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Cidade Livre de Belfast.

em Ter Dez 04, 2018 5:34 am
"When I told the people of Northern Ireland that I was an atheist, a woman in the audience stood up and said, 'Yes, but is it the God of the Catholics or the God of the Protestants in whom you don't believe?"

- Quentin Crisp
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Re: Cidade Livre de Belfast.

em Ter Dez 04, 2018 6:42 pm
*Por um instante, um breve instante, a sensação da mão de Lenneth era tudo que existia em seu mundo. Mas a sensação, mesmo única da forma que foi, foi breve. A casa diante da qual se encontrava lhe era completamente estranha. A única coisa familiar ali, verdade seja dita, era Rose, que parecia notavelmente desconcertada ao ver o incêndio. A tontura de Albert só aumentava, e ele podia fazer pouco além de estender a mão ao ver seu desespero.*

-A menos... -Ele para, como que se tivesse enfrentando uma náusea- A menos que seu pai de alguma forma lhe tenha ensinado a se banhar em chamas como se não fosse nada - e eu sei que o meu não me ensinou - eu sugiro fortemente que espere aqui. Quem quer que estiver lá dentro, terá de sair sozinho, infelizmente.
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Re: Cidade Livre de Belfast.

em Ter Dez 04, 2018 9:37 pm
Saavedra estava impressionado. Impressionou-se com o resultado do próprio golpe, que quase removeu o pescoço da cria de Titã. Não esperava que, após tanto tempo sem usar sua arma, ainda fosse capaz de lutar daquela forma. Qualquer pessoa comum teria perecido e caído nos braços d'A Morrígan depois daquele impacto. Mas, infelizmente, não estava lidando com uma pessoa comum.

O sangue corrompido jorrou em sua roupa, manchando-a com aquela substância escura e maldita. Ainda tentava dar conta do que estava acontecendo quando impressionou-se mais uma vez. Quase não acreditou quando viu Gemistus partir para cima da criatura com as mãos nuas e, surpreendentemente, derrubou-a com um único golpe.

A cria de Titã caiu desfalecida, como se não houvesse mais ossos em seu estranho corpo. Saavedra retribuiu o olhar de Gemistus e, diante do comentário deste, conseguiu apenas responder:


- Interessante?! O que quer di...

Não conseguiu completar a frase. Quando se deu conta, estavam de volta à casa. Porém, diferente de quando a deixaram, o prédio estava em chamas. Olhou em meio ao fogo, para tentar encontrar Hideki e Bernard. Como não os viu, segurou seu pingente e murmurou uma breve oração. Com uma estranha calma diante da situação, Saavedra colocou o braço direito sobre os ombros de Gemistus e o conduziu em direção à saída. Enquanto caminhavam, era como se a sorte os acompanhava. O fogo não estava na rota de fuga. Os destroços que desabavam do teto caiam exatamente atrás deles, ou se moviam de modo a liberar-lhes o caminho.

Saavedra sabia que não era apenas sorte. O poder de sua mãe era o suficiente para criar uma ilha de paz no olho do furacão. Calmamente e sorrindo, eles se dirigem à saída da casa.


Uso de Poder:
Xavier Saavedra usa Olho da Tempestade (Caos 1)
Quando o Herdeiro se encontra em uma situação caótica que não foi causada por ele, pode ativar esse poder e se transformar em uma ilha de calmaria diante de um tumulto.
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Re: Cidade Livre de Belfast.

em Qua Dez 05, 2018 6:17 am
Saavedra sentiu-se envolver por uma energia particular, como se estivesse sendo abraçado pela própria mãe. Como que por milagre, as chamas se afastavam de seu corpo e do de Gemistus, possibilitando que ambos passassem incólumes diante do inferno. O fogo havia claramente começado na parte térrea, mas dado que a casa era feita de madeira, se propagava rapidamente em direção ao andar superior. Saavedra guiou Gemistus escada abaixo, mas antes que deixasse a residência, algo chamou a sua atenção. Havia um glifo na parede do salão principal. Era curvo e estilístico, de nítida origem nórdica, e seu significado era muito simples: "cinzas".

