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Re: Domus - Titus Venturus

em Ter Mar 20, 2018 10:12 pm
* O imperador, de pé, com seu corpo magro coberto por uma túnica leve e os pés descalços a pisar sobre o mapa em uma alusão ou literalidade de sua posição - O Império a seus pés - ouvira as palavras do Capadócio e, mesmo com o aspecto cansado e os olhos dourados levemente desinteressados, parecia manter-se focado naquilo que o jovem dizia.

Ao fim, havia uma tristeza explícita estampada naquela face que parecia ter sido esculpida à semelhança de Afrodite ou Vênus, tamanha a sua perfeição*


- Uma balança. A mais precisa de todas as balanças, certamente. Me entristece que esta noite o Sangue seja uma vez mais o limiar e o juiz de ações futuras.

* Em silêncio, ele retorna ao trono de mármore. Galerius aproveita-se deste momento e aguça sua visão da Aura. O que lhe aparece é um contorno translúcido e pálido, recoberto por veias negras. Não há nenhuma surpresa, contudo. É sabido e difundido nas noites romanas que Titus Venturus cometeu o Insulae Canibalium, a Dablerie, em Collat - seu Senhor - no mesmo período ao qual ascendeu ao posto de Imperador e Deus.

Ao chegar no trono, Camilla senta-se e apoia a face sobre um dos punhos. Seu corpo estava presente, mas sua atenção conferida a Galerius se vai por alguns segundos. Não tarda e as portas do salão abrem-se com Juno Prestes à frente e quatro escravos mais atrás a carregarem, através de treliças, um sarcófago de calcário em tom cinza claro sem nenhuma escultura ou runa esculpida. Prestes os indica a depositar o objeto que possui cerca de três metros e aparentemente dezenas de quilos à frente de Appius, sob o olhar perdido do Imperador.

Em seguida, o Conselheiro indica para que os serviçais empurrem a pesada tampa de pedra que fecha o objeto.

A tampa cai pesadamente ao chão, a ponto de danificar com ranhuras o mapa rebuscadamente pintado. De sua posição, inicialmente e por uma questão angular, Galerius não consegue ver o que há no interior. Prestes sinaliza e os escravos deixam o salão fechando a porta atrás de si. Juno escora-se em uma das paredes e junta as mãos sobre o peito, demonstrando certa ansiedade.

Apenas um passo à frente, naturalmente impulsionado pela curiosidade, e Appius tem, talvez, a mais aterradora visão de sua não-vida. O Imperador retoma as palavras*


- Que o Sangue revele a verdade que as palavras obscurescem.

* No interior do sarcófago de pedra cinzenta, jazia o corpo de Dionysius. Por fim, Titus Venturus Camillus Sentencia*

- Delibero à Appius Galerius Buteo o direito, elevado a dever, de consumir seu senhor - Traidor de Roma - em Insulae Canibalium.
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Re: Domus - Titus Venturus

em Qua Mar 21, 2018 8:15 pm
*Metade de Appius já sabia o que veria dentro do esquife, enquanto a outra metade deixa escapar um som de sua boca, horrorizada. Engraçado como que após séculos convivendo ao lado de cadáveres, ainda consiga ficar tão assustado com um, com este em particular. O revelar do corpo dentro do esquife, todo o desenrolar daquela audiência, se mostrava como um pesadelo.*

-Dis abaixo... Eu pensei... Eu pensei que Dionysius já havia encontrado sua Morte Final.

*Appius avalia o cadáver dentro do esquife. Algo não estava certo. Até onde podia dizer, Dionysius havia encontrado sua Morte Final mais cedo esta noite, sob as chamas. Não só isso, mas o Capadócio havia sentido o cheiro das chamas que haviam consumido seu senhor.*

*Mas por outro lado, se os infernalistas haviam replicado o corpo de Camilla, o que os impediria de fazê-lo novamente com Dionysius? Mas mesmo se assim o fosse, qual seria o sentido de recriar um corpo para que Appius o destruísse?*


-Quem se beneficia?

