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A Torre de Laza

em Seg Maio 07, 2018 5:03 am
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Re: A Torre de Laza

em Seg Maio 07, 2018 8:44 am
* Mantinha-se sentado em uma cadeira de pedra, aquele homem. Sua face parcialmente coberta pela escuridão da sala pouco revelava seus traços, embora os olhos negros e os longos cabelos e barba que se mesclavam com as sombras em seus ombros se fizessem visíveis.

Em sua mão direita havia um globo de trevas a levitar, formado em um círculo perfeito, que emanava pequenas sombras dançantes. Através daquele círculo de escuridão a imagem começou a se formar. O céu escuro coberto de nuvens carregadas e a primeira das gotas que caiu sobre o solo ressequido. O ângulo da visão através do globo se modificava, por vezes estava distante da Torre de seu Pai, aos pés do povo que se regojizava com o frescor da água que caía dos céus. Em outras, estava acima da torre, a tocar a vastidão, sentindo as nuvens deslizarem por sua face.

Através do Abismo e das centenas de Olhos de Ahriman espalhados pela Segunda Cidade, enxergava o Todo e dele retirava suas impressões. De lá, observou Amon caminhar por entre o povo e agraciá-los com sua presença, sabedoria e poder. Amon, aos  olhos do Místico do Abismo, o mais sábio e comedido de seus primos. O que as próximas noites guardariam para ambos?


Aqueles profundos olhos negros observavam a alegria de seu povo ao ver as águas caírem dos céus. Os períodos de seca que se abatiam sobre o crescente fértil eram sempre um lembrete de que não haviam, ali, Deuses. Não em sua essência.

A crença dos mortais era necessária para a coesão daquela sociedade. O Segundo filho de Laza Omri Baras perdeu-se em pensamentos acerca da sociedade montada em torno de Nippur e de seu contraponto ao longe, a Fortaleza da Dor conhecida como Mashkan-Shappir, enquanto assistia a precipitação que caia sob as nuvens escuras e pesadas de chumbo. Noites escuras e tenebrosas viriam. Não são nelas, contudo, que os filhos de Laza se destacam?

Suas deliberações mentais foram interrompidas pelas palavras de seu irmão. Manteve o olhar destinado ao globo negro em sua palma, quase que perdido nas nuvens escuras e repletas de vida e na imensidão dos céus quando começou a respondê-lo. Notar o retorno de seu Pai era um alento. Sempre o era. Estar em sua presença era como ser agraciado por uma entidade maior, quase incompreensível, mas que ao mesmo tempo ocupava o lugar daquele que o criou, que o deu a existência.

Sorriu, ainda voltado para o Olho de Ahriman. Se o Segundo Filho de Lasombra sentia-se assim quanto a seu próprio pai, como condenaria a devoção que os mortais tem por ele? Virou-se para seu irmão e pôs-se a caminhar em sua direção. Algo entorno de Daharius Anun-har Sarosh fazia com que a escuridão o acompanhasse. A parca luz da lua minguava com sua passagem e de seus olhos escuros pequenas chamas de trevas saltitavam, constantemente.

Sua voz era grave, bela e quase hipnótica. Soava em tom baixo e compassado.*


- O retorno do Pai, junto à chegada das águas dos céus, são um alento para o povo e para os seus filhos.

* Passou por Karotos, interrompendo o caminhar ao seu lado. Colocou a mão sobre o ombro esquerdo do mais velho das crias de Laza.*

- Vá em paz, meu irmão. Certo de que aguardaremos o seu retorno à posição que lhe é devida.

* Sarosh buscava, noite após noite, concretizar os desejos de seu pai. Que não houvesse animosidades descenessárias entre seus filhos. Daharius admirava Karotos, pura e sinceramente. Era o primeiro dos filhos de Laza, o comandante militar da Segunda Cidade e a voz dos filhos de Lasombra. Era seu irmão e seu líder, na ausência de seu pai.

