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Re: Moscou: A Grande.

em Qui Mar 29, 2018 11:29 am
Dmitri caminha pela confortável sala e para em frente a janela, observando a praça que ele tanto gosta.

Agradeço pelo drink, contudo, irei declinar. Me alimentei antes de chegar aqui.

Ele sentou-se na poltrona, completamente da poltrona que sentara instantes atrás no refúgio de Mikhailov. Ele analisou aquele sorriso simpático que a príncipe insinuava para ele e, se não fosse a história de ambos, ele seria convencido facilmente. Sem alterar suas feições, ele começa a falar:

De fato, creio que conflitos diplomáticos acontecerão, independente do que eu venha fazer em breve. O que me preocupa na verdade são os conflitos internos de nossa cidade. Tenho acompanhado os movimentos dos mortais e acredito num futuro promissor, para eles é claro. Já no nosso lado, creio que teremos muitos problemas. Existe uma tendência crescente entre os membros de minha família, tendência esta que estou totalmente inclinado a seguir. Além disso... Ele se levanta, aproxima-se da poltrona da príncipe e deixa no braço do assento o papel amassado que carregou a noite inteira, entregue por Antonov, vira-se e senta novamente.

Pelo visto, Mikhailov está fazendo algum tipo de tratado com um tal de Eric Baring-Gould. Já fui procurá-lo, para que ele intervisse no caso de Andreiev e sua recusa me fez crer, ainda mais, nesta aliança. Antes de deixá-lo, ele ainda me ameaçou, sutilmente, dizendo que todas as ações teriam consequências, caso a procurasse. Ele está ameaçando nosso território nacional. Pra mim, isso é claro.

Dmitri ainda observava o belo rosto da príncipe, quando finalmente propôs o que estava em sua mente.

Eu vou a Berlim, tentar resolver pacificamente a situação de Andreiev, se não for possível desta forma, tentarei de outra. Entretanto, tenho um pedido a fazer. Deponha imediatamente Mikhailov de seu posto de primógeno, coloque Antonov, que vem agindo ativamente em prol de meu clã. Estando eu em viagem e já com esta notícia em mãos, o colocaremos em xeque, já que não usufruirá de uma posição privilegiada junto a vossa alteza e ao conselho. Quando eu voltar, arcarei com as minhas consequências, sejam elas quais forem.

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Re: Moscou: A Grande.

em Qui Mar 29, 2018 2:41 pm
A face de Maria Ivanenko se transforma visivelmente diante das palavras de Dmitri. O cenho estava franzido e Dmitri seria capaz de jurar que uma pequena, mas intensa, fagulha de ódio se insinuava no olhar da monarca.

- Baring-Gould. Veja, Dmitri, não posso cobrar de meus súditos que se abstenham de negociar com os alemães. Mesmo eu tenho alguns investimentos em terras germânicas e os alemães foram bastante disponíveis em investir em nossa malha ferroviária algumas décadas atrás. Contudo...

A Príncipe deu um gole na taça de Vitae.

- Este homem, Eric Baring-Gould, que pertence ao teu Clã, é um indivíduo perigoso. Suas intenções são muito claras há pelo menos cinquenta anos, desde que os prussianos venceram os franceses. É o tipo de homem que acredita que tudo se resolve através da guerra, do conflito. Representa os piores aspectos dos Brujah: o fanatismo sem diálogo, a violência gratuita. Eu tenho trabalhado para manter uma certa estabilidade entre a nossa Corte e as Cortes europeias. Se o que você me diz é verdade - estendeu a mão em direção ao papel que Dmitri segurava - medidas deverão ser tomadas. Não permitirei que um cainita de Moscou negocie com um homem que preferiria ver o nosso Império reduzido à cinzas.

A Príncipe pega a carta. Não se concentra, contudo, para tentar ler as impressões contidas no documento. Ao invés disso, continua observando Dmitri.

- Contudo, não posso nomear Antonov como Primogênito Brujah em caso de afastamento de Mikhailov. Antonov é extremamente radical e radicalismos é a última coisa de que necessito neste momento delicado. Você, contudo, é velho o suficiente e de caráter moderado. Posso estar enganada sobre sua pessoa, mas me parece que você seria um Primogênito muito mais adequado a negociar com as facções de seu Clã do que Antonov.

Ivanenko estendeu a carta, lentamente, sobre o colo. Pousou a mão direita sobre o documento, mas não fechou os olhos. Olhou para Dmitri.

- O que me diz?
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Re: Moscou: A Grande.

em Qui Mar 29, 2018 4:52 pm
Dmitri mantém o cenho inalterado após a proposta de Maria e mantém-se em silêncio por alguns instantes. Ele analisa as possibilidades de tamanha decisão e pondera antes de responder definitivamente.

