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Re: Mashkan-Shapir: Fortaleza da Dor.

em Sex Jul 06, 2018 5:34 am
Teste de Ataque e Dano de Ya'rub:
Ya'rub possui Destreza 9 e Armas Brancas 5, além de um MI de 2, totalizando 16 dados. Tanit tenta se defender, embora de forma visivelmente preguiçosa, contando somente com sua Destreza 7 além de um MI de 2, totalizando 9. A Margem de Sucesso é 1. Ya'rub causa 6 níveis de Dano em Tanit. A Lança parece anular a Força de Ya'rub, determinando o resultado do combate.

Foi um movimento rápido e preciso. Uma tensão de energia percorreu o braço de Ya'rub quando ele trespassou o ventre de Tanit com a Lança de Haquin. A arma adentrou o corpo do inimigo como se nada fosse, movendo-se entre órgãos e músculos, trespassando mundos e realidade, fino a encontrar novamente a realidade do outro lado do corpo de Tanit. Ya'rub, entretanto, soube imediatamente: a Lança se recusava, por algum motivo, a causar a destruição do Inimigo.

Tanit se retesou, os músculos contraídos instantaneamente. Em seguida, caiu no chão como um pesado tronco de árvore. A Lança absorveu rapidamente o Sangue carmesim que a banhara, o líquido precioso borbulhando e chiando enquanto era subjugado pelo poder do Ancestral, sua lâmina simples permanecendo limpa após o movimento. Duas coisas aconteceram então.

Jamal se precipitou para atacar o caído Tanit, disposto a encerrar de uma vez por todas a sua existência amaldiçoada. Japhet, por outro lado, não estava mais ao lado de Ya'rub. O Feiticeiro observou enquanto o Necromante avançou pelo Zigurate, parecendo sentir que o tempo deles ali era limitado. Ya'rub viu o Mundo dos Mortos se mover com Japhet, dezenas, não centenas de espíritos rodopiando ao redor do cainita, protegendo-o do que poderia encontrar adiante. Japhet desapareceu em uma das escadarias que levava aos andares superiores do Zigurate. Ya'rub tentou raciocinar rapidamente, mas outra cena chamou a sua atenção, desestabilizando seu pensamento.

Num dos cantos da sala, se encontrava o Ghûl. O ser olhava para o canto esquerdo do salão, aparentemente enxergando alguma coisa. Seu olhar era de mais profundo pavor. Não o medo que governava as ações de Ya'rub, mas um pavor genuíno, primal. O Feiticeiro, sem demora, olhou para o mesmo lugar que fixava seu espírito guia, mas não viu absolutamente nada. Foi sua audição, porém, que denunciou que havia mais alguém ali. Uma voz rouca e profunda, acompanhado do grito de mil desgraças, atingiu seu ouvido.

- Eu sei o teu nome, Ya'rub bani Qahtani. Eu sei o teu nome e tu me pertences.

O Ghûl continuava paralisado enquanto a voz misteriosa se dirigia também a ele.

- Você o ama, não é? Terei o prazer de arrancá-lo de você.

Ya'rub não via ninguém, mas poderia jurar que o dono da voz sorria. Foi tomado por uma sensação de desolação, de ódio, de inveja e de fraqueza. Tudo ao mesmo tempo. Desejava mais, desejava resistir e para isso precisava tornar-se forte como era seu Ancestral. Haquin se recusava a ensiná-lo os Dons que poderiam garantir sua sobrevivência. Haquin, o egoísta e autoritário. Ya'rub realmente precisava dele?

Tais devaneios passaram quando o Ghûl desapareceu da visão de Ya'rub. Sem ele ali, a voz também cessou de prometer controle sobre tudo e todos. Restava apenas o silêncio, com Jamal detido diante do corpo inerte de Tanit.

- Penso que ele não deve ser destruído. - Falou Jamal.

Ya'rub estava desnorteado quando Japhet retornou, nas mãos uma tabuleta de pedra desgastada pelo tempo. O Necromante observou o Feiticeiro, inconsciente dos sentimentos que o haviam atingido apenas segundos atrás. Ou talvez não. Quantos minutos haviam se passado?

- Eu a tenho, Ya'rub. Precisamos deixar este lugar imediatamente. Mashkan-Shappir se debruça sobre nós, corroendo nossos pensamentos.

Teste de Ataque e Dano de Enki:
Enki dispõe de Destreza 12 e Armas Brancas 4, além de um MI de 2, totalizando 18 dados. O inimigo possui, com penalidades, de uma Defesa de 10. Com MS 2, Enki tem 6 dados de dano adicional.

A Força de Enki é 11, somada a + 3 da Lança, totalizando 14. Com seis de dano adicional o total é 20. A "Coisa" dispõe de uma absorção de 5 com as penalidades. O Dano total de Enki é de 15 níveis de Dano Agravado!

