos de outros Cainitas. O fato de ter matado onze dos seus homens e se rendido já era uma mensagem. Ele poderia ter continuado, se assim quisesse. Enfim, especulações. Somente o assassino poderia responder. Era preciso ouvir a mensagem que ele trazia ao Arcanjo.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Ter Fev 20, 2018 11:18 pm
* Qaphsiel e Caleb começaram a caminhar pelo longo corredor de pedra polida, as poucas e esparsas tochas espalhadas e parcialmente cobertas por gaiolas de aço conferiam uma iluminação parca e amarelada ao ambiente. Nas paredes, os princípios da fé Judaica foram entalhados na pedra, cuidadosamente. Dentre eles, durante a caminhada, um se destaca iluminado por uma tocha próxima*


Confio plenamente que o Criador conhece todos os atos e pensamentos dos seres humanos, eis que está escrito: "Ele forma os corações de todos e percebe todas as suas ações"


*Caleb responde ao questionamento enquanto caminha ao lado de seu Senhor*

- O Hashashin nos atacou ao cair da noite, quando a lua já se fazia presente, Mestre.

* Após atravessarem o corredor, O Arcanjo e seu guerreiro chegam ao salão de orações. Um ambiente oval com o teto em redoma. Apesar de mais espaçoso,  era simples, sem qualquer adorno ou entalhes em metais preciosos ou pedras brilhantes. Nesta noite, contudo, nada mais chamava a atenção de Qaphsiel do que o cheiro adocicado do vitae fresco que o acompanhou por todo o corredor. Ao menos, até ser acometido pela visão.

Os corpos de seus homens, cobertos com tecidos ensopados em sangue, espalhavam-se pelo chão dispostos em um grande círculo. O restante dos guerreiros do Arcanjo mantinham suas espadas em punho, cercando e encurtando o espaço do homem ao centro de toda a comoção.

Os joelhos no chão e sentado sobre as próprias pernas, os olhos eram negros como a noite e fitavam a chegada do arcanjo. Trajava roupas leves, mas que cobriam-lhe quase todo o corpo. O Keffyeh era negro, assim como sua pele.

Enfim, após a chegada de Qaphisiel, o homem se levanta lentamente. Os guerreiros do templo encurtam ainda mais o seu espaço apontando as espadas em sua direção, formando um círculo ao redor do Hashashin.

Após alguns segundos fitando-o, a voz do invasor ecoa pelo salão, baixa e rouca*


- Estou diante de Qahphsiel, Cria de Za’aphiel, Mestre deste Templo?
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Qua Fev 21, 2018 1:06 am
Ali estava o assassino. A pele negra não deixava dúvidas que estava diante de um Filho de Haqim. Qaphsiel usa a sua Visão da Alma [Auspícios 2] para imediatamente perscrutar o interior do seu mais novo... visitante.

- Eu sou Qaphsiel, cria de Za’aphiel. Eu sou mestre e guardião deste Templo. Entrastes por nossas portas e profanastes este solo consagrado com o sangue do povo de Y’srael. Entendo que parte de sua mensagem foi entregue com a morte desses homens.

Qaphsiel faz uma pausa e, em um tom de voz irônico, continua:

- Caso contrário, se seu papel fosse o de me trazer apenas algumas palavras, poderia simplesmente bater em nossas portas e compartilhar do pouco vitae que tenho em minha dispensa.

Qaphsiel muda o tom, novamente, dessa vez deixando-o mais duro:

- Diga-me a que viestes aqui, hashashin. Dúvido muito que o que tenha a dizer valha a vida de qualquer um dos que acabou de matar.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Qua Fev 21, 2018 10:14 pm
* A tensão pairava no ar. Os homens do Arcanjo cerceavam o espaço do Hashashin com as espadas em punho, dentes cerrados e uma ânsia em vingar a morte de seus companheiros.

Ao usar seus dons de percepção, o Salubri nota uma aura pálida recoberta de veias negras.

O Invasor, contudo, mantinha-se imóvel e coberto por uma frieza espantosa. Sua cimitarra de lâmina longa e curva estava jogada ao chão, longe de seu alcance. Manteve-se em profundo silêncio durante as palavras do Mestre do Templo. Ao fim delas, deu um passo à frente e foi interpelado pelas espadas dos guadiões que prontamente fecharam o círculo impedindo seu avanço.

O Assassino ergueu as mãos e começou a retirar, lentamente e em clara demonstração de rendição,  um embrulho avolumado e preso em suas costas, que lhe caía pela lateral do corpo semelhante a uma algibeira de couro. O que quer que estivesse dentro do embrulho era de tamanho médio e de formato quadrado.  Após retirá-lo das costas, o desembrulhou, também lentamente e o fazendo com o cuidado de permitir ampla visão a todos no salão.

Se tratava de uma caixa de madeira, carmesim, com o Selo Imperial de Roma esculpido na frente. O Hashashin abaixou-se e ergueu o objeto, estendendo-o com as duas mãos em direção à Qaphsiel*


- Abra-a e, após isso, concluirei a entrega da mensagem de meu Mestre a vós, Arcanjo.

* Os homens do templo parecem receosos quanto ao posívell conteúdo da caixa, direcionando olhares duvidosos para Qaphsiel. Caleb dá um passo a frente, olhando seu mestre*


- Permita-me abri-la, meu Senhor. Não deves tocar no objeto trazido pelo Hashashin.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

Ontem à(s) 7:56 am
O invasor havia maculado sua aura cometendo o pecado da diablerie. Qaphsiel não se surpreendeu com isso. Aprendeu que tratava-se de uma prática comum entre aqueles que escolhiam o caminho do guerreiro entre os Filhos de Haqim.

