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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Sex Maio 25, 2018 1:34 pm
Ainda sentado, Qaphsiel fita Gaius, com um ódio no olhar. Seu tom de voz, no entanto, é calmo.

- Pois saiba, Gaius Marcellus, que Roma não durará para sempre. Espero que você ainda esteja de pé para ver tudo o que acredita desmoronar...

O Arcanjo se levanta, lentamente.

- ... Se é que de fato acreditas em algo.

O semblante de ódio se dissipa quando Qaphsiel vira para olhar Arhmad. Ele sorri afetuosamente e coloca as mãos nos ombros do Assamita.

- Nobre Kalif, fui abençoado por ter feito essa jornada ao seu lado até aqui. Não faço o que faço por honra, mas por acreditar em algo maior do que eu. Faço isso para salvar as pessoas que vivem aqui. Peço que confie em mim.

Qaphsiel pega uma das estacas na mesa e a entrega na mão de Arhmad.

- Quero que faça isso por dois motivos: porque também confio em ti e não gostaria de dar esse prazer a um romano. - O Arcanjo olha repentinamente para Gaius - E porque quero que me tenha a honra de me vingar caso esses malditos não cumpram com sua palavra.

Ele se volta para Arhmad. Estava genuinamente calmo. A primeira vez que se sentia assim desde que entrara na estalagem.

- Por isso, preciso que saia daqui assim que terminar com isso. Por favor, mantenha-se vivo.

Qaphsiel suspira e fecha os olhos.

- Entrego minha não-vida a Ti, Yahweh. Deciste que eu não morreria em Massada e cá estou. Que seja feita Sua Vontade.

O Arcanjo estende os dois braços com as palmas das mãos viradas para cima, colocando-se em posição para receber o golpe. Ele se recorda do cordeiro que apareceu em sua sinagoga. Se recorda do pobre Caleb. Se recorda de Za'aphiel. Qaphsiel estava em paz.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Sab Maio 26, 2018 11:36 am
*Marcellus apóia o queixo sobre as mãos e os braços sobre os joelhos. Seu olhar era vidrado, não o desviava por nenhuma razão. Estava claramente apreciando a cena que se desenrolava à sua frente mas não havia desdém naquele olhar, o que havia era curiosidade. Pura e simples. Estaria ele estudando os inimigos e seus modos? Ou estaria apenas apreciando seu estratagema se concretizar?

Arhmad segura a estaca com as mãos trêmulas. Em um piscar de olhos, aquelas mãos se tornam firmes e determinadas, junto a seu olhar decidido*


- Não o questionarei, Arcanjo. Tenhas a certeza de que virei buscá-lo e, se o Romano não cumprir sua palavra, vingá-lo.

* Foi súbito, rápido e forte. Qaphsiel sentiu apenas o tranco inicial e o rosto de Arhmad girou à seus olhos que passaram a ver o teto de madeira da estalagem. Tudo parecia lento, letárgico. Era como se seu corpo não mais existisse e apenas um borrão do mundo se apresentasse ao Salubri. Pensou ter ouvido, mas não tinha certeza, passos rápidos em uma corrida firme.

Viu, e jamais se esquecerá, o rosto de Gaius Marcellus a sorrir acima de seu corpo. E foi neste momento que o viu.

Acima da face do romano havia uma sombra a preencher o teto da estalagem. Dela, uma silhueta negra que formava uma face quase imperceptível se fez notar. A escuridão parecia inclinar aquela cabeça tenebrosa como um leve cumprimento ao Salubri. Tão breve quanto pensou tê-lo visto, não mais o encontrava.

Onde estava? O horizonte saltava a seu olhar. Subia e descia de forma muito lenta. Viu-se sobre as areias. Estava no deserto?

O ângulo de sua visão não o permitia ver além das estrelas do céu escuro e profundo. Ouvia gritos, insultos e uma voz que se destacava das demais a se propagar pelo ar.*


- Gaius Marcellus trouxe-me este magnífico presente. E, em sua homenagem, procederemos com o supplicium.

* Mais gritos eram ouvidos. Eram de clamor, talvez até mesmo de prazer.*

- Mate-o! Arranquem-lhe os braços! Rebelde! Faça-o pagar!

* A agonia de não poder ver em seu entorno o abatia. Apenas a vastidão estrelada e as sombras - eram homens? - que por vezes escureciam parte de sua visão se apresentavam aos olhos do Salubri. Ouviu cavalos a soprar, não relichavam, apenas empurravam o ar com força suficiente para que ele ouvisse. Eram dois? Não, pareciam mais.

Não sentiu, mas sua visão se aproximou mais dos céus. Havia sido erguido? Tudo era lento, prolongado.

Viu, por fim, a cabeça de um homem arrancada de seu corpo passar acima de seus olhos. Girando lentamente. Em seguida um cavalo saltou por cima de seu corpo, pôde ver que montando o animal estava Kalif Arhmad, com sua espada curva em punhos. O salto lhe pareceu uma eternidade.

Levantou o tronco, de súbito, buscava o ar como se precisasse. A estaca não estava mais em seu peito.*


- LEVANTE-SE, ARCANJO!

* Era a face e a voz de Arhmad*
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Sab Maio 26, 2018 6:08 pm
Qaphsiel não imaginava que o estado de paralizia provocado pelo empalamento seria assim. Pensava, nos breves momentos em que essa questão lhe viera à mente, que uma estaca em seu coração o levaria a um sono perturbado por sonhos e pesadelos febris. Isso, ou um sono profundo e inconsciente, cercado pela escuridão. Nenhuma dessas hipóteses lhe agradava, mas quando Arhmad enfiou a estaca em seu peito, Qaphsiel viu que a realidade do empalamento era muito pior.

A estaca deixou Qaphsiel literalmente paralizado, mas em um estado de semi-consciência que o permitia ter uma vaga noção do seu entorno. Ele via o que seus olhos abertos e congelados conseguiam ver. Escutava o que seus ouvidos conseguiam captar ao redor. Mas nunca plenamente. Nunca com clareza.

Qaphsiel foi tomado por uma sensação de desespero. Não era possível relaxar naquele estado. Conforme as imagens e os sons iam e vinham, aterrorizou-se com a possibilidade de passar a eternidade numa não-vida que também era um não-ser e um não-estar. E não poderia fazer nada para impedir isso.

A própria noção do que seria eterno perdeu o sentido, pois sua percepção de tempo se perdeu. O Salubri não conseguia determinar se estava preso a horas, dias ou anos. Poderiam ser décadas. Tudo transcorria de maneira paradoxalmente rápida e lenta, simultaneamente.

O Arcanjo usava as forças mentais que lhe restavam para ao menos tentar dar uma ordem cronológica aos efêmeros acontecimentos que conseguia... presenciar, ainda que não fosse possível saber o tempo transcorrido entre eles. Viu o sorriso de Marcellus, seguido da macabra visão de um rosto nas sombras. Na sequência, veio a voz, falando em latim, aparentando uma felicidade por tê-lo inerte e indefeso. Depois vieram as vozes, selvagens e inclementes. Seriam romanos? Seriam de seu próprio povo? Mortais ou Cainitas? Após tudo isso, viu uma cabeça girando fora de seu corpo e o ventre de um cavalo passando em cima de seu corpo.

Qaphsiel repetia os fatos mentalmente, acrescentando cada novo acontecimento na sequência. Fazia isso com o que acabava de narrar quando se viu violentamente retirado de seu estado letárgico. Subitamente, uma onde de ar invadiu seus pulmões mortos, fazendo com que soltasse um grito de angústia. Era como se este grito estivesse preso em sua garganta desde o momento - perdido no tempo - em que fora empalado.

Sentia dor, raiva e medo. Não conseguia colocar a mente em um estado no qual tinha noção do que estava acontecendo. Pior do que isso, sentia fome.

Foi a voz de Arhmad que de fato o trouxe de volta à realidade. Qaphsiel levantou-se rapidamente, usando o sangue que ainda tinha em si para mover-se de modo mais veloz. Correu em direção ao Assamita, preparando-se para montar em seu cavalo.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Seg Maio 28, 2018 8:46 pm
*Recobrando seus sentidos, Qaphsiel levanta-se e corre em direção ao alazão montado por Kalif Arhmad. Ainda desnorteado, o Salubri olha para os lados e para trás durante o percurso e começa a se situar sobre sua real posição.

Corria no que parecia ser o centro de uma Villa Romana. O chão era de areia batida e atrás de si havia um grande casarão de pedra amarelada, típica da região, de dois andares com uma sacada em sua frente. Lá, no segundo andar da morada, um homem trajado com a típica armadura dos legionários se mantinha sentado em uma cadeira também de pedra. Seus cabelos escuros eram bem cortados em estilo militar, seu físico era notavelmente o de um guerreiro. Por cima de seu ombro, um tecido vermelho cobria parte de sua armadura e ganhava os contornos de uma capa. Havia algo de nobre naquele homem. Talvez não uma nobreza de espírito e honra aos olhos de Qaphsiel e do seu povo, mas uma autoridade que emanava superioridade.






