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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Dom Abr 29, 2018 4:33 pm
* Enquanto abaixou-se para pegar o manuscrito, a voz ressoando como duas voltou a se fazer ouvir*

- Hmmm...a feitiçaria medíocrrre permitiria somente que Cannatos removesse o selo...ou alguém acima de tais trruques infantis.

* Appius lembrou-se que, ao empregar o Toque do Espírito, sua visão fora bloqueada e nada além de Juno Prestes lhe entregando o pergaminho foi revelado. Aos seus pés, Seleucas choraminga em grego*

- Aquilo...aquilo...vai nos matar Senhor, aquilo...

* Ao tomar o pergaminho em mãos, as palavras nele escritas lhe atingem como um golpe de faca*

" O Império se predispõe a perdoar ofensas anteriores de um estimado filho, Canatos, em troca de um novo juramento de lealdade e comprometimento para com o Imperador. Derramei lágrimas de sangue ao descobrir vossa traição, mas as enxugo com o dever de manter a aliança com o Clã da Noite Intacta, removendo sua culpa através de um gesto nobre.

Mates o mensageiro, pois ele carrega o sangue de teu cúmplice e será ele o símbolo de vossa redenção. Retornes à Roma com suas cinzas e esta será a prova de que retomastes a razão. O Imperador, o Deus vivo, o aguarda pacientemente. Assim como este que vos escreve.

Anseio por seu retorno,

Juno Prestes."
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Seg Abr 30, 2018 1:45 am
*Qualquer pretensa, qualquer máscara de impassividade que Appius carregara até aquele momento se desfaz. Seu rosto começava a se contorcer, mas se era de raiva, surpresa, pesar, nem ele saberia dizer. O que sabia é que possuia dois alvos para a raiva que sentia naquela mesma sala. Primeiro ele se vira para Seleucas.*

-Ora, crie uma espinha. Se não morrermos, você só terá feito papel de idiota, e se morrermos, tente ao menos o fazer com alguma dignidade.

*Em seguida se vira para a voz no meio da neblina.*

-E se de fato for me matar, por favor agilize. Já perdi tempo o suficiente.

*O pergaminho ainda estava em sua mão. Appius começa a apertá-lo com força, mas depois muda de ideia, alisando as suas ranhuras e o guardando cuidadosamente em sua toga.*

*Ele começa a andar em meio à neblina, até onde se lembrava de ter visto o impluvium. Chegando lá, se senta, sentindo o sangue fresco molhar os pés. Pegando um cálice descartado, Appius o enche para começar, mas logo percebe o engodo: era água pura. Ele joga o cálice longe com um gesto displicente e começa a falar, aparentemente para ninguém em particular.*


-Chega a ser engraçado. Parte de mim está lívida com essa mensagem, isso é óbvio, mas francamente, não posso deixar de culpá-lo. Dionysius foi caçado e preso como um animal, e trazido a mim como um boi ao matadouro. Não, não a um matadouro, a um altar sacrificial. Os hebreus têm uma lenda parecida, sabia? Sobre como seu grande patriarca, Abraão, não podia ter filhos com sua esposa, até que seu deus lhe concedeu essa dádiva, apenas para depois pedí-lo em sacrifício. Pois estava em frente ao próprio Imperador, e a Juno Prestes, claro que estava lá, julgando que meu senhor estava morto e queimado, mas não, me foi apresentado seu corpo, e o Imperador? Ora, o Imperador disse que era um dever, e um privilégio beber seu sangue e alma como mero gado. E não houve nenhum cordeiro enviado por Deus para que o sacrifício não fosse necessário, oh não!

-Nós somos romanos! Nossos deuses não matam seus filhos, mas seus pais! Foi assim com Urano, Saturno e Júpiter. Entre a perdição e a morte, escolhi a perdição, e como Júpiter antes de mim, provei do doce sangue de meu progenitor, e deixe-me contar, era deveras doce! E após tamanha monstruosidade, faria algum sentido que Prestes e o Imperador confiassem em mim? Que me entregassem a cadeira prometida no Senado? Mas é claro que não! Canatos era o contato com Dionysius fora de Roma, e se eu o encontrasse garantiria de saber por ele tudo que meu mestre não pôde me contar, e ainda assim! As coisas das quais soube! Ora, deixariam o cabelo de qualquer um branco! A real natureza do Imperador, a verdade sobre o Grande Incêndio!

-Mas não é um mosaico! Foi o que eu disse para Lisandro, não foi? Um mosaico, que quanto mais peças eu encontrava, maior e mais incompleta se tornava a figura. Mas não é nada tão inocente ou belo como uma obra de arte. É a Hidra de Lerna! Cada resposta e uma de suas cabeças peçonhentas cortada, triunfo de uma mente afiada contra um mundo brutal. Mas não! Cada cabeça arrancada dá origem a outras duas, ainda mais horripilantes!

-Então precisamos voltar para a primeira cabeça! É claro, seu tolo! Se tudo mais falha, concentre-se no básico!

*Appius chora e ri ao mesmo tempo, enquanto a verdade terrível lhe vem à tona.*

-Quem se beneficia? QUEM SE BENEFICIA? Quem se beneficia dessa farsa de Imperador, um Imperador feito de sangue para governar seu Império de Sangue? Quem está ao seu lado, ao invés dos Senadores antigos como a própria cidade ou mais? A villa imperial! Decorada com a opulência dos sonhos de qualquer artista! "Nada que uma assessoria dedicada aos detalhes não possa ajudar a dar cor aos gostos sublimes do Imperador", ele disse! Uma assessoria dedicada para o comando de todo um Império! O maior Império que o mundo já viu se transformando num jardim de prazeres. Porque quem se beneficia, é quem controla o Imperador quando o Imperador é só um fantoche sem controle sobre si. A verdade pela qual Dionysius encontrou seu fim...