Do lado de fora, Albert Osmund viu quando as chamas se abriram como o Mar Vermelho, possibilitando a saída de dois homens armados. Rose se precipitou em direção a um deles, que tinha o punho direito sujo de sangue. Abraçou-o rapidamente antes de falar algo em seu ouvido, algo que não pode ser sentido dada a ferocidade das chamas. O homem anuiu e voltou-se para seu acompanhante ao mesmo tempo em que Rose voltou-se para Osmund. Não havia tempo de conversar agora. Deviam deixar o local. Quem quer que tenha orquestrado o incêndio poderia ainda estar a espreita, assim como eventuais Filhos de Titãs.

*

Abandonaram o local e seguiram, ainda em silêncio, conduzidos por Rose. Era visível a autoridade da mulher, e Saavedra percebeu que Gemistus tinha por ela uma profunda admiração. Osmund, por outro lado, percebeu como a mulher encarava o homem que abraçou, depois do afeto inicial, com um misto de respeito e cuidado. Prosseguiram por alguns minutos pelas ruas desertas de Belfast, no sentido contrário ao da maioria dos transeuntes, que se avolumavam para ver o incêndio. Em pouco tempo, Rose adentrou uma pequena taverna. O local, curiosamente, não tinha a atmosfera de uma taverna típica. Era arrumada e limpa, contando com poucos clientes. Dispunha de um teto baixo e de uma atmosfera íntima, acentuada pelas cores quentes que decoravam as paredes.

Com um aceno de cabeça e uma moeda deixada sobre o balcão - e após a anuência do taverneiro - Rose conduziu os três homens a uma sala nos fundos do local. Esta era um velho depósito, com cadeiras e mesas empilhadas assim como inúmeras garrafas vazias de irish. Os objetos serviam de parede e escondiam atrás deles uma mesa em posição normal, com seis cadeiras posicionadas. O último a entrar foi Albert, e quando fechou a porta teve a sensação de que ela acabara de ser selada.

A primeira coisa que Gemistus fez foi abrir uma garrafa de irish e servir doses generosas em quatro copos de madeira. Depois, desabou sobre a cadeira. Levantou-se rapidamente ao olhar para Osmund, e estendeu a mão em direção ao engenheiro:

- Sou Theo Gemistus, Filho de Ares. Um amigo de Rose é automaticamente meu amigo.

Em seguida, voltou-se para Rose.

- Rose, este é Xavier Saavedra, Filho de Morrigan - A mulher abriu um largo sorriso - Ele veio até aqui para investigar a morte de Bernard e as descobertas que fez devem ser discutidas.

Rose não olhou para Osmund, mas se dirigiu a Gemistus.

- E este é Albert Osmund, Filho de Odin.

Gemistus observou por três segundos o engenheiro. Depois, dirigiu-se aos presentes.

- Não sei quais os teus negócios aqui, Senhor Osmund, mas acredito que tenha a ver com os nossos problemas, do contrário não terias encontrado Rose. O Destino tem dessas coisas. Saavedra, poderias contar a Rose suas impressões sobre Bernard e o ocorrido? Acho que temos um quebra cabeça diante de nós que só pode ser montado com contribuições de todos. Ao mesmo tempo, precisamos descobrir o causador do incêndio, embora eu esteja quase certo sobre sua identidade.

- O Marechal. - Respondeu Rose. - De alguma forma ele parece ser capaz de abrir passagen entre nosso mundo e os Mundos Supernos a ponto de permitir a passagem dos Fomori.

Gemistus fez uma expressão de ponderação. Não parecia convencido da teoria de Rose.

- Primeiro as coisas simples temos de...

Estacou no discurso. Olhou novamente para Osmund, desta vez de forma bastante incisiva, embora não agressiva.

- Você tem uma arma muito, muito poderosa contigo, não? Mais do que isso, ela está intrinsecamente ligada a ti, ainda que não seja sua. Ou talvez o seja.
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Re: Cidade Livre de Belfast.

em Qua Dez 05, 2018 2:07 pm
Ali, sentado na sala aos fundos da taverna para onde caminharam após abandonarem a casa em chamas, Saavedra ainda estava um pouco atônito. Havia mantido o silêncio durante todo o trajeto até a taverna. Não pronunciou uma única palavra para os recém-chegados Rose e Osmund. Ainda assim, sentiu uma conexão imediata com a mulher, como se intuitivamente soubesse que ela era parte de sua família. Osmund lhe despertava uma sensação ambígua. Era possível sentir uma animosidade com relação ao homem, mas, ao mesmo tempo, uma familiaridade. Tuatha e Aesir eram mais parecidos ente si do que ambos gostariam de admitir.

