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Re: Meca - A Honrada

em Qua Abr 11, 2018 8:28 am
A visão do corpo de Caleb envolto nas areias que constituiam a serpente paralisou Qaphsiel por uma fração de segundo. Sentiu algo que parecia uma mão gelada apertando seu coração.

No brevíssimo intervalo de tempo que transcorreu entre seu primeiro golpe e o ataque de Dázbov, Qaphsiel se recordou de Za'aphiel. Lembrou-se de uma das duras lições de seu Mestre. "Nossos inimigos sabem que não podem nos dobrar pelo medo. Eles sabem que nossa vontade e nossa coragem são mais fortes do que eles. Incapazes de nos ameaçar diretamente, eles usarão aqueles que amamos e queremos o bem. Eles sabem que nossa fraqueza é nossa missão: proteger.

E assim Ta-Urt o fez. Qaphsiel não conseguia imaginar em que momento a maldita teria capturado Caleb. Também não sabia exatamente que tipo de sortilégio estava acontecendo ali. Mas não conseguiria prosseguir imaginando que Caleb estava sofrendo.

O Arcanjo se recordou de Massada, onde seu povo decidiu matar uns aos outros, para não serem dominados por Roma.

Decidimos que nossos corpos, mentes e espíritos não servirão aos romanos. Perdoe-me, Caleb.

Qaphsiel sai do breve estado letárgico. Novamente, ele impulsiona seu sangue para torná-lo mais rápido. Segurando a espada com as duas mãos e emitindo uma feroz luz rubra através do seu terceiro olho, o Arcanjo usa sua vontade para atacar a serpente com mais um golpe mortal [Valeren 5], dessa vez mirando o torso exposto de Caleb.

[Qaphsiel gasta 3 Pontos de Sangue para usar a Vingança de Samiel + 1 ponto de Sangue para ativar a Rapidez + 1 Ponto de Força de Vontade para atacar Caleb]

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Re: Meca - A Honrada

em Qua Abr 11, 2018 8:42 pm
* O corpo de Caleb permanecia exposto embora seus braços e pernas continuassem entrelaçados nas areias densas que constituíam a Serpente. A luz avermelhada brotou do terceiro olho de Qaphsiel e inundou o salão em rubro, a cor da batalha.

Com ambas as mãos, o Salubri desferiu um violento golpe de baixo para cima - possível apenas graças a sua imensa vontade e fé inabalável de que este era o rumo certo a se tomar - atravessando o corpo de seu servo ao mesmo tempo que divide o monstro serpenteante em dois. A besta se dispersa e se desfaz no ar em uma grande tempestade de areia.

Até mesmo Dázbov e Arhmad são jogados ao longe devido a explosão de vento e terra causados pela destruição da Serpente.

Passada a poeira na qual o salão foi imerso, Qaphsiel têm em seus braços o corpo trespassado de Caleb que, em um último suspiro, abre lentamente os olhos e com uma voz trêmula e quase sem forças profere*


- Abençoado por Ywaeh eu fui....* Cospe sangue*...por servir ao povo de Y'srael ao lado do Arcanjo. Perdoe-me por não ser a força que buscava e guie o nosso povo de volta à terra sagrada.

* Suspirou pela última vez. Seus olhos mantiveram-se abertos e havia um sorriso discreto no canto de sua boca manchada de sangue. Havia paz em seu semblante sem vida*

*O salão ganhou uma cor rubra, uma vez mais. O terceiro olho de Qaphsiel já estava fechado quando um calor, ardente e incômodo, se abateu sobre os presentes. Havia um peso monumental nos ombros de Dázbov, Arhmad e Qaphsiel. Uma presença aterradora e angustiante que lhes causa um misto de sensações. Do medo, mais primitivo, ao respeito profundo. Era como se todo o resto perdesse a importância.

Caminhando sobre as areias que inundavam o salão alaranjado, um homem alto, de pele negra, roupas leves e claras e um turbante dourado com pedras preciosas apareceu. Vindo de lugar nenhum. Sua voz ecoou como trovões em meio à uma tempestade e seus olhos, brancos como a lua, prescrutavam a almas condenadas daqueles cainitas que poderiam sentir um calor absurdo em seus corpos sensíveis ao sol e as chamas que já permeavam suas mentes, em medo e sensações*





- As leis de minhas terras foram violadas. Os acusados deverão ser julgados neste momento e em definitivo.

* Ele abaixou-se tocando as areias e delas um corpo foi arrancado, sendo seguro pela cabeça. Tratava-se de Ta-urt.

Os dedos negros e fortes daquele homem pressionavam a testa da mulher que gritava em dor e agonia. *


- AHHggh...Ahhrrghh...AAHHRHRHHGHGHGHG!!


*Os observadores notavam que do ponto no qual os dedos tocavam o fronte da mulher, uma fumaça enegrecida se projetava e uma luz avermelhada ganhava forma. Imóvel, ele direcionou uma das mãos à Arhmad e uma gaiola de chamas ardentes o circundou. O Vampiro desesperou-se pelo fogo que o rodeava em todas as direções e sua besta clamou pela fuga impossível. Como um animal enjaulado, gritava com o medo primal que o fogo - tão perto de seu corpo que ameaçava inflamar-se - despertava em sua existência.

Novamente, a voz daquele homem se ergueu e foi como se o próprio firmamento falasse*


- O Julgamento se inicia. Que a infração se revele nas chamas da justiça.

* Uma segunda fonte de chamas brotou no centro do salão, fazendo com que Dázbov e Qaphsiel recuassem e suas bestas se incitassem a ponto de exporem suas presas. Daquelas labaredas, imagens ganhavam forma.*


Ta-Urt deixa o Conclave no exato momento da discussão entre Aníbal e Sarosh e, em uma fração de segundos, uma duplicata de areia assume o seu lugar brotando do solo. Fora da Morada Sagrada, há um diálogo inaudível, mas visível através do fogo, entre a Dama do Deserto e Caleb. O Homem desembainha a sua espada e a ataca, sendo desarmado pela língua da mulher que se projeta rapidamente e se alonga em direção às mãos do guerreiro Judeu. As imagens se desfazem e mostram o exato momento no qual Arhmad desfere um ataque contra a duplicata de Ta-Urt e a Serpente se forma, iniciando o combate que acabara de se encerrar.


