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A Fortaleza Vermelha - Coração dos Sete Reinos

em Sab Maio 19, 2018 9:54 pm
"Aegon o Conquistador ordenou sua construção. Maegor o Cruel a terminou. E em seguida, ele havia tomado as cabeças de cada pedreiro, carpinteiro e construtor que trabalhou nela. Apenas o sangue do dragão saberia dos segredos da fortaleza que os senhores dos dragões haviam construídos, ele jurou."

-Catelyn Stark-



*A Fortaleza Vermelha é o centro do poder dos Targaryen, abrigando o Trono de Ferro, o Pequeno Conselho e praticamente toda a estrutura administrativa dos Sete Reinos. Após o término da Conquista, Aegon o Conquistador ordenou que a paliçada de madeira na colina que levava o seu nome fosse transformado em uma fortaleza permanente, cuja obra foi completada por seu filho e terceiro rei de Westeros, Maegor, o Cruel.*

*A Fortaleza Vermelha é feita, como diz o nome, de pedras vermelho-claras; ela possui sete torres circulares coroadas com ameias de ferro. A fortaleza é cercada por muralhas espessas, com ninhos e seteiras para arqueiros. Grossos parapeitos de pedra, alguns com mais de um metro de altura, protegem o topo da muralha externa, onde as cabeças de traidores tradicionalmente são postas em espetos de ferro acima da ponte levadiça. As muralhas possuem grandes portões de bronze, e portas menores nas laterais, e o imenso barbacã central possui uma praça ladrilhada à sua frente. Além das muralhas, há pátios internos pequenos, salões amplos, pontes cobertas, quarteis dos mantos dourados, masmorras e granários.*

*Com o príncipe Daeron vivendo em Pedra do Dragão com sua extensa família, a maior parte dos Targaryen não se encontra em Porto Real, o que facilitou a Einar Targaryen ter bons aposentos dentro da Fortaleza, embora não estejam no Forte de Maegor, o castelo-dentro-do-castelo que abriga o Trono de Ferro e os apartamentos reais.*

*Einar possui um pequeno apartamento, composto por um quarto amplo e bem decorado, com uma cama de baldaquino e uma sacada com vista para a cidade, em particular o Grande Septo de Baelor, na extremidade oposta de Porto Real, no alto da colina de Visenya; além de uma antesala que fazia as vezes de sala de leitura ou de visitas. Além dos servos do palácio responsáveis pela limpeza, Einar recebeu um servo pessoal, que atua como pagem: Leo Brax, um rapaz de doze anos vivaz e simpático, que não teve o desejo - ou vocação - para se tornar escudeiro.*

*Einar já se encontrava desperto, lendo uma cópia d'A Conquista de Dorne, livro escrito pelo rei Daeron I, o Jovem Dragão, há cerca de vinte anos. O livro não só era um exemplo pela fineza da prosa e do pensamento militar de seu autor, como também era para Einar uma forma de manter contato com o pai, morto naquela guerra.*

*O jovem Leo adentra no quarto com um sorriso no rosto sardento, trazendo o desjejum do Targaryen em uma bandeja: queijo, uma maçã, mingau de aveia com um pouco de mel e uma taça de vinho dourado da Árvore, além de dois pergaminhos. Ele deposita a bandeja em uma mesa antes de começar a falar.*


-Bom dia, sua senhoria! Hoje parece um dia promissor! Nunca vi o senhor receber correspondência antes, mas hoje tem duas cartas!

*Livre dos alimentos, o pagem pode examinar os pergaminhos com calma, e Einar vê claramente como o riso do rapaz diminuiu, como que por mágica. Ambos os pergaminhos estavam selados com o dragão de três cabeças da casa Targaryen.*

-Um é da senhora Rhaena e o outro...

-O outro pergaminho vem do rei...