Com os olhos perdidos no horizonte, sua mente era invadida por flashes da cria de Titã que haviam acabado de matar. Também lembrava das visões que tivera, bem como a imagem da runa nórdica que provavelmente dera início ao incêndio. Saavedra só saiu de seu quase-transe quando ouviu seu nome sendo dito por Gemistus. Devagar, olhou cada um dos presentes, como se estivesse buscando uma conexão com o mundo real, para se manter consciente. Sorriu para a filha do grandioso Lugh. Com um sotaque carregado de espanhol, começou a falar em inglês:

- Perdoem-me a lentidão... ainda estou tentando entender o que aconteceu agora há pouco...

Pigarreou e lembrou-se que tinha suas cigarrilhas no bolso. Retirou uma delas e a acendeu, deixando a pequena caixa de metal aberta sobre a mesa, como que oferecendo-a para qualquer um dos demais presentes.

- Tal como Theo Gemistus disse, me chamo Xavier Saavedra. Fui chamado até esta ilha para que, em toda a minha capacidade, pudesse investigar o que até o momento pensa-se ser o assassinato do Filho de Belenus conhecido como Bernard.

Do bolso de seu casaco, retirou seu caderno de anotações e o abriu na página onde havia desenhado a runa nórdica que vira aparecendo na mão de Bernard.

- Lamento dizer, mas o que consegui perceber na análise do corpo me deixou ainda mais confuso. Talvez os senhores possam me ajudar a esclarecer alguns desses mistérios.

Deu uma longa tragada na cigarrilha antes de prosseguir, soltando uma espessa nuvem de fumaça.

- Eu teria dificuldades em dizer que Bernard está morto. Ao mesmo tempo, não posso afirmar que esteja vivo. Não há nenhum sinal de violência física em seu corpo, o que me faz descartar a hipótese de que tenha sido uma vítima de Arectaris. Ou, pelo menos, vítima de sua lâmina. Até tenho razões para acreditar que a espada esteja envolvida na situação que o deixou em seu atual... estado. Sua última visão foi um forte clarão vermelho, que acredito ter alguma relação com a gema que se encaixa na base da lendária espada.

Saavedra aponta então para a runa desenhada em seu caderno.

- Por um breve momento, também pude ver essa runa aparecendo na mão esquerda de Bernard. Contudo, não faço ideia do que significa. Devo dizer também que havia uma segunda runa nórdica na casa que acabamos de abandonar. Sobre esta, eu tenho razões para afirmar que está diretamente ligada ao incêndio.

Recostou-se na cadeira da mesa, com uma expressão cansada.

- Enfim, senhores e senhora. Isso é tudo o que tenho até o momento. Entendo as suspeitas levantadas pela senhorita Rose, mas minha profissão me força a evitar acusações com as poucas pistas que temos.

Saavedra olha novamente para todos eles, repousando seu olhar sobre Osmund.

- É claro, tudo o que eu disse aqui foi feito com o pressuposto de que estamos entre pessoas de confiança, correto?
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Re: Cidade Livre de Belfast.

em Qua Dez 05, 2018 10:10 pm
*Albert segue o grupo improvisado até o fundo do bar, e bebe alegremente o whisky oferecido, percebendo com sua mão tremia, e como o líquido forte aliviava, um pouco, a náusea e dor de cabeça que sentia. Ele retribui alegremente o cumprimento de Gemistus, sem se preocupar em corrigir o mero fato de que Rose jamais o chamara de amigo. Não parecia a hora para tanto.*

*Ele também cumprimenta o espanhol com um sorriso e um aceno de chapéu, e se senta à mesa para acender seu cachimbo, satisfeito em ver que as mãos tremiam um pouco menos, enquanto observava a conversa entre os presentes. Até que a conversa, invariavelmente, segue até ele.*


-Uma história interessante... E, sem dúvidas, só podendo ser montada por nós em conjunto, então vamos por partes.