Caminhou, levando consigo a escuridão que o segue, em direção ao ponto mais alto da torre de seu Senhor e Criador*
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Re: A Torre de Laza

em Ter Maio 08, 2018 6:09 am
Sentiu, antes de deixar a sala, que a Escuridão envolvia seu irmão Karotos. Em um breve instante, ele não estava mais ali. Sarosh prossegiu, avançando pelas enormes escadarias e corredores, onde a luz não existia, mas onde ele não precisava de sua presença. A casa de seu Pai era simples, pois simples era o Rei das Sombras. Ali não haviam móveis ou riquezas, exceto pelos objetos que Laza trazia de distantes viagens, hábito que passou a maior parte de seus filhos. Ali era possível passear pelo mundo, partindo do Nilo, passando pelo Tigre e Eufrates e chegando ao distante Indo.

As escadas levaram Sarosh até os andares superiores. Passou pelo recinto privado de todos os seus irmãos antes de alcançar o último lance de degraus. No meio do caminho, juntou-se a ele Tepelit, que o cumprimentou com respeito e deferência, sorrindo com seus olhos escuros. Avançaram juntos até o Grande Salão, onde seu Pai recebia seus filhos e eventuais visitantes, sentado no Trono Negro.

Não importavam os séculos. Não importava a familiaridade e convivência. Seu coração se enchia de admiração e respeito quando visualizava seu Pai.

No Grande Salão não havia nada, exceto pelo grande trono de obsidiana esculpido especialmente para Laza. Nos braços, onde o Pai apoiava suas mãos fortes, estavam inscritos os nomes de seus filhos, aqueles que resistiam e aqueles que já haviam caído. Era um objeto impressionante. Ao redor dele, seus irmãos Khanon-Mer e Tubalcain aguardavam. Khanon era a Grande Fera, como se referia a ele o Pai. Um homem de estatura impossível e músculos de aço. Tubal era O Mentiroso, referido assim não em maneira pejorativa. Era o oposto de Khanon: baixo, magro e de aparência inofensiva. Juntaram-se a eles Tepelit, que Laza chamava de Viajante, pois suas pesquisas o levavam aos cantos desconhecidos do mundo e o próprio Sarosh, a quem Laza chamava de Príncipe, em razão de suas virtudes.

Sentado ao trono estava o Pai. Sorria quando Tepelit e Sarosh entraram, dado que discutia alguma coisa aparentemente divertida com Khanon-Mer. Voltou os olhos para suas crias e Sarosh sentiu o frio na barriga, uma sensação recorrente quando na presença do Pai.

Laza era um homem impressionante. Não como Khanon, forte. Não como Tubal, dissimulado e manipulador. Não era, tampouco, como Sarosh, que concentrava as grandes virtudes de um grande líder ou como Tepelit, com sua aura de sabedoria e efemeridade. Não era como Karotos, pura honra e autoridade. Não era como nenhum dos que haviam estado ali e caído em combate.

O Pai era, simplesmente, a fusão de todos os seus Filhos.

Cabelos escuros, longos e volumosos lhe caíam pelo torso. Vestia um saiote egípcio, feito em algodão branco. Era pálido como a lua. Não era musculoso, mas atlético e alto, com membros fortes. O rosto era fino, com um nariz aquilino, particularmente grande. Os olhos eram duas safiras azuis, grandes e expressivos.

Ele se levantou, abraçando seus últimos dois filhos. Depois, na sua maneira habitual, começou a falar.

- Karotos deve se ausentar de Nippur. Na sua ausência és tu, Sarosh, quem assume minha casa se eu desejar me afastar da cidade. Não tenho planos para que isto aconteça tão cedo, porém.

Voltou a sentar-se ao trono. Seus filhos se reuniram diante dele.

- Tepelit também deixará a cidade, rumando para o Norte, onde eu acredito que segredos podem ser desvelados. Segredos que permitirão que nós aumentemos nossa maestria sobre a Escuridão. Tubal deverá preparar-se para segui-lo, se Tepelit achar que a demanda é por demais grandiosa e perigosa para si.