Enki salta alto o bastante para fazer com que a "Coisa" olhe para cima, perdendo o equilíbrio e o preparo para defender-se. A lança atravessa, embora com dificuldade, o corpo do Inimigo, fincando-se no chão escuro atrás dele. O tecido que cobre o seu rosto se desequilibra e cai, revelando uma face, ou melhor, um conjunto de músculos pulsantes e cheios de feridas que se retorce, por um segundo, antes de tombar para o lado. A "Coisa" não cai, permanece pendurada no ar, trespassada pelos ossos de Enki.

Ao redor do Senhor do Abzu, a batalha seguia contornos dramáticos. Samiel comandava seu homens contra um contingente assombroso de defensores de Mashkan-Shappir. Estavam em clara desvantagem numérica e temporal: a manhã se aproximava com presteza. Em um segundo, Enki notou que Samiel pareceu receber uma mensagem. O Filho de Saulot voltou-se para seus aliados:

- Japhet a tem! Precisamos nos retirar!

Era nítido, porém, que não conseguiriam retornar a Nippur antes do nascer do Sol. Samiel dava ordens e os mortais que os acompanhavam, em posição defensiva, afastavam-se do campo de batalha. Mashkan-Shappir rugia alto, com ferocidade. Mas seu rugido era voltado somente aos mortais e aos outros cainitas; para Enki soavam como um cântico, uma promessa de paz e tranquilidade dentro de seus muros. Mashkan o convidava a entrar. O Filho do Estrangeiro sentiu-se mais tranquilo quando divisou a aproximação de Tepelit, Filho de Laza, pronto para retirá-los dali. A primeira frase do Místico, contudo, não era animadora:

- Não posso entrar em Mashkan-Shappir, para retirar os nossos. Teremos de esperar que saiam da cidade. Não temos escolha.

Mashkan lembrava a Enki dos dias que ele havia passado dentro de seus muros e, de repente, não pareciam tão tristes assim. Quantas pessoas dentro daquelas paredes precisavam de ajuda, de carinho? Enki poderia abandoná-las à própria sorte, fugindo para Nippur? Se a cidade se enfurecesse e decidisse exterminar todas aquelas vidas ele se sentiria culpado e, de alguma forma, Mashkan parecia furiosa. Seus muros pareciam imensos diante dos olhos de Enki, e cada vez mais próximos. O Dracon o observava em silêncio, movendo-se ocasionalmente para destruir, com as mãos nuas, os corpos dos mortais que ousavam atacá-lo. A letargia típica do amanhecer começava a tomar conta dos braços e pernas de Enki, era cada vez mais difícil manter-se alerta, resistir ao Canto da Sereia que era Mashkan-Shappir.
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Re: Mashkan-Shapir: Fortaleza da Dor.

em Sex Jul 06, 2018 2:17 pm
O corpo de Tanit foi ao chão e seu sangue era absorvido pela lâmina, quando o Filho de Haqim lembrou-se de uma frase comumente proferida por seu Pai: Nenhum sangue deve ser desperdiçado. Essa era uma lição que todo bom caçador deveria aprender .

Contudo, Ya'rub não teve muito tempo para apreciar ou compreender o poder da lança que acabara de usar. Jamal já se aproximava, decidido em terminar a existência do Baali caído. Então veio a voz e a visão assustadora que era observar o Ghül, a representação de seu medo, contorcendo-se em pavor. Para Ya'rub, aquilo era desestabilizador. De quem era a voz abissal? Quem era o ser sussurrando dúvidas que se reviravam no âmago mais profundo do seu ser?

Ya'rub precisava sentir Medo. Era preciso tomar-se de terror até o pedaço mais minúsculo de seu corpo. Até a essência mais primal de seu espírito imortal. O Medo, quando tomava seu corpo, expulsava a destruição do ódio, a perfídia da inveja e lenta corrosão da desolação. Buscava em sua memória todos os momentos em que sentiu Medo, para que se lembrasse do quão frágil era, é e sempre será. Tentava, com todas forças, sentir novamente o hálito da hiena em seus calcanhares. Mas não conseguia. A voz monstruosa, sempre acompanhada do som abissal das desgraças, o impedia.

Quando o Ghül e a voz desapareceram, Ya'rub só voltou a si - ainda que não completamente - quando ouviu as palavras de Jamal. Parecia um eco distante, mesmo que ele estivesse ali ao seu lado. Não sabia onde o Ghül estava, mas precisava dele. Não poderia seguir sem ele.

De olhos fechados e sem sorrir, Ya'rub fala para Jamal, com uma voz hesitante:

- Encontre um pedaço de madeira pontiaguda. Uma flecha sem cabeça. O que quer que seja. Mas crave a madeira no peito desse homem. Ele virá conosco.

