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Re: Berlim: Tradição e Modernidade.

em Dom Abr 22, 2018 9:16 am
Goebbels ouviu atentamente as instruções de Geist. Por detrás do olhar pragmático e imparcial, porém, Geist percebeu um certo teor de fanatismo. Goebbels estava pronto para agir conforme as ordens de seu amo, e Geist, conhecendo-o, sabia que seria um trabalho executado com maestria. O jovem deixou a sala à medida em que O Nosferatu se dirigia ao elevador, pronto para uma noite de sono e ansioso para colher os resultados de suas ações.
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Re: Berlim: Tradição e Modernidade.

em Seg Abr 23, 2018 2:37 pm
Geist abriu os olhos. Havia silêncio no bunker. Sentia, contudo, dentro de si uma intuição de que alguma coisa havia mudado. Arrumou-se metodicamente, como sempre. Ajustou coisas que não estavam fora de lugar, mas que deveriam ser ajustadas. O elevador rangeu, como rangia todas as noites em que o Nosferatu se erguia de seu sono diurno.

A janela de vidro do escritório havia sido limpa com esmero, sua mesa de trabalho havia sido organizada por Goebbels justamente da maneira que agradava Geist. Tudo parecia perfeito! As prensas já funcionavam a todo vapor, mas o Nosferatu percebeu um comportamento anormal em seus empregados. Pareciam comentar sobre alguma coisa muito importante sem, contudo, distrair-se do trabalho. Em meio a eles, pode ver Goebbels de pé, com uma xícara de chá na mão direita. Diante dele, Irvin Burgraff que segurava uma outra xícara com a mão esquerda, pois a direita estava imobilizada em uma tipoia. Ao olhar para cima e constatar o despertar de seu amo, Goebbels pousou delicadamente a xícara em uma das mesas e se adiantou para o escritório com graça e calma.

Abriu a porta e prestou continência. Sua expressão era séria.

- Houve resistência, Herr Fritz. Alguns homens valorosos foram perdidos, a casa era vigiada fortemente. Não obstante, a capacidade e coragem daqueles homens permanecerá em minha memória por anos.

Olhou no fundo dos olhos de Geist.

- Está feito, Herr Fritz. A casa não existe mais. Os túneis foram explodidos e toda a estrutura colapsou. Enfrentamos resistência também no subsolo, porém. Um homem, não, uma coisa tentou nos atacar, ainda que envolvida em chamas. Os homens dispararam, mas a coisa parecia resistir por um tempo, até cair. Não era algo natural, logo não tratei aquele corpo como algo natural. O retirei do subsolo e o desmembrei. Se o senhor abrir a caixa de metal sob a sua escrivaninha, encontrará sua cabeça. Espero não ter agido além de suas instruções, mas minha única preocupação era cumprir bem o meu dever.

A única janela do escritório dava para o centro de Berlim. Geist viu a coluna de fumaça que insistia em subir aos céus, obscurecendo uma parte da já não tão iluminada Berlim.
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Re: Berlim: Tradição e Modernidade.

em Seg Abr 23, 2018 3:34 pm
Andreiev, não pedirei para ficar. Siga seu caminho, volte para Moscou e converse com Antonov e com a príncipe. Contudo, temo que se chegar sozinho em nossa pátria, podes não ter tempo, pois, Mikhailov está por lá.
O brujah começou a caminhar em direção a Lutz, satisfeito que ele ainda esteja caminhando. Ele olha para todos os lados, a procura de outros observadores, como Lutz. Ele se vira para Andreiev e diz:

Ontem não lhe disse nada, pois, não tínhamos tempo e os escombros a nossa frente demonstram que eu estava certo. Ele retira o livro que Andreiev lia na noite anterior de seu sobretudo e sem soltá-lo, mostrá-lo ao seu dono, justamente nas páginas escritas por eles. Vê? Esta é a sua caligrafia é ela diz exatamente o contrário só que me dissestes ontem, antes de partirmos. Você não teria mudado de ideia em tão pouco tempo. Provavelmente fostes visitado por alguém, ou algo. Dmitri tensiona-se bastante antes de continuar. Como escrevestes aqui nesta página, temo que esta força misteriosa que citou, tenha agido em conjunto com Gustav, já que você disse que ele não agia sozinho. A destruição desta casa não foi para matar apenas o príncipe, tenho um forte palpite de que eu e você também éramos o alvo. Como eu disse, se quiser seguir, pode ir. Hell Gould ainda está a solta, as coisas aqui ficarão difíceis, ainda mais para nós, estrangeiros. Prometo não me demorar aqui. Tirarei algumas dúvidas com Herr Lutz e depois voltamos para casa. Será necessário fazer uma limpeza em nossa terra também.

Dmitri mantém o volume consigo e segue caminhando em direção ao toreador, independente da resposta de Andreiev, pois, a sua missão para com Antonov e com ele, já estavam resolvidas. Assim como prometera, ele libertou seu compatriota do julgo de Berlim.

Caro Lutz, é bom vê-lo. Será que podemos conversar?
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Re: Berlim: Tradição e Modernidade.

em Qua Abr 25, 2018 8:46 am
*Ouviu o relato de seu servo, estimado servo em verdade, e sorriu amistosamente*

- Excelente, meu caro Joseph, excelente. Fez um ótimo trabalho.

- Esta noite, organize minha ida para Istambul para a noite que se seguirá e tome nota das chamas e matérias que devem compor o Berlim Zeitung e todos os outros jornais de minha posse, escritos de forma variada conforme a sua expertise, é claro.