Engraçado, é a segunda pessoa hoje a me dizer que sou ponderado, ao invés de A ou B. Eu não sei ao certo se seria bem aceito, já que venho me mantendo afastado da política e da vida social da cidade, desde o incidente. Há uma pausa involuntária neste momento e um olhar longo e questionador. Além disso, o último fato que citei tem um certo peso. Você não confia em mim para dizer o que aconteceu naquela noite ou quem destruiu as nossas crianças. Sabes bem a marca que este fato deixou em mim. E uma terceira questão agrava a situação, pois, parece-me que ignorou o fato de que falei a pouco, sobre uma nova tendência que surge entre os mortais e a minha inclinação a ela.

Dmitri volta a se levantar e a andar, tamborilando os dedos em sua perna esquerda. Ele pensa sobre a situação de Berlim e o que pode fazer, para reverter tal situação. Decidido, ele senta novamente, apoia os cotovelos nas pernas, cruzas os dedos das mãos e apóia o quexo em seguida.

Eu vou a Berlim! O que me disse sobre este Eric me deixou ainda mais preocupado. Provavelmente Mikhailov pode entrar em contato com seu amiguinho e colocar a segurança,já prejudicada, de Andreiev em risco. Não podemos vacilar com este tipo de pessoa. Tente usar a sua rede, para ver se descobre algo. Quando eu voltar, eu assumo como primógeno.

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Re: Moscou: A Grande.

em Sex Mar 30, 2018 6:43 am
Maria Ivanenko não respondeu de imediato à fala de Dmitri. A Príncipe, por um instante, parecia incomodada. Levantou-se e caminhou até uma das janelas, através da qual observou a Praça Vermelha sob a neve. Quando girou-se em direção a Dmitri, o Brujah teve a impressão de ver lágrimas rubras começarem a surgir de sues olhos.

- Forjaram acusações contra minha segunda cria. A decisão do meu Clã foi de que ele seria indigno de partilhar do sangue dos nossos ancestrais. Nós nunca falamos sobre isso, é verdade. Mas nós nunca falamos sobre muitas coisas, Dmitri. É uma pena que exista um abismo entre meu Clã e o seu.

Maria se sentou novamente. Se movia na cadeira, como alguém que tenta falar algo mas, contida por amarras de algum tipo, não consegue.

- Hellen e Feodor eram... próximos. Haviam se conhecido nas reuniões de Elísio e uma tração muito mal disfarçada surgiu entre eles. A mim, não incomodava. Ao meu Clã, sim. Foi nesta época que surgiram as primeiras acusações, Feodor viajava constantemente ao exterior para avaliar acompanhar meus negócios. Foi quando retornou da Alemanha que as acusações se intensificaram. Uma parte do meu clã. conhecida como Ventrue Antoninos, desejava aumentar a influência alemã no Império Russo. Enfraquecer-me era uma condição essencial para isto. Assim como fortalecer Vasily, minha outra progênie.

As lágrimas carmesim escorregavam livremente pelo rosto da Ventrue.

- Hellen estava no local errado na hora errada. Foi uma consequência indevida da destruição de Feodor. E por isso, Dmitri, eu te peço perdão.

A Príncipe enxugou as lágrimas com as costas das mãos. Respirou fundo, como se precisasse, antes de continuar.

- A última coisa que eu gostaria era de dar demonstrações de fraquezas a você
- Sorriu - Em minha alma, o ódio contra os alemães e os Ventrue Antoninos é imenso, pulsante. Meu cérebro, porém, sabe que impedir investimentos alemães em nosso território é condenar o nosso povo à pobreza e ao atraso. Como vê, já há alguns anos me encontro em uma encruzilhada.

A Príncipe se levantou. Sua face mudou em questão de segundos. Não era a sofredora que Dmitri havia visto nos últimos minutos. Era, novamente, Maria Ivanenko, Príncipe de Moscou.

- Eu sei de suas inclinações. Elas não me preocupam. Sei que você é um homem dedicado ao bem dos mortais que nos circundam, Dmitri, e isso é um ponto em comum entre nós. Qual a razão de nunca termos colaborado? O que nos afastou todos estes anos? Podemos discutir, de maneira civilizada, os melhores caminhos para a Mãe Rússia? Eu não sei a resposta para estas questões. O que eu sei, porém, é que você embarcará para Berlim já como Primogênito Brujah.

Maria Ivanenko observava intensamente Dmitri enquanto esperava uma resposta.
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Re: Moscou: A Grande.

em Sex Mar 30, 2018 11:33 am
A verdade veio tão inesperada que a reação de Dmitri, inicialmente, foi o choque. Ele não conseguia mover um dedo sequer. Após o choque, a lembrança da dor, do ódio, da tristeza que sentira no dia da morte Helen, fez algo se mover dentro dele. Ele olha para Maria e seus olhos estão vermelhos e as veias de seu corpo, saltam sob a pele morta. A sala começa a desaparecer de sua frente. Involuntariamente, ele expõe suas presas e um grito gutural sai de sua alma..


