Compartilhe
Ir em baixo
avatar
Admin
Mensagens : 325
Data de inscrição : 25/11/2017
Ver perfil do usuáriohttp://terturiumdigital.forumeiros.com

Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Ter Mar 27, 2018 4:03 pm

Roma expandiu-se até os limites do mundo conhecido e dominou povos de todas as etnias, crenças e costumes. O preço pelo domínio amplo e absoluto foi pago em sangue, ainda em meados do primeiro século após a crucificação do homem de Nazaré. As legiões, a maior força militar já vista na história da humanidade, excedendo inclusive os lendários exércitos Persas, se vêem obrigadas a dispersarem-se para cobrir as infindáveis terras que agora pertencem ao Império.

Tal espaçamento e dificuldade de gestão e integração entre os extremos do Império abrem espaço na couraça da armadura que é Roma para as lâminas afiadas daqueles que se revoltam.

Do Norte, um contingente Bárbaro jamais visto se projeta sobre o Império regido com punhos de ferro por Titus Venturus Camillus. O nome de Odoacro, Rei dos Godos, ecoa por cada viela de Roma. Sussurram que quase trinta mil homens nórdicos e celtas lutam sob seu comando e que são impiedosos e vorazes nos enfrentamentos contra os Romanos.

Províncias antes dominadas pelo Julgo Romano agora caíram sob o controle Bárbaro de Odoacro. Suas forças se assentaram nas terras que se estendem da Récia a Dalmácia, passando pela Panônia e Trácia.

A Dalmácia, ainda sobre controle de Roma, tenta resistir aos avanços dos homens que medem quase dois metros de altura e possuem longas barbas loiras e ruivas, além de cabelos trançados. Vestem-se com pesadas peles de animais e armaduras de metal e couro batido, empunham machados e espadas e sorriem ao encarar a morte, clamando por glória. As décima primeira, décima terceira e nona legiões -  e o que restou da Décima segunda - são tudo o que Roma possui para conter os avanços Bárbaros nestas terras que são as últimas antes do Mar Adriático, a última proteção da Capital Romana.

Guarnecidos em suas vilas muradas e com armas de cerco apontadas para as estradas, as Legiões lutam bravamente - assim se espalha a notícia - para manter a Capital a salvo dos terríveis homens do Norte.

As invasões ocorrem também ao sul, onde o lema é cravado nas mentes mortais com um pavor primal ao exclamarem: Hannibal está aos nossos portões.

Hannibal Barca, o General dos Bárbaros do sul, das estepes Africanas, realiza ataques constantes nas províncias menores e menos guarnecidas. Embora não possua a força militar de Odoacro, Hannibal jamais fora derrotado e cada investida sua deixa marcas de sangue no Império.

No sul, As legiões de dois a seis o enfrentam, lideradas por Marcus Crassus - A ilustre cria do Matusalém Mithras que há muito deixou o Império e indicou seu descendente como sucessor no Senado Eterno.

Roma, que há muitos fez sangrar, agora se esvai em espessa hemorragia carmesim causada por incessantes golpes Bárbaros. A Guerra, talvez a derradeira delas, se inicia.
avatar
Admin
Mensagens : 325
Data de inscrição : 25/11/2017
Ver perfil do usuáriohttp://terturiumdigital.forumeiros.com

Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Ter Mar 27, 2018 9:36 pm
* Duas noites e um dia de intensa batalha se arrastaram pelas planícies verdejantes, agora cobertas de líquido espesso carmesim, da Dalmácia. A luz da lua e do céu brilhante com estrelas em vivo e ofuscante branco, além das espaçadas tochas carregadas pelos batedores, mortais, eram as luzes que permitiam a visão para o mar de corpos jogados ao chão sobre a relva e as rochas.

Centenas de soldados do Império jaziam aos pés dos Godos, Nórdicos e Celtas liderados por Berenhal, o invencível, filho do Rei Odoacro. Os batedores caminhavam por entre os corpos dilacerados procurando sobreviventes. Os moribundos e àqueles que tentavam inutilmente fingir sua morte ou deslizar por entre os pedaços de corpos dos seus na tentativa de uma fuga eram rapidamente trespassados pelas lanças bárbaras. A batalha que se sucedeu foi longa, mas a vitória dos guerreiros do norte era um prenuncio certo.

Dentre as centenas de inimigos mortos, haviam poucos legionários. Em sua maioria eram homens e jovens mal armados e parcamente treinados, portando armas com fio gasto e desprovidos de organização militar. Eram essas as forças defensoras do todo-poderoso Império Romano?

Os bárbaros, como assim são chamados pelo povo de Roma, regozijavam-se em sua vitória. Àquele era um povo forjado no calor da batalha e da conquista e, sobretudo, no furor da liberdade. Roma ameaçava tudo que significavam. Seus Deuses, suas terras, seus costumes e seu desejo por guerra. O avanço do Rei Odoacro unificou os povos das terras geladas do norte e verdejantes do oeste como jamais aconteceu.

Ouvia-se tambores tribais, havia celebração, lutas cerimoniais, comida e bebida aos homens triunfantes e sexo - selvagem - a percorrer todo o acampamento. Afastado das justas comemorações, Berenhal - o Filho do Rei - mantinha-se sentado, e ainda coberto em sangue romano, sobre um pequeno monte de pedras a observar o longínquo horizonte negro. A brisa que de lá provinha era inconfundível, quente e salobra. Para além daquelas terras havia o mar e, depois dele, a Capital dos Romanos.

Berenhal ordenou a um de seus homens que se apressasse em direção à um de seus comandantes, aquele ao qual os povos celtas cultuam e chamam de Eremita. Em pouco tempo, o homem vestindo a pele de um lobo, ainda ensanguentado do combate recente e com um elmo com longos chifres - um deles partido - localiza o líder de uma das tribos Celtas e se aproxima. Apesar da altivez e do porte avantajado, mesmo o guerreiro do norte caminhou com cuidado e demonstrando sua clara intenção de paz ao se aproximar daquele homem animalesco que se mantinha entre as árvores. Sem prolongar o seu dever, ele simplesmente apontou em direção ao monte no qual o Filho de Odoacro permanecia sentado e exclamou:*


- Eremita! Berenhal o convoca!
avatar
Mensagens : 48
Data de inscrição : 28/03/2018
Ver perfil do usuário

Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Qua Mar 28, 2018 4:49 pm
O homem conhecido como eremita levanta a cabeça , em direção ao mensageiro. Seus olhos, vermelhos, como se estivesse possuído por algo ancestral. Seu olhar passa por todo o campo de batalha, observando os homens esperando os romanos ainda vivos, moribundos, enquanto os corvos, aos montes, já se alimentavam dos mortos, dos homens que caíram em batalha. Na verdade, não em batalha, fora um massacre para os romanos.