-Prestes se beneficia... Por todos os deuses acima e abaixo da terra, Prestes é quem se beneficia. Das grandes coisas, como o controle do Imperador e do Império como nas pequenas como agora, quando põe dois traidores que poderiam juntar forças para lutarem entre si, sob a promessa de migalhas. Achava, pobre inocente que sou, que ele era um bom homem tentando impedir a decadência de um Império necrosado, mas a verdade é tão mais horrível...

*Enfim, Appius se cala, abatido. O cálice cai de sua mão, e após o barulho do metal girando no mármore, um silêncio sepulcral cai sobre o salão.*


Última edição por Appius Galerius Buteo em Sex Maio 04, 2018 11:09 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Seg Abr 30, 2018 7:35 pm
* Appius ainda discursava quando notou a névoa, escura e pútrida, se desfazer. Por trás dela, não havia mais o monstro de outrora. Gayal estava em sua forma inicial, um exótico homem a vestir roupas extravagantes.

De seu antebraço, um novo formava-se envolto em gosma até tornar-se idêntico ao anterior. Ele caminhou pelo salão em direção à saída e, passando pelas cortinas rubras, comentou.*


- Não há a necessidade de matá-lo. O Rrromano que havia em você já está morrto.

* Após atravessar a cortina e deixar Appius e Seleucas a sós, sua voz foi ouvida uma última vez*

- Se és de fato Crria de Dionysius, ele irrá querrerr vê-lon. Rrecobre teus sentidos e torrne ao Átrrio.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Ter Maio 01, 2018 12:47 am
*As últimas palavras de Gayal funcionam como um choque de água fria, fazendo com que Appius recobrasse suas faculdades. Não era possível...*

-Ele quer me ver? Mas... mas...

*Temeroso por mais uma verdade que confrontaria, Appius avança inseguro até o Átrio, e para sua próxima revelação.*
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Ter Maio 01, 2018 7:50 am
* Appius caminha passando pela cortina carmesim, atravessando o corredor e retornando ao Átrio no qual deparou-se com Gayal recostado em um dos cantos a observar a mulher anteriormente apresentada como Salianna segurar em seus braços o corpo, já sem vida, de Varinius.

Ela levanta-se e dirige-se à Gayal*

- Lhe peço que procedas, ele não merece este fim.

* O monstro que anteriormente confrontou Galerius toma o corpo do Edil em seus braços e olha uma última vez em direção ao Capadócio*

- Se houverrr qualquerrr distúrrrbio, não exites em me chamarrr, minha Senhorra.

* A jovem e bela mulher tocou o rosto de Gayal e este deixou o Átrio rumando ao corredor. Salianna sentou-se em um dos divãs do salão de recepções e indicou à Appius que fizesse o mesmo.*

- A crueldade do Império não possui limites. Enviaram o filho mais querido de Dionysius para tentar selar uma paz, frágil e maculada, através de sangue derramado.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Ter Maio 01, 2018 8:36 am
*Appius observa Gayal levar o corpo de Varinius. Desconfiava que o edil compartilharia o destino de seu mestre, e que este destino não era algo tão simples quanto a morte.*

*Ele observa Salianna e se senta, olhando em volta em busca de mais alguém.*


-Ainda há muito que eu preciso entender sobre essa situação, embora a parte da crueldade do Império já seja um assunto que domino bem. Talvez seja melhor começar com Canatos. A posição e personalidade dele eram assim tão frágeis que se deixaria levar por essa oferta, como a madame bem definiu, maculada? E vocês já estavam cientes do conteúdo da carta?
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Ter Maio 01, 2018 9:10 am
* Salianna não sorriu, como outrora. Sua face era séria embora as linhas de expressão não marcassem profundamente seu belo rosto.*



- Cannatos sempre foi fiel aos seus ideais. Acreditava em uma unificação dos cainitas em prol de atingir uma civilidade e segurança para todos, indistintamente. Compreendeu, a duras perdas, que o Império tornou-se a morada de vermes que o corroem por dentro, insaciáveis e nocivos à qualquer noção de pacificação dos povos.

- Por isso Roma expandiu-se e alcançou os limites do mundo. Não por glória ou por seu indiscutível poderio militar, mas pela fome voraz daqueles que desejam fincar suas garras o mais longe possível e, depois, as puxarem com força suficiente para que nada - e ninguém - sobreviva no caminho.


* Ela suspira, como se precisasse. A apresentada como Governadora Provincial de Nápoles responde e depois questiona*

- Desconhecíamos o conteúdo do pergaminho e, ainda mais, aquele que o entregaria. Supomos o envio de um assassino descartável ao Imperador. Devo dizer que sinto, profundamente, pela destruição de teu Senhor e, mais ainda, da forma que se sucedeu.

- Antes que eu prossiga a dizer-lhe o que acredito ser correto, Appius Galerius Buteo, Cria de Dionysius, preciso que diga-me onde está a vossa lealdade após os últimos eventos.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Ter Maio 01, 2018 2:40 pm
*Appius encara a governadora por alguns momentos. Sua pergunta era de uma complexidade... singular.