-Primeiramente, sobre confiança - é uma mercadoria em escassez hoje em dia, e, sendo bem franco, eu nunca havia visto nenhum de vocês até o dia de hoje, e a recíproca é verdadeira. Mas ainda assim... representamos aqui quatro deuses da guerra, e apesar disso estamos dividindo uma bebida amigavelmente. Tenho certeza de que isso conta para algo. Deveria, ao menos...

-Segundo, a arma. Sim, temivelmente poderosa, a Espada Arectaris. O que sobrou dela, ao menos. Verdade seja dita, a lâmina me apavora, e tenho razoável certeza de que ela cruzou a história de nosso... direi povo por falta de palavra melhor, deixando um rastro sangrento onde passava. No mínimo, participou, e talvez tenha sido o pivô de um confronto entre meu pai e sua mãe.

*Ele dirige um olhar a Saavedra após a última palavra. Em seguida, põe a mão dentro do paletó e tira um revólver. No caso de qualquer reação assustada, Albert os tranquiliza com somente um gesto, manuseando a arma de forma cuidadosa e lenta, apenas tirando uma lente acoplada na arma para depois guardar o revólver novamente. A lente, por sua vez, uma hora era uma lente, outra hora era um monóculo, que o inglês pôs no rosto.*

-Se ela de fato está vinculada ao meu Destino... Bem, a perspectiva não me agrada muito, mas saberei em breve.

-E o terceiro item... Me faz a gentileza?

*Albert pega o caderno de Xavier, e começa a rabiscar algo nele.*

-As runas do povo de meu pai são interessantes, têm uma certa magia própria. São menos do que as letras do nosso alfabeto, mas vejam bem, podem ser combinadas, de forma se juntar uma ou mais, pode ter um nome completo, ou qualquer coisa mais complexa, com um único símbolo. Como o rei viking Harald Bluetooth, que uniu as iniciais de seu nome...


...e esta runa? A que você viu no cadáver do Herdeiro morto? É a runa que forma o nome de Arectaris...
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Re: Cidade Livre de Belfast.

em Sex Dez 07, 2018 6:27 am
Rose encarava Saavedra com um misto de curiosidade e inevitável atração, consideradas as origens comuns. Ao final da fala do galego, limitou-se a uma frase.

- Eu gosto de você.

Pareceu a Saavedra que aquilo era muito mais do que uma simples sentença. Rose sorria sinceramente, um sorriso espontâneo e largo - tornado ainda mais largo graças à dimensão de sua grande e carnuda boca - mas nem de longe flertava. Era um reconhecimento mutuo.

Em seguida, ouviram todos as palavras de Osmund. O engenheiro não havia terminado com suas considerações quando a porta da sala se abriu. Era Hideki quem entrava, sozinho. Saavedra já o tinha visto, mas para Albert era a primeira vez. O homem era oriental, jovem, com olhos escuros e longos cabelos trançados que lhe caiam pelas costas. Vestia-se, porém, de forma ocidental. Era alto, mas não particularmente musculoso quando Gemistus. Tinha uma aura mística, etérea, que era acentuada pelo perfume de flores e frutas que acompanhava sua entrada.

- Bernard está em um lugar seguro.

Sentou-se após cumprimentar formalmente Saavedra e Osmund. Aos seus companheiros dedicou tapinhas nos ombros. Ouviu o final das considerações do engenheiro, em especial a parte que falava de Arectaris. Em seguida, respondeu ao homem.

- Do pouco que sei Arectaris era formada inicialmente de duas partes: a espada em si e a gema que compõe o cabo. Ambas foram forjadas separadamente e em locais diferentes, mas se encaixam e se maximizam. De que forma, ainda é um mistério. Dizem, também, que a espada teria se quebrado quando do conflito entre a Mãe e o Pai dos Corvos. Isso nos dá , no minimo, três partes da arma.

Rose interrompeu.

- Sobre as runas, me parece óbvio que são a manifestação do poder de alguem ligado aos Aesir. Ao menos aquela que incendiou a casa. Há somente um Filho dos Aesir nesta ilha, e ele está bem diante de nós. O outro, ou melhor, os outros, estão todos em Londres, sob comando de Wittshaw.

Olhou de relance para Osmund. Gemistus interrompeu desta vez.

- A menos que o Marechal seja também um Aesir, não?

Rose anuiu.

