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Re: Territórios onde a Águia Dourada não repousa

em Ter Jul 24, 2018 10:59 am
- Sim, que sejamos fortes e abençoados - disse Qaphsiel, em latim, após as palavras de Appius - Normalmente o dizemos para aqueles que participaram de um ritual, mas creio que talvez estejamos em uma situação apropriada para pedirmos força e benção à Yahweh.

Em silêncio, o Arcanjo continua olhando para Appius por alguns segundos. Quebrou o silêncio, em um tom sério:

- Talvez esteja certo, patricius, quando diz que é o único aqui que ainda deseja salvar Roma. Mas nessa mesma noite conheci outros que pensam como você. Se sobrevivermos à difícil missão que temos diante de nós, será interessante ver o que o Império estará disposto a perder para manter sua integridade. As próximas noites nos mostrarão se a Roma que pessoas como você e Marcus Verus tanto admiram é de fato distinta do Império que se construiu ao redor de Camilla.

Qaphsiel cumprimenta o Capadócio com um leve aceno de cabeça. Em seguida, retira-se para repousar.

***

Foi em completo silêncio e de olhos fechados que o Arcanjo recebeu a mensagem de Mithras. Mesmo com a imensa distância entre os dois, foi possível sentir a força e a presença daquele ancião. O modo como entrou em sua mente era como uma marca de sua grande personalidade: sabia ser gentil, porém nunca deixava de marcar sua autoridade.

Quando abriu os olhos, viu que todos estavam reunidos novamente no Grande Salão. Esperou o momento oportuno para levantar a voz e informar-lhes sobre o que acabava de tomar conhecimento:

- Senhores, creio que temos um possível curso para seguir. Mithras... Mithras acabou de falar comigo. Ele deseja que nos encontremos em seus domínios, no curso de seis noites. Lá, nos reuniremos com outros e traçaremos os planos para as próximas noites de guerra. O Senhor da... “Britânia” - havia uma certa dificuldade para pronunciar aquele nome, tendo em vista que não lhe era muito familiar - nos providenciará os meios para chegar até ele. Marcus Verus possui navios espalhados pelo Mediterrâneo, e irá nos buscar assim que informarmos nossa posição.

O Arcanjo faz uma pausa, para que todos possam pensar sobre o que acabara de dizer.

- Não sei quanto à vocês, mas eu aceitarei o convite. - em seguida, dirige-se à Cassimir - Entendo que sua Família ainda deseja manter a localização deste castelo em segredo. Diga-me como posso sair e caminharei até o porto mais próximo, onde informarei Mithras e Verus a respeito do meu paradeiro.
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Re: Territórios onde a Águia Dourada não repousa

em Ter Jul 24, 2018 11:26 am
Cassimir dormiu um sono intranquilo. Sonhava com o peso das responsabilidades que lhe haviam sido impostas. As havia aceitado de bom grado, mas tinha receio de que seu empenho não fosse o suficiente. Era o eterno medo da falha e do fracasso, que atormentava Cassimir, não importava o nome que usasse.

Levantou-se, vestiu-se em negro e seguiu para a sala dos tronos. O sono leve, ao menos, tinha lhe permitido pensar melhor. Decidiu reorganizar algumas funções que havia atribuído na noite anterior. Assim que encontrou seus hóspedes, dirigiu-se a Cannatos e Sejanus.

- Ponderei longamente, irmãos meus, e acredito que é necessário reordenar nossas tarefas. Cannatos, creio que seja melhor que permaneças aqui. Precisaremos de alguém que instrua o Clã Lasombra nas noites que virão, e este local é o ponto central de nosso clã. Você avaliará os visitantes, revelando somente o necessário, mas garantindo que a unidade do Clã Lasombra permaneça intacta. Tua permanência servirá também para pesquisar e interrogar os visitantes sobre o paradeiro de Khanon-Mer e Ekimmu.

Voltou-se para Sejanus.

- Tu, Sejanus, seguirás para Roma no lugar de Cannatos. Serás nossos olhos e ouvidos na capital, assim como serás o responsável por investigar o Senador Plínio e aferir suas alianças. Se necessário, faça-o recordar que os Reis da Noite não dormem.

Olhou, enfim, para Appius e Qaphsiel.

- Não me oponho à vossa decisão de estreitar laços com aqueles que defendem Roma. A ameaça que enfrentamos é maior do que qualquer império inimigo, maior até mesmo que a inimizade entre os Clãs. Aprendi, mesmo em pouco tempo, a confiar no jukgamento de Qaphsiel. Se o Arcanjo acha prudente dialogar com Verus, será feito.

Foi interrompido pelas palavras de Qaphsiel, que traziam novidades sobre a Britânia e sobre o seu Rei. Deveria encontrar Mithras pois, ao que tudo indicava, era o responsável, junto a Cannatos e Sejanus, pelo Clã Lasombra na ausência de seus anciões. Não sentia orgulho de sustentar tal posição em tempos tão difíceis. Contudo, Cassimir ainda era um Lasombra. E o Sangue que corria em suas veias exigia que ele demonstrasse a força e a autoridade de seu Clã.

- Não há necessidade de ocultar nossa localização, Qaphsiel. Esta é a Casa e Fortaleza do Clã Lasombra, e quando a visão do meu Ancestral estiver completa, será o nosso trono de poder. É prudente que os inimigos - e aliados - estejam cientes de nossa presença no Mediterrâneo.
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Re: Territórios onde a Águia Dourada não repousa

em Ter Jul 24, 2018 8:52 pm
*Appius abre os braços para englobar a todos os presentes, Qaphsiel, Cassimir, Salianna e Sejanus.*

-Eu desejo então a melhor das sortes a todos nós, e que a graça dos deuses nos acompanhe. Não preciso dizer a importância da tarefa.

*Ele fica em silêncio por uns instantes, enquanto um calafrio passa por seu corpo.*

-Todos nós vimos o que vimos. E ouvimos também.

-Da minha parte, embarco sem problemas rumo à Britânia. Aliás, graças às... circunstâncias da morte de meu senhor, acho melhor ficar o mais distante de Roma o possível.
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Re: Territórios onde a Águia Dourada não repousa

em Qua Jul 25, 2018 9:51 pm
Primeiro, foi Arhmad a buscar Qaphsiel para despedir-se apropriadamente.

- A honra foi minha, Arcanjo. Nos encontraremos em muito breve no campo de batalha pois esta é uma guerra que está apenas começando.

Apoiou a mão em seu ombro em um gesto fraternal. Aqueles dois cainitas compartilharam longas noites de viagem pelas terras desérticas, combateram inimigos declarados e velados, sangraram e levantaram-se juntos. Ademais, Qaphsiel havia o salvado por mais de uma vez. Havia gratidão nos olhos do Assamita.

Em seguida, ele direcionou-se à Cassimir.


- Creio que o cristal de comunicação estará em melhores mãos com o espião de teu clã, que agirá dentro da besta. General, deposite vosso sangue para que a feitiçaria tenha efeito.

Ele estende a mão à Sejanus, que toma a pequena e brilhante pedra em sua mão. Arhmad continua.

- Partirei imediatamente. Certamente haverão navios por estas terras açoitadas pelo mar e logo encontrarei o meu caminho. Resistam, companheiros de causa. Resistam pois os meus reforçarão vossas  linhas quando o combate se desenhar no horizonte.

Ele curvou-se em respeito aos presentes e pôs-se a caminhar, deixando o Salão Negro. Em seguida, Canatos respondeu a seu irmão de Clã.

- Assim será, Cassimir. Daqui reunirei os nossos e avaliarei o estado de nossa família dados os últimos acontecimentos. Além disso, buscarei os ancestrais citados.Tens razão, serei mais útil no trato com os nossos. Preocupa-me porém o ponto levantado por Appius Galerius.

Canatos, no belo e jovial corpo de Salianna, caminha pelo salão enquanto sua voz ecoa pelas pedras escuras.

- Plínio. O Senador Plínio. Ele pertence ao Clã da Noite e ocupa as cadeiras do Senado há bons anos. Não conheço sua origem mas é fato que escalou os degraus do poder político em Roma com grande velocidade. Óbviamente, após o que vimos graças ao sacrifício de Addemar, foi ele a levar Troile e os seus à prisão do Senador do Clã da Lua. E os levou utilizando-se das habilidades de nosso sangue. Devemos avaliar como proceder quanto a ele. Um traidor entre os nossos?...são noites cada vez mais escuras, afinal.

Após as palavras de Canatos, Sejanus iniciou.


- Será feito, Cassimir. Conheço os caminhos da Capital e seus arredores como a palma de minha mão e, ainda sim, desfruto de certo anonimato visto que passei dois terços de meu serviço militar em campanha, longe do centro político do Império. Com este cristal em mãos, os manterei informados de minhas descobertas.

Em meio ao diálogo, Qaphsiel sentiu a mesma consciência pesar sobre a sua, com urgência e cautela ao mesmo tempo. Mithras questionava-o sobre o local para o envio da embarcação que os levará às ilhas.
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Re: Territórios onde a Águia Dourada não repousa

em Seg Jul 30, 2018 11:06 am
Qaphsiel sorri para Arhmad e retribui o gesto fraterno, dando-lhe um abraço.

- Que Yahweh o proteja em sua jornada, Khalif Arhmad. Nos veremos em breve.