*Deuses abaixo e acima, quem se beneficiava era ele. Uma toga senatorial e um aumento de poder substancial! Mas se essas ações não eram desencadeadas pelo próprio Appius, a quem interessava vê-lo nessa situação? Galerius tinha uma boa ideia do quem, restava saber o porquê.*

-Essa... essa é uma situação deveras incomum. Eu entendo que isso é muito mais do que um direito, mas um dever para com meu Imperador e com Roma. Porém... Rogo para que ambos compreendam que isso não será fácil. Da mesma forma, rogo humildemente para que possa cometer o Insulae Canibalium em privado.
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Re: Domus - Titus Venturus

em Qui Mar 22, 2018 9:27 am
* Prestes observa a cena com uma face abatida. A comoção parece tê-lo atingido e é através do reflexo de seus olhos esmeralda e do balanço leve e negativo que o Conselheiro dirige a Appius que o Capadócio enxerga o Imperador, de seu trono de mármore, erguer um dos dedos antes de tomar a palavra*

- Compreendes a situação de forma equivocada, Galerius.

* Sua atenção é dragada, violentamente, para o peso daqueles olhos dourados. A voz de Camilla continua a soar em tom leve e baixo, mas absurdamente impositivo*

- Privacidade é um luxo e uma permissão concedida àqueles que a mereceram, através de seus feitos e acima disso, de sua lealdade. Me entristece precisar lembrá-lo que tais benefícios lhe foram arrancados quando o seu Senhor traiu o Império.

* Abaixando a mão e indicando o corpo, imóvel, dentro do sarcófago de calcário cinzento ele continua*

- Minha benevolência para com os seus, que por legis maximum deveriam ser excluídos, dizimados e caçados por Roma devido a traição de seu representante maior, se aplicará em decorrência da tua decisão.


* Ele apoia a face sobre um dos punhos. Havia decreto, mas também havia tristeza naquele olhar*


- O Sangue de Dionysius será a balança que definirá o futuro dos teus. Consuma-o e ateste sua lealdade a Roma e a mim. Negue-o, apegando-se a lembrança e ao amor incondicional por vosso Senhor e o peso da traição cairá sobre todos os filhos de Capaddocius.

* Prestes derrama uma lágrima de sangue e, Appius têm a absoluta certeza de que o Conselheiro sente profundamente pelo que se segue*

- Faça-se cumprir a decisão que deve ser tomada e realizada neste instante.

* Sentenciou o Imperador, com a face imóvel e os olhos cansados a repousar sobre o corpo de Dionysius*
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Re: Domus - Titus Venturus

em Qui Mar 22, 2018 1:12 pm
*As palavras do Imperador carregavam o peso do chumbo. Talvez, se as coisas fossem diferentes, poderia haver uma solução melhor; mas no momento, tudo se resumia a uma escolha. Como o herói Ulisses entre os monstros Scylla e Charybdis, era uma escolha cruel, tão cruel que no fundo não era escolha alguma. Appius levanta os olhos ao trono de Camilla, talvez com a primeira fagulha de insolência da noite.*

-Entendam, senhores, que lealdade nunca foi a questão. Pois bem, que não se diga que ao Clã da Morte não se dispõe a fazer o necessário.

*Appius se ajoelha e observa, uma última vez, as feições de seu senhor. Internamente, ele reza a todos os deuses cujo nome conhece, e para Dionysius, por perdão para o que está prestes a fazer.*

*Ironia das ironias, seu senhor havia lhe ensinado, anos atrás, sobre o pecado da Insulae Canibalium. Appius sabia que que o ato era uma questão de, mais do que qualquer outra coisa, de força bruta. Canalizando o sangue dentro de si, o Capadócio o manipula para aumentar sua força a níveis sobrehumanos, o máximo que conseguiria, mais do que jamais havia feito. E avançando, sem a menor hesitação, pois sabia que qualquer hesitação faria com que ele desistisse do ato, Appius Galerius Buteo crava suas presas na jugular de seu senhor, e começa o processo da Insulae Canibalium.*

*Como Saturno e Júpiter antes dele, Appius se tornava um patricida. E que os deuses tenham piedade de sua alma.


Última edição por Appius Galerius Buteo em Seg Mar 26, 2018 12:03 am, editado 1 vez(es)
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Re: Domus - Titus Venturus

em Sex Mar 23, 2018 9:32 pm
* Galerius sentiu a força proveniente do sangue  bombeado através de sua vontade lhe percorrer o corpo. Suas veias, há muito mortas, pulsavam com o vitae que lhe conferia a força física necessária para consumar o ato. O tão temível quanto dolorido ato.