* Pigarreou e buscou as palavras como um artista faria ao buscar as cores ideais para o seu quadro. Em seguida, narrou as manchetes que serviriam como base para os textos de Goebbels.*

" AMEAÇA! Doença misteriosa trazida por estrangeiros traz as chamas do medo à Berlim!"

" FOGO! Especialistas apontam que foi necessário incendiar um local contaminado por uma doença misteriosa"

" RISCO! Imigrantes trazem doenças terríveis para Berlim"

* Sorriu*


- Escreva textos indicando que a possível doença foi controlada na área de risco, mas que a presença de estrangeiros a ir e vir oferece risco de contágio. Faça uma pesquisa sobre doenças graves contagiosas presentes nas terras dos franceses e ingleses, sobretudo. Em seguida cite características que estavam presentes no ambiente, com a morte de animais e humanos.

- Faça matérias mais leves também sobre higiene pessoal e que em nossas raízes não há, historicamente, nenhum traço de doenças graves. Reforce que foi trazido de fora do País. Vejamos como a população reage, após estes meses de informações sobre a valorização dos nossos, contra os estrangeiros que contaminam nossas terras.


* Havia um brilho quase doentio em seus olhos. Sorriu novamente e encerrou*

- Agora deixe-me, com a certeza de ter realizado um excelente trabalho Joseph. Estou satisfeito.

- Me dê apenas quinze minutos e mande o senhor Burgraff vir à minha sala.


* Após a saída de seu servo, sentou-se na escrivaninha e segurou a caixa com a suposta cabeça por alguns segundos. Pelo relato de seu servo, uma falha era notória. Bom, o que não havia falhado miseravelmente em todo o plano após as ações atabalhoadas de Gould? Irrelevante, jogaria com as cartas que possui, como sempre.

Abriu a caixa*
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Re: Berlim: Tradição e Modernidade.

em Qui Abr 26, 2018 8:22 am
Era perfeitamente natural o desconhecimento de Goebbels sobre a natureza dos cainitas e sobre o que acontece com eles após a morte. A caixa diante de Geist era feita de metal, fechada com a ajuda de um grande cadeado cuja chave repousava sobre a tampa. Geist a abriu com calma. Um odor de queimado invadiu a sala quando a tampa foi erguida.

Havia, ali dentro, um punhado de cinzas. Nada mais.

Sob as cinzas, porém, uma pequena quantidade de sangue seco que possivelmente provinha da ferida aberta após da decapitação. Era o único indício de que dispunha o Nosferatu para avaliar a identidade do defunto. O olhar de Goebbels, porém, quando revelou a existência do objeto, era de exultante orgulho, mas havia também grandes interrogações em seus olhos, em especial quando contou sobre a resistência que ele e os homens empregaram. Haviam dúvidas na mente de Geist, mas havia também uma confiança nas capacidades de seu servo. Olhou pela janela de vidro para ver Goebbels que já se movimentava pela redação, presumivelmente dando ordens para as manchetes dos jornais de propriedade do Fantasma.

Geist perdeu algum tempo observando as cinzas. Se os relatos de Goebbels fossem reais, diante de sua mesa jaziam as cinzas de um dos cainitas mais poderosos da Europa. As implicações deste ato não tardariam a chegar, seja a nível internacional, com a Camarilla tendo de responder a uma afronta de tal nível, seja a nível nacional, afinal o trono de Berlim se encontrava vago e sem sucessores naturais, dada a prisão de Waldburg em solo francês.

Não demorou para que Burggraff adentrasse a sala. Geist notou que o homem, ainda que machucado e mancando da perna esquerda, parecia extremamente orgulhoso do que havia feito.
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Dmitri

em Qui Abr 26, 2018 8:33 am
Os mortais pareciam atordoados enquanto observavam o resto da casa, que ainda lançava uma fumaça escura no ar. Neste cenário, não era difícil localizar os cainitas. Lutz estava afastado, próximo ao portão, observando tudo com uma expressão pesarosa. Um pouco distante dele, mais próximo das ruínas, se encontrava um homem alto e de cabelos e barba escura. Vestia um sobretudo escuro, botas e luvas igualmente negras. Sua expressão era menos de pesar e mais próxima daquela de alguém que tenta encontrar indícios em uma cena de tragédia.

Lutz se voltou quando interpelado por Dmitri.

- Olá, Herr Bogdanov. Fico contente que tenhas sobrevivido e estou surpreso com a sua presença em Berlim. É óbvio que podemos conversar. Aliás, temos muito para falar.

Stephan interrompeu sua fala. Dmitri não conseguiu falar, pois toda a sua atenção foi atraída para o homem que adentrava o território onde antes repousava o Principado. Ele veio de uma das ruas que dava acesso ao local. Era alto e forte, com uma aparência que parecia não pertencer àqueles tempos. Seus cabelos eram de um louro fulgurante, os olhos profundamente azuis. Vestia-se de forma simples, mas destoante dos sobretudos e roupas escuras da maioria dos presentes. Sua indumentária era branca e alva e ele usava botas longas e um sobretudo azul escuro. Os olhos do indivíduo escrutinaram as ruínas e Dmitri percebeu que ele pareceu murmurar alguma coisa para si mesmo. Sua expressão era calma e serena, mas sua presença era intensa. Dmitri não conseguia, ainda que se esforçasse, desviar o olhar. O mesmo ocorria com Lutz, que parecia em uma espécie de transe enquanto observava o homem.

Ali, diante de Dmitri, estava o homem retratado no quadro que havia visto na sua primeira noite em Berlim. Ali estava Erik Eigermann.
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Re: Berlim: Tradição e Modernidade.

em Sex Abr 27, 2018 9:39 am
O peso daquela existência incomodou Dmitri, apesar daquele homem nada signicar para ele, ou será que deveria? É o homem do quadro... Balbuciou Dmitri, enquanto o fitava de forma intensa. Um sentimento de urgência se apossou dele.

