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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Ter Maio 29, 2018 9:38 am
*Salianna e Dazbov pareciam ter atingido um entendimento, algo próprio de sua família, o que era bom. Mesmo com a confusão de Dazbov sobre a revelação, a tensão do ambiente diminui consideravelmente, e Appius mais uma vez tem um sorriso fino nos lábios.*

-Deveras. Não tenho dúvidas de que possui muitas perguntas, e Salianna as pode responder melhor do que eu, mas digo aqui que posso confirmar tudo o que ela diz.

-Chega a ser engraçada, nossa situação, pois de certa forma vivemos como cristãos. Canatos vive o milagre da ressurreição, enquanto Dionysius, ainda que tenha encontrado sua Morte Final, ainda vive em mim através da comunhão pelo sangue. E tal ressurreição só pode ser traduzida com uma coisa: novas oportunidades.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Ter Maio 29, 2018 10:21 am
Dázbov encarou rapidamente Appius. O Conselho o havia dito que Dionysius havia sido presa de sua própria cria. Dázbov tinha escolhido de mencionar Dionysius sem mencionar seu conhecimento sobre Appius. Agora, que Canatos tinha se revelado, as coisas mudavam de figura. Dázbov ainda estava confuso com a revelação, mas reconhecia o Abismo nos olhos de Salianna/Canatos. E, portanto, confiava nele. E se Canatos confiava em Appius, Dázbov intuía que algo deveria existir que explicaria a destruição de Dionysius. No final das contas, as palavras de Appius não pareciam carregar ódio pelo seu falecido Senhor. Pelo contrário.

O Deus de Ai-Pétri, que era muito menos isto nas noites atuais, se levantou. Sem pedir permissão e sem nenhuma cerimônia, abraçou Salianna/Canatos. Foi breve, mas transmitiu, o máximo que podia, seu apoio.

- Eu o reconheço, irmão meu.

Cumprimentou uma outra vez Appius, com um meneio de cabeça. Sentou-se novamente e tomou a palavra.

- Minha presença aqui é para trazer muitas notícias, Canatos. Fora de Roma se forma uma oposição. Uma comandada por mim, que deverei entrar em Roma nos próximos dias, assumindo o cargo de Senador. Outra, de natureza mais militar, é liderada por aliados no Norte. Tudo isso devemos discutir, pois é a vontade do Clã da Noite que Roma, a besta que devora os próprios filhos, cesse de existir.

Olhou para Appius.

- Contudo, existe um assunto mais urgente que diz respeito, exatamente, ao falecido Senador Dionysius. O Conselho das Sombras está ciente do que o Senador sabia, dos segredos que guardava e que causaram sua Morte Final. Dionysius, ciente da traição que ocorre no interior do Império e consciente dos responsáveis, os incriminou em uma de suas missivas. Parte dela repousa em mãos de confiança. Outra parte é de paradeiro desconhecido. Lhe pergunto, Appius Galerius, tens algum conhecimento sobre este documento? Pode ser que seja a chave de que precisamos, digo, aqueles que se opõem ao Império.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Ter Maio 29, 2018 12:57 pm
*Appius junta as pontas dos dedos enquanto observa Dázbov. Felizmente, o Lasombra parecia ser quem afirmava, um reforço inesperado, mas bem-vindo.*

-O que você fala condiz com que Salianna me informou há algumas horas. Há alguns pontos que precisamos esclarecer, mas por ora, o mais importante é deixar algumas coisas claras.

-Dionysius de fato descobriu verdades horríveis sobre o coração do Império, e juntou as provas necessárias em uma missiva de duas partes, sendo a primeira confiada à sua família. Sua Morte Final, porém, precisa ser explicada: o Imperador e seu conselheiro Prestes descobriram suas reais intenções, e por isso o aprisionaram. Foi neste contexto que fui procurado pelo Imperador; eu era a cria mais velha do Senador na cidade Imperial, e para tanto uma prova de lealdade se fazia necessária... E tal prova foi cometer o Amaranto em meu senhor, às vistas de Prestes e do Imperador. Eu poderia ter me recusado, e ser destruído ali, ou acatar as ordens e tentar manter vivo o legado de meu senhor, embora até esta noite não saiba dizer qual decisão teria sido mais acertada. Em verdade, estou aqui esta noite porque aqui fui enviado pelo Império. Sabe-se na capital que Canatos e Dionysius se correspondiam, e me foi ordenado que descobrisse a extensão da relação entre os dois. Exceto que era uma finta, o Império tentou manipular tanto a mim quanto a Canatos: se eu voltar à capital bem-sucedido, ocuparei a cadeira de meu senhor no Senado Eterno; e se Canatos entregar minhas cinzas à Roma, recebe um perdão imperial.

*Ele ri.*

-Como pode imaginar, eu seu parente nos demos esplendidamente bem. Canatos tomou para si a face de Salianna, governadora de Neapolis, e eu levarei para Roma as cinzas do governador da Macedônia. Isso nos dará uma certa margem de ação. O que me leva a dois outros pontos.

*O Capadócio começa a enumerar com os dedos.*

-O primeiro é seu maior interesse aqui: infelizmente, não fazia ideia de onde se localizava a segunda parte da missiva, item tão crucial. Felizmente, obtive... ajuda para explorar melhor as memórias contidas no sangue de Dionysius, e consegui um nome: Menelau de Esparta. Helena está no Senado Eterno, e é um dos sustentáculos do Império, o que, por lógica, faz com que Menelau faça, por definição, oposição ao mesmo Império.

-O segundo é uma consequência interessante de sua vinda aqui. Diz que assumirá uma cadeira no Senado Eterno, assim como eu. Pois bem... Eu proponho que sejamos inimigos. Para todos os interessados, eu serei um filho fiel do Império, ainda amargurado pela forma como o Senhor foi corrompido pelo Clã da Noite. Minha desconfiança, não, hostilidade aberta a qualquer um dessa família precisa ser pública e notória, e se for necessário nos comunicarmos de forma sincera, há... maneiras de se fazer isso pelo sangue.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Ter Maio 29, 2018 1:25 pm
Dázbov ouviu cada palavra do homem diante dele. Seus olhos se mantiveram imóveis, sustentando o olhar de Appius. Ouviu, sem expressar nenhum sentimento, a história sobre o Amarando de Dionysius. Fato é que não tinha, até agora, grandes razões para desconfiar do Capadócio e pesava em favor dele a relação com Canatos. E Dázbov confiava no julgamento de Boukephos e no Conselho das Sombras. Não tinha outras opções plausíveis, que não avançar em direção de uma aliança com o Capadócio.

