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Escriba - Verdades da Noite Empty Escriba - Verdades da Noite

em Ter Dez 04, 2018 7:58 pm
Quem somos?

A indagação permanecerá atual até que a última das noites se levante e nos arraste ao início de nossa própria história. Isto, é claro, se o fim vier nos buscar.

A verdade nada mais é que a repetição incessante e constante das incertezas que buscam explicar o desconhecido. A verdade muda, ganha novos e variados tons como o céu turquesa que se deixa abraçar pelo laranja e envolver pelo púrpura ao fim do dia. Assim me recordo e assim desejo lembrar-me dos dias que já não vejo.

Se dois ou mais concordam, uma verdade nasce e se perpetua até que seja contestada de forma capaz por outros dois ou mais. Ao ler esta afirmação, não me tomes como um tolo. É óbvio que o pensar dos que me precederam criaram os alicerces sobre o que discorro. Temos indícios. Inúmeros, variados e indecifráveis - aos menos aptos - indícios. Escritos que datam da pedra e do aço, do cobre e do couro. Papiros que se esvaem ao mais leve toque do vento impiedoso que os atinge quando manipulados pelos Incapazes.

Ah, os Incapazes. São tantos e tão presentes. Foram eles, os Incapazes, a destruírem um número incalculável de indícios que poderiam tornar esta verdade, aquela a qual estás a ler e que se perpetuará até que outro a conteste, ainda mais verídica.

Somos Carne. Somos Ossos. Somos, mais que ambos, Sangue. Me inclino a afirmar que fomos mortais, sem exceção, desde o início.

Minha observância desse fato parte do pressuposto da mortalidade da humanidade. Me encanta a caverna platônica quanto a ignorância de nosso miúdo saber. Para que uma verdade seja cunhada a pena e tinta, marcada neste papiro para que encontre um futuro questionador em tempos vindouros, é preciso ir além da caverna mas, ao mesmo tempo, firmar os pés em seu chão de certezas das quais precisamos para continuar a caminhada.

Minha busca, a busca dos meus - dos Escribas - provém dos símbolos talhados e pintados em paredes nos desertos infindáveis às folclóricas cantigas tradicionalmente passadas adiante de forma oral nos cantos mais frios já visitados. Compilamos, confrontamos e escrevemos nossas incertezas e certezas para que outros as analisem e se debrucem sobre a verdade nelas escondidas.  

Desta forma, o primeiro pressuposto é que Deus existe.

Homem. Energia. Divindade e alegoria ao todo. Construtor e Criador. Vingativo e Destruidor. Amor incondicional e Fúria Primordial. Único ou muitos. Tudo e Nada.

Esqueça, por um breve momento destinado a debruçar-se sobre este papiro, os escritos dos apóstolos do Crucificado. Não tropece na pedra fundamental de Pedro. Atenha-se somente ao fato da existência de Deus para além da imagem típica construída a seu redor.

Isto posto, avançamos à notável criação da vida, do todo e dos mortais. Haveriam de ter início e o principal dos indícios nos leva a  Ishah - A Primeira Mulher. A Mãe de todos.

Isha, a Mãe, também passou a ser conhecida por muitos povos como Hawah, a Vida. Nossa língua aproxima o termo para Eva.

Há, em cada cultura, um nome diverso para ela. A relevância do fato é o conjunto de indícios.

Esta é uma verdade, daquelas que acima explicitei, que fazem os homens - mesmo os imortais - enterrarem suas dúvidas em descrença e ignorância. A mulher na centralidade de nossa gênese é uma blasfêmia contra toda a nossa estrutura social. Verdades, como esta, tendem a cair no esquecimento e serem engolidas por novas verdades mais convenientes.

O aqui escrito compila uma vasta pesquisa de muitas faces, muitos braços e diversos escritos. Terei a honra de me debruçar sobre a pilha de papiros que me aguarda, anonimamente, para elucidar à luz do encontrado por outros as pequenas verdades espalhadas que pintam o rico quadro de nossa existência.

