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Re: Paris: A Mãe de Todas as Cidades.

em Ter Mar 27, 2018 11:36 am
*...Que presa diferente! Tão focado no seu prédio, na sua arma, e em suas dúvidas que não consegue perceber nada à sua volta. Seria a coisa mais fácil do mundo simplesmente abatê-lo, e as pessoas ao entorno da Floresta de Meudon precisam saber que a região agora possuía um dono, porém... Porém seria inadequado da parte dele, como hóspede, entregar um cadáver na porta de Villon logo na sua primeira noite.*

*Se concentrando nas sombras ao seu redor, Rajmund retorna à forma humana encoberto por sua Presença Invisível. Em seguida, ele se aproxima silenciosamente do homem, e sussurra ao seu ouvido:*


-Hoje non.

*Antes que o homem vire, o Gangrel o nocauteia com um golpe violento na nuca. Pegando o revólver do chão com uma mão e sua vítima na outra, ele anda para as sombras da floresta, onde pode se alimentar em paz. A sensação é exultante, por acima de tudo, ser uma relação de força. Rajmund havia caçado, até brincado com sua presa, e ela não teve a menor chance de se defender. Ele se alimenta somente o necessário para se saciar, e em seguida deixa o indivíduo desacordado, mas vivo no chão. O que quer que ele estivesse planejando para esta noite, teria que repensar.*

*De volta à Rue des Acacias, ele observa pela primeira vez seu novo refúgio, e o que o viu lhe agradou pela praticidade do lugar. Com a iminência do nascer do sol, Rajmund segue para o porão, e para o reconfortante cheiro de terra. Antes de adormecer no chão duro, ele observa o revólver que havia pego de sua vítima. Sabia que nos últimos cinquenta anos as armas agora disparavam tiros em sequência, bem diferentes dos mosquetes de seu tempo como soldado, mas era a primeira vez que via um de perto. Ele observa os mecanismos e funcionamentos da arma até adormecer com ela no colo.*

*O dia, porém, é um novo inferno. A criatura de três cabeças segue assombrando sua mente em seus sonhos como o havia feito na noite anterior. O Gangrel acorda de péssimo humor, e é com a mesma sensação que vê a carruagem à sua porta. Sem nenhuma palavra, ele deixa a casa e vai em direção ao seu transporte. Caso alguém lhe abra a porta, Rajmund entra sem mais delongas. Se ninguém se manifestar, ele abre a porta por si só e lá adentra.*
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Re: Paris: A Mãe de Todas as Cidades.

em Qua Mar 28, 2018 9:25 am
O mau humor de Rajmund lhe impede de notar, fino ao último minuto, que um homem desce da carruagem enquanto ele se aproxima. O homem abre a porta do veículo em silêncio, mas Rajmund nota as profundas olheiras, como as de alguém que passou a noite em claro. O homem é magro e alto, com cabelos escuros. Eventualmente, o estalo. Era a sua presa da noite anterior.

O individuo cumprimenta Rajmund com um "bom dia". Não olha para o Gangrel, parecendo não reconhece-lo. A carruagem começa a mover-se, com as pesadas rodas de madeira estalando pelas ruas de Paris. O interior é confortável, mas simples, com bancos de veludo azul e forro escuro. As janelas são cobertas com cortinas leves.

O senso de tempo de Rajmund o informava que estavam em movimento já há uma hora e meia quando finalmente a carruagem para. Pela janela, é possível ver uma pequena comitiva, composta de três carros, parados diante de uma casa de campo. O lugar deveria ser belíssimo durante o dia. Plantações se estendiam atrás da construção, uma casa vitoriana de dois andares, com longas varadas em ambos os andares. Não haviam muros ou portões, mas o jardim parecia absurdamente, quase obsessivamente, bem cuidado. O cocheiro-presa abriu a porta da carruagem, indicando com a mão direita que Rajmund deveria sair. Ao mesmo tempo, deixando a varanda da casa, se aproximava um homem.

Era alto e de ombros largos. Rajmund identifica, instintivamente, o porte de um guerreiro. O homem se move com graça mas, ao mesmo tempo, com autoridade. Veste um terno azul marinho bem alinhado e botas de viagem. Os cabelos são escuros, bem arrumados e penteados para trás, coroando um rosto magro e ossudo. É relativamente bronzeado, como se o sol tivesse sido seu companheiro durante os dias de mortal. Os olhos são azuis e brilhantes, conferindo um ar etéreo a alguém que parece extremamente físico. Ele alcança Rajmund e estende a mão direita. Fala um francês lento, como se não fosse proficiente - ou não gostasse - da língua.

- Saudações, Rajmund Samiec. Me chamo Marcus Labianus e sou o Primogênito Ventrue de Paris. É um prazer conhece-lo.
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Re: Paris: A Mãe de Todas as Cidades.

em Qua Mar 28, 2018 11:36 am
*Rajmund passa boa parte da viagem em contemplação. O que poderia o cocheiro querer naquela casa na última noite? E por qual artimanha do destino ele estava lhe servindo hoje? A jornada, por mais longa que seja, é gasta com essas contemplações, além dos sonhos perturbadores que teve ao longo do dia.*

*O destino, porém, consegue tirar o Gangrel de suas reflexões. Labianus, e sua mansão, fizeram Rajmund se lembrar de um conto de fadas; histórias onde a nobreza era composta por guerreiros de fato, ao invés de aristocratas gordos e indolentes. Uma surpresa positiva, e que talvez facilitasse trabalhar ao lado do Ventrue.*

*Rajmund aperta a mão estendida, e responde em seu francês claudicante.*


-Um prrazer, panie Labianus. Está... empolgado parra passar tempo em solo de alemons?
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Re: Paris: A Mãe de Todas as Cidades.

em Qua Mar 28, 2018 12:26 pm
A resposta de Labianus vem na forma de uma gargalhada. O Ventrue olha para o Gangrel, aparentemente analisando sua aparência. Rajmund não deixa de notar que o olhar do Primógeno era o olhar de alguém que analisa o outro em base a um critério muito claro: a capacidade marcial.

- Hahahaha! Definitivamente sim, Monsieur Samiec.

O Ventrue indica ao Gangrel um dos carros, um modelo luxuoso e de fabricação recente. Além do motorista, um homem sisudo e de meia idade, somente os dois vampiros ocupam o veículo. Ambos na parte de trás.

