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A Muralha de Adriano - O Lar do Príncipe Eterno

em Seg Jul 30, 2018 11:18 pm



Os verdejantes montes se estendem até o alcance dos olhos. Sobre eles, a muralha está sendo erguida. Há dois anos, a construção se iniciou sob a tutela do Império Romano e em homenagem a um breve Imperador de tempos passados, Públio Élio Trajano Adriano.

Alcançando centenas metros, divisa a Britânia conquistada pelos romanos da Caledônia e de suas tribos bárbaras. Em noites recentes, tornou-se o lar de um mítico cainita que já sentou-se nas cadeiras do Senado Eterno. Há uma fortificação castelar que abriga o ilustre morador e sua corte, reduzida a homens de sua confiança e alguns adoradores do culto que leva o seu nome.

A noite nestas terras possui um Rei, um Deus e um Príncipe. Todos atendem pela mesma alcunha: Mithras.
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Re: A Muralha de Adriano - O Lar do Príncipe Eterno

em Ter Jul 31, 2018 12:11 am
Terra.

Finalmente havia terra. Mesmo para Cassimir que encontrava a paz nas águas escuras do mar banhado somente pelas luzes dos astros acima, a viagem fora extenuante. Havia muito a ser decidido, o inimigo se avolumava enquanto os cainitas rumavam a seu destino. Havia pressa.

Quando chegaram, foi o cheiro da terra que primeiro os acometeu. Os sentidos apurados dos amaldiçoados os garantiram sentir o cheiro de terra molhada ao passo do grasnar das aves costeiras se fazerem ouvir. Quando a nau aproximou-se mais, vislumbraram a névoa a cobrir as montanhas que se estendiam até o horizonte. Era um lugar belo. Havia uma aura diferenciada naquela ilha. Era como se soubessem, instintivamente, que o local permitia a sua aproximação.

Quando os botes os levaram até a praia, guiados pelo próprio Verus, notaram o quão brancas eram aquelas areias. Diferiam, por exemplo, daquelas encontradas aos pés de Siracusa. Eram como o dia e a noite, em cor e textura. Para além da areia, um monte se desenhava sob a luz parca da lua e nele algumas carruagens eram vistas. À frente, haviam apenas dois homens que se limitavam à silhuetas a esta distância. Ainda assim, Marcus Verus curvou-se em direção à elas antes de avançar.

Caminharam e passaram por um passadiço de pedra que formava o ancoradouro entre a praia e a relva verde que cobria aquele local. Aproximando-se da primeira carruagem, que era escura e sem janelas, enxergaram as personalidades que não passavam de sombras à distância.

O primeiro tratava-se de um homem jovem, cabelos castanhos e uma barba que começava a crescer em sua face. Usava trajes simples, um manto marrom amarrado em sua cintura. Era ele que segurava um dos cavalos amarrados ao transporte. Ali, distante de quaisquer outros humanos, o cheiro de seu vitae o destacava. Era um mortal.

O outro, um homem há muito passado da juventude. As rugas lhe preenchiam a face e os cabelos brancos decoravam sua alva pele. Parecia carregar a sabedoria de tempos idos e vindouros nos olhos. Ah, os olhos. Eram vazios, sem cor e sem vida. Notaram que tratava-se de um homem cego. Não precisou muito para que Appius o reconhecesse. Ali, diante dele, estava Lord Camden. Sua face emanava paz e esboçava um sorriso gentil e eternamente presente, com as boas-vindas aos recém-chegados.




Marcus Verus aproximou-se e beijou-lhe as mãos, em silêncio. Sua voz, quando ecoou, era um tanto rouca por conta da idade com a qual fora trazido para a longa noite, mas era branda e agradável como a de um velho homem a contar histórias para os mais jovens.

- Os saúdo, convidados da Britânia. Saúdo àqueles que atendem ao chamado da necessidade destas noites. Atendo pela alcunha de Camden, Cria de constância, progênie de Japhet, Filho de Capaddocius. É uma honra e um pessoal deleite conhecê-los.

Por um momento, Qaphsiel pensou tê-lo visto encará-lo com aqueles olhos esbranquiçados e sem vida.

- Por favor, acompanhem-me, O Príncipe das Ilhas os aguarda.

Assim fizeram. As Carruagens que os levaram eram confortáveis e espaçosas e possibilitaram um sono tranquilo através do dia pelo qual a viagem por terra se alongou. Camden buscou estar na presença de Appius, na mesma carruagem, ouvindo-o e dialogando sobre assuntos diversos. Na noite seguinte, estavam aos pés de uma grande muralha, ainda inacabada em alguns pontos, que se estendia até o limite de suas aguçadas visões. À frente, uma fortificação com apenas uma torre abria os portões de madeira para a entrada da comitiva.

As carruagens interromperam-se e ali os visitantes vislumbraram uma pequena vila, com algumas casas de pedra e madeira a circundar a construção maior e principal, com a torre que se destacava. Haviam algumas carruagens semelhantes as que os levaram até aquele destino, mas com estandartes e cores diferentes. Havia, também, homens - mortais - a circularem pela vila trajando armaduras diversas e com símbolos distintos. Era notório que ali reuniam-se alguns outros além de seus moradores.

Foram guiados por Camden que buscava sanar dúvidas sobre a Britânia, a muralha e os povos que ali viviam com parcimônia e assertividade - quando e somente se consultado - até um salão no alto da torre. Quando as grandes portas de madeira se abriram, suas atenções passaram rapidamente pelas espadas cruzadas nas paredes de pedra e o grande tapete carmesim a cobrir o chão, além de uma indumentária de guerreiro montada sob a luz da lua que entrava por uma janela. Era uma armadura notadamente de outros tempos, com entalhes dourados sobre placas prateadas. A espada que repousava a seu lado era também magnífica, longa e cravejada com uma única pedra brilhante em sua haste.

Do outro lado do salão, iluminado por velas arroxeadas que mesmo próximas aos visitantes não emitiam calor, uma outra grande porta abriu-se e, então, não havia mais espaço para admirar qualquer outra coisa além da presença daquele homem.

Sabiam, todos os presentes, que não havia nenhum dos dons da noite sobre suas consciências e ainda sim sentiam uma pressão a envolvê-los e apertá-los. Inicialmente pareceu incômodo, depois, sentiram-se protegidos, abraçados por uma força maior e invisível que os garantia proteção.

Quando ele adentrou, primeiro foram seus olhos a atraírem a sua atenção. Azuis, cristalinos e profundos. Denotavam um saber extenso e uma responsabilidade ainda maior. A face era bela, mas ficava a sensação de que a sua vida enquanto mortal - longínqua como deve ter sido - o castigou ao ponto de torná-lo menos belo do que naturalmente seria. Marcas de expressão em uma preocupação constante habitavam sua face. E, mesmo assim, quando ele os olhava a única preocupação que os acometia era achar a forma correta de dirigir-se a ele.

