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Salvador: A Roma Negra

em Qui Out 25, 2018 5:10 am
"Só na Bahia poderia se ver tanta gente festejando um homem que não é político, fazendeiro, rico, cardeal ou general..."

- Jorge Amado.
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Re: Salvador: A Roma Negra

em Qui Out 25, 2018 6:37 am
Enquanto a cidade se descortinava diante do mar azul, a Fazenda São Domingo se encontrava no interior da região. Sol intenso e trabalho extenuante eram a regra, com as atividades, infinitamente repetitivas, acontecendo dia após dia. Acordar, cuidar dos mais jovens e mais velhos, cortar a cana, moer a cana, preparar o melaço. Ser castigado. Retornar à senzala com o corpo coberto de Sangue, com as feridas abertas a ponto de não conseguir deitar e descansar. No dia seguinte, tudo de novo.

Mas havia algo que sussurrava nos ouvidos de Muyaka. Dizia que as coisas não seriam daquele jeito para sempre. E sussurrava já há alguns meses. Não obstante isto, nada parecia ser passível de mudança desde que ali havia chegado, ainda que sua força e sua vingança se manifestassem ocasionalmente, derramando-se sobre alguns homens brancos. Mas, no cenário macro, existia somente a repetição das tarefas e o castigo, inevitável, mesmo se ele ou os seus trabalhassem corretamente.

Na verdade "seus" era uma maneira de dizer. Boa parte daquelas pessoas não pertenciam ao seu povo na Terra Mãe. Eram homens e mulheres de diversas regiões, eram ioruba, nagôs e bantos. Todos submetidos às mesmas pressões, ao mesmo desespero, à mesma violência. Suicídios eram comuns, ao menos quando tinham acesso aos meios necessários para tirar a própria vida. Estupros eram comuns, tanto das mulheres quando dos próprios homens, violados por senhores e senhoras brancas. Seus corpos não lhes pertenciam, sua força era usada para gerar riqueza. Suas almas, contudo, pertenciam somente a eles mesmos e ao Orun.

Muyaka ouviu os sussurros, outra vez, naquela manhã quente e abafada. Abriu os olhos somente para ver seus companheiros deixarem, apressados, a senzala. O senhor gostaria de falar-lhes. Haveria castigo, pressentiam, na tarde anterior um dos escravos havia roubado - ou assim havia feito parecer João Borba, proprietário da Fazenda, um homem obeso, estúpido e desprezível, que se divertia em estuprar escravas que sequer haviam tido a primeira menarca - um pedaço de pão esquecido na janela da Casa Grande. Haveria castigo a todos, pois estas eram as leis de João Borba:"se um rouba, todos pagam".

Muyaka se preparou para sair, o espírito quebrado, uma vez mais, pela violência que os seus sofreriam. O feitor, um homem horrível chamado Chico, que era mestiço de branco com índio, já havia entrado na Senzala. Chico era cruel, talvez mais cruel que Borba, pois enquanto o Senhor reforçava a obediência com o castigo, Chico agredia os escravos por mero prazer. No outro lado da senzala, Seu Afonso, escravo mais velho da Santo Domingo, restava sentado no chão. Estava pálido. Era fome, uma fome profunda. Respirava com dificuldades. Seu Afonso tinha sessenta e sete anos, uma idade surpreendente para um escravo. Mais da metade dos jovens escravos da Fazenda eram filhos seus. Ou netos. Ou bisnetos. Mas Chico não respeitou Seu Afonso. Aproximou-se e deu-lhe um bofetão na face, de forma tão veloz e violenta que Muyaka não pode sequer reagir. O velho se desequilibrou, mesmo sentado, chocando a cabeça com força na parede de madeira da senzala. O sangue escorreu veloz pelo canto da boca. Chico ainda olhou para Muyaka, mas nada disse: o escravo sabia o que ocorria. Medo. Chico tinha muito, muito medo de Muyaka, por uma razão que o escravo não entendia.

Se viu sozinho na senzala, pois Chico não ordenou sua saída. Sozinho não. Com Seu Afonso que, recuperando-se, pediu ao mais jovem que se aproximasse. Do lado de fora, João Borba convocava os escravos a se juntarem ao seu redor. Muyaka sabia que Borba era ciente de todos os homens e mulheres que viviam ali. Sabia que Borba sentiria sua falta e ordenaria a Chico - ou a outro feitor - que viesse buscá-lo.

Seu Afonso estava sereno. Os olhos haviam se tornado levemente azuis com a idade, ainda que fossem profundamente escuros. Quando Seu Afonso falava, ninguém respirava. Era um poço de Sabedoria e experiência. E Seu Afonso falou, desta vez somente para Muyaka:

- Hoje. Hoje é o dia de fazê-los pagar. Hoje. Preste atenção aos sinais. Os sinais te guiarão. Hoje. Não pode passar de hoje. Proteja os teus, os meus e os outros, Muyaka.