Eva é o início dos nossos. Nós somos os que transcendem o fim.

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Escriba - Verdades da Noite Empty Re: Escriba - Verdades da Noite

em Qua Dez 05, 2018 10:13 pm
Isha é o início.


Há desacordos e incertezas acerca de como a Noite Eterna se tornou sua morada. Não estabelecerei uma verdade vã nestes escritos, esta é uma busca que permanece, visto que Isha reside apenas no imaginário e nos indícios coletados pelos Escribas ao longo do tempo.

Quem somos? É uma pergunta ampla e de respostas dúbias. Algumas verdades, estas não tão mutáveis, podem ser escritas ainda assim.

Fomos mortais que passaram por uma transformação, sobrepujando os limites do corpo humano e alcançando a imortalidade. Contudo não somos, de forma alguma, reduzidos a humanos que não perecem ao tempo. Mudamos. Somos algo a mais. Somos Vampiros. Somos Eternos.

Chamamos a mudança de O Beijo Eterno.

Quando um Eterno, ou vampiro, decide trazer um mortal à Noite Eterna ele o faz através do seu próprio sangue.

"Por três noites morrerá para que possa viver a Noite Eterna."


Para além da inscrição no brasão dos Escribas, a frase legitima o processo pelo qual a "vítima" é imersa. Nossa observação do ato do Beijo Eterno nos permitiu elencar as condições para que ele seja bem sucedido:

O mortal precisa ingerir o sangue do Eterno para que a mudança tenha início.


O sangue do Eterno precisa ser extraído de seu corpo diretamente pelo corpo do mortal. Qualquer meio outro pelo qual o sangue circule anula o efeito da mudança.

Experimentos nos levaram a notar que taças, tecidos e qualquer material usado como veículo para que o sangue do Eterno chegue ao organismo do mortal interfere e anula o Beijo da Noite. A forma eficaz é permitir que o mortal beba do sangue Eterno diretamente de sua fonte: o corpo do vampiro. Algumas das casas estabeleceram rituais para o Beijo, outras simplificam o ato ao  lacerar sua carne e oferecer o sangue gotejante ao mortal. Os tradicionais, em especial os Oligarkas, estabeleceram o ato de talharem a própria língua mordendo-a enquanto praticam o ósculo com um mortal escolhido.

Este último é o ritus mais comum e aquele que nomeou o Beijo Eterno.

A Trinca de Noites

A primeira noite após o Beijo
Há uma discordância entre nós, Escribas, acerca deste início. O viés que mais se aproxima dos indícios aos quais tive acesso é o que aponta o sangue do Eterno a testar a compatibilidade do mortal escolhido. Este teste é, sobretudo, da alma. Do âmago. Daquilo que define o que cada mortal é em sua individualidade.

Não são poucos os relatos de mortais a perecerem após a primeira noite e jamais adentrarem à Noite Eterna. Uma profusão de sensações e emoções brotam ao longo da primeira noite. Por vezes, em sonhos. Outras vezes, o mortal delira ainda acordado.

O sangue escolhe.

Notamos que o sangue Oligarka tende a rejeitar os submissos e os medrosos e a abraçarem, com vigor, os autoritários e ousados. Eles, os que prezam por serem chamados de Primeiros Eternos, gostam de adicionar "incapazes" na sequência de rejeitados e "nobres" na lista de escolhidos.

O nosso sangue, Escriba, envolve calorosamente os ávidos pelas descobertas, os insatisfeitos e os intelectuais. Nega, com certa violência, os conformistas, os preguiçosos e os crentes ferrenhos, apegados a qualquer verdade incontestável.

O sangue Venator envolve os espíritos livres, os viajantes, os contempladores do natural e os inclinados à violência. Da mesma forma, pune aqueles engaiolados nas jaulas da sociedade humana, do repetir,  e tende a rejeitar os pacifistas incorrigíveis.