Era alto, tinha o corpo de um homem que lutou enquanto vivo. Sem exageros ou disformidades. Era exatamente isso. Conforme, harmônico. Os cabelos variavam de escuros a castanhos, um tanto cacheados. Queixo quadrado e firme. Usava um manto longo de cor clara neutra, assemelhando-se a couro, preso em sua cintura com um cinto escuro. Dava a impressão que aquelas vestes estavam prontas para que fossem cobertas por uma armadura, assim que necessário. Não lhe limitavam o movimento e eram elegantes, embora simples. Botas de cavalgada completavam sua indumentária.
.



Aproximou-se olhando os presentes e inclinou levemente a cabeça em direção à Camden, ao passo de Marcus Verus dobrar um dos joelhos perante aquele homem que depositou sua mão sobre o ombro de sua cria, permitindo que se levantasse. Falou e sua voz era como o mar a se chocar contra as pedras de Siracusa para Cassimir, como a voz perdida de Dionysius nas parcas belas noites iniciais de Galerius a seu lado e como os ensinamentos de Za'aphiel sobre os princípios da noite aos ouvidos de Qaphsiel.


- Bem-vindos ao meu lar. As ilhas os acolhem e alegram-se com a sua presença. Sou seu anfitrião, Mithras, Progênie de Veddartha.

- Estão sob os meus auspícios e desfrutam de minha hospitalidade. Lhes garanto segurança sob a única condição de manterem ações pacíficas em minhas terras.

- Por favor, sentem-se.


Só então puderam perceber, dada a atenção que a visão daquele homem demandava, que haviam cadeiras dispostas ao redor de uma longa mesa no centro daquele salão. Era simplória. Apenas uma mesa de madeira escura, embora fosse muito longa e dispusesse de uma dezena de lugares. Acima dela, um lustre com as mesmas velas de cor roxa a iluminá-la. O cainita sentou-se à cabeceira, tendo a seu lado Camden, que também sentou-se. Aguardaram e quando todos sentaram-se, ele continuou.

-  Os agradeço por aceitarem meu convite. Outros também o acolheram e chegam, em grupos, aos meus domínios. Antes que possamos nos reunir com os demais, gostaria de ouví-los e conhecê-los.


Ele olha para os presentes, enquanto um dos servos começa a servir as taças de barro acima da mesa com vitae. O cheiro é inebriante, doce e profundo.
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Re: A Muralha de Adriano - O Lar do Príncipe Eterno

em Ter Jul 31, 2018 9:35 pm
As noites em que estavam embarcados não proporcionaram paz, tendo em vista a angústia advinda do que todos haviam sentido. No entanto, Qaphsiel aproveitou os momentos de solitude no mar para refletir consigo mesmo. Nunca havia passado tanto tempo sobre as águas e era inegável que a distância física de tudo e de todos permitia uma rara oportunidade para pensar sobre os recentes acontecimentos.

Sempre que acordava, o Arcanjo caminhava até o convés do navio e contemplava a lua quando as nuvens permitiam. Sentia a brisa marítima tocar sua pele e tinha um certo prazer quando o casco batia de modo mais violento no mar, espirrando água salgada em seu rosto. Mesmo com todo o Mal que havia despertado e os aguardava em uma batalha final, Qaphsiel não podia deixar de admirar a Criação. A obra de Yahweh era de fato magnífica.

O Salubri orou todas as noites, inspirado pelo seu entorno. Ali, em sua conversa com o Criador, se dava conta do quão longe estava de seu povo e de Y'srael. Ainda mantinha sua fé, mas era inegável que o mundo que se desenrolava diante de si era muito mais complexo do que imaginara. Mesmo os anos em que fora tutelado por Za'aphiel não o haviam preparado para tudo o que havia presenciado nos últimos meses. Tivera sua convicção e visão de mundo questionada, para o bem e para o mal. Muito daquilo que acreditara no passado havia sido colocado em xeque. O que buscava agora, para além da eliminação do Mal que ameaçava tudo o que dava valor, era um núcleo duro, uma Verdade na qual poderia se apegar. Apesar da angústia que essa busca proporcionava, Qaphsiel não podia negar que havia um impulso, uma curiosidade motivadora. Enquanto caminhasse, teria todo o tempo do mundo para compreender a natureza de Yahweh.

Olhava para o alto e via as velas romanas carregadas pelo vento. Vez ou outra também observava Marcus Verus comandando seus homens no convés. Haveria prova maior de que as coisas não eram tão simples? Que os caminhos que Yahweh escolheu para que trilhasse seriam tortuosos? Estava sendo abrigado e levado para a corte de pessoas que há pouco tempo consideraria seus piores inimigos. Os maiores responsáveis pelo sofrimento de seu povo. E, ainda assim, mesmo se dando conta disso, não sentia que fazia algo errado. Não após tudo o que vivera.

Evidentemente, tudo isso não era uma sentença de absolvição dos pecados cometidos por Roma. De modo algum. Para Qaphsiel, tratava-se de um teste. Um voto de confiança em indivíduos que haviam mostrado seu valor, a despeito das bandeiras que carregavam. O Salubri pensava que vivia um momento onde deveria olhar mais para indivíduos e menos para instituições, pois eram estes que seriam julgados por Yahweh.

As noites de reflexão foram interrompidas pela chegada no lugar que chamavam de Britânia. Sentiu o cheiro daquele terra. E como era diferente de tudo o que conhecia! As cores do deserto eram substituídas pelo verde da relva. O ar seco dava lugar a um vento sempre úmido. E o frio. Ainda que este não o incomodasse desde sua primeira noite como morto-vivo, era impossível não perceber como aquela ilha era muito mais fria do que todos os lugares por onde havia caminhado.

Impressionava-o também o fato de que, mesmo após muitos dias de navegação, afastando-se dos territórios com os quais estava familiarizado, ainda encontravam-se sob domínio de Roma. O Império era imenso, e Qaphsiel não conseguia deixar de pensar que tudo aquilo era fruto da ganância e sede de sangue dos romanos. Ou seria daqueles que, conspiratoriamente, usurparam o poder dos usurpadores? Isso era algo que gostaria de descobrir e avaliar nas próximas noites: o quanto de Roma eram as nobres ideias que homens como Marcus Verus e o Capadócio que acabara de conhecer acreditavam, e o quanto era fruto da corrupção infernalista.

Quando finalmente foram apresentados à Mithras, Qaphsiel sentiu que já o conhecia mesmo antes de qualquer apresentação formal. Havia uma sensação de familiaridade, proporcionada pelos breves momentos em que o Ventrue estivera em sua mente. Contudo, nada se comparava ao fato de estar em sua presença. Tratava-se de um homem impressionante. Emanava uma autoridade, mas não era ditatorial - apesar de Qaphsiel saber que, caso o Senhor da Britânia assim quisesse, poderia ser. Porém não era o que sentia naquele momento. A autoridade de Mithras era algo natural. Algo que expressava confiança. Transmitia a sensação típica de um líder militar que sabe ao mesmo tempo acalmar e inspirar seus comandados. Era como um rei que governava seus súditos através da devoção e inspiração.

