Compartilhe
Ir em baixo
avatar
Admin
Mensagens : 312
Data de inscrição : 25/11/2017
Ver perfil do usuáriohttp://terturiumdigital.forumeiros.com

Backgrounds - A Segunda Cidade

em Seg Maio 07, 2018 8:14 pm
Tópico destinado a Backgrounds e Prelúdios dos personagens do jogo online A Segunda Cidade.

Use as respostas abaixo para colocar seu background, da seguinte forma:

Nome do Jogador
Nome do Personagem

Background
(discorra)
avatar
Mensagens : 54
Data de inscrição : 12/03/2018
Ver perfil do usuário

Re: Backgrounds - A Segunda Cidade

em Seg Maio 07, 2018 10:36 pm
Nome do Jogador: Pedro Augusto
Nome do Personagem: Ya'rub Bani Qahtani


Background

Alamut, Maio de 1893

A pedido de meu mestre, Ibrahim Al-Mufarrej, fui encarregado de vasculhar nossa biblioteca em busca de informações a respeito de alguns dos nossos anciões. Escolhi me desafiar e começar por uma figura misteriosa: o antigo feiticeiro conhecido pelo nome Ya’rub Bani Qahtani. De fato, pouco consegui reunir a respeito de sua existência, a despeito dos meus esforços. Talvez seja assim que ele queira, se é que ainda caminha entre nós. O que reuni, no entanto, permitirá aos futuros historiadores de nossa família ter ao menos uma vaga noção de quem foi essa personalidade.

Tudo indica que Ya’rub nasceu entorno do século 49 AC, no que hoje seria a província do Yemen. Seu sobrenome nos leva a entender que pertencia a alguma tribo do Clã Qahtani. O que nos leva à interessante hipótese de que ele talvez ele tenha sido um antigo ancestral do Profeta Muhammad, Louvado Seja, dado a possível ascendência dele. Porém, deixarei essa linha de pesquisa para futuros acadêmicos mais ousados do que eu.

Como era comum entre vários dos Qahtani naquela época, o modo de subsistência da tribo de Ya’rub era a caça e o saque. Conforme as cidades do Crescente Fértil iam expandindo suas rotas comerciais e se estabelecendo como potências na região, caravanas cruzando o deserto começavam a ser um elemento comum. Logo, uma oportunidade surgiu para que tribos se estabelecessem como salteadoras.

Ya’rub, porém, não nascera com os talentos necessários para cavalgar pelo deserto e assaltar comerciantes. Além de ter nascido fraco, sua tribo desconfiava das convulsões e delírios que ele tinha desde jovem. Diziam que sua fraqueza fazia com que fosse continuamente atormentado por espíritos do deserto, que se apossavam de seu corpo e falavam em línguas estranhas.

Não consegui identificar com exatidão em que momento e circunstância o evento que descreverei aconteceu, mas relatos atribuídos ao próprio Ya’rub contam que ele não tinha completado 15 primaveras quando, em um de seus delírios, saiu correndo do acampamento e se perdeu no deserto. Seis dias haviam se passado e ele já havia sido dado como morto quando finalmente reapareceu, sem aparentar cansaço nem desidratação. Segundo contam, na primeira noite em que havia desaparecido, fora visitado por um djinn que o orientou a ouvir a voz do vento e ler a escrita das estrelas. Logo após, na segunda noite, fora surpreendido por um segundo espírito: um ghül, assumindo a forma de uma monstruosa hiena, o encontrou e o perseguiu, gritando em seu ouvido as mil e uma formas em que torturaria o pobre garoto.

Os dois espíritos se revezaram em sua presença a cada noite em que esteve no deserto. Quando o djinn aparecia, Ya’rub aprendia mais. Quando o ghül dava as caras, Ya’rub se via obrigado a correr ou barganhar sua existência. Ao final, ele conseguiu voltar à sua tribo. Mas algo havia mudado, como era de se esperar.

Tudo indica que Ya’rub fez um pacto com ambos os espíritos. Não se sabe a natureza desses acordos mas, aparentemente, ele seria pra sempre orientado pelo djinn e assombrado pelo ghül. Mais do que isso, ele passou a ter um certo controle sobre seus delírios e visões. Espíritos dos mortos e da natureza falavam com Ya’rub como se fossem seus vizinhos e aos poucos ele se tornava capaz de expulsa-los ou convida-los para uma conversa.

