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Domus - Titus Venturus

em Sab Nov 25, 2017 6:16 pm

O Domus do Imperador Cainita Titus Venturus Camillus - Camilla, sua residência, fica localizado estrategicamente ao centro da capital. Possui muros que o circundam sempre bem guarnecidos por legionários selecionados cuidadosamente por seu assessor e conselheiro pessoal, Júlio Prestes.

O Domus possui um jardim de entrada, sempre verde e com flores diversas que harmonizam com as estátuas esculpidas em perfeição de formas. Uma casa de banhos termais fica à esquerda da entrada principal, enquanto o salão romano central fica à frente, após uma antesala para conversas triviais.

O Imperador Camilla raramente deixa seu Domus, uma vez que o Senado Eterno se reúne poucas vezes ao ano no Panteão e nem sempre a intervenção de Venturus é necessária nos assuntos corriqueiros da gestão do Império

Reuniões e audiências privadas ocorrem em seu Domus, com todo o conforto e luxo que a construção e seus inúmeros escravos e escravas fornecem.
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Re: Domus - Titus Venturus

em Sab Mar 10, 2018 11:50 pm
* À beira dos grandes muros e em frente ao portão, a carruagem estanca. O homem, esquelético e que mal mantém-se de pé, abre a porta para que o escoltado possa descer. Com dificuldades, ele fala*

- Estás...em teu destino.

* Os portões da Vila estão abertos e revelam um longo jardim repleto de esculturas de origem gregas. Dentre elas, um busto de Plutão - ou Dis. O caminho de pedras no meio do jardim levam ao Átrio, de onde uma jovem mulher caminha em direção à entrada. Ao chegar, sua voz soa leve e seu sorriso é tão amistoso quanto belo.*


- Espero que tenhas feito uma boa viagem, meu Senhor. Por favor, acompanhe-me, o Dominus o aguarda no Atrium.

* Ela arqueia o corpo, indicando a Galerius para que adentre a Vila murada na qual os altos portões de madeira permanecem abertos e salvaguardados por alguns soldados.*
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Re: Domus - Titus Venturus

em Dom Mar 11, 2018 12:57 am
*Durante sua jornada pela cidade, Appius reflete sobre os últimos acontecimentos, em particular a última mensagem de Dionysius e sua conversa com Lisandro. Ele havia dito ao Ventrue que Roma era como uma fera faminta de pessoas, terra e deuses, e pôde perceber isso ao ver o mercado de escravos cheio e alvoroçado em plena noite, mas algo nas palavras de seu finado Senhor o faziam pensar: será que a fera enfim havia perdido o controle? E em seu apetite infindo despertado coisas antigas e terríveis no mundo que cobrariam seu preço?*

*Suas reflexões são interrompidas quando a carruagem chega a seu destino, e a porta aberta pelo soldado cadavérico.*


-De fato, parecemos ter chegado na mais perfeita segurança. Um resultado admirável. Lembre-se do que eu disse, comandante, e não guarde rancor dentro de si. És um soldado, e como tal deve saber que qualquer esbarrão com a morte lhe faz ter um apreço ainda maior pela vida.

*Os soldados, ao que tudo indicava, não o haviam levado para uma armadilha, ao menos não fora da villa, mas a manobra com o comandante da guarda havia apresentado apenas um resultado: a falta de reação nos outros soldados era digna de nota, pois nenhum mortal presenciaria tal evento e ficaria impassível. Ao menos, nenhum mortal em plena posse de suas faculdades.*

*Ao adentrar na mansão, Appius nota o busto de Plutão e lhe faz uma pequena prece, ao passo que encontra sua guia, que cumprimenta com uma leve reverência.*


-Saudações. A jornada foi instrutiva, e me faria grande honra ao levar-me a seu Dominus.

*Conforme o Capadócio adentra pela pela mansão, não pode deixar de se sentir apreensivo. Júpiter, Plutão e Netuno podiam ser deuses temíveis e imprevisíveis, mas tinham a vantagem de estarem disantes. Já o Imperador Camilla, mesmo que não fosse o impostor denunciado pelo seu mestre, era um tipo diferente de deus. Terrivelmente imprevisível e perigosamente perto.*
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Re: Domus - Titus Venturus

em Dom Mar 11, 2018 9:42 am
* Após suas palavras destinadas ao legionário, que permanece em silêncio e com um olhar perdido, Galerius adentra à Vila e os grandes portões de madeira são fechados atrás de si. A guia, sorridente e com um copo de vinho nas mãos que cheira fortemente doce, caminha em direção à entrada da residência do Imperador.

Por entre o caminho de pedras assentadas que cortam o jardim, Appius pode ver melhor a estrutura pomposa da maior Vila de Roma. O jardim, repleto de esculturas em ode aos Deuses é uma visão tão bela quanto intrigante. Estão ali  representados o Panteão greco/romano e para além destes, alguns outros até então desconhecidos ao Capadócio. À direita das esculturas é possível ver uma grande construção retangular que emana uma leve névoa. Mesmo a essa distância, é possível sentir o calor do ar cinza que dela se desprende. São as termas particulares do imperador, permanentemente cuidadas por alguns escravos que alimentam as chamas escondidas abaixo do local e trocam os aromatizantes contidos nas águas para banhos.

