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Iniciados na Noite

em Ter Dez 04, 2018 12:32 pm
Tópico destinado a backgrounds de personagens jogadores. Bem-vindos a Noite Eterna.
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Re: Iniciados na Noite

em Ter Dez 04, 2018 1:00 pm
Nome: Francesco de Anjou-Morosini.
Idade: 25 Anos.
Proveniência: República de Veneza.

República de Veneza, Décimo Terceiro dia do mês de Maio do Anno Domini 1325.

Neste documento está contida a derradeira vontade de Francesco Morosini, membro do Grão Conselho da República de Veneza.

Faça Saber Que:

Verificada a minha ausência, nomeio herdeiro de fato e de Direito meu único neto Francesco de Anjou-Morosini. Tal documento não procede a nenhuma discriminação de bens. De fato e de Direito, após minha ausência, Francesco será investido, em detrimento de minha filha Anna de Anjou, nascida Morosini que, sendo incapaz mentalmente, cede ao filho o título de Marquês de Ligny sob autoridade de Sua Majestade Imperial Luís IV de Wittelsbach e, como tal, terá reconhecido o seu Direito de Propriedade sobre a Companhia de Transporte Morosini e todos os navios a esta submetidos, sobre o Banco Morosini e todos os valores sob administração deste, incluindo seguros assinados com a República de Gênova, Reino da Sicília e Nápoles, Calabria e Piemonte e com os seus mercadores, bem como a todas as minhas residências, terras e somas em ouro, jóias e moeda.

*

Marselha, Vigésimo Segundo dia do mês de Dezembro do Anno Domini 1332.

Estas são as últimas palavras de Roberto de Anjou, Príncipe de Achaea, Duque da Calábria, Rei de Jerusalém, Conde de Provença e Focalquier e Rei de Napoli pela Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Faça Saber Que:


[...]

Por último, os territórios do Condado de Provença, incluindo as possessões de Nice, Marselha, Cannes e Focalquier passam aos meus parentes da parte de meu irmão Carlo de Anjou que, tendo ocupado seu lugar de direito ao lado do Criador, os transmite por Direito Divino ao seu filho Francesco de Anjou-Morosini, doravante investido pela minha autoridade e pela autoridade de Sua Majestade Filipe, Rei de França, do título de Duque de Provença, a ser transmitido aos seus filhos legítimos, netos e bisnetos, até que se concretize o retorno de Cristo.

*

De um folheto recolhido nas ruas da República de Veneza.

A Companhia de Transporte Morosini convoca homens de coragem e interesse que, despossuídos de finanças que possibilitem o investimento nas lucrativas atividades de navegação e comércio, necessitam de financiamento.

Dispondo de uma moderna frota de velozes, resistentes e ofensivos navios que cruzam o Mediterrâneo em direção a Constantinopla, Jerusalém, Egito e Norte da África, de onde trazem imensas riquezas que são, posteriormente, comercializadas com o Reino dos Francos, Ibéria, Inglaterra e Sacro Império, garantindo imensos lucros, a Companhia concede uso de tais navios e de tripulação qualificada para que sirvam homens corajosos interessados em um enriquecimento certo.

O desembarque de mercadorias em Veneza é garantida pela Autoridade de Francesco de Anjou-Morosini, titular da Companhia, assim como acesso sob condições especiais aos portos de Marselha, Nice e Cannes, sem necessidade de tributos a Gênova. As forças militares da Companhia garantem o trânsito seguro das mercadorias, via terra, desde o Condado de Provença até Paris, assim como de Veneza até a Bavaria. Via mar é garantido o acesso até o Reino de Nápoles e da Sicília com tributação inferior ao normalmente requerido.

*

A S.M. Filipe IV de Valois, Monarca do Reino dos Francos por Vontade de Deus.

Majestade.

Esperando encontrá-Lo em boa saúde, procedo a informar-Lo sobre minhas pesquisas acerca da extensão dos negócios do atual Duque de Provença.

As atividades econômicas do Duque são determinantes para o bem estar da Corte e da Capital. Sabidamente Marselha é o porto mais importante do Reino e o afluxo de mercadorias que ali chegam é conduzida até Paris através de uma rede de estradas criada e mantida segura pelo próprio Duque. Tais rotas passam pelo sul do Reino, mas vinculam a Provença à República de Veneza, Porto do Mundo, e à Bavária, formando um triângulo mercante de grande importância.