A segunda noite é de mudanças propriamente físicas. Suor excessivo, mudança no tom de pele e febre são os sintomas mais conhecidos. É uma noite de provações físicas e delírios, sonhos perturbadores com a morte vindoura.

Há entre os nossos, para o desprezo da maioria dos Oligarkas, àqueles que o Sangue desprezou na primeira noite mas que foram capazes de sobreviver até o início da segunda. Estas criaturas sofrem perda de cabelos, mudança drástica em sua massa corporal e tornam-se desfiguradas das mais variadas formas durante a segunda noite. Os chamamos de Cloacus.

De acordo com as ancestrais leis que nos regem, por sobreviverem à primeira noite quando deveriam ter perecido, eles ganham o direito de habitar a Noite Eterna. Nós, os Escriba, observamos o fato com curiosidade e estimamos algumas das habilidades que somente os Cloacus demonstraram ao longo dos séculos.

Os Oligarkas os desprezam piamente, embora sejam astutos o suficiente para tolerá-los em suas cortes como servos ou para tentar usá-los como peças descartáveis de seus joguetes. Me pego aos risos quando começo a enumerar as vezes nas quais o manipulador se viu manipulado.

Os Venator divergem. Alguns dos próximos à mim enumeram as razões pelas quais os Cloacus devem ser tratados como iguais. Outros, àqueles das terras dos filósofos, defendem a extinção das bestas ainda na segunda noite, antes que se tornem um Eterno.

A terceira noite
Envolve o ainda mortal com A Sede. A implacável e insaciável Sede que o acompanhará - se bem sucedido - pela eternidade. Há relatos de mortais que beberam todo o líquido disponível em suas adegas, lançaram-se aos riachos em desespero e perderam-se nas águas do mar.

Reitero: o sangue escolhe.

O mortal pode perecer em definitivo em qualquer uma das três necessárias noites para que, ao fim delas, morra uma única vez e desperte para a eternidade.
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Escriba - Verdades da Noite Empty Re: Escriba - Verdades da Noite

em Sex Dez 21, 2018 8:36 am
O Eterno não é apenas um humano morto-vivo.

O Vampiro é um ser sobrenatural dotado de capacidades que vão além da compreensão humana. A primeira coisa a se notar são as mudanças físicas, e elas são muitas.

É um tanto óbvio para nós, Escriba, que as funções vitais de um mortal não possuem relevância para um eterno. Não há a necessidade de comer e beber. A fome e a sede por alimentos e bebidas comuns deixam de ser uma imposição do corpo para se reduzirem à um  desejo particular do Eterno. Apesar de não precisar, o vampiro pode escolher saborear uma carne ao ponto ou apreciar uma safra especial de vinho. Provavelmente de uma carne oriunda de sua terra natal ou de uma bebida que marcou uma época de sua vida quando ainda era mortal.

O apego aos impulsos alimentares continuam a fazer parte do Eterno. Algumas vezes por saudosismo, costume ou mera formalidade. Comer e beber em situações sociais é um grande trunfo para manter o segredo de sua nova existência. Alguns vícios também permanecem e podem, inclusive, se tornar mais presentes. Tabaco e álcool tendem a continuar fazendo parte da não-vida do Eterno tanto quanto fazia na vida do mortal. Às vezes mais.

O importante a se saber é que somente o sangue importa. O sangue humano é o único capaz de saciar suas necessidades e é o único que possui verdadeiramente sabor para o Eterno. Todo o resto é pálido quando se compara ao sangue humano.

Seus orgãos, de fato, não funcionam. A digestão como a conhecemos não ocorre, mas existe de uma forma um tanto particular. Tudo o que é consumido pelo Eterno é envolto pelo sangue no interior de seu corpo e, após algumas horas, passará a integrar o sangue eterno que permeia o vampiro. É interessante notar que o hábito de comer e beber não alimenta o vampiro e não o provém da força para se manter em atividade. Apenas o sangue humano cumpre esse papel. Mesmo o sangue animal não parece garantir uma alimentação completa.