Mais à frente, acompanhando o rebolar constante da bela mulher que o guia, há a entrada do Domus. Ela interrompe a caminhada na entrada do Átrio, quando um homem se levanta de um assento à beira de um impluvium, uma piscina central de pequeno porte no centro da sala, repleto de sangue ao invés de água.

O homem possui média estatura, corpo magro e uma face quase divina em perfeição de formas. Seus cabelos são longos e permanecem soltos com apenas alguns louros dourados nas laterais. Reconhecidamente, Juno Prestes o atende.*



- Ah, o bom e estimado filho à sua casa retorna.


* Sua voz é suave, límpida e agradável. O sorriso em seu rosto é bastante receptivo*


- Venha, meu bom Galerius, sente-se e conversemos enquanto o Imperador encerra alguns assuntos antes de recebê-lo.

* Ele indica um dos assentos de um dos lados do Impluvium, enquanto senta-se em outro*

- Ilythia, traga-me mais vitae. À mim e ao nosso ilustre convidado.

* Prontamente, a mulher deixa o salão de recepções. Appius nota uma série de quadros espalhados pelo átrio, além de algumas esculturas que representam o próprio Imperador Camilla em diversos momentos. Prestes parece aguardar que o Capadócio se sente, enquanto a mulher traz duas taças cheias, entregando uma a cada e permanece ao lado de Juno segurando a ânfora repleta de sangue. O cheiro oriundo da taça se confunde com o cheiro do líquido carmesim que preenche o impluvium.*
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Re: Domus - Titus Venturus

em Dom Mar 11, 2018 10:37 am
*Acostumado à penumbra macabra (porém pacata) de suas catacumbas, Appius se esquecera de como o mundo podia oferecer beleza, ainda que num ambiente que escondia tanta purulência.*

*Ao ser saudado pelo Toreador Prestes, o sacerdote não consegue deixar de pensar: a villa possuia a opulência típica dos Ventrue, sim, mas a dedicação à arte e beleza não escondiam o dedo e as predileções do Clã da Rosa, o que faz Appius pensar até que ponto o conselheiro do Imperador seria vítima ou cúmplice da trama denunciada por Dionysius, afinal, Appius não havia visto o imperador até o momento, nem mesmo na visão que tivera pelo pergaminho na noite anterior; para todos fins e efeitos, Juno Prestes era o senhor de Roma. "Quem se beneficia?", sussurra uma voz em sua mente.*


-Minhas saudações, Juno Prestes, maior dos conselheiros. Eu sou um homem dos deuses, e ainda assim me vejo surpreso ao encontrar um pedaço dos Campos Elíseos no plano terreno, o Domus do Imperador tem minha sincera admiração, bem como o bom gosto dele ao criar tamanho refúgio.

-Devo confessar que sua mensagem enviada pelo Senador Lisandro me causou ao mesmo tempo, honra, surpresa e pesar.

*Ao ser oferecido um cálice de de Vitae, Appius o fareja com seus Sentidos Aguçados [Auspícios 1] para aproveitar seu aroma antes de saboreá-lo. Não importa o quão pacifista, gentil ou controlado, todo Membro possuía uma Besta dentro de si. E a de Galerius estava especialmente sedenta por sangue fresco, após anos se alimentando praticamente só do sangue gelado de cadáveres.*
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Re: Domus - Titus Venturus

em Seg Mar 12, 2018 11:57 am
* Galerius aguça seus sentidos e sente o doce cheiro do vitae fresco. Arriscaria dizer que foi colhido há poucos minutos, no máximo. O gosto é ainda mais atraente, uma vez que seu paladar se aguçou. Desde o tom adocicado até os traços apimentados das especiarias que o espécime deve ter provado no último dia lhe percorre a garganta. É, como há muito não têm sido, um prazer inenarrável beber daquele sangue. É forte, espesso, denso e muito saboroso.

Prestes, com um singelo sorriso na face, inicia sua fala*


- Ah, belíssimo, não é mesmo? Nada que uma assessoria dedicada aos detalhes não possa ajudar a dar cor aos gostos sublimes do Imperador.

* Sua expressão se torna mais séria, ao ouvir sobre a mensagem. Ele ergue lentamente a mão esquerda e faz um movimento leve.*

- Deixe-nos, Ilythia.

* A mulher arqueia o corpo e deixa os cainitas a sós, sentados em torno do Impluvium. O Conselheiro do Imperador continua*

- Me pesa, doloridamente, o coração morto que em mim habita ter descoberto tão nefasta traição de um dos filhos mais amados de Roma.

* Em sua face há uma profunda tristeza, notada por Appius que - por alguma razão - sente-se comovido por ela*

- Dionysius era visto por muitos como um sábio a ocupar as cadeiras do Senado e, de uma forma que não consigo compreender, fora corrompido por nossos pares sombrios.  Através da influência deles, teu Senhor desdenhou de todos os anos e louros que o Império lhe forneceu. Isto é imperdoável, meu caro Appius.

- Atentar contra Roma é atentar contra os nossos modos, nossa estrutura de desfrutar a longa noite e é, acima de tudo, atentar contra a civilidade construída no último milênio ao custo de sangue, suor e lágrimas.

