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Re: O Trono Negro

em Qui Ago 16, 2018 2:02 pm
Durante a caminhada, que seria  a última rumando ao Trono Negro, Daharius dedicou-se a conhecer Sybilla. O reflexo do que Laza já foi.

Era militarmente capaz, emanava uma autoridade natural aos de seu sangue e dispunha de raciocínio estratégico. Curiosa, porém fria. O Arauto sorriu. Limitou-se no aprofundamento sobre Khemet. Disse-a, somente, que jamais haveria outro vampiro como Osíris, pois como ele jamais deveria ter havido um. Explanou sobre o cheiro do grande rio, a extensão infindável das areias douradas e a vastidão estrelada que dispunha de tantas luzes quanto possíveis fossem existir. Khemet era bela, mística e trágica para os filhos de Laza, sempre seria.

Parou, antes de adentrar ao salão e a segurou pela face, gentilmente. Sorriu e por trás dos olhos escuros de Sarosh havia paz.


- Sejas bem-vinda à família, Sybilla, sangue do meu sangue. A responsabilidade nos une acima de quaisquer sentimentos mortais que logo deixaremos para trás, conforme o tempo se debruça sobre a nossa existência. Se minhas palavras forem de utilidade, irmã, as tome como um propósito no tempo que lhe couber daqui em diante.

- Nosso Pai escolhe os filhos por sua distinção, por suas características acentuadas que ele próprio jamais terá. A família escolhida por Laza cumpre as funções das quais ele é incapaz de realizar. Assim, ele se torna grandioso em sua extensão, sem precisar estar presente. E, acredites, ele estará cada vez mais ausente.

- Por isso, não busque ser parecida com ele. Busque ser quem de fato és. Nada mais e nada menos, cumpra o vosso papel. É por isso carregas o sangue de Laza e assim deve ser.

- Saboreie a guerra à nossa frente. Aprenda com nossos primos e, sobretudo, com os antigos que estarão conosco. Será esta a nossa última oportunidade para tal.


Beijou-a, nos lábios.

- Não falhes, a nós não é permitido falhar.

Caminhou junto aos seus e adentrou ao Salão vazio. Cheio de personalidades, mas vazio de sua essência opressora. Não haviam tronos e nada restava da presença esmagadora da lembrança do primeiro.

Viu Amon, mas não viu Ilyas. Viu liberdade e ação na postura de seu primo. Estava livre.

Liberdade. Vislumbrou nos olhos azuis de Ventru a mais pura liberdade. Sorriu, ao vê-lo. Era ainda mais inspirador e, finalmente, completo. Ouviu os antigos conclamarem os planos para a batalha e nada acrescentou, não precisaria. Cabia, naquele momento, todo o protagonismo para a liderança de Ventru, a austeridade estratégica de Laza e todas as demais características únicas dos mais velhos.

Quando os discursos se encerraram, pois Sarosh não faria nenhum, caminhou em direção à Saulot. Daharius havia dado o primeiro passo da Jyhad e sabia, profundamente, o que isso significaria para todo o sempre. Parou diante do belo homem e sorriu, com a mais pura verdade que poderia transmitir e apenas lhe disse.


-  O único laço que nos manterá unidos, para a eternidade, será o retorno de tempos em tempos do inimigo. Obrigado.

Colocou a mão sobre seu ombro, antes de deixar a sua presença e retornar aos seus.

Daharius estava pronto. O Arauto do Abismo e o Avatar da Guerra se misturavam em um General capaz de liderar a maior força da existência e esmagar o inimigo em definitivo. E, apesar de sua certeza e capacidade, confiaria toda a ação à Ventru, pois nenhum outro será mais capaz.
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Re: O Trono Negro

em Qui Ago 16, 2018 6:26 pm
Os acontecimentos recentes deixaram Amon desnorteado por um tempo. Ali, naquele exato momento, não sabia se era uma lembrança ou realidade. Teve a impressão de ver Ilyias caminhando entre os irmãos. Olhou com atenção e percebeu que seu senhor não estava ali. Ilyias estava morto. Como único representante de sua família, manteve-se próximo aos mais antigos. As palavras de seu mestre ainda ecoavam.

Amon não era mais o mesmo. Não era mais um espírito tentando entender as emoções e sentimentos alheios. Ele agora entendia, perfeitamente, aonde tinham chegado enfim.

Sorriu ao ver seus primos entrando no grande salão. Um salão que não possuía mais o brilho e a imponência de antes. Estavam todos numa mesma situação.

Caminhou até Sarosh. Há quantos anos não o via? Seu olhar já não era o mesmo. Sarosh já não era o mesmo. Havia uma sabedoria dolorosa, que emanava de seu ser, como se houvesse sido moldada perante muitas provações. Sem falar nada, apenas se aproximou e o abraçou. Certamente aquele seria o último abraço amigável entre eles, pois, o sangue de Laza que habitava em seu corpo, ditaria o futuro e Amon estava destinado pelo senhor do tempo a nunca mais confiar em Laza. Seus filhos deveriam sofrer de tal desconfiança também?

Se afastou e observou o estrangeiro e seus filhos. Demorou-se um tempo até reconhecer aquele que era conhecido como o senhor do Abzu. Sorriu ao ver a forma humana que estava, era diferente, convencional até.

Após todas as palavras ditas, olhou para Ventru, admirado demais por sua nova postura. Queria demais andar ao lado dele, ansiava por isso, no entanto, sabia que o seu papel junto a sua família impediria isso. Antes da partida para a batalha derradeira, pronunciou-se.


Como dissera Ventru, não há muito a ser dito, no entanto, gostaria de lembrá-los de que temos um compromisso com esta cidade. Antes que todos partam de vez para suas realidades, devem cumprir um ato final. Olhou para todos. Em seus olhos, o brilho da paixão e da fúria que se escondiam em seu corpo. Nippur deve ser erradicada deste mundo, assim como Mashkan-Shapir. Os humanos que os seguem devem ser levados embora para seus novos domínios ou então devem ser eliminados aqui mesmo, façam o que acharem melhor, apesar de que acredito que a melhor solução seja levá-los daqui, já que a morte seria um preço ingrato aos que nos serviram por muitos anos e que agora perecem num combate que é nosso. Não, nosso não. De vocês. Ainda assim, arcaremos com as consequências.

Saulot, a satisfação é inteiramente minha em partilhar contigo o mesmo espaço nesta existência. Sua bondade e sabedoria serão lembradas por todos os tempos.

Sem delongas, partamos. E chegada a hora final e depois, nos espalharemos como grãos de areia ao vento sobre esta terra.


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