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Re: A Fortaleza Vermelha - Coração dos Sete Reinos

em Dom Maio 20, 2018 5:07 am
Einar adorava Porto Real. Apreciava, em particular, a Fortaleza Vermelha. Era uma ligação viva com seus Ancestrais, os muros e torres eram odes à grandeza e poder dos Targaryen. Passava horas nos muros da Fortaleza, a guardar o mar, um hábito que havia mantido após deixar Ponta Tempestade, onde havia estado por algum tempo, como parte de seu treinamento e educação. Em Porto Real encontrava poucos membros da família, e isso era positivo. Odiava ter de recordar quão baixo haviam caído os Targaryen, toda a nobreza e capacidade de comando diluída ao longo de gerações. No entanto, era frequentemente procurado por outros Dragões, em especial os mais novos, que desejavam descobrir o que a vida de guerreiro lhes reservava, já que cresceriam em breve. Neste momento Einar era gentil e cordial, falando por horas com os mais jovens. Talvez tivesse alguma esperança em formar uma geração mais capaz.

Einar era a epítome da estranha beleza Targaryen. Os cabelos eram vivamente prateados, brilhantes e ligeiramente longos. Os olhos eram de um púrpura profundo. Não era imberbe, mas se dedicava diariamente a eliminar os pelos de sua face. Era alto e longilíneo, mas de porte atlético, quase musculoso. Quando não usava sua armadura, preferia roupas simples e confortáveis, mas invariavelmente em tons de rubro e roxo, combinados com o branco. Era um belíssimo homem, Einar, possivelmente um dos mais bonitos dos Sete Reinos.

Pousou o livro cuidadosamente quando Leo entrou com a bandeja. O Targaryen sorriu para seu servo. O tinha em grande simpatia: sua sensibilidade e alegria eram um alento em meio à tensão de Porto Real. Além disso, Einar intuía que não teria filhos. As mulheres não lhe atraíam mais do que o necessário. Decerto consideraria um casamento e a procriação, mas não sendo herdeiro ao Trono de Ferro ou de qualquer outra coisa, não se configurava em uma obrigação. Afagou os cabelos de Leo com a mão esquerda e agradeceu.

- Obrigado, Leo. Veja aquele livro. Leia a página marcada. Quero ver como evoluiu a tua capacidade de leitura. Lembre-se, você não será um servo para sempre, e um homem precisa entender os segredos escondidos pelos desenhos que chamamos letras.

Einar olhou as duas cartas, mas sequer as tocou. Desfrutou dos alimentos trazidos por Leo, enquanto o jovem rapaz lia em voz alta o texto indicado. Não obstante, fixava as missivas enquanto comia. Quando terminou, pediu a Leo que se retirasse. Preferia estar sozinho durante a leitura. Por razões óbvias escolheu abrir inicialmente a missiva Real.


Última edição por Einar Targaryen em Qua Maio 23, 2018 9:11 am, editado 1 vez(es)
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Re: A Fortaleza Vermelha - Coração dos Sete Reinos

em Seg Maio 21, 2018 7:17 am
*Leo pega o volume com cuidado, enquanto Einar come o desjejum. O rapaz lia bem, embora preferisse canções e baladas aos textos militares e históricos que o seu senhor tanto lia. Com uma voz clara, ainda intocada pela puberdade, ele segue as palavras do Jovem Dragão.*

-"O Brasão da Casa Martell exibe o sol e a lança, duas das armas favoritas dos dorneses, mas das duas, o sol é a mais mortal. A Conquista de Dorne mostrou, mais do que tudo, que um comandante não enfrenta apenas tropas inimigas, mas o próprio solo. Mais do que a superioridade numérica, os dorneses usam seu conhecimento do solo nativo com maestria: ao usarem armaduras leves, seus soldados possuem bastante mobilidade, e conhecem o terreno como a palma das mãos pardas, sabendo sempre onde ficam os oásis estratégicos em meio aos seus desertos intermináveis, de forma que cada marcha era uma batalha em potencial."

-"Tais condições exigem que um general tenha adaptabilidade e confiança nos próprios homens. Aliás, circunstâncias como esta fazem com que seja fundamental que um líder saiba delegar. Estando mergulhados em território hostil onde a localização e proteção de recursos era indispensável, não havia órgão mais vital que o corpo de batedores, escolhidos a dedo pelo meu primo Jaehaerys, que transformou seu comando nos olhos e ouvidos do exército..."

