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Re: Territórios onde a Águia Dourada não repousa

em Sab Abr 28, 2018 10:36 am
* As sombras retraíram-se subitamente. A voz, suave como a de um mestre, ecoou uma vez mais no salão de pedra escura*

- Serás feito, Aulus Otavios. Saibas, contudo, que este Conselho anseia pela noite na qual Dázbov de Ai-Petri retornes a nós. Pois, a ele estendemos a nossa confiança e dele esperamos não menos que o triunfo.

* As silhuetas parecem não ocupar mais os tronos e Dázbov retorna pela escadaria até encontrar Daharius Sarosh a esperá-lo. Ele parecia fitar o mar, perdido no movimento das ondas e da vastidão escura que delas se prolongam.*
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Re: Territórios onde a Águia Dourada não repousa

em Sab Abr 28, 2018 2:35 pm
Dázbov contemplou o mar, após se por ao lado de Sarosh. Algo havia mudado nele. Aquele homem, branco como a lua, não se lembrava mais de quem era.

Virou-se para encarar Sarosh.

- É engraçado, não é? Quantas vidas podem ser vividas.

Ouviu o som do mar e deixou que eles preenchessem seu corpo. Depois, forçou a respiração somente para expirar pesadamente. Era Aulus Otavius.

Virou-se para o vampiro que o acompanhava e acenou com a cabeça. Sabia que sua habilidade era ainda inicial, incipiente. Ainda assim, sem sequer lembrar que um dia viveu a dualidade entre Dázbov e Czernobog, concentrou-se e abriu o Abismo diante de si. Não governaria o destino, porém, esperando que Sarosh o levasse aonde deveria ir.


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Re: Territórios onde a Águia Dourada não repousa

em Sab Abr 28, 2018 6:31 pm
* Ao ouvir a afirmação, Sarosh sorri. O filho de Laza lembrou-se, em parcos segundos, de quantas vidas viveu em sua experiência com a noite.

A escuridão se abre como um portal convidativo e, ao adentrarem e serem envolvidos pelo piche obscuro, Sarosh determina a localização da saída de ambos. Quando o horizonte começa a se desenhar, a voz de Daharius ecoa pelo abismo*


- Nestas terras tu encontrarás a quem procura.

- Me despeço agora de Dázbov, o branco, na esperança de que Aulus Otavius cumpra seu papel e lembre-se, no fim da jornada, de sua origem. De sua real origem.


* A escuridão se vai e com ela a presença do filho de Lasombra. Dázbov, ou melhor, Aulus Otavius se vê em um campo longo e verdejante, com uma vegetação rasteira. Poucos passos revelam luzes ao longe, após uma pequena depressão no relevo, que revelam um acampamento de grande extensão. Após a mesma depressão, Otavius vê também o mar de corpos usando armaduras típicamente romanas que preenchem aquele solo.

Milhares. Com ferimentos profundos e comuns à guerra. Nenhum deles esboça qualquer sinal de vida durante sua passagem.*



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Re: Territórios onde a Águia Dourada não repousa

em Sab Maio 05, 2018 11:28 am
* Uma vez mais, Dázbov caminha pela escadaria de pedra a ouvir o chocar das ondas no paredão da montanha, atrás de si. E como era bom ali caminhar. Lhe preenchia de paz, a mesma e talvez ainda maior, sensação de pertença e tranquilidade do ponto mais alto de Ai-Petri. Sim, era mais, muito mais tangível e emocional.

Ao adentrar ao salão enegrecido, notou haver somente uma das silhuetas presentes, a do trono da esquerda com sua notável voz de maior autoridade que o recepcionou apropriadamente*


- Aulus Otavius, retornastes brevemente. Suponho tratar-se do assunto envolvendo os Filósofos e, em específico, Hannibal Barca.
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Re: Territórios onde a Águia Dourada não repousa

em Sab Maio 05, 2018 12:02 pm
Dázbov fez uma mesura com a cabeça para a silhueta. Não havia pensado em um discurso nem em um relatório preciso. Decidiu que o mais sábio a fazer seria compartilhar suas impressões e deixar que o Conselho das Sombras cuidasse do resto. No entanto, sabia que suas palavras, quaisquer que fossem, carregariam um senso de urgência e uma pesada responsabilidade.

- Sim, meu Senhor. Retornei com brevidade pois breve foi o diálogo, mas importante o suficiente para nortear meu julgamento.

Olhou diretamente para a silhueta.

- O Brujah Hannibal não tem, aparentemente, relações de amizade ou afeto com Ta-Urt. Mantém sob seu controle uma de suas crias, acreditando que desta forma a mão da Setita pesará menos sobre ele e sobre os seus. Que desta forma a passagem de seus homens, presos no Egito, seja permitida. Existe, portanto, um acordo. Um acordo falho, na minha opinião, pois os Filhos de Set estão mais do que prontos a abdicar de suas crias para obter o que desejam que, neste caso, é a nossa destruição.