* Ele encara os olhos de Appius, ao encerrar*

- Imagino que para tu, a descoberta tenha sido ainda mais devastadora.
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Re: Domus - Titus Venturus

em Seg Mar 12, 2018 2:58 pm
*Appius encara os olhos do Toreador de volta, buscando o fundo de sua alma [Auspícios 2], ainda na esperança de estar errado, de que tudo não passasse de um mal-entendido. Afinal, Prestes parecia genuinamente triste pela situação presente.*

*-Quem se beneficia?, continua sussurrando a voz em sua mente.*


-As notícias trazidas pelo Senador Lisandro foram pavorosas. Desde que ingressei na longa noite, o Senado Eterno foi a grande obra e paixão de Dionysius. Não consigo pensar no que o motivaria para tomar tais atitude. De fato, Roma é uma pérola num mundo de chagas, *visões do mercado de escravos cruzam a mente do Capadócio* e fico horrorizado ao saber que um de seus próprios filhos deseja ver o seu fim. O choque me foi tão grande que me vejo obrigado a perguntar: quem apresentou queixa contra o Senador Dionysius? Quais provas foram apresentadas contra ele?
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Re: Domus - Titus Venturus

em Seg Mar 12, 2018 9:06 pm
* O capadócio aguça sua percepção da aura e enxerga o pálido contorno que envolve o corpo de Juno Prestes. Sua aura é aquosa e translúcida, como a de um morto-vivo costuma ser. Há ainda um tom leve púrpura, provavelmente destacando seus atuais sentimentos.

O Conselheiro olha a taça em suas mãos por um momento, antes de voltar a traçar doloridas palavras*


- O Sangue é nossa única e verdadeira paixão. No fim, não passamos de monstros sedentos pelo vitae dos vivos. Não importa com quantas máscaras de beleza, sabedoria ou iluminação alcemos às nossas faces cansadas.

* Seus hipnotizantes olhos verdes voltam a encarar os de Galerius*

- Mas o Sangue também nos traz alegria e permite, com a ironia de dar uma nova vida aos que dela partiram, gerarmos filhos. Extensões de nós mesmos. Não...melhores, muito melhores que nós.

* Ele toma um gole a mais. Appius sente um apreço e um fascínio por aquele homem, seus trejeitos e suas palavras lhe agradam e seduzem até que as palavras a seguir ecoam como um golpe, firme e duro, a acordá-lo para uma realidade perturbadora.*

- Dionysius cedeu aos caprichos do Clã da Noite e tramou, junto a eles, a morte de nosso amado Imperador. Talvez, devido a minha falha e indevida falta de atenção, ele o teria conseguido se o Sangue de seu Sangue não tivesse nos revelado tal detestável e absurdo intento.

* Ele apóia ambos os braços sobre os joelhos, mantendo-se sentado e inclinando o corpo para frente*

- Somos abençoados pelos Deuses por Sahar ter tido a fibra moral de desafiar o próprio Senhor e, com suas ações, ter impedido o antigo Senador de conseguir a destruição de nosso símbolo maior. Apreendemos pergaminhos trocados entre Dionysius e um governador provincial, igualmente traidor, chamado Canatos. Este último, um dos descendentes de Lasombra. Não obstante, o assassino foi capturado antes de cumprir sua demanda e sua mente, aberta como um livro, atestou o que as provas documentais indicaram antes dele encarar o sol.

- Há outros, Appius, outros filhos ingratos de Roma que desdenham do que construímos e desejam ver a maior obra construída pelos filhos da noite queimar.

* Uma lágrima de sangue escorre por aquela face que beira a perfeição. Appius questiona-se se diante de si não está um Deus, em carne e sangue, intercedendo por Roma.*
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Re: Domus - Titus Venturus

em Ter Mar 13, 2018 10:19 am
*Estava claro. As tramas contra Roma eram tão graves quanto pareciam, mas Juno Prestes era inocente como um cordeiro. Mas quem se beneficia?*

*Sahar. Ao trair e difamar seu senhor, o infernalista conseguia a cadeira do Senado Eterno que sempre ambicionou. E mantinha o simulacro do Imperador sob sabe-se quais artes profanas, cabendo ao Toreador a governança do Império. Porém, ouvir novamente sobre a morte final de seu senhor, e a forma como ele a havia encontrado era perturbador.*


-Então Dionysius já foi julgado, condenado e executado? Isso é devastador. Mesmo que eu estivesse afastado de meu senhor, não posso deixar de lamentar um fim ignóbil para uma grande mente. Uma prova que nós do Clã da Morte somos eruditos, senescais e conselheiros. Talvez não políticos.

*Appius começa a pensar. Ver os pergaminhos trocados por Dionysius e seus contatos era fundamental. Mas pedir por eles agora seria um risco. Prosseguir com cautela era fundamental, caso contrário terminaria envolto na teia de calúnias de Sahar. Porém...*

-Entendo a delicadeza da situação. Porém, devo presumir que Sahar ocupará a cadeira de Dionysius no Senado Eterno, não? É bom ter assegurada a presença de um membro... leal, mas por outro lado isso torna sua presença clara para todo o Império ver. Talvez um filho diferente seria adequado para entrar em contato com estes suspeitos?
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Re: Domus - Titus Venturus

em Ter Mar 13, 2018 1:24 pm
* Prestes enxuga a lágrima carmesim que lhe percorre a face com um lenço do mais nobre tecido. Ouve as palavras do filho do traidor e pondera, mas esboça um leve sorriso*

- Me impressiona o quanto pareces se encaixar na descrição nos dada por Sahar.