*Ao ver a menção ao pai de Einar, Leo para a leitura para observar a reação do guerreiro, que por sua vez estava absorto na correspondência. O pergaminho do rei continha uma mensagem curta, seguida da assinatura da letra pesada de Aegon IV e seu selo pessoal.*

Almoço hoje.

*O outro, por sua vez, continha uma mensagem mais elaborada, escrita em uma letra fina e elegante.*

Einar,

Através de uma benção dos Sete, tive autorização para deixar meu septo em Valdocaso, vindo até a Porto Real a fim de resolver assuntos ligados à Fé. Independente de minhas obrigações, me agradaria em muito poder ver o homem que você se tornou, e sobre o qual ouço apenas coisas boas e dignas. Caso seu coração encontre piedade o suficiente para atender aos desejos vaidosos de uma septã solitária, estarei no Grande Septo de Baelor pelos próximos três dias.

Que a Velha ilumine seu caminho e lhe encha de sabedoria,

Rhaena Targaryen

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Re: A Fortaleza Vermelha - Coração dos Sete Reinos

em Seg Maio 21, 2018 8:28 am
Einar comeu enquanto seu servo lia. No meio tempo, dedicou-se à leitura das duas missivas. Alguma curiosidade o acometia, oriunda muito mais da carta de Lady Rhaena do que daquela escrita pelo Rei Aegon. Tinha razão, no final. A carta do Rei foi rapidamente posta de lado, em virtude da sua concisão. Deveria almoçar com o Monarca. Não sabia se era um privilégio ou um castigo, dada sua opinião sobre Aegon e a decadência da Casa Targaryen que ele representava. Não obstante, compareceria.

Após ler a missiva de Lady Rhaena, entretanto, não chegou a nenhuma conclusão que satisfizesse sua curiosidade. Havia ouvido falar da Targaryen, filha de uma descendência ilustre e aparentada com vários dos monarcas anteriores. Não conseguia imaginar a razão do seu interesse em encontrá-lo. Decidiu que a visitaria no final da tarde, considerando que o almoço com sua Majestade duraria um tempo considerável. Sem pressa, pegou pena e pergaminho, escrevendo uma breve resposta àquela Senhora.

Estarei no Septo no final desta tarde, Lady Rhaena. Será um prazer encontrá-la.

Fechou o envelope e o selou com o selo da família. Elogiou a leitura de Leo, que havia melhorado muito, e o entregou o documento, ordenando que fosse entregue no Septo de Baelor. Após terminar o almoço, retomou suas leituras até que estivesse próximo do horário do almoço. Vestiu-se elegantemente: calças escuras e camisa branca, botas de cavalgada e um manto avermelhado, com o símbolo da Casa Targaryen na parte posterior. Não dispunha de joias familiares, portanto sua aparência era relativamente simples. Após preparar-se, deixou a Fortaleza Vermelha, seguindo sobre seu cavalo em direção ao Castelo.
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Re: A Fortaleza Vermelha - Coração dos Sete Reinos

em Ter Maio 22, 2018 3:46 pm
*Leo pega a carta e se prontifica a entregar para um mensageiro, ao mesmo tempo em que deixa a roupa escolhida por Einar na cama, todas limpas e impecáveis.*

*Conforme a hora do almoço se aproxima, Einar parte de encontro ao rei. Um cavalo não seria necessário, já que os aposentos do rei se encontravam no Forte de Maegor, ainda dentro da Fortaleza Vermelha.*

*O Forte é uma construção quadrada rodeado por um fosso com espinhos, cuja única entrada é uma ponte levadiça, sempre guardada por um cavaleiro da Guarda Real. Naquele momento, quem protegia a ponte era Sor Tom Costayne, o Longo. O apelido pode ter significado algo no passado, mas hoje Sor Tom é um velho se esforçando para parecer digno e ficar ereto em sua armadura de escamas esmaltadas de branco. Embora o velho cavaleiro não seja uma figura impressionante, Einar sente no seu âmago que não deveria julgá-lo. Sor Tom estava na Guarda Real há quase cinquenta anos, e o serviço de um Cavaleiro Branco só terminava com a morte.*