Não sabia exatamente porquê dava essas ordens, mas sentia que precisava. Ya'rub não acreditava que os Senhores Baali teriam amor por suas crias, mas queria ter em mãos alguma moeda de troca para o caso do Ghül ser aprisionado pelos infernalistas. Ao menos poderia aprender algo com Tanit... ou fazê-lo sofrer.

Ya'rub sentiu os mortos se movendo quando Japhet se aproximou, portando a tabuleta. Virou-se para o Necromante e concordou.

- Vamos. Que esse lugar queime com as chamas que seus habitantes tanto veneram.
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Re: Mashkan-Shapir: Fortaleza da Dor.

em Sex Jul 06, 2018 2:55 pm
Sem demora, deixaram o Zigurate. Jamal, habilmente, encontrou uma tocha apagada que serviria como estaca. Entregou-a a Japhet, que sem demora a fincou no coração de Tanit. O corpo espasmou, mas foi só isso. Japhet colocou-o nos ombros, aparentemente sem muito esforço, carregando o cainita tórpido em direção à saída do Zigurate.

Do lado de fora, a cidade estava imersa no Caos. Ya'rub levantou o Véu através dos Dons de seu Pai, protegendo a si e a seus acompanhantes. Pelas estradas, nenhum mortal comum caminhava, somente a guarda de Mashkan se movimentava em direção ao portão Norte, onde deveriam estar Enki e Caias. Passaram pelas estreitas vielas sem que fossem enxergados, os pés movendo-se em velocidade rumo à saída. Ainda que os mortais não os vissem, Ya'rub sabia que Mashkan os enxergava. A cidade parecia se mover, com casas surgindo onde não existiam, e as ruas estreitas se prolongando infinitamente. Não sentia a presença do Ghûl, o vento frio que lhe soprava a nuca constantemente. Em meio à inquietação, foi o Djiin quem apareceu.

Passou a acompanhar, de longe, Ya'rub e seu grupo. Não podia ser visto, mas era sentido, uma ideia, um senso de proteção. As ruas pareceram se alargar, a intuição do Feiticeiro guiando seus passos, complementando-se com os sussurros escutados por Japhet - os caídos de Mashkan se agarravam ao Necromante, que parecia sofrer uma imensa agonia e cansaço. Infelizmente, a chegada do Djiin parecia ter aberto um canal para outra presença. A voz rouca, profunda, carregada de lamentos que Ya'rub havia ouvido no Zigurate tornava a sussurrar-lhe.

- Eu não posso fazer mal a vocês, Não hoje. Mas, por qual razão foges de mim, Ya'rub? Eu que te escutava nas noites em que estavas sozinhos muito antes que Haquin viesse em teu auxílio. Eu que te nutri e te alimentei na imensidão do deserto.

Avançavam rápido. Cruzaram uma das avenidas e reencontraram o mercado. Faltava pouco, o portão era já visível.

- Eu, Ya'rub, a quem tua mãe mortal rezava, oferecendo leite e mel em troca de colheitas duradouras. Eu, que protegi teu clã nas inúmeras travessias somente para que tu viesses ao mundo. EU! Não um caçador qualquer de uma terra distante e manchada de morte. EU, YA'RUB!

Cruzaram as barracas vazias. Última avenida. O Djiin guiava o caminho dessa vez, um vento frio matutino que se confundia com aquele que prenunciava o amanhecer.

- Não posso fazer mal a ti e ao teu. Mas este mortal terá esta terra como tumba.

E então, Jamal gritou.

Levou ambas as mãos à cabeça, girou no ar e caiu no chão ressequido. Seu corpo se debatia furiosamente, sangue vertia de seus ouvidos. Gritava coisas incompreensíveis em um idioma esquecido. Suas unhas se agarravam à terra amaldiçoada, como se as mãos agissem independentemente, numa tentativa de manter o corpo dentro das muralhas de Mashkan-Shapir.
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Re: Mashkan-Shapir: Fortaleza da Dor.

em Sex Jul 06, 2018 11:30 pm
*Seu adversário jazia empalado, agonizando por alguns instantes antes de por fim expirar. A Enki bastava olhar para seu rosto, agora descoberto, para concluir que havia lhe feito uma gentileza. Com um puxão, o Moldador retira a lança do chão, e de sua vítima, fazendo com que esta caísse no chão, enfim em paz, enfim descansando.*

*E ele olha afinal para Mashkan-Shapir, enquanto caos e sangue rugiam ao seu redor. Como poderia ele odiá-la? Como poderia ele odiar qualquer coisa sobre esta terra? Não cabia a ele amar e conhecer ao mundo? Não caberia a ele amar sua cidade, no momento em que ela mais precisava dele? Quando tantos ali clamavam por seu nome?*

