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Templo de Ilyias

em Seg Maio 07, 2018 5:22 am
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Re: Templo de Ilyias

em Seg Maio 07, 2018 9:57 am
Amon sorriu satisfeito, a chuva que lhe era tão incerta agora banhava os mortais nas ruas de nippur. Os sons de seus corações chegavam em seus ouvidos como pequenas explosões, de tão grande que era a excitação e a felicidade daquele povo. As gotas grossas de chuva tocavam o solo com violência, adentrando o terreno que há poucos instantes, era de uma secura inigualável.

Ele caminhou pelo templo, com seus pés descalços, sentindo a frieza do solo. Ele não queria incomodar seus irmãos, então, seguiu em silêncio até o lado externo. Assim que saíra, recebeu a água em seu corpo, quase nu, vestido apenas com um tecido branco que lhe cobria apenas da cintura para baixo. As gotas batiam em seu rosto de forma vigorosa. Ele olhou para as dezenas de pessoas e manteve-se em silêncio, apesar do clamor do povo.

Ele caminhou lentamente até uma grande pedra e a moveu, sem dificuldade. Abaixo de onde esta pedra estava, havia uma pequena muda, que resistira ao máximo para sobreviver. Amon se abaixou e num movimento lento, calculado, envolveu a pequena planta com ambas as mãos, tirando-a do solo e a mantendo entre suas mãos, sob um punhado de terra molhada.

O sorriso brotou em seus lábios. A chuva parecia que não acabaria tão cedo, maldita incerteza pensou ele. Ao redor de si, o tempo acelerou-se e aquela pequena plantinha cresceu vertiginosamente, vencendo as barreiras de seus dedos e prolongando-se pelo chão molhado, em direção ao povo. Amon ergueu as mãos, mostrando ao povo a vida que surgia em suas mãos e que aquilo era um bom sinal.

Amin continuou a caminhar, após deixar a planta no solo novamente. Passou por entre homens e mulheres, que estavam felizes, porém, espantados com a sua presença entre eles. O sangue que escorria de suas feridas já estava diluído nas poças de água, que agora eram abundantes.

Amon estende a mão direita na direção de um dos anciãos do povo, seu nome é Caneth e ele já batalhara por anos para proteger sua família. Caneth caminha, mancando, em direção ao deus que se prosta em sua direção.

O brujah sentiu as emoções daquele homem e, ao envolver as mãos do velho com as suas, sabia exatamente quando ele iria morrer. Não seria agora, e tampouco em breve. De repente, ao redor dos dois, a chuva passou a seguir o fluxo contrário, do chão para o céu, Amon concedeu ao homem mais alguns anos de vida, retrocedendo a idade que lhe tirava a vida aos poucos. Então, o outrora ancião, rejuvenesceu, voltando ao vigor de sua juventude. Deus concedera a todos a chuva, Amin concedera a um deles a benção do tempo. Sem nada falar, deu as costas e voltou para o templo, deixando o homem maravilhado e os seus estarrecidos com o milagre, enquanto ele desaparecia lentamente nas sombras do templo.

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Re: Templo de Ilyias

em Ter Maio 08, 2018 5:48 am
Ouviu os choros. Sentia a emoção dos mortais atingi-lo, em ondas quentes e acolhedoras. Foi o velho, agora um jovem cheio de vigor e energia que começou a entoar, a plenos pulmões um cântico antigo, mas poderoso. As palavras golpearam o coração de Amon. Em pouco tempo, enquanto caminhava de volta ao templo, sem olhar para trás, toda a multidão se juntou ao coro. Era uma canção e uma prece, na qual os mortais suplicavam que os Deuses daquela terra tivessem uma existência longa, que pudessem continuar abençoando aquele povo. Não se aproximaram, porém, do templo. Todos sabiam que os Deuses que ali viviam eram bebedores de Sangue, que suas vidas poderiam ser tomadas quando eles bem entendessem.

A chuva ainda caia, encharcando Amon, quando na entrada do Templo visualizou sua irmã, Belit-Sheri. Mulher de singular beleza, observava Amon com seus olhos castanhos, brilhantes. Sorriu quando seu irmão se aproximou, e abriu os braços para recebê-lo em um abraço que se demonstrou carinhoso e sincero. Caminharam, ambos, para o interno do Templo. Do lado de fora, a multidão começava a se dispersar com o aumento da intensidade da chuva. Amon ouviu trovões e viu a claridade dos relâmpagos.