Pode ir homem, avise que estou a caminho! Falou o eremita, dispensando o homem.

Han caminhou por entre os corpos, pisando firme. Entre uma passada e outra, abaixa-se e pega um homem moribundo. Com certa selvageria, ele abocanha o pescoço do jovem e sorve o sangue em profundos goles, depois de saciar-se, larga o corpo e continua seu caminho em direção ao seu mestre. Vencida a distância, e já na frente de seu mestre ele se senta sobre um tronco caído.

O que precisa falar comigo, meu senhor?
avatar
Admin
Mensagens : 325
Data de inscrição : 25/11/2017
Ver perfil do usuáriohttp://terturiumdigital.forumeiros.com

Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Qua Mar 28, 2018 10:52 pm




*Berenhal mantinha o olhar fixo no horizonte. Após a aproximação de sua cria, apontou para as dezenas de corpos aos pés da rocha na qual está sentado -  a maioria deles caídos pela espada do próprio gangrel - e começou a falar em um dos dialetos das tribos celtas que é bem conhecido pelo Eremita*

- Os mortos não são soldados de Roma. Lavradores, pastores e poucos guerreiros que sabiam como segurar suas lâminas.

* A voz era grave, rouca, possuía uma imponência natural acentuada pelo físico avantajado do Gangrel. Berenhal era parrudo, mas ao contrário da maioria dos seus iguais possuía baixa estatura em uma comparação com os demais. Não alcançava um e oitenta, mas era temível no campo de batalha e ostentava o título de invencível que significava exatamente isso. Berenhal jamais fora derrotado em nenhum combate, seja um mero desafio tribal ou em confrontos sanguinolentos por território. Sua perícia com a espada larga de duas mãos é avassaladora. Ele continua*

- Estes servos são chamados pelos romanos de Tropas Auxiliares. Povos que foram dominados e enviam seus guerreiros para lutar pelo Império que os conquistou.

* Ele mantinha os braços sobre os joelhos, curvando o corpo para frente ao olhar um dos homens mortos ao chão. Seus dentes eram levemente pontiagudos e seus olhos, assim como os de Han, brilhavam em vermelho profundo sob a luz das estrelas*

- Trácios. Recebi isto.

* Ele pega um pergaminho que estava a seu lado, no chão, e o joga na direção do Eremita. Nesse momento é possível ver que seus antebraços são mais largos que o comum, como um gorila*

-  Neste papel diz que um líder desse povo quer um encontro para evitar que o sangue dos seus continue a ser derramado. Preciso organizar os homens e aguardar o retorno de meu Senhor, o Rei, para que avancemos. Vá ao encontro desses Trácios e veja se oferecem algo além de suas gargantas. Leve alguns guerreiros, pode ser uma armadilha.
avatar
Mensagens : 48
Data de inscrição : 28/03/2018
Ver perfil do usuário

Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Qui Mar 29, 2018 10:32 am
Han escuta com atenção as palavras de Berenhal. Ele não deixa de se surpreender toda vez que vê seu senhor. Uma figura que, desde sempre, possui um porte digno dos grandes reis nórdicos, tanto em imponência quanto em  presença. Han faz um aceno positivo com a cabeça. Mais uma vez ele se vira para o mar de corpos, pensa um pouco e diz:

Isso tem que acabar! Os romanos chegaram até este ponto porque nós mantivemos omissos, enclausurados em nossas vidas e em nosso conforto. Muito território foi cedido a estes patrícios miseráveis. Enquanto os senadores e outras figuras de poder engordam e fornicam, os conquistados e a plebe arcam com as consequências da guerra, sem nem poder usufruir de seus esforços, ainda que sejam esforços com um propósito tão nefasto.

Ao contrário de seu senhor, a sua voz era suave e levemente rouca, passando para quem o ouve a sua tranquilidade e paz de espírito. Ele fez uma breve pausa, virou-se para Berenhal e continuou...

É chegada a hora de invadirmos, incendiar as suas cidades, eliminar todos aqueles que perpetuam esta forma de vida que eles tem levado durante estes anos e pôr fim ao império romano. Além disso, pode deixar que vou ao encontro dos tricios, sendo armadilha ou não.

Han caminha em direção às árvores, até um ponto onde o sangue inimigo não contaminou o solo, sentou-se no chão. Ele inclina a cabeça em direção ao papel, que agora já está sujo do sangue inimigo que ainda escorre de suas mãos, fecha os olhos e sente a brisa noturna tocar seu corpo. Ele toca com a mão direita o chão e fica parado por alguns instantes, ignorando até mesmo a presença de seu senhor. Quando ele atinge o nível de concentração desejado, ele se permite, através dos dons de Caim, expandir a sua percepção (toque do espírito) a ponto de fazer uma investigação prévia daquele papel, no intuito de sentir a impressão mais forte deixada por aquele que a escreveu.

Empatia 4 + percepção 4

avatar
Admin
Mensagens : 325
Data de inscrição : 25/11/2017
Ver perfil do usuáriohttp://terturiumdigital.forumeiros.com

Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Qui Mar 29, 2018 11:18 am
* Berenhal ouviu as palavras de sua Cria e as complementou. Nesse momento sua voz variou de um gutural animalesco a um som límpido e grave digno de um líder*

- Todos os Romanos, aqueles que construíram este maldito Império, pagarão com sangue e dor!

* Em seguida, Han se desloca para concentrar-se no emprego de seus dons perceptivos. Ao tocar o pergaminho e concentrar-se, seus olhos lhe mostram mais do que apenas o chão ensanguentado, o céu escuro e as árvores que o rodeiam.*

Teste de Toque do Espírito - Han:
* Margem de sucesso ( MS) requerida: 2. Modificador de Interpretação ( MI)atribuído: 3

O Eremita tem Empatia 4 + Percepção 4 + MI 3 = 11
A dificuldade padrão para testes não resistidos é 6.