*Enki caminha a passos lentos em direção à cidade, sua forma lentamente voltando ao normal, ao menos o quão normal Enki conseguia ser. Soldados o atacam, mas ele pouco percebe. Enki é gentil: uma esquiva, um giro de sua arma, uma torção do pulso e a vida do agressor acabava ali, sem dor, sem sofrimento - e impassível, ele segue em direção à Cidadela da Dor, até parar ao lado do Dracon, seu irmão, quando lhe afaga lentamente no ombro, buscando sua atenção.*


-A nós foi dado o caminho do amor para trilhar. Eu vejo isso em você irmão, como um espelho de minha própria alma. O curso de nosso rio está traçado, e é inútil nadar contra sua correnteza.

-Sabes que somos criaturas da terra, e enquanto houver a terra, haveremos nós. Sabes também que é amado por mim. E que igual amor devoto ao Pai, a Gallod, a todos de nosso sangue. E é graças a esse mesmo amor que eu lamento por lhe fazer sofrer agora.

*Mashkan-Shapir ruge. O grito é parte dor, parte pedido de ajuda, parte mensagem de boas-vindas. Talvez fosse por isso que o Pai sempre lhe proibira de voltar até ali. Talvez fosse por isso que seu tio Sutekh lhe encorajou. A verdade é que o sol se aproximava, mas Enki não iria a lugar algum.*

*Cruzando os braços sobre o peito, Enki cai para trás, mas seu corpo nunca bate no chão. Ele continua, continua até que ele e a terra de Mashkan-Shapir fossem um só.*


Sistema: Enki usa a Fusão com a Terra [Metamorfose 3] para encontrar refúgio e comunhão com o solo.
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Re: Mashkan-Shapir: Fortaleza da Dor.

em Sab Jul 07, 2018 6:09 am
A queda de Enki em direção ao solo parecia ocorrer lentamente. O Dracon o observava, olhos sem amor, cabelos ígneos esvoaçando sob o hálito bestial de Mashkan-Shapir.

- Eu não conheço o amor, irmão, este é um teu dom. No entanto, conheço outras coisas que deves conhecer. Vá, nada te acometerá.

O abraço gentil da Terra.

Afunda. Raízes, escuridão, conforto.

Ondas de ódio e de medo atingem Enki. Desespero. Mashkan-Shapir tenta alcançá-lo, garras poderosas rasgando o ventre da Terra em direção a Enki, desesperadas. Calor, o ventre de uma mãe.

Afunda ainda mais.

Mashkan-Shapir urra de ódio sanguinolento. Por detrás dos gritos, milhares de consciências clamam, ainda que inconscientes de sua própria necessidade, por ajuda. Eram mortais que rezavam, em seus esconderijos em meio ao caos da batalha, ao Senhor do Abzu.

O corpo de Eki passa por um lençol aquático subterrâneo. Limpo, purificado de todos os medos e receios. Enki é somente resolução e coragem. A Água lhe dava aquilo, aquele grande presente. Mashkan é um eco longínquo, blasfemando ativamente contra uma força que não conseguia subjugar. Mas que força era aquela? Envolvia e protegia Enki, dava-lhe conforto e uma sensação de paz contínua e duradoura.

- ...E eu permaneço, pois morrer não posso...

A voz não era masculina ou feminina, não estava ali nem em local algum senão na mente de Enki. Era, contudo, conhecida, familiar, pois estava dentro dele.

Afundava, ainda.

- ...A semente é forte, dá frutos. Ainda que os frutos não respondam ao nome da planta, pois são parte dela e, não obstante, são outra coisa.

Seu corpo parou. O que era aquele local? Um jardim? Havia água, Enki sabia. Um espelho de água cristalino que refletia a luz do luar. Ali não havia dia, e jamais haveria novamente. Árvores frondosas circundavam o local. Mashkan não existia. Teria algum poder, aquela cidade, além do que se creditava que tivesse? Mashkan não existia, mas seu medo era onipresente, e Enki estava muito, muito próximo à razão do medo de Mashkan-Shapir.

Sentia o Dracon, o Fogo que consome todas as coisas, dando lugar ao renascimento através da purificação. O Dracon era uma águia que voava, alto, no céu noturno. Sentiu Byelobog, as próprias fundações da Terra que sustentava todas as vidas. Sentia a si mesmo, mas faltava sentir alguém.

-...Morrer não posso, e isto é bom...

