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Re: Meca - A Honrada

em Qui Mar 15, 2018 3:10 pm
* Arhmad retoma a palavra, arrematando o discutido até então*

- Estou honrado e satisfeito em ter mediado com tanto sucesso o primeiro de muitos Conclaves desta, assim espero, duradoura aliança. Encerro este primeiro debate com a formação das Frentes da Guerra e das Sombras  e o destacamento de seus respectivos líderes, O rei Odoacro e Dázbov.

* Ele arqueia o corpo em respeito aos presentes*

- Desfrutem da hospitalidade de Mecca esta e nas próximas noites, se assim desejarem. Apenas como lembrete aos Senhores que não costumam caminhar sobre estas areias, gostaria de reiterar que Mecca é um centro comercial livre e com um pacto de não violência para com os que vão e vem. Tal tratado foi estabelecido há mais tempo do que os grãos de areia ao qual pisam e é cobrado, firmemente, através de Hubal - o Cainita e dos Espadas do Deserto sob meu comando que aqui descansam e se alojam.

* Ele deixa o púpito e se encaminha em direção a Dázbov. Ao se aproximar, comenta para que Qaphsiel e Ta-Urt os ouçam*

- Dázbov, poderíamos aproveitar as horas que nos restam esta noite para debater as ações mais específicas da Frente das Sombras?

* Ao mesmo tempo, Odoaco reune-se com os citados para a Frente da Guerra e iniciam alguns debates*

* O cainita do Ai-Petri parece ouvir a voz de Sarosh que permanece em silêncio a seu lado e logo se dá conta de que as palavras de seu guia ecoam apenas em sua mente*

“Permita-me dialogar, silenciosamente, convosco Sangue do meu Sangue. Há um assunto de urgência antes que tu se aprofundes nos planos com os seus. A mulher, Ta-Urt, não é quem diz ser.”
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Re: Meca - A Honrada

em Qui Mar 15, 2018 4:04 pm
Com o fim da reunião do Conclave, Qaphsiel se aproxima de Arhmad, enquanto se organizavam para a reunião com a Frente das Sombras. Falando em aramaico, o Arcanjo faz uma reverência ao Califa:

- Se me permite novamente agradecê-lo, Kalif Arhmad, para mim é uma honra ter sido selecionado para fazer parte deste Conclave e dos planos que agora se desenrolarão. As palavras que foram ditas por Damek e Odoacro nas últimas horas estão carregadas de uma verdade: sou apenas um entre os Filhos de Samiel, bem como só posso oferecer a liderança imediata de um punhado de homens. Além disso, só possua minha fé e convicção.

Qaphsiel se levanta, fitando o Califa nos olhos:

- Para mim é uma grande honra poder lutar ao lado dos Espadas do Deserto. Za'aphiel, meu Mestre, sempre foi enfático quanto à honra e perícia dos Filhos de Haqim. As histórias que contamos entre os Filhos de Saulot, à respeito da guerra travada em Chorazin, sempre exaltam o papel que vocês tiveram naqueles eventos. Nossos antepassados foram parceiros de armas desde a Segunda Cidade.

O Arcanjo faz uma pausa, antes de continuar.

- Apesar disso, Nobre Califa, me pergunto porquê, entre todos os Filhos de Saulot e Samiel que poderia recrutar para esse Conclave, escolheu a mim? E por que enviastes um Espada do Deserto para eliminar os traidores que estavam em meu meio?
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Re: Meca - A Honrada

em Qui Mar 15, 2018 7:41 pm
Dàzbov sentia-se satisfeito com o final do Conclave. Parecia ao Deus de Ai-Petri que algumas coisas estavam encaminhadas, mas também significava que muito trabalho deveria ser feito.

Aceitou, de imediato, o convite de Arhmad com um aceno de cabeça, enquanto ouvia em sua mente ecoar  a voz de Sarosh. Não mudou de expressão, não esboçou nenhuma mudança em sequer um músculo. Não era um esforço: Dázbov se comportava desta forma continuamente.

- Aprecio e agradeço o vosso convite, Arhmad. Estarei contigo em pouquíssimo tempo, para que possamos discutir temas relativos à intervenção. Permita-me, somente, despedir-me meu irmão de Sangue, antes que ele se vá.

Dázbov se concentra sua vontade. Fita, velozmente, e involuntariamente o Terceiro Olho de Qhapsiel, como se aquele fosse um ponto que consciência elevada e uma porta por onde Dázbov pudesse entrar. Impõe sobre o Salubri os seus pensamentos, de forma gentil e não invasiva: dava ao seu companheiro de Conclave a chance de recusar, se fosse seu desejo. As palavras, contudo, eram firmes e continham um leve sensação de urgência.

- Preciso falar-lhe dentro de algumas horas. A sós. Encontre-me amanhã, pouco antes do zênite da lua, nos portões da cidade.