Eremita tem 11 - 6 Dificuldade Padrão = 5 Sucessos! Han precisava atingir o MS 2, por isso obteve sucesso no teste.

* A visão do Gangrel alça os céus como um pássaro, veloz, a cortar o horizonte. Em seguida paira sobre uma tenda de couro e tecidos e, dentro dela, um homem com cabelos loiros presos por fitas de couro e vestes de igual material escreve o pergaminho que agora está em suas mãos. A seu lado, um copo simples e rústico, talvez feito de cascas de árvores com um líquido carmesim espesso dentro. O cheiro doce do vitae era inconfundível.






Sua visão retorna ao ponto inicial, com o pergaminho em suas mãos e ao fim dele, após o convite para o encontro, há uma assinatura:*


Gannicus, Rei dos Trácios.
avatar
Mensagens : 48
Data de inscrição : 28/03/2018
Ver perfil do usuário

Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Qui Mar 29, 2018 11:48 am
Han abre os olhos, e de onde está encara seu criador. Ele pondera um pouco sobre sua visão e então a narra detalhadamente.

Trata-se de um como nós. Por acaso, já ouviu falar do rei dos tracios? Conte-me o que sabe e logo depois partirei. Irei sozinho, pois, conseguirei vencer a distância que nos separa mais rápido, a não ser que outros possam viajar como eu.

Após se pronunciar, Han aguarda a resposta se Berenhal, enquanto larga o papel no chão úmido.
avatar
Admin
Mensagens : 325
Data de inscrição : 25/11/2017
Ver perfil do usuáriohttp://terturiumdigital.forumeiros.com

Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Qui Mar 29, 2018 11:56 am
* Berenhal se levanta e ergue um dos homens moribundos do chão, caminha arrastando-o até passar por sua cria enquanto o responde, gulturalmente*

- Não há Reis nestas terras. Reis não se curvam perante outros homens, nem mesmo para Impérios.

* Adentrando a trilha por entre as arvores que encerram as planícies ele crava as presas no pescoço do já quase morto homem, que sequer possui forças para gritar. Em seguida o descarta, como uma casca de fruta após ser devorada*

- Este homem que assina a missiva, Ganicc...nomes difíceis...não deve passar de mais um que se prostrou, de quatro, para Roma e os seus. Prossiga conforme sua vontade. Tu és minha voz nesse encontro e representa todos os que lutam por liberdade, não ouses falhar.
avatar
Mensagens : 48
Data de inscrição : 28/03/2018
Ver perfil do usuário

Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Qui Mar 29, 2018 11:28 pm
Finalmente o Eremita se levanta de sua posição de repouso, enquanto ouvia Berenhal sorver aos goles o sangue do soldado moribundo, que ele acabara de pegar do chão. Ele olhou para o céu e contemplou todos aqueles pontos brilhantes, tão distantes de onde ele estava, ainda assim, tão belos e fascinantes. Assim que seu senhor saiu de dentre as árvores, largando o corpo já sem vida do soldado, ele o fitou e esperou a sua aproximação. Apesar de sua idade, Han mantinha uma relação próxima com seu senhor, uma relação de respeito e, certa forma, devoção. Han o abraçou brevemente e seguiu seu caminho, ainda recordando sua ultima visão e começou a caminhar, enquanto sentia seu corpo mudando aos poucos, encolhendo-se. Um pouco de sangue começou a verter de seus poros, enquanto penas começavam a se formar, a partir daquele sangue que vertia. Seus braços afinaram e tornaram-se asas. Um bico se formou onde há poucos instantes era a sua boca.

Em poucos instantes, Han deixara de ser um involucro imortal que um dia fora um homem, para se tornar uma grande coruja branca, com algumas manchas negras espalhadas em sua penugem. Então, tão natural quanto é o andar para os humanos, a coruja bateu asas e alçou aos céus. O vento, passando por seu corpo, era uma liberdade fascinante, a sensação de estar mais próximo aos pontinhos brilhantes, era indizível. Recordando o trajeto que sua mente fez ao vislumbrar o dono da carta, Han bateu asas e partiu em direção ao não tão desconhecido.



avatar
Admin
Mensagens : 325
Data de inscrição : 25/11/2017
Ver perfil do usuáriohttp://terturiumdigital.forumeiros.com

Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Ter Abr 03, 2018 8:02 am
* O Eremita, através de seus dons das trevas, transmutou-se em uma majestosa coruja branca de tamanho descomunal e alçou vôo rumo a seu destino. Do alto, pôde contemplar o avanço dos seu povo sobre as terras clamadas dos romanos.

O Mar de corpos se estendia das planícies aos pés da montanha que dividia o verdejante vale do oceano negro mais à frente. A vitória havia sido esmagadora e mais um dos territórios do inimigo agora pertenciam à Odoacro, Berenhal e a todos os que podem chamar-se de livres.

Cortou o ar durante horas até atingir, após as montanhas, um acampamento. A exata tenda vista através do toque do espírito se encontrava após várias outras menores, feitas em couro e tecidos. Haviam poucos homens naquele assentamento, talvez trinta deles, mas em muito lembravam seu próprio povo - os Celtas.

Eram homens com cabelos loiros e corpos bem delineados pela guerra. Armados com espadas e escudos. Embora no momento estivessem concentrados em afazeres comuns, como estripar cervos para a alimentação vindoura ou coletar mais gravetos para uma grande fogueira no centro do acampamento. É interessante notar, aos olhos de Han, que mesmo a esta distância as chamas lhe causam tanto temor quanto admiração.

O eremita nota também que as demais tendas se encontram próximas à fogueira, mas a maior delas que foi vista através de seus dons se encontra isolada, longe da luz e do calor proveniente dela.*
avatar
Mensagens : 48
Data de inscrição : 28/03/2018
Ver perfil do usuário

Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Ter Abr 03, 2018 8:23 am
Após um período de observação, voando em amplos círculos ao redor do acampamento, aproveitando a magnífica visão proporcionada por sua forma animal, o eremita se afasta do acampamento e pousa entre as árvores circunvizinhas ao acampamento. Ele ainda aguarda alguns instantes, até que em meio aos sons da floresta, de pequenos animais que tentam se proteger dos predadores noturnos, ele retoma a sua forma original. As asas dão lugares a braços fortes e musculosos, típicos de cortadores de lenha ou até de um aldeão empenhado em trabalho braçal. As patas dão lugar as pernas, tão musculosas e rígidas quanto os braços, o tronco nu toma o lugar do peito cheio de penas e finalmente a cabeça humana toma forma, abandonando completamente os traços animalescos.