Alternativamente, o Duque de Provença garante, tendo familiares no Trono de Nápoles e mantendo acordos com o Reino da Sicília, o trânsito pacífico de navios que, partindo de Veneza, alcançam o sul do Reino, a Ibéria até regiões distantes como o Flandres e a Inglaterra.

É um homem de natureza ponderada e diplomática, mas extremamente fiel à Coroa, em razão de da vassalagem de longa data no Condado de Provença, ainda que seja também Marquês de Ligny sob autoridade do Santo Imperador. Seus interesses pessoais envolvem a leitura e a caça, ainda que maior parte de seu tempo seja dedicado a atividades lucrativas e à administração dos próprios negócios. Ainda não produziu herdeiros.

Minha humilde recomendação, Majestade, é manter o Duque de Provença firmemente ligado ao Reino, dado que seu controle sobre rotas comerciais e afluxo de riquezas orientais pode ser convenientemente usado para asfixiar, em caso de necessidade, regiões rebeldes ou mesmo reinos estrangeiros, à exemplo daquele dos ingleses.

Me preocupa, porém, a inimizade dedicada a ele pelos aristocratas e mercadores da República de Gênova, em razão dos pesados tributos que estes devem pagar para que suas mercadorias entrem na Provença, ainda que tal condado e tal República sejam fronteiriças.

Em meu retorno a Paris espero encontrá-Lo e aprofundar meu relatório.

Com fidelidade e devoção incondicionais.

Eudo IV de Borgonha

Duque de Borgonha e Artois.

*

Paris, Janeiro do Anno Domini 1335.

Estimada Mãe.

Encontro-me já em Paris, após longa e cansativa viagem. O clima é austero e constante, muito mais frio do que estava acostumado vivendo na Sereníssima.

Sou hóspede de Sua Majestade, Rei Filipe, cuja presença e inteligência muito me agradam. A Corte é imensa, o que configura excelentes oportunidades econômicas. Além disso, se desenha um conflito entre francos e ingleses, em razão da sucessão dinástica, um tema que devo estudar de forma aprofundada à luz do Direito de Nosso Senhor e da Santa Madre Igreja.

Não obstante, a guerra é uma atividade extremamente lucrativa.

Minha estadia aqui poderá se prolongar por um tempo. Tenho a intenção de descobrir as histórias de meus ancestrais paternos bem como aprender o possível sobre os Francos e seus interesses, de forma a servir adequadamente aquele que é meu Monarca por Direito e por escolha minha.

A vida na Corte não é desagradável, ainda que frívola. Meu tempo é passado entre leituras importantes e caçadas excitantes nos territórios do Rei e em Provença. Além disso, minha permanência aqui tem como objetivo garantir um controle mais próximo das minhas possessões e das rotas estabelecidas pela Companhia, de forma que eventualmente retornarei em Provença.

Não me prolongo, pois conheço o teu desinteresse em longas missivas. Retornarei em breve para visitar-te. Espero que o ar do campo esteja produzindo bons efeitos em tua saúde. Tenho grandes saudades de nossos passeios no campo e de nossas conversas. Espero em Deus que tenhas vida longa.

Com imenso afeto e respeito.

Teu filho.

Francesco de Anjou-Morosini.
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Re: Iniciados na Noite

em Qui Dez 06, 2018 12:01 am
Nome: Stephen de Cromwell
Idade: 35 anos
Proveniência: Reino da Inglaterra

_______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

-Perdoe-me padre, pois eu pequei.

-Fale, meu filho.

-Todo dia. Todo dia, a cada momento em que passo acordado, e às vezes em meus sonhos, eu penso em tirar minha vida.

-Sua vida é uma obra do Senhor, meu filho. E atentar contra a obra de Deus é um pecado abominável.

-Eu sei, padre... Mas às vezes... muitas vezes, me parece ser a única coisa em minha vida da qual tenho controle.

-Então me fale sobre sua vida.

