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Einar Targaryen

em Sex Maio 18, 2018 2:00 pm
Caríssima Rhaena

Que esta missiva te encontre em paz e boa saúde.

Escrevo para relatar os progressos de nosso jovem.

Devo dizer que não me enganei quando lhe disse, anos atrás, que algo em Einar me fazia recordar de Baelor, O Abençoado. Em verdade, o sangue Targaryen é forte no rapaz. Nele fazem morada a gentileza do Rei, a determinação de Aegon, Terceiro de Seu Nome, seu avô e força de caráter de Rhaenyra. Quando Jaehaerys me confiou, em segredo, o treinamento e o preparo de Einar devo admitir que tive medo. Eu era, à época, ciente das condições da nascimento daquela criança. Sabia que sua concepção era um segredo e sabia também que se Baelor soubesse de seu nascimento não hesitaria em eliminá-lo. Durante anos mantive sua existência em segredo, e sou orgulhoso do trabalho que realizei.

Entendo toda a tristeza em teu coração, causada pela ausência de teu filho. Jaehaerys se foi, nos deixando órfãos de sua gentileza e, obviamente, de suas capacidades como cavaleiro, e este fato também deve causar-te um sofrimento infinito. Escrevo, portanto, para tranquilizar-te. Teu filho cresceu como um homem nobre e gentil, amada por aqueles que o circundam e dono de um imenso carisma e capacidade de comando. Sua habilidades marciais me fazem recordar meu velho amigo Jaehaerys, Einar é canhoto como o pai.

Quando ele completou quinze anos, conversamos sobre a Profecia. Temia a reação de Einar, não era um futuro fácil de ter como seguro. Morrer em batalha é uma realidade para a maioria de nós, mas nunca é fácil explicar tal destino a um jovem. Einar é destinado a grandes coisas, a ser um grande homem, mas as passagens da Profecia são obscuras. Recordo-me, todas as noites, as palavras que ouvi dos lábios da Septã, na noite em que tu e Jaeherys consumaram o vosso amor diante da Fé dos Sete:

“Retornado A Nós, Será Amado e Respeitado Novamente. Vidas Dependerão de Suas Escolhas, Reinos Louvarão o Seu Nome. E Então Definhará, Como Definharam Seus Ancestrais, Como Definha Tudo sobre A Terra, Mesmo os Maiores Dragões.”

O interessante é que Einar respondeu com bom humor e sabedoria à Profecia: “Me cabe, então, realizar grandes coisas antes que meu tempo acabe novamente.”

À época, as palavras me perturbaram.

De fato Einar cresceu para realizar grandes feitos. Tornou-se um hábil espadachim, veloz e gracioso. Sua voz é encantadora e os homens não hesitam em ouví-lo e adorá-lo. Lê, fala e escreve fluentemente na língua de seus Ancestrais. É belo como a Aurora, de riso fácil e temperamento agradável. É por isso que mencionei que fazia com que me lembrasse de Baelor. É atento às necessidades dos mais pobres, do povo comum dos Sete Reinos. Sua Fé nos Sete, em especial no Guerreiro, é visível, o que o fez abster-se de relacionar-se com mulheres, como fazem os homens de sua idade. Tenho a sensação, porém, que os gostos de Einar são outros. Sabes que isto não me turba: eu mesmo tive meus grandes amigos durante a juventude.

Contudo, como temíamos, existe uma sombra escura em seu coração.

Einar tem medo, Rhaena. Medo de deixar este mundo antes de completar as tarefas que impôs a si mesmo. Suas opiniões são fortes. Acredita que a Casa Targaryen se deteriorou, estando atualmente muito distante dos ideal proposto por Aegon O Conquistador, em quem Einar parece se espelhar em uma maneira quase obsessiva. Jamais, entretanto, falou mal de Sua Majestade.

E é este medo que, nos últimos anos, o fez se tornar um homem preocupado com cada movimento, cada palavra, cada ação. Há nele um imenso pavor, a possibilidade de falhar, de ser um homem ordinário é o que mais o apavora. Einar encarna as grandes qualidades da Casa Targaryen, mas o medo de perder o controle de si mesmo o leva, ocasionalmente, a um alto nível de exigência consigo mesmo. O medo de perder o controle sobre os outros já o conduziu a alguns episódios de crueldade. Pouparei os detalhes. Não acredito que sejam de seu interesse.

Teu filho conta com vinte anos, Rhaena. Não sei se você o conhecerá. Ele é ciente de que seu pai é Jaeherys Targaryen, um dos melhores espadachins de sua geração. Tu, por outro lado, permanece uma incógnita, uma lembrança distante, que ele guarda no coração. Uma mãe idealizada. A única coisa que revelei é que sua mãe pertencia a uma linhagem nobre dos Targaryen, o que faz dele um puro sangue.