É claro que aquele jovem nunca mais foi o mesmo. Seus talentos para o oculto passaram a ser empregados por sua tribo. Ya’rub passou a orientar os assaltos, sempre sabendo quando uma caravana cruzaria o caminho de sua tribo. Por causa de suas habilidades, começou a ter um lugar de destaque entre os salteadores, que permitiam inclusive que participasse diretamente dos ataques.

Também não fui capaz de apontar quando os caminhos de nosso ancestral Haqim e de Ya’rub se cruzaram, mas pelos relatos a respeito da aparência desse ancião, ele já havia abandonado a juventude e ingressado no círculo de autoridades de sua tribo. Fato é que as estrelas fizeram com que a caravana indicada por Ya’rub, em certa noite, fosse na verdade apenas o Ancestral e seu cavalo. O resultado desse assalto, como é possível de imaginar, foi a rápida eliminação de todos os salteadores e o recrutamento de Ya’rub.

Haqim, eterno seja o Seu Sangue, havia enfrentado a guerra contra os Baali e sabia que mais conflitos estariam por vir. Nosso Ancestral foi explícito ao falar para Ya’rub que sua transformação era uma forma de trazê-lo, junto com seus espíritos companheiros, para auxilia-lo na luta contra o Mal encarnado.

É de se supor que àquela altura, a mente de Ya’rub não rejeitou a ideia da Maldição de Caim. Ele já havia passado e visto coisas demais para se surpreender com a possibilidade. Ao contrário, a não-vida fez com que ele vislumbrasse um futuro onde poderia compreender os espíritos que o ajudavam e perturbavam. Ele passava noites mergulhado em meio conhecimento que Haqim reunira na Segunda Cidade. Aprendeu a ler e a falar outras línguas. Aprendeu a ciência militar. E aprendeu sobre os infernais e seus servos.

Em pouco tempo, Ya’rub Bani Qahtani tornou-se um dedicado e excêntrico Filho de Haqim. Depoimentos indicam que estar em sua presença era um pouco perturbador, tendo em vista que falava sozinho - ou seria com seres invisíveis? - e olhava para o nada como se estivesse observando algo com atenção. Ainda assim, era evidente o valor que Haqim via em seu mais novo filho.

Os relatos a respeito do seu papel nas Guerras Baali que seguiram ao Abraço são quase inexistentes. Ainda mais impossíveis de encontrar são informações sobre sua Morte Final, ou, caso ainda caminhe entre nós, seu paradeiro. Um antigo documento que encontrei, desprovido de fonte e autoria, fala que Ya’rub teria conseguido entrar de corpo e alma na Terra dos Mortos. Considero essa possibilidade tão improvável quanto aterrorizante.

Faço e termino esse pequeno relato para atiçar a curiosidade de pesquisadores que, assim como eu, se interessam pela história dos membros de nossa família. Nosso sangue é forte e nossos ancestrais são os responsáveis por essa força. Caso optem por investigar com afinco a existência de Ya’rub Bani Qahtani e consigam mais informações do que essas poucas e pobres linhas que escrevi, peço encarecidamente que me procure.

Wa Aleikum Salaam,

Aziz Al-Amin, Progênie de Ibrahim Al-Mufarrej, Progênie de Tegyrius, Progênie de Anath, Filho de Haqim.
avatar
Mensagens : 30
Data de inscrição : 07/05/2018
Ver perfil do usuário

Re: Backgrounds - A Segunda Cidade

em Ter Maio 08, 2018 12:19 pm
Nome do jogador: Glauco
Personagem: Enki

Quem pode, em sã consciência, tentar compreender a mente daquele chamado de O Estrangeiro? Mesmo que devesse representar todas as impurezas e o horror dentro do corpo de Irad, o Forte, o Cainita resultante desse expurgo não era a monstruosidade que se esperava, sim, mas normal? Qualquer outra coisa poderia ser dita sobre O Mais Velho.

Algumas poucas coisas se sabe sobre ele, contudo. Que seus filhos são muitos e variados: o sábio Dendemeh, gentil Dracon, diligente Yorak, cruel Byelobog… Um não poderia ser mais diferente do outro, como convém ao Clã dos Moldadores; sabe-se também sobre o Estrangeiro a sua infatuação com a criatura primal conhecida apenas como Kupala; e são essas duas pequenas migalhas de informação que nos levam à origem daquele conhecido como Enki.