-Toda vida é uma dádiva do Senhor, padre, mas eu poderia pintar a minha como uma dádiva ainda maior. Fui afortunado de não nascer entre a massa que passa sua vida quebrando as costas trabalhando a terra, mas sim na nobreza. Meu sangue é tão antigo quanto a conquista Normanda, e o nome Cromwell sempre foi sinônimo de respeito, honra e poder. Ainda quando eu era criança, meu pai foi agraciado com o título de Barão pela lealdade e serviços à coroa. Ainda criança, fui considerado grande e forte o bastante para que tivesse minha instrução dedicada ao ensino das armas. Como um segundo filho, ser um cavaleiro era ao mesmo tempo um sonho e um futuro promissor. Aos quinze anos, fui para a Terra Santa. Os infieis ainda ameaçavam o Reino de Jerusalém, mesmo com a Cidade Santa tomada, e um fluxo constante de cavaleiros buscando nome para si visitava o lugar a cada ano. Sir Humphrey Percy, o cavaleiro do qual era escudeiro, decidiu atender ao chamado de Sua Santidade, o Papa, e eu o acompanhei. E que Deus perdoe minha vaidade, mas aquele foi um período bom de minha vida. Minha habilidade com lança, espada e cavalo só cresciam, e apenas com dezesseis anos Sir Humphrey me nomeou cavaleiro, após eu salvá-lo no campo de batalha. Naquele momento, eu me achei invencível. Naquele momento, eu sabia que seria um dos maiores guerreiros da Cristandade, ou talvez o maior campeão de torneios de minha geração. Ah, padre, a arrogância da juventude! A vaidade realmente é um pecado, pois por qual outro motivo o Senhor haveria de me punir de tamanha maneira? Pois três anos depois, eu fazia meus preparativos para me juntar aos Cavaleiros Hospitalários. Os Templários haviam caído devido aos próprios pecados, verdade, mas os Hospitalários ainda eram, e são, uma ordem nobre, dedicando sangue e aço pela Cristandade, seja na Terra Santa, ou mesmo na Europa. Mas foi naquele ano de Nosso Senhor de 1319 que recebi a notícia: que minhas indisposições recentes e resistência a ferimentos não eram incidentes isolados, mas a palavra que até hoje, quinze anos depois, ainda tenho medo de dizer: lepra. Todas as minhas ambições, sonhos e projetos se dissiparam naquele dia, e toda minha vida foi moldada por aquele único momento. Recebi uma consolação, de certa forma - a Ordem de São Lázaro me aceitou, como aceitava todos os cavaleiros portadores da doença, e por alguns anos, continuei o combate aos pagãos. Com mais ferocidade ainda, verdade seja dita, pois ambicionava morrer em combate em nome do Senhor, para que assim ao menos evitasse meu próprio sofrimento. Mas não foi esta a vontade de Deus... Foi Sua vontade, porém, que Acre caísse em 1321, e com ela, qualquer esperança que ainda existia para o Reino de Jerusalém. Eu ainda vivi em Chipre por alguns anos, mas não demorou muito para que eu fosse, sem muita cerimônia, enviado de volta para casa, pois a ilha com recursos cada vez mais minguantes não se degradaria a manter doentes em seu meio. Exceto... exceto que a Inglaterra não era mais casa, padre. Em 1326 eu aportei em Dover, e desde então fui encaminhado para cá, em Stourbridge, onde é esperado que eu morra. Meu pai morreu no começo do ano, e meu irmão Matthew não tardou em seguí-lo, vítima de alguma sorte de acidente de caça trivial, enquanto eu aqui vivo, se pode-se chamar isso de vida. Sequer posso assumir o título e propriedades que seriam meus por direito. Não posso mais enfrentar os inimigos de Deus da forma como gostaria, mesmo que meu braço ainda seja forte ao empunhar uma espada, não importa quantos dedos restem ao seu final. E a doença... Me foi dito que eu talvez não chegasse aos vinte anos de idade, mas ainda perduro. Hoje sou mais velho que o próprio Jesus, mas minha vida ainda segue sem propósito. Eu disse mais cedo que ainda há força em meus braços, padre, mas um de meus olhos cedeu ano passado. Meu nariz desapareceu no ano em que cheguei à nossa colônia. Eu estou apodrecendo enquanto vivo, padre, então me diga: por que é pecado querer acabar de vez com meu sofrimento? Deus me perdoe, mas por que ainda estou vivo?