-Lorde Einar. *O cavaleiro acena com a cabeça, e lhe permite passagem. Ao passar por ele, Einar pode ver o suor na fronte do velho, como se o próprio ato de usar a armadura pesada fosse um esforço.*

*Dentro do Forte, um servo o aguarda, e sem maior cerimônia o leva até os aposentos reais. Dois outros cavaleiros guardavam a porta do aposento do rei, Sor Flement Darklyn e o Lorde Comandante, Sor Robert Flowers. Ao contrário do velho Tom, os dois estavam no auge da forma física, e pareciam esplendorosos. O servo abre a porta e anuncia o visitante.


-Einar Targaryen, Vossa Graça.

*Uma voz, grossa e rouca é ouvida de dentro do aposento.*

-Deixe-o entrar.

*O servo abre caminho para Einar com uma reverência.*
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Re: A Fortaleza Vermelha - Coração dos Sete Reinos

em Qua Maio 23, 2018 3:48 am
Enquanto caminhava, Einar observava a grandiosidade do Forte de Maegor. Orgulhava-se imensamente das realizações dos Targaryen, os Grandes Unificadores dos Sete Reinos, seus Ancestrais. Alçou o olhar ao horizonte, admirando Pouso Real por alguns segundos. Respirou fundo ao aproximar-se da entrada. Sabia que estava indo ao encontro do Rei e que sua paciência e disposição muito possivelmente seriam testadas. Além disso, conhecia o caráter orgulhoso de Aegon e imaginava que aquele não seria um simples almoço. Algo lhe seria ordenado.

Dedicou parte de seu tempo a cumprimentar adequadamente Sor Tom. Por poucos minutos procurou conversar amenidades com o velho cavaleiro. Einar não o julgava, pelo contrário, admirava sua resiliência e caráter, artigos raros nos homens de hoje. Apertou a mão do cavaleiro com energia e confiança, finalizando com um "É uma honra tê-lo entre nós, Sor Tom Costayne".

Adentrou. Cumprimentou brevemente o servo, com um aceno de cabeça, fazendo o mesmo, porém com mais respeito, com os dois cavaleiros que guardavam os aposentos reais. Admirou, disfarçadamente e por um breve segundo, a forma física dos dois homens, desejando que, eventualmente, um deles comparecesse ao seu leito. Sua expressão, contudo, era máscula e sóbria: Einar sabia que seus pensamentos e desejos não eram bem aceitos em alguma ocasiões.

Quando entrou, procurou o Monarca. Antes mesmo de fixar os olhos em sua face, Einar se curvou em uma saudação adequada e elegante.

- Bom dia, Majestade. É um prazer ter sido convidado por Sua Graça para um almoço.
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Re: A Fortaleza Vermelha - Coração dos Sete Reinos

em Qua Maio 23, 2018 11:35 pm
*Quando Einar para para conversar com o velho Sor Tom, o Targaryen percebe uma mudança visível no cavaleiro. Seus olhos brilham com alegria pelo respeito recebido, e Einar pode ver simpatia por trás do elmo e dos longos bigodes. O que antes parecia esforço para se manter ereto, agora se traduzia em dignidade, o único e maior patrimônio de Sor Tom Costayne. E mesmo conversando sobre amenidades, o cavaleiro nunca relaxa a postura, pondo o dever sempre em primeiro lugar.*

...