O objeto que o hashashin lhe entregava, contudo, causava-lhe surpresa. Uma caixa de madeira com o selo de Roma? O que seria aquilo? Todas as evidências apontavam que o Filho de Haqim estava agindo como um emissário, mas quem em Roma moveria recursos para contratar alguém tão competente apenas para entregar uma mensagem. A não ser, é claro, que essa mensagem envolva a morte do destinatário. Apesar de não saber quem, nesse momento, gostaria de vê-lo eliminado, Qaphsiel sabe que qualquer cidadão romano, vivo ou morto-vivo, teria motivos para querê-lo. Enfim, todos os sinais naquele momento de tensão apontavam para uma armadilha.

Qapshiel observava o olhar apreensivo de seus homens. Ao ouvir o pedido de Caleb, o Arcanjo exibiu um sorriso terno:

- Nobre Caleb, eu agradeço vossa preocupação, mas não posso atender seu pedido. Acaso não sou eu o guardião deste templo? Que espécie de defensor eu seria, se permitisse que aqueles a quem jurei proteger assumissem os riscos que são meus?

Ele se vira para o invasor ajoelhado e pega a caixa para abri-la, dizendo com convicção:

- Confio minha existência ao Criador. Ele sabe o que se passa nos corações de todos os homens, estejam esses corações pulsantes ou não. Yahweh sabe as intenções de todos aqueles que se envolveram até que essa mensagem chegasse até aqui. Qualquer que seja o desfecho, Ele o escolheu. Que assim seja. Ani noten et hachaim sheli lElohim.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

Ontem à(s) 10:13 am
*Caleb dá um passo atrás, curvando-se lentamente após as palavras do guardião do templo em claro sinal de obediência e - acima disso - respeito.

Ao se aproximar da caixa, e do Hashashin que a ergue posicionado de joelhos no chão, Qaphisiel nota os detalhes no objeto de madeira. É, sem dúvidas, um objeto enviado por alguém de muitas posses. A caixa em si é entalhada a mão com o Selo Imperial de Marcus Aurélius,  O César. Além disso, possui um lacre em linhas finas de aço fundido e ouro.

Receio que se estende ao medo do desconhecido estampa os olhos dos homens do Arcanjo, assim como a prontidão para agir se necessário.

Enfim, o Salubri destrava a fechadura e abre a caixa.

No interior desta, há um pergaminho aberto e sobre ele algumas moedas cunhadas com a face do Imperador Romano. Moedas essas que resultam em uma pequena fortuna, para quem as possuir.

No pergaminho, logo visto por Qaphisiel, constam as seguintes palavras*


O César, Deus Vivo, Marco Aurélio Antonino Augusto,  decreta que os homens listados abaixo serão recompensados por sua bravura e servidão a Roma e a seu Imperador no cumprimento do dever lhes cabido de executar o rebelde conhecido como Qaphisiel.

Faça-se cumprir que devem garantir provas cabais da morte do homem do templo responsável por tantas revoltas que desembocaram em ações contra Roma e contra Deus. As moedas cunhadas e o pergaminho devem ser apresentadas em Roma, para que o Direito a Cidadania e as terras prometidas lhes sejam entregues.

São estes, e apenas estes, os homens beneficiados pela graça e perdão de César.

Imar ramash

Iasmael Kabur

..............( mais nove nomes)


*E assim os nomes dos onze homens do Arcanjo que agora jazem mortos no presente Salão estão citados no pergaminho.

O Hashashin, após entregar a caixa e seu conteúdo, mantém-se de pé e em silêncio aguardando que o Guardião do Templo termine de possuir consciência do conteúdo entregue*
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

Ontem à(s) 12:09 pm
Os caminhos do Criador são tão misteriosos quanto o caminho do vento , pensou Qaphsiel. A lembrança do entalhe na parede de pedra do templo também lhe veio imediatamente à mente. O silêncio que se instaurou no salão do templo no curto espaço de tempo em que o Arcanjo leu a carta era inversamente proporcional ao ruído que se passava em sua mente.

Qaphsiel relia as palavras da carta. Seus olhos faziam um movimento de vai-e-vem, indo de cada nome ali escrito para o cadáver correspondente que jazia no chão. Não foi o Invasor que maculou aquele solo sagrado com sangue judeu. Foi a traição perpetrada por seus antigos homens. Sua fé havia sido forte o suficiente para protegê-los do efeito corruptor das riquezas de César.

Porém, em meio a raiva e a decepção, Qaphsiel sentiu algo mais poderoso em seu peito. Se a fé daqueles mortais foi fraca, a sua se fortalecia. Quis o Criador que aquele assassino viesse até ali para eliminar os traidores. Quis o Criador que Qaphsiel soubesse o nome dos seus possíveis assassinos antes deles serem capazes de eliminá-lo.

O Arcanjo se deu conta que, independentemente do desfecho daquela nova situação, possuia uma dívida com o Cainita que estava à sua frente, e provavelmente com o Mestre que ele havia mencionado.

Finalmente, Qaphsiel levanta os olhos da carta, deixando-a cair no chão, junto com a caixa de moedas romanas. Ele olha o hashashin nos olhos e fala e repete, em voz alta para que seus homens consigam ouvir, mas sem disfarçar o tom de decepção, as mesmas palavras que havia lido pouco antes:

- Confio plenamente que o Criador conhece todos os atos e pensamentos dos seres humanos, eis que está escrito: "Ele forma os corações de todos e percebe todas as suas ações". Você tem liberdade para concluir sua mensagem, Filho de Haqim.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

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