Olhou para os outros dois.

- Khanon e Sarosh, me foi informado que nossos inimigos se aventuram em nossas fronteiras. Vilarejos foram atacados por emissários de Mashkan-Shapir e eu não posso tolerar tal ação, ainda que Ventru acredite que devamos ter paciência. Não, vocês dois seguirão para o local. Nossos inimigos devem ser destruídos, mas informações devem ser obtidas. Somos os responsáveis pelo bem estar não só do povo de Nippur, mas de toda a planície.

Fez uma pausa.

- Felizmente Galod, filho de... do Estrangeiro concorda com a urgência desta situação. Vocês deverão visitá-lo antes de partir, pois Galod tem já algumas informações que podem ser úteis.

Finalizou com um sorriso.

- É bom vê-los novamente, filhos meus.
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Re: A Torre de Laza

em Ter Maio 08, 2018 8:43 am
* O Príncipe Guerreiro caminhou subindo as escadarias e as sombras o acompanharam, naturalmente. A sua própria imagem refletida em uma face escura no chão se mesclava as demais e voltava ao normal conforme ele avançava. Encontrou seu irmão, o mais hábil dos Místicos do Abismo, Tepellit e o cumprimentou com um sorriso fraternal.

Ao adentrar no salão de seu pai, O Rei das Trevas, passou o olhar em todos os presentes e deleitou-se com a cena de sua família reunida, à exceção de Karotos.

Assentiu meneando a cabeça, em silêncio, após o decreto de seu pai sobre sua posição de assumir a família caso ele precisasse se retirar. Apesar da honraria concedida, esperava em seu íntimo que não acontecesse. Sabia que Laza destinava-se cada vez mais à Khemet, em busca de Osíris, seu irmão mais novo. O próprio Daharius sentia falta de caminhar sobre as areias das terras de seu irmão, terras estas que desfrutam das plantações à margem do Nilo e dos grãos colhidos no crescente, transportados por sua frota naval. Gostaria, contudo, que Ele ficasse mais tempo entre os seus filhos em Nippur.

Destinou um olhar de satisfação a seu Pai e o observou, por alguns instantes. Forte, Dígno, Capaz. Sim, este era Laza Omri Baras, o Rei da Escuridão. Demorou-se um pouco a mais a falar, em seu íntimo queria apreciar aquele momento de reunião. De ver os filhos e o pai comungarem de conversas triviais e acalentadoras.

Sorriu, verdadeiramente, ao ouvir sobre a demanda. Sarosh era um líder, um Príncipe da noite e da escuridão, mas sua origem remete ao chocar de espadas, ao sangue derramado e ao valor dos homens testado no campo de batalha. Era, e sempre será, O Guerreiro.

Sarosh era um homem alto, de ombros largos, embora seus músculos não fossem protuberantes e aparentes, eram definidos. O corpo atlético, mais longilíneo que largo, portavam os longos cabelos negros e barba que denotavam-lhe um ar de sabedoria e experiência. Fora abraçado na altura dos 30, em seu auge físico e mental.

Usava nada mais que um saiote negro, sem quaisquer detalhes, enquanto seu torso nu bem delineado mas sem exageros ostentava o que pareciam pinturas rupestres negras. Verdadeiras tatuagens de trevas que dançavam sobre sua pele, constantemente. Mudavam de lugar e deslizavam em uma ordem aleatória, somente submissa à vontade daqueles olhos negros e profundos.

Aproximou-se de Khanon-Mer, O Forte, enquanto sua voz ecoava pelo salão de pedra. *


- Uma Caçada. Não me recordo da última vez que a fizemos juntos, meu irmão. Será uma excelente oportunidade para por em prática um novo uso que estou desenvolvendo da força esmagadora que possuímos.