* O fogo no centro do salão se vai, restando a jaula incendiária que mantinha não mais que um animal no corpo de Arhmad preso e acuado. Além disso, a Dama do Deserto permanecia gritando em agonia suspensa no ar por uma das mãos do homem de pele ébano que surgiu. Uma vez mais, suas palavras ressoaram com um peso monumental*

- Cada infração será cobrada com o sangue daquele que ousou desdenhar das leis de minhas terras. Fale aquele que se julgar capaz de refutar as ações demonstradas nas chamas da justiça, em favor de um dos acusados. Saibam que, dado o julgamento de ações e palavras, a Sentença de Hubal será única e definitiva.
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Re: Meca - A Honrada

em Qui Abr 12, 2018 11:39 am
Dázbov dá um passo a frente. Aguarda calmamente a anuência da entidade antes de prosseguir. Antes de avançar em definitivo, porém, pousa a mão direita no ombro de Qaphsiel. A tristeza demonstrada pelo Salubri tocava o Lasombra.

- Sinto muito, Qaphsiel.

Alçou o olhar em direção ao homem. Encarou-o com respeito e fez uma reverência igualmente respeitosa. Observou por alguns instantes Ahrmad preso dentro das chamas e desejou que seu companheiro resistisse. Olhou para o corpo suspenso de Ta-Urt e sentiu satisfação, embora buscasse não transparecer nenhum sentimento. Fez recuar a escuridão tornando-se, uma outra vez, o Deus Branco da Montanha.

- Toda a nossa permanência em vossa cidade foi guiada pela mais profunda observação e respeito às regras impostas por ti. Não nos regozijamos pelo ocorrido nesta sala, pelo contrário, a perturbação da ordem nesta cidade nos afeta profundamente. Preferiríamos que as coisas não tivessem chegado a este ponto, mas não tivemos escolha. Em meu nome e em nome dos meus lhe ofereço as minhas sinceras desculpas.


Olhou para o corpo em agonia de Ta-Urt.

- A cainita que vossa senhoria segura pela cabeça é culpada. O cainita que se debate dentro da jaula de chamas é inocente. Esta é a verdade que reside em nossos corações, pois sabemos o que se passou aqui, assim como o senhor também sabe. Ahrmad foi impulsivo, mas o foi na tentativa de nos proteger, de proteger o nosso objetivo. A agressão inicial partiu de Ta-Urt, quando optou por infiltrar-se em nosso Conclave. Foi uma agressão porque ela sabia dos riscos envolvidos em sua presença e nos forçou a reagir para garantir nossas vidas. Foi uma agressão porque ela se regozijou diante da possibilidade de nos destruir para proteger um Império corrupto, que mata, usurpa e destrói povos todos os dias.


- Com todo o respeito, o mundo é muito maior que Meca, A Honrada. E, enquanto neste óasis de paz mortais e cainitas vivem em ausência de violência, o resto não pode ser dito do resto do mundo. Por causa de indivíduos como Ta-Urt povos são escravizados. A nossa reação é baseada na autodefesa mas, também, na fúria que nos atingiu - e atingirá por toda a eternidade, espero eu - diante de seres que não tem nenhum apreço pelo bem estar dos mortais e de seus semelhantes. E de ter reagido contra ela e seus asseclas eu, e posso falar somente por mim, jamais me arrependerei.

Olhou para Qaphsiel e para Ahrmad, por entre as chamas.

- Confio no vosso julgamento e o aceitarei, mas não o considerarei justo independentemente dos resultados. Não haverá sentimento de vingança se Ahrmad for destruído mas somente uma profunda tristeza de constatar que, em uma outra parte do mundo, as leis, embora eficientes não são necessariamente justas. Continue protegendo a sua cidade, Senhor Hubal. Mas o faça sabendo que cada um que cai na luta contra Roma significa um passo a mais que o Império faz em direção à dominação absoluta de todos nós. E o Império, ao contrário de nós, não tem nenhum apreço ou respeito por leis que não as suas.
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Re: Meca - A Honrada

em Qui Abr 12, 2018 12:27 pm
Qaphsiel segurava o corpo inerte de Caleb em suas mãos. Lágrimas de sangue escorriam por seus olhos. As últimas palavras de seu aliado o confortaram um pouco, mas não foram suficientes para aplacar sua dor.

Ele baixa a cabeça, encostando-a no peito de Caleb. Abafado pelo choro, Qaphsiel recita as palavras sagradas.

- Abençoado seja o Senhor Nosso Deus, Rei do Universo, o Juíz da Verdade. Que sua alma imortal lembre de mim no dia do Yom Kippur, Nobre Caleb.

Qaphsiel sabia que esse era o preço da guerra, mas ele sempre era insuportável. Quantos mais precisarão tombar ao seu lado, até que a Justiça do Criador seja feita? Lembrou-se de Jó, que mesmo diante das desgraças despejadas em sua vida continuou crente no Criador. Sempre voltava a Jó, quanto a tentação de blasfemar contra a injustiça do mundo surgia em sua mente. Ele precisava ser forte, para que o sacrifício de pessoas como Caleb não seja em vão.

O Arcanjo mal tem tempo de continuar com seus lamentos, pois é interrompido pela chegada daquele que chamam de Hubal. Qaphsiel coloca o corpo de Caleb no chão e se levanta, para ser logo em seguida tomado pelo medo primordial que o calor emanado lhe causa. Ele alterna olhares rápidos entre Ta-Urt, por quem sente desprezo, e Arhmad, se angustiando ao ver o guerreiro naquela situação terrível.

As imagens de Ta-Urt atacando Caleb despertam o outro lado de sua Besta. Em uma minúscula fração de tempo, teve vontade de pegar sua espada e atacar a vampira, mesmo estando ela nas mãos de Hubal.

Foram as palavras de Dázbov, dirigidas ao poderoso ser que estava diante deles, que afastam o pensamento destrutivo e acalmam sua besta. A capacidade de oratória do Lasombra era admirável. Ali sim estava um grande líder. Qapshiel era apenas um soldado.

