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Melias Martell - A Serpente Oculta

em Sab Maio 19, 2018 3:54 pm


O som de conversas e risadas reverberava por um dos salões de festa do Velho Palácio, em Lança do Sol. Os servos circulavam com bandejas de comida, exalando uma maravilhoso cheiro que refletia os exóticos temperos da gastronomia de Dorne. Era noite, mas ainda assim o calor era forte e o suor lustrava a pele de todos os presentes. Para se aliviar, muitos buscavam as sacadas abertas, aproveitando a brisa que soprava do mar. Em uma delas, o jovem Melias Martell conversava com um mercador tyroshi. Com uma taça de vinho dornês em mãos, o anfitrião gesticulava elegantemente enquanto falava.

- Pois veja, meu bom Bellotio, a difícil posição na qual a vida me colocou: eu sou o terceiro filho de Lorde Oberyn. Minha irmã em breve será a rainha dos Sete Reinos. Meu irmão será coroado Príncipe de Dorne e sentará no trono de Lança do Sol. O que me resta?

O mercador dá uma risada, já sabendo o quão absurda seria sua sugestão:

- Ora, deves fazer aquilo que cabe aos jovens varões em Westeros: torne-se comandante do exército de Dorne!


Melias também solta um riso. Ele estende ambos os braços e faz uma volta completa com o próprio corpo, como que mostrando aquilo que de fato era.

- Olhe pra mim. Sério, olhe para mim! Achas mesmo que sou material para comandar um exército?!

Bellotio sorri. Não havia como discordar que o jovem franzino, ainda que esbelto, nunca seria um bom soldado.


- E por que não fostes para a Cidadela? Sempre gostou de estudar. Creio que seria um bom meistre.

A risada que Melias soltou foi ainda maior que a anterior, chamando a atenção de outros convidados que estavam perto.

- Bellotio, preste atenção naquilo que diz. Olhe para Dorne, olhe para este palácio! Aqui eu tenho a brisa do Mar do Verão, que me brinda com suas lindas praias. Eu tenho o melhor vinho que pode ser encontrado em toda Westeros. Tenho também as melhores mulheres que os Sete decidiram criar. Acha mesmo que eu, com apenas 26 anos, iria abandonar tudo isso para me enfiar em uma torre cheia de velhos mal-cheirosos para me debruçar sobre pergaminhos mofados? Com o ouro que tenho, posso comprar todos os livros e fazer com que cheguem até mim sem abdicar das delícias de Dorne!

O tyroshi balança a cabeça, afirmativamente e sorrindo. De fato, se tivesse a aparência e os recursos de Melias quando era jovem, teria feito o mesmo. O Martell, por sua vez, diminui o tom de voz e se aproxima do ouvido de Bellotio.

- Agora, cá entre nós, aproveitando que meu irmão não está por aqui, eu estaria disposto a dividir algumas dessas mulheres e do meu vinho contigo. Mas preciso de algo em troca. Algo simples.

Bellotio o encara, com um olhar curioso. Faz apenas um movimento com a cabeça, sinalizando a Melias que continuasse com a proposta. O nobre sorri.

- Diga-me com quem e em que porto entregou a carta que lhe foi entregue antes de partir de Tyrosh - Melias continua sorrindo.

O mercador pondera um pouco. Que mal aquele jovem poderia fazer? Tão fútil e simpático, provavelmente não teria nenhuma utilidade para aquela informação. Ele só queria ter histórias para contar às suas prostitutas. Aproxima-se mais uma vez de Melias e cochicha a resposta em seu ouvido. Ao escutar a informação, o nobre abre ainda mais seu sorriso. Sinalizando para um dos servos, diz:

- Traga-me o vinho especial da noite. Eu e meu companheiro de Essos queremos fazer um brinde antes de darmos uma volta nos meus lugares favoritos da cidade da sombra!

O jovem servo volta com duas taças e uma jarra. Ele despeja o vinho tinto em cada uma e serve os dois. Melias propõe um brinde:

- Aos prazeres de uma vida no verão! Que tenhamos a sorte de morrer na melhor das estações!

Melias bebe todo o conteúdo de sua taça de uma só vez. Ao terminar olha fixamente para os olhos do tyroshi.

- Sabes, Bellotio, apesar da vida de conforto que levo aqui no palácio, sempre gostei de me misturar com o que existe de pior na cidade das sombras. É ali que aprendi a ouvir. Aprendi a fazer preciosos amigos. Um desses amigos me disse que um estrangeiro esteve em um dos seus bordéis hoje mais cedo. Disse que o estrangeiro pagava bem, mas também falava demais. Podes imaginar quem era esse estrangeiro?

Bellotio fez uma cara estranha, não entendendo onde o jovem nobre queria chegar. Sentiu, ao mesmo tempo, uma moleza em seu corpo. Como se tivesse navegado por um dia e uma noite inteira. Tentou falar algo, mas não conseguiu. Não sentia mais sua língua. Nem seu rosto. Teve o impulso de levar a mão até a face, mas seus braços não lhe obedeciam. Subitamente, tudo apagou e ele foi ao chão. Algumas pessoas que estavam por perto olharam com curiosidade e sorrisos. Provavelmente era alguém que bebeu demais. Melias balançou a cabeça, lamentando.


- Pobre Bellotio. Deveria ter aprendido a manter a boca fechada. Também deveria evitar negociar com qualquer família da Campina.

Melias Martell pede para que um dos servos livre-se do corpo. Ele caminha sozinho pelo salão lotado, servindo-se de mais uma taça de vinho e sorrindo para os convidados. Seu irmão Moran ficaria contente com a informação que acabara de conseguir. Melias não era um homem de armas. Também não era um líder. Mas todos os Martell eram gratos pelos serviços que prestava para a família.
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