Herr Lutz, creio que é dada a hora de sairmos daqui. Pela sua reação frente a este indivíduo, creio que sabes quem ele é. Partamos imediatamente, assim, poderemos conversar.

Ainda com os olhos vidrados, fixados no homem, Dmitri começa a se afastar do antigo principado seguindo com Andreiev para o refúgio de Maria, lá seria um bom lugar para conversar.

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Re: Berlim: Tradição e Modernidade.

em Sex Abr 27, 2018 12:01 pm
Stephan Lutz os seguiu até o portão que separava as ruínas que eram a mansão do Príncipe da rua. Ali haviam poucos mortais, já que a maioria estava próxima à casa, tentando entender o que havia acontecido. E foi exatamente ali, diante do portão, que o Primógeno Toreador caiu no chão. Tentava se mover, mas seu corpo parecia não reconhecer a si mesmo. Era incapaz de equilibrar-se. Dmitri perdeu algum tempo observando e pensando em como auxiliar o Toreador, somente para elevar os olhos e perceber que ali, diante dele, estava o homem do quadro.

- Vocês são livres para retornar à sua terra, estrangeiros. Ele, no entanto, aqui permanecerá. Na condição de Príncipe de Berlim, Stephan Lutz será julgado e condenado pela sua ineficiência e sua traição contra o Reino.

O homem olhou no fundo dos olhos de Dmitri. O Brujah simplesmente não conseguia desviar os olhos daquele homem. O indivíduo, contudo, não parecia estar usado de qualquer Dom do Sangue.

- E mande uma mensagem à sua Príncipe. A Corte de Berlim responderá com força e vigor a quaisquer tentativas de interferência externa em nossos negócios. Se ela for sábia, irá se abster quando a sua Camarilla a convocar para a "estabilização" da Alemanha. Eu posso ser um excelente aliado para o povo russo e para a sua Corte, Herr Dmitri Bogdanov. Basta somente que algumas coisas sejam... reconhecidas.
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Re: Berlim: Tradição e Modernidade.

em Sex Abr 27, 2018 12:35 pm
A sensação de impotência toma conta de Dmitri. Ele olha para o corpo inerte de Lutz e imagina qual a extensão do poder daquele ser. Novamente as palavras de Andreiev ecoam em sua mente. "Uma força poderosa".

Seu recado será dado a príncipe. Dmitri pensa um pouco antes de continuar. Vejo que não há mais nada a ser dito. Seguiremos o nosso caminho.

Sem dar as costas, ambos se afastam daquela criatura, enquanto Dmitri lamenta a má sorte de Lutz. Após uma distância segura, ambos se encaminham para a estação. Dmitri não ficaria satisfeito enquanto não estivesse longe o bastante daquele homem.

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Re: Berlim: Tradição e Modernidade.

em Sex Abr 27, 2018 1:05 pm
Dmitri sentia o olhar da criatura pesando sobre ele, mesmo enquanto se afastava, mesmo enquanto não estava mais no raio de visão, ao menos físico, de Erik Eigermann. Chegou apressado à estação, com Andreiev que o seguia. Fizeram em tempo de alcançar o último trem para Moscou. Em pouco tempo, Dmitri não estaria mais naquele país de absurdos.

O trem cortou a noite com velocidade. Era rápido o suficiente para permitir a Dmitri pernoitar no mesmo local que havia dormido quando se dirigia a Berlim. Perdeu-se em seus próprios devaneios, uma vez que Andreiev permanecia calado. Quando o trem estacou na pequena localidade, ambos se recolheram para se proteger do sol. Seguiram na noite seguinte e, depois de algumas horas, Dmitri quase sentiu que havia entrado na Mãe Rússia. Quando o trem chegou na estação de Moscou, o Brujah finalmente experimentou algum alívio.

Andreiev despediu-se. Não fez objeções quanto ao livro permanecer com Dmitri, mas disse que precisava se recolher um pouco. Não esperou a resposta, deixando o Brujah sozinho entre a fumaça da estação.
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Re: Berlim: Tradição e Modernidade.

em Sex Abr 27, 2018 1:06 pm
* Sorriu. Profunda e demoradamente.

O intricado plano que se desenhava na imortal mente do nosferatu começava a se desenhar. Era apenas o primeiro e curto passo de muitos outros, mas ainda sim era o início necessário e concretizado.

Antes que Burggraff adentrasse à seu escritório, guardou novamente a caixa na gaveta e caminhou até a parede onde um cantil militar usado por ele próprio durante as guerras prussianas repousava como decoração. De costas para a vidraça, mordeu o próprio pulso e deixou o líquido carmesim escorrer cuidadosamente para dentro do cantil, preenchendo-o por completo. Em seguida fechou o ferimento lambendo-o.

Sentou-se em sua mesa, com o cantil acima dela, e aguardou a entrada do homem. O saudou prestando a continência militar apropriada. Havia respeito em seu olhar. *


- O Serviço que prestou à Alemanha é de valor incomensurável, Herr Burggraff. A nossa pátria será reconstruída a partir das cinzas daquele incêndio e o futuro será escrito com a soberania de nosso povo que voltará a ocupar seu lugar de direito. Você, Herr Burggraff, é diretamente responsável pela Alemanha do futuro, aquela que começou a ser forjada na noite anterior.