Ele caminha por entre as árvores, em direção ao acampamento, aproximando-se de forma ruidosa, já que não tinha a intenção de entrar despercebido, afim de que fosse interpelado por algum homem daquele acampamento. Ao vislumbrar a claridade da fogueira ZN ele pára, aguardando que alguém se aproxime, já que não há a intenção de afrontar seu anfitrião.
avatar
Admin
Mensagens : 325
Data de inscrição : 25/11/2017
Ver perfil do usuáriohttp://terturiumdigital.forumeiros.com

Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Ter Abr 03, 2018 9:20 am
*As chamas, ainda que longíquas, atiçam a besta do Eremita. Seus olhos dóem levemente e o calor lhe atinge o corpo o fazendo querer recuar. Os impulsos são primais e, portanto, nenhum outro clã consegue compreendê-los melhor que um Gangrel.

Assim, Han resiste à visão da grande fogueira situada no meio das pequenas tendas. Avançar, contudo, seria um desafio maior.

Dois homens logo se apressam em direção ao corpulento homem que saiu da floresta. São visíveis guerreiros, mas seu corpo é coberto apenas por pequenos pedaços de couro batido, nos ombros, pernas e partes íntimas. As espadas em suas mãos possuem o fio gasto, seus escudos estão rachados.

O primeiro deles, careca e com uma longa barba loira, questiona em tom agressivo.*


- Anuncie-se invasor! Ou veja minha lâmina perfurar a sua carne!
avatar
Mensagens : 48
Data de inscrição : 28/03/2018
Ver perfil do usuário

Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Ter Abr 03, 2018 9:33 am
Han observa a aproximação dos homens, mas, não perde a visão da fogueira. Ele aguarda o homem careca se aproximar e fazer seu ultimato. Após ouvir as palavras ásperas de seu interlocutor, Han apenas sorri de forma amistosa e gentil, mostrando suas mãos nuas, demonstrando boa fé, por não estar armado. Mantendo-se em sua posição, ele fala calmamente com os homens:

Saudações homens, que a deusa esteja com vocês! Me chamo Han e venho de longe, em nome de Berenhal, para conversar com Gannicus. Assim que recebemos a sua mensagem, vim para cá, afim de tratar com ele.

Ao final da fala, ele sorri novamente, enquanto aguarda uma resposta dos homens
avatar
Admin
Mensagens : 325
Data de inscrição : 25/11/2017
Ver perfil do usuáriohttp://terturiumdigital.forumeiros.com

Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Ter Abr 03, 2018 1:04 pm
*Os homens entreolham-se. O segundo, com longos cabelos castanhos trançados inclina a cabeça em direção à seu companheiro tribal e corre, apressadamente, passando pelas tendas menores em direção à maior delas.

Passassam-se alguns minutos e o homem que ficou a encarar o Eremita se mantém firme, com um semblante pesado e a espada em punhos.

Momentos depois, um outro homem se faz ver. O mesmo de quando o Eremita usou de seus dons sombrios. Cabelos loiros lhe caem sobre os ombros, uma parca armadura de couro batido a lhe cobrir o corpo e duas espadas embainhadas em sua cintura.

Em sua mão direita há um jarro de argila da qual ele bebe algo. O cheiro adocicado e a cor carmesim não deixam dúvidas de que se trata de vitae fresco. Ao se aproximar, caminhando pelo assentamento de forma a evitar a grande fogueira, ele saúda o convidado*


- Saudações, emissário de Berenhal. Eu sou Gannicus, Rei de meu povo. Teu líder me encontrará ou devo destinar minhas palavras para os seus ouvidos?





avatar
Mensagens : 48
Data de inscrição : 28/03/2018
Ver perfil do usuário

Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Ter Abr 03, 2018 4:21 pm
Ainda sorrindo, O eremita afasta-se alguns metros de seus anfitriões e senta-se em posição de lótus. Ele deixa os braços apoiados sobre os joelhos e mantém a cabeça erguida, em atenção a Ganiccus. Como sempre, sua voz calma corta o silêncio da noite.

Saudações Ganiccus, sou O eremita, a voz e os ouvidos de Berenhal aqui neste momento, conhecido como líder dos homens livres em frente de batalha, cria de Odoacro, senhor de todas as terras livres do norte. Se estou aqui agora, significa que tens a atenção de Berenhal. O que tens de dizer, diga-o agora. Eu o represento. Como sabes, imagino, ele está agora reorganizando os homens que lutaram contra a frente romana, que neste exato momento, suja nossas terras com seu sangue, lágrimas e fezes. Não há nada que queira dizer que não possa ser dito para mim.
avatar
Admin
Mensagens : 325
Data de inscrição : 25/11/2017
Ver perfil do usuáriohttp://terturiumdigital.forumeiros.com

Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Ter Abr 03, 2018 6:52 pm
* O homem permanece em silêncio por alguns segundos, como se avaliasse àquele que ouve e fala por Berenhal, a quem de fato convocou para o diálogo. O suspense é quebrado com uma longa e alta gargalhada*

- HAHAHAHAHA! Saúdo a vós, guerreiro do norte, que estripa os romanos e os faz pagarem o alto preço por tentarem colocar grilhões e correntes nos pescoços de todos aqueles que vivem nesta terra!



* Ele se aproxima e senta-se ao chão à frente de Han. Há sempre um leve sorriso em sua face enquanto fala e sua voz é límpida e de um tom agradável de se ouvir. Nem tão grave, nem tão aguda.*

- Berenhal honra-me com a resposta. Pois ouça-me, enviado do Filho do Rei Odoacro, e leve minhas palavras ao seu mestre.

* Ele coloca a jarra no chão, entre os dois, assim como dois copos feitos de argila*

- Compartilhe da minha bebida, pois é hora de compartilharmos o Sangue dos Romanos.