Sentado a seu lado estava Gaius Marcellus, a observar o andar de baixo no qual Qaphsiel corria após seu despertar.

A seu redor, cerca de vinte legionários engajados em combate com os homens das comitivas do Arcanjo e do Assamita, que parecem ter invadido o local. Percebe ainda que sobre o chão onde estava deitado há cordas dispostas em uma posição tal que lhe permite aferir que estavam amarradas em seus braços e pernas, abertos, prontos para que fossem separados do corpo por cavalos que correm desenfreados pela Villa.

Assim que se aproxima de Arhmad e de sua montaria, notou o Assamita saltar de cima do mesmo com sua cimitarra em mãos. Estavam em ataque, não em fuga. Qaphsiel ergueu uma vez mais o olhar para a sacada da construção e percebeu ambos os homens já de pé, o Romano que emana nobreza e Marcellus. É o primeiro que grita palavras de comando aos homens abaixo de si.*


- MATEM-NOS! NÃO DEIXEM QUE NENHUM REBELDE ESCAPE!


* Neste exato momento, Qaphsiel nota um sorriso conhecido na face de Gaius. Aquela mesma expressão debochada e sutil surgiu na face do homem de cabelos dourados. Alguns dos legionários retiraram tochas escondidas abaixo de seus escudos e as acenderam nos candelabros de ferro recoberto espalhados pelo pátio da Villa. Marcellus saltou velozmente deixando a sacada enquanto quatro homens lançavam as tochas em direção àquele que estava acima dela. As tochas incendiaram a balaustrada de madeira e ameaçaram expandir-se para o corpo do Romano que também saltou - por coragem ou pavor - para o andar de baixo. Seu braço esquerdo estava chamuscado e o direito desembainhava um gládio que reluzia graças a luz das chamas no andar de cima.

Marcellus desembainhou a sua própria espada, mas não avançou, enquanto quatro legionários avançavam em direção ao seu alvo, o homem que tentaram incendiar. Os outros continuam a lutar contra os homens de Arhmad e Qaphsiel, parecem se equivaler em número e capacidades.

Tudo acontecia em um piscar de olhos, ou teria se demorado um pouco mais? Arhmad correu rapidamente por entre seus próprios homens e deslizando a lâmina de sua espada sobre seus pescoços, fez com que dois legionários deixassem este mundo. Ele corria, ferozmente, em direção ao homem que saltou por entre as chamas. Aos poucos o Salubri retomava sua altivez e estava, enfim, pleno de suas capacidades.*
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Ter Maio 29, 2018 6:17 pm
Qaphsiel observava toda a confusão ao seu redor em câmera lenta, tentando dar conta do que estava acontecendo. Ouvia todos os sons ao longe, como se estivessem abafados. Os gritos dos homens, os barulhos das armas se chocando e os relinchos dos cavalos. Foi o crepitar das chamas tomando a sacada repentinamente que o colocou no tempo corrente daquele momento.

Diante de si, via o que parecia ser o plano de Gaius Marcellus sendo posto em ação. Aquilo que seria a sua execução pública se transformou em uma emboscada para o Senador Marcus Verus. Qaphsiel só não compreendia como Arhmad havia chegado ali. Isso, porém, poderia ser esclarecido depois. Olhando para a figura de Verus, ferida pelo fogo mas ainda assim imponente, o Arcanjo assume um semblante obstinado.

Estava desarmado, então deveria agir rápido. Ativando seus dons do sangue, o Salubri corre em direção ao corpo de um dos legionários que acabara de ser morto por Arhmad. Deslizando pela areia do átrio, ele pega um dos gládios caídos no chão. Enquanto faz isso, concentra seu sangue para tornar-se mais resistente, sentindo uma força sobrenatural tomando seu corpo.

Em seguida, Qaphsiel põe-se a caminhar na direção de Marcus Verus.

[Qaphsiel gasta 1 Pto de Sangue para ativar sua Rapidez 1 e 1 Pto de Sangue para ativar Fortitude 2]
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Sab Jun 02, 2018 7:09 am
* Qaphsiel, imbuído da força de seu sangue e dons, move-se velozmente em direção à Marcus Verus. Antes que chegasse, notou Arhmad saltar na direção do legionário com sua lâmina curva erguida.

O golpe foi violento e preciso, típico da técnica empregada pelo Assamita. O Salubri ainda pôde ver, reluzindo contra as chamas que tomaram a sacada superior da vila, o sangue espesso e escuro do Kalif a gotejar de sua cimitarra. Sabia o Arcanjo que aquela habilidade dos filhos de Haqim é implacável e mortal.

Verus, no entanto, não moveu um só músculo.

A espada acertou-lhe em cheio no exato encontro entre o pescoço e o trapézio e um som alto da lâmina a se chocar contra a sua pele se assemelhou a um embate entre armas de metal. A força do golpe fora tão grande que os braços de Arhmad desceram rapidamente e ainda tocaram o chão, segurando apenas o cabo de sua cimitarra estilhaçada.

Milhares de estilhaços, voando em todas as direções. O Assamita surpreendeu-se e não foi capaz de defender-se do veloz e poderoso golpe do Romano que acertou seu flanco, da esquerda para a direita, com a lâmina do gládio. O tronco do Kalif abriu-se e sangue jorrou, ele caiu de joelhos com as mãos a conter o sangue que vertia rapidamente.

Marcus Verus mantinha um olhar austero, porém assustadoramente calmo mesmo após ser atacado com as incandescentes tochas. Foi a vez de Gaius Marcellus que, ao invés de atacá-lo, deu um passo atrás. Havia nada mais que medo em seu olhar.

Para trás de Qaphsiel, os homens continuavam a digladiar-se e já havia uma certa vantagem numérica de sua caravana em relação aos legionários.*


Iniciativa: Qaphsiel e Marcus Verus:
Qaphsiel deve postar seus valores de Destreza + Raciocínio e descrever sua ação de iniciativa, preparando-se para o embate, para fins de MI.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Dom Jun 03, 2018 10:12 am
Ao ver Arhmad indo ao chão, com sua arma em pedaços, e Gaius Marcellus se acovardando, Qaphsiel se deu conta que não seria um combate simples. O plano de Marcellus, afinal, não estava correndo tão bem assim.

Estava diante de Marcus Verus, que continuava ali, imponente em meio ao caos da luta e das chamas. Não parecia se abalar pelo fogo que o atingiu. O Arcanjo admirou, por uma fração de segundo, o seu oponente. Pensou que, se fossem avaliados apenas por sua proeza e bravura em combate, alguns romanos poderiam de fato ser merecedores de respeito.

Ainda olhando para Verus com um semblante decidio, Qaphsiel se detém. Concentrando-se, ele sente o próprio sangue vibrar por todo o seu corpo quando o terceiro olho se abre e começa a emitir a majestosa luz rubra. A luz vai se espalhando por seu corpo, tomando seus membros, até que o Salubri parece brilhar inteiro como a luz da alvorada. Preparando-se para o pior, Qaphsiel invoca a Armadura da Fúria de Caim.

[Qaphsiel tem Destreza 4 + Raciocínio 3]
[Qaphsiel gasta 1 Pto de Sangue para ativar a Armadura da Fúria de Caim (Valeren 4): Vigor 4 + Armas Brancas 5]
[Qaphsiel gasta 1 Pto de Sangue para ativar sua Rapidez]
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Seg Jun 04, 2018 8:05 am
* Arhmad continua no chão a verter muito sangue. Ele parece ter uma dificuldade imensa em curar-se.

Verus impressionava. Qaphsiel era um excelente julgador de caráter e um analista de postura apurado e, por isso, pôde notar duas coisas.

Aquele cainita não temia a morte-final e era implacável em cumprir suas obrigações. A despeito das divergências políticas e religiosas, olhar aquele homem era como ver um espelho colocado em seu flanco, refletindo a mesma imagem mas de um outro ângulo.

Impressionava, também, a calma que os olhos azuis profundos de Marcus Verus emanavam. Ele fora traído, quase incendiado e atacado em sua própria vila e, ainda assim, permanecia de pé e altivo sem qualquer traço de irritação ou descontrole. Pelo contrário, ele parecia calcular cada passo e movimento e seu olhar estava fixo, agora, no Arcanjo.

Ele simplesmente abaixou o gládio alguns centímetros e posicionou o corpo de lado, colocando a espada à frente. Foi então que sua voz ecoou, firme, mas  impressionantemente livre de agressividade*


- Escolhestes uma forma mais honrosa de morrer, Salubri. Eu o saúdo, morrerá pela espada e não executado como um rebelde qualquer.