*Os apartamentos reais são amplos e espaçosos, decorados com tapeçarias finas e mobília de qualidade, madeiras finas como mogno de Qohor e afins. De fato, a qualidade se faz necessária, pois nenhum outro tipo de madeira aguentaria o porte do rei.*

*Einar viu o rei cerca de meia dúzia de vezes desde que chegou à capital. Não tinha o menor interesse em bajular o rei, e este por sua vez tinha pouco ou nenhum interesse no sobrinho, mas Aegon, o Quarto de seu nome parecia ainda mais gordo para Einar do que a última vez que o vira, quando julgava isso impossível. O rei estava inchado, facilmente passando dos duzentos quilos; seus braços e pernas eram de uma circunferência anti-natural, e os dedos gordos repletos de aneis de brilhantes. Aegon usava, até onde Einar podia ver, apenas um manto de pele elegante, em detalhes negros e rubros, mas já sujo com manchas de vinho e comida. Sobre sua cabeça estava a coroa, um objeto maciço feito de ouro vermelho, onde cada ponta terminava na cabeça de um dragão com gemas variadas no lugar dos olhos.  O rosto do rei era inchado e vermelho e os lábios arroxeados, como se ao mesmo tempo estivesse se exercitando e com dificuldades para respirar, e o rosto era emoldurado por uma grande barba da cor de prata, numa tentativa (vã) de esconder as múltiplas papadas no seu pescoço e queixo, e os olhos pareciam pequenos no meio de tanta carna, dois pontos brilhando de cobiça e malícia.*

*Quando o servo apresenta Einar, o rei o dispensa com um gesto e, ainda sem falar, convida a Einar a se sentar na sua frente. A mesa estava posta, mas sem comida, que seria trazida por servos. O primeiro prato é uma sopa, creme de cebola com queijo derretido e especiarias, servido dentro de um pão, acompanhado de vinho tinto da Árvore, seco e forte, mas de excelente qualidade. Da mesma forma, a comida parecia pesada para o clima, mas era deliciosa.*

*O rei logo põe-se a comer, e a visão é perturbadora. Ele come com a voracidade de um animal, parecendo de fato como uma criatura que vive apenas para saciar seus apetites. Logo, a sua barba espessa está suja pelo creme, mas ele não parece se importar, continuando a comer e beber. Até que enfim quebra o silêncio.*


-Ouvi dizer que é um bom guerreiro, e que foi criado pelos Tyrrell. Os Tyrrell fazem sabem fazer duas coisas: arrotar e peidar perfume e criar cavaleiros. E você é um cavaleiro que não cavalga. O que aprendeu na minha cidade nesses dois anos? E o que espera fazer aqui?


Última edição por Arquimeistre em Sex Maio 25, 2018 12:18 pm, editado 2 vez(es)
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Re: A Fortaleza Vermelha - Coração dos Sete Reinos

em Qui Maio 24, 2018 5:26 am
Einar não demonstra nenhuma inquietação, nojo ou desaprovação diante da figura do Monarca. Não sorri, entretanto. Adentra o recinto, curvando-se uma vez mais diante de Aegon. Observa discretamente os móveis, tapeçarias e o espaço em si. Avança lentamente, fino ao momento de sentar-se diante do Monarca. Quando a comida chega, Einar come sem pressa, mas sem marcar uma elegância ou etiqueta particular. A comida agradava o jovem Targaryen, mas procurou não comer muito: o clima poderia prejudicar sua digestão. Não esboça nenhuma expressão de desaprovação diante da "etiqueta" do Monarca, limitando-se a olhá-lo nos olhos quando este resolve falar.

- Sor Álamo Tyrrel me ensinou muito do que ele sabe, e se dizem que sou um bom guerreiro é graças às suas lições, Majestade. Meus anos na Campina me ensinaram muitíssimas coisas sobre a Casa Tyrrel e, de fato, formam grandes cavaleiros.

Einar fez uma pausa para conduzir uma colher da sopa até a boca. Após degustá-la, mas antes de engolir completamente, continuou a falar.

- E sim, eu cavalgo. Embora o combate sobre o cavalo não seja meu forte em particular. Prefiro o calor do combate corpo a corpo, onde posso avaliar melhor meus inimigos. É óbvio, porém, que lutar sobre uma montaria tem suas vantagens, mas impõe, também, limitações.

Sorriu, sem excessos.