Woooooooaaaaaaaahhhhhhhh

Dmitri chega ao limite, porém, no último instante consegue manter o controle e não sucumbe ao frenesi e a sua besta interior. Ele fica em silêncio. Pensativo. Com receio de entrar em frenesi e numa tentativa de acalmar-se, ele caminha até onde está o cálice com o vitae oferecido anteriormente, logo no começo da conversa. Ele bebe num só gole e, como ele imaginava, a sensação de prazer o mantém lúcido.

Eu... Eu aprecio a sua sinceridade em desnudar este fato que há décadas consome a minha alma... O que você chama de demonstração de fraqueza, chamo de demonstração de força e caráter, já que para nós é ainda mais difícil de nos expormos do que para os humanos. Confesso que não existe mais dor no meu peito e agora surge um ódio crescente, que só será aplacado quando esta organização e seus membros sejam completamente destruídos.

Ele parece hesitar um pouco, mas, continua. E se sua cria estiver no meio disso, eu também irei destruir. Esta é a sua chance de me deter. Não farei agora, contudo, certamente farei. Eu irei preparar minhas coisas, dar algumas instruções e pedir algumas recomendações. Deixe a carta preparada, passarei aqui para pegar.

Dmitri começa a sair, porém, se detém por um instante.

Existe um abismo entre nosso clã sim. E existe um motivo histórico para isso. De toda forma, o abismo entre nós dois, diminuiu um pouco. Não deixou de existir, mas, diminuiu.

Ele deixa a sala, caminha pela casa que ele já conhece e sai pela porta principal, de volta novamente para a noite fria, sob um céu cinzento, sob uma chuva de neve que insiste em cair...

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Re: Moscou: A Grande.

em Sex Mar 30, 2018 2:11 pm
Maria manteve-se calada diante das palavras de Dmitri. A Príncipe havia se recomposto, usando um lenço para conter as lágrimas. Durante a explosão do Brujah, porém, se manteve devidamente alerta, somente para relaxar à medida que Dmitri recuperava o controle. Quando o Brujah terminou de falar, mas antes de ele sair, adicionou:

- Sim, deixarei os documentos prontos. Você pode usar uma das minhas residências em Berlim. Na verdade, pertencia a Feodor. Não sei se será doloroso para você permanecer ali. Talvez existam lembranças de Hellen. Te deixarei as chaves e o endereço. Não estarei aqui quando retornar, mas um servo se encarregará de lhe entregar o necessário. Lhe desejo boa viagem. Preste atenção ao Príncipe Briedenstein. Não é um monarca fácil de lidar.


A noite fria abraça Dmitri, envolvendo-o em lembranças das noites em que caminhou com Hellen por aquelas ruas. Fazia algum tempo que ela havia sido destruída, mas este tipo de dor nunca passa. Havia, porém, se tornado fúria. Uma fúria que precisava ser aplacada.

Antes de chegar em casa, Dmitri passa pela Estação Central, constatando que em duas horas um trem deixaria a cidade rumo à Berlim. Fariam uma viagem até a fronteira do Império, onde o trem precisaria adaptar-se para adentrar a Europa Ocidental, o que permitiria ao canitia proteger-se do sol antes de seguir para Berlim.
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Re: Moscou: A Grande.

em Sex Mar 30, 2018 3:50 pm
A caminhada até a sua casa foi curta, a caminhada na noite fria não serviu para apaziguar no ódio que agora ele sentia. De certa forma, estava aliviado, a tristeza se transformara em algo que lhe deu uma nova motivação, algo que poderia servir de combustível para o resto de sua vida ou para o que restasse dela.

Dmitri organiza sua bagagem e segue novamente para a casa de Maria, mas antes, faz um desvio até a casa de Antonov. Ele acreditava que precisava ouvir algumas palavras, dizer outras e saber dos contatos que Antonov possui em Berlim. Ele precisava ser rápido, para dar tempo de pegar o trem...

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Re: Moscou: A Grande.

em Sex Mar 30, 2018 5:08 pm
A movimentação é rápida: Dmitri organiza em uma maleta uma parte de suas roupas. Separa algum dinheiro e coloca um sobretudo de viagem. Dispunha de pouco tempo para alcançar a estação, de forma que deslocou-se velozmente até a casa de Antonov. O local era um bairro proletário nos arredores de Moscou. Era escuro e não convidativo e não eram poucos os rumores de violência que provinham dali. A casa de Antonov era no início do distrito, uma pequena construção de dois andares, com poucas janelas e uma porta abaixo do nível do solo. As luzes apagadas, contudo, indicavam que o outro Brujah não estava em casa. Bateu à porta. Nenhuma resposta.

Refez todo o caminho até Kitay-Gorod. Nos portões da casa da Príncipe, um servo esperava. Era um homem baixo, de pele clara e entradas profundas no lado da cabeça. Nas mãos tinha uma pequena e elegante bolsa de coro. Dentro dela, Dmitri encontrou um molho de chaves e uma carta selada com a marca da Príncipe. Junto aos objetos, um bilhete:

"Caro Dmitri.