- De fato. É uma possibilidade. De qualquer forma, o Sr. Osmund tem em sua posse parte de Arectaris. Se Bernard tem uma runa da arma em seu corpo, significa que foi atingido por ela. Qual das duas outras partes é um misterio, embora o clarão vermelho possa nos dar algumas intuições...

Hideki respondeu imediatamente.

- Segundo o que dizem, a pedra que compoe Arectaris é de cor vermelha. Acho ótimo que tenhamos aqui um Filho dos Aesir. Tua família não pode nos dar mais informações sobre Arectaris?

Osmund sentiu, segundos depois, os tremores no corpo que anunciavam a aproximação entre Asgaard e Midgard. Bifrost estava em movimento. Ao mesmo tempo, uma teoria passeava pelas mentes de Saavedra e de Osmund. Arectaris tinha o poder de matar qualquer Herdeiro com um único corte. Mas teria, de fato, tal poder se fosse reduzida a pequenas partes de si mesma? Talvez a inconsciência de Bernard fosse nada mais do que o efeito de uma Arectaris incompleta.
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Re: Cidade Livre de Belfast.

em Sex Dez 07, 2018 3:19 pm
Saavedra retribui os cumprimentos de Rose com um sorriso caloroso. Como era bela a filha de Lugh! Era interessante - e um pouco estranho - estar, pela primeira vez, perto de alguém de sua família. Alguém que era como ele.

- Agradeço os elogios, Senhorita. A conheci agora a pouco mas, dado o fato de ser filha de quem és, você certamente superaria as capacidades de qualquer um presente nesta mesa.

Timidamente, Saavedra levanta o copo de whiskey, em um rápido brinde entre ele e Rose:

- Vida longa à Lugh Ildánach, o mais habilidoso em todas as artes!

Em seguida, o galego se põe a ouvir o que Osmund tinha a dizer. Era inegável: o inglês era simpático. Havia um carisma admirável ali, junto a uma incrível sagacidade. Saavedra só não sabia dizer se eram características do próprio homem, ou se era uma aura que herdava do pai. Também escutou, em silêncio, as considerações de Hideki, que havia acabado de chegar.

Com a mão direita no queixo e a mão esquerda segurando a cigarrilha acesa, Saavedra pensava, olhando as duas runas desenhadas em seu caderno. Quando ligou as pistas e teve a intuição sobre o que poderia ter causado o atual estado de Bernard, cruzou os olhos com Osmund e se deu conta, também de modo intuitivo, que o filho de Odin acabara de ter a mesma ideia. Com a fala pausada e alternando os olhares entre Osmund e os demais, Saavedra pondera:

- Creio que... creio que estamos chegando em pistas mais concretas. Acho que vocês estão corretos. A noção de que Arectaris está dividida e, consequentemente, seu poder não está completo, nos leva a  concluir que o pobre Bernard foi afetado por apenas uma das partes.

- Sei o que vocês também estão pensando e concordo que, pelo que pude deduzir, foi a gema vermelha que o deixou naquele estado de inconsciência. Talvez ele não esteja além da salvação...

Saavedra dá o último trago na cigarrilha, antes de apagá-la no chão com sua bota.

- Se a gema encontra-se em posse da pessoa que atacou Bernard, e uma parte da lâmina está com o Sr, Osmund, descobrir o paradeiro da terceira parte nos deixaria em vantagem diante de nosso misterioso oponente. Alguém tem alguma pista?
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Re: Cidade Livre de Belfast.

em Sex Dez 07, 2018 11:34 pm
*Albert cumprimenta o oriental desconhecido polidamente, e observa as interações no grupo com um meio sorriso no rosto. É apenas quando Xavier Saavedra fala que ele parece esboçar alguma reação, uma certa fagulha em seus olhos. O espanhol era inegavelmente esperto, e Albert já sentia de cara que gostava de sua maneira de pensar.*

-Uma meia-morte causada por meia-espada? Me parece interessante, assim como me parece crível. As lendas de nossos pais certamente possuem fatos mais improváveis. Em todo caso, não conheço o Bernard de que tanto falam, mas eu ajudarei com prazer a desvendar seu mistério, ainda mais se estiver vinculado à própria Arectaris.