Ele espera Dázbov concluir sua fala apenas para complementar:

- Nada dessa tragédia que implicou na violação de suas leis teria acontecido, Hubal, se não fosse a ação da Cainita que segura em suas mãos neste instante. A paz de Mecca só foi quebrada porque ela, de livre e espontânea vontade, assim o fez. Os eventos que se desencadearam tiveram nela sua origem. Não haveria batalha, nem mortes - ele olha para Caleb - se Ta-Urt não estivesse aqui. Ela própria desdenhou de suas leis quando nos atacou, intentando escapar da sua justiça.
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Re: Meca - A Honrada

em Qui Abr 12, 2018 2:43 pm
* As lágrimas rubras de Qaphsiel escorrem por sua face mas não tocam o chão. Evaporam antes de encontrar-se com as areias que cobrem o solo. A sua volta, o ar tremula como há muito tempo não via - desde que era mortal e caminhava pelas dunas desérticas de sua terra, abaixo de um sol escaldante. O calor crescia, mas por alguma razão, parecia não afligir com tanta brutalidade os corpos do Arcanjo e de Dázbov, como parecem fazer a Arhmad e Ta-Urt.

As palavras concisas e bem elaboradas do Lasombra preencheram o salão alaranjado e encontraram uma face passiva e imutável na figura de Hubal. Seus olhos esbranquiçados sequer se moveram enquanto sua voz resoou uma vez mais. Não esbravejava, pelo contrário, falava em tom baixo e calmo como um mestre a explicitar assuntos complexos a seus discípulos. Havia, ainda sim, um peso descomunal sobre os ombros dos presentes e, frente a postura imutavel daquele homem, isto parecia natural ao seu ser.*


- A justiça não deve ser considerada, Dázbov, Cria de Borghav das terras do norte. Pois toda a consideração é parcial e pautada em seus próprios conceitos de bem e mal.

* Aqueles olhos pareciam atravessar o corpo do Lasombra, olhando além de sua carne*

- O Justo aplicado em Mecca não assume ideologias. Não se posiciona sobre o lado criado por homens ou vampiros. A justiça é, acima de escolhas, pura. O peso da minha mão cairá sobre os infratores de modo igual, sem qualquer distinção, sejam eles parte do Império que citas ou integrante daqueles que o desafiam. Aqui, suas posições são irrelevantes.

- Elucido que a justiça destas terras assistiu a ascensão e queda de Impérios, como aquele que evoca como inimigo. Ciro, o conquistador Persa, caminhou por estas areias e os seus pagaram o preço por transgredir as leis por mim estabelecidas. Alexandre, o chamado de grande, curvou-se a pacificidade de Mecca quando suas tropas por aqui passaram. Gilgamesh, o Sumério, demandou seis de seus generais para a tomada destas terras e todos eles pagaram com sangue e morte.

- Aqueles que caminhavam na segunda cidade dos amaldiçoados aprenderam que aqui, sob os meus auspícius, suas garras imundas e perversas jamais conseguiriam tocar.


- Diga-me, porque o ideal de Dázbov é melhor e mais justo que o ideal de todos os outros e de seus Impérios? O que fará ao mundo, Lasombra, que não o levará a guerra e sangue, como todos os outros fizeram?

* Direcionou o olhar em direção ao corpo de Caleb, ainda nos braços de Qaphsiel*

- Um tributo de sangue já foi realizado em pagamento ao débito cometido. Outros dois se seguirão, de forma igualitária e indistinta, pois cometeram o mesmo crime a luz da mesma justiça.

- Para que compreendas o peso do justo, indistinto e puro, deixo a sentença em vossas mãos descendente de Laza. Escolha pela destruição de ambos - Arhmad o Assamita e Ta-Urt, cria de Set - ou os absolva e ambos sairão ilesos de Mecca. O peso que cairá sobre um será o fardo do outro, em justiça as ações iguais aqui praticadas.
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Re: Meca - A Honrada

em Qui Abr 12, 2018 4:09 pm
Dázbov ouviu as palavras de Hubal e sentiu medo. Não do ser que estava em sua frente. Não das chamas. O medo delas era primal, instintivo e não consciente. Não, Dázbov sentiu, subitamente, o medo de envelhecer. De se tornar tão impassível e intransigente como eram os mais velhos de sua raça. Como era o indivíduo diante dele, embora não soubesse qual era a natureza de Hubal. Ponderou, rapidamente sobre as palavras do Protetor de Meca. Depois, de forma natural, recomeçou a falar.

- Fico feliz que a "justiça" de Meca tenha sobrevivido a Impérios e a conquistadores. Que tenha julgado infratores e punido o derramamento de sangue neste solo. Como eu disse, é eficiente. Mas, infelizmente, não me serve e nunca me servirá como justo ou como justiça.

Dázbov deu um passo a frente. Tentava ignorar as chamas aproximando-se de Hubal.

- Não se trata de bem ou mal. Nunca se tratou disso. Meus ideias são justos somente para mim, e exatamente por isso são justos. Eles norteiam as minhas ações e meus pensamentos e, obviamente, minha forma de enxergar o mundo. E o mundo que enxergo é aquele em que o justo precisa ser praticado ativamente. E praticá-lo ativamente exige que aqueles que são violados, explorados e destruídos tenham a possibilidade de se erguer.

- Tudo o que eu farei será através de sangue e guerra, Hubal. Não há nada que eu queira trazer ao mundo que não passe por estes dois elementos. Pois aqueles em nome dos quais conduzo minha vida não terão outra forma de levantar-se senão através da morte de seus senhores e amos. Todos os outros o fizeram, sim, mas em base aos seus próprios ideais. E eu procuro me espelhar naqueles que são próximos à minha maneira de pensar. O que fizeram os outros eu desconsidero, não sou juiz de nenhuma alma e não julgarei nenhum homem morto abaixo do céu.

- Ahrmad pensa como eu, e eu o defendo. Ta-Urt pensa de forma diferente, e o mundo que ela deseja é aquele onde o meu conceito de justo sequer existe. Por isso me oponho a ela. E a todos os que estão acima dele na estrutura que é Roma. Entende? Eu sou só um homem. E tento me manter de tal forma. Desta forma, a julgarei culpada até o fim dos meus dias, e o julgarei inocente até a minha morte. Simplesmente em razão de ele pensar como eu, considerar que a justiça, e o justo por consequência, é uma atividade, e não um conceito abstrato e desprovido de substância, como é a vossa justiça. Diferimos exatamente nisso. Posso não julgar os homens mortos, mas sei julgar muito bem aqueles que estão vivos.