- Meus jornais cumprem um papel ideológico necessário, mas é de homens como o Senhor e Herr Goebbels que precisamos para que a Alemanha forte, unificada e pura seja uma realidade. Nosso Sonho - Seu, Meu, de Goebbels e de todos os verdadeiros Alemães - passa por nossas ações a partir de agora.

- Nosso trabalho apena começou, meu caro. Mas antes de prosseguirmos com os próximos passos, celebremos a vitória dígna.

* Abriu o cantil e tomou um gole, curto, de seu próprio vitae*

- Apesar de vossa abstinência, aprendi em meus anos servindo o País como militar que não há celebração maior do que o compartilhamento de uma bebida entre o Comandante e seus soldados em meio à um território conquistado. Esta é nossa posição, Herr Burggraff, acabamos de conquistar um território de extrema importância. Beba comigo.

* Entregou o cantil ao homem e aguardou*
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Re: Berlim: Tradição e Modernidade.

em Sex Abr 27, 2018 1:15 pm
Burggraff hesitou. Geist percebeu claramente que ele não havia reconhecido o conteúdo do cantil, tampouco desconfiava do Nosferatu. Era, apenas, um homem resoluto.

- Me perdõe, Herr Fritz, mas sou um homem atento aos meus limites e devotado às minhas convicções. O álcool já causou eu mim mais problemas do que eu gostaria. Recuso a tua oferta na esperança de manter-me sóbrio, para melhor concluir as tarefas que me serão exigidas no futuro.

O homem sorriu, desconcertado.

- O que eu fiz não foi nada demais, Herr Fritz. Agradeça pessoalmente a cada um daqueles homens corajosos que enfrentaram o desconhecido, e pague pelo funeral dos homens que caíram. Ajude suas famílias miseráveis. Onde termina uma grande ação para o nosso país, deve começar uma outra. Se as pessoas souberem o grande benfeitor que é Bertrand Fritz, comprarão os seus jornais e estarão abertas às suas ideias.

Irvin Burggraff se levantou com dificuldade. Aparentemente o braço ainda doía.

- Agora, se não tiver mais nada em que possa servi-lo, gostaria de fazer-lhe um pedido pessoal. Eu não tenho onde morar, Herr Fritz. Se o senhor puder me ajudar de alguma forma, por mais simples que seja, eu ficarei imensamente agradecido. Um empréstimo seria ideal, eu poderia pagar com trabalho. Obviamente se isto estiver dentro de suas possibilidades.

Geist notou como, apesar da situação delicada, Burggraff não parecia se humilhar. Parecia, ao contrário, estar tratando de igual para igual com outro alemão.
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Re: Berlim: Tradição e Modernidade.

em Sex Abr 27, 2018 1:48 pm
* Havia um respeito quanto às palavras e ações do homem à sua frente. Um verdadeiro homem com sangue Alemão em suas veias. Ah, se muitos mais possuíssem a mesma fibra.

Na mente do Nosferatu algumas coisas se entrelaçaram como possibilidades. Sorriu, involuntariamente, antes de responder.*

- Os valorosos homens serão lembrados por sua bravura e competência. Suas famílias receberão o auxílio necessário. Não é caridade reconhecer a igualdade entre nós, Alemães, e nos apoiar um nos outros para que juntos possamos crescer. Os funerais serão pagos e as famílias bem cuidadas.

- A partir desta noite, Herr Burggraff, o Senhor trabalha para mim e será compensado justamente pelos seus feitos. Existe um local apropriado para a sua residência temporária, porque veja, o inimigo que ajudou a destruir possui aliados e retaliações virão. Cabe a mim proteger e abrigar os homens de valor que lutam pela Alemanha, da melhor forma que puder. Aguarde-me por apenas alguns segundos.

* Caminhou descendo do escritório às prensas e selecionou o empregado de menor tempo de casa. Àquele que menos contribuiu, em tempo, até a presente noite e lhe disse para acompanhá-lo pois haveria um trabalho a ser feito.

Retornou ao escritório e guiou Burggraff até o elevador*

- Siga-me, meu caro. Cuidarei de seu alojamento pessoalmente.

* Adentrando ao elevador com Burggraff e o empregado fabril, desceu até o seu refúgio pessoal. Quando os homens adentrarem ao bunker exóticamente decorado, trancará a pesada porta de metal atrás de si e olhará Burggraff  com autoridade, mas reconhecimento no olhar*

- Olhes em volta, esta noite receberás a primeira parte do pagamento pelos seus serviços, Herr Burggraff.
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Re: Berlim: Tradição e Modernidade.

em Sab Abr 28, 2018 4:54 am
Burggraff seguiu Geist por todo o caminho. O Nosferatu não pode deixar de notar que o mortal esboçara uma satisfação com a proposta de trabalho. Havia algo de forte no olhar daquele homem, e Geist já havia notado. Era um espírito forte dentro de um corpo quebrado. Burggraff agradeceu discretamente à proposta do Nosferatu e a aceitou, deixando claro que Geist jamais se arrependeria de tal escolha. Jamais, repetiu, enfático.

Irvin Burggraff

Diante do elegante bunker, Irvin parecia maravilhado. Sem nenhuma cerimônia caminhou pelo local, analisando os livros e discos de Geist. Fez alguns comentários para si mesmo diante de alguns tomos, mas estava distraído o suficiente para não perceber a porta sendo trancada. Quando Geist falou sua última frase, Burggraff o observou com uma expressão confusa, porém ansiosa.
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Re: Berlim: Tradição e Modernidade.

em Sab Abr 28, 2018 9:58 am
* Passou segundos a observar Irvin. Havia nos olhos de Fritz, envoltos pela máscara das mil faces, um vislumbre da mais perfeita escolha que poderia fazer.

