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Re: Londres: Capital do Império.

em Qua Nov 28, 2018 6:45 am
Rose não respondeu imediatamente. Fitou a espada intensamente para, em seguida, encarar Osmund. O Filho de Odin tinha certeza que Rose não o desafiaria pela posse da lâmina. Não ali. Não agora.

- Imagino que não retornarás a Londres agora. Como é visível, falta metade do teu tesouro.

A mulher se aproximou. Fez notar a Osmund um encaixe na base do cabo da espada. Pareceu ao homem que algo havia sido arrancado dali. Teria a espada duas outras partes ao invés de uma?

Sentiu as próprias mãos. Calejadas. Sentiu calor. Era como se estivesse em uma forja profunda, enterrada sob a terra úmida.

Ao mesmo tempo, ouviu o grunhido gutural dos Filhos de Titãs a invadir a Catedral. Foi o som das imensas portas do local atingindo o chão que o alertou. Sabia que em pouco tempo seguiriam o perfume dos seus Ichor, o Sangue divino que existia nele e em Rose, e os encontrariam. Osmund não se sentia muito bem. Uma náusea constante o acompanhava desde que havia tocado a espada. Não era incapacitante, mas lhe causava um forte desconforto. Além disso, a Coroa de Felmar parecia pesar sobre a sua cabeça. E parecia extremamente fria. Felmar o fez intuir, naquele momento, que Lenneth se aproximava. Assim como as Crias. Rose tinha na mão direita uma adaga e na esquerda uma Deringer americana. Estava já voltada para a escada.
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Re: Londres: Capital do Império.

em Sab Dez 01, 2018 9:16 am
*Albert alisa o dedo no encaixe que faltava na espada. Agora que estava ciente dele, a falha se sobressaía, como que se passasse a língua num dente faltando. Ele suspira e encosta a relíquia na parede, de forma quase reverente, antes de se voltar para Rose.*

-Não, eu não me vejo voltando para Londres tão cedo... O que também não signifique que eu vá desfrutar da hospitalidade de sua bela ilha por muito mais tempo.

*Osmund fecha os olhos e suspira. Sabia que a espada havia feito algo com ele, mas não sabia a pontar o que. Teria sido o corte no dedo? Ou simplesmente seu poder intrínseco? O fato é que pela primeira vez em anos, sentia o metal frio da Coroa de Felmar ao invés do tecido que ela sempre assumia a forma. Heavy lies the crown indeed.*

*Ao sentir a aproximação das crias dos Titãs, e vendo como Rose se preparava, o Aesir confere se o revólver estava carregado, e enfim fica ao seu lado. Ele suspira novamente e passa a mão na testa, sentindo que estava molhada de suor. Mas isso teria de esperar.*


-Em todo caso, agora travaremos um debate bem... vigoroso sobre a posse da arma. E nossos convidados estão chegando.

*Albert engatilha a arma e se prepara. Mesmo que não conseguissem destruir a todos, precisavam apenas resistir por tempo o suficiente, até a chegada da Valquíria.*
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Re: Londres: Capital do Império.

em Dom Dez 02, 2018 7:03 am
Não demoraria muito até que chegassem.

O rumor das asas podia ser sentido na nave da Catedral. Felizmente, a passagem que levava até o subsolo era estreita, de forma que as Crias de Titãs precisariam caminhar - Osmund tinha visto, além das asas enormes, pernas aparentemente funcionais - rumo às catacumbas. De fato, seria assim. O barulho de voo cessou após alguns segundos, mas passos nas escadas podiam ser sentidos.

A tontura que acometia Osmund não havia melhorado. Sentia a garganta inchada, além dos olhos que ardiam intensamente. Tinha dificuldades para se concentrar: em sua mente ecoava um som repetitivo, como um martelo que golpeava de contínuo alguma coisa dura e resistente. Além disso, havia o calor intenso. Ouvia, agora, vozes. Falavam em uma língua que o engenheiro não conhecia, com a altura de sussurros. Um brilho vermelho, intenso, surgiu na sua mente quando a porta finalmente se abriu, deixando à vista os Filhos de Titãs. E quão horríveis eram!



As asas de couro estavam recolhidas, os Filhos de Titãs, eretos, desciam as escadas. De suas faces disformes, sem olhos ou narizes, escorria sangue e bile. De uma fenda que parecia servir de boca, uma língua enorme se movia ameaçadoramente. Todo o lugar, agora, fedia. Fedia a podridão e amônia, incomodando os olhos de Osmund que já ardiam antes. O martelo continuava a bater com insistência na mente do inglês e, por um segundo, pareceu a Osmund que os Filhos podiam ouvir o que ocorria em sua mente. O mal estar de Osmund foi acentuado pelo som alto dos disparos de Rose, mas estes também trouxeram o engenheiro de volta à realidade. Os Filhos de Titãs pareciam ignorar Rose, ainda que um dos disparos tivesse atingido um deles. Precipitaram-se sala adentro, ignorando a mulher e partindo pra cima de Osmund, com garras afiadas. Eram cinco, um deles já ferido pelo chumbo de Rose. Não pegariam Osmund de surpresa, entretanto. O Herdeiro estava preparado.