A voz vinha de uma grande árvore. Era horrenda. Retorcida, galhos a imitar formas humanas em agonia, a alma de parte dos cainitas. As folhas eram negras, com frutos pegajosos que pareciam damascos. Raízes fortes afundavam, alcançando lugares onde Enki não tinha ido. No tronco, uma face disforme, agonizante. Uma presença aterradora, atroz, íntima e conhecida. O que vivia na árvore vivia também dentro de Enki, em um recôndito de seu espírito, massacrado pelo Amor constante que guiava as ações do Filho do Estrangeiro. Contido. Uma fera.

-...Pagamos mas, obviamente, não foi o suficiente...

Enki estava de pé no meio do jardim. O espelho de água mostrava tudo o que viria, mas não o que havia sido. A árvore o encarava. Um nome ecoava, fora e dentro.

"Kupala".

-...Morrer não posso, portanto Eu permaneço graças a Ele, que foi Sábio...

O Dragão devorava a Serpente, mas a Serpente se deixava devorar. E o Dragão rugia em tristeza e agonia, mas a Serpente era mística e poderosa, e sobreviveria. Ninguém jamais superaria o conhecimento arcano da Serpente.

E com seu sacrifício a Serpente bania todos os males deste mundo, ou ao menos o maior deles. E o Mal gritava em agonia e jurava vingança, seus cabelos horríveis tentando romper a Realidade.

E no fim, A Grande Vingança.

A Terra expulsou Enki. Era noite novamente. A batalha havia terminado, corpos sem vida espalhados pelo chão ressequido de uma silenciosa Mashkan-Shapir. As defesas estavam restabelecidas, embora fossem mais frágeis. Ninguém entraria, ninguém sairia a menos que fosse desejo da cidade. De pé, o Dracon ainda observava o ponto exato onde Enki havia afundado na noite anterior.
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Re: Mashkan-Shapir: Fortaleza da Dor.

em Sab Jul 07, 2018 3:20 pm
Algo aconteceu. Ya’rub não saberia dizer se foi a súbita sensação da presença reconfortante do Djinn, ou se era a raiva que tomou o seu corpo quando escutou novamente a Voz maldita... Mas enquanto corriam em direção à saída de Mashkan-Shapir, sentindo o peso da cidade caindo sobre sobre ele, Japhet e Jamal, Ya’rub voltou a sorrir. Ainda não conseguia ter certeza sobre o que acontecera com o Ghul, mas o Medo voltara. Talvez por apenas alguns instantes, de modo que precisaria aproveitá-lo ao máximo.

O pobre Jamal se contorcia no chão, sofrendo uma dor que Ya’rub não conseguia explicar. Ainda assim, o Feiticeiro parecia ignorá-lo. Ele parou a fuga acelerada que empreendiam para simplesmente colocar-se ao lado do mortal que agonizava. Repousou sua mão direita sobre a cabeça dele e continuou sorrindo, olhando para os céus negros daquela noite amaldiçoada. Falou, em voz alta, para que a cidade pudesse escutar. Sabia que não era necessário, pois sentia que a voz conseguia ler parte dos seus pensamentos. Mas queria expressar-se a plenos pulmões:

- Consegue escutar a si mesmo, ó Senhor de Mashkan? Consegue perceber a fraqueza que expressa com suas próprias palavras? Eu fujo de ti porquê o desprezo. És fraco!

Ya’rub gritava as palavras ao vento, girando o corpo enquanto mantinha o toque em Jamal.

- Talvez tenha sido você a me guiar no deserto. Talvez tenha sido você a guiar minha tribo. A receber as oferendas de minha mãe mortal. Entregaram-lhe leite e mel e você lhes deu algo em troca. Entreguei-te oferendas, e me ajudaste a sobreviver. O que mais queria? Amor? Hahahaha! Devoção? HAHAHAHAHAHA!

A gargalhada de Ya’rub ecoava pelas ruas sinistramente silenciosas da cidade.

- Eu não vim a este mundo para servir ninguém. Não fui amaldiçoado para adorar mortal ou imortal. Aprendi a negociar meu lugar neste mundo. Se lhe ofereço algo, me dará algo em troca. Sem amor, sem devoção. Somos iguais, Senhor de Mashkan.

- É isso que me torna diferente de todos que vivem nessa patética e deplorável cidade. Seus filhos lhe dão oferendas e você entrega migalhas, para depois exigir que seja adorado, em uma relação de servidão que considero desprezível... Então compreenda...

- YA’RUB BANI QAHTANI NÃO SERVIRÁ NINGUÉM.

O Feiticeiro se silencia por alguns instantes, dando tempo para que o eco de seu último grito se dissipasse. Em um tom mais baixo e calmo, ele prossegue:

- Tens inveja do que sinto pelo Senhor dos Caçadores. Porque ele conquistou meu respeito e não minha devoção. Jamais conseguirá o mesmo...

Em seguida, Ya’rub se ajoelha ao lado de Jamal, sussurrando em seu ouvido.