- Eu não o julgo, Appius Galerius. Aliás, sinto muito pelo que você foi obrigado a passar. O vínculo entre cria e criador, porém, supera as barreiras da Morte Final.

Dázbov recordou-se, rapidamente, de que o sangue de Borghav corria duplamente em suas veias.

Olhou para Salianna antes de retornar a Appius.

- A situação se mostra mais complicada. Vou-lhe ser direto e sincero, Appius Galerius, pois não tenho razões para desconfiar de ti. A metade do pergaminho entregue ao meu clã está sob meu poder, aqui mesmo nesta sala.

Dázbov retira o pergaminho de dentro das vestes, estendendo-o a Appius. Em seguida, enquanto o Capadócio lê, continua.

- Se a missiva pode estar em posse de Menelau de Esparta é para lá que seguiremos. Devo lhes alertar que a minha identidade é conhecida nos círculos imperiais, por imprudência nosso Conclave na cidade de Meca foi infiltrado pela Governadora Provincial do Egito, a Setita Ta-Urt. De modo que precisaremos proceder com celeridade, antes que o Império intua ou descubra sobre a existência desta missiva, e sobre sua localização. A minha posição como Senador é a posição do Clã Lasombra, logo eu entrarei no Senado como um notório inimigo de Roma. É o que me cabe. De forma que será inevitável que sejamos inimigos.

Dázbov sorriu para Appius, um sorriso estranho, quase mecânico.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Ter Maio 29, 2018 2:09 pm
* Salianna pareceu reconfortar-se no abraço de seu familiar consanguíneo e enxugou a lágrima já ressequida em sua face. Este não era somente um gesto físico, sua altivez retornava e seus olhos verdes ganhavam uma escuridão bastante familiar para Dázbov. Após o diálogo entre Appius e o cainita de Ai-Petri, ela continuou*

- Perdoe minha fraqueza, irmão meu. É incomensuravelmente difícil deixar aquilo que fui para trás. Eu fui Canatos, cria de Boukephos, progênie do Primeiro de Nós, Clã da Noite. Deixar minha face, meus modos, minha voz e tudo o que construí é como negar a pertença a família de meu Senhor e nada poderia me doer tão forte. Nem mesmo a morte final, de forma verdadeira.

- Conforme Appius explicitou, Canatos foi destruído. Ao menos minha aparência e qualquer rastro de existência assim o foram. Através de um aliado minha carne e mesmo meus modos foram adaptados a imitar os da Governadora provincial de Nápoles, Salianna, que será destruída em breve e através de meios místicos, as cinzas dela serão as cinzas de Canatos a serem entregues por Appius Galerius Buteo aos que governam Roma.

- Assim, a traição de Canatos terá sido aplacada e eu poderei continuar a auxiliar meu clã - e, como suas palavras indicaram - a aliança formada para destruir este corrompido Império.


- Ambos, Appius e Dázbov, terão um porto seguro em Nápoles a partir desta noite. Pois assumirei o cargo pertencente a este corpo e de lá os auxiliarei da forma que puder. Este intricado plano, Dázbov, me obrigou a negar visitar meu pai e meus irmãos, mas tenho plena convicção de que serei mais útil morto, enquanto Canatos, e vivo sob a pele de Salianna.

- Deves ter visto a pobreza a cobrir as terras que governei enquanto Canatos. O Império, ao descobrir minha aliança com o Criador de Appius, cessou o envio de grãos e diminuiu  o comércio que tornava próspero este Porto Tessalônico. Agora, como Salianna e tendo ajudado Appius a aplacar a ameaça de Canatos, irei requerer estas terras e trarei a paz e a prosperidade para o meu povo. Mesmo que isso tenha me custado muito.


* Ela faz uma pausa, havia decisão naquele belo e jovial olhar*

- Há um detalhe a mais que ambos podem ajudar um ao outro. Menelau é conhecido por sua agressividade e se Dionysius conseguiu convencê-lo a agir foi por conta de sua complexa relação para com Helena. Ir até ele é atiçar uma grande fera. Deverão ser cautelosos e acredito que as habilidades de Dázbov, de atravessar grandes distâncias, será um auxílio formidável. Tanto para a celeridade da ação quando para uma fuga...

-...Se necessário for.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Qui Maio 31, 2018 12:11 pm
*Ao saber que Dázbov possuía o poder de se transportar por grandes distâncias, Appius observa o Lasombra com um interesse renovado. Essa nova chegada poderia trazer benefícios consideráveis aos seus planos.*

-Você pode se transportar por grandes distâncias? Isso é fascinante, e, mais importante, extremamente útil. Antes que aparecesse, eu temia ter de voltar à Roma, apresentar as cinzas de Canatos, para então voltar à Grécia atrás de Menelau, uma janela de tempo que abriria espaço para todo tipo de contratempo. Mas se seus dons o permitem ir aonde quiser num piscar de olhos, bem, de repente temos todo o tempo do mundo.

-Agora nos é possível ir até Esparta, buscar o que procuramos e voltar a Roma sem maiores problemas, para enfim ingressarmos em nosso teatro.

*Ele se reclina em um divã, e passa uns segundos observando tanto Dázbov quanto Salianna.*

-Porém, você tem um problema mais grave: uma Senadora de Roma sabe, com todas as letras, suas reais intenções e aparência. Bem... imagino que mudar a aparência seja o melhor curso de ação nessas horas, afinal, Salianna fez o mesmo, não? E me atrevo a dizer que seria ainda mais fácil com você, pois uma mera mudança na cor da pele e cabelo já bastariam para lhe transformar em um homem diferente. Então, meus caros, o que pensam?
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Qui Maio 31, 2018 12:47 pm
Dázbov ouviu com cuidado Salianna e Appius. Havia colocado as suas cartas na mesa e, felizmente, havia encontrado cainitas que tinham tantos motivos quanto ele, senão mais, para odiar a máquina imperial. Compadeceu-se de Canatos e das dificuldades que tinha enfrentado até agora. Era duro deixar para trás uma identidade de tantos séculos, como Dázbov imaginava que descobriria muito em breve.