Dázbov olhou para Qaphsiel. Depois, de volta para Hubal.

- Não obstante, aceito o teu justo. Única e exclusivamente em razão de não ter forças para destruir-te e retirar Ahrmad daquela jaula. E, pensando o quanto somos poucos os que ainda encaram a justiça de forma um tanto militante, eu escolho absolver ambos os cainitas. Se a vossa justiça não pode cair sobre Ta-Urt não se preocupe. A nossa cairá.
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Re: Meca - A Honrada

em Qui Abr 12, 2018 6:59 pm
* Hubal deixou Ta-Urt escorrer por entre seus poderosos dedos. A Dama do Deserto caiu no solo arenoso com as mãos na cabeça e entoando lamúrias de dor e agonia, completamente inofensiva e o oposto do que demonstrou há tão pouco tempo. Desfez-se em areia, deslizando pelo ar e desaparecendo.

As chamas que envolviam Arhmad se extinguiram e o animal acuado, com as veias lhe saltando pelo corpo que acinzentava-se rapidamente, caiu ao chão inerte e em profundo sono.

O alto homem de pele negra caminhou encurtando a distância entre ele e Dázbov e, antes que o Lasombra percebesse, Hubal já repousava sua mão sobre a cabeça do cainita de Ai-Petri. Não havia qualquer peso ou pressão, era como se aqueles dedos sequer o tocassem. A visão do cainita de Ai-Petri se desprende daquele salão e retorna ao cume de sua montanha natal na qual uma visão lhe preenche. Familiar e vívida, como uma memória a ser assistida de cima. Todos os presentes no salão possuem a mesma visão.*



* A voz de Hubal ergueu-se novamente, trazendo a consciência de Dázbov ao salão alaranjado de pedra*


- A Força para aplicar as regras que nos parecem justas. Tinhas tu, a mesma força que possuo, se comparada à daqueles homens e mulheres aos pés do Ai-Petri. Julgou que era justo e dígno que aqueles mortais lhe prestassem sacrifícios humanos de sangue. Alimentou-se e arrancou o coração de uma jovem mulher, em tenra idade e ainda intocada, como um tributo à sua autoproclamada divindade daquela montanha.

- És, acima de tudo, um fraco. Pregas uma ideologia que não cumpres. Esmaga os mortais sob seus pés em uma dominância divina e delibera aos quatro cantos que luta contra aqueles que fazem o mesmo, de outro ponto chamado Império.


- Foi isto que nos tornamos? Foi para que criaturas como vós, que carrega o sangue de Laza - meu Filho - que eu desafiei meu pai para que pudéssemos criar os nossos próprios descendentes? O teu justo somente assim lhe parece quando se adequa ao seu próprio benefício.


* Destinou o olhar a Qaphsiel, e continuou*

- Intervirias tu, homem de Y'srael, se a jovem sacrificada através de uma falsa crença construída por Borghav e alimentada por Dázbov pertencesse a seu povo mas nada farias se para outra crença ela fosse dada? Vossa justiça é, então, tão débil e sem propósito quanto à do Império que combates.

- Tua seletividade de sentimentos e causa é deprimente.

* Caminhou, passando por Dázbov*


-  Gritas que lutas por justiça e contra a escravidão, mas escravizas os povos aos pés da Montanha através da Crença e do Medo. Uma escravidão ainda mais severa que grilhões de ferro. Perguntou-se, se a jovem em sacrifício - como tantas outras assim fizeram - não desejava viver livre da obrigação de ter sua vida ceifada para seu prazer? Perguntou-se, por quantas noites aqueles homens temeram, antes de acreditarem, que o Deus da noite e da Montanha pudesse descer e clamar por seu pulsante sangue enquanto eles buscavam frutificar suas terras e constituir suas famílias?

- Hipócrita. Assim é a justiça dos seus e dos que os antecederam.

- Há apenas uma verdade em todo o seu discurso. A Força delimita a aplicação da Justiça.


* Continuou a caminhar, afastando-se dos presentes em direção à saída do salão e, antes de deixar o local, concluiu.*

- Não somente a força física ou imersa nos dons que vós adquiriram da maldição de meu Pai. A mesma força é adquirida através da crença dos homens, do convencimento através de palavras doces e dos números daqueles que os seguem. O Tempo trata de amarrar e delimitar o justo em detrimento do correto possuído por cada povo e, neste processo, a justiça - a verdadeira justiça, se perde.

- Agora, deixem Mecca para nunca mais retornarem. Aqui não são bem-vindos. E caso se pergunte, Dázbov, a resposta é positiva.


* Inclinou a cabeça, voltando seus olhos ao Lasombra*

- Eu, O Forte, aplicarei a Justiça sobre vós se ousarem descumprir este decreto.

* O homem deixou o salão e, com ele, o abissal peso que era depositado sobre os ombros dos presentes. Arhmad parece começar a despertar*
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Re: Meca - A Honrada

em Sex Abr 13, 2018 5:12 am
Dázbov estava paralisado. Diante dele, havia estado aquele que criara seu Ancestral. Não havia sido destruído milênios atrás, nas guerras parricidas? Ou aquele indivíduo não era quem declarava ser? O Deus de Ai Pétri estava confuso. Permaneceu por um longo tempo olhando o local onde Hubal estava antes de desaparecer.

O significado daquela visita era conhecido somente a um nível superficial. Para Dázbov, todas as coisas detinham um significado oculto, que cabia a ele descobrir. Não sabia, contudo, se desejava ir até o fim naquele caso. Era tudo muito maios do que ele. Em última instância, se Hubal fosse quem dizia ser, sua existência atestava uma falha na existência de seu Ancestral e daqueles que eram similares a ele. Toda a história de sua raça era uma mentira, uma história contada por "vencedores". O que havia vivido ali destruía todo um sistema de crenças e uma hierarquia existente. Isso não perturbava Dázbov, não tanto quanto as acusações que lhe haviam sido feitas e que, agora, seriam impossíveis de responder à Hubal. Não obstante, o Deus Branco respondeu ao seu interlocutor ausente.