A exigência física era absurda, mas sequer poderia ser comparada a aflição mental que se abateu sobre Appius. Ali, diante dele,  estava seu criador. Seu pai e professor. Seu amante e odiado tutor.

A coragem e o dever lhe impulsionam e as presas cravam-se no corpo imóvel e imerso em sono de Dionysius. O Capadocio segura com firmeza aquele corpo magro e coberto com uma túnica leve de tom púrpura, o líquido carmesim,  espesso e escuro, lhe preenche a boca e desce por sua garganta com uma certa brutalidade incontida da besta que clama por mais, muito mais. Prazer. O mais absoluto prazer se misturava ao remorso e a dor de destruir aquele que o criou.

Sugava com força, desejo e culpa. Seu corpo entorpeceu-se pela sensação daquele vitae milenar lhe preencher a existência até que as memórias se fizeram presentes. A primeira lição, um escravo que serviria de alimento para a sede quase incontrolável após o abraço. O medo e a incerteza de despertar na  próxima noite em sua nova e peculiar condição. A primeira caçada, os primeiros estudos da morte. As noites infindáveis e prazerosas de debate filosófico.

O sorriso singelo de seu pai. A mão pesada que corrigia os erros do recém criado. A voz pacifica que acalentava as dúvidas e o medo da longa noite. Uma profusão de imagens, cores e sensações se abate sobre Appius. Eram suas, ou dele, essas memórias?

Voltou a realidade ao sentir o abraço firme daquele que devorava. Instintivamente, absorto pelo doce vitae que invadia seu corpo, sugou-o ainda mais forte. A culpa lhe caiu pesada tanto quanto o firmamento que Atlas carrega e, em um último momento de lucidez, abriu os olhos e deparou-se com os de Dionsysius, abertos. Havia, a despeito de dor ou medo, uma paz inquietante naquela face. Perto do fim, mesmo em um ângulo difícil de conseguir notar por conta das presas fincadas no pescoço de seu Senhor, Appius vislumbrou um sorriso igualmente singelo e puro quanto o visto naquelas memórias.

Os lábios de Dionysius próximos à orelha de Galerius deixam escapar suas últimas palavras, sussurrantes.*


- O amei, ausente, como um faltoso pai. Rogo por teu perdão, por minha sentida ausência, como um tolo filho.

* Em seus braços, Appius sente aquele corpo ósseo e magro se desfazer em cinzas escuras que se esvaem por seus dedos e caem ao chão. Seu corpo está exausto, sua mente em estilhaços. O prazer do sangue ancestral deixa de existir e resta apenas o frio e escuro da solidão causada pelo parricídio.
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Re: Domus - Titus Venturus

em Seg Mar 26, 2018 1:07 am
*Ó tempos, ó costumes! Até que ponto haveria de descer para satisfazer a vontade do Imperador? Quantas outras existências seriam ceifadas antes que tudo aquilo terminasse? Quem poderia garantir que todo aquele sacrifício resultaria em algo realmente concreto? Era ele, Appius, uma cópia barata do titã Atlas ou do amaldiçoado rei de Corinto, Sísifo, condenado a eternamente empurrar a mesma pedra no Tártaro, graças aos seus pecados? Algo de bom resultaria nessa cadeia de eventos desencadeada com a visita de Lisandro na última noite?*

*E acima de tudo, como poderia um ato tão hediondo ser tão... tão doce?*

*E pior, pelo resto de suas noites, quer sua Morte Final venha neste momento ou daqui a mil anos, a imagem dos olhos de seu velho mentor se abrindo ficariam gravadas a fogo em sua mente. Traído e indefeso, Dionysius teve como último ato... pedir o seu perdão. O perdão dele, seu próprio algoz e filho ingrato. E ele, Appius, a pior das criaturas, foi incapaz de dar este mínimo conforto ao ancião moribundo, com medo de ser abatido ali naquele momento.*