- Agradeço a oferta de santuário, Senhora Salianna. - Dázbov sorriu, precisava acostumar-se a chamar Canatos assim - Não conheço Menelau de Esparta ou sua história mas, considerando suas recomendações, tentarei manter um certo grau de atenção nas minhas palavras. Esperemos que seja o suficiente. Se não for, bem, escaparemos rapidamente.

Olhou para Appius. O Capadócio lhe parecia uma mistura, em partes iguais, de sabedoria e astúcia. Seria, efetivamente, uma boa companhia de viagem.

- Eu quero que tu mantenhas o pergaminho em teu poder, Appius Galerius. Foi escrito pelo teu Senhor, é uma parte dele, é a culminação de tudo pelo que ele lutou. Ele gostaria que estivesse em suas mãos, imagino. E não, eu não me teleporto, é um pouco mais complicado do que isso, mas terei prazer em te explicar os conceitos por trás do meu sistema de viagens. Teremos, como disse, todo o tempo do mundo, embora o tempo nunca seja o bastante. Um recurso escasso, realmente.

Dázbov respondia mas, ao mesmo tempo, ponderava sobre a sugestão de Appius. De fato, o Deus de Ai-Pétri era facilmente reconhecível. Além disto, havia jurado aos seus seguidores, e isto tinha mais que um valor simbólico, que Dázbov de Ai-Pétri jamais pisaria em Roma. Além disto, estava se tornando cada vez mais Aulus Otavius. Sorria e demonstrava empatia. Sim, era hora de mudar.

- Se Appius conhecer alguém com as capacidades adequadas para realizar a minha mudança de aparência, que assim seja. Afinal de contas, outra identidade já tenho. Chamem-me Aulus Otavius, Senador de Roma pelo Clã Lasombra.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Qui Maio 31, 2018 10:50 pm
*Appius olha para Dázbov, não, Otavius, com uma expressão diferente, quase sentimental. Havia visto o pergaminho sim, nas memórias de Dionysius, mas nunca pessoalmente. Os dois pedaços de velino que custaram a existência de seu senhor, e que poderiam, se empregados corretamente, por o Império mais poderoso já visto abaixo.*

-Eu lhe agradeço pela oferta, Aulus Otavius, agradeço com toda sinceridade. Essa missiva tem assombrado meus pensamentos pelos últimos meses, e será um conforto finalmente tê-la em mãos.

-Mas eu preciso recusar, infelizmente, ao menos por ora. A destruição de meu Senhor, e até mesmo algumas... experiências aqui na Tessalônica me mostraram que tenho poucas opções para uma fuga rápida, caso se mostre necessária. Se o pior acontecer, prefiro pensar que você tem melhores condições de se evadir - e com isso, de preservar a mensagem.

-Sobre Menelau, o conheço apenas por reputação, e ainda assim pouco, mas acredito que seja o suficiente. Ele é uma criatura de paixão e orgulho. Seu ódio, amor, talvez todas suas ações, giram apenas em volta de um nome: Helena, a amante que o rejeitou, Senadora de Roma e talvez um dos maiores sustentáculos do Império nessas noites.

*Ele não pode deixar de sorrir diante do comentário do Lasombra, ou talvez por um pensamento que lhe ocorrera, e cruza os dedos antes de falar.*

-Hm, eu de fato conheço, embora deva dizer que é apenas pela graça da governadora Salianna. Deveras, é uma benção que tenha conhecido vocês dois esta noite, pois assim não corro riscos de chamá-los por outros nomes. E, se me permite, Aulus Otavius é um nome mais... adequado à minha língua do que Dázbov.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Sab Jun 02, 2018 7:22 am
* Salianna recobrava a altivez típica de seus dias como Canatos. Ela sorriu, enfim, revelando aquele sorriso perfeito e deslumbrante.*

- O artesão da carne mais apto de nosso tempo está aqui, Aulus Otavius, e creio que não será um incômodo para ele realizar as mudanças necessárias em vossa aparência. Concordo que isto é de máxima urgência, visto a situação explicitada por vós durante o conclave e a situação atual de nosso clã junto ao Império. Temo, porém, que isto só poderá ser feito na próxima noite.

- Afinal, o Senhor do Leste está exausto após tentar burlar algumas proteções nas memórias de Appius Galerius.


* Appius nota que Salianna - Canatos - fala abertamente com Dázbov sobre os assuntos ocorridos nesta noite. Trata-o como um igual ao ponto de desconsiderar se Galerius deseja ou não manter algo em sigilo. Para o Capadócio, é nítido que entre Salianna e o recém-chegado há um vínculo muito maior, quase palpável no ar, do que com ele a dispor das palavras trocadas ainda mais cedo naquela sala. Era, ainda mais notável, que não se tratava somente do sangue, da linhagem. Além disso,  era respeito. Ela o via, exatamente, como um igual. Appius não sentia o mesmo da Governadora em relação a si próprio.*

- Devo lhe advertir, Otavius, sobre um de nós que permanece em Roma.

* O semblante belo e sedutor da jovial dama se vai*

- Plínio, o Senador. Aquele calhorda deu as costas à família e tornou-se uma voz e um braço forte do Império. Tenhas muito cuidado, a astúcia e capacidade de influenciar as forças imperiais daquele cainita são lendárias em Roma e fora dela.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Dom Jun 03, 2018 8:14 am
Dázbov ouviu as palavras de Appius, respondendo em seguida:

- Muito bem, Appius Galerius. Manterei a missiva comigo pelo tempo em que durarem os nossos contratempos.

O Deus de Ai-Pétri escutou também Salianna. Diante da menção ao "Senhor do Leste", Dázbov não pode deixar de sorrir.

- Imagino que a Senhora Salianna esteja se referindo a Damek. Será um prazer reencontrá-lo, estivemos juntos noites atrás na cidade de Meca. Não se preocupe quanto ao tempo, imagino que todos nós podemos descansar durante o dia e proceder às ações necessárias amanhã à noite. Quanto a Plínio eu terei em mente o teu aviso e as tuas considerações. Agradeço pela preocupação.