- Não nasceste para servir a ninguém. Seu destino é liderar. Lute!

Rapidamente, o Filho de Haqim deixa seus caninos a mostra e morde o próprio pulso, levando o sangue que escorria até a boca de Jamal.

- Este é o Sangue de Haqim. Tome sua força para que encontre seu lugar entre as coisas do universo. Mashkan Shapir não tem poder sobre você!
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Re: Mashkan-Shapir: Fortaleza da Dor.

em Sab Jul 07, 2018 6:56 pm
Mashkan ria, ria histericamente.

- Você e o teu Sangue não têm poder aqui, Ya'rub. Nenhum poder. Teu Sangue não será capaz de salvar este homem. É o tributo que exijo para pagar vossa insolência, vossa invasão.

Abaixo daquele céu de chumbo, pesado como as dores do mundo, Jamal ainda jazia no chão. De fato, o Sangue de Ya'rub parecia não surtir efeito, visto que Jamal ainda se debatia, Sangue escorrendo de seus ouvidos e nariz. Ya'rub sentia, porém, que a batalha fora da cidade dava sinais de esgotamento: as forças de Mashkan-Shapir pareciam recuar em direção à cidade. Em pouquíssimo tempo estariam cercados, incapazes de deixar a armadilha que aquele lugar representava.

Acima de tudo, Mashkan-Shapir o oprimia, apertava, tentava de todas as formas destruir seu espírito. O Feiticeiro sentia que os seres inomináveis que transitavam, se arrastavam no subsolo da Cidade Amaldiçoada estavam cada vez mais próximos da superfície. Embora não os visse, Ya'rub os sentia, centenas de braços e pernas disformes a buscar sua carne e seu Sangue. Mandíbulas sedentas das quais respingavam ácidos capazes de corroer as fundações da Terra.

Jamal ainda não respondia aos estímulos físicos e nem mesmo àqueles do Sangue. Ao invés dele, porém, foi Haqim quem respondeu.

- Faça com ele exatamente o que fiz contigo. Faça com ele o que te foi proibido de fazer. Conceda-o o Dom das Trevas, e eu estarei segurando tua mão.

Não havia tempo para pensar. As presas saíram de seu corpo quase que automaticamente. O Sangue de Jamal o chamava. Fincou os dentes no pescoço do Guerreiro, e o mundo desapareceu.

E como era doce! Uma torrente de fúria e coragem. Cânticos, orações aos deuses do Deserto Infinito. Caçadas sob a luz do luar, bestas inomináveis subjugadas ao pés de Jamal. Não caçava os animais do deserto, caçava As Grandes Bestas que Vagavam pelo Mundo. Caçava demônios e seus seguidores. Um filho, morto após o nascimento. Uma esposa que se lançara no Tigre, afundando para nunca mais ser vista. Quanta dor! O Sangue, doce e espesso, lhe queimava a garganta. Jamal orava para a Lua e para os seres invisíveis, pedia proteção. Havia perdido tudo e, portanto, nada mais tinha a perder.

A fonte, subitamente, secou. Uma Escuridão familiar podia ser vista transitando pelos telhados de Mashkan-Shapir, rumava ao portão norte. Se a cidade blasfemava, Ya'rub não mais ouvia. Seu Sangue fervia nas veias, enlouquecendo-o.

Devia abrir um talho em si mesmo, entregar seu Sangue a Jamal como Haqim havia feito com ele.

Uma caçada. Bestas que não mais vagavam neste mundo. Haqim as abatia, uma a uma, sem propósito ou buscando por um propósito. E ele veio, na forma de uma mulher que Ya'rub não conseguia ver o rosto. Dor, muita dor. Quanta dor havia no coração de Haqim! Teria sido realmente necessário?

A Dor de seu Ancestral lhe invadia o peito, de forma muito mais violenta que o Sangue que incendiava suas veias. Mashkan não os via, não mais. Ya'rub flutuava na vastidão que existia entre os mundos, Haqim ao seu lado explicando-lhe todas as coisas. Quantos mundos existiam dos quais ele jamais havia ouvido falar! Havia até mesmo esquecido de Jamal. Jamal. Retornou.

Abriu um fino talho em seu pulso. Foi ali que aconteceu.

Uma força avassaladora, uma sensação de paz e pertencimento invadiu o coração de Ya'rub. Se morresse ali, não faria diferença. Seu Sangue se tornou espesso e falou com ele, uma voz antiga e firme, a voz que aprendera a respeitar. A amar. A voz de seu Criador.

- Através de ti, meu Filho. Eu me abro para o Mundo.