-Minha lealdade... Minha lealdade era de Roma, mais do que a qualquer trono, ao que o Império representava. Mas agora entendo que tal lealdade não é mais possível, não da forma que Roma existe hoje. Talvez eu gostasse de Canatos, afinal

-Minha lealdade, cara governadora, é para com o legado de meu senhor. *Ele ri, com o olhar perdido no horizonte por uns instantes.* É engraçado. Se me contasse há um mês que eu diria essas palavras, lhe chamaria de louca. E como essas palavras deixariam Dionysius feliz! Após tantas discussões, tanto distanciamento! Uma pena, realmente, uma pena...
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Ter Maio 01, 2018 2:54 pm
* Salianna baixar o olhar por alguns instantes e em seguida o ergue, vívido e decidido*

- Varinius, meu amado servo, perdeu sua vida para que o segredo que lhe contarei fosse mantido em sigilo. Tua morte se seguiria, assim como a dele, em prol de uma causa maior.

* Ela encara Appius e há uma certa ternura em seu olhar. Talvez, um entendimento de sentimentos ou uma empatia quanto a perda*

- No entanto, confiei a minha própria existência ao seu ido Senhor e consigo enxergar em vós a chama da justiça pela qual Dionysius lutou e pagou com a morte final.

* Alguns segundos de silêncio. Apesar do que disse, Salianna parecia buscar a convicção necessária para dizer o que pretendia. Até que, enfim, ela sintetizou*

- Estás diante de Canatos.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Ter Maio 01, 2018 10:32 pm
*Appius passa alguns instantes digerindo a informação boquiaberto, até por sua mente para funcionar. Já havia passado tempo demais sem o fazer.*

-Primeiramente, gostaria de agradecer ao que me toca. Me desagrada ser considerável descartável, por quem quer que seja, e por isso almejarei que essa falha não se repita. Mas ainda assim, suponho que deva agradecer a você e Gayal.

-Sobre sua identidade: notável. Algo me vem à mente agora. Por toda a minha conversa com Prestes, em nenhum momento ele me disse a aparência de Canatos. Era óbvio, quando se para pra pensar, que era apenas uma forma conveniente de se livrar de mim.

*Ele olha Salianna/Canatos nos olhos com meio sorriso nos lábios.*

-Porém... Eu estou bem certo que em momento algum me foi mencionado uma... governadora. Foi o que Gayal quis dizer quando me contou que Canatos havia sido destruído, sim? Que ele havia o matado, mas não da maneira que eu pensava. Gayal, membro do Clã dono dos maiores artesãos da carne sobre todo o firmamento. Minha mente está no caminho certo, eu suponho?

*O Capadócio abana a mão, como se aquilo não fosse importante no momento.*

-Independente disso, temos assuntos mais relevantes a tratar. De certa forma eu devo agradecer a Prestes e ao Imperador, veja bem. Dionysius conseguiu tempo o suficiente para me passar uma última mensagem, mas falhou em me apontar qualquer direção a se seguir. Prestes, por outro lado, me apontou para você. E o Imperador, ao decretar que eu cometesse a Amaranth contra meu próprio senhor, garantiu que uma parte considerável das memórias de sua mente ainda mais considerável, repousassem dentro de mim.

-Meu ponto, cara... governadora de Neapolis é esse: tenho informações que Dionysius me contou, as que aprendi através de seu sangue, e as que eu mesmo alcancei, inclusive a presença de... aliados improváveis. E agora, que finalmente nos vemos face a face, precisamos decidir o que fazer com isso, em uma conversa abençoadamente livre de subterfúgios.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Qua Maio 02, 2018 9:32 am
* Salianna levantou-se e caminhou vagarosamente até uma escultura presente no átrio. Era um busto ricamente entalhado, que demonstrava com clareza de detalhes a face do homem nela retratado. Tratava-se de Varinius. A bela e jovial mulher acariciou o mármore por algum tempo, enquanto ouvia as palavras de Appius e, ao fim delas, começou o discurso*

- Sim, Appius, Gayal é um artesão. Um habilidoso escultor da carne e, assim como esta magnífica escultura, consegue esculpir em ossos e pele a imagem que melhor lhe convir.

* Ela voltou-se para Galerius, havia uma tristeza em seu olhar*

- De fato, temos muito a conversar, Galerius.

- Dionysius foi meu único aliado na busca incessante pela dolorida verdade que corrói Roma, Appius. E, em seus últimos momentos, conseguiu avisar-me que fomos descobertos e que em breve seríamos destruídos. Precisei agir, o quanto antes, para não arriscar que perdêssemos a não vida de Dionysius por nenhuma razão. Nossas descobertas precisariam ser perpetuadas e aprofundadas e eu precisaria me manter vivo para tal.

- Rapidamente o Império cessou o envio de grãos e modificou a rota comercial. O antes próspero porto da Tessalônia se tornou miserável. Deves ter visto o sofrimento de meu povo nas ruas.

* Havia, genuinamente, sofrimento na voz embargada daquela mulher. Ou melhor, de Canatos*

- Neste momento, idealizei o plano que desempenho agora. A Governadora Provincial de Nápoles era uma cainita corrompida por este malévolo Império que se formou sob o julgo de Prestes e Sahar. A convidei para um debate acerca das taxas portuárias entre a Tessalônia e Nápoles para remediar nossa deplorável situação. Óbviamente, eu tinha outros interesses.