*Se nada mais for dito Dázbov solicitará a Salianna um local no qual possa passar o dia e depois se retirará para uma breve Caçada, retornado posteriormente para descansar.*
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Seg Jun 04, 2018 7:50 am
* Salianna sorri ao responder o seu irmão consanguíneo*

- Vejo que já estão familiarizados. Ótimo, ótimo. O Senhor Damek é um aliado de valor inestimável na luta contra Roma, ele representa os de sua família e o auxílio deles será cada vez mais importante nas noites que virão. Bons auspícius trazem Otavius, o que fala pelos Lasombra, novamente ao encontro de Damek, a Voz dos Tzimisces.

*Conversas triviais se seguem e Salianna lhes mostra, à Appius e Dázbov, os seus aposentos para que descansem até a próxima noite. Ela disponibiliza, também, parte de seu rebanho para que os cainitas possam se alimentar. São homens e mulheres em sua maioria de pele corada e cabelos escuros, belos e exóticos. Estão um pouco magros, mas ainda sim não se comparam aos miseráveis em quase pele e osso nas ruas. E foi esta, exatamente, a justificativa dada por Salianna para que os convidados se alimentassem de seus servos pois, àqueles nas ruas estavam fracos demais e possivelmente carregavam pragas das mais diversas.

A noite se encerra com os vampiros repousando em aposentos sem janelas e com uma única entrada, situados na parte de trás da Vila, longe dos olhos curiosos. Quando a próxima noite chega, Appius e Dázbov despertam de seu sono diurno - cada um em seu próprio e confortável aposento - e se dirigem ao Átrio. Lá, encontram a sorridente Salianna junto ao seu aliado.

O homem é facilmente reconhecível por Dázbov. Um idoso com cabelos longos presos acima da cabeça, uma alongada testa e um manto vermelho a lhe cobrir todo o corpo. Damek, o Senhor do Leste. Ele cumprimenta Galerius com um sorriso que pareceu estar fora do lugar, muito próximo do nariz e longe do queixo*


- Ah, Senhor Appius. Espero que tenhas recobrado a altivez como eu o fiz durante meu sono. Em meus pensamentos inquietos, notei algo interessante sobre as proteções em sua mente. Conversaremos em seguida.

* O Tzimisce aproximou-se de Dázbov, sorrindo. Sua voz era um tanto rouca, mas suave, como a de pessoas idosas que parecem possuir toda a calma da existência*

- Dázbov, que alegria revê-lo. Fui informado dos infortúnios causados por aquela Serpente nas areias de Mecca. Enganou a todos, devo admitir.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Ter Jun 05, 2018 9:13 am
*Appius tinha sede, e precisa travar uma luta severa com sua Besta para não drenar todo o sangue daqueles que lhe foram oferecidos, e é apenas se concentrando em sua fé, e pedindo ajuda aos deuses que consegue. Ao menos, sua sede já não era mais tão intensa, e seus pensamentos mais claros. Na noite seguinte, ele saúda amigavelmente todos os presentes e responde a Damek.*

-Senhor do Leste, me agrada que esteja melhor, assim como fico ansioso para ouvir suas novas descobertas.

*Ele, porém, não pode deixar de notar a conversa entre Damek e Otavius. Quem poderia ser a Serpente de quem falavam?*
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Qui Jun 07, 2018 4:49 am
Dázbov bebe profusamente, embora divida sua atenção entre os diversos mortais presentes. Sente-se renovado quando a Vitae adentra o seus sistema, clareando seus sentidos e renovando a sua imortalidade. Quando termina, agradece à Salianna, direcionando olhares de agradecimento também aos mortais. Recolhe-se ao descanso.

Não se surpreende ao encontrar Damek na noite seguinte. Não dispunha de grandes simpatias pelo Senhor do Leste, mas reconhecia nela um aliado importante e um cainita extremamente capaz.

- É uma honra reencontrá-lo, Senhor do Leste. Sim, os contratempos com Ta-Urt foram inesperados, mas resolvidos com alguma presteza. Neste momento estamos procurando soluções mais permanentes para o problema que ela representa.

Dázbov segue diretamente ao ponto. Tinham pouquíssimo tempo.

- Em conversa com Appius e Salianna, os revelei sobre a minha entrada em Roma, como Senador, que acontecerá nas próximas noites. Appius me sugeriu que a minha aparência fosse mudada, de forma a proteger nossos planos da atenção daqueles que já conhecem Dázbov e suas intenções. Portanto, é providencial que o senhor esteja entre nós. As habilidades de sua Família são lendárias e bastante específicas. Me pergunto se o Senhor do Leste poderia me ajudar.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Sex Jun 08, 2018 8:04 am
* Damek dirige um olhar à Salianna, que assente positivamente.*

- Sigam-me, Dázbov de Ai-Petri e Appius de Roma.

* Disse o Senhor do Leste enquanto atravessou uma cortina de seda amarela que separava o átrio do corredor. Caminharam, Appius, Dázbov e Salianna, por algum tempo passando por outros salões menores e portas diversas, até que chegassem à um cômodo particularmente diferente.

Nele não havia nenhuma decoração, escultura ou móveis. Havia apenas uma mesa de pedra escura, perfeita, sem qualquer fissura, colocada exatamente no centro do local. Havia, ainda, uma série de lâminas dispostas acima da mesa. De tão pequenas quanto um dedo humano à grandes e curvas, como uma cimitarra, mas com uma espessura muito maior e o fio serrilhado.


Damek voltou-se à Dázbov e inclinou o corpo em uma reverência*

- Admiro a coragem daqueles que abrem mão de sua condição estática em prol da mudança. Da sempre necessária mudança.

* Em seguida ele indica para que o Lasombra deite-se na mesa que, estranhamente, não exala cheiro algum. Nem mesmo de pedra, do que aparenta ser feita*

- Deite-se, meu caro, começaremos o procedimento. Possui alguma preferência? Descreva-me as características que busca e eu me esforçarei para alcançá-las. Advirto que, quanto maior a mudança, maiores são os...incômodos do processo.