E então, morreu Seu Afonso, um homem que havia sido um grande guerreiro em seu mundo. Morreu ali, reduzido a uma massa de carne que fedia a fezes e urina. Mas Muyaka sabia que seu espírito seria recebido no Orun. Intuía que veria Seu Afonso novamente.
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Re: Salvador: A Roma Negra

em Sab Out 27, 2018 11:46 am
Não haveria lágrimas daquela vez. Sua alma, alquebrada, aos poucos se inflamava, desde que começara a ter aquela sensação, a ouvir aquelas vozes em seus sonhos. Seriam os espíritos daqueles que se foram?

Muyaka observou Chico sair apressado da senzala, deixando-o com Afonso em seus braços. Ele pressionou o velho escravo contra seu peito, que há pouco havia dado seu último suspiro nesta terra.

O escravo fez uma prece e pediu para os deuses e seus antepassados recebessem o velho e sofrido Afonso e que este se tornasse um espírito que guiasse aqueles que ali viviam.

Muyaka não saiu de imediato da senzala. Ele sabia que se saísse, além de ser castigado, não poderia enterrar o corpo do ancião ex qua do chegassem, após um dia fatigante de trabalho forçado, o encontraria ali, largado, desrespeitado, como um animal sem importância. Não seria daquela forma. Não mais.

Ele não sabia explicar, mas, o mesmo desejo que o fizera entregar-se para ser vendido, ainda em sua terra, para encontrar seu irmão, brotava em seu interior. Uma fúria, ainda contida, crescia em seu peito. Lembrou-se dos sons de sua terra.

Muyaka carregou o corpo inerte do velho Afonso para fora da senzala. O sol quente, castigava a pele sofrida e cheia de feridas e cicatrizes. Ele andou, sozinho, entre todos os escravos e parou, olhando fixamente para seus opressores, enquanto mantinha o ancião em seus braços.

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Re: Salvador: A Roma Negra

em Dom Out 28, 2018 7:31 am
Deixou a senzala com o corpo inerte de Seu Afonso nos braços. Do lado de fora, o sol inclemente já dominava o céu claro. O espaço no qual estava localizada a senzala era vizinho ao terreno cultivado da fazenda, onde trabalhavam Muyaka e os seus. Ao longe, sobre uma ligeira elevação no terreno, repousava a Casa Grande. Era enorme, branca, imaculada. Dominava a paisagem e a sua presença era onipresente, lembrando constantemente aos escravos a sua dominação.

Diante da senzala, mas antes da plantação, estava João Borba. Enxugava o suor das papadas e da testa com a ajuda de um tecido engordurado. Na outra mão, mantinha um chicote. Era imenso, fétido, uma expressão do que havia de pior na humanidade. Ao seu redor, os escravos esperavam o veredito, cabisbaixos. Ele ergueu o chicote sem se dar conta de que Muyaka havia deixado a senzala. Chico o via, mas nada havia dito ao seu patrão.

- Ontem um outro animal ousou roubar a minha casa. Vocês são uns ingratos. O que fornecemos a vocês é o suficiente para que comam bem e vivam bem mas, ainda assim, insistem em hábitos pouco cristãos, como roubar e invejar o que eu e minha família conquistamos com o nosso trabalho.

Erguia, mais e mais, o chicote. Não havia nenhum escravo ao alcance de sua mão, mas ele se comprazia em levantar o instrumento, como um troféu, uma extensão da sua masculinidade e força.

Muyaka sentia, agora, tonturas e fortes vertigens, a ponto de quase não suportar o peso do corpo de Seu Afonso. Sentia uma forte pressão nas têmporas e sentia, também, a presença de seu irmão. Algo lhe dizia que estaria envolvido em alguma situação semelhante naquele exato momento. O interior de Muyaka queimava. Queimava como se uma fornalha estivesse acesa em seu estômago, como se nas suas veias corresse a lava derretida que corre nas veias de Xango. Sentia como se seus músculos fossem feitos de aço, como se fossem inquebráveis.

Os escravos, agora, ignoravam João Borba. Observavam Muyaka. Os mais velhos dentre eles se curvavam como se ele fosse uma divindade. Os mais novos apenas observavam com a boca aberta. Chico parecia encolhido em si próprio. Enfim, João Borba se girou para encarar o que todos encaravam em silêncio: o escravo que deixava a escuridão da senzala.
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Re: Salvador: A Roma Negra

em Seg Out 29, 2018 12:12 pm
Nosso trabalho?