Na carta, autorizo você a negociar em meu nome e em nome de Moscou, na posição de Primogênito Brujah da cidade, com o Príncipe Briedenstein. Ele será forçado a ouvir e levar em consideração seu pedido. Lhe desejo boa sorte e torço pelo seu retorno.

Maria Ivanenko."

A estação não foi difícil de encontrar, já que o principado era no centro da cidade. Dmitri avistou imediatamente a grande máquina a espera-lo na plataforma. Fortunadamente haviam bilhetes sobrando e, como ele imaginava, a pausa na fronteira o permitiria de encontrar um lugar para descansar durante o dia. Não demorou muito e o trem partiu, se afastando de Moscou em direção ao Grande Império Alemão.
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Re: Moscou: A Grande.

em Qui Abr 05, 2018 6:45 am
Dmitri sempre ficou admirado com as invenções mortais. E a locomotiva é uma das maiores admirações. Acomodado em sua cabine, ele se organiza, pega alguns ensaios de Trotsky, sobre a revolta de 1905 e também sobre a organização dos trabalhadores através dos soviets. Manteve-se compenetrado nos estudos e, de vez em quando, parava para olhar a paisagem externa, que passava veloz por ele. Ao sentir a desaceleração do trem, ele guarda seus documentos, ajeita o sobretudo e segue para o desembarque. Estava chegando.

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Re: Moscou: A Grande.

em Qui Abr 05, 2018 7:22 am
O mundo passava velozmente diante dos olhos imortais de Dmitri. A paisagem típica da mãe Rússia - branca, calma e aparentemente imutável - lentamente dava lugar à paisagem do oeste. A estrada de ferro era a única coisa que perturbava o selvagem e frio Império Russo. Abrindo caminho para a locomotiva penetrar na Europa.

A viagem foi tranquila. Os documentos e textos eram densos, exigindo do Brujah atenção na sua leitura. As conclusões de Trotsky, tornadas públicas através da imprensa de sua pequena organização política, ainda eram minoritárias diante das disputas políticas que ocorriam no país. Muitos militantes preferiam as elucubrações dos Mencheviques de Martov ou mesmo aquelas de Lênin, grande dirigente Bolchevique, exilado pelo governo czarista.

O trem se deteve na fronteira com a Alemanha, para a troca de rodas que permitiria ao mesmo deslizar nos trilhos do oeste, apenas milímetros menores. A troca, contudo, exigiria várias horas e, acostumado com longas viagens de trem, não foi difícil para Dmitri encontrar um lugar onde passar o dia. Seu bilhete permitia utilizar um segundo trem para alcançar Berlim, o que faria na noite seguinte, chegando à capital Alemã pouco antes da meia noite. Os túmulos antigos de uma pequena igreja abandonada nos arredores da estação eram mais que suficientes para proteger-lhe dos raios de sol e pesados o bastante para impedir que mortais bisbilhoteiros encontrassem seu corpo adormecido. Protegido, mas não confortável, Dmitri se entregou aos braços do sono.

A noite seguinte chegou veloz. O Brujah se levantou e, ao chegar à estação, encontrou o trem que esperava os últimos passageiros. As últimas horas de viagem foram igualmente tranquilas e em pouco tempo Dmitri avistava as luzes de Berlim. Era uma cidade imensa, poluída e cheia de vida. Parecia desafiar o Brujah, ao erguer-se imponente diante dos seus olhos. No bilhete deixado por Maria Ivanenko constava também o endereço do Principado: o número 62 em TiergartenStrabe, uma das mais importantes avenidas de Berlim. O apito da locomotiva indicava o fim do caminho e Dmitri desceu na plataforma da estação, em meio a centenas de mortais apressados. A noite estava fria, mas parecia verão diante de Moscou. Carruagens e carros de aluguel esperavam eventuais passageiros, com os motoristas disputando as corridas.
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Re: Moscou: A Grande.

em Qui Abr 05, 2018 8:29 am
Berlim já não era a mesma, concluiu Dmitri. A densa cidade tomara lugar da cidadela que Dmitri conheceu no início de sua vida imortal. A estrutura física dos edifícios, as vias pavimentadas e a falta de neve lhe causou boa impressão, apesar do cheiro causado pela grande aglomeração de humanos. Sem pressa, caminhou por algumas quadras, apreciando a arquitetura, satisfeito com a evolução aparente da sociedade alemã. Imaginou, por alguns instantes, que por aquelas mesmas vias, caminharam Engels e Marx, hoje grandes inspirações para ele. Mortais de sabedoria elevada, como diria ele.

Após a caminhada, voltou até a estação e pegou um carro de aluguel. Em alemão, indicou o endereço da casa que usaria enquanto estivesse na cidade.

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Re: Moscou: A Grande.

em Qui Abr 05, 2018 2:34 pm
O condutor, um homem baixo com um grosso bigode e cara de poucos amigos, levou Dmitri velozmente através do tráfego confuso de Berlim. O número de carros era impressionante, e as máquinas disputavam o espaço com os pedestres e os cavalos. As ruas eram apinhadas de mortais pálidos e cabisbaixos e uma nuvem de fumaça escura ocultava a luz da lua e, provavelmente, também a do sol.