* Ele sorri, de orelha a orelha, em literalidade de palavras. Neste momento foi possível ver Salianna engolir a seco. Em seguida, Damek dirigiu-se à Appius*

- Acompanhe o procedimento, Senhor Galerius. Aproveitaremos as horas destinadas a este para que discutamos uma possibilidade interessante sobre o que o fizeram realizar ao diablerizar Dionysius.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Dom Jun 10, 2018 7:13 am
Dázbov retribuiu o cumprimento de Damek. Tinha, sim, uma face em mente. Em vida, havia sido um caçador e um agricultor e, portanto, havia sido agraciado com um físico invejável. Não desejava mudar aquele aspecto. Sua imponência o agradava e tornava mais fácil lidar com aqueles abaixo de si, algo que Aulus faria com uma certa frequência. No entanto, sua principal característica deveria desaparecer. Dázbov era albino. Sua pele extremamente branca era inconfundível, assim como seus olhos azuis escuros. Começou a formar na sua mente a imagem que desejava.

E então se deu conta. Dázbov desapareceria para dar lugar a Aulus Otavius. Aquele momento era uma despedida.

Então, chorou. Silenciosamente. Em séculos não o havia feito. A última vez tinha sido após consumir o Sangue do Coração de Borghav, seu Senhor. Dázbov chorou e não enxugou as lágrimas. Dázbov havia permitido àquele jovem cainita sobreviver. Dázbov havia sido generoso e temível, grande e magnânimo, cheio de falhas e de medos. Dázbov se esvaia através daquelas lágrimas. Não sabia se algum dia retornaria. O Deus de Ai-Pétri viveria, contudo, para sempre.

Nas últimas noites, Aulus Otavius surgia com cada vez mais força. Sorria muito, era charmoso e irônico. Dispunha da mesma empatia de Dázbov, mas estava disposto a exercitá-la com mais atenção. Aulus Otavius era galante, de personalidade intensa. Era um excelente estrategista, ótimo negociador e um diplomata de talento. Aulus Otavius era de origem Ibérica, tendo sido trazido à não vida há séculos atrás. Teria existido, Aulus Otavius? Existiria realmente, suplantando Dázbov, O Branco?

O cainita sem nome se deitou na mesa. Com delicadeza, enviou à Damek a imagem mental de Aulus. Menos alto de Dázbov, fisicamente mais impressionante, cabelos escuros, olhos escuros, sobrancelha grossa, masculina. Nariz fino, equilibrado. Barba por fazer. Era encantador, o que se tornaria. Naquela mesa de pedra sem cheiro, Dázbov se foi. O cainita sem nome o viu flutuar acima de si, despedir-se e adentrar a profundidade do Abismo. Uma última lágrima escorreu.

Sorriu. Estava pronto.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Dom Jun 10, 2018 1:40 pm
*Appius os acompanha até o "estúdio" de Damek e observa com completa atenção. Os Capadócios eram os mestres da morte, sim, mas não havia ninguém em toda a criação que dominava a matéria como os Demônios do Leste. Observar Damek trabalhar seria uma lição por si só.*

*O que ele tinha para dizer a si, porém, era mais digno de nota. E preocupante.*


-Hm... Eu mesmo me pergunto, não pela primeira vez, por que me foi ordenado o Amaranto de meu senhor. A resposta mais lógica seria que foi para se livrarem de pontas soltas. Comigo destruíndo Dionysius e Canatos me destruindo, resoveria-se num movimento todo o... problema Capadócio. Mas a experiência de ontem me fez pensar em algo a mais. Algum tipo de feitiçaria usada no sangue de Dionysius, mas para que fim?
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Ter Jun 26, 2018 5:52 am
Renascer.

Não foi assim ao deixar o sopro da vida para se tornar o Deus de Ai-Petri? Não foi assim, ainda que em âmbito comportamental, ao deixar a montanha gelada para assumir o pesado manto escuro da voz do Clã da Noite?

Renascer. Havia aprendido nas últimas noites que mesmo aqueles que dispõem de toda a eternidade precisam se reinventar, reajustar e se realocar ocupando espaços necessários no mundo. Deixou, enfim, Dázbov na memória daqueles que o veneraram, respeitaram e, também, dos que o odiaram.

O processo era curioso, embora incômodo. Damek, o Senhor do Leste, cortava a superficialidade de sua pele com uma lâmina óssea muito pequena e fina, não maior que um dedo humano. O Lasombra não sentia dor, não havia qualquer indício de que estava sendo "aberto" para além de da sensação de toque e, por vezes, frio.

Appius observava o artesão da carne em operação. Era impressionante, de fato. A pele das pernas, tronco e braços de Dázbov foram abertas com um talho vertical nos membros e horizontal no torso. Damek as levantou e as abriu como as asas de um pássaro em pleno voo. Era possível ver, agora, os músculos avermelhados e fibrosos ganharem forma sobre os ossos firmes e largos daquele homem. A partir dali, as mãos do Senhor do Leste parecia massageá-lo e, ao seu toque, o corpo mudava.

As pernas encurtaram, os músculos se retesaram e diminuíram, tornando-se mais compactos e menores, embora ainda definidos. Aquele processo não era ligeiro. Passaram-se longos minutos, talvez horas, nas quais o Senhor do Leste esculpia o corpo daquele cainita cuidadosamente, com esmero como um artista faria a uma estátua de mármore ou pedra cinzenta.

Dázbov, ou o que restou dele, sentia os trancos das mudanças internas em seu corpo. O toque frio das mãos de Damek, as fibras musculares se contraírem. Sentia o todo, apenas não sentia dor.

Enquanto continuava o procedimento, o Tzimisce se dirigia à Appius


- Pensei, por algum tempo, como vós. Talvez fosse apenas crueldade por parte daqueles que o fizeram devorar teu Criador. Um prazer cretino no ato. Fui tolo. Obviamente eles pretendiam mais.

- Percebas, meu caro Galerius, que as barreiras impostas em tuas memórias foram feitas para que as lembranças de Dionysius não pudessem ser acessadas por outros e nem mesmo percebidas por você. Mas, se fosse somente esta a intenção, bastava tê-lo destruído ao invés de oferecê-lo como alimento para sua cria.