Foram essas sensações que fizeram com que Qaphsiel prontamente se adiantasse quando Mithras os pediu para falar. Estava calmo e confiante na capacidade do Ventrue em, se não liderar, ao menos organizar os esforços de resistência das próximas noites de guerra. Seu terceiro olhos estava aberto, pois ali não via motivos para esconder sua natureza. Levantou-se da cadeira onde havia acabado de sentar e fez um breve aceno com a cabeça:

- Eu sou Qaphsiel, progênie de Za'aphiel, cria de Samiel, Filho de Saulot. Agradeço sua hospitalidade e a gentileza de nos trazer de modo seguro até seus domínios.

- Creio que o Senhor da Britânia já tenha ouvido falar de mim. Não por minha fama, pois sou apenas um humilde guerreiro, mas por meio de sua cria, o Senador Marcus Verus. Eu e Verus tivemos uma recente altercação nas terras do meu povo que agora estão sobre domínio romano. Estávamos em busca da setita Ta-Urt, quando o desenrolar dos acontecimentos me levaram ao combate entre eu e meus homens contra Verus e parte de sua legião. Felizmente, para todos os envolvidos, o combate terminou em uma trégua - que só foi possível, em parte, pela intervenção do General Sejanus. Na conversa que se seguiu entre eu, Verus e Sejanus, todos concluímos que possuímos inimigos e valores em comum, pelos quais vale a pena, ao menos por enquanto, lutarmos lado a lado.

Qaphsiel interrompe sua fala, olhando nos olhos de Mithras. Percebeu que ainda que tal feito fosse possível, era algo mais difícil do que imaginava, dada a autoridade do Senhor da Britânia.

- Neste momento, o Senhor também já deve saber que sou aquilo que Roma considera um rebelde. Um incitador de rebeliões. Quando mortal, lutei junto ao meu povo, o Povo de Y'srael, contra a opressão de Roma. Estive entre aqueles que resistiram em Massada e lá teria encontrado meu fim, se Yahweh não tivesse me escolhido para caminhar na Longa Noite. Sou honrado pelo meu passado e não o esconderei. Mas estou disposto a colocar nossas diferenças de lado, tendo em vista que, ao que me parece, estamos diante de um Mal maior. Um Mal que não merece caminhar por estas terras, pois afronta as leis dos homens e as Leis de Yahweh.

Com isso, o Arcanjo encerra sua fala e volta a se sentar.
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Re: A Muralha de Adriano - O Lar do Príncipe Eterno

em Sex Ago 03, 2018 10:54 pm
*O mar. Como era curiosa a sua associação com o Clã da Noite, e ao mesmo tempo Appius entendia uma parte dela agora. As profundezas abrigavam tamanho desconhecido dentro de si que era inevitável se pegar contemplando o que mais haveria ali. Situação comparável, embora nem um pouco similar, à pequena viagem que fizera no Abismo. Mas nem mesmo os mistérios do mar, ou a companhia de novos membros empolgam ao Capadócio. Ele conversa pouco ao longo da jornada, e se mantém a maior parte do trajeto recluso, meditando ou rezando. Talvez o único momento em que realmente tenha mostrado um semblante de empolgação é quando o navio passa pelos Pilares de Hércules. Ao ver os grandes rochedos, Appius se relembra do funeral que fez a Dionysius, num tempo que parecia ser uma eternidade atrás. Hércules havia carregado o peso do firmamento por um curto período, enquanto o titã Atlas deixava o posto, mesmo que sua força, por mais descomunal que fosse, se mostrasse inadequada para o serviço. Quando Atlas partiu, de vez, de sua punição/fardo, rezava a lenda que Hércules instalara os Pilares ali, onde estava naquele momento, para que os céus se mantivessem erguidos. O sacerdote olha para os rochedos com esperança renovada. Podia não ser um titã, como seu antecessor, mas talvez algo ainda pudesse ser feito. Sempre haveria uma maneira.*

*A Britânia, por sua vez, era diferente, fria, distante, mas acima de tudo, selvagem. A ilha era o limite do poderio romano, e a Muralha, aonde eventualmente se dirigiram, o limiar do mundo conhecido. Ela, porém, oferecia um módico de conforto. Se encontrar com Camden é empolgante para Appius. Talvez a primeira empolgação (positiva) que sentia em muito tempo. O braço direito de Mithras era um sábio notório, e em uma imensa gentileza ele reconhece Appius das correspondências que trocaram em anos passados. Muito da viagem até a Muralha é gasto por Appius conversando com seu anfitrião, ora debatendo, ora concordando, sempre focado. Camden era famoso entre os tanatólogos por suas posições acerca da morte e da alma, especificamente, o quão rápido que esta deixava o corpo após o último suspiro. Appius, por sua vez, discute com ele sobre a formação de deuses, e se cainitas moldavam os mitos que cercavam a humanidade, ou eram moldados por eles, e qual força movia este fenômeno. Independente da reação de Camden às diversas formulações de Appius, a única constância entre a paciência inesgotável diante de todos seus questionamentos e observações. Quando por fim chegam à corte do Príncipe Senador, a melancolia que se abateu sobre Appius ao longo da viagem parece ter diminuído.*

*Se Camden era a paciência das eras encarnada, Mithras era muito mais. Estava além do marcialismo simplista, ainda que eficaz, de Marcus Verus, ou da majestade lânguida e preguiçosa do falso Camilla. Mithras era tudo, e mais. E era difícil o suficiente, mesmo sem o uso de qualquer um dos dons do sangue, não se curvar automaticamente àquela autoridade, Appius Galerius Buteo se flagrou pensando, pela primeira, mas não última vez em sua não-vida, o quanto as coisas não seriam diferentes se ele, o Príncipe Eterno, estivesse sentado no trono hoje ocupado pelos infernalistas.*

*Ele observa, em silêncio, a apresentação de Qaphsiel. Appius gostava, ainda que conhecesse pouco, do Clã da Cura. Seus opostos, em vários sentidos, mas ainda assim parecidos, membros de uma linhagem de contemplativos e estudiosos, mas o hebreu não era nada daquilo. Um soldado, claramente. Suas aspirações rebeldes pareciam, de certa forma, infantis, mas Appius respeitava seu povo e sua história, por ser um povo de sábios e por perceber como estava intrinsecamente ligado à história de todos os vampiros, mesmo que não soubesse explicar o porquê. Mas acima de tudo, Qaphsiel era um homem de fé. E isso, acima de tudo, fazia com que Appius o respeitasse. Quando o guerreiro se senta, é a vez do sacerdote se erguer e se dirigir ao centro, sobre o olhar pesado do Senhor da Britânia.*


-Dominus, nos honra com sua hospitalidade. As noites atuais são frias e distantes, e seu domínio é uma ilha, mais do que no sentido literal. Talvez seja o último bastião contra uma praga que pode ter se alastrado por todo o Império, e certamente tomou seu coração. Não sei o quanto sabe, mas as poucas informações que eu puder dar, e forem de seu interesse, são suas.