* Ele serve os dois copos e bebe um deles em um só gole. O Vitae lhe escorre pelo canto da boca, o cheiro é doce e forte. Ele continua*

- O acampamento que vês é um dos últimos três que restam. Há longos anos nós, Trácios, lutamos contra o avanço romano. Eles tomaram a nossa terra há muito tempo mas nós não nos curvamos. Gannicus não se curva! Lutamos e sangramos a besta que é Roma noite após noite. Mas isto veio há um preço alto. Éramos poucos e os Romanos, milhares.

* Ele aponta para o Eremita*

- O aparecimento de Odoacro e seu exército só pode ser um presságio dos Deuses! É hora dos Trácios se unirem aos seus para que juntos vejamos Roma sangrar até a sua morte final!

* Ele volta a encher o próprio copo, rústico e rachado levemente e brinda concluindo*

- Aliança é o que a minha palavra oferece, Eremita. Sangue Romano é o tributo que pagaremos ao seu Rei.
avatar
Mensagens : 48
Data de inscrição : 28/03/2018
Ver perfil do usuário

Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Ter Abr 03, 2018 8:37 pm
Han pega seu copo e assim como Ganiccus, bebê todo seu conteúdo num só gole. Ele olha para o homem que a poucos instantes parecia ser hostil e sorri tristemente.

Infelizmente meu caro, o sangue que derramamos nos campos de batalha, pouco tem dos romanos. São povos conquistados, que lutam sem convicção e que não geram, pelo menos para mim, a emoção e a motivação necessárias para o combate. São lutas sem glória.

Ele segura o solo com ambas as mãos.

Estas terras que protegemos, foram maculadas por sangue, suor e lágrimas de homens que foram fracos e não puderam defender as suas terras. Nosso verdadeiro combate se dará dentro das cidades romanas! Devemos avançar sobre os romanos em suas cidades, atacar de fato Roma. Queimar as suas casas, enfrentar seus senhores e acabar com aqueles que organizam, há séculos, este sistema que só destrói e corrompe a humanidade.

O olhar de Han foca no horizonte e sua voz se cala por alguns momentos. Ele pensa, antes de continuar.

Venha comigo, traga os seus. Vamos fazer valer a nossa força e a nossa determinação. Entremos em Roma e acabaremos com este império, juntos.
avatar
Admin
Mensagens : 325
Data de inscrição : 25/11/2017
Ver perfil do usuáriohttp://terturiumdigital.forumeiros.com

Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Ter Abr 03, 2018 9:27 pm
* Gannicus ouve e o sorriso se esvai de sua face. Pensativo por alguns segundos, ele franze o cenho e afirma*

- Homens fortes foram conquistados, mortos e escravizados pelos Romanos. Homens fracos, de espírito e honra, uniram-se a eles em troca de uma falsa liberdade. Massacraram seu próprio povo e auxiliaram a escravizar outros em troca de...migalhas.

- Lutas sem glórias, talvez, Eremita. Mortes devidas, sem nenhuma dúvida.


* Ele olha os poucos homens em seu acampamento*

- Precisarei de uma noite para que estes parcos, mas devotados homens desmontem o assentamento e reúnam-se com os outros em mais dois acampamentos, com seus pertences e armas. Então, o seguirei até Berenhal e somaremos forças.

* Ele olha o homem que fazia a guarda, careca e com longas tranças loiras em sua barba e ordena*

- Attius, envie mensageiros aos outros acampamentos. Reúna os homens até a próxima noite.

* Em seguida, volta-se novamente para Han*

- Fique conosco até a próxima noite e partiremos juntos. Até lá, conte-me mais sobre Odoacro, o Rei dos Godos.
avatar
Mensagens : 48
Data de inscrição : 28/03/2018
Ver perfil do usuário

Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Qua Abr 04, 2018 4:32 am
O eremita pegou o recipiente de barro e serviu-se mais de mais um pouco de vitae. Bebeu novamente todo o líquido de um só gole e olhou de relance para a fogueira. Ele buscava em sua mente, recordações de uma das batalhas mais sangrentas da qual participou, ao lado de seu senhor e do grande e temível Odoacro, pelo menos é assim que os romanos o consideram.

Ele começou a narrativa com a sua voz tipicamente baixa e rouca que fez com que os outros fizessem silêncio, para escutar atentamente a história.

Na noite anterior ao grande dia de enfrentamento, próximo às margens do rio Danúbio, Odoacro fez um grande discurso, afim de inflamar o coração de seus guerreiros. Eu nada ouvi deste discurso, pois, estava afastado, conversando com Berenhal sobre as nossas táticas, caso houvessem cainitas como nós do outro lado. Já podíamos ver, de onde estávamos, o acampamento das forças romanas e suas grandes fogueiras. Havia um destacamento que se interpunha entre nós e o acampamento. Pelo que podíamos ver, eles eram superiores em número, talvez três para um.

Enquanto a noite avançava, nossos homens comiam, bebiam e faziam suas preces. Era aquela festa, aquela exaltação antes da batalha. Estavam todos excitados com a chance de enfrentar aqueles que tentavam nos subjugar.

Em determinado momento da noite, me afastei de todos e parti para um ponto estratégico, próximo ao ponto onde provavelmente a luta se desenvolveria. A noite estava escura, apenas as estrelas brilhavam na imensidão. Parei onde acreditei ser o ponto e usei meus dons e me tornei um com a terra.


Han parou a narrativa para servir-se mais uma vez, enquanto observava a reação daqueles que o escutavam.

Lembro-me bem, o sono veio, contudo, não foi um sono tranquilo. Em determinado momento do dia, pude ouvir os sons das espadas se chocando, de lâminas cortando carne e do lamento dos moribundos. Aparente estava sendo uma batalha cruel. Quando finalmente a noite chegou, saí de meu abrigo. Sobre mim, dezenas de corpos estavam caídos, mortos, com todos os tipos de ferimentos. O chão estava viscoso de tanto sangue. O instinto quase me fez abandonar a racionalidade, contudo, me controlei. Eu me erguia lentamente, derrubando os corpos que estavam sobre mim, meu corpo, apesar de não ter lutado ainda, já estava completamente ensanguentado.