- Fiquei realmente interessado em conhece-lo depois que o Príncipe me informou sobre sua presença, Monsieur Samiec. Villon me forneceu também alguns detalhes interessantes da sua história pessoal. Não pude deixar de sentir uma certa admiração em relação a alguém que enfrentou os poderosos - porém odiosos - Usurpadores no Leste da Europa.

Labianus havia mencionado o termo usurpadores com uma certa ênfase, deixando transparecer uma parte de suas opiniões pessoais. O carro se pôs em movimento, e os faróis acesos iluminavam parte da estrada de barro que os conduziria até a autoestrada.

- Seguiremos de trem até Estrasburgo. A reunião deverá ser breve, ainda que relativamente tensa. Minha função é oferecer aos alemães a possibilidade de investir na Algéria, desencorajando-os a intervir ainda mais na economia nacional dentro das fronteiras do país. É óbvio que eles recusarão. É exatamente nisso que residirá a eventual tensão desta reunião.

Labianus parecia um homem calmo. Não gesticulava e pouco se movia durante o diálogo. Lembrava uma estátua. Os olhos, contudo, emitiam uma visível e intensa fagulha de vida. A mão direita, Rajmund notou, parecia tensa e preparada, como a de um guerreiro que espera um combate.

- Adicionalmente, é relevante saber que esses são parte dos chamados "Ventrue Antoninos". Traçam sua ascendência até Antiorix, que os romanos conheceram como Antonius, O Galo, um déspota galês que durante séculos governou Constantinopla, submetendo os povos vizinhos a um domínio bastante... estreito. Apesar de sermos do mesmo Clã, as inclinações dos Antoninos não me agradam. São Membros com fortes delírios imperiais e uma inesgotável ânsia expansionista.

- Caso não cheguemos a um acordo, as tensões entre França e Império Alemão atingirão níveis alarmantes, obviamente influenciando os governos mortais de ambas as nações. É imperativo, portanto, que um acordo seja realizado. Estou disposto a responder eventuais dúvidas suas. Ah, e me diga se o francês é pra você uma língua excessivamente pomposa, como é para mim. Podemos prosseguir a conversa em um outro idioma, se acharmos algum em comum.
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Re: Paris: A Mãe de Todas as Cidades.

em Qua Mar 28, 2018 1:21 pm
*A partir do momento em que entra no carro, Rajmund fica imediatamente tensionado e não relaxa em momento algum da jornada. A experiência, além de inédita, é um atestado sobre a ascensão do poder mortal, razão de sério desconforto para o Gangrel.*

*Apesar disso, seu companheiro se esforçava para ser agradável. Não sabia sobre as divisões internas do Clã Ventrue, mas também não se surpreendia muito. Poder, invariavelmente resultava em conflito, e o Clã Ventrue vivia, na falta de palavra melhor, para o poder.*

*Rajmund demora um pouco para se acostumar com o chacoalhar e os ruídos do automóvel, mas enfim se encontra confortável o suficiente para falar, ainda que sem jamais deixar de se segurar em qualquer apoio disponível com toda sua força.*


-Boa histórria, nie? Sangue, drrama e vingonça, e no final todos quase vivem felizes parra semprre. No futurro, pode virrar grrande conto do Clã, ou grrande trragédia, cedo parra disser ainda. *O desprezo nos lábios de Labianus ao falar dos detestáveis Tremere não lhe passa despercebido* Mas sei de uma coisa agorra: Todo Gangrrel é viajonte, mas non imporrta o quonto viaje, nunca encontrarrá alguém que goste dos Trremere, nie? *Ele solta uma risada abafada, quase como um latido.* Se nós fazerr o que fez em Debrrecen com qualquer outrro Clã, verria o sol nascer no dia seguinte.

-Ventrrue que vêm da Turquia? Quando eu erra crriança, minha babunia dizia que turcos pegavam crrianças que non se comportavam de noite. Engrraçado, nie? Agorra quem pega os outrros na noite somos nós. Mas non sei uma coisa. Panie Villon falar sobrre colônias, e focê tombém. Os alemons non podem ir parra o Áfrrica por conta prróprria?

*Ele se reclina no assento, embora sem soltar o ponto de apoio. A pergunta de Labianus sobre o francês lhe deixa curiosamente nostálgico.*

-Frrancês é más que pomposo, é... difícil. Até dois noites atrrás, non falava frrancês há cem anos. Quando no exército, tenente erra prrofessor antes do guerra. Dizia frranceses lutarriam por Polônia livrre, entón soldados aliados tinham que se comportar como ci-to-ians, aprrender a ler e falar frrancês. Aprrendi, mas falo outrras línguas melhor. Alemon, rusko...
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Re: Paris: A Mãe de Todas as Cidades.

em Qua Mar 28, 2018 4:25 pm
- Interessante. Também fui um soldado em uma outra vida.

Rajmund percebeu que os olhos de Labianus se tornaram distantes por uma fração de segundo. O Ventrue riu e em seguida respondeu o Gangrel, em alemão.

- De fato, os Tremere são o que são. Em Paris tivemos graves problemas há alguns anos atrás, resultando em uma quase proibição de Tremere na cidade. E não, os alemães não podem adentrar e investir em nossas colônias. Além disso, as poucas colônias de que dispõem não oferecem retorno o suficiente. Por isso essa necessidade de se expandir, de conquistar. Eu amei a guerra quando era vivo, mas as guerras de hoje me assustam um pouco.


O carro seguia enquanto a conversa continuava. Chacoalhava menos na estrada pavimentada, o que tornava a viagem menos desconfortável. As luzes diminuíram de intensidade no caminho e a lua se desenhava, minguante, desafiando algumas nuvens que insistiam em cobri-la.

- Estes Ventrue não vem da Turquia. Nossos ancestrais foram muito hábeis na geração de progênies. Suas linhagens floresceram, e hoje alguns Ventrue reivindicam o nome de sues ancestrais para identificar-se com sua visão de mundo. São Alexandrinos, Antoninos, Mitraicos...

O automóvel havia entrado em uma pequena localidade rural. Ali, as maravilhas da civilização já haviam chegado. Rajmund viu, de longe, uma pequena e elegante estação. O trem ainda não havia chegado, mas algumas pessoas esperavam ansiosas. O comboio de automóveis parou, diante do edifício. As portas foram abertas e os dois vampiros desceram no momento exato em que o apito do trem quebrava o silêncio da noite.