-A quem não conhece a mim e minha história, sou chamado de Appius Galerius Buteo, cria de Dionysius, cria de Japheth, cria de Cappadocius. Porém, a minha relação com meu senhor era fria, no melhor dos termos, e conturbada, no pior. Quando adentrei na Longa Noite, Dionysius buscava um herdeiro para sua cadeira ao Senado, e acreditava ter encontrado em mim tal aspiração. Ele estava errado, infelizmente, pois minha vocação estava mais direcionada a descobrir os mistérios do mundo e de nossas raças, motivo pelo qual fui afastado de sua convivência poucas semanas após meu Abraço e deixado aos meus próprios afazeres. Alguns anos depois meu senhor encontrou seu herdeiro na figura de Sahar, e o arranjo pareceu deixar a todos satisfeitos. *Ele dá um riso breve e triste.* E cada vez mais eu vejo o quão tolo eu era.

-Ao me afastar, Dionysius me protegeu, pois soube, e posso ver com nitidez em minha mente, que o Império estava tomado por dentro, e por isso preferiu que eu ficasse distante. Caso ele tombasse, haveria alguém para dar sequência à sua obra. E Sahar… bem, ainda preciso dizer mais sobre ele.

-O fato é que Dionysius tentou. Na companhia de Mi-Ka-Il, tentou incendiar a própria capital, com algum sucesso. Também entrou em contato com todos aqueles que pôde pensar. Todos que, por um motivo ou outro, possuíam dívidas e ressentimentos com Roma, e desconfio que foi essa ação que reuniu a todos nós aqui, esta noite. Mas mesmo tentanto, ele falhou, e ao falhar, tombou. Teve pouco tempo antes de uma mensagem breve, onde além de uma despedida, me lançou uma verdade fatal: Roma estava tomada por infernalistas, e Sahar, ao invés de pupilo, era seu carcereiro. Eu fui interpelado pelo Senador Lisandro sobre como meu Senhor era um traidor do Império, e negociava com o Clã da Noite, e, pura ironia, o Senador estava coberto de razão.

*Appius lança um olhar rápido a Marcus Verus, quase que um pedido de desculpas.

-Desta forma fui levado à presença de Juno Prestes e do próprio Imperador, aonde me foi exigido como prova de lealdade, o pior dos crimes: o Amaranto de meu Senhor e eu, fraco como sou, segui com o ato monstruoso.

-Foi afortunado que nas noites seguintes, consegui evadir algumas armadilhas para enfim fazer contato com Canatos dos Lasombra, e a sequência de eventos que nos trouxe aqui.

-Isso e aquilo que todos nós presentes vivenciamos e evitamos discutir até agora: uma das Antigas é desperta. Troille, antes enterrada sob o sal de Cartago, agora anda novamente pela noite, junto com Juno Prestes, cujo nome real parece ser Iontius, Moloch, seu antigo amante e comparsa e Sahar, que assume a figura do Imperador Camilla, cujo corpo verdadeiro jaz escondido em algum lugar sob o firmamento. E seu corpo parece ser a única coisa no caminho para a dominação total de Troille. E talvez nós sejamos os únicos capazes de fazer algo a respeito.





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Re: A Muralha de Adriano - O Lar do Príncipe Eterno

em Dom Ago 05, 2018 6:11 am
Cassimir se manteve sozinho na maior parte da viagem. Dividia seu tempo entre estudos em sua cabine, onde tentava aprender mais sobre a história de Roma, que era extremamente complexa aos seus olhos. As visões e informações que havia recebido ainda permaneciam em sua mente: Troile e Moloch, Iontius e Sahar. Havia percebido que estava envolvido em algo muito mais grandioso do que o que imaginara. Recordou-se, com nostalgia, da Montanha Branca, mas aquele passado e aquela identidade não mais lhe pertenciam. Ele era, agora, o responsável pela sobrevivência do Clã da Noite nas guerras que viriam. Sentia-se grato, mas extremamente sobrecarregado pelo papel que lhe fora imposto.

Ocasionalmente, caminhava pelo convés. Sentia o cheiro do mar noturno e admirava a lua, raramente se dirigindo aos seus companheiros de viagem, que pareciam sempre envolvidos em pensamentos e elucubrações pessoais. Cassimir meditava, sentado diante do infinito escuro que era o Mare Nostrum. Buscava forças para atuar como devia, mas era difícil. O isolamento em Ai-Pétri tinha tornado Cassimir um cainita com um único propósito: o de defender os povos que viviam aos pés da Montanha. O tempo fez-lhe entender que ser bem sucedido em sua tarefa incluía opor-se à Roma. O mesmo tempo, inexorável, o fez compreender que talvez Roma não fosse o inimigo - ao menos não diretamente - e que em suas entranhas caminhavam Moloch, Troile e seus subordinados. Se falhasse em sua missão, da qual não estava ainda convencido, o mundo - não somente o Norte - arderia em chamas profanas. Sentiu um calafrio quando a visão de Troile a erguer-se do solo escuro tornou à sua mente.

Lhe preocupava, ainda, a rebelião que havia visto no Castelo das Sombras. Seria ele o único a dispor de tal conhecimento? Magistrados enfrentariam Magistrados em uma noite, talvez muito próxima, talvez distante, mas Cassimir sabia que existiria quando isto acontecesse. Afinal, por qual razão teria sido agraciado com a Visão? Inexplicavelmente, quando pensava sobre o assunto, sentia-se forte. Era como se em suas mãos estivesse o destino do Clã dos Magistrados. Impedir que aquela visão se concretizasse, que uma Guerra Civil aniquilasse ou deixasse vulnerável seu Sangue era uma tarefa sua. Os Lasombra não eram desorganizados e rebeldes como a maioria das outras famílias mas, ainda assim, Cassimir temia que um ou mais eventos portasse a guerra em sua casa. Seu futuro começava a se desenhar em sua mente.

Quando caminhou pela Britânia pela primeira vez, foi como se sentir em casa. O frio, intenso, era um velho companheiro. O lugar lhe fazia recordar Ai-Pétri, com suas árvores altas e clareiras escuras. A presença de Mithras, ou do que ele achava que fosse Mithras, era onipresente, Cassimir se sentia observado. Não sentia, porém, medo nem ansiedade, tampouco seu coração pulsou com a força da rivalidade entre Magistrados e Patrícios. Havia sempre pensado, Cassimir, que tal inimizade era um fato antigo, não pertencente às gerações atuais. Eram os Clãs da liderança e da realeza, e a maior prova de que, juntos, ambos podem criar realidades gloriosas era a própria Roma, obra conjunta dos Ventrue e Lasombra, com o auxílio de outros clãs, mas sempre subordinados à estes.

Cumprimentou Camdem com uma mesura de cabeça. Tinha pouca experiência com os Capadócios, mas havia se afeiçoado a Appius, com quem em pouco tempo tinha vivido tantas coisas estranhas. Descansou na carruagem, não por estar cansado. As Ilhas lhe davam a tranquilidade necessária para repousar sem pensamentos nem pesadelos.