Avançavam a passos lentos e comedidos quando Belit quebrou o silêncio. Sua voz era a mais bela das melodias. Por alguma razão, fazia com que Amon se recordasse de sua mãe mortal, morta há muitos séculos.

- Você os acostuma mal, irmão meu. E é por isso que eles adoram a ti mais do que adoram a mim ou ao Pai. É a tua benevolência que os guia. Sou orgulhosa de ti.

Belit-Sheri tomou a mão de Amon entre as suas. Pararam de caminhar em um dos longos corredores que formavam o Templo, Ali haviam janelas escavadas na rocha, e o panorama de Nippur, a Cidade dos Deuses, se desenhava diante de seus olhos.

- Tem alguém que quero apresentar a ti.

Caminharam novamente. Seus passos os conduziram ao interior do Templo, uma área reservada aos poucos adoradores mortais que eram admitidos no local. Ali, em meio a livros e escritos da Família repousava um mortal. Era de baixa estatura, com cabelos escuros e encaracolados, além de um tipo de barba que denotava sua juventude. Estava deitado no chão, em uma esteira de palha. Parecia ferido, mas seu corpo havia sido limpo e um prato de comida repousava ao seu lado, junto a um copo de cerveja. Os habitantes de Nippur haviam aprendido a preparação da bebida há pouco tempo, com os egípcios. Havia se tornado popular e Amon se perguntava qual seria o seu sabor. Antes que entrassem, Belit continuou.

- Este homem chegou a Nippur desesperado na noite passada. Segundo o que ele foi capaz de nos explicar, antes que a febre tomasse conta de seu corpo, seu vilarejo foi atacado. Nossos inimigos se movem, Amon, possivelmente buscando algo nas terras deste homem. Na ausência do Pai é a você que devemos lealdade. Imagino que gostarias de falar com ele.
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Re: Templo de Ilyias

em Ter Maio 08, 2018 10:03 pm
Amon adentrou no templo sem pressa, aproveitando a sensação que a chuva lhe proporcionava, apesar de já não ser a mesma de quando era mortal. As gotas de chuva já não eram tão frias, o vento já não eriçava seus pêlos e os raios e trovões já não o faziam tremer de medo. Seu rosto esboçou surpresa ao ver sua irmã, bela como sempre e para sempre.

Amon deixou-se envolver no abraço de Belit e lamentou por um instante, já que, apesar da ternura do abraço, lhe faltava o calor, que só um ser vivo pode doar a outro. Ouviu suas palavras, enquanto caminhavam. Ele manteve o braço envolvido na cintura dela, deixando-a próxima de si.


Eu não os acostumo mal irmã, e sim, o contrário. São criaturas adoráveis e jamais poderemos ser iguais, por mais que tentemos. O que faço, pode não ser um ato de bondade como você e o pai vêem, pode ser um ato egoísta, para mostrar aos mortais que tenho controle sobre eles, sobre a vida e a morte. Não apenas ceifando quando sentimos fome, mas também, definindo quem e quando podem morrer. Mais, o fato é que tento ser bom, essa é a verdade.

Vamos, me mostre este homem.




Ao chegar no quarto, Amon observou aquele ser frágil, que chegou até ali em busca de ajuda. Para os dois que estavam de pé, o tempo era irrelevante, para o homem, aquelas poucas horas inconsciente pode definir a vida ou a morte dos seus entes.

Sem pestanejar, Amon inclinou-se sobre ele.
Veja irmã, vamos compartilhar as últimas horas que este homem viveu. Eu poderia fazer isso dá perspectiva dele, caso quisesse, apenas bebendo do seu sangue, entretanto, irei te mostrar de uma forma diferente. Apenas observe.

O cainitas estendeu a mão direita e pegou as vestes do homem, que estavam amarrotadas ao seu lado. Silenciosamente, pegou um punhado de areia do chão e derrubou sobre a roupa. Ele levou pulso até a boca e mordeu, fazendo furos profundos, para que o sangue pudesse verter sobre a vestimenta.