Depois, enquanto se dirigia a Sarosh:

- Estou ouvindo, Sarosh. Diga-me o que preciso saber.
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Re: Meca - A Honrada

em Qui Mar 15, 2018 11:11 pm
* O Kalif meneia a cabeça em sinal de respeito após o cumprimento de Qaphsiel. Em seguida, responde ao Arcanjo em sua língua mãe, o Aramaico. O Salubri pode notar claramente que as palavras ditas revelam, se não reverência, reconhecimento ao passado de seu clã e dos sacrifícios realizados ao longo de sua história, até o presente momento.*

- Somos, Arcanjo, mais próximos em ideais e anseios do que aparentamos. Nossos Pais, os primeiros a darem nomes as nossas famílias, estão desaparecidos e nos deixaram orfãos de sua presença mas imbuídos de seus ensinamentos. Dentre os seus, os que seguem o caminho do guerreiro têm muito em comum com os nossos e mesmo os outros se assemelham a uma de nossas castas. Paz e Guerra convivem sob uma tênue e frágil linha e, muitas vezes, não se pode determinar onde e quando uma interpela a outra.

- A Moeda Romana possui duas faces, a que contém o seu Imperador e a outra, com uma águia encrustada como símbolo de seu Império. Acredito, pessoalmente, que nossas famílias assim são. Semelhantes, mas com suas especifidades.

* Ele faz uma pausa e responde o Arcanjo fitando seus olhos. Não há dúvida ou entrelinhas. É o que ele diz, pura e simplesmente*

- A Filosofia e a Crença são necessárias na paz. Estratégia é fundamental na guerra. Tu e teu povo são parte de um plano que arquitetei para o avanço dos que resistem à Roma. Estás aqui porque é uma parte do esforço necessário para que o Império caia, a despeito da minha simpatia pelos teus.

- Quanto ao homem que evitou o atentado contra a tua vida, uma feliz coincidência. Pouco escapa ao olhar atento dos Espadas do Deserto e noites antes de estender-lhe o convite ao Conclave, enquanto me inteirava de suas ações e localização, interceptamos um mensageiro que negociava com os teus homens. Me antecipei ao ataque deles adiantando a entrega do convite para garantir que estivesse vivo quando o recebesse.

* Ele sorri levemente, da própria brincadeira que acabara de fazer.*

- Perdoe-me, obviamente não perecerias assim tão facilmente. Tu era inteiramente capaz de desmantelar o atentado e punir os responsáveis. Minha antecipação, em verdade, serviu como um gesto de boa fé e aproximação entre nós. Espero, sinceramente, que não o tenhas ofendido neste intento.

* Ele se curva, respeitosamente*

* Enquanto isso, Dázbov aproxima-se de Sarosh que lhe estende o braço para um aperto de mãos - antebraços em verdade. Seus corpos cumprimentam-se mas suas mentes dialogam em sigilo para o mundo exterior*

"A Dama do Deserto esboçou uma ação em demasiado ousada. O seu nome é desconhecido à maioria dos cainitas aqui presentes, mas não a todos.

Ouça-me com atenção. Ta-Urt é, em verdade, uma Cria de Set. Em idade, quase tão antiga quanto eu. Já vestiu-se com diversos nomes e por isso o seu próprio diluiu-se no tempo. Se não tivesse desprendido de meu tempo com Osíris, meu ido irmão, nem mesmo eu a reconheceria.

O que tens que saber, além disso, é que Hannibal Barca seria o único vampiro neste Conclave que a reconheceria. A minha presença os desconcertou e, mesmo Aníbal, fraquejou e usou do passado de Cártago como um artifício para reforçar seu compromisso com esta reunião, passando por cima da própria dor ao me reencontrar. Acompanhe meu raciocínio, Dázbov.

Tenhas cautela nas noites que se seguem. Ta-Urt é absolutamente imprevisível. Mecca é guarnecida pelo acordo de integridade que, mesmo ela, não ousaria quebrar e inclusive se beneficia neste momento visto que sua destruição seria uma de minhas prioridades.

Tu és a voz e a vontade dos filhos de meu Pai nesta empreitada, haja com sabedoria quanto a esta informação e, sobretudo, na liderança deste grupo diverso e letal."
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Re: Meca - A Honrada

em Sex Mar 16, 2018 6:08 am
Dázbov aperta firmemente o antebraço de seu irmão e, ao mesmo tempo em que a voz de Sarosh ecoam em sua mente, palavras saem da boca do Deus de Ai-Petri:

- Eu agradeço a sua presença, meu irmão, Sangue do meu Sangue. Espero reencontrá-lo em breve, com notícias positivas sobre o nosso avanço.

Termina as duas conversar, aquela física e aquela mental, com um respeitoso cumprimento ao ancião de seu Clã. Ansiava, em tempos menos tumultuados, conhecê-lo mais profundamente, descobrir suas opiniões e, quem sabe, aprender de sua experiência.