*Tanto Hideki quanto Saavedra perguntam mais e mais sobre a espada, o que faz com que Albert abra um sorriso e coloque as mãos em cima da mesa. Embora de dedos finos e longos, elas eram estranhamente bronzeadas, e com diversas marcas que remontavam a trabalho manual.*

-Será um prazer continuar a falar sobre a Lâmina Divina Arectaris, mas antes preciso estabelecer quatro coisas.

-A primeira é que eu tomei seu whisky e sentei à sua mesa. Ao longo dessa busca, outros dos Aesir podem se opor a vocês, ou mesmo a mim, mas agora eu devo lhes lembrar que agora compartilhamos uma mesa, e que a hospitalidade é sagrada dentro dos povos de todos nós. A hospitalidade é sagrada especialmente para seu povo, Theo Gemistus, que cedeu o lugar e a bebida. E por isso agora me considero seu hóspede.

-A segunda é que a Lâmina Arectaris é propriedade por lei, costume e direito dos Aesir. É a arma de Balder, senhor da luz solar, e eu pretendo que continue assim. Seu lugar é em Asgaard, ou onde Asgaard julgar conveniente.

-A terceira é que minha família é notadamente silenciosa quanto à espada em si, mas eu não sou minha família. Agora que tenho parte da lâmina, posso procurar seu todo, com base nos rastros deixados por Destino e Magia. *Seu sorriso aumenta nessa hora.* E é com imenso prazer que eu me vejo sendo fundamental para nosso sucesso.

-A quarta... A quarta é que eu sinto algo no ar. E o que eu sinto significa que talvez, pelos próximos minutos, eu não seja o único Aesir presente.
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Re: Cidade Livre de Belfast.

em Sab Dez 08, 2018 7:27 am
Rose e Theo reagem de maneira similar às honrarias - ou lembretes - aos quais são submetidos. A Filha de Lugh levanta seu copo dedicando um meio sorriso ao Filho d'A Morrigan. Gemistus somente aquiesce dianta dos lembretes de hospitalidade de Osmund. Ao mesmo tempo, o engenheiro sentia que não tinha razões para não crer no guerreiro grego.

Hideki, por sua vez, parecia de longe o mais analítico do trio. Ouvia atentamente os pedaços de informação de Saavedra e Osmund e os colocava junto às suas próprias intuições. Enquanto pensava, parecia muito mais velho e infinitamente mais sábio.

- Acho curioso que Arectaris mantenha seus poderes - ou parte deles - mesmo quando separada. Isso significa que não somente uma pessoa estava envolvida em sua criação, mas que esta aconteceu com artefatos diferentes fundidos em um só. Se Arectaris mata, mas não matou Bernard, talvez tenha afetado somente sua alma.

Gemistus pousou o copo sobre a mesa. Pareceu que se recordava de algo.

- Me fez lembrar de uma coisa. Anos atrás, quando Peter ainda era vivo e nós lutávamos nas planícies contra os ingleses, um de nossos comandantes apareceu morto uma manhã. O problema é que não adquiriu um rigor mortis. À epoca, no meio da guerra, não pensamos direito.

- E o que fizeram? - Questionou Rose.

- O enterramos. - Respondeu Gemistus.

- HAHAHAHAHAHAHAHAHA! - Rose riu alto enquanto batia com o copo sobre a mesa.

- Silêncio, pessoal. Escutemos. - Advertiu Hideki.

- Fato é - continuou Gemistus - que levamos três dias para enterrá-lo. E durante os três dias ele permaneceu ali, como se dormisse.

Silêncio.

- Não perceberam nada de estranho? - Começou Hideki. - Quando Gemistus estava em campo de batalha, lutava contra quem?

- Lorde Wittshaw. - Responderam Rose e Gemistus em uníssono.

- SENHORA, A SENHORA NÃO PODE ENTRAR AÍ! - Era a voz do taverneiro do lado de fora.

A Valquíria adentrou a sala sem pedir licença. Não vestia a armadura de batalha e parecia incólume, como se não tivesse sofrido nenhum ferimento. Osmund sabia, todavia, que a forma física de Lenneth não refletia eventuais danos sofridos. Usava somente um vestido azul escuro e botas de viajante masculinas.