*Um minuto, talvez menos, de silêncio enquanto ele bebe mais um gole do vitae em sua taça.*

- Em verdade, houve uma sugestão imediada para que o jovem Sahar ocupasse a cadeira deixada por seu criador e, traidor. O jovem filho de Dionysius mostrou perspicácia, força para ação e acima disso uma lealdade indispensável aos que precisam estar sentados nas cadeiras do Senado Eterno.

* Ele aproxima-se um pouco mais de Appius*

- No entanto, não imaginas a minha surpresa quando em audiência com o próprio Imperador, Sahar - que Cainita deslumbrante - abriu mão de tal honraria e  sugeriu que o mais adequado para tal posição, por idade e merecimento, seria Appius Galerius Buteo.

* Após um sorriso, que faz Appius se questionar porque passara tanto tempo escondido nas catacumbas, o Conselheiro conclui*

- Este é o motivo de tua audiência com o Imperador Camilla esta noite, meu caro Appius.
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Re: Domus - Titus Venturus

em Ter Mar 13, 2018 2:18 pm
*Appius junta as pontas dos dedos e em seguida aproxima as mãos do rosto. Aí jazia a definição de uma armadilha ou, no mínimo, uma gaiola de ouro. Ele não conseguia pensar no que Sahar pretendia ganhar ao abrir mão da cadeira do Senado Eterno, mas certamente podia imaginar o que ele teria ao ganhar ao colocar Appius em seu lugar.*

-Devo admitir que a revelação veio como um choque. Talvez explique o olhar curioso que o Senador Lisandro me lançou quando eu mencionei Mithras e Camdem, mas ainda assim... Eu confesso que fico curioso em saber qual a descrição que Sahar deu de mim para que eu merecesse tamanha honra, uma vez que nossas interações até esta noite foram, na melhor das hipóteses, distantes.
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Re: Domus - Titus Venturus

em Ter Mar 13, 2018 3:12 pm
* O Conselheiro sorri, alegremente*

- Oras, Appius. O que disses aquele que salvou o nosso Imperador de um atentado contra Roma e contra a sua própria e divina existência? Irrelevante, naquelas circunstâncias, eu diria. Sahar desfrutava de um momento de influência descomunal.

* Seu sorriso se esvai e seu olhar, a seguir, seria capaz de amedrontar os mais firmes dos cainitas.*

- No entanto, absolutamente nada chega ao Imperador e, consequentemente ao Senado, sem o meu crivo pessoal. Por isto, conversas comigo neste momento.

* De um agradável anfitrião, o homem tornou-se tão intimidador quanto possível de uma frase para outra*


Última edição por Storyteller em Qua Mar 14, 2018 1:20 am, editado 1 vez(es)
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Re: Domus - Titus Venturus

em Ter Mar 13, 2018 6:14 pm
*Uma prisão, definitivamente uma prisão. Infelizmente, Juno não tinha noção disso, sobrecarregado como estava com a governança de Roma, portanto havia interpretado de forma errônea sua pergunta. Appius não tinha medo da morte, como bom Capadócio, mas temia deixar sua tarefa inacabada. Mais do que o projeto de Roma, tinha como missão desencavar a podridão que se instalara no Império e a conspiração em torno do Imperador. No tempo certo, com provas, apresentaria a questão a Prestes. Até lá, tinha como pista apenas o infernalista Sahar, e como método, tentar sobreviver ao Senado Eterno.*

-Por favor, não me entenda mal, caro Prestes. Sei muito bem de sua importância na grandeza que é Roma, assim como sei o tamanho da honra que o Imperador me agracia. É exatamente por isso que perguntei, exatamente por não me sentir digno.

-Porém, a última coisa que eu pretendo é lhe causar qualquer desrespeito. Se é do julgamento do Imperador e de seu maior conselheiro que eu ocupe a cadeira vaga no Senado Eterno, caberia a mim recusar? Evidente que não.
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Re: Domus - Titus Venturus

em Ter Mar 13, 2018 10:23 pm
* O Conselheiro volta a sorrir, desta vez, um sorriso um pouco mais largo que os que o antecederam*

- Ah Appius, aparentemente tu é quem entendestes mal as minhas palavras.

* Ele se aproxima inclinando o corpo, tanto que seu cheiro adocicado é sentido pelas narinas de Galerius e sua boca ao falar quase toca a orelha do Capadocio*

- Eu disse que o jovem Sahar o indicou. Disse ainda que o Imperador acolheu tal sugestão para considerar a questão. No entanto, eu também disse que nada, absolutamente nada, se desenvolve sem o meu crivo pessoal.