- Você não entendeu absolutamente nada, Hubal. O que eu represento em Ai-Pétri não é a minha justiça. Eles são livres para ir e vir, não são meus escravos. O que fazem, fazem por sua vontade, para que seu sistema social seja eficiente. Cabe a mim cumprir um papel neste jogo. Aceito suas oferendas, pois os protejo. Mas nunca as exigi. Eu sou um arquétipo quando estou na montanha. Exatamente como você, que é o arquétipo da justiça infalível de Meca mas que é falho, como eu, pois se os seus descendentes se tornaram algo deplorável você nada fez para intervir. Absolutamente nada. Se esconde em uma cidade no meio do deserto onde, provavelmente, ainda teme a fúria de seus filhos. Um pai ausente, és. Cumpriu bem tuas funções como General, mas de forma ineficiente as tuas funções como genitor. Não tens nenhuma moral para julgar o que somos se não nos apresentou, em nenhum momento, um caminho razoável. E agora culpa os filhos pelos pecados dos pais.

Dázbov não tinha nenhum medo. O respeito era presente, sabia quem estivera diante dele. Sabia da história carregada por Hubal mas a sua ausência, e a de seus irmãos, se ainda estivessem vivos, não havia aprofundado a Jyhad e a dor da Prole de Caim? Percebendo como são defeituosos os cainitas e percebendo os horrores que impunham à humanidade não seria tarefa deles encerrar este ciclo amaldiçoado sobre a terra? Dázbov tinha muitas perguntas, mas todas elas terminavam com o mesmo pensamento.

- Você é tão hipócrita e covarde quanto eu jamais serei, Hubal.

Sua consciência estava tranquila. Quando assumiu o papel de Deus Branco de Ai-Pétri, herdado por Borghav, não lhe foi dada escolha. Ele nunca se regozijou, o Deus Branco sim. Jamais exigiu tarefas daquele povo, o Deus de Ai-Pétri, Dázbov, sim. E fez isso somente porque se não o fizesse, todo aquele povo sofreria física e espiritualmente. Suas vidas tinham sentido desta forma e ele havia assumido este papel para garantir que suas vidas continuassem a ter sentido depois do desaparecimento de Borghav. Havia errado? Havia deixado de viver sua vida como deveria? Sempre julgou que não mas, ao perceber que nem mesmo seu Ancestral assumia as responsabilidades que seriam suas, se mantendo enfiado em um buraco de areia quente, o Lasombra se questionou se não estaria fazendo mais do que deveria. Se não era ele que estava aprisionado em uma existência que não era a sua. Teria Hubal razão, afinal? Dázbov sequer era o seu nome real...

Os pensamentos tumultuosos se foram quando Ahrmad começou a se levantar. Dázbov se ergueu rapidamente, e se aproximou a passos rápidos do Assamita. Interpelou-o antes que se recuperasse completamente.

- Eu escolhi mantê-lo vivo para que tenhas a chance de remediar a tua falha. Ou tu e teu Clã deslocam todos os seus recursos para efetivar a localização e destruição de Ta-Urt ou tudo o que planejamos aqui terá sido em vão.
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Re: Meca - A Honrada

em Sex Abr 13, 2018 6:18 pm
Conforme aquele que se chama Hubal sai do salão e o peso que caia sobre si diminuia, Qaphsiel foi tentando dar sentido à cena e às imagens que acabara de presenciar. Hubal havia facilmente dominado dois Cainitas de poder. Não houve nenhuma demonstração de esforço da sua parte quando segurou Ta-Urt e aprisionou Arhmad. Mais do que isso, a sensação de poderia ter destruído a todos, incluindo ele e Dázbov era palpável no ar.

Hubal disse que os dons vampíricos eram fruto da maldição de seu pai. Além disso, havia chamado a si mesmo de o "Forte", tal como um daqueles que compunha a progênie de Caim. Mas não estariam todos eles mortos, como havia aprendido com seu mestre? Como é possível? Hubal desapareceu no corredor, enquanto Qaphsiel o acompanhava com o olhar. Não podia ser. Apenas cogitar essa possibilidade era o suficiente para fazer o Arcanjo temer por toda a humanidade. Um único ser, com todo aquele poder...

... E ainda assim tolo. Então era verdade o que Za'aphiel havia lhe contado, a respeito de como a Maldição de Caim nos afasta dos preceitos mais básicos da humanidade. E se o homem é feito à imagem e semelhança de Yahweh, o fato de não existir mais nenhum resquício de humanidade em Hubal o tornava eternamente distante do Criador.

Pois apenas o Criador é Justiça. Ele, e somente Ele, é a Justiça e a Verdade. Hubal questionou Dázbov, dizendo que em sua fala, apenas a Força determinava o que era Justiça, mas a justiça de Hubal também era o exercício da força de um ser, pervertido por sua visão de mundo e desprovido da essência divina que é Justiça de Yawheh.

A Justiça de Yawheh não oprime os píos, ela os liberta. Era por isso que Roma deveria cair, pois o Império não é justo...

Qaphsiel, ainda carregando o corpo de Caleb, se aproximou de Dázbov. Com a voz firme, porém serena, ele disse:

- Dázbov, eu vi aquilo que Hubal quis mostrar. Hubal está errado, mas também estiveste em erro. Hubal erra ao dizer que eu não salvaria a vida da jovem que mataste. Pois a morte de um mortal é um pecado aos olhos de Yahweh. Eu enfrentaria a ti e ao seu povo para salvá-la. Um povo que vive pela guerra e pela morte não deve ter seu lugar neste mundo.

O Arcanjo olha Dázbov nos olhos.

- Mas saiba, Dázbov, que ao contrário de Hubal, o Deus de Y'srael é Justo, capaz de absolver os pecados daqueles que se arrependem e até mesmo aqueles que não sabiam que pecavam. Porque Yahweh é capaz de enxergar o coração dos homens e saber quando são puros. Em um dos nosso livros sagrados está escrito que diante do Criador, todos nós poderemos estar puros de nossos pecados.