Quando a quantidade de sangue era suficiente, Amon estancou o ferimento e fez a sua vontade sobrepujar o tempo presente. Ele concentrou-se, até que ambos foram transportados no tempo, visualizando em tempo reverso o que acontecera ao homem, a partir de sua chegada ao templo de Illyias.



Amon usa a meta disciplina, auspícios 4 + temporis 6. Ela permite ao usuário e quem mais ele desejar, vejam a partir de determinado objeto ou pessoa, a história recente, ou não tão recente do alvo, como se fosse realidade aumentada, como a sala de treinamento dos X-Men, sem poder interferir nos acontecimentos, obviamente.

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Re: Templo de Ilyias

em Qua Maio 09, 2018 5:09 am
O Sangue encharcou o tecido. Amon concentrava-se ao máximo, tentando retorcer os fios que formavam o tempo e a realidade. Ilyias, seu Senhor, o havia ensinado como fazê-lo ainda nas suas primeiras noites, com lições não exatamente gentis. Ilyias era paciente, e como não poderia sê-lo, e muito da relação que nasceu entre cria e criador se originaram naqueles dias. Ilyias possibilitou a Amon ver as montanhas, ainda jovens, a cuidar dos primeiros assentamentos humanos naquela região. Os erros de Amon eram punidos, pois Ilyias dizia que, na manipulação do Tempo, não havia espaço para amadorismo e falhas primárias. O então jovem vampiro obedecia, corrigindo sua vontade e impondo-a ao tecido do tempo. Invariavelmente aprendeu, a dureza de Ilyias servindo-lhe de guia. Não obstante, Pai e Filho se juntavam ao todo, juntos, suas substâncias se desfazendo enquanto o tempo retrocedia. A intimidade resultante foi cultivada com esmero. Enquanto se concentrava, Amon ouvia a voz de Ilyias dizendo-lhe para esvaziar o pensamento e deixar-se guiar pelas correntes. Percebeu que sentia falta de seu Senhor, não o via há meses. Estaria bem? No seu íntimo, Amon sabia que sim.

As gotas de chuva que caiam mais próximas às janelas estacionaram no ar, no exato momento em que um relâmpago atingiu as planícies ao redor de Nippur. Ficou eternamente, e somente por um segundo, parado no ar, suas formas a decorar o céu noturno. Belit observava seu irmão com encanto: era hábil na tessitura dos fios do Tempo, mas suas habilidades mais notáveis eram aquelas de manipular emoções, de forma que sempre encarava, encantada, enquanto Amon demonstrava seu domínio sobre o Todo. O Templo desapareceu lentamente, e Amon e Belit se viram no Nada absoluto. O vampiro sentiu parte de seu eu desprender-se, e notou que o mesmo aconteceu com Belit-Sheri. Amon tomou o espectro de sua irmã pela mão e acessou uma das partes do Nada. O Tempo correu ao contrário em sua direção, com Nippur passando diante dos seus olhos, como um borrão. Estava deixando a cidade. As planícies se estenderam, sua substância envolvendo o corpo dos dois cainitas para depois tornar ao seu local de origem. Os céus clareavam e escureciam rapidamente, mas o Sol não os fazia mal. Na realidade, e Ilyias o havia ensinado isto, não importa quantas vezes Amon fizesse este tipo de viagem, jamais sentia o sol na sua pele, ainda que estivesse de pé no deserto ao meio dia. O frio era sempre constante. Que maldição elaborada havia posto Aquele Acima sobre a raça de Caim.

Viu um acampamento. Pastores. Ovelhas e cabras dividiam espaço com mortais. Os animais aglomerados uns sobre os outros, dormiam. Era noite. Próximo a eles, uma fogueira acesa. Amon também não sentia o calor do fogo, não sentia o calor humano, não sentia o calor, obviamente, da mão de sua irmã, ainda agarrada à sua. Era um frio absoluto, cortante, desesperador. Mortais dançavam, havia música. Tambores cortavam a noite, reverberando nas montanhas escuras. Mulheres dançavam ao redor do fogo enquanto os homens batiam palmas. Havia alegria, mas Amon não a sentia. Era como se qualquer sensação estivesse separada dele por uma barreira invisível. Via-as, mas elas não alcançavam seu coração morto. Sons de cascos de cavalos. Desespero. As mulheres agarraram as crianças, os homens agarraram suas poucas espadas.