A casa era localizada em uma pequena viela que dava acesso a uma rua mais central. Era abaixo do nível do solo e estranhamente estreita. Ao abrir a porta, Dmitri notou que, ao contrário do que se poderia pensar, o local era limpo e bem arrumado, ainda que simples. Uma sala repleta de estantes com livros era o ambiente principal. No andar superior, um elegante quarto intocado. A cozinha era pequena e com poucos móveis, e uma escada dava acesso a uma grande porta de metal que Dmitri imaginou servir como adega mas também como refúgio. Estranhamente, o local não tinha banheiro.

A viela era pouco movimentada, mas Dmitri percebeu a movimentação de malfeitores, o que possibilitaria a Caçada. Era silencioso. Os volumes eram muito interessantes: o Brujah identificou de Tucídides a Santo Agostinho, de Stuart Mill a Marx. O local como um todo era interessante e acolhedor.
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Re: Moscou: A Grande.

em Sex Abr 06, 2018 10:59 am
Dmitri deu atenção suficiente a casa onde ficaria, não passando muito tempo. Aproveitaria ainda esta noite para ver o príncipe. Andou até o quarto, deixou seus parcos pertences sobre a cama e seguiu para a rua.

Ele decidira ir caminhando até o endereço dado por Maria. Preferiu caminhar nos becos escuros e pouco movimentados, andando despreocupadamente com as mãos nos bolsos. Atento é claro, a qualquer movimento.

Após vários minutos caminhando, finalmente chegou ao endereço. Ele estava excitado com a situação, pois, não sabia ao certo o que lhe esperava.

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Re: Moscou: A Grande.

em Sex Abr 06, 2018 11:58 am
A construção que abrigava o Príncipe era impressionante. Uma fachada única e longa abrigava inúmeras janelas, todas elas cobertas com o que pareciam ser pesadas cortinas escuras. O jardim era vasto, separado da rua por muros baixos. Não havia um portão, tampouco seguranças: duas estátuas na entrada guardavam a passagem. Colunas sustentavam um balcão no primeiro andar, que fazia as vezes de teto para sobre a porta principal, que também jazia aberta.

Dmitri entrou, sem maiores cerimônias. Um salão de recepção se desnudou diante de seus olhos. O local era decorado em tons de azul e prata, com detalhes nas colunas que sustentavam o teto e nas bordas superiores das paredes. O teto era pintado em motivos florais, e um grande brasão do Império Alemão repousava bem diante da porta, emoldurado em um quadro suspenso na parede. Havia poucos móveis: algumas poltronas, pequenas mesas com finos objetos decorativos e uma lareira apagada. Dmitri notou que um homem, alto, magro e bem vestido se aproximava. Apresentou-se como um servo do Príncipe e, diante da solicitação de audiência do Brujah, conduziu-o até uma sala menor anexa ao salão principal. Indicou uma pequena poltrona para que Dmitri se acomodasse.

O local era pequeno. Parecia uma sala de chá. Entre sua poltrona e a outra, vazia, repousava uma mesa de centro com belíssimos instrumentos para a preparação e consumo da bebida. Havia luz elétrica, e Dmitri pode divisar alguns livros em estantes antigas. O chão era coberto com um belo tapete, também em tons de azul e prata. Pela janela era possível ver o jardim e, mais além, o Tiergarten. Mortais passeavam tranquilamente, protegendo-se do frio e ignorantes ao que acontecia dentro da construção.

Quando a maçaneta girou e Dmitri voltou-se para observar quem entrava, deu de cara com um homem alto e corpulento. Os ombros eram largos e os músculos eram visíveis sob o terno azul escuro perfeitamente cortado. Os cabelos eram escuros e bem arrumados, penteados para trás. Os olhos eram verdes e levemente fantasmagóricos, enquanto o resto da face era quadrada e masculina, com um queixo furado e um nariz proporcional.

O homem olhou para Dmitri por alguns segundos. Fechou a porta atrás de si e procedeu, sem dizer uma palavra, para sentar-se diante do Brujah. Só então proferiu as primeiras palavras. Quando abriu a boca, as palavras saíram em um alemão claro, do norte do país. Havia um peso em sua presença, nada irresistível, mas que gerava um desconforto, similar àquele de estar em presença de uma autoridade.

- Bem vindo, meu caro. Sou Gustav Briedenstein, Príncipe de Berlim. A que devo a visita?
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Re: Moscou: A Grande.

em Sex Abr 06, 2018 12:53 pm
A bela construção causou uma grande impressão em Dmitri. Quanto mais adentrava, mais admirado ficava. Cada detalhe observado o levou a conclusão de que o idealizador daquele lugar era um indivíduo organizado, metódico e de gosto refinado. A colocação azulada indicava claramente, ao menos para ele, a família do príncipe, apesar de já chegar sabendo.