Qaphsiel sorriu.

- Nós temos a capacidade de mudar, para o Bem e para o Mal. Não creio que o Dázbov que me foi mostrado por Hubal seja o mesmo que tenho diante de mim agora.

O Arcanjo olhou para Arhmad, que começava a se levantar.

- Quanto à sua escolha, Dázbov, eu teria feito o mesmo. Perderíamos um bom homem e uma mulher má, caso optasse por puni-los. Deixemos que os bons vivam, pois os maus serão punidos por Yahweh.
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Re: Meca - A Honrada

em Dom Abr 15, 2018 9:35 am
* O salão parece absurdamente mais leve e comum após a saída daquele ser ao qual os mortais de Mecca chamam de Hubal. Até mesmo a luz alaranjada das chamas contidas na paredes reduzem de intensidade, como se voltassem a seu estado natural.

Arhmad abre lentamente os olhos e sua pele em tom ébano começa a retomar a sua forma original, enquanto o aspecto acinzentado o deixa lentamente. Visívelmente sem forças, ele se ergue com dificuldades e não há nada em seus olhos além de um medo primal e absoluto. Sua voz trêmula, ganha forma em palavras assustadas*


- Eu...minha vida e não vida, em instantes, se demonstrou a meus olhos através das chamas. Quantas falhas...quanta desonra.

* As palavras de Dázbov o ajudaram a despertar para a realidade que o cercava e, ainda reduzido ao mero reflexo do que o altivo Assamita tinha demonstrado anteriormente, continuou*


- Tua decisão, Dázbov, mantém-me presente mas coloca toda a demanda contra o Império em risco. Digo-lhe que deverias ter optado pela nossa destruição. Seria apenas o primeiro dos incontáveis sacrifícios que serão necessários daqui em diante. Além disso, deveria eu pagar por minha falha ao convocar Ta-Urt, sendo enganado quanto a sua natureza e identidade.

- Ta-Urt...A Dama do Deserto é, em verdade, Cria do próprio Set. Não será uma caçada fácil, Cainita de Ai-Petri, mas tens a minha palavra de que todos os meus esforços se concentrarão neste sentido. Preciso deixar claro, contudo, que não falo pela Montanha. Sou agraciado por parte do apoio daqueles que de lá decidem sobre a minha família, mas não delibero sobre os filhos de Haqim.

* De pé, seu olhar começa a voltar à austeridade e autoridade antes apresentada*

- Não devemos desperdiçar mais tempo. Dázbov, siga até Odoacro e lhe entregue um dos Cristais. Eu começarei os preparativos para a viagem que farei ao Egito.
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Re: Meca - A Honrada

em Seg Abr 16, 2018 4:56 am
As palavras de Qaphsiel haviam causado algum efeito em Dázbov. O Deus de Ai-Pétri estava cansado e confuso. O fardo que deveria carregar nas noiter porvir era imensamente grande: era o juiz e o carrasco do Clã da Noite. Ai-Pétri parecia cada vez mais longínqua, uma recordação de um tempo que, possivelmente, não voltaria mais. Dázbov era quase uma lembrança. O Lasombra sabia que a força de Dázbov seria útil enquanto estivesse em Roma. Mas sabia também que Dázbov era uma máscara que lhe servia no Norte. Outra deveria ser construída.

Ouviu as palavras de Ahrmad quando ele se levantou. Estava satisfeito que o cainita se encontrava bem e estava seguro da escolha que havia feito. Poderia ter destruído Ta-Urt. Não o fez por respeito à Ahrmad e por acreditar que cada cainita deveria ser capaz de consertar seus próprios erros. Além disso, não acreditava na justiça de Hubal.

- Seguirei até Odoacro, mas meus caminhos me levarão, inicialmente, até a casa de meu Pai em Siracusa. Há duas coisas que devo solicitar-lhes. Posteriormente, seguirei até Odoacro e depois encontrarei pessoalmente os governadores provinciais indicados por ti. Ao fim da minha longa jornada, entrarei em Roma.

Olhou para os cristais.

- Sugiro que, agora que nossos números sofreram uma redução, que um dos cristais seja entregue à Qaphsiel.

Sorriu.
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Re: Meca - A Honrada

em Seg Abr 16, 2018 9:01 am
O Arcanjo coloca o corpo de Caleb gentilmente no chão. Ele pega sua adaga na cintura e faz um pequeno furo em seu dedo indicador, depositando o precioso vitae no cristal que lhe foi confiado por Arhmad.

Ele entrega para Dázbov o cristal que pertencerá ao Lasombra e aquele que será entregue a Odoacro. Pensativo, coloca o terceiro cristal na palma da mão do Assamita.

- Se o que dizes é verdade, Kalif, e Ta-Urt é uma setita cria do próprio ser de trevas que deu origem àquela linhagem, ela oferece perigo não só aos nossos planos, mas ao mundo. Caçá-la é mais do que uma necessidade, mas um dever.

Qaphsiel olha para Dázbov e Arhmad.

- Sei que não foi isso o que combinamos, mas diante do ocorrido, gostaria de acompanhá-lo ao Egito para eliminá-la. Não existirá Frente das Sombras ou sequer a Frente da Guerra se Ta-Urt revelar nossos planos para o Império.

- Além disso, a Setita disse que parte do meu povo ainda se encontra em regime de escravidão no Egito. Talvez isso fosse apenas um engodo usado como isca para que eu a acompanhasse após o Conclave, sabemos lá para que fim profano. Mas se for verdade, cabe a mim verificar e fazer o possível para libertá-los.

O Arcanjo olha para o corpo inerte de Caleb, no chão.

- Também não vou negar que Ta-Urt me deve seu sangue por me fazer derramar o sangue de meu aliado. Ele era um homem honrado e nobre. Um guerreiro fiel... E ainda que não fosse, a vida de qualquer mortal tem mais valor do que a existência de uma serpente que caminha sobre duas pernas.