- Então, me dei conta de algo. Estamos falando de feitiçaria e embora esta que despejaram sobre o sangue de teu Criador seja diversa daquela que manipulo, os princípios - assim me parece - são os mesmos. Em certos complexos efeitos, é necessário preparar o material para que possa receber um determinado conteúdo.

Por um momento, Appius não conseguiu distinguir na face de Damek se havia um sorriso largo e macabro ou o cenho franzido em clara preocupação. Talvez, ambos aos mesmo tempo.


- Tu és um material necessário para um ritual, Appius Galerius Buteo. Um ingrediente ou, melhor, um receptáculo para alguém ou algo.

Houve silêncio, somente interrompido pelos músculos do Lasombra se ajustando e sua pele retornando a seu corpo, envolvendo-o delicadamente e se fechando. Estava pronto, deixava Dázbov - o Branco, naquela mesa de pedra escura e levantava-se como Aulus Otavius, de pele corada, cabelos escuros e sobrancelhas largas. Característica em muito distintas das que possuia. Era belo, parecia ainda mais belo que o Deus de Ai-Petri ao olhar dos comuns.

Para além de um corpo, um propósito levantou-se daquela mesa sob o sorriso quase doentio do Senhor do Leste, que contemplava sua obra. Aulus Otavius, equilibrando-se em seu novo estado, foi interrompido de sua experiência por uma voz urgente que ecoava em sua mente. Eram palavras de Qaphsiel, o Arcanjo.


O plano falhou. A serpente já avisou os romanos e fomos emboscados ao sul de Y’srael. O Filho do Deus nos capturou em sua casa.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Ter Jun 26, 2018 7:18 am
Levantou-se.

Nos olhos, resolução e senso de dever. Era um Filho do Clã Lasombra, Voz do Conselho do Castelo das Sombras.

Não perdeu tempo observando sua nova aparência. Não procurou o próprio reflexo, pois sabia que ele não estaria lá. Confiava nas capacidades de Damek, sabia que o trabalho havia sido feito com precisão e elegância. Sentiu os músculos mais definidos ao mesmo tempo em que se deu conta de sua nova altura. Desejava sorrir, tudo somado era uma experiência surreal aquela pela qual havia acabado de passar. Olhou para o Senhor do Leste, para Appius e Salianna. Cumprimentou Damek com um aceno de cabeça.

Dázbov partira, talvez para jamais voltar. Em seu lugar, havia nascido Aulus Otavius, Senador do Senado Eterno de Roma e autoridade entre seus pares cainitas. Vestiu-se rapidamente com o manto branco de Dázbov, mas soube que precisaria mudar também sua indumentária padrão. Sua postura era altiva e imponente, mas mantinha ainda a calma típica do Deus de Ai-Pétri. Algumas características seriam difíceis de mudar.

- Parte dos nossos aliados corre perigo. Não sei se serei de grande ajuda, mas não posso permitir que suas existências terminem nas mãos dos nossos inimigos. Somos poucos, e cada braço e ideia conta. Devo partir, imediatamente, para o sul de Y'srael. Retornarei, Appius, para que possamos prosseguir em direção a Esparta. Por ora, Senhora Salianna, me serve uma espada.

Aulus retirou das vestes o cristal que lhe havia sido entregue por Ahrmad. Concentrou-se, mantendo em mente a face de Qaphsiel. Enviou-lhe uma mensagem, torcendo para que o Salubri tivesse resistido.

"Qaphsiel, não sei qual a tua situação. Mas preciso que me envies uma descrição mental dos teus arredores. Tentarei alcançá-lo o mais rápido que posso."
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Ter Jun 26, 2018 10:36 pm
*Testemunhar o trabalho de Damek é uma experiência ímpar. A maestria dos Capadócios começava na morte, e o domínio que os Demônios possuíam sobre a carne (morta) viva era uma lição por si só. Outro cainita poderia ficar desconcertado pela carne exposta de Otavius, mas Appius passara boa parte de sua não-vida entre os mortos, e a visão de órgãos e músculos não lhe afetava em nada. Pelo contrário, encarava a experiência como uma oportunidade de estudo.*

*As revelações passadas por Damek por sua vez, causam todo o desconforto que a transformação de Otavius falhou em causar. Appius se sentia, de certa forma, da mesma forma que o Lasombra sob seu escalpelo: profundamente incomodado, mas de certa forma iluminado pelo novo conhecimento. O velho Tzimisce não era agradável, mas era indubitavelmente sábio.*


-Um ritual? Acho que compreendo. Como dizes, os... princípios não são tão diferentes da forma de feitiçaria que conheço, por mais limitada que seja.

*O Capadócio massageia as têmporas com as pontas dos dedos, e junta as mãos em frente ao rosto enquanto pensa.*

-E isso é deveras perturbador. A missiva para Canatos dá a entender que apenas minhas cinzas seriam necessário para tal procedimento, caso contrário não me enviariam até aqui para correr um risco desnecessário, a menos que haja algo mais, algo que eu não consiga ver?

*Ele sacode a cabeça enquanto fala, como que para si mesmo.*

-Uma cabeça é cortada, duas nascem...

...

*Quando Aulus Otavius emerge da operação, o resultado é impressionante. Um romano se erguia diante de Appius, após um bárbaro albino se deitar. Ele reage às suas palavras com um certo alarme, embora sua reação inicial seja franzir o cenho ao ouvir um termo incomum.*

-Y'srael? Queres dizer a Judeia? Interessante, interessante...

-Não estou em pressa alguma para retornar à Roma, tampouco lhe deixarei ir sozinho nesta empreitada. Peço apenas à generosa governadora que estenda a sua hospitalidade a meu servo por mais um tempo, e poderemos seguir. Também sou um pobre simulacro de guerreiro, mas os deuses trabalham de forma misteriosa, não? Talvez eu seja de alguma ajuda.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Qui Jun 28, 2018 3:36 am
Aulus sorriu.

- Eu também não sou nenhum grande guerreiro, Appius. Meus limites são muito claros mas, ainda assim, não posso permitir que nossos aliados pereçam.