O corpo trêmulo de Muyaka avançava por entre seus iguais. Homens, mulheres, crianças e velhos, todos eles na mesma condição de servidão. Uma ira crescente se apoderava dele.

Todos aqueles anos, afastado de seu irmão, condicionado a uma vida de servidão e humilhação parecia enfim estar cobrando o preço. Ele, que sempre fora paciente e suportara todo aquele carma sem reclamar, entendeu que não aconteceriam milagres. A mudança partiria dele e os sinais estavam dados, como dissera o agora falecido Afonso.


Nosso trabalho? Sua voz soou mais alta do que qualquer escravo jamais ousou fazer. Seu olhar estava fixado naquele homem gordo, que oprimia seu povo por amarras. Masque amarras? Que força física aquele homem teria para se opor contra ele, um guerreiro de nascença, forjado sob o sol escaldante da terra mãe?

Decidido, continuou a andar e se virou para seus irmãos, ficando de costas para seus opressores. Naquele momento eles não eram importantes. Ergueu sua voz, para que todos os presentes pudessem ouvi-lo.


Hoje, um homem sábio nos deixou. Seu corpo cansado, exausto do trabalho forçado, exausto da dor e dos maus tratos, exausto de ser chamado de ladrão, de preguiçoso e outras coisas mais. Ele estará agora entre os espíritos que nos guiará neste momento difícil, de luta e resistência.

Muyaka coloca o corpo de Afonso suavemente no chão e vira para seus opressores. Com o punho esquerdo fechado, erguido sobre a cabeça ele finaliza, ainda gritando.

No chão está Afonso. No final, todos estaremos como ele. É este o irreversível ciclo da vida, agora, cabe a vocês decidirem, se morrerão presos a grilhões e a servidão ou se morrerão livres ou lutando pela liberdade!

E então, com a fúria digna de um animal selvagem, avançou contra o, até então, senhor daquelas terras e do fundo de sua alma, um grito ecoou pela fazenda.

OMINIRA!!!

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Re: Salvador: A Roma Negra

em Ter Nov 06, 2018 7:20 am
O grito de Muyaka ecoara pela fazenda, inundando os ouvidos de seus companheiros e enchendo-os de coragem. Avançavam, lentamente, um a um na direção de João Borba. O homem suava aos borbotões, enxugando-se com um lenço escuro e sujo enquanto mantinha em riste o chicote. Exortava os escravos a não avançarem, a não ousarem desafiá-lo, mas sua autoridade parecia se esvair a cada segundo. Os homens e mulheres pareciam tomados por uma espécie de transe coletivo: não falavam, não gritavam, mas em seus olhos havia a sede por uma justiça que há muito lhes estava sendo negada.

Muyaka podia ver que João Borba, agora, tremia. A maior parte de seus capatazes já estava no campo, portanto distantes daquele local. Somente Chico estava à vista, mas parecia incapaz de reagir. Estava encolhido contra uma árvore, os olhos fixos em Muyaka, o terror estampado em sua face mestiça. Parecia que via algo que os outros não viam, ou ao menos intuía o que estava por vir. Os escravos, naquele momento, estavam próximos à João Borba, mas não tomaram nenhuma ação. Para afastá-los, o Senhor brandia violentamente o chicote, atingindo alguns deles no rosto, peito e ombros. Mesmo com os pequenos nós de couro que rasgavam a pele e a moral em suas pontas, o chicote parecia incapaz de ferir os escravos. Ricocheteava em suas peles escuras sem deixar absolutamente nenhuma marca. Eles ignoravam Borba: tinham a atenção voltada para Muyaka.

O escravo sentia um calor intenso, mais intenso do que jamais havia sentido naquelas terras. Era como estar dentro ou próximo a um vulcão em atividade. Olhou para o lado e por um segundo viu um outro homem.

Era alto, imensamente alto, com a pele extremamente escura. Em sua cabeça havia uma coroa de ferro fundido, com pouca decoração, mas de grande presença. Seus membros eram fortes e musculosos. Muyaka não viu sua face: estava coberta por um tecido avermelhado, assim como a tanga de couro que vestia. Nos braços e pulsos inúmeras pulseiras e braceletes, em ouro maciço, além de anéis com grandes rubis. O abdome era definido e na mão esquerda o homem carregava um enorme machado de ferro e pedra de duas faces. Nada disse, mas Muyaka sabia quem era. Xangô. O Senhor da Justiça. E foi ele quem, com um aceno de cabeça, autorizou Muyaka a portar a Justiça aos seus opressores.
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Re: Salvador: A Roma Negra

em Ter Nov 06, 2018 9:11 am
Por um breve instante, o ainda escravo Muyaka, olhou para o guerreiro que ali estava parado, ignorando a existência de João Borba. Finalmente os deuses ancestrais haviam olhado para seu povo sofrido. A presença dele aumentava a sensação de que chegara o momento de lutar pela liberdade. Não pela sua liberdade, ele era um pequeno ser, comparado a todos aqueles que chegaram ali antes e depois dele.