Limita-se, posteriormente, a esperar que Arhmad termine sua conversa com Qhapsiel e prepara-se para segui-lo rumo à discussão privada.
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Re: Meca - A Honrada

em Sex Mar 16, 2018 10:49 am
Qaphsiel escuta as palavras de Arhmad com atenção e reverência. Há sabedoria na sua fala.

- Tens razão, Kalif. Nossas famílias são mais próximas do que podem parecer aos ignorantes. Creio que Nossos Pais foram os únicos que entenderam a guerra como ferramenta de conquista e manutenção da Paz. Não vamos à Guerra por glória ou sede de sangue. Aí reside a honra da nossa força. Saulot foi sábio para compreender que não basta curar o sofrimento. É preciso eliminar sua origem. Por isso concedeu o Abraço a Samiel, de quem o nós guerreiros descendemos.

- Dito isso, entendo perfeitamente a estratégia que o levou a incluir Y'srael em seus planos. O Deus de Y'srael não é um deus da guerra, mas sua Força é implável contra aqueles que se colocam no caminho do seu povo. Assim, Y'srael não busca a guerra, mas vingança para garantir sua Paz. Vamos nos defender e voltar nossa fúria contra nossos inimigos.

O Arcanjo sorri com a brincadeira do Califa

- E não me ofendo com sua ajuda. Entendo-a como um regalo entre aliados. Espero que um dia, em tempos de Paz, eu possa ser agraciado com a honra de treinar entre os seus. Para que quando a Guerra voltar a bater na minha porta, esteja ainda mais preparado.

Ele cumprimenta Arhmad, demonstrando seu respeito ao ancião Assamita.

Ao receber a mensagem de Dázbov enquanto se encaminhavam para a próxima reunião, Qaphsiel para por uma fração de segundo. Não responde em com palavras em pensamento, mas envia para o Lasombra a sensação clara que de que encontraria com ele, tal como orientado.
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Re: Meca - A Honrada

em Sex Mar 16, 2018 2:18 pm
* O ancião do Clã da Noite despede-se e adentra a sua própria sombra projetada nas paredes amareladas da Morada Sagrada, tornando-se um vulto e posteriormente esmaecendo até o desaparecimento completo. Suas palavras, contudo, ficaram gravadas na mente de Dázbov.

Arhmad demonstra satisfação com as palavras do Arcanjo e nota a aproximação do Cainita de Ai-Petri. Indicando a saída da construção de pedra, onde Ta-Urt parece aguardá-los, ele conclui*


- Acompanhem-me, Senhores, debateremos nossas ações em meu refúgio e lar dos Espadas do Deserto.

* O Rei, Odoacro, se desprende de seu grupo e caminha pesadamente em direção aos membros da Frente das Sombras. Ao se aproximar, destina seu olhar e palavras a Dázbov*


- Dázbov, meus mensageiros e batedores facilitarão a nossa comunicação durante as próximas noites. Mantenha-me informado de vossas ações e eu farei o mesmo.


* Arhmad, que se adiantou, conversa com Ta-Urt e aguarda Dázbov e Qaphsiel para que deixem o local do recente Conclave*
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Re: Meca - A Honrada

em Sab Mar 17, 2018 5:52 am
Dázbov consente, com um aceno de cabeça, às palavras de Odoacro. Seria de fato importante compartilhar as decisões e ações a serem tomadas. No entanto, a prudência era ainda um sentimento a ser mantido. As palavras de Sarosh haviam sido importantes para Dázbov, que continuava a pensar no quanto escondiam aqueles cainitas. Odoacro, contudo, era um dos que Dázbov sentia menos necessidade de desconfiar. Talvez o tempo o mostrasse que estava errado ou talvez confirmasse sua confiança inicial.

À medida em que Arhmad deixa a morada sagrada, acompanhado de Ta-Urt, Dázbov se coloca ao lado de Qhapsiel. O Deus de Ai-Petri havia identificado no Salubri uma humanidade e consciência maior do que havia detectado nos outros, e isso o agradava. Teria alguém para compartilhar suas impressões e para organizar ações que levassem em conta o bem estar dos mortais envolvidos no conflito.

- É uma honra conhecer, finalmente, um filho de Saulot. Me foram contadas muitas histórias sobre os de seu Sangue e sobre o conhecimento que vocês acumulam. Devo dizer que me senti muito satisfeito com os seus posicionamentos, Qhapsiel, e a sua esperança na libertação do seu povo me parece inspiradora. Sobre as ações que devemos executar creio que conversaremos mais tarde, junto à Ta-Urt e Arhmad, então gostaria de discutir um outro tema enquanto caminhamos. Tenho uma curiosidade imensa sobre o homem que foi crucificado na Palestina, quase um século atrás, e que se proclamava Filho de Deus. O que podes me dizer a respeito?
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Re: Meca - A Honrada

em Sab Mar 17, 2018 9:53 am
* O diálogo entre Dázbov e Qaphsiel prossegue enquanto caminham saindo da Morada Sagrada e através das areias douradas banhadas pela luz lúgubre da lua. Arhmad e Ta-Urt, mais à frente, também debatem algo.