- Salianna permanece empalada em um esconderijo, sua mente ativa ainda era necessária para que o plano possa obter sucesso. Gayal esculpiu-me a imagem e semelhança daquela cainita e eu tomei a sua identidade. Com o auxílio de outro aliado, o Senhor de Gayal, a sua mente transfere nestas noites todo o seu saber para a minha. Assim meu disfarce será completo e funcional.

- Em breve, a verdadeira Salianna será reduzida as cinzas e através das artes do Senhor de Gayal uma gota de meu sangue será impregnada a elas. Todo aquele que usar de seus dons para reconhecer as cinzas saberás que Canatos, e não Salianna, pereceu em noites recentes.

- Compreenda, Appius, que eu confiei a Dionysius a minha não vida e ele confiou a mim tudo o que sabia sobre o declínio do Império que tanto amávamos. É chegado o momento de tu, Cria dele, tomar o seu lugar e nos auxiliar a expurgar a praga que consome Roma.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Qua Maio 02, 2018 7:22 pm
*Appius meneava a cabeça e mantinha as pontas dos dedos unidas em frente ao rosto conforme Salianna contava o desdobrar de seu plano. Engenhoso acima de qualquer crítica.*

-Um desenvolvimento notável... Tenho certeza de que sua morte será aceita em Roma. Bem aceita, aliás, desde que não haja o risco de alguém ter um domínio maior de feitiçaria do que Gayal. Considerando o que foi feito com o pergaminho, acho difícil.

-O que nos leva ao próximo ponto, ou melhor, próximos. Primeiro, você disse que Dionysius era seu único aliado em Roma. É muito provável que ele fosse o único que compartilhasse o nosso ponto de vista, mas certamente  não era o único inimigo de Roma. É disso que precisamos no momento, saber quem mais se opõe ao Império, e quantos poderíamos arregimentar. Segundo, e mais importante, é o quando. A mão do Imperador no Trono de Sangue é firme, e seu braço é longo, mas mesmo assim, há vários daqueles do sangue antigo que não estão satisfeitos com a maneira como o Império é gerido. Não aceitam, inclusive, a presença de Prestes como braço direito do Imperador, não com basilares do Senado como Lisandro à disposição; e esse cenário, eu desconfio, só irá se agravar com a súbita ascensão de Sahar nas esferas de poder. Porém...

-Em minha jornada até a Tessalônica, eu me encontrei com Enkidu, do Clã Gangrel e cria da própria Ennoia, e ele transborda de ódio contra Roma em cada poro de seu corpo apavorante. Mesmo que esteja sozinho, e eu acho que não esteja, seria uma força fenomenal contra o Império. Agora, suponha que Enkidu marche sobre a Cidade Imperial, com uma horda de selvagens, ou mesmo animais às suas costas. Há quantos anos Roma viveu a ameaça de Aníbal Barca? E como o Império, mortal ou Cainita, sobreviveu? Se unindo contra uma ameaça externa. E como destruiu Cartago após isso? Se unindo contra a única coisa capaz de unir os cainitas, os infernalistas. Se Enkidu, ou qualquer outro atacar Roma neste momento, Roma apenas sairá fortalecida. Rivalidades antigas e disputas pelo poder serão esquecidas, tudo em nome de garantir o agora.

-Mas se a trama for exposta? Se o mundo souber que o Imperador é uma farsa, uma marionete de sangue controlada por infernalistas, qual apoio ele terá? Quantos daqueles que murmuram desagrado com o Império hoje entrarão em rebelião aberta? Mithras, Mi-Ka-Il, Helena, a lista é considerável.

*Ele para e encara Salinna por alguns instantes antes de continuar.*

-Há um quarto ponto. Mas por favor, gostaria de ouvir suas considerações antes.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Qua Maio 02, 2018 8:32 pm
*Canatos, no corpo de Salianna, pela primeira vez esboçou um sorriso. E era um belo sorriso naquela face angelical*

- Excelente Appius. Ótima percepção dos fatos.

- O Clã da Noite se move em prol da queda dos que maculam Roma. Mais que isso, devo ser sincero...sincera, convosco. Os meus destruirão Roma e tudo o que ela significa, pois, acreditamos que o corpo romano está demasiadamente ferido para que possa ser curado. Somente da morte e das cinzas do Império poderemos erguer uma nova sociedade. É irônico - e triste - como Cártago se repete.

* Ela volta a se sentar no Divã e continua*


- Tua inferência é absolutamente precisa. Não é segredo algum para os mais informados que a Dalmácia, antes província do Império, caiu recentemente perante uma horda de Bárbaros que dizem ser liderada pelo próprio Odoacro. Um dos mais temíveis Gangrel que já caminharam em solo romano. Bom, ao menos até tu citares Enkiddu...deve haver alguma artimanha do Rei dos Bárbaros para que haja uma presença tão significativa de uma entidade tão antiga.

- Tudo que Odoacro conseguirá atacando Roma frontalmente é unir o inimigo. Se nada fizermos, como bem citado, nomes de relevância e que desequilibrarão a balança da guerra se unirão à Roma. Mithras e Helena, sobretudo. Miguel está desaparecido há tanto tempo que não me surpreenderia ter sido destruído. Ainda sim, o Príncipe das Ilhas e a Mortal Toreador Grega já seriam capazes de frear os avanços bárbaros.

