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Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Ter Jul 24, 2018 11:34 pm
- Hannibal, a Besta de Cártago...

A voz se fez ouvir enquanto o corpo deixava a escuridão, caminhando em direção à Han. A visão era impactante, acima de qualquer outra coisa. Tratava-se de um homem alto, com um corpo esbelto e atlético e longos cabelos loiros que circundavam a mais perfeita face já vista pelo Eremita. Todos os traços pareciam perfeitamente harmônicos, como se tivessem sido esculpidos como as estátuas presentes no salão. Usava nada mais que um tecido branco a cair-lhe sobre o ombro e assim cobrir a parte inferior do corpo.

Para o Eremita, aquela beleza era estranhamente agradável embora estivesse para muito distante daquilo que de fato considera belo.

E, assim mesmo, era belo, belíssimo. Não havia cheiro de terra ou orvalho, mas seu cheiro agradava. Não havia o verde das árvores ou a coloração das plumas dos mais deslumbrantes pássaros, mas o tom de sua pele era atrativo. Não se assemelhava ao canto dos pássaros mas sua voz lhe acariciava os ouvidos. Nem mesmo possuía o porte dos belos predadores das grandes matas, mas movia-se com graça e precisão. Não era selvagem e, ainda sim, lhe parecia extremamente belo. Poderia um homem possuir tal aparência?

Aquele possuía.



- Curiosa a escolha de Hannibal. Deixe-me contar-lhe uma história, Han.

O homem aproximou-se e recostou-se em um dos esquifes, aquele que contém o homem com cabelos castanhos.


- O Cainita em repouso a meu lado é um homem de grande visão e de tato político apuradíssimo. Esperava acordá-lo somente quando nosso Império estivesse preparado para que reinasse como deve.

Ele aponta para a mulher no outro esquife.

- Lá está sua irmã. Ah, uma adorável visão que torna-se assustadora quando desperta.

Ele coloca um dos dedos sobre os próprios lábios, enquanto continua a falar.

- O curioso de Hannibal tê-lo enviado até aqui, é que ambos os que dormem auxiliaram na queda de Cártago. Ambos o confrontaram, direta ou indiretamente. Bom, meu sonho se torna cada vez mais distante a cada noite, embora tenha a plena certeza de ainda vê-lo concretizado.

Ele sorri.

- Diminua vossa tensão. Não sou teu inimigo.

- Já possuí muitos nomes e nestas noites prefiro ser chamado de Beshter, o Escravo de Ebla, para me manter sóbrio daquilo que realmente sou. Já pertenci aos romanos que tanto odeia e, embora cometas um erro quando dizes que pretende derrotar os romanos neste momento, visto que não são eles o teu verdadeiro inimigo, não tens que se preocupar comigo. De Roma, não desejo nada mais que suas cinzas.


Em um momento, ele estava ao lado do homem e em um piscar de olhos caminhava próximo ao esquife no qual a mulher permanecia em sono. Han notou que tamanha beleza era, também, terrível.

- Hannibal é um dos últimos de sua linhagem a compreender as nuances do tempo. Interessante, talvez ele tenha vislumbrado o desenrolar dos fatos de uma perspectiva única e, por isso, o encaminhou até Delfos. Percebas, Han, que os dois em torpor aqui são tão distintos quanto possível, mesmo que sejam irmãos.

- Antiorix e Artemis Orthia. Um líder, aquele que escolhi seguir e amar e a Guerreira, a implacável força da destruição. Artemis governou Esparta, a cidade aos pés desta montanha, muito antes das lamúrias de Menelau, companheiro de clã de Hannibal.

- As mulheres lá fora são minhas concubinas e, também, mortais sensíveis aos vislumbres que as cercam. Videntes, como o seu povo as chamam. Oráculos, como alguns outros preferem chamar. Através dos vislumbres delas, eu vi Roma queimar. Eu vi um Império governado por Três. Eu vi...


Ele se interrompe, observa o homem a dormir pesadamente no caixão de pedra cinzenta e continua.

- A única razão pela qual Hannibal possa tê-lo enviado até aqui é o desespero, completo e absoluto. Ele temia - ou sabia por seus próprios meios - que Ela se levantaria. Você também a teve, não? A visão. Todos a tivemos, nossas particulares visões de probabilidades, afinal aquele foi o despertar da Senhora do Tempo.

Ele, mesmo a distância, encara os olhos profundos de Han como se fitasse a sua alma.