Em seu espírito, sentia o ar se agitar rapidamente e o forte cheiro de ozônio sobrepujar aquele que emanava dos Filhos de Titãs. Sentia Bifrost. Lenneth se aproximava, era uma questão de tempo.
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Re: Londres: Capital do Império.

em Seg Dez 03, 2018 12:08 pm
*Ele vê as criaturas pela lente de sua arma. Ouve, junto da cacofonia de batidas e falas, a canção de batalha dos Aesir. Quase sente Felmar dando um grito de guerra viking em uma batalha antiga. Ouve versos cantados pelos skald, os urros de batalha.*

*Mas esta era uma canção que nunca lhe apetecera muito.*

*Albert guarda a arma.*

*Rose ficaria bem, pois não era ela o alvo.*

*Albert ficaria bem, pois só precisava de tempo. E tinha todo o tempo do mundo.*

*A dor na sua cabeça ficava cada vez pior. Era como uma febre, e o deixava ao mesmo tempo irritado, nervoso e assustado. Definitivamente não o deixava com vontade de lutar. Ele era um Aesir, sim, mas não era um filho de Odin Geirvaldr, o Mestre da Lança, mas sim de Haptsönir, o Rompedor de Grilhões. Osmund, suava, e com as mãos livres pega a Arectaris com a esquerda e um de seus dentes de cavalo com a direita. Ele se concentra por um instante na runa esculpida no osso, e a desenha na parede, como se o dente fosse um giz, e mesmo com a fadiga e desconforto, sorri. Slepnir era o maior dos viajantes, e o poder contido nos restos de seus descendentes podiam abrir todos os caminhos. Com um passo simples, ele anda pela parede, e com um passo, ignora a pedra sólida e se vê na sala vizinha.*


Poder utilizado:
••• Entrada Sem Barreiras
Teste: Nenhuma
Custo: 1 Ponto de Lenda
O Scion pode ultrapassar objetos sólidos como
paredes, portas etc, desde que sua espessura seja de
no máximo a distância de um passo largo do Scion,
todo o material carregado pelo Scion faz a passagem
com ele. Mesmo o Scion não se tornando intangível,
ele ainda pode tentar evitar dano em combate.
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Re: Londres: Capital do Império.

em Ter Dez 04, 2018 5:28 am
Sem demonstrar nenhum esforço, Osmund atravessa a parede que separava as salas. Sempre tinha uma estranha sensação de formigamento e leveza quando utilizava de tais artimanhas. Rose, percebendo a atitude do Herdeiro, recua em direção à sala onde, considerando a porta estreita, os inimigos não poderiam entrar em grande número ao mesmo tempo. E este não era um impeditivo irrelevante. Osmund via os cinco que haviam descido ao encontro deles, mas escutava também o bater de asas e os passos pesados na nave da Catedral que estava acima de sua cabeça. Eram muitos, e estavam se aproximando.

No espaço entre Albert e Rose de um lado e a porta de acesso à tumba do outro, o mundo se descoloriu rapidamente, para depois se encher de cores e energia. Era Bifrost. No chão, uma runa surgiu lentamente, como se estivesse sendo marcada a fogo no chão do local. Albert a observou por alguns instantes antes de ter a atenção desviada por um par de pernas cobertas por armaduras.

Era Lenneth.

Não estava vestida como nas últimas vezes em que tinha vindo visitar Albert. Vestia-se exatamente como estava vestida nos sonhos do engenheiro, onde ele a via chorar por não conseguir atrair para si o espírito da Donzela de Orleans. A armadura, que cobria quase todo o seu corpo, era de um azul escuro com detalhes em dourado e prateado. Cobria torso e pernas, sendo acompanhada por uma longa saia coberta de runas. Na cabeça, um elmo alado. Nas mãos, uma espada longa cujo fio era indiscutível. Lenneth se materializou deixando um forte cheiro de ozônio. Olhou para Albert, olhou para ele como sempre fazia: no fundo de seus olhos. Uma das aberrações saltou em sua direção. Lenneth girou-se brevemente e, movendo a espada com destreza divina, cortou a criatura em duas metades. As outras se afastaram, receosas. Ela estendeu a espada na direção delas e com uma voz notadamente diversa da sua, mais imponente, ameaçou:

- Vocês não pertencem a este mundo. Não lhes será permitido, porém, deixá-lo de boa vontade. Tudo acaba aqui.

Voltou-se para Osmund. O engenheiro escutava, agora, passos muito mais pesados na nave acima. Haviam aberrrações diferentes que se aproximavam.

- Nós nos encontraremos em breve, Senhor Osmund.

Olhou para Rose. Pareceu ler a mente da mulher. Osmund notou que a Filha de Lugh apertava os punhos enquanto encarava a Valquíria. Mas não teve tempo de notar outras coisas. Viu uma runa semelhante à primeira surgir sob seus pés. Sentiu o corpo mais leve que o de costume, sua substância já reduzida reduzir-se ainda mais. O mundo se apagou, mas Osmund pode ver o momento em que Lenneth saltava em direção aos Filhos de Titãs. Por um instante, pensou ter sentido a mão leve e macia de Lenneth sobre a sua.

Estava, agora, diante de um palacete em chamas. Pela janela do segundo andar conseguia ver duas silhuetas. Rose precipitou-se em direção à construção, mas as chamas estavam já altas, impedindo-a de entrar.


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Re: Londres: Capital do Império.

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