O monstro metálico devorador de florestas fez uma entrada imponente na cidade, espalhando fumaça e cinzas por todos os lados. Quando parou, as pessoas se apressaram em subir, e os homens de Labianus embarcaram as poucas bagagens enquanto os dois cainitas subiam a bordo. Os corredores apinhados de gente portam a um camarote mais vazio em um setor exclusivo do trem. O local era pequeno, mas aconchegante e privado. Sentando-se em um dos assentos avermelhados, Labianus continuou antes que partissem.

- Mas me diga, Rajmund Samiec. Em quais guerras lutou?
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Re: Paris: A Mãe de Todas as Cidades.

em Qua Mar 28, 2018 5:09 pm
*Rajmund ia acenando com a cabeça conforme Labianus falava. Quando começa a falar em alemão, nota-se que ele tem um domínio melhor da língua, embora ainda não seja perfeito.*

-Linhagens Ventrue? Estranho como imitamos os humanos depois de tanto tempo, não é? Ou o contrário? Sabemos quem imita quem?.

*Quando o Primogênito pergunta sobre as guerras, o Gangrel solta um suspiro. Algo parecido como o sopro de um fole, muito mais um gesto mecânico do que a pura soltura de ar.*

-O suficiente. Menos que você, imagino, mas o suficiente. Quando era mortal, lutei pelo exército da Polônia. Primeiro, contra o desmembramento feito pelos russos, prussianos e Habsburgos, depois com as Legiões Polonesas do Ducado Livre de Varsóvia, nas guerras de Napoleão. Lutei no Reno, contra os estados alemães, e depois estive na campanha de inverno da Rússia. Não sei como se lembram disso hoje, mas foi uma mistura de glória, tragédia e desastre. Desastre ogromny. Foi quando fui Abraçado, wiesz? Antes de entrar para o Exército eu era kłusownik, caçador ilegal. Caçar cervos com um olho, e homens do władca com outro. Isso me fez ficar vivo, na guerra; era sargento, e deixei o pelotão vivo e alimentado na Retirada de Inverno. Acho que foi isso que chamou a atenção do meu Senhor. O maior exército do mundo congelado e voltando para casa chutado como cachorros e eu de barriga cheia, pelo menos o quanto dava pra ter barriga cheia naquele inverno do Diabo.

*Ele começa a remexer nas suíças, conforme as memórias vão voltando.*

-Depois a guerra mudou. Vyacheslav, meu senhor, disse que a guerra era outra, e você deve saber bem que a Europa Oriental sempre tem uma nova briga. Nos meus primeiros anos, matava todo soldado que via e não fosse francês ou polonês; acho que pensava que podia me vingar do meu país que foi destruído, wiesz? Mas aprendi logo que isso não era luta para um homem só, e comecei a lutar contra os outros da noite. Outros do meu Clã, como cães raivosos do Sabá, os Demônios, criaturas pavorosas. Lutei contra um Lupino também; saí vivo, e chamo isso de vitória. E finalmente, lutei com as Presas de Arnulf, primeira vez que luto em grupo desde a guerra, quando aconteceu o que aconteceu em Dubrecen, mas essa é uma história que você já conhece.

*A imagem do trem era ao mesmo tempo assustadora e imponente. Rajmund observa a fera de aço de perto enquanto continua.*

-Patrzeć essa criatura de aço e fumaça? Você tem razão em não se interessar mais por guerra. Você é mais velho, deve ter visto guerras diferentes, mais puras. Guerras decididas por força, não por máquinas. Consegue imaginar uma guerra com isso? A guerra não é mais espadas e machados, nem baionetas, lanças e mosquetes. Guerra hoje seria máquina para moer homens. Talvez mais homens do que qualquer um de nós conseguiria.
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Re: Paris: A Mãe de Todas as Cidades.

em Qui Mar 29, 2018 9:21 am
- São sábias palavras, Herr Samiec.

Labianus ouviu o relato de Rajmund atentamente. Os dois vampiros ocupavam o mesmo camarote e o trem já estava em movimento, metal deslizando sobre metal, em uma velocidade estonteante. Segundo haviam sido informados, a viagem duraria um total de seis horas.

- Como eu disse, também eu fui um guerreiro. Estive ao lado de Júlio César na conquista da Gália. Dediquei minha vida mortal a um projeto que, ao final, foi destruído pela inveja e ambições das outras famílias. Aquilo me golpeou tão profundamente, a queda de Roma, que optei por entregar-me ao Sono. Quando acordei, o mundo era brutalmente diverso. Não entendia muita coisa. Levei meses até entender o funcionamento de um simples mosquete. Em duzentos e poucos anos, a humanidade efetuou passos gigantescos em relação à capacidade de matar.

Labianus parecia genuinamente preocupado, quase amedrontado quando discutia a possibilidade de uma guerra.

- Tive de aprender, também, coisa significava a Camarilla. Descobri o papel fundamental do meu Clã, na figura de um certo Hardestadt, na criação desta seita. Confesso que atuar dentro dela nunca me incomodou muito, até agora. Nossos Príncipes não dialogam entre si, preferindo empurrar o continente a um enfrentamento capaz de destruir a nossa civilização, não só a dos mortais. Já experimentou imaginar as coisas que poderiam surgir dos escombros da Europa, da Camarilla, Herr Samiec?

Olhou nos olhos do Gangrel.

- Tenha em mente estes elementos durante as nossas negociações. Existem planos, Herr Samiec. Planos que, se concretizados, nos colocarão em uma situação completamente nova, mas não necessariamente melhor.
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Re: Paris: A Mãe de Todas as Cidades.

em Qui Mar 29, 2018 8:43 pm
*Rajmund de pronto havia gostado de Labianus. Ao invés da arrogância e presunção de seus pares, possuía orgulho e graça, e além disso, era obviamente um guerreiro capaz. Mas ao escutar a sua história, o Gangrel percebe que ambos têm mais em comum do que imaginava; ambos se sentiam como relíquias neste mundo moderno: Labianus, graças aos seus milênios de existência, Rajmund, às suas origens humildes em um local isolado dos grandes centros da Europa. Se o Ventrue havia se adaptado, talvez ele também devesse, afinal, a natureza era inclemente com os incapazes, e nada disso mudava quando se levava em conta a sociedade Cainita.*

*Quando o Primógeno faz sua pergunta, Samiec lhe retribui o olhar, com um traço de dúvida.*


-Nie, nunca imaginei. Mas agora que fala, é uma rolagem de dados. Pode ser a Longa Noite de novo, pode ser o fim de todos nós...