A principal corrente entre os Escriba para a quebra do alimento comum dentro do corpo do vampiro é de que tudo que ao Sangue Eterno é entregue, dele fará parte. É essa a premissa do Beijo da Noite Eterna, por exemplo.

Já observamos que o corpo do Eterno não necessita do funcionamento das funções vitais de um mortal. Assim, respirar é irrelevante, comer é um costume e não uma necessidade e o sono ganha um novo contorno. Quando o sol ameaça se levantar o corpo do Eterno reage e o Sangue Eterno se retrai, busca o conforto do descanso e da proteção, colocando o corpo do vampiro em suspensão. Não se trata de um sono propriamente dito. O corpo simplesmente deixa de obedecer a vontade do Eterno. Eu descreveria como um desmaio, muito além de um sono, uma vez que é praticamente impossível resistir à suspensão das atividades imposta pelo Sangue Eterno.

Mais de um Eterno novato na noite,  longe dos ensinamentos adequados dos seus, encontrou um fim ridículo ao não buscar a proteção do amanhecer e notar não ser capaz de manter sua consciência quando os primeiros raios solares surgiram no horizonte. Estes pobres coitados entram em combustão. Seu corpo se incendeia por alguns minutos até desaparecer em algo que eu descreveria como uma "lama de sangue" coagulado.

A partir disso, nota-se que o Eterno é um imortal que perece ao Sol e, que fique claro, ao amanhecer. O fogo e algumas habilidades místicas dos nossos tendem a causar ferimentos mais graves, também. Com a exceção destes meios, os Eternos são mais resistentes a cortes, quedas e demais formas de impacto que causariam ferimentos terríveis ou mesmo a morte de um humano comum.

O corpo do Eterno ganha propriedades sobrenaturais porque é sustentado pelo Sangue Eterno. Ele, o Sangue, é uma entidade de poder indescritível. Observamos algumas qualidades adquiridas pelo Corpo Eterno que nos tornam mais fortes, rápidos e resistentes do que os mortais e é interessante notar a diferença destas características nas Famílias.

O Sangue Oligarka os garante resistência e força para além do comum, além de aguçarem seus instintos e sua capacidade de interação social.

Venator dispõem de uma força descomunal e da velocidade necessária para os seus modos e também passam a ser mais perceptivos e reativos, alguns até mais inteligentes.

Nós, Escriba, nos tornamos resilientes para resistir ao tempo e observá-lo como devemos e aguçamos o que de fato importa: o intelecto e tudo o que o rodeia.

Observamos também que a idade torna essas características mais fortes e mais intensas. Quanto mais velho, mais fortes, resistentes ou rápidos são os Eternos.

Este escrito se encerra aqui, abrindo o espaço necessário para continuar a discorrer sobre nossas muitas características únicas.

Pontuação Eterna:


Oligarka
Atributos Físicos +2 (+1 em todos os atributos e +1 em um atributo de acordo com a escolha do jogador)
Atributos Sociais +2 (+1 em todos os atributos e +1 em um atributo de acordo com a escolha do jogador)

Potência 1
Fortitude 2

Venator
Atributos Físicos +2 (+1 em todos os atributos e +1 em um atributo de acordo com a escolha do jogador)
Atributos Mentais +2 (+1 em todos os atributos e +1 em um atributo de acordo com a escolha do jogador)

Potência 2
Rapidez 1

Escriba

Atributos Sociais +2 (+1 em todos os atributos e +1 em um atributo de acordo com a escolha do jogador)
Atributos Mentais +2 (+1 em todos os atributos e +1 em um atributo de acordo com a escolha do jogador)

Fortitude 3
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