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Atenas: A Casa dos Deuses

em Qui Nov 08, 2018 5:33 am
"Eu sou um cidadão. Não de Atenas ou da Grécia. Mas do Mundo."

Sócrates.
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Re: Atenas: A Casa dos Deuses

em Qui Nov 08, 2018 5:48 am
Haviam se passado dias desde a partida, em um enorme barco a vapor, do Porto de Marselha. Anna sabia qual era o seu destino. Uma terra desconhecida, no mediterrâneo, cheia de mistérios e descobertas. Mas havia também o matrimônio. Havia um marido em seu horizonte. A ideia lhe inquietava, lhe deixava ansiosa. Sabia que deveria fazê-lo, em nome de sua família e do papel que era esperado dela. Mas havia tanto para conhecer! Tantos lugares e pessoas que não havia ainda encontrado!

O barco seguia, deslizando suave pelas água do Mediterrâneo. Anna viu quando as primeiras ilhas começaram a surgir, e sabia que havia entrado na Grécia. Flutuavam, montanhosas, como sombras que se prolongavam das águas escuras em meio à noite. Na maior parte do tempo, porém, permanecia em seu quarto, cercada de livros. Permanecia tão entretida nas leituras, que só percebeu que o navio balançava demasiadamente quando já era muito tarde. Ouviu gritos e pânico. Deixou o quarto somente para ver a imensa confusão nos corredores. Pessoas tentavam escapar, carregando malas e pertences. Ao mesmo tempo, o navio balançava furiosamente, lançando as pessoas de um lado para o outro. Anna ouvi o som de trovões e via a claridade dos relâmpagos. Estavam em meio a uma tempestade.

Pelo seu tamanho, Anna conseguiu passar por entre as pessoas, acessando as escadas que davam acesso à parte superior do navio, onde estavam os botes. Alcançou Sophie no corredor superior, sua dama de companhia estava retornando para encontrá-la. Juntas, seguiram subindo pelo navio até uma porta lhes dar acesso ao convés. O local era um caos, mas um caos tão grande que Anna não percebeu quando um homem enorme esbarrou nela. Perdeu o equilíbrio e sentiu o corpo cair velozmente, os gritos ficando para trás, até ser abraçada pela água gélida do mediterrâneo. Começou a afundar.

Sentiu, porém, que alguém segurava sua mão enquanto tentava permanecer na superfície. A pessoa a ergueu com facilidade, segurando-a pelo pulso. Quando abriu os olhos e recuperou o fôlego, Anna percebeu que não havia tempestade ou sequer um navio. Somente uma mulher, de pé sobre as águas, estava à distância de um palmo.

Era bela, altiva e de aparência nobre. Vestia um vestido longo, que se confundia com o mar, de cor azulada como o oceano de dia. Na cabeça, um elmo prateado com asas laterais, que cobria parte dos longos cabelos. Uma trança caia pelas suas costas. Os olhos eram escuros como o céu, e também eram repletos de estrelas. O vento soprava ao redor das duas, calmo e quente, e Anna se sentiu subitamente protegida. A mulher a observava com um olhar inquisitivo, como o de uma coruja. Aliás, Anna tinha a sensação de ouvir o piado daqueles animais bem ali, no meio do Mar. Sentia também o cheiro de montanha, de neve. De livros antigos. De morte e de guerra.

- Quem são os teus pais, criança?
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