* Ele recua, voltando a se sentar na posição inicial*

- Portanto, apesar de inclinado a conferir-lhe a possibilidade de integrar o Senado Eterno, ainda devo testá-lo.Em alguns minutos o Imperador irá recebê-lo, fará algumas perguntas e o liberará para retornar aos seus costumes noturnos. Em seguida, ele irá se consultar comigo sobre a tua posição política.

* Ele toma mais um longo gole de sua taça*

- O que lhe direi, é que deves passar em um último teste nas próximas noites para que assumas o lugar de teu pai e limpes no nome de tua família, como o jovem Sahar clamou que permitíssemos quando eu cogitei cortar as ervas daninhas pela raiz, fazendo um corte preciso em uma linhagem promissora, mas possivelmente corrompida pela falha grotesca de seu Criador.

* Havia um tom impositivo que soava como aviso, ou seria ameaça? O Conselheiro parecia gentil demais para tal aos olhos de Appius*
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Re: Domus - Titus Venturus

em Qua Mar 14, 2018 9:02 pm
*Mesmo com toda a tensão do momento; a ameaça implícita de Juno somada com a decepção de Appius por sequer imaginar que o conselheiro seria capaz de lhe fazer mal; a morte final de Dionysius e suas revelações macabras; mesmo com toda essa carga, o Capadócio tem a mais inusitada das reações após a fala de Juno: ele solta uma gargalhada breve, mas inconfundivelmente autêntica*

-Ha! Hahahaha! Ora, augusto Prestes, não importa como a noite termine, agora eu posso ao menos viver com uma certeza. Isso dentre tudo mais, foi o que não me trouxe surpresa nestas últimas duas noites. Não há nada anormal na sua exigência, mesmo que me leve a uma... digamos reprovação.

-Eu estou genuinamente interessado em saber, mais do que qualquer coisa, quais são seus critérios para a formação de um senador digno do posto.

*O vampiro se reclina no divã, novamente encostando as pontas dos dedos umas nas outras e observa o seu interlocutor com um interesse renovado.*
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Re: Domus - Titus Venturus

em Qui Mar 15, 2018 9:30 am
*Minutos, dois, de silêncio constrangedor.

O sorriso amistoso e agradável na face do Conselheiro se esvai, dando lugar a uma expressão indiferente e desinteressada. Ele assume uma postura mais formal.*


- Os Senadores Eternos galgaram suas posições ao custo de muito esforço, dedicação e lealdade para com o Império, Senhor Galerius. Alguns destinaram longos séculos de serviços prestados antes que sequer sonharem com as cadeiras que agora ocupam.

* Os olhos de Prestes fitam Appius, frios e sem brilho*

- O Senhor, diferente daqueles homens, é abençoado diretamente por Tique, a filha de Júpiter, com a mais pura das sortes. Não é, meu caro Appius? Tão jovem e tão distante de nossos problemas e soluções e, agora, está a um passo de assumir a toga senatorial.

* Ele toma um gole a mais de sua taça e continua*

- A ti, um simples teste. Obviamente deves compreender que a confiança não lhe é facilmente atribuída, em virtude dos últimos acontecimentos e do sangue que corre em suas veias. Portanto, preciso que visites um Cainita Romano que correspondia-se veementemente com teu Senhor. Canatos é seu nome. Ele ocupa a posição destacada de Governador Provincial na Macedônia.

* Ele levanta-se*

- Canatos deve estar em posse de alguns pergaminhos escritos por Dionysius e endereçados ao próprio. Traga-os, completos e intactos, e o considerarei apto para o Senado.

* O homem caminha deixando o átrio em direção a uma grande porta no fim do salão*

- Verei se o Imperador pode atendê-lo, aguarde.
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Re: Domus - Titus Venturus

em Qui Mar 15, 2018 7:03 pm
*Que incomum. Dentre tudo discutido durante a noite, um riso parecia ter sido a única coisa a desconcertar Juno Prestes. Talvez a falta de surpresa de Appius tenha sido por sua vez uma surpresa genuína para o Toreador. Em todo caso, algo digno de nota. O que ele tinha a dizer, por outro lado, era imensamente interessante.*

-De fato, Tique é caprichosa, não? Seus desígnios são inescrutáveis para nós abaixo do Olimpo, e nenhum de nós pode verdadeiramente enxergar todos os seus desdobramentos. Eu entendo todos os motivos para desconfiança, por mais infundados que sejam, e me considero abençoado pelo teste pelo qual o senhor me concede com tanta graça, porque atende a três propósitos vitais.

*Appius começa a enumerar com os dedos*

-Me permite provar minha lealdade para com o Império e, mais importante, o Imperador.

-Me permite ser útil a Roma.

-Me permite descobrir porque meu finado Senhor fez o que fez. Ele entrará para os registros do Senado, e com razão, como traidor. Laços filiais exigem que eu no mínimo descubra a razão, ainda que seja algo tão crasso como pura ambição.

-Sinto que deveria discutir detalhes da tarefa com o senhor para que melhor pudesse servir ao Senado mas...

*Appius percebe o Toreador se levantando, e também fica de pé.*

-...talvez seja melhor fazê-lo em outro momento.