Assim como Geist, Burggraff era um fantasma. Não possuía nome, pois este fora destruído por seus inimigos. Não possuía laços familiares, pois os mesmos também foram dizimados em perda. Não possuía demais interesses ou ambições além de construir, com as próprias mãos, a Alemanha do futuro.

Aliado a isso, a destruição de Gustav Briendenstein o credenciava como merecedor do que viria e, em adição, encerrava com a proibição patética do antigo Príncipe acerca do próximo ato do Fantasma.

Quebrou o silêncio*


- O que somos, Herr Burggraff?

* Caminhou lentamente em direção àquele homem, enquanto passava os olhos maliciosos no jovem trabalhador das prensas que também trouxe consigo*

- Somos todos monstros aprisionados em um invólucro de ideias e anseios. Nada mais. Alguns, como Gustav Briendenstein, abraçaram tanto a sua monstruosidade que seriam capazes de esmagar todos que os rodeiam por seus objetivos pessoais e desprezíveis. Estes monstros, diferente de nós, não acham uma causa comum pela qual lutar. Não...eles não buscam unidade, eles buscam individualidade.

* Aproximou-se ficando a não mais que um passo de seu compatriota.*

- Mas nós, Herr Bruggraff, somos iguais. Somos feitos da mesma carne, nascidos no mesmo solo, envolvidos pelas mesmas ideias. E, esta noite, estaremos entrelaçados também pelo mesmo sangue.

* Súbitamente, usou de sua força sobrenatural para segurar Irvin contra seu corpo mantendo-o imóvel, com o cuidado de não machucá-lo, enquanto sussurrou em seu ouvido*

- A maldição é um presente para lembrar-nos de que por trás das máscaras que vestimos a única coisa verdadeiramente importante é o ideal que carregamos.

* Mordeu o pescoço de Irvin e sugou o suficiente para deixá-lo tonto e incapaz de mover-se pela perda de sangue. Ainda não era o momento decisivo. Quando o ainda mortal convalescia, o Fantasma pegou o conteúdo do cantil e despejou em sua boca até o fim, fazendo-o engolir o sangue vampírico que aceleraria a cura de seus ferimentos mundanos.

Enquanto a cura se prolongava, deixou a máscara das mil faces se esvair revelando sua face amaldiçoada e avançou, como o monstro que é, em direção ao trabalhador do Berlim zeitung que cumpriria um importante papel a seguir. Usando de sua força sobrenatural, quebrou-lhe as pernas impedindo uma fuga causada pelo pânico gerado por sua aparência incomum.

Após isso caminhou, lentamente e com um sádico sorriso na face, em direção ao corpo de Burggraff que se curava ao chão. Aguardou alguns minutos até que percebesse as marcas de queimaduras e cortes desaparecerem e, em seguida, cravou suas presas profundamente no pescoço de seu compatriota.

Sugou até secá-lo, completamente. Logo a seguir, mordeu o próprio pulso e despejou seu vitae na boca do recém-morto Irvin Bruggraff.

Caminhou até o simplório trabalhador das prensas que arrastava-se pelo bunker, em desespero, e sussurrou próximo a seu ouvido antes de ergue-lo com uma só mão do chão*


- Sou grato por seus serviços. Saibas que tua existência foi fundamental para a Alemanha forte e unificada que virá.

* Lançou-o à frente do corpo de Burggraff que não tardaria a levantar.*

- Levante-se, Ideal Alemão.

Sistema: Geist desprende 3 pontos de sangue para ativar sua Potência 5. Embora controle sua força nos atos descritos para não exceder seus objetivos.
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Re: Berlim: Tradição e Modernidade.

em Sab Abr 28, 2018 2:15 pm
O homem se debatia, chorando e tentando se arrastar para longe daquela cena de horror. Irvin não se movia. Geist sentia, como jamais havia sentido em sua existência, ondas de prazer se espalhavam por sua carne morta. Era imenso, um êxtase. Havia ouvido sobre a satisfação de trazer um mortal para a Noite Eterna, mas não estava preparado para aquilo. Um prazer inferior, somente, ao ato de alimentar-se. Somado aos gritos de pavor do mortal. Geist sentia-se dono de sua própria natureza. Era um cainita social e manipulador. Mas era, e isso jamais poderia ser esquecido, um Nosferatu.

Irvin não se mexeu nos primeiros segundos. Depois, um longo suspiro. Abriu os olhos e olhou ao redor. Depois, caiu ao chão, como se não tivesse controle das
s pernas.

Havia começado. A Maldição de Caim operava seu milagre.

Irvin se debatia, arfante. Suas unhas raspavam o piso, tentando agarrar alguma coisa que lhe desse um conforto. Não havia nada para ele, Geist sabia. O Nosferatu se lembrava exatamente daquele momento em sua vida; agora viria o vazio.

E veio.

Irvin parou de se mexer. Os olhos azuis, inertes, fitavam o teto. A boca, entreaberta, manchada de sangue fresco.

E agora, pensou Geist, o toque final.

Irvin gritou. Seu corpo voltou a se retorcer e rolar no chão, enquanto Geist assistia seu braços enegrecerem horrivelmente, como a imagem de um corpo carbonizado. Não perdia, porém, musculatura, mas assumiram uma cor horrenda. O Noesferatu ouviu ossos estalarem, uma situação bastante curiosa. Parecia que o tórax de Irvin estava se expandindo, assumindo uma aparência inchada. Depois, voltaram ao normal, murchando um pouco em seguida. Geist ouviu o coração parar de bater. O homem ainda se debatia no chão quando Irvin, com o corpo deformado mas com a face intacta, saltou sobre o pobre proletário.