* Sabia o quanto Khanon-Mer era obcecado pelo Dom das Trevas do poder e da força física. Foi ele, magistralmente, que desenvolveu a maior parte de suas aplicações. Atiçaria sua curiosidade, revelando uma competição saudável entre irmãos. Por fim, respondeu a seu Criador*

-Será feito, Pai. A destruição sumária do inimigo se dará após arrancarmos deles as informações de que necessitamos.

* Apenas aguardou Khanon, para que prosseguissem até o Zigurate do Estrangeiro, seu tio.*
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Re: A Torre de Laza

em Ter Maio 08, 2018 9:44 am
Khanon-Mer deu dois leves tapas no braço de Sarosh, enquanto sorriu diante da evidente provocação do outro.

- Será um privilégio, meu irmão.

Laza se ergueu de seu trono. Acenou com a cabeça para Tepelit, que retribuiu o cumprimento. O Místico despediu-se de seus irmãos, mais intensamente de Tubalcain, com quem tinha uma excelente relação, e deixou o recinto. Tubalcain, posteriormente, fez o mesmo, não sem antes beijar a mão de seu Pai, que o puxou num abraço. Laza sussurrou algo nos ouvidos de Tubal, que assentiu prontamente. O Mentiroso beijou a face de seus dois irmãos e deixou o local.

Restavam Sarosh e Khanon, perfilados diante de Laza. O Pai desceu do pedestal onde se localizava seu Trono e, colocando um braço sobre os ombros de cada um dos filhos, os aproximou de seu corpo. Sarosh viu, no fundo dos olhos azuis, O Abismo, a sugar toda luz e toda a existência. Laza era o Rei da Escuridão, e seu comando sobre o Dom do Sangue de sua Família era inigualável. Contudo, diversamente de Sarosh, Tepelit e Tubalcaim, as sombras não se manifestavam em sua presença. Nenhuma marca, tatuagem ou manifestação denunciava sua Maestria. Exceto pelos olhos.

- Vocês são meus Filhos. Joias da minha coroa. O que compartilho com vocês não compartilho com os outros, pois dentro desta Casa cada um tem a sua função e as suas preocupações. Vocês são meus marechais de campo, os homens a quem eu entregaria a chave do meu Reino.

Deixou os Filhos. Aproximou-se de um dos únicos móveis que compunham a sala, uma mesa de pedra bastante rústica. Sobre ela, um belíssimo vaso de bronze, do qual escapava um perfume de Vitae absurdamente intenso. Depositou o conteúdo sobre três taças de madeira e as ofereceu ao seus Filhos.

- Um presente de Osíris, vosso irmão.

Tornou ao trono e dali começou a falar. A Vitae contida no cálice era forte e intensa, ainda que mortal. Sarosh sentiu na boca o gosto do Egito: o rio, os juncos, a grandeza. A Fé.

- Aparentemente um dos vossos primos contribui com o inimigo. As ações deles demonstram isso. Estão sempre cientes do momento no qual nossas forças patrulham os vilarejos vizinhos. Karotos os viu, uma noite, tratando com um cainita que parecia estar em posição de colaborador interno. Infelizmente, o indivíduo usou dos Dons das Trevas para ocultar-se de Karotos, e o vosso irmão - ainda que eu já tenha pedido que corrija esta falha - é pouco versado nas Artes da Percepção.

Bebeu um gole.

- Por isso, tenham isto em mente quando estiverem em campo. Quaisquer indícios nos serão úteis. É a Casa de Laza que deverá descortinar as sombras que encobrem um potencial traidor.

Laza não falou mais nada, mas recostou-se no Trono. Sarosh viu que seus olhos, de azuis, tornaram-se completamente negros. O Pai não precisava metamorfosear seu corpo para adentrar o Abismo, pois o Abismo estava dentro dele, era ele.