*O Capadócio aguarda, apreensivo. Sob qualquer circunstância, encontrar o Imperador, o verdadeiro governante de Roma seria um evento por si só. Saber sobre a conspiração que o envolve só serve para aumentar a tensão.
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Re: Domus - Titus Venturus

em Qui Mar 15, 2018 11:21 pm
* Alguns longos minutos se passam. Angustiantes e, enfim, Prestes retorna ao Átrio saindo da grande e bela porta de madeira na qual - irônicamente - Apollo está esculpido.

Ele retorna, senta-se em seu divã e cruza as pernas. Destina ao menos mais dois ou três minutos observando Appius antes de concluir*


- O Imperador o aguarda.

* Só então, Galerius nota que a porta da qual o Conselheiro saiu está entreaberta*
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Re: Domus - Titus Venturus

em Sex Mar 16, 2018 11:05 am
*Quão estranho era que uma criatura em tese imortal poderia sentir tanto a espera de uns minutos. Talvez superar essa preocupação fosse a marca de um verdadeiro ancião, e certamente uma lição a ser aprendida. Não obstante, Appius mantém seu auto-controle enquanto recita algumas orações mentalmente. Quando Prestes enfim retorna, e conclui seu exame, o Capadócio se levanta, com calma e dignidade.*

-Os dados foram lançados, como ouvi dizer há uma vida atrás.

*Ele caminha a passos lentos, como que numa procissão religiosa. Sua mente, por outro lado, segue acelerada, repassando os fatos que aprendera pouco antes: que se encontraria não com um Imperador, o deus (não) vivo de Roma, mas com um homúnculo de sangue e feitiçarias inomináveis.*
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Re: Domus - Titus Venturus

em Sex Mar 16, 2018 3:04 pm
* Appius caminha sob o olhar atento do Conselheiro até a porta entreaberta. Ao cruzá-la, se depara com uma visão majestosa - literalmente.

Uma escultura de Atlas a carregar o firmamento está disposta no centro do cômodo. Em seu entorno, as paredes são revestidas inteiramente de tecido carmesim e branco, colocados em uma disposição harmônica e estonteantemente bela. No chão, uma pintura que mapeia o território do Império Romano até os seus limites se faz presente. A estátua do titã é colocada exatamente no meio do Mediterrâneo de forma que não atrapalhe a visualização das demarcações das províncias imperiais.

Alguns jarros dourados dispostos em pequenas mesas e bustos enfileirados de todos os imperadores humanos que já ocuparam o posto em Roma compõem o cenário. Nada, absolutamente nada, chama mais atenção do que o homem sentado em uma espécie de poltrona feita de mármore branco. Seus olhos fitam o chão e o mapa nele desenhado. Seus cabelos são dourados como ouro, assim como seus olhos. Sua face, alva e sem quaisquer marcas de expressão, parecem emanar uma paz que Galerius somente encontrou quando esteve escondido em meio as catacumbas e aos mortos.

As vestes leves e brancas do cainita, simplórias se comparadas ao ambiente, são o suficiente para junto aquele homem serem capazes de tornar todo o resto irrelevante.

Há uma autoridade potente no ar. Sem esboçar qualquer reação ou palavra, a visão daquele homem faz com que Appius imediatamente passe a duvidar de toda a trama que o levou até este local. Ele não era tão belo quanto Prestes ou tão imponente ao simples olhar. Mas havia algo mais. Talvez, algo Divino.

Quando o Capadócio adentra ao salão, ele ergue o olhar e permanece em silêncio. Notadamente aguarda que o visitante anuncie-se*


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Re: Domus - Titus Venturus

em Sex Mar 16, 2018 6:08 pm
*E todos os caminhos levavam a essa sala. Cada legionário, cada magistrado, cada pretor, escravo, servo, senador, erudito, todos eles eram uma gota de sangue que se completavam em Titus Venturus Camilla, que governava Roma, falava com a voz de Roma e era Roma. Agora, mais do que nunca, Appius tinha noção das ações de Dionysius, e da sua pequenez perante a tarefa à frente. Era difícil acreditar no que ele havia descoberto sobre a figura do Imperador, e ainda mais difícil, senão impossível, fazer algo a respeito.*

*Não obstante, a estátua de Atlas faz com que o Capadócio se lembrasse do funeral de seu Senhor, e da promessa feita. De alguma forma, deveria prosseguir. Titus Venturus Camilla era Roma, mas o que fazer quando a lealdade ao Imperador significava uma coisa, e lealdade à Roma significava outra?* Ele se curva em deferência ao semideus sentado no mármore, e se anuncia.*


-As bençãos do Olimpo ao estimado e inigualável Imperador de Roma e todo o mundo civilizado. Eu sou Appius Galerius Buteo, cria de Dionysius, cria de Japheth, cria de Capadocius. É uma honra sem precedentes para mim que um mero sacerdote e homem das letras mereça a atenção do Imperador dentre imperadores.
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Re: Domus - Titus Venturus

em Sab Mar 17, 2018 11:14 pm
* O olhar daquele sentado ao trono de mármore repousava, pesado e cansado, no rebuscado e rico em detalhes mapa pintado aos seus pés. Em uma alusão clara e grandiosa do que aquele pequeno homem, franzino e de vestes simples, representa para o mundo conhecido. Galerius sente-se inspirado e amedrontado ao mesmo tempo. A sensação é única e jamais experimentada pelo sacerdote de Dis.