Ele sentou-se na poltrona e teve um pensamento inusitado, nestes últimos dias tem sentado em diversas e variadas poltronas. Riu de seu pensamento tolo. Seu sorriso foi desaparecendo a medida que o homem começou a entrar na sala. Por alguns instantes ficou tenso, já que há dezenas de anos não faz algo tão simples que é se apresentar para uma autoridade. Assim que o homem senta e se identifica ele assume uma postura ereta. O peso da presença do outro é sentida, contudo, ele disfarça com seu jeito polido ao se apresentar, falando um alemão recém aprendido, um tanto que carregado de sotaque.

Saudações Príncipe Gustav, me chamo Dmitri Bogdanov e venho de Moscou. Estou em sua presença por dois motivos. O primeiro para pedir a sua autorização, para que eu fique em sua cidade por alguns dias, talvez duas ou três semanas. Ele fez uma pausa, analisando as feições daquele almofadinha, como ele costumava pensar. E em segundo, na qualidade de primógeno de meu clã, venho tratar da situação de um membro que está sob vossa custódia.

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Re: Moscou: A Grande.

em Sab Abr 07, 2018 6:41 am
Briedenstein olhou atentamente para Dmitri. O olhar do Príncipe carregava um misto de curiosidade e julgamento. Ouviu a apresentação de Dmitri antes de falar.

- Engraçado. Então Maria Ivanenko fez modificações em seu Conselho de Primogenitura depois de tantas décadas? Estas são, certamente, noites interessantes...

O Príncipe se recostou na poltrona, em uma posição bastante relaxada. Cruzou as pernas e os braços, enquanto observava Dmitri.

- Gostaria de ser informado sobre as razões para permanecer em Berlim dada a transitoriedade do assunto que veio tratar comigo. Se queres discutir a situação do membro do seu Clã podemos fazê-lo em algumas horas. A que três semanas em meu território lhe servirão?

Dmitri sentiu a forte presença de Briedenstein se amenizar. Talvez, como acontece com os vampiros mais velhos, os Dons das Trevas se faziam sentir involuntariamente. Briedenstein não falava de forma arrogante ou autoritária, mas tampouco era simpático. Dmitri percebia um tom neutro, como o de um juiz.

-Quanto a Andreiev, permita-me dizer que seu conterrâneo está sob custódia após ter sido identificado como um espião russo em terras alemãs. Um dos membros da nossa corte, o senhor Eric Gould denunciou sua presença em meu território. Andreiev era, e é, um clandestino, senhor Bogdanov, e em Berlim nós temos pouco apreço por cainitas que permanecem aqui sem minha expressa autorização. Nossas leis são rígidas e eficientes, e a cidade tem se mantido em paz por séculos graças a elas. Qualquer elemento que possa perturbar essa estrutura é uma perturbação. No entanto, em consideração ao seu cargo e à Príncipe Ivanenko, estou disposto a escutar suas considerações.
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Re: Moscou: A Grande.

em Sab Abr 07, 2018 1:16 pm
Dmitri encara-o em silêncio, por vários instantes, procurando a melhor resposta a dar para Gustav.

Tens plena razão em manter a ordem e a paz em vossa cidade, majestade. Dmitri mantinha um comportamento polido e uma voz neutra, de acordo com a necessidade do momento. Contudo, creio que haja um equivoco. Andreiev não estava espionando a sua cidade, nada disso. O problema é bem maior que isso e pode gerar consequências desagradáveis, para ambos os lados. Não é a toa que houveram mudanças na corte de Moscou, que por sinal, recebi com certa surpresa o seu conhecimento sobre nós.Voltando a Andreiev, gostaria que reconsiderasse a sua decisão e que o extraditasse de volta a Moscou, incólume, e que o proibisse a entrar em seu território por determinado período, ou enquanto for príncipe desta cidade, em caso desobediência, destruição sumária. Além disso, a acusação de espionagem é grave, quem foi que disse e que provas tem sobre isso? Dmitri ajeita-se na poltrona, dando claramente um tempo para o príncipe pensar.

Sobre meus assuntos, é algo bem simples. Estou a procurar homens especialistas em suas profissões, para desenvolver melhor a indústria de Moscou. Ah, é uma empreitada que começa aqui e termina em Londres. Como bem sabe, a indústria em Moscou é jovem e precisa de mão de obra especializada.

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Re: Moscou: A Grande.

em Dom Abr 08, 2018 7:29 am
Gustav Briedenstein ouviu em silêncio as palavras de Dmitri. Encarou o Brujah por um longo tempo, suspirou e, posteriormente, respondeu.

- A acusação de espionagem parte de um de nossos Membros mais importantes, Eric Baring-Gould. Este Brujah, assim como você, foi continuamente seguido pelos enviados de Moscou. Sua correspondência foi devassada, segundo ele, e documentos pessoais foram encontrados com Andreiev. Daí nasce o motivo para que ele esteja em custódia.