Quando caminhou com seus companheiros, intuindo que encontraria Mithras, foi tomado por uma certa ansiedade. O nome do Patrício ecoava em vários cantos do Império, e sua identidade e feitos não eram desconhecidos à Cassimir. Admirou o salão, as espadas e armaduras. Quando viu-se na presença de Mithras, fitou-o por um tempo, absorvendo detalhes sobre sua forma, aparência e presença. Não se curvou, mas realizou uma mesura profunda e respeitosa. Escutou as palavras de seus aliados, cada um com suas próprias histórias e preocupações. Foi o último a falar.

- Agradeço a vossa hospitalidade, Deus do Sol. Sou Cassimir, Filho de Borghav, Filho de Ekimmu, Filho de Khanon-Mer, Progênie do Rei da Noite. Em outros tempos, o teria visitado em vossas Ilhas e me daria prazer conhecê-lo e aprender contigo. Contudo, são noites de guerra. Uma guerra que me retirou de meu refúgio em Ai-Pétri, norte do Império, onde a Águia Dourada não Repousa. Me conduziu até Meca, onde combati ao lado de Qaphsiel e finalmente até a Grécia, onde nos foi revelada a verdade que Appius vos revelou.

- Assim como meus companheiros, sou um rebelde. Me opus, desde sempre, à intromissão romana nos territórios comandados por meus Ancestrais. Assumi o manto de Deus Branco da Montanha e combati as legiões que teimavam em tentar nos submeter. Sob os auspícios do Clã Lasombra e de meus Ancestrais, negociei e liderei uma frente contra Roma que, infelizmente ou felizmente, se viu imersa em acontecimentos muito maiores do que os que estavam diante dos olhos. Roma apodrece diante de nossos olhos, tomada por uma corrupção que tem dois nomes: Troile e Moloch.

Até então de pé, Cassimir se sentou.

- Eu falo munido da Autoridade do Clã Lasombra. Nossas forças estão espalhadas por todo o império e as nossa preocupação é a mesma que a vossa e a dos outros presentes. O mundo como o conhecemos pode estar perto do fim. Uma união de esforços é necessária, que deixa para trás as rivalidades e inimizades do passado, em ordem a reconstruir uma realidade que seja proveitosa para todos. Não me engano, porém. Há muito trabalho a ser feito. Esperamos e confiamos na vossa sabedoria milenar, única com experiência suficiente para nos guiar nas difíceis noites porvir.
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Re: A Muralha de Adriano - O Lar do Príncipe Eterno

em Qua Ago 08, 2018 8:27 am
- Rebeldes...

Os olhos em cristalino azul de Mithras passearam pelos presentes. Havia neles um pesar que o anfitrião não se esforçava para esconder. Mais do que pesar, havia culpa.

- Somos todos rebeldes, a partir desta noite.

Ele se levanta, apoiando as mãos sobre a mesa e inclinando o corpo para frente. Quando se ergueu, era como se as próprias ilhas o fizessem. Era majestoso mesmo em seus pequenos gestos, embora seu semblante parecesse carregar as dores do mundo.

- Roma se tornou um sonho distante. Uma fundação em ruínas após um grande incêndio. E foi exatamente assim que começou.

Olhou Appius por alguns instantes, fitou-o em silêncio, parecia compartilhar de sua perda.

- Quando as relações entre o Clã da Rosa e a minha família se tornaram difíceis, mergulhadas em uma disputa regida por ego, me faltou sabedoria para conduzir de outra forma os rumos do Sonho Romano. Já não sentava-me junto aos demais, como um Senador, mas deveria ter intervido de forma mais firme quando Nero - servo de Titus Venturus, incendiou a capital. Fomos tomados por uma ira indigna de nossas posições.

- Miguel assumiu total responsabilidade. Teu senhor, Dionysius, foi mantido protegido desta culpa até recentes noites.


Sorriu. Era um sorriso triste.

- Culpa...como posso chamar de culpa a última tentativa de expurgar um mal que crescia diante de nossos cansados e desatentos olhos?

- A crise foi estancada em um acordo. Deveriam Helena e Miguel deixar Roma para jamais retornarem sob a pena capital da destruição sumária. Foi a primeira a indicar Juno Prestes como representante de sua casa no Império, como parte cedente de nossa tratativa.

- Como fomos tolos. Camilla insistiu, demasiadamente, para que Prestes fosse seu conselheiro pessoal. Minha distância física, o êxodo senatorial de nomes relevantes como Montano e a complacência de meus iguais facilitaram o que hoje sabemos se tratar de uma enorme farsa tramada por Iontius e Tanith.

- Addemar, o Senador, em seu último esforço enviou-me uma memória recente. Deixou-me claro, junto a uma mensagem pessoal, que faria o mesmo buscando-o, Appius.


Ele caminhou pelo salão, em direção à uma armadura disposta em um dos cantos do ambiente. Era bela, com suas placas prateadas e entalhes dourados a lhe percorrer o corpo. Tocou-a, com saudosismo.

- Ditas e dadas as falhas, nos cabe expurgar o mal que novamente caminha por estas terras. Com força e decisão.

Virou-se e voltou a olhar os presentes, repousando os olhos sobre Cassimir.

- Uma união de faz necessária, deixando inimizades e rivalidades seculares para trás. Faço das tuas as minhas palavras. Estendo-as a todos os presentes.

Olhou Qaphsiel e meneou a cabeça, respeitosamente, antes de prosseguir.

- A situação é grave. Troile e Moloch detém a maior força militar de nosso tempo sob suas garras amaldiçoadas. Além disso, não sabemos quais dos Senadores restantes se aliaram ao inimigo. Tomei a liberdade de convocar os que avaliei como aliados imediatos. Não podemos falhar em avaliar os nossos, arriscando uma traição neste momento tão delicado.

- A nós cabe reunir os dispostos a encerrar o ciclo de terror que se iniciou em Cártago e este foi o meu propósito ao convocá-los. Outros se encaminham e aqui estarão até a próxima noite, quando nos reuniremos para avaliar nossas forças e traçar planos.


-  Antes disso, preciso me inteirar das forças disponíveis aqui representadas por Qaphsiel e Cassimir.

Olhou o Lasombra.

- Quais membros do Clã da Noite lutarão conosco nas noites por vir?
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Re: A Muralha de Adriano - O Lar do Príncipe Eterno

em Qui Ago 09, 2018 1:19 pm
Seguiu atentamente todas as palavras de Mithras, tentando emendar os pedaços que faltavam no seu conhecimento fragmentado, composto de peças fornecidas por diversos cainitas diferentes. Durante todo o discurso, não desviou os olhos do Rei das Ilhas. Não era possível fazê-lo. Mithras era hipnótico em modos e palavras, inspirador em suas análises. Cassimir pensou se, um dia, se tornaria como ele.