Ao fim das palavras de Appius, aqueles olhos dourados se erguem lentamente em direção ao Capadócio e os mais logos segundos de sua não-vida se arrastam. Silêncio, profundo e perturbador.

Encarar aqueles olhos é de um desafio descomunal. Eles apequenam e espremem o ser Appius à um nível que causa o mais primal dos medos e, ao mesmo tempo, a mais verdadeira das alegrias. Galerius sente-se menor, mais frágil, irrelevante. E não há vergonha nisso. É como estar aos pés de um grande vulcão, majestoso e inativo, mas que emana um poder assustador e fascinante. O homem aos pés  da montanha pode escolher apenas admirá-la ou alçar o desafio de subí-la, pagando o preço necessário e se regojizando com a conquista - caso sobreviva à escalada.

Quando finalmente o silêncio é quebrado e aquela voz ecoa pelo requintado salão, as sensações crescem e se multiplicam. A voz é suave, acalentadora, jovial como se o Imperador tivesse sido abraçado em seus primeiros anos da vida adulta. No entanto, cada palavra soa com uma autoridade jamais experimentada pelo Capadócio.

Respondê-lo não é uma escolha, é uma obrigação urgente e inadiável e é, igualmente, um deleite e uma oportunidade única, Appius sente como se o próprio Plutão, Deus de sua predileção, se propusesse a ouví-lo por breves instantes. Estar em sua presença cria a nítida impressão que, de fato, aquele  cainita tinha sobrepujado as falhas da carne e se tornado um Deus.

As únicas palavras que deixaram os lábios do vampiro sentado ao trono de mármore aconteceram ao passo daquele olhar mítico e dourado voltarem ao mapa e ao chão*


- Cria de Dionysius, diga-me o que vês ao olhar estas linhas e cores aos teus pés.
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Re: Domus - Titus Venturus

em Dom Mar 18, 2018 2:07 pm
*Appius fica nervoso, prestes a suar. Alguns reflexos involuntários surgem, como a vontade de engolir em seco e ofegar; engraçado como mesmo duzentos anos após sua morte tais reflexos ainda podiam surgir numa situação de tensão, certamente algo para se registrar depois.*

*O Imperador é como se fosse majestade concentrada em carne morta-viva. Mais uma vez Appius olha para a estátua de Atlas, e é lembrado da enormidade de sua tarefa. Como alguém poderia ter atentado contra a figura ali na sua frente? E como poderia um Cainita solitário, agir contra tal conspiração? E mais ainda, como agir contra o semideus à sua frente?*

*A pergunta do Imperador, por sua vez, o deixa mais aliviado. O Capadócio possuia um mapa do Império em seus aposentos, embora obviamente não tão exuberante. Não importa o quanto suas lealdades fossem conflitantes, não sentia dúvida alguma quanto à sua lealdade ao que via abaixo dele.*


-Eu vejo muito e mais, Dominus.

*A passos lentos, Appius caminha na direção de Roma, no mapa.*

-Eu vejo o Anfiteatro Flaviano, o Pantheon, o Forum. Obras de engenharia como o mundo nunca havia visto antes; uma cidade de mármore onde antes haviam tijolos. Uma cidade de leis e civilização, um bastião contra a barbárie mundo afora.

*Ele caminha ao longo da Península Itálica.*

-Eu vejo a força de uma aliança. Vejo as cidades-estado leais a Roma, como elas cresceram por sua lealdade, e como Roma se fez forte pelo mesmo motivo. Uma lealdade tamanha que nem mesmo toda a fúria dos exércitos de Aníbal Barca foi capaz de romper.

*Continuando sua caminhada, Appius para no Egito*

-Eu vejo paz e estabilidade onde antes um povo antigo e orgulhoso era forçado a atender aos caprichos de crianças mimadas que se travestiam de deuses.

*Cruzando o Mediterrâneo, ele para na Gália.*

-Eu vejo muito mais do que o solo pisado por legionários. Vejo um lugar onde soldados encontraram a própria terra após anos de serviço digno. Vejo um fim ao barbarismo e o início da civilização.

*Cruzando o Canal, ele chega até a Britânia*

-Eu vejo uma muralha. Tanto uma muralha de tijolos e argamassa quanto uma de lei e ordem para proteger um povo.

*A procissão do Capadócio segue ao longo da Europa, na Germânia e além.*

-Eu vejo estradas, aquedutos, cidades. O poder da mente sobre matéria. A criação de um novo mundo a partir de ideias.

*Sua caminhada o leva até as terras desérticas do Oriente.*

-Eu vejo irrigação! Vejo a sede saciada daqueles que antes possuíam apenas areia.