- Sei que o tempo urge enquanto conversamos, mas gostaria de fazer um último ato em Meca. Não conseguirei levar Caleb para Y’srael, de modo que precisarei enterrá-lo aqui. Creio que o fato de ser um território livre do jugo de Roma o tornará uma moradia digna para seu corpo mortal. Mais importante do que onde ele será enterrado é que os ritos sejam cumpridos. Logo em seguida, poderei partir.
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Re: Meca - A Honrada

em Seg Abr 16, 2018 10:17 pm
* Arhmad ouve as palavras de Qaphsiel e repousa sua mão no ombro do Salubri*

- Será uma honra, irmão de armas, tê-lo ao meu lado na caça àquela maldita Serpente. Juntos, cortaremos a sua cabeça fora e livraremos o seu povo e a nossa demanda da ameaça da Cria de Set. Triunfaremos ou cairemos juntos.

* Ao ouvir sobre Caleb, seus olhos pesam e seu semblante se entristece, antes de responder*

- Não há qualquer regra impeditiva em Mecca sobre rituais religiosos, desde que não violentos. Assim como poderias - em outra situação -  enterrar o seu homem livremente. Contudo, o ultimato de Hubal ecoa em minha mente junto às imagens de suas chamas e não nos deixa escolha. Devemos deixar estas terras o mais breve possível e aqui, jamais voltar.

- Eu não o desafiaria, não novamente.


* Havia medo, o mais primal deles, nos olhos de Arhmad.

Após Qaphisiel pegar o seu cristal e devolver à Dázbov os outros dois que lhe competem, a Frente das Sombras está pronta para tomar as suas rotas e cursos de ação. Arhmad indica que deixará o refúgio e juntará seus homens para a partida imediata e que encontrará Qaphsiel em uma hora na saída de Mecca,  deixando o cainita de Ai-Petri e o Salubri sozinhos no salão alaranjado e coberto de areia.*
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Re: Meca - A Honrada

em Ter Abr 17, 2018 12:14 am
Qaphsiel aquiesce diante das palavras de Arhmad. De fato, as ameaças de Hubal ainda pairavam no ar. Não haveria tempo nem meios para fazer um breve funeral de Caleb em Meca. Porém, não poderia deixar o corpo do homem sem os rituais sagrados.

Novamente, pega Caleb nos braços para sair do refúgio. Só lhe restaria reunir seus homens restantes rapidamente e se dirigirem até a saída da cidade, onde encontraria Arhmad. No perímetro da cidade, fora dos domínios de Hubal, banharia o corpo de seu aliado e o enterraria. Sabia que Caleb merecia mais, mas as noites não estavam sendo gentis com os virtuosos.

O Criador Onipresente receberá sua alma, Caleb. Eu o aguardarei a ti e a Ele no Dia do Juízo Final.

Em seguida, tudo indicava que partiriam em direção ao Egito. Se tudo correr bem no caminho, orientará seus homens a seguirem de volta para a Galileia quando chegarem no Sinai. Qaphsiel cruzaria o Mar Vermelho na companhia de Arhmad, dessa vez no sentido oposto ao que seus antepassados fizeram. O Povo de Y'srael teria que aguardá-lo. Deveriam ser perseverantes, pois tinha certeza que ao menos uma entre duas opções aconteceria: Roma cairia ou Qaphsiel retornaria para seu povo. Qualquer uma delas deixaria o Arcanjo feliz.

Ao sair, Qaphsiel se dirige a Dázbov, mostrando-lhe o cristal

- Estaremos juntos, Dázbov. Que Yahweh esteja conosco.
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Re: Meca - A Honrada

em Ter Abr 17, 2018 5:05 am
Sem mais cerimônias, Dázbov fura o dedo com um dos caninos, depositando uma gota de Sangue em cada um deles e entregando-os de volta aos seus portadores. Sentia-se mal. Gostaria de retornar a Ai-Pétri, à paz de sua montanha. Sentia falta, até mesmo, do frio. Sua obrigações, entretanto, o impediam. Parecia a Dázbov que ele perdia, lentamente, parte de sua identidade, a mesma que o protegeu e o ajudou a sobreviver.

Concordou silenciosamente com a observação de Ahrmad sobre deixar Meca o mais breve possível. Preparou-se para sair, respondendo a Qaphsiel no processo.

- Sim, Qaphsiel, estamos juntos.

Acompanharia ambos até a saída de Meca, mas depois seguiria sozinho. Seus caminhos o levariam até Siracusa, até o Castelo das Sombras, antes que ele pudesse dedicar-se completamente à tarefa para a qual havia sido escolhido. Tinha uma última coisa a fazer.
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Re: Meca - A Honrada

em Dom Abr 22, 2018 11:16 am
* Qaphsiel, Arhmad e Dázbov deixam a Morada Sagrada e tomam rumos diferentes.

O Arcanjo trata de banhar, desempenhar um simples ritual e enterrar o corpo de Caleb fora dos limites de Mecca. Os homens que o acompanharam na viagem o seguiram, nas carruagens, visivelmente abatidos pela morte de seu líder durante o dia e aquele que portava a palavra guia do Arcanjo.

Após cerca de uma hora, não mais, Kalif Arhmad se faz ver acima de uma carruagem negra que faz parte de uma comitiva com outras três. Ao aproximar-se, desce do transporte e se dirige à Qaphsiel. Ele usava um turbante negro com uma jóia esverdeada e brilhante no fronte.*


- Meus homens estão prontos, Arcanjo. Devemos partir o quanto antes. A viagem será longa, pois sugiro que não atravessemos o Mar Vermelho por seus principais portos que já devem estar sendo patrulhados pelos Servos de Ta-Urt. Ao meu ver, a rota mais longa será a menos vigiada, através das areias de Y'srael, seguindo por Sinai e por fim passando por Port Said. Lá, uma pequena travessia será necessária, mas já possuo homens cuidando disso.