- Roma é irrelevante, Eremita. Seus antigos inimigos são irrelevantes. Ela precisa ser destruída. Ela e os profanos que levantaram-se de seus sonos malditos.

- Antiorix será acordado por mim, ainda esta noite. Precisaremos tomar parte do que virá, antes que o sonho se concretize.


Ele parece verdadeiramente triste, enquanto continua.

- Meu amado Gaulês possui um irmão. Um irmão mais velho. Erik, o Rei. Em um tempo passado, os romanos invadiram a Gália e a dominaram graças a uma desavença entre Antiorix e Erik. O mais velho jamais perdoou o mais novo e, sozinho, marchou contra Roma. Caiu perante os incontáveis inimigos. É ele a quem deves buscar, verdadeiramente. É ele que pode liderar os teus e todos aqueles contra os romanos a quem tanto odeia pois ele os despreza tanto quanto os vossos. É ele que pode pesar a balança a vosso favor.

- O digo isso pois, assim que Troile cair, Roma precisará ser reduzida às cinzas. Nada daquela putrefação social deve permanecer.

- O paradeiro de Erik é conhecido apenas por sua amante, Artemis. Por isso, acorde-a após a minha saída e consiga dela aquilo que procuras. Este é meu presente para um espírito tão dilacerado quanto o vosso por sucessivas perdas nestas últimas noites. O que o Oráculo lhe disse é um fato, retires da perda a força de que precisas.

- Compreenda que Erik e Antiorix destruiriam-se, sumariamente, caso se encontrassem. Percebas que arrisco o meu líder para ver Roma queimar. Eu estou disposto.


Ele fita a escuridão do corredor atrás de Han, antes de concluir.

- Duas de minhas concubinas verterão seu sangue e suas vidas para que sejam acordados apropriadamente pois, de outra forma, o despertar insaciável dos que acordarem cairá sobre nós. Artemis é uma força da natureza de ímpeto furioso. Diga-me, Han, estás disposto a domar a maior das feras que já encontrou - Artemis - em busca do paradeiro de Erik Eigermann, o Rei que pode vencer a batalha junto a seu povo?
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Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Qua Jul 25, 2018 2:15 am
Han observa fascinado o escravo de Ebla, Beshter, enquanto este desenrola a sua história. Ele ouve tudo no mais absoluto silencio, absorto na aparência singular do interlocutor. Ao final de suas palavras, o eremita se pronunciou, sua voz rouca, embargada por sentimentos que tentavam lhe trair a confiança a todo instante. "Será que este homem fala a verdade?" - Pensou ele antes de começar a falar.

Ainda que sejas verdade tudo que diz, Beshter, Por que lhe daria ouvidos? Se Aníbal estava desesperado, devo desconsiderar esta tarefa e seguir por outro caminho, pois, triste é aquele que segue os devaneios de um desesperado. E este, devo lhe dizer, não é meu caso. Se toda esta história, entre rivalidades de irmãos é verdadeira, como achas que deveria me apresentar ao Erik?  Digo-lhe, se o quero ao meu lado, deveria levar a cabeça de seu irmão numa estaca, como uma oferenda, no entanto escravo de Ebla, tenho a certeza que isso iria desagradá-lo, pois, a única coisa que vejo, é a vaidade dos antigos agindo a todo o momento. Talvez tenha sido um erro vir até aqui.

O eremita fitou o olhar de volta, resignado.

Aprecio seu presente, ainda que seus motivos estejam equivocados. Não há uma alma dilacerada neste corpo, tampouco houveram perdas. Todos que se foram, pereceram lutando, como todo grande guerreiro deseja perecer. Não faço nada por vingança, ainda que este seja o meu desejo. O faço, pois, prometi ao meu povo que teríamos a liberdade de nossas terras ou a morte em batalha.

A voz do eremita foi ganhando um tom de ira contida.

Não tenho interesse em seguir mais ninguém além daqueles que já segui. Meu povo está comigo e eu estou com meu povo. Se este tal de Erik quer lutar contra Roma, que ele se levante e lute uma vez mais.

Sua mão agora segurava a borda da lapide, apertando-a para conter uma raiva crescente. Han sentia ela dentro de si, querendo se libertar. Ela queimava ardentemente, como o fogo que consumira Odoacro.

Por que acordar alguém que não posso e nem quero controlar? Eu irei acordá-la por que me foi pedido, nada além disso. Seguirei meu caminho. E se ela ou qualquer outro se erguer contra mim, bem...