- Sim, precisamos alardear sobre a corrupção do Império. Mas, como? Dionysius enviou-me uma missiva que, prontamente, eu enderecei aos mais antigos de meu Clã. Nela continham informações sobre atividades infernalistas em Roma e a substituição do Imperador. Teu Senhor, sábio como era, escreveu uma outra que somente faria sentido junto à primeira e revelaria as suas últimas descobertas. Esta jamais chegou a mim, infelizmente.

- Além de nossas palavras, Appius, não possuímos indícios, argumentos ou fatos que sustentem a tese de Dionysius que, convenientemente para o Império, fora destruído. E, ainda mais, diablerizado pelo próprio filho que carregaria palavras em ataque contra o Imperador.


* Os olhos verdes da bela mulher encaram os do Capadócio*

- Precisamos da segunda missiva, Appius. Precisamos das palavras finais de Dionysius. E creio que meu plano pode ser implementado com vossa chegada. Mas falaremos disso em seguida.

* Ela interrompe*

- Diga-me, qual o quarto ponto?
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Qua Maio 02, 2018 8:58 pm
*Appius escuta cada palavra de Salinna/Canatos com atenção. Ambos se davam espetacularmente bem, e Appius sente uma pontada de saudade e culpa ao imaginar Dionysius naquela sala, naquela conversa. Uma sensação que só se aprofunda quando escuta sobre a missiva. O Capadócio fala, sua voz um pouco mais que um sussurro, seu olhar perdido.*

-As últimas palavras de Dionysius... Por duas vezes, em uma noite, ouvi suas últimas palavras. Uma em minha mente, quando ele me passou sua derradeira mensagem, outra em sua Morte Final, aquele evento que me assombrará por todas as minhas noites. Dionysius usou suas últimas forças para me pedir seu perdão, enquanto eu sugava sua vida e alma de seu corpo.

*Após alguns instantes, ele se recompõe, voltando a olhar Salianna nos olhos.*

-As memórias trazidas pelo seus sangue ainda são confusas e incompletas. A maioria diz respeito à verdade oculta sobre o Grande Incêndio de algumas décadas. E se meu senhor não compartilhou isso com você, é fundamental que eu o faça agora. Mas, lamentavelmente, ainda não vi nada sobre a missiva. Talvez devesse explorar melhor minhas memórias para este fim.

*Ele se remexe no divã, estava desconfortável, talvez até amedrontado.*

-Seu plano... talvez seja o mesmo do meu quarto ponto...

-As cinzas de Canatos precisam chegar até Roma. E Juno Prestes me ofereceu, além de um perdão imperial, a cadeira do Senado Eterno pertencente a Dionysius caso eu descobrisse com sucesso a extensão da traição de Canatos. Era um engodo, óbvio, mas eu me pergunto... E se aparecesse em Roma com as cinzas do governador da Macedônia e as informações que o braço direito do Imperador gostaria de ouvir?
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Qua Maio 02, 2018 9:21 pm
* Salianna sorriu, uma vez mais*

- De fato és filho de Dionysius. Sim, Appius, meu plano reside exatamente em teu retorno com as supostas cinzas de Canatos.

- Eu precisarei retornar à Nápoles, onde a Governadora provincial precisa estar. De lá, continuarei a informar os meus anciões sobre o nosso avanço e serei um porto seguro para vós, caso necessites. A morte de Canatos garantirá, assim espero, que um novo Governador Provincial se estabeleça na Tessalônia e a fome acompanhada de miséria do meu povo se encerre. Esta também é uma de minhas preocupações.

* Ela olha para Appius com mais firmeza, determinação*

- Além disto, meu caro, não se preocupes quanto a veracidade das Cinzas. Talvez haja alguém que possa sobrepujar as capacidades de Gayal em Roma, mas não creio que alguém possa superar as habilidades do Senhor de Gayal, que nesse momento trabalha com a mente de Salianna. Tu o conhecerás, pois será necessário blindar as vossas memórias desta conversa.

- Não podemos falhar, sob nenhuma hipótese, Appius.

* Ela parece pensativa*

- O grande incêndio? Sei apenas que foi durante ele que Prestes assumiu o posto de Conselheiro do Imperador e, óbviamente, que foi causado por Nero - o louco. O que mais Dionysius sabia?
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Qua Maio 02, 2018 11:07 pm
*Appius não pode deixar de sorrir diante do elogio.*

-Excelente que pensamos, novamente, de forma semelhante. Melhor ainda que nossas mentes serão blindadas para o futuro. Era uma contingência com a qual não contava, mas que tornará nossa missão mais fácil. Mas isso, dentre outras coisas, pode ser discutido depois.

*Ele se levanta e anda pelo Átrio. Seu olhar assume novamente a expressão perdida, e consegue-se ver medo e sofrimento em sua expressão.*

-Não sei sua idade, ou se estava em Roma durante o Incêndio, mas eu sempre vivi em Roma e estava lá. Caso não saibas, tenho como refúgio a catacumba Comodila, nos arredores da cidade. É um lugar que atende a várias necessidades, se um cainita puder abrir mão de certos confortos e não se incomodar com a companhia dos mortos: é quieto e isolado o suficiente para que eu pudesse me dedicar aos meus estudos, é um lugar propício para meus deveres como sacerdote, e me propicia uma fonte constante de cadáveres - ao mesmo tempo alimento e objeto de estudo. Durante o Grande Incêndio, fui afortunado o bastante para descobrir também que era um lugar extremamente seguro contra as chamas. Muitos Nosferatu até está noite têm a gratidão dos Membros da cidade pelos que salvaram do incêndio em suas galerias subterrâneas, e eu me vi compartilhando da mesma honra, pois acolhi minha cota de vampiros em necessidade de acordo com o princípio sagrado do Hospitium, ou Xenia, como vocês gregos o chamam.