* Qaphsiel notou a armadura de Verus reluzir por conta das chamas na sacada acima. Era brilhante como prata, recoberta com um manto vermelho carmesim. Seu braço retesado desenhava os músculos e segurava firme o gládio em sua mão direita. Sua pele parecia corar-se um pouco mais, enquanto se observavam. Não avançou, estudava seu oponente por alguns segundos e antes que se pudesse notar, o ataque veio.*

Iniciativa Qaphsiel e Verus:

Qaphsiel tem Destreza 4 + Racionínio 3 + Rapidez 2 + MI 2 = 11
Marcus Verus tem Destreza 8 + Raciocínio 5 + Rapidez 5 + MI padrão 2 = 20

Marcus Verus ganha a iniciativa e age primeiro.

* O golpe foi limpo, preciso. Qaphsiel não tem certeza do momento exato no qual a espada de Marcus Verus desceu em sua direção mas tem plena certeza de que aquele golpe foi empregado por um homem de armas. Um especialista, alguém que viveu a sua vida e não-vida devotadas à um único propósito: a batalha.

Foi diagonal, de cima para baixo, visando o peito do Arcanjo. Era possível ouvir o som do ar a ser cortado pela lâmina do gládio tamanha a força daquele golpe.*


Defesa - Qaphsiel:
Qaphsiel deve postar sua ação defensiva para fins de MI, observando o seu limite de gasto de sangue neste turno.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Seg Jun 04, 2018 8:13 pm
Não foi preciso muito para Qaphsiel perceber que Marcus Verus era um oponente superior. Ter retirado Arhmad do combate com um único golpe teria sido mais do que suficiente para chegar a essa conclusão, mas não teria sido necessário. O olhar impassível e a calma do Ventrue já eram suficientes. Como se não bastasse, a velocidade do golpe de Verus denotava um domínio majestoso das habilidades marciais dos Cainitas.

Naquele microssegundo, Qaphsiel se deu conta que Gaius Marcellus foi um tolo. Ou teria sido ele mesmo e Arhmad que cairam em uma armadilha, ao confiar no então sorridente legionário?

Pouco importava agora. O Arcanjo só tinha um caminho a seguir. Não tinha medo. Tampouco se importava em morrer na glória do combate. Nunca havia visto a guerra e o conflito como manifestações de honra e superioridade, tal como pensavam alguns romanos e bárbaros como Odoacro. Para Qaphsiel, morrer lutando ou sendo executado não fazia diferença, contanto que fosse em cumprimento daquilo que acreditava ser seu dever. E assim seria.

Qaphsiel tenta ser rápido o suficiente com o gládio que tinha nas mãos. De frente para o golpe que vinha em direção ao seu peito, o Salubri desce a lâmina de cima para baixo, preparando-se para tensionar os músculos do braço ao receber o impacto da arma de Marcus Verus junto à sua.

Qaphsiel vai tentar bloquear o golpe de Verus. Seus valores são Destreza 4 + Armas Brancas 5]
Qaphsiel já ativou sua Fortitude no início do turno]


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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Sex Jun 08, 2018 7:53 am
Teste de Ataque - Marcus Verus:


O MS, margem de sucesso para o ataque é 2 para Verus e 3 para Qaphsiel, visto a maior velocidade do primeiro. Portanto:

Verus tem Destreza 8 + Armas Brancas 4 + Rapidez 5 + MI padrão 2 = 19
Qaphsiel tem Destreza 4 + Armas Brancas 5 + Rapidez 2 + MI 3 = 14

5 Sucessos, como 2 é o requerido pela MS, os 3 sucessos excedentes entrarão adicionais ao dano.

Armadura da Fúria de Caim - Qaphsiel:


Para disciplinas, a MS requerida é 1.

Qaphsiel possui Vigor 4 + Armas Brancas 5 + MI 3 - dif 7 = 5 Sucessos! Desta forma, 4 sucessos entrarão na absorção até o fim do combate.

Teste de Dano - Marcus Verus:
Verus possui Força 6 + Potência 5 + Sucessos adicionais 3 + 2 ( espada ) = 16
Qaphsiel possui Vigor 4 + 4 ( armadura da fúria de Caim) + 2 fortitude = 10

Assim, Verus o atinge e causa 6 pontos de dano Letal.


* O corte diagonal foi de uma violência assustadora. Qaphsiel não percebeu a força empregada naquele veloz movimento até que o atingisse. De imediato, o Salubri sentiu os ossos de suas costelas trincarem e a lâmina perfurar sua carne profundamente. Entrou por cima do ombro esquerdo e saiu rasgando seus já mortos órgãos até sair próxima à sua cintura, do lado direito. Sangue jorrou sobre suas pernas e pés. O chão aquoso e carmesim era o reflexo do resultado do golpe duro do Romano.

Um de seus ossos do tórax apontou para fora do corpo, saindo pelo ferimento exposto.

Seu corpo vacilou, cambaleou, enquanto Marcus Verus mantinha-se impassivo à sua frente. Nos olhos azuis e frios daquele vampiro não havia regojizo ou soberba, havia apenas decisão e um ar de superioridade imposta. Esmagadora.

Pelo forte impacto, Qaphsiel quase foi obrigado a ajoelhar-se. Mas isto não ocorreria, não com o Arcanjo e líder do povo livre de Y'srael. Balançou equilibrando-se para se manter de pé, embora a dor fosse excruciante e o ferimento aberto fizesse com que seu vitae se perdesse às torrentes.*


Penalidade - Qaphsiel:
Qaphsiel recebeu 6 de dano letal, ficando portanto aleijado e com -5 em suas ações físicas neste turno. Pode curar-se somente no final do turno, após sua ação padrão e antes do próximo turno.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Seg Jun 11, 2018 8:50 am
O impacto do golpe em Qaphsiel foi tremendo. Sua visão enegreceu por um momento e os sons do combate que seguia na pequena arena ficaram abafados. Havia também um zumbido constante em seu ouvido. Quando voltou a enxergar novamente, viu o Ventrue à sua frente, impassível. Além da excruciante dor do golpe físico, havia a dor emocional de perceber que dificilmente venceria Marcus Verus.

Se Yahweh decidiu que aquele seria seu derradeiro momento, só lhe restava fazer uma coisa. Com a pouca força que restava em seu corpo, buscou o cristal que guaradava em suas vestes. Segurou-o com dificuldade na mão esquerda e o levou até próximo da boca. Era preciso avisar o restante da Frente das Sombras que a caçada de Ta-Urt havia falhado. Roma sabia dos planos e preparou uma armadilha. Ao menos teriam oportunidade de repensar a estratégia e evitar serem surpreendidos pelos romanos.

Ignorando Marcus Verus, Qaphsiel sussurrou com a voz fraca, pensando em Dázbov:

- O plano falhou. A serpente já avisou os romanos e fomos emboscados ao sul de Y’srael. O Filho do Deus nos capturou em sua casa.

O Arcanjou voltou a mirar Marcus Verus. Estava errado. Talvez ainda lhe restava mais alguns segundos e não tornaria as coisas fáceis para o Senador. Usando da força que lhe restava, Qaphsiel ativa seu sangue para se curar e continuar lutando.

[Qaphsiel usa os 4 Ptos de Sangue que lhe restam no turno para curar parte dos seus ferimentos]
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Ter Jun 26, 2018 6:20 am
Qaphsiel pôde sentir, intuir, que suas palavras chegaram ao destinatário.

Seu corpo tremulava, não por medo, mas pela certeza de que o fim estava próximo. o Criador assim havia determinado? Ou apenas o testava, como o fez com os seus mais valorosos filhos e de distintas formas, ao limite de suas capacidades?

Sentiu o sangue percorrer suas já mortas veias e lhe trazer alívio e força, embora parte do ferimento se mantivesse aberto. O torso aberto com um dos ossos de sua costela exposto se fechou,  mantendo-se apenas um corte diagonal e profundo, mas estreito, sobre seu peito.

Verus parecia implacável. Ele ergueu novamente a espada e certamente outro violento golpe se seguiria. Foi neste momento que Qaphisiel ouviu as trompetas.

O som já tinha percorrido seus ouvidos em outra ocasião. Tratava-se do prenúncio da chegada de legiões romanas, como aquelas que invadiram a cidade sagrada. Os portões da Vila se abriram e o som pesado do marchar dos soldados invadiu aquele terreno arenoso coberto de sangue e morte da batalha que se encerrava. O olhar de Qaphsiel deixou o brilho da espada de seu algoz por um momento e percorreu o local em busca dos homens de sua caravana e de Arhmad.

O Assamita estava no chão, imóvel. Parecia incapaz de curar-se dos graves ferimentos.

Os homens estavam vivos em sua maioria e destacadas algumas mortes, embora feridos e exaustos. No entanto, não teriam a menor chance contra o grande contingente romano que adentrava pelos portões. Eram dezenas a caminhar e mais de uma centena a aguardar para além da muralha, até onde os olhos cansados do Arcanjo puderam alcançar. À frente dos legionários, acima de um cavalo negro como a noite, um homem se destacava.