*Enfim, após dar a volta no Império, Appius Galerius Buteo volta à Roma.*

-Eu vejo a grandeza de Roma, Dominus. O centro do mundo, de onde se irradia paz, ordem, lei e civilização.
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Re: Domus - Titus Venturus

em Ter Mar 20, 2018 9:53 am
* O Imperador se manteve imóvel, quase como um dos inúmeros objetos que ornamentam aquele salão. Seu olhar, perdido em cada parte descrita por Appius, percorria o mapa conforme as palavras do Capadócio. Ao fim, ergueu novamente os olhos dourados que caíram sobre o servo de Dis. Sua voz ecoou uma vez mais, leve, em tom baixo, mas com a capacidade de decretar o início e o fim de uma vida, se assim fosse de sua vontade*

- Detalhista e rebuscado. Teus lábios deixam escapar palavras que os meus ouvidos gostariam de apreender em meus primeiros séculos de Império. Nas noites de hoje, contudo, me soam apenas como bajulação e descrença disfarçada por elogios vazios.

* O impacto daquelas palavras foi devastador para Appius. A face do Imperador se mantinha impassiva, imutável. Calmo como o alvorecer, o conteúdo de seu discurso era o oposto, mergulhado em chamas e, talvez, cansaço*

- Eu vejo, em seus pálidos olhos, uma crença real em Roma e naquilo que ela significa. Mas também vejo dúvida, receio e desapego de características fundamentais que fazem Roma ser o que é.


* O Imperador, finalmente, se levanta e - descalço - caminha por cima do rebuscado mapa desenhado ao chão*


- Se me permite, Galerius, lhe direi o que vejo.

* Ele pára, exatamente sobre a Capital.*


- O centro de um mundo banhado a Sangue. Tribos, costumes, terras, Deuses. Todos incorporados ao nosso domínio através do Sangue e, a despeito de belas e filosóficas palavras, é apenas isto que define Roma.

* Seu olhar se debruça sobre Appius e o Capadócio enxerga neles um peso semelhante ao que Atlas carrega nas costas*


- Roma, o Império de Sangue.

* Ele faz uma pausa, perde-se ao olhar os territórios pintados e continua após alguns segundos*


- Com Sangue, nosso e tantos outros derramados, impusemos nosso modo de viver a noite aos que caminham durante o dia. Unificamos territórios longíquos ao olhar e distantes ainda mais dos nossos costumes. O Sangue, jorrado e apreendido. Passado adiante e contido, nos permitiu construir o maior Império que a existência humana - e cainita - já presenciou em seus milênios.

* Novamente, ele encara Galerius com uma face calma e inquietantemente imutável*


- Os mais jovens acreditam que nossa maldição maior é clamar pelo sangue dos vivos. Eu vos digo, então, que em verdade é clamar por tudo que advém do Sangue. Domínio, poder, controle e como meio para tudo, o Sangue. Então diga-me, Appius, o que o Sangue significa para você?
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Re: Domus - Titus Venturus

em Ter Mar 20, 2018 8:47 pm
*As palavras iniciais do Imperador vieram como um baque. Se não pelo tom, por inferir que sua visão sobre Roma, de longe o sentimento mais sincero que havia exposto ali naquela noite, seria uma bajulação falsa. Porém, o investigador dentro de si notou, as palavras de Camilla indicavam duas coisas fundamentais: a sede de conquista e poder compatíveis com o narrado pelas últimas palavras de Dionysius, e algo a mais. Appius sentia uma certa... fadiga vinda do Imperador. Como se houvesse se despojado de todo o mundo à sua volta, tendo apenas domínio e conquista como objetos de desejo. Um verdadeiro e literal Império de Sangue.*

*Appius observa o mapa abaixo de seus pés, e com um sorriso resignado, fala, lembrando de forma quase nostálgica sua vida mortal.*


-Deveras, Dominus... Não há local no império que tenha sido agraciado por aquedutos e termas que não tenha sido pisado pelas sandálias dos legionários antes. E não houve retorno para casa das legiões que não tenha sido acompanhado de deuses e escravos acorrentados para serem exibidos em triunfo...

-Mas ainda assim...

*Ele abre os braços e gira, englobando o Império em sua extensão.*

-Roma é mais, Dominus. Não é o primeiro grande Império, não num mundo onde já vimos Egito, Pérsia e os mesopotâmios de eras passadas. Roma é o Império que finca suas raízes, além de simplesmente esmagar os conquistados sob seus calcanhares. Um Império de Sangue, sim, mas também um Império onde o mesmo sangue flui livremente em aquedutos e, por que não, num impluvium.

*Appius ergue os olhos ao Imperador após a sua última pergunta, e sustenta o seu olhar, pesado como seja. Ele aproveita a oportunidade para realmente enxergar o Imperador de Roma, através de sua Visão da Alma [Auspícios 2]*

-E tudo, de fato, leva ao sangue, não? Eu, pessoalmente, acho que o sangue é uma balança, Dominus. Por um lado, é uma ferramenta, um portão para um mundo maravilhoso. Através de seu domínio, temos acesso a um tipo de poder que não passaria pelos sonhos mais selvagens de um mortal. Do outro, é uma lembrança constante. Uma lembrança da Besta que habita dentro de cada nós, e como ela sempre espreita por trás de nossos ombros. Maldição? Jamais, mas um conto cautelar, uma lição para sempre colocarmos nossos instintos e impulsos em xeque. Eu, da minha parte, busco conter os impulsos que a Besta nos induz. *Appius se lembra do sangue ingerido há poucos instantes, num ato de pura gula* Na maior parte do tempo, consigo.
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Re: Domus - Titus Venturus

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