Muyaka se viu como aquele que lutaria, até o fim, por aqueles que foram tirados a força de sua terra natal. Um sorriso confiante brotou em seus lábios, ressecados pelo Sol massivo da lida cotidiana, e então, como se tivesse sido tomado pela autoridade de Xangô, virou-se para Borba.

Naquele momento, aos olhos de Muyaka, João Borba não passava de um homem assustado. Ainda assim, não haveria clemência nem misericórdia para aquele que maltratara os seus.

Decidido, caminhou na direção daquele homem obeso. A princípio, ignorou o capataz e, mesmo sob o estalar do chicote, avançou em direção ao até então, dono da propriedade.

Com um movimento, Muyaka esbofeteou com força o rosto de João, arremessando-o no chão. Ele sabia que existia uma superioridade agora entre eles e o lado fraco, com toda certeza, era o lado do homem branco. Com a mão firme, agarrou-o pelos cabelos, erguendo sua cabeça parcialmente, para que pudesse ver todos os escravos que o circundavam.

Ele então ergueu sua voz, para que todos os seus escutassem a sua sentença.


Hoje estamos livres do julgo do homem branco e mesmo assim não encontraremos a paz, pois, teremos que lutar para manter nossa liberdade. Esta fazenda, mantida com o esforço de nosso trabalho, arderá em chamas ao final da tarde. O fogo que aqui queimará, lembrará aos outros de que a paz e a subserviência acabou.

Recolham mantimentos, armas, roupas, dinheiro, tudo que há de valor na casa grande. Tragam todos os brancos para cá, independentemente da idade e do sexo. João verá, antes de seu julgamento, o que sofremos todos os dias. Espancaremos seus filhos, violaremos suas mulheres, como as nossas foram violadas, diante de seus olhos. Hoje ele será açoitado por cada um de vocês e, no final, pagará o preço por sua violência contra nosso povo com a própria vida. E não só ele. Aqueles que trabalham para ele, assim como o Chico e os outros capitães do mato, sofrerão esta noite, como viemos sofrendo há anos.

Irmãos, libertenssem de vossas correntes e façam o que deve ser feito. Amarrem-os, hoje será um dia de festa entre nosso povo. Aqueles que, assim como eu, não suportam mais e podem lutar, surpreendam os capitães do mato e os traga para cá. E, no final do dia, partiremos para um lugar que chamaremos de lar.


Ainda segurando João pelos cabelos, o arrastou até o meio dos agora libertos homens e mulheres. Prendam-no, ele será o último. Não permitam que ele morra. Não agora. Muyaka largou-o no chão e caminhou em direção ao capataz, que agora lhe parecia uma figura diminuta e digna de pena. Havia uma frieza na voz do antigo escravo. Assim como puniu muitos entre nós, para dar exemplo, Chico, assim será feito contigo. O teu destino hoje foi traçado por Xangô. E assim como João, você é culpado.

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Re: Salvador: A Roma Negra

em Qui Nov 08, 2018 5:21 am
Não hesitaram.

Após as palavras de Muyaka, seus companheiros se moveram velozmente pela Fazenda. Era como se fossem invisíveis e, além disso, conheciam cada pedaço daquele chão, cada esconderijo e cada acesso. Não demorou mais que alguns minutos para que os capatazes fossem subjugados e trazidos à presença de João Borba. Eram mantidos ajoelhados, cercados por escravos armados com os facões usados por eles. Houve resistência em alguns casos. Alguns dos capatazes tinham grandes feridas ou sinais de briga na face. A família de Borba também tinha sido trazida até ali. Duas filhas mulheres, uma de quinze e outra de onze anos. Um herdeiro macho, de sete. A mulher era muito mais jovem que ele. Todos pareciam apavorados. As faces cobertas de lágrimas e as bocas balbuciando orações. Somente o garoto permanecia impassível, do alto de seus sete anos.

Em poucos minutos, a Fazenda havia sido tomada de assalto. Em que, na verdade, se baseava a dominação de João Borba? Se era tão simples, porque não haviam feito antes?

De longe, Xangô observava Muyaka. Impassível, como o filho de João Borba. Não tinha mais em mãos o machado, mas a face ainda estava coberta.
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Re: Salvador: A Roma Negra

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