Então, veio o massacre.

Cavalos enormes, com olhos avermelhados e crinas negras invadiram o local. Amon ouviu os gritos e a dor, mas não os sentiu. O Sangue, contudo, era Onipresente. Ilyias também o havia ensinado que o Sangue era a dimensão que unia Passado e Presente, pois era através do Sangue que seus Filhos viajavam. Portanto, era a única sensação permitida à sua prole. O perfume era enlouquecedor, e Amon percebeu que sua irmã apertou sua mão com força. Belit-Sheri chorava. Todos os presentes foram massacrados. Idosos e crianças primeiro. Quando os homens jaziam mortos no chão, os invasores passaram ao estupro. Uma das mulheres jazia no chão, imobilizada, enquanto diversos homens se revezavam em tomar-lhe o corpo e a dignidade. Amon notou, porém, que enquanto isso acontecia as mulheres que ainda estavam vivas gritavam, se desesperavam. Chamavam aquela mulher que jazia ao chão de "Senhora". Ela estava calma, porém. Repetia, incessantemente para si mesma e para Amon palavras que lhe remeteram a alguém conhecido.

- Enki, ajuda-me Enki. Ajuda-me.

Seria uma sacerdotisa de Abzu, o filho do Estrangeiro? Possível.

Um dos atacantes se aproximou. Amon viu que ele estava suspenso no Tempo, diferente de todos os outros presentes. Era um descendente de Caim. Alto, com um manto negro e cabelos oleosos e sujos que lhe caíam pelas costas. O rosto era coberto por uma máscara de pedra.




Era dele que partiam as ordens. Ele assistiu enquanto os homens estupravam a sacerdotisa. Riu diante dos corpos mutilados e pisoteados das crianças, esmagando a cabeça de uma delas com o pé descalço. Um brinquedo de madeira, um pequeno cavalo, rolou até os pés de Amon. Estava sujo de sangue e lama. Mas Amon não sentia a dor de ninguém. Depois, o homem com máscara sacou uma pesada espada de bronze e, após afastar os homens que ainda montavam o corpo da mulher, trespassou-a com a lâmina. Amon viu a Morte, mas não a sentiu. O tórax da mulher foi aberto pelo indivíduo, que o fez com as mãos nuas. Seu coração foi retirado e ele o colocou em uma bolsa de couro. Subiu em seu cavalo e cavalgou em direção ao Norte. Os homens o seguiram em seguida.

O homem assistia a tudo escondido atrás de uma rocha, ocultando-se dos agressores. Amon viu sua culpa a devorá-lo, o desejo de ajudar mas o egoísmo de autopreservação falando mais alto. Correu. O acampamento ficou para trás, os gritos, tudo. Amon acompanhou enquanto o homem corria sem parar, sem descansar, até cair de joelhos diante do Templo de Granito, que era exatamente onde eles se encontravam agora.

Então, a dor veio.

Como um rio que destrói seu leito, o coração de Amon foi destruído pelo desespero, pela dor e pela tristeza. Todas as emoções que haviam visto se avolumavam como uma enchente, não dando a ele espaço de pensar, de raciocinar, de nada. Arfava, tinha vontade de chorar e vomitar ao mesmo tempo. Belit-Sheri estava ajoelhada no chão, as mãos segurando a cabeça. Da mesma forma intensa e veloz que veio, a onda de sentimentos passou. Amon estava de volta ao vazio da não-vida.
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Re: Templo de Ilyias

em Qua Maio 09, 2018 10:07 am
Amon caiu de joelhos no chão. A dor que sentira era demasiadamente grande para seu coração ressequido e sem vida. Apoiou-se com ambas as mãos no chão, dando uma gofada de sangue escuro, amargo. Seu corpo tremia involuntariamente. De imediato, virou seu rosto, manchado de lágrimas sangrentas, a procura de sua irmã. Seu desespero comparado ao dela, não era nada. Ele já se acostumara a sentir estas sensações provenientes do uso de seu poder. Ou seria ainda de sua alma?