-Talvez esteja fazendo a pergunta errada, meu filho... Talvez, ao invés de perguntar por que ainda vive, deveria se perguntar o que deveria fazer enquanto é vivo. O Senhor lhe deu uma benção em meio a todo seu sofrimento, e talvez você deveria olhá-la melhor.

-Benção, padre? Sou um homem acabado!

-Então se não consegue suportar a sua própria dor, olhe para a do seu irmão. Se dedicar o tempo que lhe resta para a dor de seus irmãos eu... Bem, eu não consigo pensar em nada mais digno de louvor.

-E como o senhor saberia disso, padre?

-E como você não sabe? Será que passou a última década tão imerso no próprio sofrimento que não percebeu nada ao seu redor? Os padres que entram em Stourbridge não saem mais, Stephen. Pelo mesmo motivo de seu rebanho. Ao ouvir se queixar sobre seu olho, me lembrei que faz hoje um mês que perdi o último dedo da mão esquerda...

-Padre?

-Vá, meu filho. Reze. Reze para que o Senhor lhe mostre seu caminho nesta vida.
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Re: Iniciados na Noite

em Qui Dez 06, 2018 7:16 pm
Nome: Vano Horváth
Idade: 30 Anos
Proveniência: Reino da Hungria



De todos os povos que podemos encontrar em nossa jornada, nós somos aqueles que mais vivem no presente. Não sabemos de onde viemos, nem pra onde vamos. Não nos importa nossa história, nem nosso destino. Vivemos o presente. Hoje, e nada mais.

Os gadjé - aqueles que não pertencem ao nosso sangue - vivem no passado e se perdem no futuro. Derramam rios de tinta para dar sentido às suas vidas. Mas a palavra escrita aprisiona. Ela nunca terá a potência efêmera da música, da dança e das histórias contadas ao redor de uma fogueira sob a luz da lua.

Quando as casas de pedra e madeira dos gadjé se transformarem em ruínas, quando aquilo que seus escribas imortalizam não for mais nada além de ecos de um passado sem sentido no presente, nós ainda estaremos aqui. Não aqui, neste solo onde agora pisamos, pois amanhã ele já estará velho. Mas aqui, nesta estrada. Latcho drom.


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Do diário de viagem de Simon Simeonis, monge da Ordem de São Francisco, 1323

Vimos também, nos arredores das cidades de Buda e Peste, uma tribo que rezava de acordo com o Rito Grego, e dizia, ser da raça de Caim. Essas pessoas raramente ficam em um só lugar por mais de 30 dias, mas são sempre nômades ou exilados, como fossem amaldiçoados por Deus. Após o trigésimo dia, eles viagem de campo em campo, com suas pequenas e grandes tendas, iguais as dos Árabes, e também de caverna em caverna. Todos os lugares que habitam após esses 30 dias torna-se tão sujo de insetos, vermes e outras formas de sujeira que é impossível que alguém volte a viver ali.


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Nós não escrevemos nossas leis. Não precisamos de uma casta exclusiva e elitista que garanta sua observância. Nossas leis estão em nosso sangue. Romanipen. Sem elas, definhamos. Sem nossas tradições, deixaremos de ser o que somos, e com isso, deixaremos de existir. Aos olhos dos gadjé, os Romani podem parecer uma turba suja e desorganizada. Mas eles são tolos em suas crenças e costumes sem sentido. Cada romá e cada romi - homens e mulheres - é um pilar pra que o mundo continue existindo. Se abandonarmos nossas tradições, não haverá mais estrada sob nossos pés e estrelas sobre as nossas cabeças.

Se esquecermos Romanipen , o universo não se sustentará.


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Conta-se que no início deste século, uma caravana do clã Kalderash seguia seu caminho durante a noite, naquilo que os gadjé chamam de Reino da Hungria. Uma das famílias estava em luto. Sua carroça era a última, como determina a tradição, e em uma de suas janelas uma vela estava acesa. A pequena chama balançava junto ao vento, lembrando ao morto que ele não deveria seguir por aquela estrada.