-Esses planos... O que se quer dessa reunião? Alguma coisa me diz que há quem queira que elas falhem. E nós dois fomos escolhidos para isso.
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Re: Paris: A Mãe de Todas as Cidades.

em Sex Mar 30, 2018 6:58 am
O trem avançava, cortando rapidamente a escuridão, enquanto Labianus respondia.

- É difícil, Herr Samiec. Algumas coisas que eu poderia dizer colocariam em risco a minha lealdade para com o meu Clã. No entanto, não concordo em absoluto com algumas propostas que te se tornado... hegemônicas ao longo dos últimos anos.

Labianus fechou as cortinas da porta de correr que dava acesso à cabine, assim como as da janela. Não faria nenhuma diferença para quem tentasse escutar a conversa mas, ainda assim, o Ventrue o fez.

- Existem cainitas do meu Clã que apoiam um projeto de caráter Imperial. Não digo isso em relação ao mundo mortal, embora estas ambições tendam a influenciar como vive a canaille. Não, estes cainitas defendem uma centralização total da Camarilla Europeia, nas mãos do que eles acreditam serem cainitas mais capazes. É este grupo que tem se espalhado pela Europa e entrado em contato até mesmo com membros de outros Clãs para adquirir apoio. Pela primeira vez desde Roma podemos estar diante de uma tentativa de centralização violenta.

- Segundo informações, estes cainitas tem como ideia central a submissão de todas as Cortes europeias à autoridade de certos vampiros extremamente antigos do Clã Ventrue. Mithras, Príncipe de Londres, é o único com um certa idade, e ainda ativo, que teria sido procurado por estes Membros. Segundo o que ele informou às nossas autoridades internas, se recusou a participar de tal plano, mas nos indicou nomes de cainitas importantes envolvidos nesta estrutura.

Labianus cruzou as pernas antes de continuar.

- A expansão econômica dos Impérios mortais é uma maneira de aumentar a influência deste grupo. Seus movimentos, contudo, estão sendo observados por altas autoridades dentro da Camarilla. Como você pode ver, existem sim aqueles que preferem que falhem. Há uma coalizão, ainda que informal, para impedir que estes Membros aprofundem sua dominação política sobre o continente. É preciso enfraquece-los antes de Março, porém. Teremos eleições de Justicares em dois meses. Toda a conformação política da Camarilla pode mudar, inclusive com estes indivíduos ocupando postos chave da hierarquia da seita.

Labianus permaneceu sério. Algo em seu olhar e sua postura indicava a Samiec que o Ventrue estava tenso e concentrado, mas que não mentia. Havia também um certo interesse pela resposta de Rajmund, e Labianus se recostou no assento esperando que ela viesse.
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Re: Paris: A Mãe de Todas as Cidades.

em Sex Mar 30, 2018 4:09 pm
*Rajmund fica tenso quando escuta Labianus. Ele era um Cainita das matas e de longe da civilização, este tipo de conversa estava muito além da sua alçada. Por outro lado, saber que as eleições para Justicar se aproximam lhe desperta o interesse. Devia sua existência graças ao Justicar de seu Clã, e não tinha o menor interesse em ver essa situação mudar. Ainda assim, ele passa alguns minutos em silêncio antes de pensar em sua resposta.*

-Eu não sou um homem de letras. Não era vivo, e não sou depois de morto. Cortes do Amor, impérios da Camarilla, Matusaléns, são assuntos que me dizem respeito, mas estão muito acima de mim.

*Ele se remexe no assento, buscando, e falhando, em conseguir uma posição confortável.*

-Mas eu sou um homem simples, e por isso trabalho com verdades simples. Eu existo para ser livre. Não sou livre hoje, mas mesmo isso foi resultado das minhas escolhas no passado. Mas buscarei a minha liberdade até o fim das minhas noites, e posso arriscar um palpite: a maioria dos meus colegas de Clã pensa o mesmo.

-Eu sei pouco sobre o Império Romano, mas sei que os Gangrel estiveram envolvidos em sua queda, e se precisassem, estariam envolvidos de novo. Não consigo defender essa ideia do seu Clã, e espero, espero de verdade porque respeito Panie Labianus, que não tenha me contado isso na esperança de me recrutar.

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Re: Paris: A Mãe de Todas as Cidades.

em Sex Mar 30, 2018 5:24 pm
Labianus retribuiu seriamente o olhar de Samiec.

- Não, Herr Samiec. Não estou aqui para te recrutar. De fato, nem mesmo eu consigo aceitar esta ideia de parte do meu Clã. Na verdade, minhas associações são justamente com aqueles que não tem nenhum interesse na implantação deste sistema.

Labianus se curvou na direção de Rajmund. Inconscientemente, abaixara o tom de voz.

- O fato é que essa talvez seja uma das poucas coisas que me aproximam de François Villon. Como eu disse, estes indivíduos buscam ativamente o que eles acreditam ser "cainitas capazes" de sustentar e governar neste modelo. Um deles é Alexandre, antigo Príncipe de Paris, desaparecido desde o século XIV. No entanto, eu me lembro do reinado de Alexandre, e não é uma coisa que eu buscaria trazer de volta.

- É por isso que eu e Villon nos apoiamos nesta empreitada. Assim como outros começam a se mover, através da Europa, para neutralizar este grupo. Isto tem potencial de nos levar a uma guerra, Herr Samiec.

Labianus se recostou novamente na poltrona de couro.

- E se no processo eu fizer um trabalho bem feito a ponto de ser escolhido como próximo Justicar Ventrue, não seria de todo mal.


Labianus sorriu, e finalmente Samiec percebeu o Ventrue dentro dele. Onde o poder estivesse, lá estariam. Havia esperança, contudo, que Labianus usasse este poder de forma sábia.

O trem cortou a França enquanto Rajmund e Marcus Labianus conversavam, identificando mais pontos em comum do que desacordos. Labianus se recusava a servir novos imperadores, sua lealdade era a um Império que não existia mais. Era um homem um tanto amargurado, fora de lugar em um mundo cada vez ameaçador. Tinha no fundo dos olhos uma tristeza longínqua, que chamava a atenção de Samiec a tal ponto de ele não notar quando o trem, finalmente, havia chegado a Estrasburgo.