Han se calou, estava descontrolando-se. As ações dos antigos, em prol de si próprios, deixavam-no aborrecido. Criaturas mitológicas, com poderes inimagináveis, que atuavam pelo seu bel prazer, ao invés de guiar a humanidade para o bem, longe do caminho das trevas as quais eles estavam condenados, o deixavam a beira da fúria.

Como estava dizendo, estou aqui para atender o pedido de um amigo que estimo muito. Irei acordá-la, ouvir o que ela tem a dizer e depois partir. Se ela ou ele quiserem enfrentar os romanos como meus aliados, ficarei grato, caso contrário, lutarei com o que temos. Agora, sobre Troile, que ela caia junto com a podridão que é Roma.  

Han cruza os braços brevemente, apenas para fazer com suas unhas, um ferimento em seus antebraços. Ele ergue-os em direção as lápides, derramando seu sangue nos lábios dos dois mortos. O que tivesse de acontecer, aconteceria.

Que os antigos paguem por seus erros! Que eles se levantem então e me mostrem que estou errado. Que levantem e lutem contra os malditos que sujam a terra com suas presenças vis e imundas. Que expurguem Roma e o que ela representa.

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Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Dom Jul 29, 2018 7:01 pm
Han ainda viu nos olhos do seu interlocutor um apreço por suas palavras. Ao rasgar os pulsos e despejar seu sangue sobre os esquifes, o Eremita teve a nítida impressão de que o cainita de nome Beshter o poderia ter interpelado e impedido. Ainda assim, ele se manteve parado, com os magníficos olhos verdes a fitar o Gangrel despertar os antigos.

- Ainda crê em um laço de amizade para com Aníbal, Han? Sabes, em nossa condição são poucos os laços que possuem real valor. Um dos mais firmes é o laço entre Criador e Cria. Exatamente aquele que faz com que Aníbal volte sua devoção à Troile, sua Senhora.

- Talvez a última ação consciente e livre da Besta de Cártago tenha sido enviá-lo aqui, Eremita. Talvez haja mais nobreza naquele homem do que eu imaginava. Isto não mais importa.Da próxima vez que o encontrar, estará diante de um inimigo.


Sentiu o vitae escorrer por seus pulsos e gotejar dentro dos caixões de pedra cinzenta. Ouviu passos que vinham do corredor atrás de si. Instintivamente olhou e notou duas belíssimas mulheres com vestes brancas e leves se aproximarem. Eram duas das que encontrou fora do templo.

Seu sangue vertia sobre os corpos inertes e Han os sentiu.

Sentiu uma presença avassaladora capaz de fazê-lo recuar. Não, não era o Eremita a dar passos para trás. Era a sua besta interior se encolhendo fora de seu controle. Um peso absurdo esmagava-lhe o ombro e quando olhou para frente, notou o Escravo de Ebla a sorrir, levemente.


- Nós, por outro lado, nos encontraremos novamente enquanto aliados, Han. Espero que tua coragem e determinação se estendam para além das palavras ditas aqui. Elas serão necessárias.


Não houve tempo, tudo ocorreu depressa demais aos seus olhos. As mulheres aproximaram-se e os corpos dos esquifes ergueram-se em um salto, como bestas selvagens, na direção delas. Cravaram-lhe as presas em seus pescoços e as secaram velozmente. Eram insaciáveis. Eram nada mais que grandes predadores a capturarem e abaterem as suas presas. Han ainda viu o vulto de Beshter cortar o salão em direção ao homem recém desperto, tomou-o em seus braços e somente assim os olhos bestiais da criatura que acordou voltaram ao normal. Azuis e profundos, carregando consigo a exigência da adoração daqueles que o observam.

Han ainda recobrava-se da sensação que o fez recuar quando, uma vez mais, um borrão cruzou o salão. O Escravo de Ebla desvaneceu com seu amado nos abraços deixando templo tão veloz quanto a brisa noturna.  Com eles, a sensação de peso que o fazia manter-se longe se foi. Mal teve tempo de racionalizar os acontecimentos, pois aquela voz feminina o buscava.


- Porque me despertas?