Einar é obcecado pelos Dragões. Sonhos acometem seu sono, sonhos repetidos. Ele diz que se vê montando um poderoso dragão, subjugando os Sete Reinos aos seus pés. Imagino que tais sonhos se relacionem com sua obsessão por Aegon I e com a ideia de que é destinado a grandes realizações. Ainda que a afinidade de tua Casa com sonhos proféticos seja bem conhecida, imagino que estes sonhos, eventualmente, causarão enorme frustração em Einar. Afinal, os Dragões não mais existem. Não obstante, Einar costuma passar horas e horas, segundo meus informantes, observando os esqueletos daqueles que existiram, em especial o de Belerion.

Teu filho conta com vinte anos, e minha tarefa foi cumprida. Treinei e eduquei um grande homem. Tenho certeza que ouvirei o nome de Einar Targaryen ser lembrado como o de um dos maiores cavaleiros de seu tempo, exatamente como o de Jaeherys. Rogo aos Sete que um dia possas encontrar teu filho, Rhaena. Este encontro, porém, não está mais sobre o meu controle. Einar se foi, retornando a Pouso Real. Isso foi há dois anos. Tenho poucas notícias sobre ele. Talvez tenha se confundido com as dezenas de Targaryen que fazem da Capital sua morada. Se for este o cenário, minha cara, temo pela sanidade mental do teu garoto.

Espero encontrar-te antes do Fim. Nossas conversas me fazem imensa falta. Recordo-me dos tempos em que eu, tu e Jaeherys caminhávamos sobre o sol do sul.

Teu.

Álamo Tyrrel.
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Re: Einar Targaryen

em Dom Maio 20, 2018 7:13 am
"É mais fácil matar um homem do que qualquer um poderia pensar.

Me recordo da primeira vez em que o fiz. A espada deslizou com facilidade pelas entranhas do indivíduo. Jamais soube seu nome, mas sei que era tão jovem quanto eu. Naquela noite tínhamos alcançado um pequeno vilarejo na Campina, um local sobre o qual os Tyrrel tinham perdido o controle para um Lorde local. O homem questionava os tributos que deveria pagar aos Reis da Campina. Ameaçava erguer-se em rebelião aberta. Um indivíduo patético, de modos grotescos e palavras pouco refinadas. Contava com algumas centenas de homens, e atuava na esperança de que outros Lordes atendessem o seu chamado. Não aconteceu, mas era tarde demais. O homem já havia assumido uma posição perigosa, e era desnecessário dizer que desafiar a Casa Tyrrel significava, igualmente, desafiar o Trono.

Matei o homem logo no início do enfrentamento, quando nossas forças cercaram o vilarejo e a pequena fortaleza que servia de base de operações. Havíamos seguido com poucos homens, mas todos muito bem treinados. Camponeses e artesãos não seriam um problemas, e não foram. Me recordo de não sentir-me nervoso. Porém, quando o homem estava diante de mim e o resultado da batalha determinaria quem sobreviveria, uma pequena fagulha de insegurança me atingiu. Sua duração, entretanto, foi breve. Em uma fração de segundo eu segurava, com uma mão, o ombro daquele jovem enquanto com a outra o trespassava. O sangue jorrou aos borbotões, sujando minhas vestes e minhas botas. Pouco depois, estava no chão. Não se movia. Segui, pois a batalha continuava.

Naquela noite fui o responsável pela morte de treze homens. E devo dizer que só parei neste número em razão da rendição das forças inimigas.

Não tive pesadelos. Não ouvi a voz dos homens que havia matado a perturbar-me o sono. Ao contrário, repousei completa e profundamente. Sonhei com meu Ancestral naquela noite, ele me dizia que quaisquer ações para garantir a segurança e a prosperidade dos Sete Reinos era adequada e justificável.

Na manhã seguinte, parte dos traidores deveria pagar com a vida. Não me opus à decisão, não a achei extremada. Sobretudo em razão de estar nas terras dos Tyrrel onde, abaixo da vontade de Sua Majestade, os desígnios deles são soberanos. Assisti calmamente enquanto alguns homens eram desmembrados, outros enforcados e uma parte decapitada. Estes eram os mais sortudos, pois sofriam um julgamento veloz e indolor. Os grunhidos dos homens pendurados era estranho, uma mistura de gargarejo e sufocamento. Observei enquanto os cavalos avançavam, cordas amarradas em seus corpos que eram ligadas aos membros dos condenados ao desmembramento. Calculei o tempo, a maioria dos corpos resistia poucos minutos. Quando finalmente acontecia, era interessantíssimo. Em geral, os braços cediam primeiro, seguidos das pernas. O tronco pesado caia no chão com um baque surdo, e as cabeças ainda se mexiam por um tempo. Os gritos eram intensos, mas desafinados.

Desde então a Morte se tornou uma companheira constante.

Sempre tivemos uma relação de muito respeito. Eu a entregava vidas e ela me pagava com Glória."


Extraído do diário de Einar Targaryen.
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