Continue no tópico Estrasburgo: A Jóia da Fronteira.
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Re: Paris: A Mãe de Todas as Cidades.

em Ter Abr 17, 2018 12:37 pm
*A Floresta de Meudon era sua novamente. Rajmund perambula pelo seu domínio, encoberto por sua Ofuscação, quando vê um vagante. Roupas maltrapilhas, parcas posses juntas num saco de pano carregado às costas, mostravam nele uma pessoa sem um lugar no mundo, seu destino de viagem tão irrelevante quanto o ponto de origem. O Gangrel suspira; o homem, afinal, não era tão diferente dele. Mas estava em sua floresta e, acima de tudo, Rajmund tinha sede. Estando invisível, não é difícil sobrepujar o homem e beber dele. Ele não se lembraria de nada relevante e, talvez pela certa simpatia que despertou no vampiro, teria um dia seguinte para se lembrar, pois o Gangrel não bebeu o suficiente para se satisfazer, mas apenas de forma a preservar a vida de sua vítima.*

*Terminada a refeição, Rajmund não podia deixar de sentir uma onda de otimismo. Sentia o sangue novo fluindo pelas suas veias, e o dia sem sonhos o deixava disposto a enfrentar a tarefa monumental à frente. Havia ainda o problema de se chegar até a corte de Villon. Rajmund não possuía carro, muito menos sabia dirigir, e os quilômetros que separavam Meudon do centro de Paris tornavam impraticável andar até lá. Ele sacode a cabeça. Felizmente, não precisava se preocupar com tais limitações. Focando-se nos talentos de sua linhagem, o Gangrel assume a forma de um grande morcego marrom na privacidade da floresta, e voa em direção ao centro de Paris.*
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Re: Paris: A Mãe de Todas as Cidades.

em Qui Abr 19, 2018 1:49 pm
Rajmund cruza os céus de Paris na forma de um grande morcego. De cima a cidade era impressionante. As construções mortais alcançavam alturas que seriam inimagináveis nos séculos anteriores. A maior delas, a Torre Eiffel, marcava o panorama de Paris, erguendo-se bem ao centro da capital francesa. Foi por ela que Rajmund se guiou, uma vez que o refúgio do Príncipe era vizinho. Uma vez alcançado o centro da cidade, não teve dificuldades em alcançar a residência.

O Gangrel se materializou em um ponto oculto do jardim. Aproximou-se da porta e não encontrou resistência por parte dos seguranças. Um deles, do qual Rajmund havia se alimentado noites atrás, olhou-o com uma expressão confusa, mas apenas isso.

Rajmund foi conduzido até a sala de reuniões onde estivera quando era um recém chegado em Paris. Labianus já se encontrava no local, sentado em uma poltrona. Vestia-se elegantemente, embora de forma sóbria. Diante dele, estava de pé François Villon, Príncipe de Paris. A expressão do monarca era preocupada: aparentemente Labianus já o havia instruído sobre o ocorrido em Estrasburgo. Quando se deu conta de que Rajmund adentrava o recinto, foi o Príncipe quem quebrou o silêncio.

- Saudações, Rajmund Samiec. Marcus me contou sobre o vosso contratempo em Estrasburgo. Espero que não tenha se indisposto comigo, devido à ocultação de algumas informações, mas eu estava certo de que serias mais que suficiente para auxiliar Labianus nesta empreitada. Eu, e a França, agradecemos aos seus serviços. Considere que a vossa prestação ao Principado foi cumprida com sucesso.

Villon aproximou-se de Rajmund. Seus olhos claros encararam o Gangrel sem expressar nenhum sentimento em particular.

- Labianus me informou também sobre seus sonhos. Não sei se o fez com o vosso consentimento, mas o assunto me preocupou.

Desviou o olhar de Rajmund e virou-se para a porta.

- Ah, aqui está ela.




Uma mulher entrava na sala. Era alta e esguia. Usava um vestido de cor clara, particularmente ousado no corte, que terminava pouco abaixo do joelho. Era bastante corada, mas suas veias eram visíveis sob a pele. Os cabelos eram muito escuros, longos, presos no alto da cabeça por um curioso adereço que lembrava uma coroa. A mulher tinha um ar estranho, etéreo, como era de se esperar dos Malkavianos. No entanto, um sentimento familiar se apossou de Rajmund. Era como se a conhecesse, como se algo no fundo daqueles olhos escuros não lhe fosse completamente estranho.

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Re: Paris: A Mãe de Todas as Cidades.

em Qui Abr 19, 2018 9:42 pm
*Ao entrar no salão grandioso, Rajmund cumprimenta Labianus com a cabeça para depois falar com o Príncipe, oferecendo seu sorriso bizarro para ambos.*

-Panie Villon, Rajmund non é homem esperto. Mas Rajmund sabia muito bem que foi parra o rreunión porrque focês esperrafam que algo desse errado. Algo deu errado, e Rajmund estafa la parra garrantir que tudo terminasse certo! Foi boa fiagem, bom exerrrcício! Afinal, non fui mandado parra lá parra discutir carvón e colônias, nie?

*Ele se senta numa poltrona, o bom humor diminuindo ligeiramente quando os sonhos são mencionados.*

-Tak, coisa ruim os sonhos... Mas Panie Marek sabe bem que defia contar sobrre sonhos, marcamos de nos encontrrar este noite parra isso. Se tinha dúvidas sobrre contar parra o Prríncipe, non tem más.

*Ele ia falar mais. Sobre as visões que teve sobre Alexandre, como viu o próprio Villon em seus sonhos, tentar entender melhor a situação, até que vê a primógena Malkaviana adentrar na sala. O Gangrel se vê incapaz de esboçar qualquer reação, ficando boquiaberto ao ver a mulher, que sabe Deus por qual motivo, lhe parecia ao mesmo tempo tão distante, etérea, quanto familiar.*
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Re: Paris: A Mãe de Todas as Cidades.

em Sex Abr 20, 2018 10:18 am
Villon se adiantou para cumprimentar Sarisa, enquanto Labianus fazia o mesmo. Rajmund notou que o cumprimento do Primogênito Ventrue era mais caloroso, como se existisse uma boa relação entre ambos. A mulher sorriu, e a tensão inicial de vê-la desapareceu. Era bela quando sorria e, embora tenha cumprimentado ambos, não tirava os olhos do Gangrel.

Labianus foi veloz em explicar a situação à Sarisa. Falou sobre os sonhos de Rajmund e sobre o antigo Príncipe de Paris. Villon ouvia tudo atentamente e, ocasionalmente, dirigia o olhar ao Gangrel. A Malkaviana ouviu as palavras em silêncio, anuindo com algumas frases específicas. Por fim, solicitou aos dois cainitas mais velhos que deixassem a sala, no que foi prontamente atendida. Labianus acenou com a cabeça para Rajmund, tranquilizando-o.