Enquanto as duplas trocam palavras entre si e cruzam pelo extenso corredor de tendas já desmontadas, se aproximam da entrada de um pequeno casebre de pedra, simples, em formato quadrado e feito com grandes pedras amareladas. Arhmad bate à porta e uma portinhola se abre, em seguida, a própria porta é aberta e garante acesso ao interior da pequena morada.

Ao entrar, os homens notam uma longa escadaria descendo, iluminada de forma semelhante ao do templo no qual estavam debatendo em conclave. São chamas no interior das paredes, afastadas dos corredores, em buracos quadrados que se estendem por toda a escadaria e conferem uma luz alaranjada ao ambiente.

Ao fim das escadas, um longo corredor com diversas portas e no fim deste um salão retangular, com uma imensa tapeçaria a cobrir o chão e exatamente sete espadas colocadas uma ao lado da outra, cravadas ao chão em semi-círculo.

Atrás de cada espada há pequeno banco de madeira. Arhmad senta-se em um deles, indica para que Ta-Urt sente-se também e aguardam os cainitas de Ai-Petri e Y'srael que ainda cruzam o corredor, dialogando.*
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Re: Meca - A Honrada

em Sab Mar 17, 2018 11:39 am
Enquanto caminhavam para o local onde iriam prosseguir com a segunda reunião da noite, Qaphsiel continua a observar Ta-Urt e pensar na proposta da Ravnos. Ele não conseguia deixar de pensar nas palavras que lhe foram ditas por ela. Estranhou, contudo, o fato de que o Conclave não tomou uma posição a respeito do uso que fariam dos Filhos de Set que residem nas terras de Ta-Urt. Deixariam essa decisão para Qaphsiel? Ou discutiriam isso na reunião que se iria se realizar agora?

Por mais que vários membros do Conclave tenham sido veementes na afirmação de que diferenças deveriam ser deixadas de lado, em prol da união contra Roma, Qaphsiel tinha seus limites. Algumas diferenças existiam para demarcar valores. Abdicar dessa diferença seria abdicar desses valores. Os corruptores do deserto não eram melhores do que Roma. A longo prazo, o estrago que os setitas podem causar seriam ainda piores do que a dominação romana. Roma conquista corpos, mas os corações continuam livres para lutar. Os setitas, por sua vez, eram corruptores de almas.

O Brujah Hannibal, por sua vez, acreditava que os ideais de Cartago eram tão valiosos que justificariam a aliança que sua Senhora fez com infernalistas. Tolo. Não existe aliança estratégica com esse tipo de criatura. No final, tudo o que querem é a destruição e a conquista. Tudo o que Cartago representou - se é que de fato representou algo algum dia - foi colocado a ruína quando as lideranças Brujah decidiram que aliar-se com o Mal era um mal menor.

Ao notar a aproximação de Dázbov, Qaphsiel sorriu. O Lasombra lhe despertava uma certa simpatia com a devoção que tinha ao seu povo. O Arcanjo valorizava qualquer Cainita que demonstrava uma preocupação legítima com os mortais. Afinal, não foi para isso que Saulot criou sua linhagem?

A pergunta de Dázbov, no entanto, lhe despertou curiosidade e um certo espanto. Ao contrário da maioria dos zelotes, Qaphsiel não nutria nenhum sentimento especialmente negativo contra a figura de Yeshua. Evidentemente, isso não significava uma crença na veracidade das palavras daquele homem. Talvez tenha sido sua natureza vampírica que o fazia pensar de forma mais branda. Havia muito nessa terra que carecia de explicações. Yeshua não era o Messias, mas talvez fosse alguém com poderes especiais. De qualquer forma, se o que ouvira sobre seus ensinamentos fosse verdade, Yeshua não professava valores muito diferentes daqueles professados por seus irmãos que seguiam o caminho da Cura.

- Pergunta-me sobre o nazareno que muitos chamam de “ungido”? Me espanta que a história dele tenha chegado tão longe a ponto de tomares conhecimento dela, Dázbov.

Qaphsiel continua sorrindo. Estava tomando um certo cuidado para não ferir a sensibilidade do Lasombra.

- Sim, ele era um judeu. Tal como eu sou, tal como o povo de Y’srael. Devo dizer, contudo, que ele não era o Messias. E ele NÃO era o filho de Deus.

Uma pausa. Um cuidado para medir suas palavras.

- Como deve ter notado nas minhas falas durante o Conclave, o povo de Y’srael passa por momentos difíceis. Em momentos de atribulação como este em que vivemos, é comum que falsos profetas surjam. Yeshua foi um dos muitos que surgiu dizendo que era o Messias do Povo Judeu, aquele que virá para salvar o povo judeu. Pois ele veio, foi crucificado e ainda não fomos salvos. Para mim, isso já atestaria contra suas palavras.