Os romanos recuaram para o acampamento, entretanto, eu ainda podia ouvir o som do combate. Ergui-me sobre os corpos e pude ver uma figura, que se movia poderosamente entre os mortais. Cada golpe seu ceifava uma vida. Ele era tipicamente um romano, vestido com suas armaduras e portando uma espada magnífica. Pelo visto, ele lutava já fazia algum tempo, pois, não era o corte de sua lâmina que matava nossos homens, e sim a força de seus golpes.

Apesar de corajosos, nossos homens começaram a fraquejar frente aquela ameaça colossal e de poder desigual, quando, finalmente, outros se levantaram de vários outros pontos do campo de batalha. Corremos em direção ao nosso alvo, porém uma voz poderosa, firme e intimidadora fez com que estancássemos onde estávamos. Parecia que um dos filhos dos deuses estava entre nós, em sua completa glória. Ele estava vestido apenas com sua pele de urso sobre seus ombros. Seus cabelos, já manchados de sangue, grudados em sua cabeça e rosto.

Ele caminhou lentamente em direção ao romano, que matava nossos homens indiscriminadamente e gritou em desafio. O romano virou-se para ele e decidiu atacar. Se. Ele tivesse fugido, talvez tivesse sobrevivido a peleja.

Ele avançou com ferocidade, com sua espada erguida sobre a cabeça, decidido a por um fim em Odoacro. Ele desferiu um golpe fulminante de cima para baixo, de onde eu estava, pude ouvir o som da espada rasgando o ar. Odoacro que estava desarmado, apenas ergueu seu braço direito em direção ao golpe.

Mais uma vez Han parou, como todo contador de histórias faz quando chega o momento crítico da história, dando a oportunidade aos ouvintes de imaginar a cena.

Quando a espada atingiu o braço de Odoacro, ouvimos o estalar do rompimento da lâmina. Todos nós observávamos o combate, inclusive os romanos. Os fragmentos da espada voaram em várias direções, atingindo alguns de nossos homens e os matando imediatamente, de tamanha violência que fora dado o golpe. Os olhos do romano, que soubemos depois, se tratar do governador Claudius Glauber, esbugalharam-se de espanto. Ele provavelmente nunca vira algo daquele tipo.

Num movimento reflexivo, a mão direita de Odoacro agarrou o pescoço do romano e o segurou pelo pescoço com firmeza. Com a outra mão segurou o homem pelo ombro. Eu nunca tinha visto o que aconteceu naquele momento. Enquanto Odoacro usava a sua força descomunal, o romano gritava, como se fosse um mortal, gritava de dor e de pânico. Seus olhos pareciam não acreditar no que estava vendo. Então, de repente, nosso rei começou a puxar a cabeça de seu oponente, de tal forma que ela começou a se separar do corpo. Além dos frutos, ouvíamos o estralar dos ossos se rompendo, até que finalmente, Odoacro segurava a cabeça do general romano em uma de suas mãos.

Ele virou-se para o agrupamento romano , ergueu a cabeça, enquanto ela se desfazia em pó e depois gritou, trazendo-nos de volta para o campo de batalha, já que até pouco tempo, estávamos fascinados com aquela apresentação de poder e força. Os romanos começaram a correr desordenadamente, apesar de que ainda haviam alguns cainitas ao seu lado, porém, foi em vão. Foi um massacre, naquela noite eliminamos quase todos oponentes no campo de batalha e, só não foram todos mortos, pois, deixamos dois vivos, um como nós e outro mortal, para que eles voltassem a Roma e contassem todo o terror que viram.

O resto desta história, você pode perguntar a qualquer outra pessoa que esteve naquela batalha, pois, contarão detalhes que eu deixei escapar. E esta, apesar de breve, foi a primeira vez que vi o rei das terras livres lutando. Certamente nunca esquecerei daquela noite.


Finalmente tendo terminado a história e dado o avanço das horas, Han despediu-se do anfitrião e garantiu estar ali na próxima noite, pois, eles teriam muito a marchar, para enfim, se juntarem aos outros povos livres que certamente tomarão as terras daqueles imundos.


Sou grato por me receber em aqui meu caro, até mais. Estarei aqui na próxima noite.
avatar
Admin
Mensagens : 325
Data de inscrição : 25/11/2017
Ver perfil do usuáriohttp://terturiumdigital.forumeiros.com

Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Qua Abr 04, 2018 10:42 pm
*Conforme as palavras do Eremita ganhavam forma, aglomeravam-se ao redor dele os homens de Gannicus. Seus semblantes variavam da curiosidade ao espanto e admiração. Cada pausa narrativa fazia os homens - mortais - buscarem fôlego e encherem seus copos com hidromel para aquecerem seus corpos, uma vez que suas almas de guerreiros já estavam em chamas com a oratória do Gangrel.

Bebiam, se entreolhavam e urravam com as descrições dos feitos do povo livre. Não ousavam interromper as palavras de guerra, mas seus olhos clamavam por mais. Quando o Eremita concluiu e fitou os olhos de Gannicus, o líder e Rei dos Trácios, viu nas pupilas castanhas daquele homem o que ainda não tinha visto.

Havia um olhar típico dos grandes predadores. Seus olhos fixos em Han denunciavam que há muito tempo aguardava pela companhia de guerreiros do porte daquela história. E mais, estava estampado em sua face um quase desespero em não somente ouvir, mas participar de futuros contos sobre Sangue, Guerra e Morte dos Romanos.

A noite se vai, com os homens afeiçoados a figura do Eremita através de um laço forjado em histórias de guerra. Quando o Sol ardente e impiedoso que amaldiçoa os que caminham na noite volta a se esconder e a escuridão interpelada pela luz branca das estrelas que ocupam a vastidão dos céus toma forma, os homens de Gannicus já estão reunidos em torno do acampamento. Os trinta iniciais se tornam mais de cem, todos com físicos típicos de guerreiros e com o olhar que somente aqueles que tiraram muitas vidas através do fio da espada e do machado possuem.

À frente deles, Gannicus recepciona o Eremita que se aproxima por entre as árvores, como prometido. Aperta-lhe o antebraço firme - com uma força a ser notada embora haja um sorriso largo em sua face - e destina suas palavras aos homens que o acompanham*


- Marchemos, guerreiros da Trácia! Marchemos junto ao Eremita que nos levará à Odoacro, Rei dos Godos. E de lá, ao encontro do Sangue Romano.