O Sangue que jorrou não era o Sangue de Ya'rub. Escorreu por seu corpo, pelas ruas, cobriu Jamal, as casas, os mares e montanhas. O Sangue inundava o mundo e era o mundo, a resposta para todos os erros e acertos. O Sangue era a honra e glória de Haqim, sua identidade. Haqim gritava dentro de Ya'rub, os olhos do Ancestral queimando diante da Verdade Final. E Ya'rub gritava com Haqim, pois tornar-se um com o Ancestral era difícil de suportar. Mas, Deus, como era prazeroso! As montanhas que Haqim escavou, os homens e mulheres que ele amou. O Abraço de Mancheaka, envolto em violência. O de Ya'rub, envolto em devoção. Rashadii, envolto em todos os mistérios existentes. Quantos era Haqim? Quantos haviam dentro do simplório Feiticeiro, pois era simplório diante do infinito, naquele momento.

Ya'rub era e não era. Era o Deus do Sangue da Guerra Haqim, recém acordado de um sono que nunca deveria ter sido, pronto para avançar e descobrir o mundo como se fosse a palma de sua própria mão ou a lâmina de sua Lança Sagrada.

O Sangue de Haqim fluiu forte através dos lábios semi-cerrados de Jamal. E ele abriu os olhos e bebeu, bebeu profusamente e incessantemente de Haqim. Ya'rub não mais existia, Ya'rub era o Sangue, a Única Vontade. E o sol queimou sua pele uma última vez, quando Haqim viu o amanhecer no deserto, antes de entregar-se à vontade da Mulher Sem Face. E Haqim chorava, pois sabia que seu fardo seria pesado, duríssimo. Mas não era ele o grande guerreiro? Do que deveria ter medo? Do que Ya'rub deveria ter Medo, com Haqim ao seu lado?

E, num momento mais breve que um segundo e mais longo que o Tempo, Ya'rub voltou a ser. Em seus braços, jazia Jamal, olhos abertos a fixá-lo, Besta sob controle. E Mashkan-Shapir observava, muda e cheia de pavor, o Poder do Ancestral, do Deus do Sangue.

A Escuridão familiar retornara. Ya'rub e Jamal foram envolvidos nela, um abraço frio e desprovido de essência. Mergulharam, fundo, no Mundo que Não Existia, mas somente por um breve período, após o qual emergiram diante da entrada dos Túneis de Haqim. O horizonte era já alaranjado, o Sol nascia no horizonte. Ya'rub sabia que deveria entrar, o Sol o reduziria à cinzas. O fez quase automaticamente, como um hábito que se reproduz noite após noite, e se repetiria pelos próximos milênios. Mas o fez sem medo.

Ya'rub, afinal, não tinha medo de absolutamente nada.
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Re: Mashkan-Shapir: Fortaleza da Dor.

em Dom Jul 08, 2018 3:38 pm


*Kupala... Quanto tempo fazia? Enki não sabia dizer, pois o tempo não se aplicava à entidade. Kupala não conseguia ver o passado pelo mesmo motivo que via todo o futuro à sua frente: estava alheio ao tempo, às suas regras, assim como estava alheio às normas que regiam a existência de todas as outras formas de vida.*

*Em seu sono, ele bebe do poço de Kupala. A árvore estava longe, verdade, mas as raízes são longas e se estendem por todas as profundezas da Terra, e absorver a água de Kupala era absorver sabedoria, como Enki já aprendera há muito, mesmo que a sabedoria fosse turva e etérea, ao contrário da água rica e límpida à sua frente. Ele sabia e não sabia quem era o Dragão, quem era a Serpente, e ainda assim temia a resposta. Temia estar certo, ou errado. A única coisa que sabia é que como toda profecia, só estaria clara após realizada.*

*Quando a terra enfim o vomita para fora de seu abraço, ele sorri com ternura ao ver que o Dracon lhe esperara.*


-É uma alegria imensa lhe ver a salvo, Irmão. Algo que dissestes me fez pensar em meu sono - és o Fogo, e poucas coisas no Fogo são constantes. Não julgues, não tão cedo o que és ou não capaz de fazer ou sentir. Eu posso sentir, Irmão, que o Fogo que queima dentro de ti é a renovação e a mudança, e tal Fogo lhe trará muitas surpresas por sua existência.

-Este dia passado sob o solo de Mashkan-Shapir me trouxe claridade, pois apesar de tudo, esta terra me é querida, mas ainda assim me preocupo com nossos primos. Como eles se saíram? O quanto ardem as chamas da guerra?
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Re: Mashkan-Shapir: Fortaleza da Dor.

em Seg Jul 09, 2018 11:33 am
O Dracon encarou profundamente Enki e, depois de alguns segundos, sorriu. Um riso mecânico, que fez com que o Senhor do Abzu tivesse certeza, se isso já não fosse uma realidade, de que aquele diante de si era seu irmão. Mashkan-Shapir havia se fechado como uma concha marinha, escura e impenetrável. Enki não ouvia a voz da cidade, mas intuía que ela os observava, furiosa. Curiosamente, o chão ressequido ao redor de Mashkan-Shapir estava livre de corpos. Nenhum sinal de que uma batalha havia acontecido ali. Foi o Dracon quem esclareceu, com um tom de desinteresse não intencional.