*Após o que parece ser uma eternidade, Appius Galerius Buteo, do Clã Capadócio, agora mais próximo do que nunca de Caim, se levanta. Ele se ergue de forma lenta e deliberada; o ato, por si só, parece trazer mais dignidade ao sacerdote do que ele jamais possuiu. Appius se levanta, acima de tudo, como um novo Cainita. Talvez seja o sangue, antigo e poderoso, que lhe emprestasse uma gravitas que não possuía antes. Ou talvez seja seu novo propósito; naquele momento, o Capadócio reafirmava o que havia jurado nas suas catacumbas. Ele veria a criatura que se passava por Titus Venturus Camilla destronada e destruída, nem que isso levasse ao último pulsar de suas veias mortas. Quando ele fala, porém, sua voz não mostra inflexão alguma. É como um cadáver falando, num tom mecânico e impessoal.*


-Está feito, Dominus.
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Re: Domus - Titus Venturus

em Seg Mar 26, 2018 1:47 pm
* Appius ergue o olhar e, por um breve instante a quem o observa mas uma eternidade para o Capadócio, uma série de memórias e sentimentos lhe preenchem a mente. A existência e a psiqué de Dionysius se faz presente nos primeiros momentos pós Diablerie e Galerius sente uma profusão de sensações que agora fazem parte do seu ser. De fato, era aquele Appius Galerius Buteo ou a partir de agora um novo cainita habitava aquele corpo?

O capadócio se vê neste mesmo salão Imperial, muito menos decorado no entanto, caminhando em um corpo velho e enrugado e coberto por uma túnica de cor púrpura. A imagem se mescla rapidamente a outra na qual está Appius a dialogar com Camilla, ou seria Dionysius? A conversa se mostra amigável e mais que isso, é possível notar que o Capadócio ensinava o então Imperador sobre o mapa que parecia recém pintado a seus pés.

Havia uma cumplicidade entre ambos. Respeito e até mesmo admiração partiam do olhar dourado de Titus Venturus em direção a Galerius, que vestia-se na pele de Dionysius, naquela imagem. O velho Capadócio parecia ser o tutor, o mestre do líder máximo de Roma.

Uma nuvem púrpura se abate sobre a visão a tempo de Appius e logo ele estava caminhando por Roma, em imensas e assustadoras chamas. Toda a cidade ardia e os gritos eram ouvidos em suas quatorze areas. Cainitas em desespero vagavam pelas ruas a procura de abrigo, consumidos pelo medo bestial das labaredas. Dionysius caminhava apressado junto a comitiva do Imperador, ou seria Appius? No grupo estavam Marcus Crassos, cria do Matusalém Ventrue Mithras, além de Lisandro e o próprio Imperador.

As chamas consomem a visão e novamente Appius se vê no Salão, discutindo calorosamente com Helena, a toreadora grega, sobre assuntos que lhe escapam pois as vozes são abafadas e inaudíveis pelo som horrendo das chamas a consumirem a Capital.

Por fim, Galerius retoma a visão do agora - será mesmo? - e nota o Imperador apenas indicar com a mão levemente para que deixe os aposentos, enquanto Juno Prestes se aproxima e diz em tom baixo, próximo ao ouvido do Capadócio*


- Meu caro, deixemos o Imperador a sós. Ainda precisamos discutir alguns assuntos, siga-me.

* Diz o Conselheiro abrindo a grande porta ornamentada do salão imperial e indicando o Atrio, com o impluvium de sangue a lhe decorar*
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Re: Domus - Titus Venturus

em Seg Mar 26, 2018 7:37 pm
*Alguns segundos se passam antes que Appius processe a fala de Prestes, e se vire para ele, de forma lenta, quase fantasmagórica.*

-Certamente.

*O que o sangue lhe mostrava? A não-vida de Dionysius, antes da existência de Appius? E quantas peças a mais do mosaico ele conseguia enxergar! Mas por outro lado, a própria imagem também parecia aumentar, cada nova resposta trazendo duas novas perguntas. Mas pela primeira vez desde que todo este imbróglio começara, ele tinha duas pistas sólidas para seguir: Canatos, o governador provincial, e o Grande Incêndio. O que quer que tenha acontecido naquela noite, estava determinando o que acontecia agora, quase um século depois. Para Appius, pessoalmente, foram dias terríveis, mas de relativa segurança. No Grande Incêndio, ele mais do que em qualquer outra ocasião, agradeceu aos deuses por seu estranho fascínio pelas catacumbas cristãs. Por mais sensibilidades que elas afetem, as catacumbas se mostraram notavelmente seguras durante o Incêndio, e mais de um Membro devia sua sobrevivência à sua hospitalidade naquele dia terrível. Vendo em retrospecto, somado com as memórias de seu senhor, Appius agora sabia que um dos motivos pelo qual teve suas décadas de paz no subsolo foi uma forma de gratidão da comunidade Cainita por sua generosidade naquele momento.*