-Isso é conhecimento comum, e nada de extraordinário. Mas o que eu conto a partir de agora não são as memórias de Galerius, o Abutre, mas de Dionysius. Talvez não haja mais de dez pessoas em todo o Império que saibam disso - eu, Camilla, Prestes, Mithras, Lisandro, Helena - o mais seleto círculo interno do Senado. Faça com essa informação o que achar mais proveitoso para nossa causa.

-Nero não era louco. Um tolo, sim, assim como tirano, e diversos outros defeitos naquela mente deplorável, mas não era louco. O que ele fez naquele dia não foi loucura, mas algo movido por uma compulsão inexplicável, tão poderosa que chegou a ultrapassar a força do laço de sangue que Nero, um carniçal, tinha com seu senhor Camilla. A Nero foi ordenado que incendiasse Roma... Foi ordenado por Miguel...

*Uma pausa. Appius organiza as memórias turbulentas roubadas de seu senhor.*

-Camilla descobriu isso entrando na mente do imperador mortal antes de matá-lo, e talvez seja um dos segredos mais bem guardados de Roma, junto com a natureza do próprio Imperador. Este momento, foi de fato a chegada de Prestes ao poder, e ela se deveu quando houve uma certa revolta, cujo principal expoente era Helena, sobre o desaparecimento de Miguel. Foi Prestes quem lhe contou a verdade, e ela foi suficiente para que Helena não mais insistisse no paradeiro de seu colega de Clã, ao mesmo tempo em que se desculpava por suas ações.

*Appius perde sua expressão distante, e volta a encarar Salianna diretamente. Seus olhos pareciam imensamente mais velhos.*

-E há algo mais... Algo realmente secreto, e que eu lhe conto em agradecimento à sua confiança em mim e em nome da nossa recém-nascida aliança. Algo que nem o Imperador sonha. Veja bem, Miguel precisou de ajuda para adentrar em Roma e no palácio de Nero. Alguém que lhe abrisse as portas e conhecesse o caminho...

-Dionysius levou Miguel até Nero para ordenar que este incendiasse Roma.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Sex Maio 04, 2018 8:58 pm
* Salianna permaneceu em silêncio por algum tempo até notar-se boquiaberta. Recompôs-se da forma que conseguiu e ainda sentada no Divã começou a conjecturar*

- Dionysius tramou as chamas em Roma ao lado de Miguel? Appius...isto, isto...

* Ela se levanta*

- Precisamos encontrar a Cria de Arikel. Mi-Ka-iL será um aliado poderoso e decisivo nesta empreitada. Sim...sim...talvez por isto Helena tenha se aliado a Prestes. Vejas, as coisas começam a fazer sentido lógico, quase aritmético. Não é nenhuma surpresa que Helena se alie a Prestes para encerrar uma disputa entre os Clãs da Rosa e do Sangue Azul se o pivô de tudo isso foi Miguel, seu desafeto pessoal.

- Tu sabes da mitológica história acerca de Tróia, não sabes? Bom, o dito é que Miguel auxiliou Menelau na invasão somente para se deleitar com a desgraça de Helena.

- Mas, sabias Miguel da condição de marionete do Imperador? Isto ainda me escapa...e, porque Mithras também envolveu-se com Prestes antes de sua definitiva saída de Roma?

* Ela parece aflita, um tanto confusa*

- São muitas variáveis, muitas possibilidades. Mas Mi-Ka-Il, sim, precisamos dele! Ele é a chave, Appius! Se alguém pode elucidar esse intricado e perigoso jogo é ele!
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Sex Maio 04, 2018 11:06 pm
*Appius acena a cabeça lentamente.*

-Mi-Ka-Il é a chave, e disso não restam dúvidas. Eu tenho um hábito de dizer, nas minhas melhores noites, que estamos diante de um mosaico, mas quanto mais peças encontramos, descobrimos que a imagem incompleta é cada vez maior. Nas piores noites, me vejo diante da Hidra de Lerna... cada cabeça cortada dá origem a duas ainda piores...

-Mi-Ka-Il é provavelmente a peça final, pode nos trazer as últimas respostas necessárias. Oras, poderia até mesmo saber sobre a segunda parte da missiva, se de fato era próximo de Dionysius! Mas ainda assim eu tenho receio... Tais vampiros... Suas motivações e métodos são grandes demais para entendermos; seus jogos muito profundos. Ir de encontro deliberadamente a tal cainita? Não consigo fazer ideia de quais seriam as consequências...

*Ele passa alguns instantes pensando antes de se pronunciar novamente.*

-O senhor de Gayal. Pelo que disseste ele é uma criatura de idade e poder. E embora eu não me adiantaria em definir um membro do Clã dos Moldadores como... amigável, ao menos ele não é um inimigo. Será que ele saberia sobre Miguel e seus interesses?
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Sab Maio 05, 2018 10:54 am
* Canatos, vestindo a pele de Salianna, levanta-se e estende a mão para Appius*

- Venha, descubramos isto juntos.

* Ela sorri. Galerius novamente se vê preso àquele belo e singelo sorriso. Jovial e atraente. Curiosamente usado tão perfeitamente por um cainita originalmente acostumado a um corpo másculo.