- Além disso, como pode um mortal se dizer “Filho de Deus”? “Ouça, ó Y’srael: o Criador, nosso Deus, é o ÚNICO Senhor”. Isso é o que diz a Fé judaica. Yahweh é uno. Qualquer um que diga ao contrário estará mentindo!

Qaphsiel percebe que se exaltou. Ele volta a sorrir e ameniza seu tom.

- Contudo, nobre Dázbov, você e eu já vivemos e morremos. Já vimos coisas que julgaríamos impossíveis em um momento anterior de nossas vidas. Não creio que Yeshua seja quem diz ser, mas talvez ele tenha sido algo. Algo a mais do que um mortal. Um rabi de grande poder. Quem sabe?

O Arcanjo franze o cenho.

- Não saberemos mais, pois os romanos tiraram sua vida. Eles dizem que foi uma escolha do meu povo, o que também é uma mentira. Yeshua não foi morto pelas pedras. Foi morto na cruz, um método de execução de Roma. Para nós, ele seria apenas mais um. Um mentiroso, um louco, nada de mais. Mas os romanos o viam como alguém perigoso e o mataram.

- Aquele que senta no trono de Roma também se afirma como um deus. Ao contrário de Yeshua, seu potencial de destruição é muito maior. Se crê dono de cada pessoa, animal ou pedra que existe nessa terra. E não admite concorrência.

Qaphsiel toca Dázbov no ombro.

- É por isso, Dázbov, que me tens ao seu lado. Para provarmos a ele que qualquer deus que pisa na terra pode morrer.
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Re: Meca - A Honrada

em Sab Mar 17, 2018 12:29 pm
Dázbov observa enquanto Arhmad e Ta-Urt avançam em direção ao casebre de pedra. Segue-os por todo o caminho, mas presta pouca atenção na estrada e na paisagem: toda a sua atenção está voltada para as palavras de Qhapsiel.

Estava ciente da gentileza do Salubri. A sua era uma resposta de Fé e sofrimento que fazia sentido aos ouvidos de Dázbov. Como poderia esse homem ser quem diz ser se o seu povo ainda passava por tanto sofrimento?

Escutou atentamente toda a resposta. Não esboçou reações e não interrompeu Qhapsiel. Ao final, porém, sentiu que devia ao Salubri uma explicação sobre a razão de uma pergunta tão estranha e fora de lugar.

- Sei quase nada sobre teu povo, Qhapsiel. Simpatizo com o vosso sofrimento somente em razão de conhecer também o sofrimento. Mas de forma diferente. Por anos eu orei. Orei incessantemente em meio às noites do norte quando a terra nada oferecia. Quando até mesmo os pequenos animais nos escapavam e a nossa fome crescia. Orei, pois assim meu pai mortal me havia ensinado, deveríamos aplacar a ira dos deuses da Noite e do Frio, para que as colheitas viessem. Orei, e nenhuma providência divina, nenhum milagre sucedeu as minhas orações. E a minha família me foi tomada, assim como foi tomado de mim aqueles mais próximos, que eu poderia chamar de povo, não fosse a distância entre nós. Talvez esse foi o nosso erro, não nos suportamos durante os tempos de necessidade. Acho que isso explica a admiração que aprendi a ter, nestes últimos dias, por ti e pelo povo de Y'srael.

- Portanto, deuses para mim passaram a ter pouco significado. Até o momento em que me tornei um deles. Quando deixei minha identidade para me tornar Dázbov, o Deus Branco da Montanha de Ai-Petri, foi para proteger aqueles que, como eu anos atrás, sucumbiam diante do frio e da morte. E foi meu Senhor, Bhorgav, que me ensinou a fazê-lo através de suas memórias, através de seu Sangue. Mas, em mim, se enraizou a dúvida. Alguns dos meu Clã eram cientes daquilo que havia acontecido na Palestina e o assunto foi tema de algumas conversações nos últimos anos, nas poucas vezes em que deixei Ai-Petri. E eu, que nunca tinha visto um deus, que esperara em vão toda a minha vida por alguém que salvasse os meus da fome e do frio, subitamente me encontrava diante de uma história de fé e de martírio, ainda que em uma parte insignificante do mundo.

Dázbov faz uma pausa. Algumas memórias eram excessivamente dolorosas. Sentia-se sozinho no mundo, não sentia-se parte de mundo algum.

- Cuidei do meu novo povo da melhor maneira que pude, mas não sou um Deus. Sou um cainita, limitado, ainda que poderoso. Aceitei esta tarefa do meu Clã somente por pensar que posso salvá-los, posso dar-lhes uma chance de viverem livres e sem medo. Mas, se um Deus veio à Terra para salvar seu povo e toda a humanidade sua mensagem deveria ser ouvida. Talvez fosse uma mensagem de esperança. A única que eu teria ouvido em centenas de anos em que caminho sobre a Terra. Porém, nunca a ouvi.