O Príncipe se levantou. Seus movimentos pareciam metódicos e calculados enquanto ele caminhava pela sala.

- Contudo, ao contrário do que meus inimigos anunciam, não sou um déspota. Estou disposto a permitir a extradição de Andreiev. Contudo, o Senhor deverá negociá-la diretamente com Eric Gould. Se o acordo lhe agrada, será feito. Se não, não poderei ferir os interesses de um súdito em nome de uma corte estrangeira.

Gustav olhou pela janela. A neve começara a cair, em flocos pesados, sobre Berlim.

- Me encarregarei de convidá-lo a debater com o Senhor. O encontro será feito aqui, em minha casa, e eu não tolerarei violência ou falta de modos. Quanto à permanência em Berlim, eu a concedo. Seja breve em sua pesquisa, porém. As animosidades contra estrangeiros dentro do Império vem crescendo velozmente, e eu não me responsabilizo pelo seu bem-estar. Temos um acordo, Herr Bogdanov?
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Re: Moscou: A Grande.

em Dom Abr 08, 2018 12:20 pm
Foi a vez de Dmitri ouvir atenciosamente as palavras de Gustav. A cada palavra proferida, seu semblante se agravava numa expressão de interesse e curiosidade. Ele ficou desconfortável ao estar sentado e a figura de Gustav de pé. Novamente se ajeitou na poltrona e ficou atento a todo o ambiente, enquanto o príncipe andava.

Ao findar das palavras de Gustav, Dmitri se levanta para ficar no mesmo patamar de seu anfitrião. O olhar de Dmitri mantinha a serenidade, contudo, a sua voz possuía uma emoção contida, algo entre o ódio e o desprezo.

Não conheço este tal Eric, contudo, segundo as suas palavras, a única coisa que o fez decidir manter Andreiev aqui foi a palavra dele. Imagino que, pela consideração, deve ser um membro importante. Dmitri coloca as mãos nos bolsos, para evitar gesticular e fazer movimentos bruscos, talvez, não fosse bem interpretado. Interessante. Entretanto caro príncipe, me parece que este seja um problema de família, se é que me entende. A questão a ser considerada é que Eric está em casa e tem o poder, ao menos aqui em Berlim, de influenciar e fazer valer a sua palavra. Estarei disposto a ouvi-lo, o quanto antes, desejo realmente terminar com esta questão até, no máximo, na próxima noite.

Dmitri abandona as feições graves e diz sorrindo: O tal Eric vem hoje mesmo? Posso aguardar aqui mesmo, caso contrário, posso dar o endereço de minha morada provisória... Ah, e só pra informar, acho que se confundiu caro príncipe, meu nome é Dmitri Bogdanov e não Herr Bogdanov.

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Re: Moscou: A Grande.

em Seg Abr 09, 2018 4:54 am
O Príncipe sorriu diante das últimas palavras de Dmitri.

- Sim, Herr Baring-Gould é um cainita proeminente em meu território. Suas ações sempre estiveram em consonância com a segurança e estabilidade da Corte, o que me faz não ter nenhuma razão para desacreditar de suas palavras. Adicionalmente, o comportamento de seu conterrâneo Andreiev deixa claro que ele tem uma dificuldade de submeter-se à autoridade, comportamento que não tolero em Berlim. No entanto, como disse, estou disposto a possibilitar uma saída negociada para o problema.

O Príncipe se aproximou de sua mesa de trabalho e começou a escrever algo em uma pequena folha de papel.

- Darei ordem para que Baring-Gould compareça imediatamente à Corte. Não posso garantir que ele estará aqui ainda esta noite. Insisto, porém, que a reunião seja realizada aqui, sob meus auspícios, como uma forma de evitar confrontos desnecessários. Você está livre para ir ou esperar, conforme deseje. Permitirei que você encontre Andreiev, se assim o desejar.

O Príncipe finalizou antes de passar a palavra a Dmitri.

- E "Herr" é uma forma de tratamento civilizada, aqui em Alemanha. Se te incomoda, posso chamá-lo pelo seu primeiro nome. Tal tipo de intimidade, contudo, não deve ser tomada no sentido inverso.
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Re: Moscou: A Grande.

em Seg Abr 09, 2018 7:54 am
Dmitri encerrou o sorriso que estava estampado em seu rosto.

Eu sei bem majestade que é uma forma respeitosa de tratar o outro, foi apenas um gracejo, uma piada . De qualquer forma, Herr Gustav, Onde está Andreiev? Pretendo conversar com ele, enquanto aguardo Herr Gould.

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Re: Moscou: A Grande.

em Seg Abr 09, 2018 8:34 am
O Príncipe de Berlim se levantou, indicando com a mão direita que Dmitri o seguisse. Deixaram a pequena sala e retornaram ao salão de recepção. De lá acessaram uma pequena escada escondida em um corredor. A subida os levou a uma outra passagem repleta de portas. O local tinha uma decoração simples, mas de extremo bom gosto, com poucas mesas dispostas no corredor e, em cima delas, vasos antigos e estatuetas de origem aparentemente pré-romanas.