Sarisa se sentou diante do Gangrel. Sorriu novamente, e a sensação de familiaridade se acentuou. Quando falou, sua voz era baixa, mas firme. Não tinha as vacilações e instabilidades típicas do seu clã. Pelo contrário, poderia se passar tranquilamente por qualquer um dos treze clãs de Caim.

- É um prazer conhecê-lo pessoalmente, Monsieur Samiec. Meus corvos já haviam me alertado da sua presença. Veja, eles são treinados para reconhecer pessoas iguais a você que, consciente ou inconscientemente são mais predispostos à Visão.

Sorriu novamente. Era impossível odiá-la.

- Antes de tudo eu preciso de duas informações. A primeira diz respeito à sua linhagem, obviamente até o ponto em que o senhor está ciente dela. A segunda informação é mais dramática: estarias disposto a utilizar das suas capacidades para possibilitar a neutralização da ameaça que é Alexandre de Paris?
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Re: Paris: A Mãe de Todas as Cidades.

em Sex Abr 20, 2018 8:38 pm
*Rajmund se despede de Labianus e Villon quando ambos deixam a sala, e ajusta um pouco as roupas empoeiradas de viagem antes de falar com Sarisa, para enfim se levantar antes dela sentar, para só então se sentar novamente.*

-Prrazer meu, panno Sarrissa. Os corvos erram seu, erram? É um surprressa, poderria jurrar que erram de pani D'Arbanville. Mas eu non sei nada sobrre visões, panno. Até pisar em Parris, nunca tinha experrimentado esso.

-Panie Marek, digo, mê-si-ê Labianus me contou sobrre você. Como erra uma especialista nesse tipo de coisa, nie? Enton vai prrecisar me mostrrar, porque sou um homem simples, non conheço nada do assunto.

*Ele se remexe na poltrona, buscando nos recônditos de sua memória enquanto conta nos dedos.*

-Vejamos, non sou tão velho. Meu senhor é Vyacheslav Um-Olho, irmón de sangue de Arnulf, a Ferra e os dois son crrias de Pard, mas conheço muito pouco sobrre ele. Sobrre sua segunda pergunta...

*Ele se endireita na poltrona. Como tem acontecido sempre que menciona o Matusalém Alexandre, seu semblante se fecha, e ele se aproxima de Sarisa, como se não quisesse ser ouvido por terceiros.*

-Eu non sei no que posso ajudar, sendo bem honesto. Non tenho qualquer contrrole, ou experriência, sobrre esses sonhos. Mas sei de uma coisa.

-Todos com quem conversei sobrre Alexandrre dizem que seu reinado foi reinado de terror. Como serria hoje, panno? Como serria se essa crriaturra acordasse quinhentos anos depôs num mundo que não conhece, e com o poder parra punir todos aqueles que lhe fizerram mal, e más todos outrros que ver no caminho e, non sei, non gostar da carra? Marek disse que ele erra instável, isso quando erra Prríncipe, tendo todo poder e um amor parra lhe acalmar. Como serria hoje, panno Sarrissa? Eu senti tanto fúrria quando vi Alexandrre em sonho que non posso querrer, em momento algum, que uma crriaturra assim volte à atifidade.

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Re: Paris: A Mãe de Todas as Cidades.

em Sab Abr 21, 2018 6:01 am
Sarisa escuta atentamente o Gangrel. Seus olhos não se movem, continuando a fitar intensamente Rajmund. As mãos, aparentemente delicadas é que continuam a trocar de posição. Em um momento, estão sobre o colo. Num outro se comportam como se Sarisa contasse alguma coisa. Posteriormente tocam as têmporas, como se a Malkavian tentasse se recordar de alguma coisa há muito esquecida.

Quando Rajmund terminou, foi a vez dela começar.

- Marcus Labianus é muito gentil, mas eu não sou especialista em coisa nenhuma. Tenho, porém, uma habilidade bastante relevante. Eu consigo traçar linhagens, Monsieur Samiec, sou muito habilidosa com genealogias. E, dentro deste contexto, em identificar cainitas que dispõe da Visão.

Ela amarrou os cabelos escuros, fazendo um coque.

- Veja, a Visão não é algo que se manifesta desde o início. É como uma antena de rádio. Capta as vibrações que estão no ar, viajando, e as sintoniza no cérebro de uma pessoa predisposta. Em alguns casos, o Sangue de uma determinada descendência carrega habilidades deste tipo. Isso ocorre em todos os clãs, com mais frequência em alguns, obviamente.

Sorriu como se dissesse "Este é o meu fardo". Depois, continuou.

- E conheço pouco sobre seus antepassados. Mas uma coisa posso garantir com algum grau de certeza. O cainita que você conhece como Pard não se chama assim na realidade. Ninguém se chama Pard, haha. Desculpe. Enfim. Não sei sua identidade original mas posso garantir que Pard é progênie de Odin, o Todo Poderoso, O Que Tudo Vê, um Gangrel que viveu - ou vive, segundo as teorias - na região da Escandinávia, região essa que governou por anos a fio.

Juntou a mãos e entrelaçou os dedos.

- Compreende? O Que Tudo Vê.

Sorriu.

- Alexandre e Odin eram ativos durante o mesmo período de tempo, algo em torno do oitavo e nono século antes de Cristo. É provável que tenham tidos seus desacordos, Odin comandava invasores do norte que chegaram até a Bretanha e Norte da França. O que me faz pressupor que as vibrações de Alexandre, por assim dizer, encontraram alguém familiar quando o Monsieur entrou em França. Nosso Sangue é capaz de coisas miraculosas, Monsieur Samiec, mas poucos de nós sabe usá-lo efetivamente.

Levantou-se e caminhou pela sala. Seus passos eram lentos e ela exibia uma expressão concentrada.

- Se eu estiver certa, porém, a sua percepção foi alterada pela percepção que seu Ancestral tinha de Alexandre. Eu poderia teorizar que o Ventrue tentou comunicar-se com alguém que poderia encontrá-lo e livrá-lo da condição que se encontra. Ao invés disso, o Sangue de Odin traduziu, para você, Alexandre como uma ameaça. Entende? Somos, no final das contas, apenas filhos dos nossos pais.