Em pouco tempo o som do corpo do homem atingindo o chão se seguiu. A Besta estava saciada. Agora caberia a Geist domá-la.
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Re: Berlim: Tradição e Modernidade.

em Dom Abr 29, 2018 9:53 am
* Assistiu, vibrante, o nascer de sua mais perfeita obra. Foi assim que Beethoven sentiu-se ao compor a quinta sinfonia? Terá sido desta forma que Emil Berliner contemplou a primeira música a tocar no seu recém-criado gramofone?

Deleitava-se, pois naquele ato era o Criador, o Soberano. Desafiava as leis patéticas do ido Príncipe...não, desafiava o próprio Deus ao criar uma nova não-vida. Sorriu, por trás de seus caninos alongados e sua face monstruosa e abriu os braços*

- Meu Filho. Irmão de Sangue. Meu Pai. Somos um, agora. Unidos pelo ideal da Alemanha Soberana e entrelaçados pelo sangue que carregamos. És, como eu, um Vampiro.

* Mantinha-se em prontidão, pois sabia que mesmo saciada uma besta recém-desperta pode se tornar imprevisível*

- Abras os olhos que nunca usou. Sim, sentirá um vazio em teu peito. É o teu coração inerte, que já não pulsa como antes. Perdestes tudo aquilo que o tornava fraco, meu filho, e se tornou uma força dígna dos mais nobres Alemães.

- Terás agora a força e as habilidades que para que possamos construir, juntos, a Alemanha que tanto sonhamos. Este é meu presente para você, Irvin Burggraff.

- És, a partir de agora, um Fantasma.
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Re: Berlim: Tradição e Modernidade.

em Dom Abr 29, 2018 3:00 pm
Irvin Burggraff caiu de joelhos aos pés de Geist. Não era, contudo, um movimento de submissão. Era respeito. Admiração. Lealdade.

Se levantou e olhou para o seu Senhor. Sua mão se ergueu e tocou a face de Geist. Não expressava nenhum sentimento, nenhuma expressão.

- Eu o agradeço, Herr Fritz.

Parecia extremamente calmo. E muito mais altivo.

- Não sei o que foi feito de mim, não me lembro o que aconteceu. Minha última lembrança é de ver o senhor me atacando. Depois, o vazio. Depois o carmesim, uma grande fonte infinita. Imagino que o senhor tenha de me explicar o que eu preciso saber, Herr Fritz. Me sinto confuso, com uma sede imensa.

Ele olhou nos olhos de Geist.

- Contudo, não tenho medo. Qualquer coisa que tenha me presenteado o senhor, um verdadeiro e orgulhoso alemão, jamais me faria mal. E, se este presente me possibilita construir o nosso futuro, é uma evidência ainda mais forte de que é uma bênção. Sim, Herr Fritz, construiremos a Alemanha do futuro.

Semicerrou os olhos.

- E queimaremos qualquer um que se ponha em nosso caminho.
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Re: Berlim: Tradição e Modernidade.

em Seg Abr 30, 2018 7:02 pm
* Havia orgulho, satisfação e um real prazer em observar sua Cria. Sua criatura, seu filho. O Fantasma que usará sua ausência social como presença essencial na construção do futuro alemão.

Desprendeu, a partir dali, horas a explicar-lhe sobre a natureza vampírica. Suas inúmeras potencialidades e suas fraquezas das quais deveria cuidar-se, em especial o fogo e o sol. Garantiu uma longa conversa acerca da besta interior e da insaciável fome. Citou-lhe, sob sua visão, o significado das seitas e dos independentes.

Era demasiado assunto para uma só noite, mas como teria que se ausentar indo até Istambul, pretendia deixar sua cria o mais informada possível para que não cometesse erros primais em suas tenras noites. Principalmente por conta do momento político conturbado.

Acerca disso, explicou-lhe a situação envolvendo Briendenstein, Eigermann e os demais membros de Berlim. Acentuou que o ideal de uma Alemanhã Soberana e Pura é muito maior que qualquer seita ou membro e que a destruição de Gustav, embora devesse manter sigilo, era a demonstração de que nada e ninguém ficaria em nosso caminho.

Por fim, deixou claro que ele deveria se manter no Bunker e no Berlim Zeitung nas próximas noites, enquanto o Fantasma estivesse fora, e que deveria manter-se ao lado de Goebbels gerenciando o funcionamento dos jornais. Sua tarefa nas primeiras noites seria aprender, sobre si mesmo, suas capacidades e sobre a arte de influenciar as massas através dos textos. Esta última ele teria maior facilidade, visto o currículo impressionante que portava.

Após colocar o corpo seco do trabalhador fabril que serviu de alimento à Irvin em um saco preto, subiu até o escritório e deu ordens expressas para que Goebbels se livrasse dele, incendiando-o para não deixar rastros. Após isso, informou que Irvin estaria ao lado dele nas noites que se seguem e que repousaria na residência de Geist. Indicou ainda que em qualquer momento que Burggraff citasse fome, Goebbels deveria escolher um operário facilmente substituível e descê-lo pelo elevador privativo.

Antes de partir, tratou de renovar os vínculos criados através de seu sangue para com Goebbels e sanar suas dúvidas acerca de seu mestre. Era chegado o momento de jogar com as cartas na mesa, pois contaria cada vez mais com o braço forte de Irvin e a mente geniosa de Goebbels.