O Príncipe parou diante de uma porta dupla, azul escura, como a maior parte da decoração do local. Ao lado da entrada, um grande retrato dominava a parede: era um homem alto, com longos cabelos louros e brilhantes, que caiam em tranças grossas pelo tórax. Os olhos eram profundamente azuis. Estava de pé, em meio a uma floresta, e portava uma armadura de couro batido. Na mão esquerda, uma grande espada. O rosto era cruel e magnânimo ao mesmo tempo, olhando para o observador com um inegável ar de autoridade. Abaixo, em uma placa prateada, o possível nome do indivíduo: E. Eigermann.

O Príncipe abriu a porta e Dmitri notou que o local era um quarto confortável e iluminado por luz elétrica. Não haviam janelas. As paredes eram claras, contornando uma cama grande, uma mesa de estudos e uma estante com alguns livros. Numa das poltronas o Brujah identificou Nikolai Andreiev, seu companheiro de Clã. Era um homem baixo, com ar de intelectual, quase desajeitado. Usava os óculos dependurados acima do nariz e os olhos escuros passeavam por um livro de capa escura, sem título. Alçou a visão quando a porta foi aberta, e cumprimentou Dmitri com um aceno de cabeça.

- Os deixarei a sós
- Disse o Príncipe antes de deixar o quarto de fechar a porta.
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Re: Moscou: A Grande.

em Seg Abr 09, 2018 10:42 am
Dmitri, em silêncio, acompanhou Gustav até o local onde Andreiev estava. Deteve-se em frente a imagem do homem loiro. Anotou mentalmente o nome daquele indivíduo, que estava poderosamente retratado naquele quadro e seguiu novamente, até chegar ao local de confinamento de Andreiev.

Dmitri mantém-se em pé na entrada do cômodo, enquanto ouve os passos de Gustav se afastando lentamente do recinto. Ele então adentra o cômodo, fazendo um gesto com o dedo indicador sobre os lábios, indicando que o outro fizesse silêncio.



Me parece que você não foi instruído o suficiente pelo seu senhor, Andreiev. Estamos com um grave problema diplomático em mãos. Gustav é a autoridade e seu súdito, Eric, não pretende facilitar para você. Ele fecha a porta rapidamente e se aproxima de Andreiev. Senta-se ao seu lado, pega o livro da mão do preso e continua. Observe. Fez uma pausa, como se estivesse pensando no que falar, mas, na verdade, apontou para as letras no livro, em sequência, formando palavras e por fim frases, enquanto mantenha-se falando...A corte de Moscou está numa posição delicada, graças a sua atitude. Sei que é inocente da acusação de espionagem, mas, preciso entender o que estava fazendo na cidade e porque não se apresentou, se as instruções eram claras. Se apresentar ao principado, localizar a mão de obra especializada, contratar os homens e levá-los a Moscou. Com os gestos sobre o livro ele perguntou de fato: O que mais você descobriu e quão grave é a sua situação?

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Re: Moscou: A Grande.

em Seg Abr 09, 2018 10:52 am
Andreiev suspirou forçadamente. Seus olhos correram pela sala e se fixaram na porta, para depois voltá-los a Dmitri. Tomou o livro em mãos e começou a expressar-se.

Era um homem aparentemente interessante. Dmitri notou, enquanto Andreiev falava sobre mão de obra, indústria e crescimento econômico, que o prisioneiro retirava do bolso uma caneta bastante elegante. "Vou explicar-te com o uso de um mapa, Dmitri. Preste atenção." E pôs-se a rabiscar numa das páginas em branco, ao final do livro.

"Conspiração. Existe uma organização. Base aqui. Cainitas planejam uma supressão das Cortes nacionais. Submissão incondicional, inclusive da Camarilla. Uma das mentes por trás está em Berlim. Em contato direto com Eric Gould."

- Portanto, Dmitri, sei que foi um erro não apresentar-me ao Príncipe. As relações entre nossos Impérios não é das melhores, somos aliados dos franceses. Contudo, estou disposto a escusar-me pela minha falta de entendimento, se é isto que Briedenstein deseja. Estou feliz que estejas aqui. A situação não é nada simples.
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Re: Moscou: A Grande.

em Seg Abr 09, 2018 11:30 am
Tentarei a todo custo, resolver isso com o príncipe. Maria, nossa respeitada majestade, deu-me plenos poderes para negociar a sua situação. Dmitri pega o papel e a caneta enquanto fala e escreve: graças a sua carta, Mikhailov foi deposto de sua posição de primógeno. Primeiro por sua negativa em vir te ajudar, segundo por conspirar contra a corte moscovita e em terceiro, por colocar a sua existência em risco.

Dmitri larga a caneta e senta-se numa cadeira próxima a porta. Caso não seja possível convencê-los, esteja preparado. Sairemos de qualquer maneira. Custe o que custar.

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