Era altivo, com o porte de um guerreiro e a face daqueles que viram a guerra por muito tempo. Cabelos bem cortados ao estilo romano e escuros além de uma barba desleixada na face. Sua armadura e o tecido carmesim jogado sobre os ombros denunciavam a posição de comando. Havia, ainda, a pele de um lobo sobre seus ombros.





Marcus Verus interrompeu-se no golpe e observou, com curiosidade, a entrada dos legionários guiados por aquele homem. A sua voz cortou o ar, em um questionamento impaciente.


- Lucius Aellius Sejanus. O que o General da Décima Primeira Legião faz em minhas terras?


A resposta não veio. Não com palavras.

Os legionários avançaram contra os seus próprios pares que ainda resistiam aos bravos homens da caravana do Arcanjo e do Assamita. Soldados de Roma matavam comandados romanos. Era uma visão inimaginável para Qaphsiel. Mas estava ali, diante de seus olhos que já haviam vislumbrado os mistérios que habitam a noite nas últimas semanas.


O homem desceu de seu cavalo, desembainhando uma espada com a haste branca que chamava bastante atenção. Somente quando aproximou-se o suficiente, sua voz grave e impositiva se fez ouvir.

- Levante-se, Salubri. Pois somente juntos seremos capazes de derrotar o Filho do Deus da Bretanha.

Havia fúria no olhar de Marcus Verus, que lançou-se contra o Romano recém-chegado, dando tempo para Qaphsiel se recompor enquanto o choque de espadas ecoava pelo átrio.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Ter Jun 26, 2018 4:40 pm
Era difícil compreender o que estava de fato acontecendo. A súbita chegada de um general romano, à frente de sua Legião, não estava prevista em nenhum dos planos. O covarde Gaius Marcellus não havia mencionado nada disso antes de enfiar a estaca no peito de Qaphsiel.

Ao observar o imenso destacamento de soldados que entrava no pátio de guerra, liderados pelo imponente homem no cavalo negro, o Arcanjo pensou, por um breve momento, que tudo estava perdido. Se sozinho Marcus Verus era um oponente superior, acompanhado de uma legião seria invencível. Nada mais restaria a fazer. Ele e Ahrmad seriam eliminados, bem como seus bravos homens que resistiam lutando. Preparava-se para empregar as últimas forças que lhe restavam. Ao menos morreria de pé, entregando sua não-vida nas mãos do Criador. Tinha a singela esperança de que sua morte serviria ao menos para aplacar a sede de sangue se abateria sobre o pobre povoado onde estavam. Talvez essa fosse sua última missão, o derradeiro papel que Yahweh havia designado para ele. Quem sabe? Talvez o próximo grande líder do seu povo estava naquele vilarejo, e o sacrifício de Qaphsiel o pouparia da morte certa. Os caminhos escolhidos pelo Criador eram misteriosos...

...misteriosos ao ponto de colocar os romanos uns contra os outros. Qual não foi a surpresa de Qaphsiel ao ouvir as palavras do general Lucius Aellius Sejanus, chamando-o para derrotar Verus ao seu lado! Confuso, o Arcanjo tentatava dar conta, sem sucesso, do que estava acontecendo. Era difícil compreender a intrincada disputa política entre os poderosos de Roma, ainda mais no calor da batalha. Sejanus, Verus e Marcellus... todos eles tinham interesses particulares e colocavam a parte que controlavam dentro do Império em prol das suas causas.

Por ora, nada disso importava. Interpretaria a súbita chegada do general como uma oportunidade dada por Yahweh. Talvez ainda seria seu destino morrer naquela noite, mas que fosse em circunstâncias diferentes. O Criador lhe dava mais alguns minutos para fazer a diferença. Alguma diferença.

Enquanto ativava seu sangue para terminar de curar seus ferimentos, Qaphsiel pensou em Dázbov. Fazendo com que suas mentes se tocassem, buscou fornecer uma imagem mental clara do local onde se encontrava, tal como ele acabara de pedir. Não sabia exatamente onde estava, pois fora levado desacordado, mas faria o possível para descrevê-lo.

- Estamos em um pequeno povoado ao sul de Y'srael, nos limites do que os romanos chamam de Província da Iudea. Nos encontramos em uma villa romana, com um grande pátio central onde o chão é de areia batida. O casarão que circunda o pátio é grande, construído com uma pedra amarelada, típica desta região. Ele possui dois andares com uma sacada em sua frente. O pátio é grande ao ponto de conseguir abrigar dezenas de homens. E, de fato, ele o faz agora. Um general chamado Lucius Aellius Sejanus acabou de adentrar os portões. Ele está do nosso lado. Há esperança.

Após enviar a mensagem, Qaphsiel correu. Apressadamente, foi em direção de Marcus Verus, que já havia se engajado em combate com Sejanus. Concentrando-se, o Arcanjo sentia o sangue percorrendo seu corpo, tornando seus músculos mais rígidos. Ao mesmo tempo, seu terceiro olho brilhava. Era como se o mundo estivesse mais devagar. Com o gládio em mãos, armou um golpe perfurante, mirando as costas do Ventrue. Sabia onde mirar o golpe com precisão, como se todo o seu movimento seguisse em um fluxo certeiro. Era como se tudo confluísse para que a lâmina adentrasse a carne de Marcus Verus.

[Qaphsiel gasta 2 Ptos de Sangue para se curar]
[Qaphsiel gasta 1 Pto de Sangue para aumentar seu Vigor para 5]
[Qaphsiel gasta 3 Ptos de Sangue para ativar a Vingança de Samiel. Ele possui Destreza 4 + Armas Brancas 5]

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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Qua Jun 27, 2018 7:27 am
Tudo ocorria ao mesmo tempo, em ações simultâneas sob a luz alaranjada das chamas que consumiam o segundo andar daquela vila.

A espada de Verus encontrou um rival determinado no gládio de Sejanus. O som metálico das lâminas a se chocarem ecoou firme pelo local se destacando das mortes rápidas dos homens de Marcus Verus perante a comitiva de Qaphsiel e Arhmad fortalecidas pelos legionários de Lucius Aellius Sejanus.


- Lucius, me perguntei por muitas noites qual seria o Senador a trazê-lo para a eternidade. Tuas vitórias nas mais distantes províncias o credenciavam e, após o fato consumado, o que vejo? Um traidor! Como ousas?


De forma um tanto chamativa, a voz de Marcus Verus mantinha-se impassiva, calma. Ressoava em tom baixo, como em uma conversa trivial, embora seu olhar denotasse uma fúria contida. Suas palavras ecoaram em consonância ao barulho do aço chocando-se uma vez mais e, o homem a sua frente o respondeu. A voz deste era mais carregada de emoções, em mais alto tom, pesada em urgência.


- Não enxergas, Verus!? Fomos nós, filhos de Roma, os que foram traídos! A escória ocupa o Império e nos arrasta para a podridão!

As espadas encontraram-se no ar, acima de suas cabeças. Era visível que Sejanus defendia os golpes de Marcus Verus com muita dificuldade. Seu ombro abaixava-se e suas pernas dobravam-se a cada golpe. Não resistiria, sozinho, por muito mais tempo. Foi então que o golpe veio, o Arcanjo emanou a luz avermelhada de seu terceiro olho aberto e o espectro luminoso rubro engoliu a escuridão dos céus.

O golpe foi devastador, pois assim é a Vingança do maior nome de sua linhagem. Aquele que sacrificou-se, assim como Qaphsiel o faria se necessário, em prol de uma causa maior que sua própria não-vida.


Teste de ataque Qaphsiel:
Não há a necessidade de teste, uma vez que a Vingança de Samiel torna o ataque em sucesso automático, no máximo possível de suas capacidades. Assim sendo, os valores baixo servem somente para fins de cálculo.

Qaphsiel tem destreza 4 + armas brancas 5 + rapidez 1 + MI 2 = 12 sucessos! Todos entram no dano.
Para fins de dano, Qaphsiel tem força 3 + 2 ( espada ) + 12 sucessos adicionais = 17 sucessos de dano letal!

Teste de absorção - Marcus Verus:
Verus possui Vigor 8 + Fortitude 8 = 16 ( a armadura não entrou para fins de absorção por conta da Vingança de Samiel)
Qaphsiel 17 - Verus 16 = 1 sucesso de dano letal

O Arcanjo perfura a armadura do Comandante Romano em um ponto preciso, por entre as costuras das placas e o couro, e sente a lâmina do gládio começar a adentrar em sua carne. É palpável, no entanto, que os músculos retesados das costas de Marcus são ainda mais duros que sua própria armadura. É como tentar cortar um pilastra de pedra polida com uma lâmina qualquer. O braço do Salubri sente a vibração do golpe enquanto é possível ouvir o som do trincar de sua espada. Por muito pouco, ela não se estilhaçou.