Ouviu a descrição de Qaphsiel e tentou, através das palavras do Salubri, conectar-se com ele. Aulus ainda era iniciante na arte que Sarosh lhe havia ensinado e, tendo aprendendo a mesma em tempos de guerra, sentia que precisaria dominá-la o mais rápido possível. Tentou ver através dos olhos e da mente de Qaphsiel, visualizando o local onde o Arcanjo se encontrava. Ouviu atentamente cada uma das instruções e descrições enquanto se aproximava de Appius. Envolveu a cintura do cainita com o braço direito, puxando-o para perto de seu corpo.

- A viagem não será tranquila ou agradável, meu caro Appius.

Em seguida, voltou a focalizar Qaphsiel.

"Estou pronto. Mantenha-se em contato comigo. Guie-me através da Escuridão, Arcanjo."

Aulus expirou. Era a primeira vez que faria aquele tipo de viagem. Saudou Salianna e Damek, dizendo que não demorariam, se essa fosse a vontade dos Deuses. Depois, conectou-se com a Escuridão que existia dentro de si.

Era diferente daquela que guiava Dázbov.

Enquanto a Escuridão do Deus de Ai-Pétri era fria e inóspita, um véu escuro que deslizava lentamente pelos corpos dos viajantes fino a conduzi-los às passagens por entre o Abismo, a Escuridão que regia Aulus Otavius era muito mais intensa, menos esotérica. As sombras envolveram as pernas dos cainitas, girando movendo-se por seus corpos até envolvê-los completamente, como num abraço poderoso e terrível. Foram puxados para fora do tempo. Aulus se concentrava na voz de Qaphsiel na tentativa de achar o caminho por entre as Trevas. Mantinha Appius fortemente sob seu braço.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Seg Jul 02, 2018 9:20 pm
A escuridão os abraçou. As últimas palavras de Qaphsiel ainda ecoavam na mente de Aulus Otavius.

"- Creio que, por ora, está tudo sobre controle. Marcus Verus se rendeu."

O Lasombra pensou em não imergir nas trevas do abismo que já percorriam os corpos de Appius e o seu próprio. Houve uma agonia desmedida ao notar que não mais as controlava.

Para Galerius foi angustiante tanto quanto fascinante. Inicialmente sentiu, como há muito não o fazia, um frio intenso percorrer seu corpo conforme a massa escura e maleável cobria-lhe a pele. Eram como infinitas mãos a lhe arrastarem para além desta existência. A sensação de vazio era o maior incomodo. Por um breve momento era como seu seu corpo físico não existisse, parecia flutuar em uma consciência perdida no mar da escuridão.

Nada sentia, enxergava ou ouvia. Absolutamente nada.

Para Aulus, a sensação era de perda de controle. Fora dragado pela escuridão primal por algo que estava fora de seu controle. Sentiu-se a viajar, breve, mas certamente para longe de seu destino inicial.

Ambos abriram os olhos como um homem a emergir de um longo mergulho no mar escuro da noite mais profunda. A sensação de buscar o ar que não mais precisam respirar os acometia violentamente. Mesmo Aulus, antigo Dázbov, parcialmente acostumado a lidar com o abismo, sentiu-se em necessidade de tocar novamente o firmamento da realidade. E, enfim, lá estavam.

As paredes eram escuras. Pedras recobertas de limo como se há muito fossem desabitadas. Tratava-se de um salão, imenso, em formato retangular. Não haviam portas ou janelas, apenas um trono escuro porém simples, ocupando um dos cantos do salão. Nele um homem mantinha-se sentado, com o queixo a repousar sobre o punho direito, semi-cerrado.

Notaram, Appius e Aulus, que suas mãos e pés estavam acorrentados. Estas correntes, contudo, eram feitas de milhares de mãos deformadas e enegrecidas que se assemelhavam à substância viscosa do abismo comandada por Otavius. As correntes compostas por dedos sombrios percorriam seus pulsos e tornozelos e o mantinham sentado naquele simplório trono escuro.

Seus cabelos eram de um loiro vibrante mas era a sua face que chamava atenção. Deformada, enrugada, pálida e castigada por um desgaste incomum. Seu torso nú revelava o mesmo aspecto doentio. Era pavoroso, embora emanasse uma autoridade incomum e despertasse no coração morto dos cainitas presentes um desejo incomensurável de adorá-lo. Estava claro, ainda assim, que estes sentimentos eram naturais. Não estavam sob nenhum dos dons das trevas.

Uma voz em tom baixo, sussurrante, deixou seus lábios de forma vagarosa e com dificuldade as palavras se formaram. Seus olhos azuis e intensos presos na face semi-destruída fitavam o chão. Sua cabeça parecia não ter força para se erguer.


- ...Des...Destruam-me...

Sob aquele aspecto denegrido, Galerius o reconheceu. Ali, onde quer que estivessem, estava o Imperador Titus Venturus Camillus.


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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Ter Jul 03, 2018 8:02 am
A perda de controle sobre o próprio destino desnorteou Aulus. Tentou concentrar-se para retomar suas capacidades, recusando-se a entregar-se. Diante da óbvia incapacidade de retomar o controle, acabou cedendo. Concentrou-se, então, em manter Appius o mais próximo possível, usando de toda a sua força sobrenatural para segurar o Capadócio. Aulus poderia sobreviver a uma viagem do tipo que havia dado errado, mas não tinha certeza quanto a Appius.

Quando finalmente tocaram a Realidade, Aulus inspirou profundamente o ar ao seu redor. Tratou de pôr-se em posição de defesa, somente para perceber que não era necessário, pois não havia, aparentemente, inimigos ali. Apressou-se em verificar se Appius estava bem, para depois focar no indivíduo sentado diante deles. Não o conhecendo, esperou pelas palavras de Appius, talvez o Capadócio tivesse melhor sorte. Ao mesmo tempo, começava a focalizar suas forças para retirá-los dali rapidamente, caso fosse necessário. Os olhos de Aulus passeavam pela estranha figura detida no trono, além de analisar atentamente a Escuridão que o mantinha aprisionado. Diante do pedido do desconhecido, Aulus girou o olhar para Appius, com uma expressão interrogativa.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Qua Jul 04, 2018 2:39 pm
*Appius não sabia como descrever a sensação de transitar nas sombras. Já havia experimentado dor, desconforto, desespero, mas não era nada disso. Se pudesse definir com uma palavra, talvez seria... desamparo. Francamente, ele não gostava de pensar no que teria acontecido caso não estivesse com Aulus ali. Mesmo acompanhado, a viagem tinha sido profundamente desagradável.*

-Isto... Não acho que isto seja a Judeia...