Os irmãos deixaram a Torre de seu Pai. Khanon e Sarosh caminharam até o Zigurate. A chuva ainda caía com força e os  mortais já se haviam recolhido para suas casas; amanhã era dia de preparar as plantações. Toda a cidade cheirava a Sangue, dos vasos dispostos ao lado das portas das casas até a Vitae espalhada pelo chão, que havia escorrido das feridas que alguns mortais se autoinfligiam, para honrar seus Deuses. A construção que abrigava Galod e Enki, únicos filhos do Estrangeiro que habitavam em Nippur, se desenhou diante dos olhos dos dois cainitas. Era uma bela construção, erguida sobre uma plataforma de barro. Parecia desafiar os céus escuros, como os próprios cainitas faziam.
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Re: A Torre de Laza

em Qua Maio 23, 2018 8:37 am
* Adentrou aos seus domínios sombrios, onde a escuridão lhe trazia paz. A calma e o silêncio se faziam presentes e era deles que necessitava após uma noite de enfrentamentos e sentimentos diversos.

Sarosh apoiou-se na janela, com a face cansada, a fitar o horizonte. As próximas noites seriam decisivas e talvez ainda mais difíceis. Permitiu-se sentir o peso de suas palavras e das respostas de seus tios enquanto estava sozinho pois, em breve, seus primos estariam presentes e contariam com sua altivez na liderança do grupo de ataque às vilas tomadas pelo inimigo.

Ergueu uma das mãos e dela um globo negro do tamanho de um punho humano se ergueu, escuro como seus olhos que ganharam sombras dançantes. Concentrou-se e através da escuridão sua visão vagava por toda a extensão do Crescente, buscando a seus homens e Khanon através dos olhos de Ahriman que a eles entregou. Acompanharia a escolta dos Sacerdotes à Nippur enquanto aguarda a chegada daqueles que estarão a seu lado no campo de batalha.*
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Re: A Torre de Laza

em Qui Maio 24, 2018 6:21 am
Khanon-Mer cavalgava como um Rei, diante dos homens de Sarosh e daqueles que eram subordinados a Karotos. Sarosh viu a cena de uma perspectiva aérea, trinta cavaleiros desafiando a planície escura. Os cavalos, magnânimos, sustentavam sem apresentar sinais de cansaço os homens que estavam sobre eles. No horizonte, Sarosh divisou três grandes grupos de mortais, cada um deles procedente de uma direção diferente, mas todos oriundos do sul, de cidades como Ur e Uruk. Haviam homens, mulheres e crianças. Os velho seguiam em carroças, assim como as mães com crianças de colo. Estavam a cerca de três dias de Nippur.

Khanon, seu irmão, era um ser fascinante. Sarosh o conhecia a séculos, sabia que Khanon era de temperamento difícil e agressivo, mas dono de um coração imenso. Khanon era forte, infinitamente capaz, mas havia passado sua não-vida empregando sua força em favor daqueles que nada tinham, que nada teriam. Coordenava o movimento dos homens, indicando-os que deveriam abraçar as caravanas, formando um anel de proteção. Não era um líder como Sarosh, mas era imensamente respeitado tanto pelos seus homens quanto por aqueles de Karotos. Os homens gostavam da companhia de Khanon-Mer, aquele que contava piadas e não hesitava em adentrar os espaços selvagens, retornando com uma caça robusta que seria compartilhada pelos mortais sob seu comando.

Mas, durante a visão, uma estranha sensação atingiu o segundo Filho. As palavras de Malkav retornaram à sua mente quando os homens se aproximaram, finalmente, da caravana. Quando Khanon-Mer se aproximou de uma das carroças, cumprimentou respeitosamente um ancião, um homem que aparentava cerca de setenta anos. Tinha uma barba longa e branca, mas não dispunha de cabelos. Suas orelhas eram cobertas por inúmeros brincos de bronze e tatuagens enigmáticas cobriam seus braços. Exalava um ar de sabedoria. Na carroça, quatro mulheres cuidavam de cerca de sete crianças, todas incrivelmente parecidas com o velho. Uma delas, porém, carregava nos braços um recém nascido. E Sarosh viu, pela primeira vez, aquele que seria o seu primeiro filho. Um relâmpago cortou o céu neste momento.