Verus, mesmo sentindo o golpe, parece ignorar o Salubri e pela primeira vez ergue a voz em um tom mais alto e é como se o próprio firmamento pudesse falar.


- COMO OUSAS BLASFEMAR CONTRA O IMPERADOR, LUCIUS!? PAGARÁ COM TUA EXISTÊNCIA POR TAL CRIME!


O golpe que se seguiu não pôde ser evitado por Sejanus. Foi lateral, de cima para baixo, mais rápido do que o legionário que auxilia Qaphsiel pudesse defender. O gládio de Marcus Verus cortou parte da armadura do Legionário e seu Vitae espirrou no chão. O corte era grande, mas não parecia muito profundo. Lucius Aellius deu dois passos para trás devido ao impacto do violento golpe, enquanto falava um tanto ofegante, a dispor de sua condição vampírica.


- Reflita, Verus! Por qual motivo o teu Senhor abandonou estas terras e a cadeira no Senado Eterno!? Por qual motivo ele afastou-se deste Império pestilento!? Abra os olhos, irmão de armas! Somos dois lados de uma mesma moeda! Conheço teu valor, tua moral e dedicação a um ideal justo! ROMA NÃO É A JUSTIÇA! NÃO MAIS!

As palavras pareciam fazer com que Marcus não prosseguisse, embora a fúria persistisse em sua face.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Qua Jun 27, 2018 12:47 pm
Qaphsiel retira a lâmina das costas de Marcus Verus. Estava estarrecido. Tinha certeza da potência de seu golpe, mas havia causado pouco mais do que um arranhão no romano. Verus era um oponente formidável. Mesmo dando tudo de si, suas chances contra ele eram mínimas. Em breve, o Arcanjo não teria sangue em seu corpo para sequer utilizar seus dons mais simples.

De toda forma, ali estava Marcus Verus, virado de costas e aparentemente ignorando o Salubri. Poderia golpeá-lo novamente com facilidade, pois a altercação entre os dois romanos parecia tomar-lhes toda a atenção. Contudo, as palavras de Sejanus pareciam afetar o Senador de um modo estranho. Por um segundo, ele havia interrompido os ataques. Aos olhos de Qaphsiel, era como se Marcus Verus estivesse ponderando - e concordando, talvez? - com o que escutava.

Quem era Marcus Verus? No que acreditava e por que lutava? Ainda que estivesse muito longe da Morte Final, parecia que o Ventrue não temia encontrá-la. Era como se ele, assim como o Arcanjo, lutasse por algo que acreditava piamente. O Salubri sempre pensou, desde os tempos que respirava, que todos os romanos eram seres egoístas e cruéis. Roma era um Império motivado pela ganância de seus governantes. Nada mais...

No entanto, tinha ali, diante de si, um romano que parecia acreditar em algo. Ou melhor, dois romanos.

Lembrou-se, imediatamente, da conversa que teve com Ramessú. Parecia que aquele diálogo acontecera há décadas, mas apenas algumas noites haviam se passado.

Cada povo têm sua fé, seu deus ou deuses, mas creio, do fundo da minha alma, que há algo em comum. Um núcleo duro de ensinamentos que corresponde ao Bem. E esse Bem é o Criador.

A frase percorreu sua mente como a sombra de um falcão voando abaixo do sol no deserto. Veloz e graciosa. Um bom presságio numa terra implacável. Olhou ao redor e viu seus homens lutando contra romanos. Eram todos jovens e estavam dispostos a morrer por obediência aos seus comandantes. Mas porquê lutavam?

Naquele instante, Qaphsiel abaixa o gládio e pergunta, com uma voz firme porém calma. Havia um tom sincero em sua voz:

- Por que lutas, Marcus Verus?
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Qua Jun 27, 2018 6:04 pm
Marcus Verus, o antigo Praetor e atual Senador, sentiu o golpe.

Talvez a espada de Qaphsiel tenha encontrado uma brecha em sua armadura e trespassado sua carne até que atingisse a sua alma, se ela existir nesta longa e amaldiçoada noite. Talvez, as palavras de Lucius tenham sido tão ou mais afiadas. Sem dúvidas, a indagação final do Arcanjo dilacerou algo no interior daquele cainita. O mais provável é que o conjunto das ações o tenha vencido. Se não de forma física, de outra que mesmo os maiores guerreiros não podem superar facilmente, quando as razões de sua luta não lhe parecem mais claras e definidas como outrora.

Abaixou o gládio e girou o corpo podendo encarar Sejanus e Qaphsiel posicionados em cada um de seus flancos. Sua expressão era ainda dura, quase impassível, embora em seus olhos azuis e profundos não houvesse mais o furor da batalha de instantes atrás. Sua voz, quando ecoou, se fez ouvir mais alta propositalmente e era dirigida aos poucos homens que lhe restavam e que ainda lutavam - bravamente - por seu comandante.



- Accipere clade, militibus.



Houve silêncio. As espadas não mais se chocavam, os homens de Verus deixaram suas lâminas baixas e recolheram seus escudos. Aqueles liderados por Sejanus interromperam o ataque e a caravana de Arhmad e do Salubri se interromperam, inquietos e duvidosos do que estava a ocorrer.

Marcus Verus rendeu-se.

Seu olhar voltou-se para Qaphsiel, ao respondê-lo. A voz calma e imutável, repleta de calor como uma brisa de verão, tomou aquele cenário de batalha coberto de sangue, chamas e corpos.


- Eu luto, Salubri, pela Ordem que deve haver em cada pedaço de terra que existir. Esta mesma Ordem impõe que homens de valor lutem e morram por aqueles que não podem - ou não devem - lutar.

Suas palavras se interromperam por alguns instantes, era visível que o Senador navegava em águas revoltosas de suas próprias lembranças.

- Eu vi  a Ordem garantir a crianças tornarem-se homens abraçados pela paz e tranquilidade das províncias romanas. Eu vi mulheres servirem somente a seus esposos e famílias acolhidas pela calmaria de uma vida longe do conflito.

- Não sou hipócrita. Eu vi, também, mulheres e crianças pagarem com a vida para que a Ordem se estabelecesse. Eu vi desespero, agonia e morte. Eu as vi e as realizei. Eu vi a busca pela Ordem iniciar e encerrar guerras, sim. Mas, sobretudo, eu vi a calmaria e a paz envolver a todos ao fim dos enfrentamentos.

- O mundo é uma longa noite, repleta de terrores e de caos. A luz da Ordem é a única capaz de chegar a todos e igualá-los sobre um mesmo manto. As mesmas regras, os mesmos deveres e os mesmos louros. Nós, Romanos, demos passos de importância máxima nesse sentido embora algumas determinações tenham sido - ao ver de um soldado - equivocadas. Não se constrói uma muralha em uma noite, assim como a Ordem, pura e verdadeira, não se estabelecerá em parcos anos. Talvez, mais milênios sejam necessários e eu estarei aqui se o forem.

- Alguns, como os de teu povo, buscam a Ordem em um único Deus. Outros, como os de meu povo, buscam no caos do politeísmo. Eu acredito que cabe a nós fazê-la possível. É creditada a nós estabelecer a Ordem e esta responsabilidade não deve ser terceirizada à figuras mitológicas.

- Somente a Ordem trará a paz. Por ela, eu luto e continuarei a lutar.
- Roma...Roma...tenho visto, das Cadeiras do Senado ao campo de batalha, Roma falhar na busca da Ordem nos séculos anteriores. Uma luz fúlgida ofuscada por ideais diversos e desprovidos de nobreza...

...mas Roma resistirá aos fracos de moral, o ideal é maior que os homens, precisa ser.

- É por isto que luto, homem da Judeia. Não perguntarei porque lutas, pois compreendo o vosso papel junto ao seu povo e as suas crenças.

- Todo homem carrega um fardo por seus antepassados.

- Os teus apenas estão a impedir o caminho da Ordem e, por isso, devem ser submetidos a ela.


Sejanus deu um passo a frente e não havia mais o corte em seu torso, apesar da armadura exibir um talho largo em suas placas de aço. Sua voz tomaria o local, mas seu olhar repousou sobre o Salubri e foi o suficiente para que o General da décima primeira Legião nada dissesse, pois estava claro que o questionamento do Arcanjo encerrou o enfrentamento e aquele momento de debate pertencia somente a ele e a Marcus Verus.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Seg Jul 02, 2018 9:23 am
Com atenção, Qaphsiel escutou cada palavra dita por Marcus Verus. Seus olhos estavam fixos nos do senador romano. A força e imponência que dele emanavam eram quase palpáveis no ar. Ao final do discurso do Ventrue, Qaphsiel balançou a cabeça afirmativamente, de modo discreto. Diante do silêncio que se instaurou, repetiu a frase de Verus:

- “É creditada a nós estabelecer a Ordem e esta responsabilidade não deve ser terceirizada à figuras mitológicas“.

Após repetir a frase, Qaphsiel pegou o gládio que estava em suas mãos e o fincou no chão de terra batida, deixando suas mãos livres. Voltou a olhar Marcus Verus.