Geis despediu-se momentaneamente, pois ainda havia um encontro de suma importância a realizar esta noite. Pegou um dos carros do jornal e destinou-se ao refúgio de Erik Eigermann. Antes, contudo, passou deliberadamente próximo ao antigo principado para assistir, em pessoa, o brilho alaranjado das chamas de sua ação.*
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Re: Berlim: Tradição e Modernidade.

em Ter Maio 01, 2018 6:28 am
Burggraff sentou-se diante de Geist e ouvi tudo o que seu Senhor lhe explicou. Ocasionalmente fazia perguntas: poucas acerca da sua natureza cainita, mas muitas a respeito da Família e dos Clãs de Caim. O Fantasma notou que seu corpo ainda enegrecia e a pele se esticava, causando um certo incômodo em Irvin. A Maldição do seu Clã exigia algum tempo para se estabilizar. O neófito, porém, não parecia expressar nenhum incômodo com a sua nova aparência, fazendo parte do pequeno grupo de mortais que, quando Abraçados pelo Clã, reagem de forma equilibrada e estóica. Concordou com todas as instruções de Geist sobre como deveria proceder nos próximos dias, enquanto o Fantasma estivesse fora.

Goebbels, com seu clássico bloco de notas, anotou todas as instruções de Geist quando o cainita subiu até a redação. Não fez perguntas e não esboçou nenhum juízo sobre a nova condição de Irvin Burggraff. Aproximou-se da mesa de trabalho e, com um pequeno maço de papel em mãos, apresentou a Geist as passagens de trens para Istambul - primeira classe, cabine reservada, assim como reservas de hotéis onde seu amo deveria repousar durante os intervalos da longa viagem. Aparentemente Goebbels havia contactado locais normalmente usados por cainitas e, portanto, minimamente preparados para proteger seus hóspedes dos mortais raios de sol. Entregou ainda um relatório com uma descrição básica de alguns membros de Istambul, o que fez Geist se perguntar sobre as conexões de Goebbels. Ali haviam nomes como Mehmed, aparente Primógeno Malkavian, Vashtai, progênie de Miguel de Constantinopla e um Assamita de certa importância conhecido como Ibn-Sayad. Por fim, apresentou ao seu amo uma cópia de telegrama que indicava que na cidade estaria também Hardestadt, o Jovem. Depois, se retirou ao trabalho.

O carro levou Geist até o refúgio de Eigermann, mas foi na passagem pelas ruínas do Principado que Geist o viu. Antes, porém, constatou a efetividade de suas ações, pouco restava da antiga sede de poder de Gustav Biedenstein, as ruínas e escombros acumuladas no que antes era um belo jardim. Afastado da devastação e dos mortais que a observavam, Erik Eigermann estava de pé. Geist o viu de costas, braços cruzados e olhar pensativo a encarar o local.
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Re: Berlim: Tradição e Modernidade.

em Ter Maio 01, 2018 7:35 am
* Agradeceu à Goebbels pelos bons serviços no que diz respeito à viagem que se seguirá, em especial por coletar tamanhas informações acerca dos membros. Estava surpreso. Aquele homem têm se mostrado um servo de capacidades impressionantes, assim como a fibra moral demonstrada por Irvin. O futuro de ambos, juntos, seria promissor.

As informações o fizeram pensar. Para que Hardestadt estivesse em Istambul a situação política referente à seita deveria estar em polvorosa. Ou, ainda, as tensões crescentes entre as nações e a influência da Camarilla nessas poderia ter causado sua intervenção direta. O fato é que não havia tempo a ser desperdiçado, Antiorix precisava ser contactado pelo fantasma o quanto antes.

Antes dele, havia de se encontrar com o outro. Não houve surpresa ao vê-lo fora dos subterrâneos aos quais se mantinha escondido e em frente ao recém-destruído principado. Sorriu, ainda dentro do veículo do Berlim Zeitung, seus planos se concretizavam.

A destruição do Príncpe e a prisão de Waldburg obrigaram o matusalém a sair de sua toca e, inevitavelmente, a assumir o trono. Excelente. O Fantasma havia colocado a mais potente das marionetes em uma posição que demonstraria ao mundo, claramente, a força e o poderio bélico da Alemanha. Haveria, nas noites a seguir, muito a se considerar nas outras nações acerca de seus impedimentos econômicos e industriais e caso não o fizessem, temeriam o avanço germânico, através do braço forte de um dos filhos de Ventrue.

Desceu do carro sob o manto de Fritz e caminhou em direção à Eigermann. Sabia o quanto uma criatura daquelas poderia ser imprevisível, então caminhou aproximando-se de forma que estivesse no ângulo de visão dele. Olhava em volta a tentar perceber se haviam demais membros presentes, aguçou seus sentidos através dos Dons das Trevas neste intuito e em caso de ausência próxima de curiosos, após estar perto o suficiente, apenas o cumprimentou verbalmente.*


- Majestade.
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Re: Berlim: Tradição e Modernidade.

em Ter Maio 01, 2018 9:10 am
- Geist.

Erik Eigermann não desviou o olhar das ruínas da casa. Sua expressão era inexpugnável. Geist percebeu como o Ventrue parecia altivo e imponente, ainda que seus olhos estivessem estreitos enquanto observava o cenário. Alguns segundos depois, se girou para encarar o Nosferatu que vestia a face de Bertrand Fritz.

- As coisas mudam a partir de agora. A morte de Briedenstein abre uma avenida de possibilidades, mas reações igualmente potentes. A Camarilla responderá a esta afronta, e enviará seus Justicares e Arcontes para o país. Não nos restam muitas opções, a não ser retirar a Alemanha do Tratado que estabelece as bases da Seita. Se permanecemos e nos submetermos aos desmandos do que eles chamam, arrogantemente, de Círculo Interno, não poderemos prosseguir com nossos planos. Em todo caso, o contra-ataque virá. Eu devo estar pronto, e você deve seguir o mais rápido possível para Istambul, em busca de Antiorix.