Dázbov sorriu. Havia algo de decepção em seu sorriso. Qhapsiel era infinitamente mais sábio que ele e, possivelmente, tinha razão em sua análise, muito embora Dázbov soubesse que, mesmo dentro da temática religiosa, as opiniões podem ser divergentes.

- Mas sim, meu caro. Nosso objetivo é a destruição de um falso deus, cujas ações destroem a vida de milhares de pessoas todos os dias. Sou contente de ter um Filho de Saulot ao meu lado nesta tarefa.

E, diante do toque de Qhapsiel, completou:

- Desculpe-me se te incomodei com as minhas abstrações. É raro, muito raro que eu tenha alguém com quem me comunicar.
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Re: Meca - A Honrada

em Seg Mar 19, 2018 9:12 am
Qaphsiel sorriu ternamente para Dázbov. Sentiu grande compaixão pelo Lasombra, bem como um pouco de gratidão. Era grato por todos aqueles que lhe faziam sentir-se humano novamente. Compartilhar a dor e sofrimento de perda era algo que lhe trazia as lembranças de quando ainda era vivo. Cainitas compartilham a Maldição da Noite, mas quantas vezes confessam uns aos outros a respeito das dores da não-vida?

- Sua história me comove, Dázbov. Eu e meu povo perdemos nossa terra, aquela que nosso Deus nos apontou como morada definitiva. Mas nunca perdemos nosso senso de comunidade. A força de um judeu está na sua Fé, mas também está nos laços que estabelece com seus pais, seus irmãos e sua grande família. Pelo que posso entender das suas palavras, foi justamente essa comunidade que perdeste. Encontrou-a novamente no povo que lhe adora, mas sente que os laços não são como gostaria.

- Muitos contam que Yahweh criou o homem porque se sentia sozinho. Um deus pode ser venerado, mas ocupa um lugar solitário. Se a adoração do povo que vive no entorno do lugar que chama de Ai-Petri não aplaca a sua solidão, deve buscar uma comunidade que lhe dê conforto e esperança.

Qaphsiel pensa no que o Lasombra acabara de dizer sobre Yeshua.

- É possível que encontre essa comunidade naqueles que se organizam entorno da mensagem que Yeshua deixou antes de morrer. Ainda são poucos, mas estão crescendo. Eu não o conheci, mas dizem que era uma mensagem de amor e compaixão. Seja lá qual fosse a natureza desse homem, eu sei que ele se tornou um rabi. Talvez valha a pena para ti ouvir a mensagem do rabi.

O Arcanjo se lembra do próprio pai. Recorda das orações que conduzia, das mensagens que passava e dos conselhos que as pessoas vinham buscar com ele. Pela primeira vez em décadas, sentiu saudade. Soltou uma pequena risada.

- Meu pai mortal também era um rabi. Do alto do seu orgulho, ele sempre me dizia: “todos precisam ter um rabi!”. Busque seu rabi, Dázbov, seja ele quem for. Mas não se deixe ficar sozinho neste mundo.

Qaphsiel hesita. Ele para de caminhar por um segundo. Falar sobre os rabinos o fez pensar que precisava confessar algo para Dázbov.

- Existem coisas que apenas a sabedoria da não-vida nos permite enxergar. Suas palavras me trouxeram à consciência algo que penso de tempos em tempos. Yeshua foi executado pela lei romana, mas meu povo não pode se dizer isento desse ato. Naqueles dias, havia uma disputa por poder entre as lideranças judaicas. Eu pude ver o mesmo na época em que começamos a obter vitórias diante do Império Romano. Esses mesmo líderes se sentiram ameaçados pelas palavras de Yeshua e se mobilizaram para que Roma o executasse.

- Eu não acredito nas palavras de Yeshua, Dázbov. Mas sei que ele trazia uma mensagem de amor. Mandaram executá-lo por trazer uma mensagem de amor e com ela arregimentar fiéis. Consegue ver a gravidade disso, a culpa que esses homens trouxeram para si e para meu povo?

- A mensagem de meu pai, “todos precisam de um rabi”, continua verdadeira. Mas escolha bem seu rabi, Dázbov. Nem todos estão comprometidos com suas comunidades. Muitos querem apenas o poder. O que não é muito diferente da nossa espécie...

Por fim, Qaphsiel volta a tocar no ombro de Dázbov.