Sarosh sabia que seus primos haviam chegado antes mesmo que um dos servos abrisse a porta de seus aposentos e os anunciasse. Queria saber se deveria deixá-los entrar.
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Re: A Torre de Laza

em Qui Maio 24, 2018 10:28 pm
*Sarosh tremeu.

Não por fraqueza. Não por incerteza. Mas por ansiedade.

Haveria de aguardar anos, décadas talvez, até que o primeiro de seus filhos pudesse ser trazido à noite e à família. O vislumbre devastador de um futuro no qual aquela criança é a única a lhe ancorar em um mundo sem amor, sem família, sem laços que o façam querer continuar o arrastou para o mais profundo dos abismos ao qual um cainita pode ser lançado: Viver as noites atuais enquanto espera a eternidade que tanto deseja.

Khanon, seu irmão, o impressionava sempre. Era um rival, um amigo e um espelho. Era mais jovem, mas ativo e firme como um irmão mais velho. Agressivo, temperamental. Haveria ele de ter gargalhado se pudesse ter ouvido as palavras de Sarosh no salão da Fortaleza Negra. Foi a chegada de seus primos, anunciada, que o retirou da imersão de sua visão e dos próprios pensamentos. Ordenou que o servo os permitisse adentrar aos seus aposentos.

Aquele era um lugar simplório, mas imerso na escuridão que se prolongava do próprio Daharius Sarosh.

Além de sua cadeira que era um reflexo menor do trono de seu pai, nos andares superiores da torre, havia uma mesa circular de madeira - incomumente escura - com assentos dispostos a seu redor. Acima da mesa havia um mapa entalhado em couro animal da região do Crescente Fértil. Ali, traçado por um artesão dentre os seus servos que residem em Ahriman, a cidade dos Guerreiros das Sombras, estavam as principais províncias e vilas demarcadas em desenhos simples, quase rupestres, além da extensão dos rios que cortam aquelas férteis terras.

Aguardou que entrassem e os designou para que se sentassem ao redor da mesa. Não havia nenhum traço na face de Sarosh da dor ou do misto de sentimentos que se permitiu sentir enquanto estava só, daquele peso imenso que foi confrontar os antigos há pouco tempo. É como se nada tivesse acontecido. Seus olhos negros fitavam respeitosamente os seus primos enquanto seu corpo se erguia de seu pequeno trono, para que pudesse caminhar em direção ao mapa.*


- Sejam bem-vindos, meus aliados. Esta noite planejaremos nossas intervenções nas vilas ocupadas pelo inimigo.

* Sarosh deposita as mãos sobre o mapa e as desliza, lentamente, circulando a localização de Mashkan-Shappir*

- Dentre vós, qual conhece melhor esta região e o que pode trazer de informação para que possamos traçar nosso plano de ação?
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Re: A Torre de Laza

Ontem à(s) 9:24 am
Sarosh procurou ocultar seus sentimentos e aspirações quando seus primos adentraram seu refúgio. Escutou os passos dos visitantes nas escadas da Torre e, quando se fizeram visíveis, todo o cenário já estava montado, e um Sarosh altivo e decidido os aguardava.

Os dois primeiros a adentrarem a sala foram Mi-ka-il e Tammuz.

Eram ambos Filhos de Arikel. Mi-ka-il era uma visão perfeita: um corpo perfeitamente equilibrado e uma face que poderia fazer os anjos chorarem para tocá-lo. Era visivelmente de fora da região, dispondo de cabelos alourados e encaracolados e simétricos olhos verdes. Tinha uma aura tranquila e agradável, que fazia nascer a vontade de passar horas ao seu lado. Sarosh sabia que Mi-ka-il havia sido um escravo na cidade de Ebla, trazido ao local graças a uma das inúmeras operações militares. Movia-se com graça e era de riso fácil. Abraçou novamente Sarosh quando passou pela entrada.