- Aníbal declarou que Ta-Urt será destruída por suas mãos, embora não nos tenha dito como. Aníbal sabia da natureza da Serpente, mas optou por escondê-la do restante do Conclave, pondo a não vida de todos em risco. Aníbal se recusou a ser derrotado, uma atitude nobre. Mas não tão nobre quando o preço a ser pago é compactuar com o inimigo.


Dázbov suspirou, brevemente.

- É por isso que considero que Ta-Urt deverá ser destruída o mais rápido possível. Independentemente do bem estar dos homens de Aníbal Barca e dele próprio. Odoacro lhe deu um prazo para que os homens se retirem do Egito, e acho sábio respeitar este tempo antes de agir. No entanto me preocupo, e penso que em cinco dias tudo pode mudar. Meu pensamento é que Aníbal, embora tenha agido imprudentemente e se comportado como um neófito inexperiente, não deve ser executado por suas ações. No entanto, no momento em que se opuser frontalmente à nossa ação, e se o fizer, deverá ser neutralizado, pois demonstrará que se preocupa muito mais com o bem estar da Serpente do que com a evolução do que planejamos.

- Se houver uma forma de romper o cerco ao qual seus homens estão submetidos, um cerco construído por Marcus Verus que, possivelmente, conspira com Ta-Urt, nossos problemas estarão resolvidos, e uma quantidade razoável de homens será poupada. Se não tivermos escolha e caso precisemos agir de imediato, o sacrifício de mortais faz parte das casualidade para as quais estávamos prontos.
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Re: Territórios onde a Águia Dourada não repousa

em Sab Maio 05, 2018 8:05 pm
* A silhueta da esquerda parece não responder. Pelo contrário, se retrai e desvanece deixando o trono vazio.

Não tarda e as sombras preenchem o salão como Dázbov jamais vira. A sensação era de que o mar negro e ondulante, abaixo do castelo, o havia inundado. Sentiu-se abraçado pelo abismo como nem mesmo a Travessia das Sombras o proporcionava.

Sentiu frio, calor e pertença. Sentiu e isso bastava.

Após as sensações e notar-se na mais profunda escuridão, embora leves silhuetas em seu entorno o fizessem ter a certeza de que se mantinha no mesmo salão do Conselho das Sombras, ergueu o olhar e viu uma figura sentada no trono central. Não se tratava de uma sombra, um vulto, era um homem que se destacava da escuridão a seu redor como se apenas ele estivesse sob a luz da lua.

Sua pele era tão branca quanto a de Dázbov, mas em palidez ao invés de falta de pigmentação. Seus cabelos eram longos e escuros e misturavam-se as sombras de seus ombros. Seus olhos eram como orbes negros e profundos de onde todo o abismo parecia fluir. Era magro, esbelto e longilíneo.

Não havia nenhum peso sobre os ombros de Dázbov, havia apenas a sensação de que ele havia aguardado a sua não-vida inteira por aquele momento. Quando sua voz ecoou, em tom grave porém suave, baixo, foi como se pela primeira vez Dázbov ouvisse Borghav, Ekimmu e todos os que o antecediam de uma só vez. As palavras foram breves, mas decisivas.*


- Qual o seu decreto, meu filho?
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Re: Territórios onde a Águia Dourada não repousa

em Dom Maio 06, 2018 5:42 am
O Deus de Ai-Pétri caiu de joelhos diante do trono. Estava em choque. Não conseguia se mexer, pensar ou falar. Não ousava encarar a figura. Dázbov intuía, ou melhor, sabia de quem se tratava. Merecia tamanha honra?

Tentava organizar os pensamentos, se pronunciar diante do Deus do Rio das Trevas, mas era inútil. Sua mente foi inundada de recordações, a tundra siberiana, os anos que passou caminhando pelas montanhas até encontrar Borghav. Quem era aquele homem, frágil, quase morto, que havia alcançado os pés do Ai-Pétri para fugir do frio e da fome? Quem era ele agora? Não importava, realmente. No fim das contas, tudo o que Dázbov era e seria estava vinculado àquele homem que agora estava diante dele. Lágrimas rubras rolaram pela face albina do cainita. A presença Dele era grande demais, forte demais para alguém tão pequeno quanto Dázbov.

Se ergueu. Queria se aproximar. Desejava tocá-lo, medir se aquilo era real. Mas tinha medo. A última coisa que Dázbov queria era agir de forma equivocada, excessivamente íntima. Não pôde se conter, contudo. Avançou, com passos tímidos, vacilantes. Estendeu a mão em direção à mão de seu Ancestral. Beijou-a demoradamente, e as lágrimas escorriam em profusão.

Lembrou-se de seu nome. Se recompôs, enxugando as lágrimas com as costas das mãos.

- Sou Casimir, meu Senhor, filho do frio e da fome. Sou Dázbov, o Deus Branco da Montanha, que ao Norte defendeu o teu legado e que o Norte abandonou quando foi chamado pela Tua Casa. Serei Aulus Otavius, aquele que levará a tua vontade e a tuas justiça até as entranhas de Roma. Não importa quem sou. Tudo o que me define me reconduz ao Senhor. Eu o agradeço.