- E não há porque pedir desculpas. É para isso que procuramos uma comunidade: para conversarmos. És livre para buscar a mensagem e o povo que o acolherem, Dázbov, mas se tivermos tempo nas próximas noites - e se quiseres - posso lhe falar mais sobre a MINHA comunidade: o povo de Y’srael. Assim saberás mais sobre Yeshua. Afinal, ele era um judeu. O que farás com essa informações, somente você poderá dizer.
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Re: Meca - A Honrada

em Ter Mar 20, 2018 6:51 am
As palavras de Qhapsiel eram agradáveis aos ouvidos de Dázbov. O Salubri parecia deter um enorme conhecimento sobre seu povo e um grande domínio sobre a própria história. Havia, aparentemente, entendido o que se passava no coração de Dázbov, ainda se corações e mentes fossem, normalmente, territórios complicados e cheios de caminhos sinuosos. O Deus da Montanha se sentia feliz de ter alguém com quem conversar, mais ainda considerando os eventos que estavam se desenhando no horizonte.

Qhapsiel havia sugerido a Dázbov encontrar seu rabi. O Lasombra não estava totalmente seguro sobre o que significavam aquelas palavras, ou mesmo aquele título. Sabia, contudo, que estava em meio a uma busca que jamais havia cessado, que o havia feito deixar suas terras originas, as estepes geladas, e rumar em direção ao Oeste. Havia encontrado poucas respostas e muitas perguntas. Sua esperança era que seus instintos servissem como guia. Que a tarefa que fora designado a cumprir não se sobrepusesse aos seus desejos e às suas esperanças. Não ousava, contudo, imaginar as escolhas que teria que fazer. E sabia que essas escolhas se apresentariam.

Antes de entrar na casa onde já esperavam Ta-Urt e Arhmad, Dázbov se deteve. Segurou Qhapsiel pelo braço e, ao mesmo tempo em que verbalizava um agradecimento, impôs sua voz espiritual na mente do Salubri:

- Eu te agradeço, Qhapsiel. Suas palavras enchem meu coração de conforto. Espero que, nas noites que virão, nossa amizade possa crescer e que possamos trocar conhecimentos. Aprender sobre sua Fé será um privilégio para um homem simples como eu.

"Cuidado, meu amigo. Um destes que nos espera não é quem diz ser. Não esboce nada ao momento, mas esteja atento."
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Re: Meca - A Honrada

em Ter Mar 20, 2018 9:36 am
*O diálogo entre os cainitas ocorre enquanto atravessam o corredor de pedra iluminado e cruzam as escadarias do casebre. Ao fim delas,, um longo corredor com diversas portas e no fim deste um salão retangular, com uma imensa tapeçaria a cobrir o chão e exatamente sete espadas colocadas uma ao lado da outra, cravadas ao chão em semi-círculo.

Atrás de cada espada há pequeno banco de madeira. Arhmad já sentado em uma deles, indica para que os demais se acomodem. Ta-Urt faz o mesmo, ficando próxima ao Kalif.

O anfitrião abre as discussões*


-  Dázbov, a liderança de nossa Frente reside em sua sabedoria. Por favor, inicie nosso planejamento com aquilo que têm em mente para as próximas noites.

* Ta-Urt mantém um olhar quase indiferente, concentrado, no Salubri que acompanha o Vampiro do Ai-Petri*
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Re: Meca - A Honrada

em Ter Mar 20, 2018 2:05 pm
Ao ouvir o alerta de Dázbov em sua mente, Qaphsiel assumiu um semblante sério. O sorriso que carregava enquanto conversavam e caminhavam para a reunião deu lugar a uma expressão compenetrada. Com um aceno de cabeça, respondeu ao Lasombra.

- Também será uma honra conhecer mais sobre o norte e sobre o povo que o adora, Dázbov.

Aproximando-se do círculo de espadas, Qaphsiel se senta no banco desocupado ao lado de Ahrmad, evitando sentar-se próximo de Ta-Urt. Sua mente estava perturbada, mas ele se esforçou para manter uma imagem contemplativa. Se Dázbov estiver falando a verdade - e até o momento não via motivos para que não o estivesse - Arhmad ou Ta-Urt estavam escondendo algo.

Observou o Califa. Sabia que os guerreiros Assamitas eram mestres na arte do combate nas sombras, mas estaria diante de um engodo? Desde que chegou ao Conclave, Qaphsiel deixou claro sua admiração e respeito por Kalif Arhmad. Sentiu que seus sentimentos foram correspondidos. Se o Califa não era quem diz ser, o Arcanjo teria uma grande decepção...

Em seguida, quando passou a olhar Ta-Urt, Qaphsiel se deu conta que ela também o observava fixamente. "Um destes que nos espera não é quem diz ser", falou Dázbov. Se a Ravnos estivesse escondendo algo, não seria exatamente uma decepção. Trata-se da especialidade da sua família. Mas qual seria o interesse dela em Qaphsiel?

O Arcanjo mantinha-se atento. Evitou o olhar de Ta-Urt e aguardou Dázbov iniciar sua fala sobre o planejamento.
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Re: Meca - A Honrada

em Ter Mar 20, 2018 5:20 pm
Dázbov se senta assim que adentra a construção. Coloca-se em uma posição distante dos dois Cainitas já presentes, para que possa observá-los mais atentamente.