* Os homens urram e gritam em sequência. Em seguida fecham o punho e batem contra o próprio peito, fazendo aquela parte da floresta ressoar como se houvessem tambores. A marcha se inicia e dura uma noite inteira, seguida de mais um dia de acampamento levantado enquanto os líderes repousavam longe dos raios ardentes de Hélios. Quando o meio da segunda noite de marcha se apresenta, o Eremita, Gannicus e a centena de homens que o seguem avistam o vasto e infindável assetamento de guerra de Berenhal, além do próprio, ao longe,  a conversar com dois de seus comandantes -  Lugo e Agron.*
avatar
Mensagens : 48
Data de inscrição : 28/03/2018
Ver perfil do usuário

Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Qui Abr 05, 2018 10:20 am
A viagem foi tranquila ao lado dos tracios. O eremita aproveitou o tempo de caminhada para ouvir detalhadamente a história daqueles homens que, bravamente, resistiram às investidas do império. A cada trecho, ouvia com mais atenção e demonstrava genuína afeição aos homens e a seus feitos.

Chegando ao assentamento, andando lado a lado com Gannicus, ergueu o braço direito, indicando que ali deveriam parar. Ele observou atentamente Berenhal a conversar com seus comandantes e aguardou até que acabassem de tratar o que quer que estivessem tratando. Enquanto aguardava, virou para Gannicus e seus homens.

Homens, trago-os até aqui com um propósito. Começou o eremita. Enfrentar o mal que vem assolando nossas terras, poluindo nossos rios, derrubando nossas árvores e profanando nossos lugares sagrados. Nada é certo, além do sangue que escorrerá por nossas armas. Mais uma pausa, enquanto observava a reação de todos. Apesar de suave, havia uma entonação emocionada em sua voz, tal qual uma excitação contida em seu peito. Ele usou seus dons e percebeu que Berenhal já havia acabado de conversar e que talvez, tivesse a sua atenção.

Não lhes prometo a vitória, contudo, prometo-lhes o bom combate. Prometo estar ao vosso lado, lutando e derrubando nossos inimigos, até que nossas forças se acabem, ou a deles. Vós, que sois guerreiros valentes, que resistiram resignadamente às investidas do exército romano, somarão não somente vossas armas, mas também, vossa força de espírito. Aqui em nossas terras, ou no mundo dos mortos, brindaremos com alegria esta grande batalha que ocorrerá. Os que ficarem, contarão nossa história e se lembrarão para sempre destes dias. Há apenas uma certeza em nosso caminho. A morte! E já que ela é inevitável, que venha ao menos carregada de liberdade e glória a todos os povos livres!

Ao terminar, ele urrou em saudação aos seus novos aliados e ergueu seus braços para o céu, em respeito aos deuses, esperando que com estas breves palavras, tenha inflamado ainda mais o coração daqueles homens. Carentes de paz, carentes de terra, carentes de guerra.
avatar
Admin
Mensagens : 325
Data de inscrição : 25/11/2017
Ver perfil do usuáriohttp://terturiumdigital.forumeiros.com

Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Qui Abr 05, 2018 9:20 pm
* Os homens urraram e saudaram as palavras do Eremita. Tinham aquele estranho e recém-chegado homem como um dos seus em tão pouco tempo. Han, de fato, possuía o dom da oratória e a força de suas palavras era comparável àquela empregada ao quebrar ossos Romanos com as próprias mãos.

Ao longe, a atenção de Berenhal é chamada pelos gritos dos mais de cem homens trazidos por sua Cria. O General e Filho de Odoacro esboçou um largo sorriso que mostrou os caninos longos e afiados e, em seguida, caminhou pesadamente em direção aos que chegaram. Iniciou cumprimentando sua cria, colocando a imensa e calejada mão sobre o ombro de Han e olhando no fundo de seus olhos avermelhados enquanto falava gulturalmente*


- Me honra, Han! Cumpriu teu papel como deveria.

* Gannicus se aproxima e Berenhal lhe confere atenção, seguindo com sua pesada voz que em nada se assemelha a do Eremita. É muito mais grave, bruta e desprovida de boas maneiras.*

- És tu o Homem que lidera os Trácios?

* Gannicus esboçou um malicioso sorriso, antes de o responder*

- Rei dos Trácios.

* Havia uma clara tensão no ar. Gannicus não parecia tão inclinado a seguir o comando alheio neste momento, é como se as palavras de  companheirismo dos dias de marcha nada significassem perto daquele olhar predatório que ele trocava com Berenhal. O Gangrel, por sua vez, olhou por cima do ombro do Trácio e concluiu*

- Não há Reis de terras dominadas por outros. Não até que retomes o teu próprio solo e faça com que os Invasores sangrem como pagamento da dívida.

* Gannicus, uma vez mais, sorriu. O Trácio era ligeiramente mais alto que Berenhal, embora o Gangrel fosse muito mais corpulento e bruto. O autoproclamado Rei dos homens que seguiram Han até este ponto, ergue a voz*

- Sou o Rei de meu povo, com ou sem terras. E farei os Romanos pagarem com sangue, vísceras e merda que arrancarei de suas barrigas. Será ao lado do exército de Odoacro e Berenhal, se o desafio a seguir for aceito...

* Ele se vira para seus próprios homens, atrás de Han, e continua*

- Um Trácio não segue lideranças que não se provam dígnas! Odoacro e Berenhal mataram mais romanos do que podemos contar, mas precisam mostrar-se valorosos em um combate contra um oponente mais dígno...

* Ele se vira para Berenhal e o encara*

- Um Trácio! Enfrente-me, filho do Rei!

* Desta vez, foi Berenhal que sorriu, larga e animalescamente. Sua voz se ergueu e o próprio céu pareceu tremular*

- Enfrentá-lo? Entre os nortenhos, um guerreiro precisa galgar o direito de enfrentar um superior.

* O Filho do Rei Odoacro se aproxima e seu hálito pesado recai sobre Gannicus*

- Tu, não és um igual até que proves! O peso de minha mão é grande demais para tão pequeno homem. Desejas provar a força de Berenhal? Sobreviva a de meu filho, Han, e ganhe o direito de sofrer uma derrota pelas minhas mãos.