Tammuz também não era da Planície, atestando a preferência de Arikel de conceder o Dom das Trevas a mortais oriundos de terras distantes. Era mais baixo que Mi-ka-il e menos belo. Tinha cabelos e olhos escuros, e vestia-se de forma elegante e colorida para os padrões da região. Caminhava descalço, e sua presença era menos agradável que aquela de seu irmão, mas aparentemente muito mais sagaz e inteligente. Entre os olhos escuros, havia uma marca em tinta avermelhada, um pouco abaixo de onde normalmente se localizava o Terceiro Olho dos Filhos de Saulot. Cumprimentou Sarosh segurando brevemente seu antebraço.

Em seguida, adentraram Nakurtum e Medon. O primeiro era um colosso, forte e musculoso. Os cabelos eram crespos e os olhos escuros, quase na mesma tonalidade da pele. Vestia-se com uma túnica de pele de leão e tinha na cintura uma espada de bronze finamente trabalhada. Nakurtum era o espião dos Filhos de Haqim, aquele que entrava e saía sem que ninguém se desse conta. Além disso, se dizia que era um excelente planejador militar.

Medon foi o último. Era notadamente Filho de Ventru. Altivo e orgulhoso como seu Pai, Medon era, segundo as lendas, um guerreiro tão capaz quanto Khanon-Mer. Tinha uma expressão austera, violenta, além de cabelos escuros cortados em estilo militar e olhos expressivos. Vestia somente um saiote escuro e sandálias. Era sabido que alguns dos Filhos de Ventru haviam desenvolvido uma afeição pelos Filhos de Laza: Orthia competia constantemente com Khanon-Mer e Tepelit mantinha uma relação de longa data com Tinia. Medon, por outro lado, era constantemente visto na companhia de Tammuz.

Os quatro se sentaram após o convite de Sarosh, observando atentamente o mapa disposto sobre a mesa de pedra. Diante do questionamento do anfitrião, foi Nakurtum que se levantou. Levantou a túnica para revelar uma bolsa de couro amarrada na cintura, de onde retirou pequenos modelos de vilarejo, cuidadosamente esculpidos em madeira, e passou a organizá-los no mapa. Em seguida falou, com sua voz grossa, porém sutil.

A estrela de quatro pontas simboliza Mashkan-Shappir. As outras estrelas simbolizam os vilarejos com presença do Inimigo.

- Agradeço por nos receber em tua casa, Sarosh. Cada um destes pontos simboliza um vilarejo onde a presença do Inimigo foi notada. Aqueles dois mais próximos de nós tem um número menor, algo entre dois a quatro ocupantes permanentes, com influxo relativo e ocasional de outros oriundos de Mashkan. O vilarejo mais ao Norte é a nossa situação mais complicada. Ali foi erigido um pequeno centro de culto, que começa a atrair mortais da região e que por isso mesmo é fortemente protegido por outros cainitas e carniçais de poder relativo. As muralhas são constantemente patrulhadas por homens à cavalo e há rumores de que, à noite, seja patrulhada também por criaturas de natureza profana.

Foi Tammuz quem continuou, após a apresentação de Nakurtum.

- O que nos coloca em uma situação difícil. Atacar um dos vilarejos colocará os outros em estado de atenção, gerando um pedido de apoio à Mashkan-Shappir que pode fazer com que a situação evolua para um conflito de grandes proporções. Em um cenário como este, imagino que as forças daqueles nesta sala se tornarão insuficientes.

Continuou, apontando para o vilarejo mais ao Norte.

- Teu irmão Karotos, em conversa comigo, me havia notificado o local onde havia identificado o traidor. É possível que o vilarejo mais protegido seja uma base de poder profano do Inimigo, e que seja munido de conhecimento sobre o nosso modo de operar. Precisamos estar atentos.

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Re: A Torre de Laza

Hoje à(s) 1:01 pm
* Daharius ouviu, atentamente, as explanações de Nakurtum e Tammuz. Em seguida sua mão deslizou por entre os modelos, tocando somente o mapa, para que então o Místico se fizesse ouvir.*

- Caso nossas atenções sejam voltadas ao ponto mais ao norte, o centro de poder do inimigo, estaremos convidando as vilas vizinhas a nos emboscar. Ficaremos cercados.