Da escuridão atrás de si, a cainita do esquife da esquerda estava de pé, com a face coberta do sangue da mortal que jazia sem vida a seus pés. Os olhos verdes e profundos emanavam uma sensação predatória, ameaçadora. Han temeu que ela avançasse, não por fraqueza, mas porque a postura daquela vampira era a de um leão diante de um cervo. Pronta para o bote.
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Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Dom Jul 29, 2018 7:35 pm
O eremita observou o escravo de Ebla se afastar velozmente com um dos adormecidos em seus braços. Não teve tempo. Estava ainda entorpecido com a voraz presença daqueles seres. O borrão mal havia desaparecido quando notou a mulher ao seu lado. Sorriu para ela, antes de começar a falar.

Me perdoe por tirá-la de vosso sono Artêmia Orthia. Sou Han, cria de Berenhal, cria de Odoacro, antigo rei dos povos livres. Vim de longe ao teu encontro, a pedido de um antigo amigo, Aníbal Barca.

O gangrel calou-se enquanto observava atentamente aquela mulher de jeito predatório. Sabia que o tal do escravo o havia deixado numa situação difícil, a sua intenção era que os irmãos se encontrassem.

Ele me orientou que, quando meu líder chegasse a Roma, eu viesse e acordasse quem estava aqui. Infelizmente, meu senhor jamais chegou a Roma, pois, fora vencido pelas forças de Troile e sua corja imunda, regida por seu companheiro Moloch. Quando aqui cheguei, havia um outro dormindo ao seu lado, chamado Antiorix, no entanto, ele fora levado por um homem que se denominou o escravo de Ebla. Este mesmo homem me disse que tu, Artêmia, saberia a localização do irmão de Antiorix, Erik Eigermann e que este, poderia me auxiliar a enfrentar as forças romanas e as forças de Troile.

Mais uma vez o silêncio. O eremita observava a mulher com atenção. Não havia temor ou medo, apenas um profundo desejo de enfrentar o mal que caíra sobre a sua casa. Era o momento de contra-atacar, seus inimigos encontrariam a sua fúria, tal qual Odoacro e Berenhal encontraram inevitavelmente o fim.

Detens o conhecimento necessário para que eu enfrente a chaga que é Roma?
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Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Dom Jul 29, 2018 8:22 pm
O vitae escorria por aquela bela face. Gotejava aos pés de Artêmis enquanto ela se mantinha inclinada para frente como um animal selvagem pronto para abater a sua presa. Os olhos esverdeados mantinham um brilho rubro que o Eremita sabia se tratar da besta, pronta para saltar descontroladamente a qualquer momento. De todo o dito, um nome a trouxe ao possível diálogo.


- Erik...

Ela baixou os olhos por somente um segundo e quando os ergueu seu semblante era firme e decidido, emanava realeza e poder, mas de forma contida e controlada.


- Disses Troile? Quanto...quanto tempo faz de nossa vitória em Cártago? Isto não importa.

- Han, Cria de Berenhal, tens minha gratidão por trazer-me de volta se a maldita Troile e seu amante profano caminham novamente. Disse-me muito de uma só vez. Miguel e Antiorix estavam aqui, neste salão? Antiorix, o Traidor?


Ela estava visívelmente confusa, perdida por um despertar abrupto após séculos de sono profundo. Caminhou em direção ao Eremita e apoiou-se-se em um dos esquifes, apertando-o firme com uma só mão, a pedra se partiu em diversos pedaços facilmente.


- O Povo Livre e seu Rei, Odoacro, diga-me quem são e lhe direi quem é Erik Eigermann. Teu povo...o povo dele, novamente terá a força de que precisas para destruir Troile.
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Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Seg Ago 06, 2018 5:16 am
Han manteve-se empertigado frente a cainita de extrema beleza e poder. Assim como ela parecia, estava atordoado com os últimos acontecimentos.

Não sei lhe dizer se era Miguel, ele apenas se identificou como o escravo de Ebla e chamou Antiorix, este que estava dormindo ao seu lado, de líder.

O eremita caminhou pelo grande salão, estava emocionado. Lágrimas vertiam de seus olhos. A simples menção do nome de Odoacro e de seu povo, faziam com que seus mais profundos sentimentos aflorassem. Sua voz rouca elevou-se mais do que desejava, ao falar deles.

Odoacro era o líder dos povos livres do norte, bárbaros como os romanos nos chamam. Ele era cria de Varla, a vermelha. Odoacro manteve-nos longe do julgo expansionista dos cainitas de Roma e pereceu no processo, quando um dos enviados de Troile e Moloch o enfrentou com suas chamas profanas. Talvez, até mesmo o meu senhor, Berenhal, tenha caído nas últimas noites. Pelo menos foi o que o escravo de Ebla deixou a entender.