Mahrime, as regras de pureza e limpeza. Uma família em luto é sempre suja, e deve manter-se afastada do resto do grupo até que esteja novamente purificada.

Mas quis o destino que uma jovem mulher daquela família viesse a dar a luz naquela noite. A mesma noite em que a vela estava acesa para seu último morto.

Mahrime. Uma mulher que dá a luz é impura e não deve ser tocada pelo resto do grupo.

Quis o destino que aquela mesma mulher viesse a morrer no parto. Seu filho já nascia órfão de pai e de mãe.

Mahrime. Haveria criança mais suja do que aquela?

A cor preta é Mahrime. Apenas aqueles que estão além da purificação podem usá-la. As mulheres viúvas são o principal exemplo.

Na manhã após aquela noite, o barô - o líder daquela caravana Kalderash - determinou que o bebê dos Horváth deveria se vestir pra sempre de negro. Aquela seria sua única cor, para marca-lo em sua poluição.


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O jovem Vano Horváth estava diante da velha romi. Era a esposa do barô. A opulência da mulher, com jóias e roupas coloridas, contrastavam com os trapos negros vestidos pelo garoto.

_ Sabe porquê está aqui, rapaz?

Vano não a olhava nos olhos. Havia sido instruído a nunca o fazê-lo. Ele apenas balançou a cabeça, negativamente.


_ Você pode olhar para mim.

O garoto levantou a face, fitando a velha mulher. Com suas unhas longas - que não podiam ser simplesmente cortadas - ela vez um sinal com os dedos, pedindo que ele se aproximasse. A romi sorria.

Quando ele se aproxima, ela afaga seus cabelos negros e espessos.


_ Na noite em que você nasceu, todos nós sabíamos como sua vida seria difícil. Ninguém sabia o que fazer contigo. Mas eu sabia…

Com o dedo indicador, ela levanta o queixo do garoto, forçando-o a manter contato visual.

_ Quando você começou a manifestar algo em seu sono, comecei a observar-lo de perto. Fui eu quem lhe entregou o tarokka, para ter certeza de que você era o que é.

A velha fecha os olhos e suspira. Estava cansada.

_ Doshman… muitos serão os nossos inimigos entre os gadjé, e todos terão um papel a cumprir para que façamos aquilo que fazemos melhor: sobreviver... e garantir que o universo continue de pé.

O pequeno Vano sente o peso do olhar da velha romi, mas não ousa sair desviar daqueles olhos.

_ Você nunca será puro, Vano Horváth. Essa será sua força, pois a impureza o fará livre. Encarne tudo aquilo que os gadjé temem em nosso povo! Nós precisaremos de você. Não se esqueça disso… Dia devlesa!

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Hokkani boro. O grande truque.

Para muitos de nós, a trapaça tornou-se apenas mais um meio de sobreviver. Para mim, tornou-se muito mais do que isso.

Os gadjé vivem uma ilusão de doçura e civilidade. Eles gostam de se enxergar como a encarnação de valores divinos. A imagem e semelhança de Deus. Para manter essa encenação, é preciso delegar as tarefas mais sujas. Aqueles que muitos querem ver cumpridas, mas poucos têm coragem de fazer com as próprias mãos.

Aí está a oportunidade. Para aqueles que sabem ouvir e identificar os desejos mais impuros dos homens e mulheres, um mundo inteiro se abre. Um mundo de negócios.

Sejamos claros: roubos, extorsões, troca de favores. Uma eventual eliminação. Coloque as pessoas certas com os desejos errados em contato e qualquer um, desde que provido de uma certa astúcia, poderá construir um império nas sombras.

O meu império não conhece fronteiras. Nele, todas as línguas são faladas. Aqui, segredos são uma moeda de troca.

Meus negócios são celebrados com nobres e plebeus. Francos e Ingleses. Santos e ímpios. São todos iguais.

Há uma nuvem de tempestade no horizonte. Eu posso senti-la. Quando os gadjé se atormentam com uma tempestade, nós devemos nos mover. É o momento para nos levantarmos. Nos apoiarmos. Seguiremos, e o universo continuará de pé. Latcho drom.
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Re: Iniciados na Noite

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