*Com uma reverência a Camilla, ele deixa a sala do trono do Imperador, andando lentamente ao lado de Prestes, absorto em seus pensamentos.*


-Eu acredito, meu caro Prestes, que estávamos a discutir o destino de um certo governador? A Macedônia é um local nobre, por assim dizer, berço de um grande conquistador. Mas notavelmente afastado do coração do Império e de pouca importância. Diga-me, a quem Canatos desagradou para receber tal... presente?
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Re: Domus - Titus Venturus

em Ter Mar 27, 2018 9:08 pm
* Ambos caminharam de volta ao Átrio, com a visão do Impluvium e seu cheiro doce de vitae fresco a fluir lhes preenchendo as narinas e afagando a besta, insaciável, mesmo após um ato tão avassalador quanto o cometido por Appius. Não havia fome, mas havia sempre o desejo.

Prestes caminhou circulando o Impluvium, enquanto falava*


- Inicialmente desejo lhe dizer que fui contra a decisão do Imperador acerca de seu Senhor. A punição severa deveria se abater sobre o ex-Senador Dionysius, mas o peso dela caiu sobre os ombros de sua cria. Contudo, a voz do Imperador é a Voz de Roma e o decreto fora cumprido. Enxuguemos nossas lágrimas e prossigamos, pois Roma depende e clama por filhos a despeito das feridas que carreguem.

* Ele interrompe e observa seu próprio reflexo na lâmina de vitae a seus pés, alguns segundos depois, continua*


- Canatos é um jovem Lasombra. Porém, carrega um sangue antigo e notável em Roma. As relações com o clã da noite sempre foram...instáveis, para ser simplório. Favores e cargos são deliberados para que se sintam parte do controle do Império. O fato, em verdade, é que seus dias no Senado Eterno acabaram-se com a saída de Montano e os que restaram pouco têm voz. Não me surpreende a revolta do clã contra Roma. Auxiliaram a destruir Cártago e a construir o Império que desfrutamos e nas noites atuais não passam de verdadeiras sombras a perambular por Roma , com parcas vozes ativas.

-  Malai, a única cria de Montano, é um ausente Senador. Caminha pelas estepes africanas e não nos visita há mais anos que posso lembrar. Plínio, esse sim um ativo problema, é o único Lasombra que mantém real poder em Roma e cada vez mais ele têm se comunicado com Canatos, que carrega o sangue de Boukephos - o Grego, um dos filhos do próprio Antigo de seu clã.

- Conforme havíamos discutido anteriormente, Canatos foi descoberto enquanto trocava confidências e planos com Dionysius. Dada a traição de Seu Senhor, não esperamos menos do jovem Lasombra. É seu dever ir até a Macedônia e descobrir até onde os planos intricados de Dionysius e daqueles que desejam nos trair se prolongam, como os tentáculos abomináveis que os filhos de Lasombra se utilizam.

* Ele faz uma expressão de nojo ao fim do discurso*
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Re: Domus - Titus Venturus

em Qua Mar 28, 2018 12:00 pm
*A menção ao ato da diablerie, tão pouco tempo após o feito, é uma ferida ainda aberta para Appius, mas por outro lado, era um conforto saber que seu sincero amigo Prestes também foi contra o ato diabólico.*

-Por favor. O ato está feito e o sangue derramado. Se ater ao que aconteceu é apenas gastar tempo precioso com algo que não vai mudar. Ainda assim... eu agradeço a simpatia.

*Ele absorve com atenção tudo que o braço direito do Imperador disse. Em verdade, sabia pouco sobre o Clã Lasombra e sua genealogia, exceto que além do domínio sobre as sombras, como o seu próprio nome traía, eles eram Membros com sede. Onde um mortal teria sede de água, ou um Cainita de Vitae, o Clã da Noite tinha a sede pelo poder. Não era surpresa alguma que houvesse tanto sangue ruim entre eles e os Ventrue.*

-Como eu disse antes, Roma pode me considerar apto e disposto para cumprir meu dever. Penso que o porto de Brundisium seria a melhor rota, não?