- Tenho aprendido muito em vossa cidade, Sua Graça. Em especial sobre o passado de nossa família. São histórias que muito me interessam. Pouso do Rei me apresentou também dinâmicas sociais, digamos, interessantes. Quanto ao que espero fazer aqui, é muito simples. Estou a serviço vosso, Vossa Graça. Além disto, pretendo passar mais tempo na cidade de meus Ancestrais. Passei anos suficientes na Campina.

Einar falava de maneira cadenciada, embora não lenta. Sabia que, a despeito da imagem do Rei e dos desprezo que muitos tinham por sua figura, tratava-se de um homem sagaz e ambicioso, com um raciocínio acurado. Caso contrário, não teria se mantido no Trono de Ferro por tantos anos. Einar era um poço de neutralidade temperada com leves acenos e cabeça e sorrisos calculados. Seus anos entre os Tyrrel o haviam ensinado, acima de tudo, como se comportar em círculos sociais, como disfarçar suas intenções e extrair o que desejava daqueles ao seu redor. Olhou uma última vez para o Rei antes de abaixar o olhar para absorver uma outra colherada. Suas expressão era de respeito e submissão, temperada com uma pequena dose de ambição pessoal.
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Re: A Fortaleza Vermelha - Coração dos Sete Reinos

em Sex Maio 25, 2018 9:05 pm
*Conforme Einar fala, o rei termina a sopa e, não satisfeito, devora o pão que servia de tigela. Uma serva traz o segundo prato, um lúcio inteiro recheado com amêndoas e ervas. Aegon recebe a primeira porção, além de apalpar os seios e traseiro da serva no processo, e em seguida Einar é servido, sob um olhar envergonhado da mesma que deixa o recinto com o rosto vermelho e algumas manchas de gordura no vestido. O rei mostra um sorriso com os dentes amarelos.*

-Uma bela flor, não é? Tímida agora, mas na cama... Hahahaha, na cama tem a selvageria de um dragão! Sabe, Einar, uma noite não é completa se não é gasta com um par de tetas jovens no rosto, e um corpo roliço para aquecer a cama do seu lado. Você devia se casar! Ou não, aproveitar os bordeis da cidade enquanto pode, é o que eu fazia na sua idade, tenho certeza que somos parecidos. Aposto que quando aparece numa das casas, as raparigas fazem fila, não é?

-Você falou em estudar a história da família. Esqueça isso! Daeron já passa os dias com o nariz enfiado em pergaminhos, e só me traz vergonha! Se cerca de meistres, cantores e dorneses enquanto o nome da família vai para a vala.


*O rei se inclina pra frente, um esforço considerável, trazendo à mente de Einar a imagem de um deslizamento de terra, uma montanha se movendo.*

-Eu quero Targaryens que não me tragam mais vergonha. Seu pai foi morto pela traição dos dorneses, meu outro irmão, Aemon, morreu sem conseguir vencer dois míseros assassinos...

*Einar sabia que Aemon, o Cavaleiro do Dragão, Senhor Comandante da Guarda Real, havia dado a vida para proteger o rei, tomando um golpe no lugar deste, dos irmãos Toyne, dois cavaleiros que tentaram assassinar Aegon por este ter matado seu terceiro irmão, executado por manter um caso com uma das amantes do rei.*

...Daemon é bom, mas ainda é jovem, e um bastardo, mas você... Olhe só para você! Queixo forte, ombros largos, uma barriga reta e dura! Não parece em nada com o frouxo do Daeron, com seus olhos fracos, ombros redondos e barriga mole.

-Eu tenho espaço na minha corte para serviço bom e fiel. Meu comandante dos mantos dourados foi afastado do cargo há pouco tempo, ou se você tiver interesse, posso abrir uma vaga no meu Pequeno Conselho.

-Seu pai... Seu pai ia querer isso...