Ambos caminham pela Vila, deixando o Átrio e passando próximos ao elefante que repousa tranquilamente no frondoso jardim. Após as termas, há um pequeno templo de adoração aos deuses gregos, Hades, em específico. Adentrando a construção suspensa com pilastras típicas daquela região e descendo por uma escadaria de pedra até o nível inferior, Salianna e Appius chegam à um cômodo de pedra e sem janelas ou outras saídas, iluminado por uma parca luz alaranjada de tochas recobertas por metal.

Ali, apregoada na parede como o ritus da crucificação - uma das maiores punições de Roma a seus transgressores - está o verdadeiro corpo de Salianna. Em seu peito, uma espécie de estaca permanece fincada e do buraco causado por ela pequenas raízes se prolongam, ondulantes e vivas.

Ao lado do corpo, com uma notável mão branca com unhas longas e curvas, o estranho cainita prossegue seus estudos. Usa um manto rubro e seus cabelos são presos acima da testa, tornando sua cabeça pontiaguda. Possui a face de um homem de idade avançada e traços afilados, tais quais os de Gayal.






Ao notar a aproximação de Galerius e Canatos, ele sorri, mantendo a mão sobre o fronte do corpo inerte de Salianna*


- Ah, Lorde Canatos. Os preparativos estão em seu final. Aparentemente o assassino não era assim tão nocivo quanto imaginávamos...perdoe pelos contratempos no Mar, Senhor...

* Ele sorriu e sua boca esticou-se ao limite das orelhas. Canatos o apresentou*

- Este é Damek, o Senhor do Leste. Progenitor de Gayal e meu estimado aliado ao longo dos anos, Appius.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Sab Maio 05, 2018 12:11 pm
*Appius segue Salianna, cada vez mais certo de que a aliança dos dois tinha tudo para ser duradoura e proveitosa. Ao passarem pelo altar, Appius para para prestar homenagem a cada um dos deuses presentes ali, terminando com o altar de Hades, o principal.*

*A cena a seguir, porém, lhe provoca um misto de fascínio de temor. O Membro ali era claramente um erudito, um sábio, e Appius não podia deixar de sentir profunda admiração junto com curiosidade. Ver Salianna, porém, empalada e crucificada ao mesmo tempo em que se encontrava ao seu lado era inegavelmente perturbador. Ele cumprimenta o senhor de Gayal com uma inclinação da cabeça antes de responder.*


-Galerius, Senhor do Leste. Appius Galerius Buteo. Foi deveras afortunado que eu vim à Tessalônica com um desejo de respostas no coração, não de morte. E que seu bom amigo Canatos sabia que não devia levar a sério uma missiva imperial. Sinto que muito de produtivo virá dessa combinação de eventos.

*Ele abana uma mão de forma frugal, como que para fazer desaparecer algo trivial.*

-A tempestade foi ao mesmo tempo um mero contratempo e uma demonstração fascinante de poder, não se incomode com isso, por favor. Porém, nós temos um motivo diferente para lhe incomodar em seus estudos. Algo que exige a atenção de um Membro com mais idade do que nós dois somados. Ao compararmos conhecimento em comum, Canatos e eu concordamos que há uma figura que possa se mostrar crucial para a queda de Roma e todos nossos esforços futuros, e é nossa esperança que o Senhor do Leste o conheça, ou ao menos possa nos informar sobre ele. Mi-Ka-Il, cria de Arikel.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Sab Maio 05, 2018 8:16 pm
* Damek deu dois passos à frente. Foram somente dois? E estava ao lado esquerdo de Appius, perfilado, quase sussurrando em seu ouvido*

- Mi-Ka-Il?

- Ora, ora, ora...


* Ele caminhou novamente, dessa vez vagaroso, quase como um idoso caquético pela sala.*

- O louco? sim...mas não somos todos? Miguel é o excesso encarnado. A luxúria de todo o clã da rosa em um único e triste ser. Ele foi um escravo sexual, sabias, Galerius? Detalhes...

- Mas sinto não poder auxiliar tanto nesta empreitada, é de meu conhecimento somente que a cria mais desequilibrada de Arikel desapareceu e que, em seu desaparecimento, abriu brechas para as tensões entre Toreador e Ventrue. Estas últimas que foram aplacadas pelo assim denominado Juno Prestes...Porque acreditam que Miguel seria crucial contra Roma?


* Ele olha em direção ao corpo de Salianna e ergue um dos alongados dedos terminados em unhas pontiagudas*

- Hmmm...está quase pronta.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Sab Maio 05, 2018 8:38 pm
*A presença de Damek ao seu lado faz surgir um calafrio que Appius já julgava estar extinto em sua carne morta. Esses vampiros antigos... Estava mais e mais convencido que lidar com eles era um jogo perigoso. Ouvir sobre Miguel, e sua instabilidade, apenas reforça essa certeza. Mas ainda assim, ele precisava falar.*

-Mi-Ka-Il foi o instigador e grande responsável pelo Grande Incêndio de Roma, com o auxílio de meu finado senhor. Desconfiamos que encontrá-lo sanaria muitas dúvidas, talvez até sobre a segunda parte da missiva, tão crucial aos nossos planos.

-Ou, por outro lado, talvez a resposta esteja em minha própria mente.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Seg Maio 07, 2018 7:34 pm
* Canatos, com a aparência de Salianna que jaz apregoada na parede, inclinou a cabeça positivamente antes de complementar*

- Sim Lorde Damek. Este que vos fala é cria de Dionysius e...