* Sua mão retorna aos primeiros pontos de apoio do inimigo, os mais próximos de Nippur*

- Se os atacarmos nestes pontos, logo o inimigo tomará conhecimento e enviará reforços ao vilarejo mais protegido que aparenta ser a base do inimigo, conforme as orientações de Tammuz.

* Retirou a mão do mapa e colocou-a, junto a outra, atrás de seu corpo. Era sua postura usual quando traçava planos. Pouco se passou até que sua voz, grave e bela, se fizesse ouvir novamente.*

- O inimigo saberá de nosso avanço, de uma forma ou de outra, após o primeiro movimento de nossa parte. Devemos nos ater ao propósito deste ataque, conforme explicitado pelos antigos: incitar o inimigo a agir e quebrar o tratado conosco.

- A tomada dos vilarejos, sob esta perspectiva, é indiferente neste momento. Basta que façamos com que o inimigo acredite estar sendo atacado por uma grande força.

* Sua mão se ergueu sobre o mapa e sobre os modelos ricamente entalhados que representavam os vilarejos. Assim, uma sombra se projetou sobre todos.*

- Atacaremos a todos os vilarejos, de uma só vez. Aproveitando-nos de nosso maior aliado na primeira noite: o ataque surpresa.

* Olhou Nakurtum, o rastreador*

- Descreva-me, em detalhes, as localidades próximas aos vilarejos. Nós viajaremos rapidamente entre eles, realizaremos ataques precisos e violentos e passaremos ao próximo, sem uma ordem clara definida. Começaremos pelo da esquerda, cruzaremos as areias através de meus rápidos modos ao mais longínquo deles e os golpearemos e, em um piscar de olhos, estaremos no vilarejo mais próximo de Nippur onde alçaremos o caos sobre o inimigo.

- Assim, mesmo que a informação chegue aos outros pontos de apoio dos servos de Moloch durante os ataques, eles acreditarão que várias forças os atacam de todas as direções. Não terão opção a não ser recuar, liberando os vilarejos menores.

- Percebam que permaneceremos juntos durante todo o ataque. Atacaremos com força e decisão, viajaremos velozes através das sombras e atacaremos o outro ponto. Todos, em uma só noite.


* Olhou, através de seus profundos olhos negros, para Nakurtum*

- Durante os ataques, caberá a vós observar e coletar o máximo de informação sobre a estrutura do inimigo enquanto os dilacera. Suas construções e proteções, das mais simplórias às mais complexas.

* Em seguida, destinou o olhar à Tammuz*

- Caberá a vós, primo, coletar das mentes dos servos o máximo de informação sobre o inimigo. Sejas cauteloso, contudo, busque os servos mortais e deles prescrute o que sabem. Na guerra se que fará presente em breve, a informação sobre o oponente será uma mercadoria valiosa, aproveitemos os ataques para coletá-la ao máximo.

* Por fim, fitou Medon e Mi-Ka-il.*

- A nós caberá dizimar todos os que nos oporem. Vampiros, carniçais e demais abominações que nos interpelem. Destruam-nos e esmaguem-nos, os seus e os seus feitos. Nada deve restar.

* Inclinou-se sobre a mesa, observando o mapa uma vez mais*

- Lembrem-se de permanecerem juntos, próximos a mim todo o tempo. Pois viajaremos ao meu comando sob o manto da escuridão que carrego ao próximo vilarejo e, ao fim de todo o ataque, retornaremos à Nippur.

* Ergueu o olhar, passando-o por cada um dos presentes*

- Expressem vossos pensamentos, meus primos e aliados. Este é o momento de moldar o plano narrado da melhor forma para cumprimos nosso objetivo. Após isto, com a decisão tomada, devemos nos alimentar e nos preparar para o ataque.
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Re: A Torre de Laza

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