- Entretanto, sua ligação com Alexandre pode ser prejudicial para ele de forma que ele não havia projetado. Podemos rastreá-lo, como eu disse. E, com ajuda de cainitas mais especializados e capazes, destruí-lo antes que a França seja imersa em um caos incontrolável. Labianus te explicou sobre a Conspiração, não é? Pois bem. As peças já estão se movendo em outros lugares do mundo. Ou a França passa incólume ou a Europa pagará. E a Camarilla também.

Sentou-se.

- Ah sim, e os corvos são meus, não de Lady D'Arbanville. Embora imagine que ela irá, eventualmente, te procurar de alguma forma, assim que descobrir, se descobrir, sobre a sua Visão. Veja, Lady D'Arbanville sempre foi uma ferrenha defensora de Alexandre.
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Re: Paris: A Mãe de Todas as Cidades.

em Sab Abr 21, 2018 1:40 pm
-Odin...

*O sorriso de Rajmund abre de novo.*

-Clarro que conheço Odin, panno! Pard erra um recluso, e non se sabe nada sobrre ele, nem o nome ferdadeirro, mas ele erra sim crria de Odin. Vai me desculpar se non disse antes, mas nós os Gangrrel non discutimos muito os nossos ancestrrais más distantes, non com quem non é do Clã. Mas todo Gangrrel no Eurropa conhece a lenda de Odin, o Pai de Todos. Hah! Como se non tivesse orgulho dessa linhagem! Por que acha que meu senhor gosta tanto de ser chamado de Um-Olho? Tak, uma lenda de gosto...

*Ele estica as pernas, mexendo no bigode enquanto escuta Sarisa falar sobre a rivalidade entre seu ancestral e o temível Alexandre. *

-Engrraçado... Na prrimeirra fez que encontrrei panie Villon, nessa mesma sala, disse a ele que levava trrês valorres a sérrio: sangue, honra e terra. Engrraçado como voltamos às mesmas coisas, nie?

*De súbito, ele se levanta num único salto. Bate no peito com as palmas das duas mãos e começa a andar de um lado para o outro da sala, visivelmente empolgado*

-Mas o sangue de Odin? Hah! E eu achando que non verríamos más histórrias épicas e grrandes sagas! Que este mondo tedioso de luz elétrrica e carros havia matado o herroísmo e rromantismo! Esto aqui, esto que temos, é um mito nascendo! Non sei se sairrei vivo da histórria, mas se sair, querro isso na boca de um skald de meu clã! O sangue de Odin lidando com a ameaça de Alexandrre ressuscitar, pode pensar num histórria assim? Bom, muito bom...

*Ele se senta novamente, mas ainda exultante.*

-Tak, tempos sombrrios chegam, mas nós na Frrança estarremos prreparrados. Mas... Onde más no Eurropa essa trrama segue? E por que Lady D'Arbanville gosta tanto de Alexandrre assim? Achei que todos em Parris cuspissem quando falavam seu nome.

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Re: Paris: A Mãe de Todas as Cidades.

em Sab Abr 21, 2018 1:56 pm
Enquanto Rajmund se movia pela sala, Sarisa sorria. A erupção de orgulho do Gangrel parecia agradá-la.

- Marcus Labianus me informou, ainda na noite passada, sobre sua resolução em se opor a esta conspiração que atinge nosso continente. Me sinto satisfeita, Monsieur Samiec, pois eu mesmo faço parte dela. E é bom ouvi-lo dizer que a França sobreviverá afinal é aqui o nosso quartel general.

Se levantou, acompanhando Rajmund, que girava pela sala.

- A trama segue na Alemanha, Samiec, onde um Ventrue ancestral de nome Erik Eigermann parece se mover sob a proteção de apoiadores. O Príncipe Briedenstein ainda não está informado, mas nós acompanhamos a situação de Berlim com muita, muita atenção. Não é a toa que Wilhelm Waldburg foi trazido até aqui, temos razões para acreditar que ele esteja ciente dos movimentos de Eigermann.

Parou diante de um dos quadros da sala, que retratava uma donzela, nua, deitada em meio a um bosque.

- Acompanhamos com muita atenção a situação das Ilhas Britânicas também. Tanto Alexandre quanto Eigermann são Ventrue e a última coisa que queremos é que uma coalizão se forme entre cainitas desta idade, embora seja o que se desenha. Monitoramos Mithras mas, felizmente, o Príncipe Eterno se mantém como sempre se manteve: preocupado com suas Ilhas e alheio à Europa.

Voltou-se para Rajmund.

- Me parece cada noite mais óbvio, embora não seja uma opinião dividida por toda a... equipe, que Berlim precisará sofrer uma intervenção direta da Camarilla antes que o caos exploda. E, se as suas habilidades se provarem úteis, é você quem poderá convencê-los.

Sorriu.

- Quando à Lady D'Arbanville, ela estava aqui durante o reinado de Alexandre. Eu diria que sua afinidade com ele é meramente uma questão de temperamento.
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Re: Paris: A Mãe de Todas as Cidades.

em Sab Abr 21, 2018 5:36 pm
*Conforme Sarisa explica a situação, Rajmund pensa batendo um dedo nodoso na testa enquanto pensa. No espaço de poucos meses havia passado de um vagante solitário para membro de um esquadrão de vingança para se ver numa trama envolvendo as fundações do poder europeu, e da própria Camarilla. Assustador; mas por outro lado, as grandes histórias não são feitas sem riscos, não? Ao ouvir sobre Erik Eigermann e a situação na Alemanha, não pode deixar de cuspir no chão.*

-Ptu! Parrece que qualquer prroblema no mundo, se focê rastrear a fonte, vai chegar até o drroga do Alemanha! Ou Rússia!

*Ele se recompõe um pouco. Algumas feridas, mesmo do tempo como mortal, estavam surpreendentemente frescas.*

-Berlim é um prroblema de qualquer jeito, panno Sarrissa. Esse Errik vem de lá, Waldburg vem de lá, e sabemos moito bem os prroblemas que a corte de Berlim trrás parra nós. Mas o Prríncipe Brriedenstein? Serrá que faz diferrença saber ou non? Seu crria está no conspirraçon, o que impedirria ele? Avisar ele pode trrazer más prroblemas do que soluções, esso sem contar que Berlim é um bagunça! Espiões da Sabá falam em nome do Prríncipe, e apoiadorres de Errik desfilam em plena luz do... bem, em plena luz da lua. Prríncipe Brriedenstein ou non tem contrrole sobrre seu domínio, ou non quer ter. Mas talvez panie Villon saiba mais, deve ter conhecido Brriedenstein nos séculos, nie?