Tremia. A voz vacilava. Lembrou-se, porém, que deveria responder uma pergunta.

- Meu decreto é que a destruição da Filha de Set que atende pelo nome de Ta-Urt seja uma prioridade do Clã da Noite. Que os homens de Aníbal Barca possam ser libertados do cerco em que se encontram, pois imagino que são homens valorosos e, ainda que não o sejam, serão úteis nas batalhas que virão e diminuir as casualidades mortais neste conflito é também nossa obrigação. Aníbal Barca, porém, não deve responder à nossa justiça, mas sua submissão à Serpente deverá ser tornada pública, pois um segredo ele manteve, e todos aqueles que foram enganados tem o direito de saber. Aníbal deverá enfrentar o julgamento dos outros membros da aliança, assim como o de seu Clã, por ter cometido um erro tão grosseiro quanto o de associar-se a uma Serpente. Se isto reduzir a sua autoridade na frente que comandamos, tanto faz. Os espaços abertos serão competentemente ocupados.
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Re: Territórios onde a Águia Dourada não repousa

em Seg Maio 07, 2018 7:54 pm
E o tempo parou.

Nada mais importava além daquele momento. Talvez Dázbov, não, Casimir, tenha imaginado que aquele ser reagiria de outra forma ou julgaria sua timidez e lágrimas.

Não.

A escuridão o envolveu e, o agora Aulus Otavius, viu aquele homem alto e esguio ainda sentado em seu trono inclinar o corpo aproximando-se de seu descendente e erguer uma de suas mãos que enxugou-lhe, lentamente, as lágrimas que  escorriam por sua face. Era como um pai a acalentar um filho machucado, que tombou em aprendizado e precisava de conselho. Foi somente após algum tempo em silêncio que a voz dele se fez ouvir novamente. Aquela voz era como se a própria escuridão lhe falasse. Baixa, suave e emanando uma paz que somente era encontrada no local mais escuro, longe da luz e dos sons, de tudo que o perturbava.*


- És nobre, Sangue do meu Sangue. Saibas que tua nobreza será testada nas noites por vir e que escolhas das mais pesadas recaírão sobre teus ombros. É nelas que os meus filhos demonstram o sangue que carregam.

- Não espero nada menos de Casimir que se tornou Dázbov e deste que se chamará Aulus Otavius.


* Sua mão longilínea e branca como a neve mais alva do Ai-Petri segurou o queixo de Casimir. Sim, do mortal, era assim que se sentia. E ele olhou, profundamente, através das pupilas de Dázbov. Havia um abismo inteiro naquele olhar.*

- Daharius Sarosh, meu segundo filho, cumprirá vosso decreto à exatidão de tuas palavras. Não haverão falhas, mas consequências se abaterão sobre as próximas noites. Consequências estas que residem na nobreza de vossa escolha.

*  Dázbov sentiu o peso daquela mão em seu queixo se esvair e a presença no trono se tornar apenas uma sombra inanimada. Estava sozinho no salão de pedra enegrecida, uma vez mais.*
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Re: Territórios onde a Águia Dourada não repousa

em Ter Maio 08, 2018 4:34 am
Por um tempo indefinido Dázbov se manteve ali, de pé, sozinho. Seus olhos estavam fixos no trono. Sentia-se bem. Era como se depois de séculos tornasse a sentir uma sensação de pertencimento. Seu isolamento em Ai-Pétri, temperado somente com visitas ocasionais a outros membros do seu Clã, lhe impedia de sentir-se assim em qualquer outro lugar que não a Montanha. Agora, aquele Castelo recortado contra o mar noturno era também sua casa. O havia visto, aquele que deu origem ao seu Sangue e a parte de sua personalidade, pois se enganavam os cainitas que pensavam ser completamente independentes de seus Ancestrais. Não, pensou Dázbov, somos um reflexo do que eles foram.

O Deus Branco estava pronto. Havia sido abençoado pelo seu Progenitor e faria tudo o que fosse necessário para que os planos do Clã da Noite dessem frutos. Não estava seguro de que seria bem sucedido. Dázbov era um cainita relativamente jovem imerso em uma trama muito maior que ele. Não obstante, procederia. Curvou-se diante do trono vazio, expressando seu respeito e sua gratidão. Depois, sem nem mesmo deixar o castelo, invocou a Escuridão que rodava o local, comandando que elas lhe envolvessem e portassem seu corpo à próxima etapa de sua missão. Deveria encontrar Canatos e, portanto, partiu para a Macedônia.
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Re: Territórios onde a Águia Dourada não repousa

em Dom Maio 13, 2018 8:41 pm
* As sombras envolvem Dázbov que caminha pelo Abismo rumo a seu destino. A Macedônia lhe foi explicitada por Daharius Sarosh, em detalhes, durante a viagem à Mecca. Embora jamais a tenha visitado, com o auxílio de um mapa e as descrições dadas por seu ancestral consanguíneo, Dázbov rumou até a Macedônia. Notou que quanto menor a familiaridade com o local, mais difícil é fazer a travessia.*

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Re: Territórios onde a Águia Dourada não repousa

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