- O quão bem conheces o povo que reside nessas terras? Com quantos israelitas conversaste? Talvez tenha aprendido nossa língua, tal como muitos de nós nos vimos obrigados a aprender a sua, mas usaste esse conhecimento para compreender o que pensamos, nosso modo de vida e no que acreditamos? Perguntaste para algum israelita o que ele pensa sobre esta Ordem que acreditas?

- Se o fizeste, Senador Marcus Verus, então sabes que o Povo de Y’srael também acredita na Ordem. Também acreditamos que o caos só nos leva à destruição e danação. Que é preciso sabedoria e disciplina para guiar homens e mulheres em direção à Luz. O Povo de Y’srael não terceiriza essa responsabilidade à figuras mitológicas. Acreditamos que somos os responsáveis por instaurar sua Ordem na terra dos homens. Não podemos relegar a ninguém essa missão, nem mesmo podemos nos virar para o Criador e dizer que essa obrigação é Dele e não nossa.

Por um breve segundo, Qaphsiel sorri. É um sorriso meio irônico, meio triste.

- Agora, podes acreditar que o Povo de Y’srael é prepotente. Que criou o mito do povo escolhido, baseado em uma figura transcendental, para colocar-se em uma posição de protagonismo e justificar sua existência. Se assim o fizer, pode ser que esteja certo. Mas eu posso dizer o mesmo de Roma. Roma, ao menos essa Roma na qual acredita, Senador Marcus Verus, que lhe dá o título que carrega à frente de seu nome, que lhe permite trajar estas vestes e imbuir nela o poder de comandar homens e decidir sobre vidas, essa Roma é tão transcendente, quanto meu Deus. O Poder de Roma emana de um homem e de um Cainita que se diz um deus vivo a caminhar na terra. Isso me parece, igualmente, uma figura mitológica de igual prepotência.

Pela primeira vez, o Arcanjo abaixa a cabeça e olha para o chão. Como estava cansado... Se dar conta da complexidade do mundo e da dificuldade do fardo que carregava nos ombros era algo exaustivo. Cada vez mais pensava que, talvez, seria melhor deixar de lado aquilo que pensava ser sua obrigação para simplesmente dormir durante eras e acordar em um mundo diferente...

- Sabes, Senador Marcus Verus, que durante muito tempo acreditei que não havia sequer um romano, mortal ou Cainita, que se movesse por algo mais do que a própria ganância ou sede de sangue. Aos poucos, fui transformando essa certeza em dúvida. Hoje, após lutarmos e ouvi-lo, vejo que estava errado. É possível encontrar pessoas de coração nobre em todos os lugares, vindas de todos os berços.

Qaphsiel voltou a olhar para Verus. Havia calma em seu semblante, apesar de transbordar em incertezas. Não eram incertezas sobre o que estava dizendo, mas sobre sua capacidade em seguir com sua missão.

- Continuo acreditando que existe o Bem e o Mal neste mundo. Podemos chamar este Bem por muitos nomes: Yahweh, Deus, Ordem, o que quer que seja. O mesmo pode ser dito do Mal. Mas precisamos lutar por esse Bem e termos sabedoria suficiente para não nos apegarmos demais à forma que ele assume em determinado contexto e acreditarmos que ela é mais importante do que sua essência.

- Foi possível, em algum momento no passado - e ouvindo-o posso ter mais certeza disso - que Roma estivesse alinhada com esse Bem. Mas não mais. Olhe ao seu redor Marcus Verus! Olhe quanto sofrimento, quanta dor. Sabes que algo está errado! Aquilo no que acredita é maior do que Roma. Então abandone Roma e lute por isso!

Silêncio. O Salubri deixou que suas palavras ecoassem pelo pátio. Em um tom de voz mais baixo, prosseguiu.

- Aquilo que Roma se tornou não merece homens como você. Não merece jovens esperançosos dispostos a morrer por algo maior, tal como muitos que pereceram aqui.

- Por fim, disseste que eu luto por meu povo e nossas crenças. Por muito tempo, estarias correto nessa afirmação. Lutei sim, por nossa liberdade. Pelo fim da opressão romana. Mas hoje começo a ver que a luta do Povo de Y’srael é apenas mais uma dentre muitas. Ainda não sei os limites dessa luta maior que venho buscando. Ainda não consigo determinar com clareza o que é esse Bem, que meu povo chama de Yahweh. Um dia vou encontrá-lo...

- O que sei, que consigo determinar com mais facilidade, é o Mal. Até eu encontrar o Bem, lutarei para extirpar da face desta terra todos aqueles que propagam a dor, o sofrimento alheio e a corrupção.

Qapshiel fecha os olhos, aguardando a reação dos romanos presentes. Enquanto isso, mentaliza a imagem de Dázbov, enviando-lhe uma mensagem:

- Creio que, por ora, está tudo sobre controle. Marcus Verus se rendeu.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Seg Jul 02, 2018 7:44 pm
Marcus Verus embainhou o gládio.

Seu semblante era imutável, porém pesaroso. Era visível que seus pensamentos vagavam para muito além do diálogo travado entre o homem de Y'srael e o Senador Romano.

O olhar do austero homem foi direcionado a um de seus soldados que, mesmo ferido, mantinha erguido um estandarte rubro com uma águia dourada entalhada em seu topo. Fitou-a, enquanto discursou.


- Lhe direi o que vi nestas terras, Salubri.

- Eu vi Pompeu conquistar a Síria e estabelecer Roma por entre as dunas do deserto.

- Eu vi tuas ruas imundas e repletas de dejetos lançados pelas janelas ganharem galerias e aquedutos. Eu vi suas crianças crescerem e vencerem as mazelas que antes as levavam ainda jovens pela absoluta falta de higiene. Eu vi as terras áridas e difíceis serem revestidas por estradas de pedra que facilitaram o comércio daquilo que vós plantavam.

- Eu vi progresso, avanço, civilidade.

- Eu vi um acordo pós-domínio. Os teus, assim chamados sacerdotes, abocanhavam dois terços de todo o produzido nestas terras para seu uso pessoal e mesquinho. Roma cobrava um justo décimo do produzido que custeava proteção e a disseminação de nossa estrutura civil. Eram os teus Sacerdotes que deixavam os produtores agrícolas com apenas um terço do que produziam. Eu vi homens de moral pequena e questionável a explorar o próprio povo em nome de uma fé que em nada me apetece.

- Não me cabe, contudo, avaliar os teus. Avalio apenas aquilo que vi e vos digo com toda a autoridade da presença que tive nestes eventos: a Fé, nesta e em outras terras, foi utilizada como uma moeda impositiva para a exploração dos homens. Dela, da Fé, nada espero.

- Estás errado quanto a Roma, Salubri. Ao menos quanto a Roma que eu acredito e vi funcionar...antes...antes da chegada daquele cainita.

- Roma levou progresso sob o manto da Ordem à todas as terras pelas quais passou. Podes questionar a violência, o abuso cometido por alguns soldados, mas advirto-lhe que nada fugiu ao que já acontecia na maioria das terras as quais levamos a Ordem. Eu vi selvagens que estupravam mulheres pelo bel prazer da caça. Vi outros que canibalizavam os seus. Vi aqueles que mutilavam suas mulheres e mesmo crianças em nome de suas crenças.

- Eu vi o caos e vi a luz criada por Roma por onde passou. Abandonar Roma? Diga-me, Homem da Judeia, abandonaria o teu Deus pela ação de homens imorais que cometem atrocidades em nome dele?

- O Imperador não é um Deus vivo. Titus Venturus é justo e dígno, um líder sem igual. Ainda sim, é apenas mais um a caminhar pela noite como aqueles que aqui debatem. O Mito do Deus vivo foi instaurado na humanidade para aplacar e unificar as crenças espalhadas por todas as terras que dominamos, como um instrumento para a implementação da Ordem. Para mim, é notório que abocanhar tantas crenças e deuses fracassaria e, assim, a centralização do Imperador Deus se fez necessária para que houvesse uma hierarquia funcional. E funcionou, perfeitamente, por longos séculos.


Sejanus interferiu em um momento de pausa de Verus

- Vivi minha mortalidade inteira sob esta mesma Ordem, Senador. E vos digo: ela não mais existe desde que Juno Prestes tornou-se conselheiro do Imperador. A presença daquele cainita tornou Venturus apático, inconclusivo e frágil na governança de Roma. Sabes, melhor do que posso lhe dizer, que é o Senado e seus ardilosos membros que comandam massacres e espalham o medo em nome de Roma. Onde deveria haver Ordem, Senador, há o Caos disseminado sob a águia dourada.

Marcus silenciou. Somente após alguns longos instantes, proferiu.

- Encontrarei as respostas necessárias nas próximas noites. Nesta, eu os questiono, Lucius Aellius Sejanus e Homem da Judeia:

- Vossa luta tem um fim na destruição daqueles que desvirtuaram o ideal romano o transformando no Mal citado pelo Salubri ou na destruição da própria Roma?