Olhou para o céu antes de continuar.

- Nossos aliados começam a se movimentar, suprimindo aqueles que se opõe de maneira mais ativa aos nossos objetivos ou que estão demasiadamente informados sobre nossos planos. Atuam em Rússia, Itália e Paris. O cerco está se fechando muito rápido, Herr Geist, e precisarei tornar pública a minha existência e a dos ideais que defendo.

Por fim, olhou uma segunda vez para o Nosferatu.

- A propósito, Herr Geist. Eu sou o cainita mais velho nesta cidade e a decisão sobre a vida e morte de qualquer outro em minhas terras cabe única e exclusivamente a mim. Que não se repita o dia em que você assassinará um outro cainita sem a minha ordem expressa. A punição para tal ação é a Morte Final. Sua ação foi imprudente, e pode nos trazer resultados indesejados, para os quais não estamos prontos. Espero que tenha ficado claro a minha posição. E a sua.
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Re: Berlim: Tradição e Modernidade.

em Ter Maio 01, 2018 9:49 am
* Ouviu as palavras do Matusalém. Havia receio quanto a situação, mas também estava certo do curso a seguir. Ficou internamente satisfeito com o posicionamento do novo príncipe e, antes de respondê-lo, estendeu a mensagem interceptada de Waldburg indicando que estava preso na corte francesa, já decifrada e traduzida à lingua germânica*

- Em virtude de eventos recentes...

* O entregou a missiva*

- E da falha grotesca de Baring-Gould que pôs tudo que idealizamos em risco, não houve outra solução, Majestade. Falhas não devem ser toleradas e a causa desta precisa ser averiguada, meu Senhor.

* Fez uma pausa ao falar, estratégica, e prosseguiu.*

- Estou partindo esta noite à Istambul. E, claro, Majestade. Agora que o coloquei em sua devida e justa posição, és o Senhor a definir o futuro da Alemanha e de seus membros.

* Se nada mais for dito, deixará o coroado príncipe e fará uma breve pausa no Berlim Zeitung afim de pegar seus pertences - e esconder a caixa com as cinzas e sangue de Gustav em seu refúgio - para rumar a Istambul.*
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Re: Berlim: Tradição e Modernidade.

em Qua Maio 02, 2018 1:33 pm
Erik riu das palavras de Geist. Não era uma risada de escárnio ou desprezo, mas o Matusalém parecia apreciar o que havia escondido nas entrelinhas das palavras de seu interlocutor.

- Muito bem, Herr Geist. Lhe desejo uma boa viagem. Lhe advirto que meu irmão é de índole mais pacífica e razoável que a minha, mas isso não o torna menos perigoso. Proceda com cautela. Lhe manterei informado sobre os avanços em Berlim. Se eu lhe disser para não retornar, não retorne. Você é mais útil livre que preso nos porões de Hardestadt.

O retorno ao Berlim Zeitung foi breve. Os pertences de Geist já estavam preparados com antecedência, e o jornal parecia funcionar com a mesma dinâmica de sempre. Nas instruções editoriais, Geist percebeu que já estavam estampadas as manchetes que havia encomendado a Goebbels. Este último procedia de um lado para o outro, por entre as máquinas, instruindo os empregados sobre os detalhes a serem impressos.

No bunker, Irvin lia. Havia se tornado mais pálido, mas tinha adquirido uma notável aura de sabedoria. Ou seria um aspecto bestial? Geist percebeu que era um misto entre os dois. O Neófito cumprimentou seu Senhor, antes que este deixasse o prédio e se dirigisse à estação, onde um trem já o esperava. Seria uma longa viagem. Passaria por muitos países antes de finalmente alcançar Istambul. Teria tempo para organizar os pensamentos e as estratégias. O relatório de Goebbels repousava sobre seu colo, e Geist pôs-se a ler quando o trem começou a se mover.
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Re: Berlim: Tradição e Modernidade.

em Sex Maio 04, 2018 11:01 am
Felizmente a viagem foi tranquila e agradável. O trem passou por diversos países do leste europeu, antes de chegar a Istambul. Geist seguiu as instruções de Goebbels, abrigando-se da luz solar em um dos hotéis indicados por seu servo. Poucas perguntas foram feitas, os funcionários pareciam estar acostumados às "excentricidades" de alguns clientes. O quarto era confortável e protegido, possibilitando Geist de descansar antes de seguir viagem.

Uma vez desembarcado em Istambul, o choque foi inevitável. Estava distante de sua pátria, em um país estrangeiro. Geist não se recordava a última vez em que havia deixado a Alemanha, estava acostumado ao que conhecia. Istambul, porém, era uma outra realidade. Mais colorida, perfumada e intensa. A cidade era cheia de música e vida, com seus minaretes altos e arquitetura particular. A paisagem era belíssima, com fortes imensos e o Mar de Marmara a dar um toque especial.

Havia lido todo o relatório de Goebbels que, embora não muito extenso, cobria uma parte dos cainitas da cidade. Havia ainda indicações de onde encontrar o Príncipe Mustafá, segundo Goebbels um cainita de capacidades limitadas. Geist recordou-se que Hardestadt estava na cidade, provavelmente no Principado. Mais cedo ou mais tarde poderia encontrar o poderoso cainita.

Não foi difícil encontrar um carro de aluguel disposto a levar Geist onde ele desejasse. Uma vez acomodado no banco traseiro do veículo o condutor perguntou - em francês, porém - onde o passageiro desejava ir.
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Re: Berlim: Tradição e Modernidade.

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