* Há um embargo na voz de Canatos*

-...foi ele o responsável, embora não tenha tido escolha, pela Diablerie do mesmo.

* Damek muda a expressão sorridente para concentrado. Ele fita os olhos de Appius como uma serpente a preparar o bote. Balançava lentamente a cabeça de um lado a outro*

- Talvez consigamos muito mais informações esta noite.

* Seu olhar era inquietante, assustador até*

- Diga-me, Senhor Appius, permitirás que eu desbloqueie todas as lembranças que a existência de Dionysius impregnou às suas próprias? Posso fazê-lo. Não será agradável, devo adverti-lo.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Seg Maio 07, 2018 7:57 pm
*Appius sente a dor de Canatos quando fala da morte de seu senhor na própria carne. A atenção de Damek voltada contra si era algo apavorante pois afinal, se um Tzimisce afirmou, em alto e bom som que o processo não seria agradável, o que poderia ele esperar?*

*Ele poderia recusar. Ir para algum canto longínquo do Império, talvez viver em Erciyes com seus companheiros de Clã, uma existência dedicada ao conhecimento e contemplação. É o que Dionysius gostaria, não? De tal vida para si próprio, ou para sua cria.*

*Mas a Dionysius nunca foi dada uma escolha. Pelo contrário, ele sacrificara séculos de sua existência por Appius. E a dor na voz de Canatos só o lembrou desse sacrifício.*


-Eu temo, e muito, o desconforto de que falas, senhor Damek. Mas a morte de Dionysius é um fardo que ainda um peso grande nos meus ombros - e sem sombra de dúvidas a maior fonte de angústia foi o prazer que obtive de seu sangue. Talvez... talvez passar por essa experiência remova o que senti de bom com a morte de meu senhor, e ao me lembrar apenas de dor e sofrimento quando pensar em sua morte, eu finalmente possa encontrar espaço no coração para me perdoar do crime hediondo que cometi.

*Ele para um momento, buscando forças para continuar.*

-Faça-o, Senhor do Leste. É necessário, e por diversos motivos.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Dom Maio 13, 2018 8:37 pm
* Damek aproximou-se com um sorriso que variava se natural a diabólico aos olhos de Appius. Aquela criatura parecia se regojizar ao empregar suas habilidades. E isso era suficiente para que Galerius temesse, ainda mais, pelo que viria.

Foram os dedos longos e brancos que primeiro lhe tocaram a face, arrastando-a para próxima de seu exótico rosto. Os olhos do Senhor do Leste fitaram os de Appius por somente um instante e o Capadócius perdeu a visão de seu entorno e o que lhe prendia a realidade. Era agora um passivo espectador de suas memórias. As via de cima, como um pássaro a sobrevoar os acontecimentos.

Dionysius estava sentado em um Divã púrpura, com uma taça em mãos. À sua frente estava - sem qualquer exagero - o homem mais belo que Appius já viu em sua não-vida. Nem mesmo a presença incomensurável do Imperador ou os traços perfeitos e quase femininos de Juno Prestes se assemelhavam aos daquele homem.

Alto, com o corpo torneado e esculpido em perfeição de formas. O rosto seria a figura de Afrodite, se másculo fosse. Olhos que variavam de verdes a azuis a depender a luz do local e cabelos dourados em cachos a lhe circundar a cabeça. Diante de Dionysius estava Mi-Ka-Il.

Appius jamais o vira mas sabia, enquanto espectador, que se tratava de Miguel. O diálogo não era audível, mas Appius também sabia que ali eles discutiram a melhor forma de adentrar em Roma e queimá-la para expurgar a praga infernalista que a tomou.

A visão escurece-se e novamente Appius se vê sobrevoando algo. Era um templo notadamente grego. Grandes pilastras mantinham um teto piramidal erguido e esculturas de homens com espadas e escudos ornamentavam sua entrada. No interior deste, um homem recebe uma missiva.

Ele era forte, com o corpo largo e protuberante, possuía cabelos escuros e uma barba negra a lhe contornar a face. Usava nada mais que um tecido vermelho sobre o ombro e parcas partes de uma armadura. Havia um elmo dourado que repousava a seu lado. Quando os dedos daquele homem abriram a missiva, embora sua visão do alto não pudesse dar conta, Appius sabia que se tratava da segunda parte do pergaminho enviado por Dionysius.

Sabia, também, que aquele homem era Menelau de Esparta. Um lendário Brujah grego que marchou contra Tróia em busca de Helena, a Toreador e sua amada eterna, que havia se entregado a um amor proibido. A lendas que permeavam a visão daquele homem transcorriam como a leitura de um papiro na mente vagante de Appius.

Por fim, o conteúdo da segunda missiva começa a lhe ser revelado em letras espaçadas quando as chamas tomam conta de sua mente.

Appius desperta e nota Damek com uma das mãos na própria cabeça, gritando e  sofrendo em agonia. Ele se debate por alguns minutos e torna-se, como se precisasse respirar, ofegante*


- Ahhggh...malditos!...malditos!...Fizeram algo com o sangue de Dionysius...barreiras, algo impede que eu me aprofunde em suas memórias Appius. Não consegui vê-las, absolutamente nada além da escuridão de um pensamento vazio.

* Galerius retorna a si, com as imagens vívidas do que presenciou, embora aparentemente O Senhor do Leste não tenha visto o que o Capadócio viu.*
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

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