* Por outro ponto das areias ao redor da cidade de comerciantes, Dázbov deixa Mecca e nota que aos pés da montanha chamada pelos locais de Jabal al-Nour o mesmo cainita que o guiou até aqui o aguarda, pacientemente. Ele mantém a túnica a lhe cobrir todo o corpo e somente a longa barba o torna facilmente reconhecível. Ali estava Daharius Anun-Har Sarosh. Após sua aproximação, a voz daquele homem ecoou enquanto seus olhos escuros e profundos, estranhamente, não refletiam a luz das estrelas e da lua*

- O Forte levantou-se, então. Sua presença foi notável e minha partida retardou-se. Fico satisfeito que não tenhas sido sobre tu que a punição dele caiu. Estou aqui para levá-lo à seu próximo destino, conforme a tua vontade e, além disso, ensinar-lhe os meios de locomover-se por longas distâncias como eu o faço.
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Re: Meca - A Honrada

em Dom Abr 22, 2018 4:45 pm
Sobre o Forte, Dázbov optou por não responder ou comentar. A força da experiência se traduzia em sua mente aos poucos, e as informações eram demasiadas. Olhou para Sarosh e fez uma breve mesura com a cabeça. Olhou para trás, para Meca, uma última vez antes de se dirigir ao outro homem.

- Sim, eu também fico satisfeito. Fico também satisfeito que, naquele contexto, não tenha caído sobre Qaphsiel e Ahrmad. Ta-Urt, no entanto, se torna um problema que eu gostaria de discutir diretamente em Siracusa, antes que eu possa seguir o meu caminho. E é pra lá que eu solicito que seja levado. Estando já diante de ti, requeiro uma audiência com os membros que me receberam. Há algumas coisas que precisam ser ditas e algumas medidas que precisam ser tomadas.

Dázbov completou, antes de se aproximar do homem, indicando que deveriam prosseguir.

- E eu o agradeço pelos ensinamentos que virão, Sarosh. Serão úteis nas noites que virão.
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Re: Meca - A Honrada

em Dom Abr 22, 2018 7:42 pm
Após realizar o rito fúnebre de Caleb, Qaphsiel permaneceu em silêncio junto aos seus homens restantes. Não estava se sentindo muito capaz de oferecer palavras de conforto. Talvez, no decorrer da viagem de volta, ele recuperaria sua esperança. Por ora, só pensava em sair logo de Mecca e descansar.

Quando Arhmad chegou com sua comitiva, o Arcanjo sentiu uma espécie de alívio. Iriam, afinal seguir viagem. Ao ouvir sobre o itinerário planejado pelo Assamita, Qaphsiel concordou.

- Já imaginava que iríamos por terra. Meus homens irão nos acompanhar até Y’srael. De lá, eu os deixarei escolher entre me acompanhar ou seguir de volta para a Galiléia. Ao menos um deles precisará voltar para avisar aqueles que nos aguardam em meu antigo refúgio.

Qaphsiel observa seus homens reunidos, preparando suas carruagens para a partida.

- Vamos ao Egito caçar um demônio. Que Yahweh nos proteja.
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Re: Meca - A Honrada

em Dom Abr 22, 2018 7:48 pm
* Seu interlocutor parece incrédulo*

- Ta-Urt deixou Mecca? A punição do Forte não caiu sobre ela, Arhmad ou o Salubri? Jamais houve na história uma noite na qual ele se fizesse presente e uma sequência de mortes não se seguisse. Se a serpente escapou, tens razão e urgência em demandar o Conselho das Sombras.

- Acompanhe-me.


* Ao fim de suas palavras o horizonte enegreceu, convidativo, para que Dázbov adentrasse àquela escuridão dançante*

- Concentre-se. O abismo do qual nossos dons provém permeiam tudo o que existe, em todo o lugar e em todo o tempo. Distâncias, através dele, são irrelevantes. As leis de espaço e tempo das quais devemos obedecer e nos submeter aqui, no plano comum, não existem na mais profunda escuridão. Sua mente é o limite, seu controle é a chave.

* Ao contrário da última vez, ele parece apenas ter aberto a passagem de escuridão profunda e deixado que os passos seguintes sejam realizados por Dázbov, como parte de seu aprendizado.*


* Em outro ponto, Arhmad e Qaphsiel partem de Mecca em busca de vingança, justiça e o prosseguimento do plano que corre risco devido à fuga da Serpente.*

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Re: Meca - A Honrada

em Seg Abr 23, 2018 3:01 pm
Dábov encarou o Abismo. Não sentia ansiedade ou medo de falhar. Permaneceu observando-o por alguns poucos segundos. Depois, estendeu os braços e tocou a escuridão. Seria a segunda vez em pouquíssimo tempo que deixaria de ser Dázbov, o Deus Branco, para entregar-se nos braços de Czernobog, o Deus Obscuro. Fechou os olhos e visualizou a praia localizada na ilha onde esteve antes de seguir para Meca. A casa de seu Pai. Talvez o local que lhe daria calma e tranquilidade depois dos eventos dramáticos de horas atrás. Ali se sentiria - e estaria - protegido.

Deixou-se guiar pelo barulho do mar, a revirar-se sobre si mesmo. Depois, adentrou a escuridão sem olhar para trás.
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Re: Meca - A Honrada

em Ter Abr 24, 2018 9:32 pm
* Dázbov concentra-se e adentra à escuridão. Nota, contudo, que a tarefa parece ser mais complicada que o esperado.

Em sua primeira tentativa notou as sombras o envolverem, junto à Sarosh, e os levarem não mais que seis passos adiante. Seu guia permaneceu em silêncio e seus olhos escuros como a noite pareciam observar o desempenho do cainita de Ai-Petri com interesse.

Novamente, Dázbov focou naquela escuridão e deu um passo adiante sendo engolido pelo abismo. Desta vez, em uma fração de segundos - ou teriam sido intermináveis minutos? - viu-se ao longe de Mecca mas ainda nas areias do deserto. Apenas dunas e a luz da vastidão acima dele e de seu guia se faziam presentes.

Notou que quanto mais esvaziava sua mente, mais longe conseguia ir. Os pensamentos revoltos em virtude dos acontecimentos desta noite pareciam impedir seu avanço.

Um som invadiu-lhe os ouvidos. Era o chocar constante das águas no paredão de pedra. O ir e vir das águas negras se tornava presente, o ar salobro inundava suas narinas e a escuridão dançou, levemente, indo e vindo como se água fosse. Não notou o momento exato no qual aconteceu, mas em algum ponto, quando focou-se somente na lembrança, seu corpo envolveu-se no manto de sombras e seus olhos abriram-se de frente para o Castelo das Sombras.

O som inconfundível do mar voltou, desta vez em presença, aos ouvidos de Dázbov.*


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Re: Meca - A Honrada

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