- A cidade engoliu os cadáveres.

Com um outro gesto mecânico, o Dracon limpou a poeira das vestes rasgadas de Enki.

- Nossos primos estão muito bem. Alguém chamado Tepelit os resgatou usando de impressionantes poderes sobre a Escuridão. Neste momento, possivelmente já estão em Mashkan-Shapir.

O Dracon proferiu um longo assobio em direção ao deserto.

- Fico contente que esta noite sob a terra tenha esclarecido tua mente, irmão, pois necessitaremos do máximo de clareza possível. Nossa batalha será longa mas, eventualmente, terminará. Nossa viagem para descobrir quem somos, por outro lado, durará muitos milênios. Quando você virá comigo, irmão, até a terra onde repousa Kupala? Não posso fazer isso sozinho, assim como não pode nenhum de nós. Devemos encontrar Byelobog. Devemos encontrar também o quarto, aquele que nos completará.

O Dracon, enquanto falava, observava o céu e as estrelas. Parecia alheio, imerso em divagações, processando inúmeras informações ao mesmo tempo. Pôs-se a andar e, minutos depois, dois alazões surgiram, rompendo a planície e se aproximando de Enki e de seu irmão. Aquiesceram à autoridade do Dracon e ambos montaram, rumando para Nippur.

A viagem não foi longa, mas deu tempo aos dois irmãos para que se conhecessem melhor. Enki havia ouvido falar do filho mais velho de seu Pai, mas nunca o tinha encontrado pessoalmente. O Dracon, segundo suas próprias palavras, girava o mundo a procura de algo que nem ele sabia o que era. A única certeza que tinha, desde o primeiro dia em que pisou em Nippur, é que permanecer ali seria condenar seu espírito a uma condição estática, imutável. Optou, com a autorização do Pai, por caminhar indefinidamente entre vales, planícies e montanhas. Não obstante, retornara na hora de necessidade, não somente por ter sido ordenado a fazê-lo, mas por senso de dever para com sua família. E para encontrar Enki.

Aos portões de Nippur se encontrava Gallod. O Profeta havia permanecido na cidade, usando de seus assombrosos poderes psíquicos para comunicar-se com as diversas frentes de batalha. Não disfarçou a alegria ao ver os dois irmãos que adentravam a Cidade Sagrada, abraçando Enki assim que ele desmontou do cavalo. Ao Dracon, dirigiu um cumprimento cortês e respeitoso, mas que Enki percebeu que era carregado de algum ressentimento.

- Fico feliz de vosso retorno, irmãos meus, pois são quase os últimos. As notícias são ambíguas. Mashkan recuou suas forças após a quebra do Trato. A tabuleta foi recuperada por Japhet e Ya'rub, e se encontra em segurança no Trono Negro. Encontramos a traidora, tratava-se de Amarantha, filha de Arikel, que está sendo mantida como prisioneira por nosso parente Ventru. Além dela, o prisioneiro trazido por Ya'rub, que está sendo mantido em custódia por Haqim. É, aparentemente, alguém de alta hierarquia entre as forças do inimigo. Ventru espera o retorno de todos, para que possamos nos reunir em julgamento.

Gallod evitava olhar para o Dracon. O cainita de cabelos flamejantes, contudo, ainda parecia alheio, observando Nippur com um inegável saudosismo no olhar.

- Por outro lado, Sutekh deixou a cidade, comunicando que seu papel na guerra havia acabado. Seu filho, Taweret, decidirá em seu nome tudo o que precisa ser decidido. Adicionalmente, Saulot, Laza e Sarosh ainda não retornaram. Outra notícia ruim é que Mi-Ka-Il, filho de Arikel, caiu em Torpor devido a pesados ferimentos. Sua Senhora ordenou a remoção de seu corpo, enviando-o para terras distantes, para que seja preservado.

O Profeta começou a caminhar em direção à cidade.

- Mas descanse, meu irmão, e tome o tempo necessário para concretizar seus anseios. Eventualmente Ventru nos fará saber quando deveremos seguir para o Trono Negro.

Enki notou que o Dracon resistiu, por alguns segundos, antes de entrar em Nippur. Curiosamente, não rumou em direção do Zigurate onde residia seu Pai, mas ao templo subterrâneo onde se congregava Sutekh e suas progênies, quando estavam na cidade.
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Re: Mashkan-Shapir: Fortaleza da Dor.

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