A comunhão do Estrangeiro com Kupala daria uma história por si só, e uma repleta de ordálios inimagináveis para o homem comum. Dentre eles, a entidade exigiu que o sangue d’O Mais Velho corresse por cinco almas específicas, cada uma associada a um dos elementos do Koldun, sua forma específica de feitiçaria que punha sobre seus comandos sobre os espíritos da própria terra. Quem foram quatro dessas almas, lamentavelmente não se sabe, nem mesmo se sobreviveram à comunhão, mas Enki era a quinta, e canalizou o elemento da água.

Sabe-se pouco sobre quem ele era enquanto mortal, pois nem ele se lembra. Seu nome, seu ofício, tudo isso foi levado pelas águas até o imenso mar, restando apenas uma informação relevante: ele nasceu em Mashkan-Shappir, Cidade da Dor e baluarte infernalista, e era exatamente isso que Kupala queria: uma alma que havia passado por toda a turbulência que apenas os degenerados Baali poderiam infligir. Se Enki não se lembra hoje de sua vida mortal, é porque isso lhe foi tomado pelos infernalistas. Tudo que ele se lembra é que era um escravo, e que seus gritos de dor abasteceram por décadas os rituais profanos daquela cidade, e o motivo pelo qual seu sofrimento durou tanto tempo é porque ele o suportou. Não em corpo, há muito alquebrado e inválido, mas no espírito. Sua determinação permaneceu intocada e, mais importante, sua bondade. O mais velho, mas ferido dentre os escravos, aquele que tinha tudo para ceder ao desespero e à amargura permanecia dono de um coração dócil. Todos os outros cativos podiam contar com ele para uma palavra gentil, um gesto de conforto ou mesmo uma migalha de comida. E foi isso que Kupala exigiu do Estrangeiro: uma alma que após viver comprimida, moldada e turbulenta como a correnteza de um rio ainda se mantivesse pura e límpida após todo o percurso.

Foi simples para O Mais Velho adentrar em Mashkan-Shappir e oferecer um preço pelo escravo velho e doente. Um preço justo, ele disse aos infernalistas, como alternativa a simplesmente destruir a cidade e dela sair com seu prêmio, pois aquele que se chamaria Enki insistiu para ser levado sem violência. Livre, o ex-escravo foi carregado pelo Estrangeiro em um casulo de sangue até uma cadeia de montanhas inomináveis ao norte, local de repouso do inexorável Kupala, e lá, enfim, recebeu o sangue do Estrangeiro em Abraço, e lá recebeu em seu corpo as dádivas da água.

Foi a vontade de seu Senhor que Enki voltasse à Mesopotâmia, e vivesse na região da Cidade Sagrada - primeiro, porque sabia que seria inútil afastá-lo de sua terra, como a todos de seu sangue e segundo, porque gostaria de ver, em primeira mão, como as dádivas de Kupala se mostrariam quando confrontadas com os infernalistas, e da mesma forma, gostaria que seus irmãos também o vissem.

O vampiro voltou à sua terra natal e lá domou os espíritos dos rios, adotando para si o nome de Enki, guardião e senhor do conjunto de água doce chamado pelos mortais de Abzu. Agora, teria Enki tomado para si o nome de uma lenda dos humanos, ou teria tal lenda tomado forma pela própria existência de Enki, que agora concedia aos mortais as dádivas do rio como um deus amoroso, mas também orgulhoso e inconstante? Tais perguntas não foram feitas para serem respondidas.

A verdade é que Enki viveu alternando seu tempo entre seus pares na cidade sagrada de Nippur e existindo em meio de seus amados rios desejando, finalmente após tantos séculos, vingança contra seus algozes de eras atrás. Mas, atendendo a uma ordem expressa de seu Pai misterioso, não o fez. Ao menos, não o faria enquanto fosse o único interessado e disposto.


Tradução aproximada para o árabe de uma tabuleta de argila encontrada na Mesopotâmia, presumida como parte de uma crônica sobre a história da Segunda Cidade. Curiosamente, mesmo após milênios de sua escrita, fontes contemporâneas descrevem a argila da tabuleta como ainda úmida, com uma consistência de difícil definição. Desapareceu, e presume-se destruída após o cerco mongol a Bagdá, em 1258.
Conteúdo patrocinado

Re: Backgrounds - A Segunda Cidade

Voltar ao Topo
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum