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Re: Territórios onde a Águia Dourada não repousa

em Sab Dez 16, 2017 11:19 am
* A escuridão da noite se prolonga e arrasta o homem em direção ao chão com uma violência controlada. O corpo do legionário de choca contra o solo rochoso e gélido com força o suficiente para fazê-lo cuspir sangue e engasgar com o próprio vitae.

Quando a voz daquele homem estranhamente branco ecoou em sua mente, o comandante romano debateu-se, com as mãos na cabeça em uma tentativa inútil de tirar o invasor de seus pensamentos. Fincou a espada no chão e levantou-se com dificuldades, frente ao oferecimento - assustador - para que bebesse o sangue do homem da montanha, com uma expressão clara de dor em sua face.*


-.ahhrgg...Jamais...Jamais beberia de teu sangue, criatura abominável.

* De pé, ofegante e sangrando, continuou*

- Vaguei nos campos dourados do sul até os territórios gélidos do norte, lutei inúmeras batalhas. Vi diversas e estranhas tribos e seus mais notórios guerreiros...venci a todos. Tu não és um homem, como qualquer outro e está claro que não posso vencê-lo. Mate-me ou deixe-me partir, mas não me peças para compartilhar seus hábitos escusos.


* Durante as últimas frases do legionário, a atenção de Dázbov é atraída para os seus próprios tentáculos. Por um breve, mas perceptível, momento eles fugiram a seu controle, dispersaram-se e envolveram tudo e o todo atrás do Legionário que, sem notar o que acontecia ao seu redor, continuava a falar*

- Partirei e um dia o verei cair, pois, como disses: Todas as coisas morrem, e tu também morrerás, criatura.

* O horizonte, o céu e as estrelas escureceram e fundiram-se em um abismo profundo e reconhecível. Em sua mente, Dázbov ouviu uma voz grave ecoar*

" Sangue de meu sangue, Progênie da Cria de meu irmão, é tempo de dialogarmos."

* O Legionário deu as costas e enxergou nada mais que a escuridão à sua frente, deixou a espada cair, espantado*
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Re: Territórios onde a Águia Dourada não repousa

em Qui Dez 21, 2017 11:49 am
Dázbov não chegou a se assustar com a voz ou com a escuridão que a acompanhava. Sabia que mais cedo ou mais tarde aquele momento chegaria. Não estava ansioso ou amedrontado. Curioso, talvez.

Ignorou solenemente o legionário mortal e seus rompantes de honra e heroísmo. Observou a escuridão diante de seus olhos. Quem quer que fosse era certamente mais velho que ele, dada a genealogia citada pelo visitante. Era alguém que merecia seu respeito mas, em última instância, Dázbov era ainda o Senhor de Ai-Petri.

Caminhou em direção à sombra, ainda ignorando o mortal presente na cena. Antes, porém, recomendou que o mesmo partisse:

- É uma pena que tenhas rejeitado minha proposta, legionário. Eu espero, sinceramente, que tuas forças sejam suficientes para garantir teu retorno à Roma. E espero que nos encontremos novamente, em circunstâncias diferentes.

Aproximou-se da Escuridão.

- Estou pronto para dialogar contigo, visitante. Mostre-se.
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Re: Territórios onde a Águia Dourada não repousa

em Ter Dez 26, 2017 11:57 pm
* O brilho das estrelas se foi. A luz prateada da lua se extinguiu. O solo, antes esbranquiçado pela camada de neve, enegreceu e ondulou como se vivo fosse. Tudo e o todo transmutaram-se em escuridão.

O Legionário fora dragado para o solo recoberto pelas trevas, desaparecendo da visão de Dázbov.

À frente do Senhor do Ai-Petri a escuridão se erguia, tomando forma. Tentáculos daquela matéria tenebrosa de tamanho colossal se entrelaçavam e arrastavam-se por toda a montanha. Era como se o mundo, de uma só vez, tivesse sido engolido pelo abismo.

Por entre as ondulações um torso humano se fez presente, constituído aos poucos pela escuridão. O tronco recoberto por tatuagens tribais ancestrais se prolongava de um dos tentáculos, não haviam pernas. Ele era as sombras e as sombras se prolongavam dele.

Não se ouvia nada, além da voz rouca e grave que ecoava conforme aquele corpo tomava forma.*


- O tenho observado.