Novamente ela sacudiu-se dentro dele. A lembrança da perda, por mais que fosse sabido que haveriam riscos, finalmente passou-lhe a doer no peito.

Então me leve ao Erik, que ele e até mesmo você, possam me ajudar neste momento. Não só contra Roma, mas, contra Troile também. Por mais que o meu sentimento de responsabilidade seja para com meu povo, sinto que possuo o dever de lutar contra a infame que se alia aos Baali. Que ela caia com Roma e que desta vez não seja em sono profundo, e sim, pereça com a destruição definitiva.
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Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Qua Ago 08, 2018 9:41 am
Han sentia uma fúria incontida brotar daquela mulher a sua frente. Mulher? Assemelhava-se muito mais a uma besta a procura de destruição. Era estranho, porém. Ao mesmo tempo que a presença de Artêmis denotava uma força quase incontrolável e repleta de ira, era emoldurada em um aspecto de realeza que parecia inspirá-lo. Destruição e Ordem conviviam no âmago daquela criatura, em uma disputa eterna.

Passos pesados seguiram-se enquanto esquife de pedra cinzenta reduzia-se a pequenas pedras esmagadas após a pressão aplicada por uma de suas mãos. Era palpável, Han sentia a pressão daquela presença aterradora sobre os ombros, embora soubesse que não era alvo da fúria de Artêmis.

Ela passou pelo Eremita, enquanto falava.


- Teu povo, aquele que venera Varla, já possuiu um outro Rei. Não tenho a consciência do tempo no qual habitamos, mas em algum momento do passado os seus seguiam Erik Eigermann, Rei da Gália e dos povos livres, no primeiro levante contra a coalisão romana formada pelos traidores de minha família e pelo Clã da Noite.

- Antiorix, aquele que disses deitar de forma ofensiva a meu lado, é o irmão mais novo do Rei Erik e foi ele a traí-lo, entregando a Gália e apunhalando o próprio irmão com palavras e ações falsas ao se aliar aos Romanos. Eu vi, nas memórias de Erik, como tudo aconteceu. Eu vi, pois fui eu a colocá-lo onde repousas seguro em seu sono.

- Caminhes comigo, Han. Alie-se a mim e juntos destruiremos Roma, Troile e todo aquele responsável por atos passados e presentes que criaram a calamidade atual. Erik precisa se levantar.


Ela caminhou, rumando pelo corredor escuro daquele templo. O Eremita quase poderia enxergar o rastro de morte sob os pés de Artêmis Orthia.
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Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Sex Ago 10, 2018 6:56 pm
Han simples visão de Arthemis inspirava-o a uma sensação genuína de desejo. Não o desejo carnal de tê-la e sim o mesmo desejo que ela possuía, o de lutar contra Troile e os romanos, para que recebessem enfim o que lhes era devido.

Nunca ouvi falar sobre Erik Eigermann e seu reinado, ainda assim, creio que devemos lavar a terra com o sangue do traidor e dos inimigos do norte, me leve até ele, terei a satisfação de lutar ao lado de alguém que lute pelos povos livres. Eu hesitei por muito tempo, acreditava que era possível evitar o combate e que seria possível conviver em harmonia com os outros cainita, no entanto, vejo que essa é uma hipótese descabida. Avancemos então, meu ser deseja o sangue dos antigos, pois, são eles os responsáveis ela desgraça que recai sobre a humanidade. Se a paz não foi possível, então que vivamos a guerra.

E então, atrás de Arthemis, o eremita segue pelo corredor escuro. Se alguém em sã consciência entrasse naquele corredor e o encontrasse em meio aquela escuridão, certamente enlouqueceria. Seus olhos brilhavam em um tom de vermelho sangue e o sorriso largo mostrava os dentes afiados, desejosos por sangue. Ali, naquele exato instante, o eremita iria descansar, pois, quem saía ao lado de Arthemis era o avatar da guerra, o espírito da morte, o vingador do norte.
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Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Ter Ago 21, 2018 8:29 am
Caminharam. Por dias, caminharam.

Han notou que aquela mulher diante de si carregava inúmeras e complementares faces. Era uma visão inspiradora quando assim desejava, aterradora quando se impunha e tão comum quanto qualquer mortal em seus momentos contemplativos e silenciosos a fitar as estrelas pouco antes do sol ganhar os céus, antes dos descansos diurnos daquela viagem.