Levantou-se rapidamente e a envolveu num abraço, como um pai faz com um filho que chora, acalentando-a. Puxa-a para perto de si, sente ainda mais seu perfume, seus cabelos acariando-lhe o peito. Ficam ali parados por alguns instantes. Após acalmá-la, Amon a solta com ternura e se levanta. Se afasta vigorosamente.

A calma de antes desaparece, ele sente o ódio crescer ao olhar para aquele homem no chão. Ele deveria estar morto, deveria ter morrido lutando para salvar os outros, mesmo sabendo que não venceria. Amon soca a parede do templo com violência. O som ecoa por todos os corredores e se perde com o tempo. Ele pensa em acabar com a vida daquele covarde, no entanto, sente o medo que o envolveu, sente a dor e a tristeza de ter sido fraco, de nada ter podido fazer.

Acalmou-se. Olhou para Belit-Sheri por instantes. Ou foram horas? A visão daquele cainita voltou a sua mente. O som de seu punho adentrando a carne daquela mulher o encheu de tristeza. Não era para ser assim. Ou era? Lembrou-se de seu primo, sendo invocado na hora da morte. Lembrou-se também de Sarosh, ele certamente saberia o que fazer, Sarosh sempre sabia.

Amon já não ouvia o som da chuva. Sentiu um vazio, uma solidão como há muito não sentia, apesar da companhia de sua irmã. Sentiu saudade de Illyias. Esta ausência por tanto tempo não era normal é a sensação de que tudo estava bem passou a incomodá-lo. Decidiu não pensar nisso. Não agora.


Irmã, a deixarei aqui, para que se recupere. Lamento tê-la exposto a tal experiência. Vou procurar Enki, ele deve ser informado sobre o ocorrido.

Amon abandona a sala, caminhando sob as sombras. No lado externo do templo, pára ao lado de uma bacia de pedra, cheia de água límpida, fresca. Ele mergulha suas mãos e leva a água até seu rosto, limpando o sangue já seco, que escorrera durante a visão...

Ele anda por Nippur resignadamente, em direção ao zigurate. Ele olha para o céu e observa as nuvens se afastando, dando lugar a uma Lua resplandecente, brilhante, que em nada se assemelha a ele neste momento, que é apenas dor, tristeza e escuridão. Se Illyias estivesse ali, provavelmente ele não estaria daquela forma.

Ao chegar no zigurate, parou na escada. Amon sabia que só deveria avançar se assim Enki desejasse e convidasse. Ele respirou fundo e gritou:


Enki, filho do estrangeiro, eu, Amon, desejo falar contigo. Tempos sombrios chegaram as nossas terras e eu preciso de vossa sabedoria ancestral!

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Re: Templo de Ilyias

em Qua Maio 09, 2018 10:27 am
O Zigurate permaneceu em silêncio absoluto diante de Amon. As ruas de Nippur ainda estavam ensopadas de lama, e alguns poucos mortais, ansiosos para cuidar de suas colheitas, já se dirigiam aos campos. Talvez tivessem medo que a água evaporasse durante o dia, levando a região de volta à seca violenta.

A chuva havia passado. No céu uma lua cintilante observava, silenciosa, Amon. Seu corpo ainda doía como efeito do seu retorno, seu corpo havia sido tecido novamente, como ocorria a cada vez em que tecia o Todo. O Amon que retornava nunca era o mesmo que partira.

Súbito, uma voz ecoou em sua cabeça.

"Avance, Filho de Ilyias, pois és bem vindo à casa do meu Pai".

Era a voz de Gallod, aquele que representava o Estrangeiro. Amon avançou, o olhar admirando as intrincadas escrituras que forravam as paredes do Templo. Sentia que Gallod o conduzia mentalmente até uma das salas do local. Ao entrar, notou que não era o único visitante naquela noite. Além de Enki e Gallod, ali estavam também Khanon-Mer e Sarosh.

As faces eram preocupadas. Sobre a mesa um coelho com as entranhas expostas. Amon sabia que Gallod comandava habilidades similares, ainda que diferentes, das suas. Isso lhe permitia ver as coisas de forma diversa. Gallod o saudou com um aceno de cabeça, convidando-o a sentar.
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Re: Templo de Ilyias

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