*Ele bufa, e passa a mão pelos cabelos.*

-Mas intervençon é coisa feia... Se visóns de Rajmund ajudam com isso... Bem, acho que o más importante é saber de qual lado Prríncipe Brriedenstein está, e como ele contrrola Berlim. Sabendo esso, podemos trrabalhar parra derrubar ele ou inimigos dele, nie? Só non sei dizer como.
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Re: Paris: A Mãe de Todas as Cidades.

em Dom Abr 22, 2018 6:46 am
A Primógena escutou atentamente Rajmund antes de responder.

- Você tem razão, Berlim sempre foi uma bagunça. Não obstante, é uma das fortalezas da Camarilla no continente. Se Berlim cair, teremos sérios problemas. Gustav Briedenstein é um Príncipe capaz, mas relativamente detestado. O apoio de sua corte é meramente nominal. Uma boa parte dos cainitas de Berlim preferiria que fosse Waldburg a ocupar o trono, uma vez que é considerado menos inflexível. A posição oficial da Camarilla, entretanto, é de defender a sobrevivência do governo de Briedenstein.

- Em uma coisa, porém, você tem razão. No momento em que Briedenstein começar a desconfiar, se é que já não começou, de que existe uma conspiração em sua cidade, a coisa tomará dimensões imensas. Pelo que me foi dito, Gustav nunca reagiu muito bem a opositores. É possível que ocorra um banho de sangue em Berlim, uma verdadeira purga. Por isso optamos por deixá-lo no escuro, pelo menos pelas próximas semanas.

Fez uma expressão de desgosto.

- Bom, é também verdade que há indícios de que Waldburg conspire contra seu Senhor. Veremos o que ele tem a nos dizer, embora eu acredite que ele se recusará a cooperar. Será preciso colocá-lo diante de uma autoridade superior ao Príncipe Villon. E, se esta autoridade, observando o desenrolar dos acontecimentos, acreditar que Berlim deverá passar por uma intervenção para ajustes, bem, não podemos discutir. Embora eu concorde que seja uma solução radical.

A Primógena sentou-se na poltrona que ocupava anteriormente.

- Agora, sobre você... bem, é preciso que você saiba de algumas coisas. Seus sonhos provavelmente se tornarão mais intensos e mais bem definidos à medida em que Alexandre se movimentar em seu sono. Como eu disse, temos razões para crer que a interferência de Waldburg aqui seja orientada por Eigermann. Desconfiamos que ele está tentando localizar Alexandre, para que este, uma vez desperto, apoie Eigermann e seja apoiado por ele. Você precisará entrar a fundo nestes sonhos, Rajmund. É essencial que você busque qualquer elemento que nos possa fornecer a localização de Alexandre, para que possamos decidir entre destrui-lo ou selá-lo.
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Re: Paris: A Mãe de Todas as Cidades.

em Dom Abr 22, 2018 10:51 am
*Rajmund apenas acena, sério, conforme Sarisa fala, até que algo que ela menciona lhe provoca um certo gatilho na mente. Ele levanta três de seus dedos de unhas pretas.*

-Trrês coisas que prreciso lhe falar, e depôs seguimos. A prrimeirra é que gostarria de contar sobrre os sonhos parra focê, Labianus e Villon. Qualquer pessoa forra desse círculo prrecisa de autorrizaçón de nós quatrro, esso evita que más gente que o necessárrio saiba sobrre esso.

-A segunda é sobrre Waldburg. No catedrral de Estrrasburgo, eu tive um visón, no meio da reunión com Waldburg. Quando falei, falei ainda pensando na visón, e isso atrraiu alguns olharres estrranhos... menos de Waldburg. Ele agiu como se soubesse do que eu falava. Talfez o sangue fale com ele tombém.

-E a terceirra coisa... Panno Sarrissa, sei que non é a jovem que parrece ser, mas ainda assim fico receoso de dizer... Waldburg non tem que escolher cooperrar. O agente chefe de um justicar está em Parris, e além disso, acrredito que entrre focê, Labianus e Villon, a questón non é se ele fala, mas como fazer ele falar. Cada linhagem tem seu jeito, nie? E se tudo falhar...

*Ele estala os dedos*

-Também tem jeito Rajmund de fazer falar.
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Re: Paris: A Mãe de Todas as Cidades.

em Dom Abr 22, 2018 4:59 pm
Enquanto Rajmund falava suas condições, Sarisa as enumerava nos dedos dão mão direita. Quando o Gangrel terminou, a Primógena respondeu.

- Tenho total e absoluto acordo com a primeira condição. Sua situação é muito peculiar e ainda precisamos saber mais sobre ela. Se ela se prolongará em relação a outras coisas, por exemplo. Enquanto não soubermos, melhor evitar atenções indesejadas.

Abaixou um dos dedos da mão.

- A segunda e terceira observações eu as compreendo, mas não depende de mim. Eu, particularmente, concordo contigo, Rajmund, embora Villon tenha uma natureza mais conciliatória e diplomática. Imagino que ele tentará a todo custo evitar um conflito com a Corte de Berlim. No entanto, existem autoridades superiores a Villon aqui, como você bem observou, que são menos tolerantes com aqueles que não cooperam.

A Malkavian abaixou os outros dois dedos com um meio sorriso. Depois, levantou o olhar para Rajmund.

- Bem, eu sugiro que o Monsieur Rajmund se retire para o sono, como eu também farei. O sol nascerá com pressa hoje, pois a próxima noite será profunda. Esperemos que sonhe, Monsieur Rajmund, que sonhe com Alexandre e com o local onde ele está.

A Malkavian se despede com um caloroso aperto de mãos. Depois, dá as costas e caminha em direção à saída do Principado.
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Re: Paris: A Mãe de Todas as Cidades.

em Dom Abr 22, 2018 5:30 pm
*O Gangrel sacode a cabeça e revira os olhos quando Sarisa fala sobre os métodos de Villon, mas em seguida dá de ombros, como se não houvesse muito a se fazer. Ele retribui a afetuosidade na despedida com a primógena. Não sabia explicar, mas sentia imensa simpatia por ela, como se já a conhecesse antes.*

-Aguarde, panno, te acompanho parra forra, e também vou parra meu refúgio.

*Rajmund segue Sarisa para fora, na esperança de encontrar Villon e Labianus.*
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Re: Paris: A Mãe de Todas as Cidades.

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