* O corpo masculino, com músculos bem desenhados recobertos de desenhos pulsantes e móveis, ganhava uma face. Longos cabelos negros e uma barba espessa se mesclavam à escuridão enquanto os olhos dourados como o ouro brilhavam.  O olhar do visitante era estranhamente familiar e assustadoramente intimidador, embora seu corpo sombrio se mantivesse imóvel e seu tom de voz fosse baixo e rouco. Se a presença do demônio do leste evocou um embate entre predadores aos olhos de Dázbov, a visão deste vampiro à sua frente era comparável somente à um mortal a contemplar um mar revoltoso e imerso em tempestade.*

- O tenho testado.

* Por fim, o visitante é inteiramente visto, embora seu corpo ainda se mescle através de cabelos, pernas e costas à própria escuridão que envolveu o Ai-Petri e todo o horizonte à vista de Dázbov.*

- Chegou a hora de assumir o teu lugar, Dázbov. Pois tu és Cria de Borghav - Senhor destas terras antes de tua criação, progênie de Ekimmu, Filho de Khanon Mher - Minha Irmã e terceira Cria de Laza Omri Baras ou, como insistem em chamar as crianças da noite, Lasombra.



Última edição por Storyteller em Ter Fev 13, 2018 9:49 am, editado 1 vez(es)
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Re: Territórios onde a Águia Dourada não repousa

em Sex Fev 09, 2018 8:26 am
Dázbov encara o visitante por um tempo curto, mas que parece uma eternidade. Admira as tatuagens e as manifestações que a Escuridão Interior lança sobre o cume de Ai-Petri. Em seu interior, sabia que aquele momento chegaria, quando seu Clã e os de seu Sangue viriam até as terras geladas para retirar-lhe o conforto e a paz.

Contudo, não havia escolhido esse destino quando optou por deixar o Leste em direção a Ai-Petri?

O Deus Branco da Montanha caminha, lentamente, ignorando o destino do balbuciante mortal que estava à sua frente. Fixa os olhos claros nos de seu interlocutor, cobertos em escuridão, ancestrais, intensos.

- Estou pronto para realizar o que quer que meu Sangue deseje que eu realize.

Estacou, porém, antes de avançar definitivamente em direção ao visitante.

- Me resta perguntar, contudo, qual a identidade daquele que sobe até Ai-Petri.
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Re: Territórios onde a Águia Dourada não repousa

em Ter Fev 13, 2018 9:48 am
* A ausência de luz era reconfortante. A escuridão que ocupava a antes branca montanha se prolongava até o limite de sua visão. O homem entrelaçado às dançantes sombras se aproximou e Dázbov teve a nítida certeza de que todas as vezes as quais utilizou de seus dons sombrios estava se utilizando de uma porção daqueles olhos. A voz ecoou, baixa, porém firme.*

- Nomes. Já me vesti com a identidade de muitos deles, Sangue do meu Sangue. Para nós, contudo, nenhum nome será suficiente ou verdadeiro para além de minha posição. Sou o Segundo Filho do Primeiro de Nós, Laza, fundador do Clã da Noite. E isto sempre me bastará.

* Ele estende a mão, em convite*

- Aproxime-se e conheça os outros. Àqueles que hoje sentam-se à cabeceira de nosso Pai e levam suas palavras a todos nós.

* A escuridão dança, inquieta, convidativa e ao mesmo tempo intimidadora. Dázbov, o Deus Branco da Montanha, quase conseguia ver rostos se prolongando da completa falta de luz atrás de seu interlocutor. Pareciam estar em sofrimento. Olhando ainda mais atentamente notava-se que não eram humanos.

O Abismo o convidava a entrar e como não ocorria há mais tempo do que pudesse lembrar, Dázbov sentiu um calafrio lhe percorrer o corpo e uma alegria lhe preencher o frio coração*
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Re: Territórios onde a Águia Dourada não repousa

Ontem à(s) 10:35 am
Dázbov observa seu entorno. A montanha, impávida, a desafiar o céu escuro e sombrio. Seus olhos se estendem em direção ao vale e à planície, às inúmeras cabanas onde vive seu povo. Por um momento, parece ser capaz de sentir as orações noturnas, efetuadas em seus altares domésticos, diante de pequenas estátuas de rocha e palha descolorida que representam o Deus Branco da Montanha.

Conseguiria manter-se distante de seus seguidores? O que exatamente desejava sua família que, no curso dos últimos séculos jamais o havia procurado? Quanto tempo deveria permanecer distante de sua amada montanha?

Ponderou, por alguns segundos. O que seu Senhor faria em seu lugar?

Suspirou profundamente, não por uma necessidade, mas por estar prestes a tomar uma decisão importante. Talvez a mais importante em toda a sua não vida.

Tomou a mão de seu interlocutor e deixou que a Escuridão o abraçasse.
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Re: Territórios onde a Águia Dourada não repousa

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