O Arcanjo sabia que sentiria falta do companheiro de viagens e batalhas nas próximas noites. Deu-se conta que, há muitos anos não compartilhava da companhia de alguém com ideais e métodos tão próximos aos seus. No entanto, sabia que iriam se encontrar novamente, ainda que em circunstâncias adversas. Lembrou, com o típico sabor agridoce da nostalgia, da viagem que teve no deserto, no retorno de Meccah até a fronteira de Y’srael. Aqueles foram os últimos momentos de paz que tivera.

Foi interrompido em seus pensamento pela presença quase incomensurável de Mithras. Diante da urgência do matusalém, Qaphsiel dirige-se a Cassimir:

- O Senhor da Britânia está pronto. Diga-me onde estamos, Cassimir, e ele virá nos buscar.
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Re: Territórios onde a Águia Dourada não repousa

em Seg Jul 30, 2018 11:05 pm
A noite avançou em debate com os cainitas que ali restaram. Arhmad seguiu o seu caminho deixando a promessa de retorno com a força dos seus. Definiram que Cannatos permaneceria para cumprir as demandas do Castelo das Sombras e que Sejanus partiria rumo as entranhas da besta que se tornou Roma para agir de dentro, coletando informações e buscando aliados internos.

Alimentaram-se, ainda naquela noite, dos homens que trabalhavam na construção daquelas torres amparadas pela montanha e acima das ondas do mar escuro que chocava-se contra as pedras em um ciclo infindável. Enfim, descansaram, havia um rumo. Havia um plano.

O sono diurno foi reparador, despertaram na noite seguinte e reuniram-se ao fim das escadarias de onde poderiam vislumbrar o horizonte. Notaram, após as conturbadas noites, o quão belo era aquele local.

Ao longe e do alto o astro luminoso nos céus, amparado pelas estrelas, eram as únicas luzes a iluminar parcamente o mar infinito para além do penhasco que findava a montanha. As ondas, negras e espessas, debatiam-se contra as rochas com  força de forma a gerar um som alto e seco que ecoava pelas paredes do castelo. As águas escuras lembravam as sombras das quais Cassimir retirava a sua força. E como o fazia bem.

O cheiro, a cor, o som. Sentia-se mais poderoso, mais capaz. Lembrou-se que, mesmo nestas turbulentas noites nas quais  estão reduzidos, a origem de seus dons é infinita e mesmo que em uma noite pareça longe, na seguinte virá com a mesma intensidade daquelas ondas. Em um ir e vir infinito que o lembram de quem foi, de quem é, e de quem será.

Qaphsiel vislumbrava o horizonte escurecido e, nele, foi o primeiro a enxergar a silhueta da embarcação. Era um grande navio, com dois mastros principais, além de meia dúzia de pequenos outros a apoiá-los, com velas em tom rubro abertas que impulsionavam a nau cortando as águas escuras.

Appius perdeu-se em uma possibilidade, enquanto observava o mar e ouvia o choque das ondas na pedra: Lord Camden. Sabia que o notório Capadócio era o braço direito e, em alguns casos, a voz do assim chamado Deus das Ilhas Britânicas. Havia correspondido-se com ele, nas fatídicas noites após seu afastamento forçado de Dionysius, em busca de aconselhamento sobre o estudo divino, além dos mistérios instigantes e infinitos da morte. Alegrou-se, ao menos por um instante, com a possibilidade de o encontrar pessoalmente.

Viram, todos, quando as ondas abriram passagem para o navio com o estandarte romano em suas velas. Não poderiam deixar de lamentar a ironia que permeava aquela noite.

Quando aportou, os cainitas já o aguardavam na região portuária. Devido a seu porte, a Nau manteve-se à centenas de metros do cais de Siracusa. Uma embarcação menor aproximou-se para buscá-los e levá-los ao navio, guiada por dois mortais que trajavam as indumentárias dos legionários romanos.

Quando embarcaram, foram recepcionados por um homem de conhecimento de Qaphsiel. Corpo talhado para o combate, cabelos curtos bem cortados ao estilo romano e olhos profundamente azuis. Marcus Verus os cumprimentou de forma respeitosa, embora houvesse uma tensão palpável no ar.





O Romano não se esforçava para esconder a desconfiança de alguns presentes, sobretudo Cassimir, para o qual mantinha um olhar austero e pouco amistoso. De igual forma, a dispor da necessidade, parecia ainda estranho aos presentes confiar inteiramente em um Comandante Romano, Senador, que até poucas noites guiava as legiões contra as investidas lideradas por alguns daqueles cainitas que ali estavam. No meio da delicada situação, Galerius funcionava como um elo entre aqueles dois mundos, embora a sua própria posição ainda fosse delicada.

Assim, a viagem se seguiu. Seis dias e cinco noites haviam se passado e, quando a sexta noite chegou, o despertar dos cainitas trouxe um cheiro familiar e aprazível.

Terra.


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Re: Territórios onde a Águia Dourada não repousa

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