- Nossos inimigos recuaram diante da minha espada. Espero que Arectaris esteja a salvo. Lorde Odin tem algo que deseja falar--te, Lorde Osmund. Pessoalmente. Ele o espera amanhã pela manhã, o Senhor saberá onde.

Gemistus levantou-se de imediato, na face uma expressão de profundo respeito e reverência. Não passou despercebido à Lenneth, que o retribuiu com um olhar intenso. Como Filho de Ares, parecia que Gemistus conseguia ter impressões sobre tudo relacionado ao fenômeno: das armas aos combatentes.

Rose, por sua vez, observava a Valquíria com desconfiança. Hideki parecia neutro. A Valquiria parecia ignorar a todos. Abriu uma bolsa de couro que carregava e retirou um pedaço de pergaminho.

- Freya, Senhora dos Mistérios, concede este encanto a você, Lorde Osmund. Permitirá que a metade de Arectaris indique onde está a outra metade. Nada me foi dito sobre o pomo, porém.

Olhou para todos. Exceto para Saavedra. Aliás, o galego percebeu que a mulher não o encarava. Além disso, ele mesmo sentia algo estranho. Um frio na barriga, um nervosismo. Era como se a conhecesse de longa data.

- Eu parto, agora, a menos que a minha presença aqui seja necessária, Lorde Albert.



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Re: Cidade Livre de Belfast.

em Dom Dez 09, 2018 12:11 am
*Albert escuta o relato de Gemistus com um interesse redobrado, especialmente ao saber que seu inimigo era Whitshaw.*

-Então você cruzou espadas com Sebastian Whitshaw? Notável, notável. Já o encontrei algumas vezes, em ocasiões sociais, e embora não possa dizer que o homem é um inimigo, há algo em seus modos que me desagrada. Ele fez menção de me convidar ao seu... grupo certa vez, mas a noção de que os Herdeiros dos Aesir devam perambular pelo Império como titereiros no governo não me agrada. E se me agradasse, eu tenho plena ciência do filho de qual deus eu gostaria de ver como líder...

*Suas ruminações são interrompidas pela chegada de Lenneth, porém. Albert imediatamente se põe de pé e tira o chapéu, e se descobre aliviado, mais aliviado do que julgaria possível, ao vê-la ali incólume.*

-Lady Lenneth, acredito que deva lhe oferecer minhas desculpas por minha conduta. Mas saiba que o que ocorreu se deu apenas pela minha fé na sua capacidade como guerreira, e pelo tamanho do fardo que eu carregava.

*Ele escuta a mensagem com atenção e pega o pergaminho com uma certa reverência.*

-Meus agradecimentos. A lâmina segue segura, como pode bem ver. Transmita meus respeitos ao Pai-de-Todos, e informe que o verei no momento de sua escolha. Também agradeça a Lady Freya pela bondade ao se lembrar de mim.

*Ele abre o braço direito, apontando para seus companheiros de mesa.*

-Permita-me apresentar-lhe os que me fazem companhia no momento e que, de uma forma ou de outra, também têm interesse no Destino de Arectaris. Estes são Roses Byrne, filha de Lugh, Theo Gemistus, filho de Ares, Xavier Saavedra, filho d'A Morrigan e Hideki, filho de Amateratsu. Todos vocês, esta é Lenneth, Valquíria *Ele usaria o título de Eleitora dos Caídos, mas se lembrou de sua expressão no café de Londres, acabou por não mencioná-lo* a serviço de Asgaard.

-Sua companhia sempre me é um bálsamo, Senhora da Batalha, mas eu não me sinto no direito de prender-lhe aqui longe de seus afazeres.
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Re: Cidade Livre de Belfast.

Ontem à(s) 6:35 pm
Pensativo, Xavier ia ligando os pontos, conforme cada um dos presentes dava seu depoimento. Ao que lhe parecia, Lorde Wittshaw era o principal suspeito de ter levado Bernard ao que então aparentava ser um estado sobrenatural de inconsciência. Consequentemente, era também o suspeito de ter em sua posse uma das três partes de Arectaris.

- Bom, ao que tudo indica, Lorde Wittshaw é a pessoa que devemos procurar para esclarecer os estranhos acontecimentos. Ele me parece ser a pessoa que tem o pomo de Arectaris, dado o que acabo de escutar, e tendo em vista o que observei quando analisei Bernard. Ademais, a runa que encontramos na casa em chamas é um indício que corrobora com essa hipótese.