-  Isto define, claramente, em qual posição nos encontraremos da próxima vez.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Ter Jul 03, 2018 4:06 pm
Para Qaphsiel, era curioso escutar a versão de Marcus Verus sobre os fatos. Curioso, porém incômodo. Tinha ali a mesma sensação que tivera no início do combate, quando olhar para Verus era quase como olhar para um espelho. Ambos tinham a mais absoluta convicção por aquilo que lutavam, ainda que acontecimentos recentes tenham abalado sua estabilidade. Tanto o Arcanjo quanto o Filho do Deus buscavam justificar o abalo em suas crenças na ação corrupta de homens e vampiros, elevando suas crenças a um patamar superior. Fosse Roma ou fosse Y'srael, tratava-se de algo que para sempre valeria a pena lutar. Era a corrupção do mundo que impedia seus ideais de florescerem...

Ao menos era esse o modo pelo qual o Salubri se esforçava para enxergar a presente discussão. Antes de responder à última pergunta de Verus, Qaphsiel não poderia deixar de interpelá-lo. Seu tom de voz era calmo, ainda que elevado o suficiente para demonstrar seu incômodo.

- Por acaso achas que não sei nada a respeito da corrupção que dominava os sacerdotes do Segundo Templo? Achas que não houve disputas e intensos debates sobre como proceder? Lutei ao lado de sicarii que tinham tanto orgulho dos israelitas que haviam eliminado quanto dos seus alvos romanos.

- Perguntas se eu abandonaria meu Deus pela ação de homens. Jamais. Mas eu, junto de mais 900 homens e mulheres de coração nobre, optamos por abandonar Yerushalayim, pois não compactuávamos com a sujeira que havia ali se instaurado. Esses mesmos homens e mulheres tiraram suas próprias vidas, abandonando este mundo para não abandonarem sua fé, quando foram cercados por Roma. Eu estava entre eles, e estaria entre os mortos caso não fosse recrutado para ser um Filho de Saulot.

- Portanto, Marcus Verus, compreenda: homens nobres estão dispostos a cortar da própria carne em nome daquilo que acreditam ser correto.

- O que me deixa atônito, quando compara as suas convicções com as de meu povo, é o modo como atribui os erros de Roma à corrupção de alguns homens de pouca visão ou fraqueza de caráter. Enquanto que os erros do Povo de Y'srael seria culpa de sua fé e relutância em ceder à pax romana...

Qaphsiel ficou em silêncio. Pensou, por fim, na última pergunta feita por Verus.

- Quanto à minha luta, e aqui falo apenas por mim, reitero o que lhe disse antes. Ela será sempre contra aqueles que praticam o Mal. Se hoje este Mal é praticado por aqueles que sentam no trono de Roma, é contra eles que será meu combate. Se, após sua queda, eu compreender que o Mal continua rondando Roma, se o sofrimento dos povos continuar sendo parte intrínseca do projeto de poder romano, minha luta não cessará.

- Mas faço-lhe também uma pergunta, Senador Marcus Verus, lembrando-o que nossa espécie sabe muito bem que impérios que se diziam eternos surgiram e cairam. O que é maior: a Ordem em que acredita ou o Império Romano?
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Qua Jul 04, 2018 7:34 am
Havia concentração no olhar de Marcus Verus. Dedicava sua total atenção às palavras daquele homem à sua frente. Ao fim delas, concluiu.

- És um homem - pois mesmo nós que já não vivemos como todos os outros ainda somos e sempre seremos homens, mesmo que amaldiçoados a caminhar pela longa noite - de moral e honra. Diga-me teu nome, para que eu possa levar as memórias das palavras desta noite ditas por vós.

Houveram alguns instantes destinados a ouvir a resposta, então continuou.

- Olhes em volta, Qaphsiel. Vejas aquele soldado.

Verus apontava para o legionário, daqueles que o seguiam, de pé e ensanguentado em meio aos seus companheiros feridos. Era ele que segurava o estandarte de Roma com uma águia dourada reluzente em seu topo. Ofegante e ferido, aquele homem esforçava-se para manter o símbolo erguido.

- Os seus valorosos homens que morreram e cortaram a própria carne por sua causa em nada diferem dos milhares de legionários que fazem o mesmo, todos os dias de sua vida, por Roma.

- Achas que um soldado como aquele continua de pé em tal estado somente por minhas ordens ou por medo? Não. É o ideal Romano que o mantém erguido.

- A vida de um Legionário é dura e difícil. Eles são privados de suas famílias, lavouras e do amor fraterno de suas cidades e de seu passado por longos anos servindo Roma. Lutam, sangram e morrem por Roma. Dedicam suas vidas inteiras regadas a batalhas e a uma condição de vida difícil e restritiva. São levados a exaustão física e mental. E, ainda assim, continuam e orgulham-se de sua posição.

- O fazem, Qaphsiel, porque acreditam em algo maior que eles mesmos. Acreditam, mesmo que chamem de outras variadas formas, na Ordem.


Houve uma pausa, o Senador parecia entristecer-se conforme suas palavras ecoavam pelo cenário da findada batalha.

- O Império Romano não é maior que a Ordem. Nada jamais será. Roma foi o instrumento pelo qual a Ordem se estabeleceu e me corrói perceber que declina de forma tão deprimente.

A altivez retorna repentinamente a seus olhos azuis.

- Não desistirei dos meus, Qaphsiel. Jamais poderia. Descobrirei as raízes da mazela que apodrece Roma por dentro e a arrancarei com minhas próprias mãos e se, ao fim do processo, houver a mínima chance de reerguer Roma e o que ela já foi um dia, tenhas a certeza de que eu o farei.

- Espero, sinceramente, que homens como você não fiquem no meu caminho quando este dia chegar pois, neste caso, não haverá uma nova trégua.


Ele estende o braço, para um aperto de antebraços comum entre soldados.

- Agora, que a trégua se faça. Tu e os teus não serão interpelados pelos meus homens em sua busca pelo deserto. Que Ta-Urt pague pelos seus inúmeros crimes, aquela criatura jamais deveria ter repousado sob as asas da águia dourada.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Qua Jul 04, 2018 2:48 pm
Apesar do cansaço extremo, Qaphsiel conseguiu mostrar um sorriso singelo quando Marcus Verus perguntou-lhe o nome. Olhou-o nos olhos para responder:

- Me chamo Qaphsiel, progênie de Za’aphiel, Filho de Samiel, do sangue de Saulot.

Seu espírito era tomado de orgulho cada vez que proferia sua linhagem em voz alta. Era como se, mesmo em meio às muitas dúvidas que o tomavam, tivesse certeza a respeito de uma coisa: seu sangue era nobre e lhe atribuia uma difícil missão. O sangue de Saulot e Samiel que corria em suas veias mortas era uma bússola em meio as trevas que assolavam o mundo.

Enquanto Verus falava sobre a glória de uma Roma perdida e o ideal que mobilizava seus legionários, o olhar de Qaphsiel alternava entre o jovem romano que portava o estandarte da águia dourada e um dos seus zelotes. Igualmente jovem, o israelita havia nascido em uma Y’srael dominada por Roma. Havia abdicado de uma vida pacífica, onde poderia formar uma família e dedicar-se a qualquer atividade que engrandecesse sua alma aos olhos de Yahweh, para lutar ao lado do Arcanjo, em nome de uma terra livre para seu povo. Assim como o legionário, que não lutava pelos políticos encastelados na capital do Império, o jovem não estava disposto a entregar sua vida pelos sacerdotes do Segundo Templo. Ambos lutavam por algo maior do que eles próprios, algo grande demais para caber nesse mundo corrompido.

Qaphsiel, Marcus Verus, os jovens romanos e israelitas. Eram todos, se não iguais, muito próximos.

O Arcanjo olha com uma certa curiosidade para o braço estendido de Marcus Verus. Já havia visto os soldados se cumprimentando daquela forma, mas era a primeira vez que era parte do ato. Ele aperta o antebraço do Ventrue, retornando o cumprimento.

- E eu espero, Marcus Verus, que se nos encontrarms novamente no campo de batalha, que seja do mesmo lado.

Ele continua mantendo o cumprimento, olhando nos olhos do Senador.

- Respeitaremos a trégua para eliminarmos o Mal que Ta-Urt representa. Esta serpente não mais corromperá os ideais que acreditamos.

Qaphsiel desfaz o aperto de braços e se dirige a Sejanus, que observava a cena de perto.

- Lucius Aellius Sejanus. Não sei de onde vieste nem quais são suas intenções de agora em diante. Mas sua chegada até aqui foi providencial. Estou certo que foi a Providência do Criador que o colocou em nosso caminho. Eu o agradeço.