*E o pior de tudo era o que jazia à sua frente. O espetáculo macabro de Camilla à sua frente era o ponto final da terrível experiência que era a travessia das sombras.*

-Deuses abaixo e acima... Otavius... Este é o Imperador de Roma!

*Appius se aproxima mais, olhando o Imperador caído, o rosto sem esconder uma medida de simpatia. Ele se atreveria a atender ao seu pedido? Seria como extinguir uma estrela, abater uma grande e nobre fera. A situação do Imperador, Appius não podia deixar de pensar, era a da própria Roma. Dando mais um passo à frente, ele põe a sua mão direita sobre a do monarca.*

-Não posso fazer isso, não agora. Não com tanto a saber. Não faz uma lua que me encontrei com aquele que usa seu rosto e foi colocado para lhe substituir, dominus. Já sei quem. Preciso saber o como, e o motivo por trás de tudo.

*Appius ergue o braço esquerdo e o mostra ao soberano.*

-Há sangue, se o desejar. Uma refeição parca e perigosa, mas ainda assim, pode ser um alento.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Sex Jul 06, 2018 6:27 pm
Aulus tinha a absoluta certeza de não ter sido coagido ou impulsionado por outrem durante a travessia abissal. Havia a convicção de que nenhum outro a manipular as sombras interviu para a chegada de ambos naquele local. Era como se, ao empregar suas habilidades, o Lasombra acompanhado do Capadócio fossem dragados - atraídos - em uma direção oposta àquela desejada.

Analisou a aparência pegajosa daquelas mãos que agarravam o corpo decrépito com qual Appius dialogava  e dizia ser o Imperador de Roma. Era de aspecto escuro e denso, como as sombras que manipula, mas pareciam prolongar-se do ambiente e destacavam-se em um tom mais brando que o abismo que os circundava. Pareciam ser parte do ambiente mas não composto da mesma estrutura a qual as sombras que Aulus costuma tecer no uso de seus dons da noite.

Enquanto atentava-se aos detalhes daquelas infindáveis mãos que funcionavam como correntes e algemas para aquele sofrível homem à sua frente, as vozes vieram. Inúmeras, agudas e graves, ao mesmo tempo e vindas de todas as direções. O Idioma, assustadoramente, era aquele falado aos pés de Ai-Petri.


- Abrace-me. Invasor. Destrua-o. Liberte-nos. Sejas o Deus que deves ser. Aproxime-se.

Appius, por sua vez, nada ouvia. As paredes revestidas de limo e o Imperador que jazia acorrentado à sua frente eram tudo que lhe importava. Os olhos decrépitos e corroídos de Camilla encontraram os seus ao fim de suas palavras e Galerius sentiu um calafrio a percorrer-lhe o corpo, como se vivo ainda fosse.

Eram olhos pesados que pareciam carregar todas as dores do mundo. Galerius já havia visto aqueles olhos, em uma noite da qual forçou-se a esquecer. Com imensa dificuldade ele aproximou a mão calejada daquela que lhe foi estendida. Uma vez mais, Appius sentiu frio e uma agonia durante o toque daquela criatura sobre o tecido de sua mão direita.

A voz do Imperador era sussurrante, frágil, agonizante.


- Somos pálidos e cansados... somos falhos...destrua-me.
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

em Sex Jul 06, 2018 10:58 pm


*Os olhos, a frase... Appius entendia agora. Seria duro ver a destruição de Camilla. Mas era seu destino. Era o de todos de sua espécie se voltarem contra os mais antigos, até o próprio Pai Negro?*

*O Imperador precisava morrer. Qualquer outra coisa seria crueldade. Foi assim que Júpiter se sentiu ao usurpar os titãs? E Cronos antes dele? Não como parricidas, mas abrindo o caminho para um novo mundo, como um bosque adoecido que é incendiado para o plantio de novas mudas. Camilla deveria ser destruído; mais do que isso, era um sacrifício, um tributo aos deuses, e a nova ordem que, gostando ou não, estava fadada a vir. E ainda assim, era uma decisão de um peso enorme...*

*Ele ignora o frio e a agonia. Era o mínimo que podia fazer pelo moribundo, dar-lhe um módico de conforto antes da hora derradeira. Lentamente, o Capadócio remove a mão do Imperador caído da sua, e com as duas mãos, pega o rosto daquele que antes foi o senhor e mestre de um milhão de almas. O frio continua a queimar-lhe as mãos, a dor circulando por seus membros, a Besta guinchando de desconforto em sua nuca, mas Appius se fortalece e a silencia. Com um suspiro, ele olha fundo nos olhos que havia visto há tanto tempo, em outro corpo. E o Imperador, por sua vez, vê os olhos negros e aquosos do pupilo de Dionysius, marcados por certa tristeza e a partir de agora, carregando mais um peso, um fardo que tomaria em nome de Titus Venturus Camilla.*


-Pálidos e cansados... E para a geração futura é confiada a balbúrdia. Será sempre assim? Quanto tempo se passará até que os atos desta noite se voltem contra mim? Quanto tempo até a geração seguinte decidir que nosso tempo passou e que precisam tomar as rédeas do destino? Quinhentos anos? Mil?

*Ele lança a Camilla um sorriso triste.*

-Perdoe-me por divagar. É hora. Olhe em meus olhos, Dominus. Abra sua mente...

*Appius força o próprio ser dentro de Camilla. Os dons da mente e sentidos ainda lhes eram relativamente novos, mas seu progresso era notável. O Capadócio adentra na mente do Imperador, buscando os últimos momentos do Imperador para preservar em si, e em seguida acha o que procura: o centro da mente deteriorada de seu sacrifício, que se destacava como a ponta de um nó. Ao aplicar a força da sua mente, Appius consegue sentir o nó se desfazendo, e com ele toda a estrutura daquele que outrora foi Titus Venturus Camilla.*

...e descanse.

[Sistema: Appius se utiliza de Telepatia [Auspícios 4] e Ataque Psíquico [Auspícios 8]
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Re: Províncias Imperiais - Ocidente

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