Em Mithras, acima de tudo, residia uma culpa que transmitia simpatia a Cassimir. Era a culpa de ter deixado algo querido morrer. No caso do Rei, Roma. Para Cassimir, sua família mortal.

Respondeu prontamente à pergunta, mas tomou cuidado com as palavras.

- O Clã da Noite tem enfrentado conflitos privados, Dominus, que exige a nossa atenção. Neste momento eu represento os interesses de meu clã aqui, enquanto Lucius Sejanus o faz em Roma e Canatos, ex governante de Nápoles, permanece em nossa fortaleza, orientando aos que visitam o local quais são as nossas novas diretrizes. Temo que não possas contar com a atenção de Montano, cuja atuação se dá em um outro campo. Se houverem consanguíneos meus eu teus domínios, peço que os convoque. Eventualmente terei de viajar pelo Império para visitar meus irmãos de maior autoridade.
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Re: A Muralha de Adriano - O Lar do Príncipe Eterno

em Qui Ago 09, 2018 2:40 pm
Qaphsiel acompanhava as palavras de Mithras. Mesmo sem compreender muito da política interna e intrigas da corte de Roma, ilustradas em sua fala por meio dos muitos nomes que eram mencionados, o Arcanjo conseguiu entender o que o Senhor da Britânia disse quando mencionou que, a partir de então, todos ali se tornaram rebeldes. Aqueles nomes, quaisquer que fossem, que atualmente mantinham o controle do Império, estavam ligados à Troile e Moloch.

Troile e Moloch. Estes sim eram nomes familiares. A Brujah e o Baali, amantes unidos na prática do infernalismo. Seguindo a risca os ensinamentos do seu clã, diligentemente transmitidos a ele pelo próprio Za'aphiel, Qaphsiel sabia que as mentes por trás da ascensão e queda de Cartago eram o inimigo a ser combatido. Assim sendo, concordava que, ao menos por hora, as divergências deveriam ser deixadas de lado.

O Arcanjo aguardou Cassimir responder em nome do Clã da Noite. Quando este terminou, colocou-se a responder a pergunta feita por Mithras, sem antes deixar de fazer um breve comentário. Seu tom era calmo, porém carregado de certeza.

- Repito aquilo que disse quando me apresentei, Mithras: enquanto eu souber que seres como Troile e Moloch caminham livres, não terei nenhum outro objetivo além de combater sua influência sobre a terra. Se eles são os inimigos de todos aqui presentes, lutaremos sob a mesma bandeira. Minha espada estará ao lado de seus escudos.

Ficou em silêncio. Ponderou, por alguns seguundos, sobre a sensação de confiança que tinha por Mithras. Não havia nada em seu coração que lhe alertasse sobre um possível ardil, de modo que achou por bem revelar o que havia sido acordado em Meccah.

- Sobre nossas forças, lamento dizer que aqueles que estão diretamente sobre meu comando são apenas um punhado de homens. Valorosos, competentes e devotados a Y'srael, mas ainda assim poucos. São capazes de enfrentar um combate e foram treinados para usar táticas de guerrilha contra o Império, dado nosso reduzido número. Ainda assim, tendo em vista a ameaça que temos pela frente, eles estão muito longe de serem suficientes. No entanto...

Qaphsiel olhou de soslaio para Cassimir.

- ... Existem grandes forças mobilizadas e articuladas, prontas para enfrentar as Legiões Romanas em diversas frentes. Nas últimas noites, estive ao lado do Khalif dos Filhos de Haqim, o líder máximo do braço armado do Clã do Sangue. Ele está ciente do despertar de Troile e Moloch e estou certo que estará disposto a enfrentá-los num esforço conjunto. Além disso, há uma grande orda bárbara nos arredores do Império. Esta orda é liderada por ninguém menos do que o Rei Odoacro, Filho de Varla. Ambos estão diretamente articulados conosco.
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Re: A Muralha de Adriano - O Lar do Príncipe Eterno

em Qui Ago 09, 2018 9:16 pm
*Ser o alvo das atenções de Mithras era desconcertante. Por um momento, todo o mundo parou, e restava apenas ele à sua frente. O Príncipe Eterno falava, e a Appius não cabia nada além de responder.*

-Suas condolências e simpatia me estimam muito, Dominus. De fato, o Senador Addemar me procurou, e graças a ele cá estamos. Entendo melhor agora o que Dionysius e Miguel fizeram. Ao preservar meu senhor, ele ainda se manteve em Roma. Ao se manter em Roma, pôde fazer algo, ainda que pouco contra os que estavam lá e, novamente, cá estamos.

*Ele ouve com cuidado e atenção as falas de Qaphsiel e Cassimir sobre as forças e aliados disponíveis, para enfim falar, esfregando suas mãos.*

-Receio que minhas notícias sejam ainda piores. Não disponho de uma alma ou espada sob meu comando para nós. Apenas minha mente, o sangue de meu Senhor e alguma influência entre os mortais, que sempre verão em mim um emissário dos deuses.

*Appius para e franze a testa por alguns instantes. Ele remexe em sua algibeira e retira algo de lá, aparentemente pesado. Uma águia feita de ouro maciço.

-Uma insignificância diante de tudo que enfrentamos, eu sei, mas talvez tenha alguma utilidade. Pelo menos até adentrarmos a terra pátria da Itália, nenhuma força do Império nos incomodará enquanto um de nós portar este distintivo.
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Re: A Muralha de Adriano - O Lar do Príncipe Eterno

em Ter Ago 14, 2018 5:28 pm
Ele ouvia, atentamente, as palavras dos convidados. Caminhou novamente pelo salão e todos tiveram a nítida impressão que as luzes o seguiam, como se buscassem tocá-lo, durante o percurso.
O semblante pesado se mantinha em sua face e, ainda sim, era capaz de acalmar os presentes. Tudo haveria de se resolver. Com luta, dor e com necessárias perdas. Ainda sim valeria a pena.

Era inspirador, Mithras, em seus mais simples gestos.

Parou diante de Camden, com o qual trocou olhares afirmativos antes de prosseguir.


- De tempos em tempos ameaças maiores que as desavenças políticas, religiosas e mesmo ambições pessoas se apresentam e é nestes momentos que nós nos reunimos sob um único ideal. É assim deste o início dos tempos. Roma nasceu com o propósito de tornar a união pelo bem comum em uma rotina , fazendo com que a exceção que experimentamos esta noite se tornasse comum.

- É um alento saber de sua aproximação para com Odoacro. Agora, nos cabe aliança para destruir o mal em Roma. Convoque-o, para que debata conosco o plano de ação a seguir.

- A águia dourada em posse de Galerius será de uma utilidade ímpar. O império é vasto e as leis romanas se fazem cumprir em seu território.

-  Há um conhecimento que a vocês também pertence.  Lord Camden, por favor.


O Capadócio ergueu-se e, com ele, parecia que todas as respostas para as grandes perguntas da existência também o faziam. Se Mithras os  inspirava com sua grandeza, Lord Camden os abraçava com seus olhos esbranquiçados e sem brilho como se pudesse retirá-los da escuridão do desconhecimento.