-Porém, receio ter que lhe importunar com um pedido. Há pouca coisa que autoridades mortais fariam para me incomodar, visto meu status como patrício e sacerdote, mas não obstante, gostaria de uma ordem selada para que toda autoridade local preste auxílio a mim caso requisitado. Sei que é um inconveniente a se pedir, mas facilitaria em muito meu trabalho.
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Re: Domus - Titus Venturus

em Qua Mar 28, 2018 10:12 pm
* O Conselheiro caminha até uma mesa em um dos cantos do átrio na qual repousam alguns pergaminhos e, após selecionar um em específico, o abre. Em seguida, com pena e tinta atribui sua assinatura e a valida através de um sinete de ouro que é pressionado contra o líquido espesso de selagem aplicado no papiro, conferindo-o a marca do Imperador. Uma águia dourada. Além do pergaminho, ele parece pegar algo de formato semelhante enrolado em seda de tom púrpura.

Ele retorna e entrega o pergaminho à Appius*

- Uma missiva minha para que entregues ao próprio Canatos. Além disso...

* Ele desenrola o tecido revelando uma placa dourada com a mesma águia esculpida. Inscrições em Latim revelam que o portador do objeto está em demanda sob a ordem direta do Imperador e, por isso, desfruta de todos os louros que desejar de cada  vila Romana pela qual passar em seu percurso.*

- Sugiro uma outra rota. Há um navio delimitado para os homens de confiança do Império ancorado no porto Ancona. Providenciarei uma carruagem se preferir discrição ou uma comitiva se desejar conforto para que chegues até o navio. Em Ancona, procure Solonius e lhe mostre o Selo da Águia. Ele providenciará o restante de sua viagem até a Macedônia.

- Canatos reside em uma Vila de extenso território próxima ao porto da Tessalônia. Sejas sábio, Appius, não sabemos os reais interesses daquele Cainita.
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Re: Domus - Titus Venturus

em Qui Mar 29, 2018 12:48 am
*Galerius recebe a águia e o pergaminho com uma leve reverência da cabeça, e conversa, manuseando o objeto dourado nas mãos.*

-Se sugeres Ancona, Ancona será. Porém, eu gostaria apenas de uma carruagem. A tarefa envolve assuntos... delicados, e para tanto exige discrição; quanto menos pessoas estiverem envolvidas, melhor.

-Novamente, sobre Canatos... Agradeço os conselhos, mas tenho certeza de que ele não se atreveria a erguer suas mãos contra um enviado de Roma, não na situação atual das coisas. Não obstante, estarei de olhos abertos.

-Agora... Receio que tenha que partir. Ainda há tempo de iniciar a viagem esta noite, e quanto mais cedo eu por os pés na estrada, mais fácil fica de chegar a meu destino antes das más notícias; além disso, eu faria bem em levar também meu próprio servo.
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Re: Domus - Titus Venturus

em Qui Mar 29, 2018 11:26 am
* O Conselheiro concorda e conclui*

- Vá e retornes em paz, meu caro Appius. Pessoalmente, estimo que consigas solucionar o caso e retornar a Roma com o nome de sua família limpa para que novamente ocupem uma cadeira no Senado Eterno.

- Eu providenciarei a carruagem e, com ela, tu poderás buscar o teu servo antes da partida.


* Não muitos minutos depois, enquanto aguarda no Átrio, Juno Prestes retorna.*

- Os homens e provisões o aguardam na saída da Vila. Há algo mais em que eu possa contribuir para a sua jornada?
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Re: Domus - Titus Venturus

em Qui Mar 29, 2018 8:15 pm
*Com a pergunta de Prestes, Appius apenas sorri e aperta a mão do Conselheiro.*

-Os votos de segurança e a assistência já dada são mais que suficientes, meu caro. Que da próxima vez que nos encontremos, seja sob circunstâncias mais agradáveis.

*O Capadócio deixa o Domus para encontrar uma carruagem lhe esperando, e o que vê lhe agrada. O veículo era feito de madeira reforçada, e completamente coberto, um excelente refúgio contra a luz do sol. Com algumas palavras para o cocheiro, ele lhe direciona ao seu refúgio, para fazer os últimos preparativos antes da viagem.*
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Re: Domus - Titus Venturus

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