*Einar congela por um momento. Desde que havia chegado à corte, ouviu e viu muito sobre o rei. Mas nunca poderia imaginar o que via agora. O rei num estado emotivo.*
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Re: A Fortaleza Vermelha - Coração dos Sete Reinos

em Sab Maio 26, 2018 6:28 am
Einar sorri calculadamente. O comportamento do Rei em relação às mulheres em geral era relativamente comum na sua opinião. Possivelmente todos os grandes senhores de Westeros usavam de suas prerrogativas para saciar seus instintos sexuais. Einar pensou que, se as mulheres o interessassem, possivelmente se comportaria de forma semelhante. Observou a serva enquanto esta saia, com pouco interesse sexual, mas percebendo que talvez parte de seu desconforto não fosse vinculado à timidez, mas ao provável desprezo que sentia pelo Monarca, ainda que deitar-se com o Rei lhe possibilitasse vantagens razoáveis.

- Sim, Majestade. Acredito que nestes termos somos sim parecidos. Um bom sexo é sempre um bom sexo e, ocasionalmente, suplanta nossas preocupações mais imediatas. Sim, tenho aproveitado bem a minha juventude.

Einar não terminou sua sopa, mas estava satisfeito, descartando a continuação.

- Sobre estudar a história da Família, o faço somente no interesse de me inspirar nas grandes realizações de homens como nossos Ancestrais. Nas ações de Vossa Graça.

Sorriu, novamente.

A menção ao pai fez Einar estremecer. Falava pouco de Jaehaerys. Seu pai lhe fazia falta, gostaria de ter aprendido com ele tudo o que um filho deve aprender mas, infelizmente, o tempo e a guerra tornaram tal coisa impossível. A consideração do Rei pelo seu falecido genitor chegou a tocar Einar. As opiniões gerais era de que Jaehaerys tinha sido um grande cavaleiro e a consideração do Rei era uma prova disso. No entanto, a abertura do Monarca dava a Einar uma janela de oportunidade que não pretendia desperdiçar.

- Tenho orgulho da minha herança Targaryen, Majestade. É o meu sangue que me impõe, sempre, a fazer o melhor possível, a sobressair-me perante os demais. Não foi esta característica que nos permitiu conquistar e manter o Trono de Ferro? A debilidade de alguns Targaryen é um resultado indesejado dos tempos que vivemos. Devemos, absolutamente, reforçar lealdades e retomar o orgulho que rege a nossa Casa. Somos feitos de Fogo e Sangue, não somos?

Einar olhou diretamente para o Monarca pela primeira vez desde que havia iniciado o encontro. Mudou sua expressão. De um homem cuidadoso passou a um cavaleiro decidido.

- Se meu pai gostaria disso e se Vossa Graça vê em mim um aliado capaz, leal e dedicado, não me resta opção e, ainda que me restassem seria esta que eu escolheria, que não aquela de fazer parte de Vosso Pequeno Conselho. Dedicarei minha vida a servir lealmente Vossa Graça, em quaisquer tarefas que me sejam confiadas, se Vossa Graça requerer o meu serviço. É o meu papel como Targaryen e o meu papel como cavaleiro.

Abaixou os olhos lentamente em direção à sopa, enquanto esperava a resposta do Rei.
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Re: A Fortaleza Vermelha - Coração dos Sete Reinos

em Sab Maio 26, 2018 10:27 pm
*As palavras de Einar parecem agradar ao rei. A mistura de elogios à pessoa do rei, à família e vulgaridades aparentam ser as teclas certas a serem tocadas no monarca.*

*Um outro servo volta, retirando o lúcio e pondo à mesa o prato principal: um leitão, servido inteiro, com a pele crocante e uma maçã à boca. Mesmo após dois pratos, o cheiro e aparência são deliciosos. O rei, como antes, tem a primeira porção servida e começa a destrinchar uma perna, comendo-a com deleite enquanto o caldo e gordura escorrem pela barba.*


-Hahahahaha! Bom sexo é bom sexo... Sexo, meu rapaz, é como um capão. Quando é bom, é ótimo, e quando é ruim, ainda é muito bom!

*Aegon parece pesar o sobrinho por uns instantes antes de falar.*

-Os mantos dourados são seus, basta apenas esticar a mão. E se me mostrar seu valor e talento, pode escolher a cadeira que quiser no Pequeno Conselho. Nenhum de seus membros me é indispensável.