De suas vestes simples, retirou um pergaminho que Appius reconheceu – imediatamente – como um igual aquele que Dionysius portava. Cassimir, igualmente, notou tratar-se do papiro gêmeo daquele em sua posse. Ele o abriu e o recitou com sua voz um tanto rouca e baixa.


Terrível é constatar o destino de Camilla. Pavoroso é vislumbrar o futuro negro de Roma. Ataram-me a um ritual profano. Meu sangue agora carrega a mácula dos antigos que veneravam entidades obscuras.

É preciso morrer para renascer. Como um abraço, é preciso antes perecer e somente após ser preenchido pelo sopro da imortalidade.

O Imperador perece, lentamente, para que seu sósia mantenha sua aparência. Camilla, contudo, é salvaguardado pois o seu corpo é a fonte do ritual. Quem perece, lenta e dolorosamente, é Addemar, aquele cuja mente seria a mais apta a nos guiar para uma luz cada vez mais perdida.

Logo ele, o iluminado, será consumido pelo alto preço que paga e serei eu a assumir o seu lugar. Meu sangue, que é tudo que tenho para além de meu amado filho, já não me pertence.


Rogo a vós, Conselho das Sombras,  que impeçam o ritual. Eles o apressam, temem nossas ações pois já as descobriram. Falham em acelerar o processo e despertarão os que dormem, sejam quem forem,pois só ouço suas malditas vozes em minha mente, incompletos.

Ela clama pelo sangue dos seus. De todos os seus.

Ele clama pelo sangue dos Reis. De todos os Reis.

São incompletos, mas buscarão a completude. Eu vejo o artefato. Agonia e dor acompanham a visão. Eles o temem. O artefato. Eles são incompletos.

Em meus  cada vez mais raros momentos de consciência, D.


Camden fechou-o. Olhava, embora fosse cego, para Appius, quando começou a falar.

- Reavemos este pergaminho. Um informante o encontrou nas galerias de Roma quando seu portador foi assassinado durante a tentativa de viajar em busca de Siracusa.

- A mensagem possui certas peculiaridades, como estes símbolos escritos a sangue. Creio pertencer a Dionysius. Minha análise inicial demonstrou que há uma proteção nas memórias contidas neste papiro. Dionysius era precavido. De algum modo, suspeito que somente tu, Appius, conseguirá vislumbrá-las através dos dons de percepção.

- No entanto, deves ter cuidado e antes que o faça explicitarei minhas descobertas com todos os presentes. Eles responderam-me, após muito suplicar.

Ele pausou, fechou os olhos e uma brisa gélida percorreu o salão. Balbuciava algo em uma língua que era desconhecida pelos presentes.  Sentiam frio. Sentiam que havia algo entre eles, algo de fora daquele mundo. Mithras mantinha-se de pé a seu lado, como se buscasse dar-lhe suporte moral. Camden continuou e sua voz parecia diferente, um tanto mais jovial.

- Sim, há a confirmação. O que lhes direi é atestado por aqueles que lá estão. Peço que ouçam, com atenção.

- Troile foi despedaçada. Não seu corpo, mas sua existência. Aquilo que habita o corpo morto e que não pode ser enquadrada como uma alma. Aquilo, pois só assim a reconhecemos deste lado, foi esfacelada.

- Parte dela prendeu-se ao corpo na terra salgada de onde novamente se ergueu. É esta, incompleta, que vaga entre os seus. Ela buscará o sangue que lhe pertence e que está espalhado pelo mundo, será insaciável, pois somente ele a manterá de pé..

- A outra parte está no amuleto. Ele cintila no mundo espiritual como o sol diurno. Está do vosso lado, ainda sim. Ela o buscará, pois mesmo o sangue dos seus será insuficiente.


Era outra voz, agora feminina e aguda, que continuava.

-  Sem o amuleto e na ausência do sangue que lhe pertence, ela definhará.

Eram dezenas, talvez centenas de vozes.

- Está aberto. O véu se abre pois o que caminha na terra aqui deveria estar.

As chamas arroxeadas que iluminavam o salão cresceram abruptamente e em seguida apagaram-se,  todas de uma única vez, acendendo-se em seu tamanho normal novamente a seguir. Camden vacilou, seu corpo magro e aparentemente frágil foi seguro por Mithras, que ajudou-o a sentar-se.

Foi o último que continuou.


- Troile é uma criatura dotada de habilidades antigas e poderosas. Cártago é uma lembrança dolorosa para todos que a viveram e dela recordam-se, muito para além dos Brujah, todos sofremos perdas.

- Sabemos, agora, que ela não dispõe de suas plenas capacidades e que buscará o que lhe falta. Não sabemos, ainda, do que se trata o amuleto.


Camden, ofegante como se o ar lhe fosse necessário, continua.

- O véu cobra um alto preço por suas respostas, mesmo que vagas. É o meu limite. Deposito minha confiança em Galerius e na capacidade de vislumbrar as memórias de Dionysius neste papiro, que são inacessíveis a qualquer outro que não disponha de seu sangue.

- Haverá, contudo, um preço. Sempre há. E ele é desconhecido para mim.


Silenciaram e olharam Appius.  A visão de Mithras o permitia crer que seria possível. O vislumbre de Camden lhe permitia negar, se achasse prudente.
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Re: A Muralha de Adriano - O Lar do Príncipe Eterno

em Ter Ago 14, 2018 6:24 pm
Cassimir acompanhava, com atenção, os movimentos hipnóticos de Mithras. O Matusalém o encantava, mas Cassimir sabia discernir bem qual parte era fruto dos seus poderes, mesmo que controlados, e qual parte era fruto da sua personalidade.

Diante do nome de Odoacro, manteve-se calado. Prestou atenção às palavras de Camden, outro homem de grande sabedoria e poder. Admirava a cumplicidade entre os dois cainitas, fenômeno raro de encontrar nesses tempos sombrios. De uma certa forma sentiu-se sozinho.

Os vaticínios de Camden não o assutavam, assim como não o faziam as vozes que, provavelmente, vinham do outro lado da Mortalha. Aquelas palavras não eram tão direcionadas a ele, mas sim a Appius. Cassimir acompanhou as mudanças de expressão do Capadócio com atenção, ocasionalmente olhando para Qaphsiel. Não obstante, o quanto descrito por Camden e as possíveis fraquezas dos inimigos chamaram a atenção de Cassimir. Sabia que era possível vencer, mas não estava seguro se essa era uma observação baseada em fatos ou somente uma impressão causada pela sua proximidade com o Deus dos Soldados. Ainda sim, Cassimir queria acreditar. Quando terminaram, limitou-se a dirigir-se à Mithras.

- Odoacro, infelizmente, está morto. Vimos de relance quando passamos pelo Norte. Me recordo, porém de alguns de seus aliados, embora não saiba mencionar os seus nomes. Espero que tenham sobrevivido, para o nosso bem e para o bem desta aliança.