O que falava, também lhe trazia novas percepções. Externava ela, nos poucos diálogos que tiveram, um saudosismo de um passado longínquo no qual não havia Roma e seu jugo opressor que desafiava - inclusive - os reis de outrora. Falou sobre Esparta, seu lar. Em como os homens eram talhados para  a guerra e para a glória sob o seu olhar austero. Falou, por fim, de Eigermann.

Denotava um apego quando citava seu nome. Se ela, Orthia, admirava algo ou alguém ficou claro para o Eremita que se tratava do Rei Erik. Não poderia deixar de notar as semelhanças entre as descrições dadas por Artêmis em relação à Eigermann quando comparava-as às suas recentes memórias de Odoacro. Inspirava e impulsionava o seu povo. Era grandioso e firme, austero e sábio. Era, assim Odoacro, uma relíquia de tempos idos.

Passaram por algumas vilas menores, permeada de camponeses e poucos soldados romanos. Massacre e carnificina se seguiram.

Parcas construções e nenhum muro. Eram poucos os soldados - guardas provinciais que não dispunham do porte dos legionários aos quais Han já encontrou - que guardavam aquela vila. Homens e mulheres caminhavam pelas ruas no início da noite quando, ao longe, as duas figuras se fizeram ver. Duas silhuetas banhadas pela luz da lua que eram tão distintas quanto possível. Uma mulher, com o corpo delineado mas ainda sim menor e menos impressionante que qualquer homem dotado da guerra e, a seu lado, um imenso homem repleto de pelos e trajando trapos que o faziam se assemelhar a um animal selvagem.

A contemplativa Artemis deu lugar à Deusa da Guerra. Empunhava uma espada curta muito parecida com os gládios romanos, além de sua armadura prateada que cobria-lhe o torso. Os cabelos negros caíam-lhe sobre os ombros e os olhos verdes e profundos faziam brotar o mais primal dos medos no coração dos homens daquele local.

Não correram. Não conseguiam.

Os homens estacaram, imóveis, diante da visão da mulher. Igualmente, as poucas mulheres pelas ruas se detiveram. Ali não haviam crianças, não que o Eremita conseguisse notar. Os soldados permaneceram em seus postos, com as armas tremulas em mãos. Queriam, seus olhos entregavam, atacar. Não podiam, contudo. Han sentiu o peso descomunal que a imagem daquela mulher projetava sobre a vila. Exigia reverência e respeito. Exigia submissão. O eremita, no entanto, parecia livre daqueles efeitos como se eles fossem direcionados conforme a vontade de Orthia.

Cessou. Todo e qualquer peso cessou quando ela estava no centro do vilarejo. Os soldados se entreolharam e, como se tomados por uma coragem que lhes faltava até há pouco, avançaram. Artemis brandia a espada com leveza e presteza. Cada golpe seu transpassava um oponente que jorrava sangue. Era irrelevantes, aqueles mortais, perante as capacidades marciais daquela mulher. Não parou.

Seguiu massacrando-os, os soldados caíam um a um, cobrindo aquele solo de sangue escuro e espesso. Gritos, dor, agonia e desespero seriam o tom daquela noite. O Eremita notou que ela mataria a todos, sem exceção, que pertenciam ao odiado Império Romano durante o caminho que seguiam.
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Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

em Ter Ago 21, 2018 9:39 am
[b]Ele a observava atentamente, receioso e fascinado por beleza tão marcante. Não somente a beleza física, mas também, o porte, as histórias, a ideologia. A única coisa que o desagradava nela era o seu desrespeito a vida.

Passaram por vilarejos e pequenas aglomerações de pessoas. Han não permitiu contudo que a morte fosse gratuita. Apenas os soldados romanos eram mortos. Nestes anos, Han sabia a diferença de soldados romanos e de homens livres que estavam subjugados pela força de Roma. Estes últimos, foram protegidos a todo custo, da mão firme e sanguinolenta de Orthia.

Assim como ela contava histórias antigas, Han contava as novas histórias. Falou sobre Odoacro, Berenhal e Aníbal. Falou sobre a resistência dos povos do norte e da luta incessante contra Roma. Assim como Orthia, matou quando necessário e devastou quando preciso. Incitou os cativos a se rebelarem e deu-lhes uma palavra de esperança, de que o império cairia. Assim ele esperava.

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Re: Territórios Livres - A Invasão Bárbara

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