Saavedra olha para Albert, com uma expressão neutra:

- Creio que o Senhor seja o mais indicado para fazê-lo, tendo em vista que compartilham parte do Sangue. Qualquer um de nós teria sérios impeditivos para simplesmente ir até Londres e interrogá-lo, por uma série de razões.

Antes que continuasse falando qualquer coisa, Saavedra e todos os outros são supreendidos com a chegada de Lenneth. O galego olha a Valquíria de cima abaixo, impressionado com sua presença ali. Havia, paradoxalmente, um ar de estranhamento e familiaridade naquela mulher. Algo fora o lugar, que imediatamente despertou a atenção de Xavier. O estranhamento se acentua quando ele percebe que Lenneth evitava encará-lo.

Saavedra perceber que Albert estava dispensando Lenneth e, antes que ela se retirasse, ele se levanta da mesa e a interrompe:

- Senhorita, com licença. Se me permite, tenho uma pergunta: nós já nos conhecemos? Sinto que já a vi em algum lugar...
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Re: Cidade Livre de Belfast.

Hoje à(s) 11:00 am
Lenneth cumprimentou a todos, na medida em que Osmund os apresentava. O fez com um simples menear de cabeça, sem palavras ou particulares interações. Deteve-se, contudo, em Saavedra. Somente neste momento a Valquíria olhou diretamente para o galego. Saavedra sentiu-se engolido pelos olhos acinzentados como o céu antes de uma tempestade. Mas, ainda assim, tais olhos não lhe transmitiam nada. Ou se esforçavam para não fazê-lo. Era uma sensação estranha, como aquela de ter visto algo de relance antes que alguém fechasse uma cortina ou uma janela.

- Não, Senhor. Não nos conhecemos.

Olhou, então, para Alfred. O engenheiro sabia, tinha certeza de que a Valquíria não havia sido sincera com Xavier Saavedra.

- Transmitirei tuas saudações a Lorde Odin e Lady Freya. Tudo o que o Senhor precisa para dar prosseguimento ao encanto se encontra nesta sala - Apontou para a lareira, especificamente para as cinzas - Eu os deixo, agora, pois afazeres emergenciais requerem minha atenção. Os desejo fortuna e sabedoria.

Lenneth deixou a sala da forma mais mundana possível: atravessando a porta. Os protestos do dono do bar não foram ouvidos desta vez. Após a sua saída, as reações eram mistas: Gemistus parecia encantado, Rose furiosa e Hideki contemplativo. A mulher, todavia, manteve-se em silêncio.

De fato, pouco era requerido para o funcionamento do feitiço. Um foco - no caso de Osmund seu próprio monóculo e um punhado de cinzas. Era um encanto simples, prático, possível até mesmo para um iniciante nos Mistérios quanto Albert. Seguindo as instruções, o engenheiro esfregou as cinzas no monóculo, que as absorveu ao invés de permanecer sujo. Recitou alguns dos nomes de Freya, o que não deixava de ser certamente irônico. Como Deusa dos Vanir, parte de suas invocações iam diretamente de encontro ao que representavam os Aesir.

De qualquer forma, havia funcionado.

Sob os olhos de Osmund, linhas começaram a surgir. Era esverdeadas e finas e, movimentando-se como serpentes suspensas no ar, indicavam o caminho a ser seguido. O encanto conferia a Osmund duas certezas particulares: as linhas o levaria a algum lugar em Belfast, e não fora da cidade. Além disso, Osmund tinha certeza de que seu caminho - ou o de quem seguisse as linhas - o levaria a encontrar um homem, não uma mulher.

Outra coisa interessante ocorreu, sobretudo.

Xavier Saavedra surprendeu-se ao constatar que era capaz de entender perfeitamente todas as palavras ditas por Osmund, ainda que fossem frases profundamente cerimoniais, expressas em um dinamarquês antigo, do qual Osmund tinha aprendido os rudimentos graças às práticas mágicas, mas que Saavedra jamais havia sequer escutado.

- Funcionou? - Era a voz de Gemistus que retirava Osmund do transe provocado pelo movimento das linhas e Saavedra do estupor de entender dinamarquês antigo.
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Re: Cidade Livre de Belfast.

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