* Gannicus olhou o Eremita, desembainhou as duas espadas em sua cintura e bradou*

- Que assim seja e que os povos testemunhem. Se eu cair, seguirei Odoacro, Berenhal e Han até os confins do mundo e a beira do próprio Tártato! Se vencer, contudo, eu tomarei a liderança dos homens que o Filho do Rei Odoacro comanda.

- Ainda assim, confias a batalha a teu Filho, Berenhal?


* O Gangrel depositou o olhar no Eremita e não havia nenhuma dúvida nele. Sentenciou*

- Cada homem livre confia no que está a seu lado durante a Guerra. Meu filho, Meu Sangue, me representa.


Teste de Iniciativa - Eremita:
Han, se aceitar o desafio, deve postar sua Destreza + Raciocínio, com interpretação adequada para garantir melhor MI, para determinar a ordem da iniciativa do combate a seguir
avatar
Mensagens : 48
Data de inscrição : 28/03/2018
Ver perfil do usuário

Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Sex Abr 06, 2018 10:41 am
Quando a conversa entre Berenhal e Gannicus começou, Han já sabia aonde terminaria. Nas terras livres, a confiança entre homens de caráter e poder só é alcançada através força, da admiração e dos feitos destes. Não é possível, para estes homens, fazer de outra forma. Han sabia disso, ele que é um conhecedor das tradições de seu povo.

Apesar de ter uma natureza dada a pacífico fase, não ignorava este fato e, recusar o desafio demonstraria que era um tolo e que as suas palavras nas últimas noites não passaram de bravatas.

Han sorri gentilmente para os dois líderes, olha por sobre os ombros de Gannicus e vê o olhar daqueles homens que o acompanharam desde a Trácia. Ele vê naqueles olhos, o desejo da batalha, do sangue e da certeza de que estão no lugar certo. Han caminha em direção a Gannicus e pára, ao vê-lo desembainhar suas espadas.

Eis que esta noite será tão animada quanto previ. As palavras de ambos são válidas, sendo que nesta noite não haverão perdedores. Se eu ganhar, seguindo o raciocínio de Gannicus, eu serei o rei dos tracios.Ele faaz uma pausa e sorri para os homens, direcionando seu olhar para Gannicus.Se você ganhar, coisa que eu desacredito que possa acontecer, você liderará os homens que me seguem. De toda forma, nós ganhamos, pois, nossas forças só crescem, para o desespero de Roma. Ainda hoje brindaremos a nossa união!

Finalmente o silêncio após as suas palavras, não havia tensão nem receio em sua postura. O silêncio foi quebrado pelo barulho de gotas pesadas caindo no chão. Dos antebraços do eremita, começou a verter sangue, que escorriam vagarosamente em toda a sua extensão e caiam pelas pontas dos dedos. Pelos espessos começaram a surgir, onde antes havia sangue. Os dedos se alongaram e ganharam uma tonalidade escura, além de uma impressão de extrema letalidade.

Venha tracio, vejamos do que sois capaz, além de rechaçar romanos! Desafiou Han, olhando-o nos olhos.

Raciocínio 3 + destreza 4
avatar
Admin
Mensagens : 325
Data de inscrição : 25/11/2017
Ver perfil do usuáriohttp://terturiumdigital.forumeiros.com

Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Sab Abr 07, 2018 10:49 am
* A luz prateada da Deusa da Lua reflete as lâminas gêmeas nas mãos de Gannicus. Há um constante sorriso em sua face, não por desdenhar do oponente ou por ego. Era regojizo. Havia um prazer claro no ato de combater estampado na figura daquele cainita.

Cruzou as espadas e em seguida posicionou-se mantendo o corpo arqueado, com a mão esquerda levemente mais baixa que a direita. Seu corpo corou-se com o sangue bombeado para acionar os dons das trevas que lhe conferem maior velocidade e força.

Ao redor dos combatentes, um furor de gritos, urros e incentivos aos dois lados. Homens que antes estavam nos montes rochosos aproximaram-se e, junto aos Trácios, formaram um grande círculo entorno do Eremita e de Gannicus, delimitando a arena para o combate que se seguiria.

Berenhal, posicionado entre eles, ergueu sua gultural voz que inflamou os corações dos ouvintes*


- QUE SANGUE SEJA DERRAMADO E NO CAIR DELE, QUE NOS UNA! LUTEM!

Teste de Iniciativa - Gannicus x Eremita:
O Eremita tem destreza 3 + Raciocínio 4 + MI 3 (boa interpretação) =  10. A dificuldade padrão é 6.

Gannicus tem Destreza 3 + Raciocínio 3 + MI padrão 2 + Rapidez 3 =11

Eremita tem 10 - 6 ( dificuldade padrão) = 4 sucessos!
Gannicus tem 11- 6 (dificuldade padrão) = 5 sucessos!

Assim, Gannicus age primeiro.

*Ambos encararam-se e o Rei dos Trácios tomou a iniciativa lançando-se em um ataque contra Han. Ele avançou, com um sorriso na face, e golpeou de cima para baixo, juntando as duas espadas como se fossem uma. O aço cortou o ar com violência e precisão rumo ao ombro do Eremita.*
avatar
Mensagens : 48
Data de inscrição : 28/03/2018
Ver perfil do usuário

Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Sab Abr 07, 2018 12:28 pm
Ao contrário do rei dos trácios, Han não sorria, apesar de estar tão contente quanto. Seu semblante mantinha-se calmo, como sempre. Aquele momento já havia acontecido centenas de vezes antes e, se dependesse de Han, continuaria a acontecer. Era essa a tradição.

Os urros e gritos ecoavam pelo descampado. O calor dos corpos mortais, chegava até ele em pequenas ondas de calor, contaminando-o de forma positiva. Ele estava se sentindo bem, era uma batalha de iguais.

Han percebeu a intenção do ataque de Gannicus, um golpe duplo que, se ele não evitasse, certamente lhe acertaria o ombro. A velocidade de seu oponente o surpreendeu e a única coisa que poderia fazer naquele momento era andar um passo na direção dele e tentar defender o golpe próximo a empunhadura das espadas. Exatamente o que foi feito por ele.
Conteúdo patrocinado

Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

Voltar ao Topo
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum