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Re: O Trono Negro

em Ter Maio 29, 2018 5:22 am
Mesmo diante da exasperação de Amon, Ilyias permanecia calmo. O grande salão já se encontrava quase vazio, com os últimos cainitas que ali estavam deixando a sala quando da fala de Amon, possivelmente para permitir que cria e Senhor tivessem um pouco de intimidade. Ilyias se levantou, aproximando-se de Amon. Sua presença era calma mas, ao mesmo tempo, colossal. Ilyias parecia absorto, com um olhar perdido e vago. Parecia quase triste. Segurou a mão de Amon entre as suas quando finalmente estava diante de sua cria.

- Um dia entenderás. Compreenderás a dimensão da maldição que nos atinge, Amon. Não somos somente incapazes de sentir, mas somos, também, incapazes de nos interessar. Me esforço, todas as noites, para ser o Pai que esperas que eu seja. Mas é muito, muito difícil, e temo que não se tornará mais fácil com o avançar dos milênios.

Apertava a mão esquerda de Amon entre as suas. A acariciava com calma. Amon sentia que era um gesto mecânico, como se fosse repetido por alguém que sabe que aquilo tranquilizaria um interlocutor, mas que não compreendia a necessidade de realizá-lo. Sentia, porém, que Ilyias parecia se esforçar.

- Eu estou aqui, Amon. Estarei sempre aqui, contigo. No teu Sangue. Talvez um dia possas perdoar as minhas escolhas falhas. Talvez não. Mas saibas que eu não os abandonei, nem a ti, nem a Belit e nem aos mortais que nos adoram. E é por isso que confio em ti para protegê-los, seguindo para Mashkan-Shappir com Ya'rub e Japhet. Porém, não há nada que eu possa fazer para enfrentar a minha própria natureza. Sou o que sou.

Deixou que as mãos de Amon escorressem entre as suas. A cria viu, no fundo dos olhos do Senhor, uma fagulha de amor e de orgulho. Era uma chama fraca, sutil, que parecia se apagar mais e mais.

- Siga para encontrar Sutekh, para que ele te proteja antes que você siga para Mashkan. Carregue contigo o meu amor e não se preocupe comigo: não há nada que demanda a minha atenção. Esta é, exatamente, a minha Maldição. Espero que os efeitos dela sobre você não sejam tão graves quanto o são sobre mim. Seria uma tristeza que você perdesse aquilo que te caracteriza.


*Se Amon quiser dizer mais alguma coisa, deve fazê-lo aqui. Depois, deve seguir para o tópico de Nippur.*
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Re: O Trono Negro

em Ter Maio 29, 2018 10:52 am
O cheiro de sangue tornara-se insuportável para Amon. Percebeu, de repente, que estava só no salão há alguns momentos. O cheiro de sangue vinha de sua face. Lágrimas ainda escorriam vertiginosamente. Uma dor o corroía por dentro, uma dor que nunca passaria, ou talvez, passaria e ele sequer notasse que ela existia.

Amon maldisse o primeiro dezenas de vezes. O odiou pelo que fizera a Illyias, por tê-lo tirado dele e de seus irmãos, antes mesmo que eles nascessem. A maldição imposta pelo primeiro, fora demasiadamente dura e cruel para com Illyas. Dentre todas as maldições, a de seu criador fora demais. O que motiva uma criatura a continuar a não ser as suas emoções e seus interesses? Como passar uma eternidade assim? - Pensava Amon, enquanto subia enraivecido os degraus do salão negro que levavam até o ponto mais alto, até a cadeira de Caim.

Amon deu um forte golpe no trono, quebrando-o em duas partes. Abaixou-se, pegou uma das metades e a arremessou salão abaixo. Seu ódio era tamanho, que decidiu arruinar aquele salão, aquela lembrança de quem sequer tinha pisado naquela cidade. Ele concentrou seu poder e seu ódio para canalizar o tempo ao seu redor. Seria um tempo destrutivo, avassalador.

Enquanto o tempo passava ao seu redor, o brujah urrava em fúria e destruía com as próprias mãos. Satisfeito com o resultado e com o ódio já descarregado, Amon seguiu ao encontro de Sutekh.
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