Em seguida, o Arcanjo se afasta um pouco, dirigindo-se mais ao centro do pátio em que estavam. Levantando a voz, para que seja ouvido por todos os presentes, ele profere.

- Hoje pude ver que é possível encontrar almas nobres e honradas lutando sob bandeiras diferentes das minhas. Bandeiras estas que são do meu inimigo. Tomarei isso como uma lição. Continuarei lutando pelo que acredito, mas farei tudo o que estiver ao meu alcance para que minha luta seja em nome de um futuro onde essas mesmas almas nobres e honradas possam descansar suas armas em um mundo melhor. Quero crer que lutamos pelo mesmo fim, ainda que demos a este um nome diferente. Não deixemos que línguas de prata usem de nossa nobreza para que lutemos por eles.

Qaphsiel volta o olhar para Verus e Sejanus, concluindo seu discurso.

- Que não nos esqueçamos disso na próxima vez que olharmos um inimigo nos olhos.

Ao terminar, o Salubri ativa os dons do sangue de Saulot para Sentir a Morte [Valeren 1]. Buscou com o olhar onde estava Arhmad, apreensivo para saber qual era seu estado. Simultaneamente, busca algum de seus homens que tenha perecido no campo de batalha. Usaria o sangue de um companheiro caído para reavivar Arhmad.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Sex Jul 06, 2018 9:21 pm
O discurso do arcanjo parece ter tocado o âmago daqueles homens. Logo notou Marcus Verus auxiliar os caídos junto ao restante de seus homens e o ato incitar os demais a auxiliarem-se, ignorando armaduras, vestes e crenças.

Sejanus o respondeu ao passo de dirigir-se àqueles que necessitavam ser carregados.


- Em teu caminho fui colocado por meu Senhor, Qaphsiel, que me incutiu da tarefa de auxiliar o aliado de Dázbov de Ai-Petri. Assim que estes homens estiverem em segurança, encontre-me nos limites da província onde o meu acampamento foi levantado. Lá, traçaremos os planos para exterminar a serpente do deserto que atende pelo nome de Ta-Urt.

O olhar atento percorreu o ambiente e enxergou Arhmad, imóvel, com o ventre ainda aberto pelo golpe duro desferido por Verus. O dom do arcanjo lhe permite avaliar que ele não pereceria esta noite, mas que estava em um estado incapaz de usar qualquer uma de suas habilidades. Foi então que seu olhar passeou pelo campo de batalha e notou a quantidade de feridos e mortos no pátio daquela vila romana. O confronto havia sido veloz, mas mortal. Metade, ao menos, de sua caravana e cerca de quinze romanos jaziam mortos ou agonizantes.

Utilizando-se do sangue de um aliado caído, o salubri alimentou o assamita que, aos poucos, recobrou os sentidos. O ferimento em seu peito começou a fechar-se lentamente enquanto seus olhos escuros voltavam a ganhar o brilho da noite. Foram alguns longos instantes até que ele pudesse falar novamente. Noa braços de Qaphsiel, ele questiona.


- Se consciente estou, olhando para vós, significa que o Romano foi destruído. Tu o vencestes, Arcanjo?

Suas palavras ecoavam baixas, quase sussurrantes. O sangue seco em seu pescoço e face refletiam a luz das chamas ainda vivas no andar superior daquela construção.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Sab Jul 07, 2018 1:39 pm
Qaphsiel apenas aquiesceu, com um aceno de cabeça, em resposta a Sejanus. Não podia deixar de se impressionar com a articulação do Clã da Noite. Dázbov, um forasteiro de terras distantes no norte gelado, tinha conexões com o alto escalão do exército romano. Tudo em nome do Sangue que carregavam. Bárbaro ou romano, governante ou plebeu. A verdade é que todos eles projetam sombras. Elas estão em todos os lugares.

Ao encontrar Arhmad, aliviou-se ao ver que o Filho de Haqim sobreviveria. Quando ele abriu os olhos e perguntou se conseguiram a vitória, Qaphsiel respondeu:

- Não o vencemos em batalha, Kalif. Mas obtemos uma trégua. Marcus Verus não é nosso inimigo na batalha que se aproxima. Ele tem outra guerra para lutar. E é bom que nossos interesses estejam alinhados, ao menos por enquanto.

Gentilmente, o Arcanjo apoia as costas de Arhmad em uma das paredes do pátio, para que conseguisse se sentar. Ele aponta para os homens no chão, que se ajudavam e se preparavam para partir. Queria que o Assamita pudesse ver que não havia mais conflito e que todos se ajudavam naquele momento.

- Veja. Roma está podre por dentro. Estes homens, junto de Marcus Verus, perceberam isso. Aquele outro general que os auxilia é Lucius Aelius Sejanus. Creio que seja um Filho de Laza, pois mencionou Dázbov. Ele nos auxiliará na caçada à Ta-Urt. Nós o encontraremos em breve, quando estiveres recuperado.

Qaphsiel volta a perscrutar o pátio, agora em paz. Havia, contudo, uma última conta a ser prestada. Buscava, com os olhos, pistas do ardiloso Gaius Marcellus.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Qua Jul 11, 2018 12:46 am
Arhmad ouvia, contemplativo, as palavras de Qaphsiel que buscava a visão de Gaius Marcellus, sem sucesso. Aparentemente, o Romano havia escapado em meio ao conflito.

O Assamita parecia reconfortar-se do que ouvia e quando começou a respondê-lo, o arcanjo não mais o ouvia.

Sentiu seu coração - há muito morto - pulsar alheio à sua vontade. Seu corpo caiu, imediatamente, sobre o solo daquele átrio. Apenas a escuridão preenchia os seus olhos e dela, aos poucos, as imagens começaram a tomar forma.



Seu fronte dói, como uma enxaqueca forte dos tempos no qual era mortal e do canto de seus olhos - inclusive do terceiro em sua testa - o vitae escorre abundantemente. A seu redor, todos jazem inconscientes ao chão.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

em Qui Jul 12, 2018 12:08 pm
Sentiu uma angústia quando não localizou Gaius Marcellus. Caso tenha visto o desfecho do combate, o Ventrue poderia comprometer o plano que agora se desenhava. Era um problema com o qual Marcus Verus teria que lidar.

Suspirou. Poderia ter ao menos algumas horas de descanso. Qaphsiel sorriu para Arhmad, que contemplava o pátio. Estava prestes a comentar algo quando sentiu que o mundo se desfazia.

Escuridão.

E então vieram as imagens. As malditas imagens.

Quando acordou, não sabia quanto tempo havia passado. Levou as mãos aos olhos que sangravam. O olho em sua testa vertia o Vitae de forma ainda mais abundante. Ajoelhou-se no chão de terra, onde o sangue do combate se misturava aquele que escorria de seus olhos. Ajoelhou-se não só para tentar, inutilmente, a se livrar da dor que latejava em sua fronte, mas para chorar. Qaphsiel começou a chorar copiosamente.

Não sabia se o que havia visto era o futuro, ou uma de suas possibilidades. Seria o destino? Talvez uma mensagem, mas de quem? De Yahweh? Seria o Criador tão cruel ou displicente a ponto de permitir que toda a desgraça que presenciou acontecesse de modo inexorável?

Qaphsiel não sabia o que havia visto, mas sentiu. Sentiu algo durante todas visões que lhe foram oferecidas em sucessão. Tristeza e desesperança. Ódio. Seu ódio e o ódio do resto do mundo.

Sentiu a morte de Saulot. Sentiu a perseguição e o ódio que aqueles do seu Sangue sofreriam após sua destruição.

Perseguição ao seu Sangue. Não só ao Sangue de Saulot, mas ao sangue do seu povo mortal. Y'srael sofreria. Sofreria mais do que nas mãos de Roma. Sofreria longe da Terra que lhe foi prometida pelo Criador. E por que? Por que Ele continuaria permitindo isso?

Ainda com os joelhos no chão, levantou o corpo e olhou para o céu negro. Levantou ambos os braços, em um gesto inquisidor. Por que? Seria a sua alma tão desgraçada para ter que passar por todo esse sofrimento? Teria Yahweh o escolhido para ser imortal apenas para isso, para ver os seus sofrer? Não eram os israelitas o povo escolhido, que tinha um pacto com o Criador? Não eram os Filhos de Saulot os mais nobres e puros entre os Cainitas, admirados por todos que carregavam a Maldição da Noite?

Por que o Criador acabava de lhe mostrar que toda a sua luta seria em vão?

Lhe veio então a última imagem, onde conversava com o estranho homem de pele negra. A batalha jamais teria fim. Mas como poderia, se já estava tão cansado.

Com os olhos nas estrelas, Qaphsiel murmurou, pois não tinha forças para gritar:

- Eloi, Eloi. lamá sabactani?. Por que me abandona? Dê-me um sinal... Eu imploro.

Voltou os olhos para o pátio, vislumbrando os Cainitas e mortais que igualmente jaziam no chão.
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Re: Províncias Imperiais - Oriente

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