Olhou para Appius. Sorriu ao fazê-lo. Estendeu, mais uma vez, o pergaminho ao Capadócio.

- Creio que isto te pertença. E creio que, agora, você esteja pronto para tê-lo sob o seu poder.
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Re: A Muralha de Adriano - O Lar do Príncipe Eterno

em Qua Ago 15, 2018 11:37 am
Com os olhos apertados, Qaphsiel observava o cainita que se apresentou como Camden. Os métodos do Clã da Noite lhe eram estranhos, pois pouco aprendera sobre eles. Ainda assim, tinha uma imensa desconfiança daqueles que se envolviam com os assuntos dos mortos. Violar a paz - ou o tormento - das almas que haviam cruzado o Véu era uma ação perigosa. As consequências eram imprevisíveis. Ainda assim, Camden o fazia de um modo que transparecia habilidade. Ficava claro, para Qaphsiel, que dar voz aos mortos era algo que o Capadócio fazia com regularidade.

Quando as vozes se fizeram ouvir, um arrepio subiu pela espinha do Arcanjo. Sentiu o vento percorrer o salão, como se em algum lugar uma porta estivesse sendo aberta. E, de fato, estava. Camdem criou um canal e verdade estavam sendo reveladas. De tudo o que estava sendo dito por aqueles que já partiram, duas coisas chamaram atenção de Qaphsiel. A primeira delas era que, apesar do risco iminente a qual estavam todos submetidos, eram os membros do clã Brujah que sofreriam mais. Troile caçaria até o último membro do seu próprio Sangue para sobreviver...

O segundo ponto que saltou aos seus ouvidos foi a menção de um amuleto. Imediatamente, Qaphsiel lembrou da maldita visão que teve quando Troile e Moloch acordaram. Um estranho homem de pele negra e voz grave com o qual relutantemente compartilhava uma taça de vitae. O homem mencionava alguém, um antigo aliado. E um amuleto... Estariam falando da mesma coisa?

As vozes cessaram, e Qaphsiel voltou seu olhar para Appius. Caberia ao outro Capadócio dar prosseguimento às revelações. Observou-o com pesar. O patrício tinha a expressão de quem havia sofrido nas últimas noites. E agora, mais uma vez, cobravam-lhe um sacrifício. Ainda que não concordasse com os métodos, o Arcanjo pensou a respeito do quão duro deveria ser, para um membro do Clã da Morte, saber que seu amado senhor estaria para sempre impedido de vislumbrar os mistérios do Sheol, pois sua alma imortal fora devorada pelo próprio filho, contra a vontade deste último.

Pelo que conseguiu entender, Appius era um sacerdote. Um homem que professava a fé nos deuses gentios dos romanos. Qaphsiel foi então tomado por uma inexplicável compaixão e dirigiu-se ao Capadócio com um olhar terno:

- Sei que passestes por muitas coisas, Appius Galerius Buteo. Dependemos de você agora, mas eu, Qaphsiel, entederei perfeitamente caso não queira seguir por esse caminho. Buscaremos outro, se preciso for. Para poupá-lo de mais esse sofrimento.

Quando Cassimir revelou a verdade sobre Odoacro, o Arcanjo sentiu um peso em seu peito. Olhando para o nada, falou em um tom baixo e embargado. Sua dor não era por Odoacro, mas pelo revés que sofriam com sua baixa.

- Então, aquilo que vimos... não era apenas isso, uma visão trágica... Foi real...

Ficou um breve momento em silêncio, ponderando sobre os obstáculos que se colocavam. Pensou sobre a outra parte da fala de Cassimir, quando mencionou os aliados do Gangrel.

- Poderíamos tentar o contato com seus aliados, com a esperança de que não tenham tombado ao seu lado. Seria possível, usando isso?

Em sua mão direita, Qaphsiel segurava o cristal que os vinculava.
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Re: A Muralha de Adriano - O Lar do Príncipe Eterno

em Qua Ago 15, 2018 5:59 pm
*Naquele momento, quando Camden lê as palavras de Dionysius, Appius vê mais uma vez a culpa do ato que cometeu, e como ela será sua eterna companheira pela eternidade. Se tivesse simplesmente se recusado, quão simples seriam as coisas? Um sono tranquilo, as descobertas do Véu além da morte… Mas era inútil se aventurar nesses exercícios, especialmente porque Appius não era somente o executor de Dionysius. Era também seu legado, como ouvia agora de seu próprio punho. Era tudo que restava do velho cainita, e carregaria a luta dele consigo, como fardo e missão.*

*Também lhe deixa estupefato o domínio de Camden nas matérias espirituais. Appius não era nenhum iniciante nas artes místicas, pelo contrário, se considerava um mestre no tocante ao fenômeno físico da morte e seus efeitos, mas o domínio de Camden para contatar o outro lado do Véu mostrava a ele o quanto ainda tinha que aprender.*

*Ele recebe o pergaminho de Cassimir e o conforto de Qapshiel com um sorriso, e agradece aos dois com um meneio da cabeça.*


-Obrigado, Cassimir. E Qaphsiel.

-Apesar de todo o cataclisma que enfrentamos, a solução é simples. Se Troille definha sem seu sangue, a coisa mais fácil a fazer é privá-la dele e nos escondermos, esperando que simplesmente definhe enquanto ela e o Império que usurpou espalham cinzas e misérias pelo mundo. Muito simples.

-E o que teríamos a perder ao fazer isso? Apenas tudo. Todos os projetos, metas e conquistas dos últimos séculos virariam pó, mas ainda assim a Antiga cairia, eventualmente. Somos vampiros, imortais, e por definição, criaturas de paciência.

-E todos sabemos bem que não podemos. Uma vez, nas minhas primeiras noites, eu disse ao meu Senhor o quanto ele desperdiçava seus talentos e sabedoria com intrigas menores com os outros de sua idade, mas hoje eu percebo minha tolice. Pode ser tarde demais para me desculpar com ele por minhas palavras, mas não é para mudar minhas ações. Não nos é dado o luxo de sentar e observar o mundo arder em chamas, mas a missão de agir. Portanto eu agradeço o apoio e consideração de todos, em especial sua compaixão, Qaphsiel, mas há um caminho à nossa frente, e ele é singularmente claro.
*Ele solta um riso seco* -Eu não me vejo convertendo ao cristianismo em nenhum futuro, próximo ou distante, mas chega a ser engraçado como entendo agora o apreço que eles têm ao sacrifício e martírio.

*Os dois pergaminhos enfim reunidos - talvez as últimas posses materiais de Dionysius - e Appius se demora um tempo alisando o velino suave, vendo os símbolos desenhados por seu Senhor e como se complementavam. Podia ver agora, claramente.*

*Fechando os olhos, Appius projeta sua consciência e visão para os escritos, em busca da grande verdade contida neles, e do último legado de Dionysius, Cria de Japheth.*
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Re: A Muralha de Adriano - O Lar do Príncipe Eterno

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