-Os Targaryen precisam, sempre, mostrar seu poder.
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Re: A Fortaleza Vermelha - Coração dos Sete Reinos

em Dom Maio 27, 2018 4:01 pm
Einar se serviu de uma fatia do leitão, o perfume era demasiado agradável para rejeitá-lo. Além disso, o movimento o daria tempo, ainda que alguns segundos, para pensar sobre a proposta do Monarca. Cortou um pedaço da carne e o levou a boca, respondendo ao Rei de boca cheia.

- Se Vossa Graça me considera apto para a tarefa, nada mais me resta fazer que confiar no Vosso discernimento e aceitá-la. Asseguro-lhe, Vossa Graça, que darei o meu melhor, para que sejas capaz de avaliar o meu talento e os meus serviços prestados.

Levou à boca um outro pedaço.

- E sim, Vossa Graça. Os Targaryen devem sempre demonstrar o seu poder.

Einar estava satisfeito. Sabia que ocupar tal cargo em uma cidade como Pouso de Rei exigiria um nível de atenção e dedicação absurdos. No entanto, Einar queria pôr-se à prova. Deveria cultivar amizades, a partir de agora. Deveria conhecer seus subordinados. Deveria mapear a cidade. Einar sentia a febre comum a quando se dedicava a qualquer assunto que exigia a sua máxima atenção.
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Re: A Fortaleza Vermelha - Coração dos Sete Reinos

em Seg Maio 28, 2018 9:55 pm
*O rei está satisfeito, e Einar perplexo. No curto diálogo, o leitão já havia desaparecido; e agora os servos apresentavam um guisado de carne bovina. Gorduroso e pesado, mas de aparência suculenta.*

-É bom que seus valores estejam certos. Você valoriza a casa Targaryen acima de tudo, e quer crescer, posso farejar isso.

-Você vai se apresentar a Lorde Jon quando terminarmos, e ele o colocará no comando dos mantos dourados ainda hoje. Minha cidade precisa de paz e eu... eu preciso de olhos nas ruas...


*Lorde Jon Hightower era a Mão do Rei. Dele, Einar sabia apenas que sua chegada ao poder era recente, próxima à vinda do Targaryen até a capital, que era vassalo de Lorde Alamo e que não era particularmente eficiente.
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Re: A Fortaleza Vermelha - Coração dos Sete Reinos

em Ter Maio 29, 2018 4:33 am
- Sim, Vossa Graça.

Einar respondeu enquanto se servia de uma pequena parte do guisado, o suficiente para não ser descortês em deixar que o Monarca comesse sozinho - embora Einar intuísse que ele sequer se importava - mas não uma quantidade que o fizesse sentir pesado. O Rei era uma besta, engolindo quantidades colossais de comida, a despeito do seu peso já avançado. Einar o julgava mentalmente, a degradação física de um Rei era um péssimo exemplo. Os Targaryen eram guerreiros e conquistadores, homens de armas e comandantes, e a capacidade física deveria ser uma das grandes preocupações da casa.

Einar desprezava o Rei e tudo o que ele significava. Era o símbolo da decadência de sua Família, iniciada anos atrás, processo que Einar deteria se tivesse a oportunidade e a autoridade. Sabia que a tarefa que o Rei lhe oferecia era importante, e que ele a havia oferecido em razão da necessidade de pacificar Pouso do Rei. No entanto, parecia a Einar que o Monarca tinha algum apreço por ele, ainda que fruto de uma admiração por Jaehaerys, seu pai. Em retorno, Einar era fiel ao Rei. Poderia detestá-lo, mas Aegon era um Targaryen. Opor-se a ele significava opor-se à família, enfraquecendo a posição dos Dragões em um continente ainda dilacerado, onde as disputas e contradições jamais haviam sido realmente resolvidas.

*Se nada mais for dito, Einar terminará o jantar e cumprimentará o Rei de forma respeitosa. Depois, seguirá ao encontro de Lorde Jon Hightower.*
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Re: A Fortaleza Vermelha - Coração dos Sete Reinos

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