- Não sou sábio, meu senhor Arhmad. E, dito isso, deixo já claro que nada do que eu fale é uma decisão impositiva, data é determinado. Tudo está aberto a discussão e somente com os nossos esforços unificados conseguiremos alcançar os nossos objetivos.

Arqueia as costas em direção aos interlocutores. Por alguns instantes, Dázbov abandona a face do Deus da Montanha de AI-Pétri. Seus modos se tornam mais elegantes e menos rudimentares. Havia aprendido muito com Borghav, inclusive como se portar diante de seus semelhantes. Aquele pequeno Conselho era muito mais agradável à Dázbov do que a reunião anterior, onde antigos ressentimentos pulsavam incessantemente.

- De início, considero prudente que Qaphsiel permaneça próximo aos seus. É dele a função e a tarefa de inspirar seu povo a resistir às autoridades romanas nas Províncias Orientais e, se necessário, eliminá-las. Estas eliminações deverão, contudo, ser milimetricamente calculadas: não devemos nos ocupar da nobreza abstrata, mas daqueles que dedicam sua vida a espalhar a inferioridade do povo de Y'srael. A eliminação destes homens e mulheres servirá a impulsionar os hebreus a entenderem que é possível enfrentar o Império, que suas ideais de submissão não serão eternas. Se Qaphsiel for capaz de de unificar os corações e mentes daqueles que se encontram em posição subalterna, fazer com que eles neguem a autoridade imperial econômica e culturalmente, o Império não tardará a enviar reforços militares para abafar as revoltas que nascerão.

Pausa.

- Aqui entra a autoridade da Senhora Ta-Urt. O meio mais fácil para alcançar a Palestina é cruzando o Mediterrâneo. Na eventualidade do deslocamento de tropas, o fornecimento de grãos será suspenso. Sem alardes, sem ameaças. Estas tropas não serão alimentadas, e o enfraquecimento consequente será aproveitado. Se não for o suficiente, o Clã Lasombra manobrará para que as legiões enviadas sejam as nossas, sob nossas ordens. É provável que o Império não saiba onde intervir diretamente, dada a atuação de Odoacro e dos seus no Norte. Se escolher atuar através de meios menos nobres, será função de parte dos homens de Ahrmad proteger e estimular a revolta. Infelizmente, devemos esperar o movimento do inimigo antes de fazer o próximo movimento.


- Este planejamento só funcionará, obviamente, enquanto nos tivermos em constante contato com Odoacro. É sua função sugar as forças militares de Roma para um pântano de batalha da qual não poderão sair. Isso possibilitará que outras Províncias, onde estão os nossos aliados, procederem em seu desafio ao Império.

Fez uma segunda pausa. Dázbov sentia que não era ele mesmo.

- Eu adentrarei Roma. Pretendo discutir com o meu Clã, inicialmente, em que posição ou situação. Procurarei identificar os inimigos internos, sejam eles Cainitas ou mortais. Desconfio de alguns lugares onde as poderei buscar. Uma vez identificados, é necessário por essas pessoas em uma rede com este único objetivo. Não será uma tarefa fácil garantir que elas abdiquem de eventuais diferenças. Serão essas pessoas que, ocupando postos chaves do Império, sejam de alto ou baixo escalão serão os nossos atores internos. Nenhum Império é monolítico, senhores, Seja política, econômica ou religiosamente.

- Estes são esboços iniciais do que pensei. Espero que percebam que é um plano a médio ou longo prazo. Estou aberto às vossas sugestões e observações.
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Re: Meca - A Honrada

em Ter Mar 20, 2018 8:43 pm
* Alguns segundos de silêncio se prolongam após as palavras de Dázbov. Arhmad parecia refletir sobre o que diria a seguir e Ta-Urt permanecia, inquietantemente, a fitar o Salubri sentado mais à frente. Finalmente, o Assamita quebra o silêncio, em um latim não apresentado anteriormente, enquanto a luz alaranjada das tochas dentro das paredes lhe conferem mais luz em sua face, tornando sua pele escura e brilhante ainda mais reflexiva.*

- Reafirmo minhas palavras, tua sabedoria se faz notar nas primeiras palavras que esboçastes. Eu não poderia estar mais satisfeito, com relação ao esqueleto inicial de nosso plano.

* Ele apóia uma das mãos no queixo e continua*

- De fato, o compasso de nossas ações precisa estar alinhado aos ataques de Odoacro. Mesmo que escolhamos eliminar alvos específicos, isto deve acontecer somente de forma que a morte do Patrício, como eles chamam, seja irrelevante ou ao menos apaziguada perto dos conflitos extremos na Dalmácia. Desta forma não atrairemos atenção ou reforços indesejados para a Capital, Roma.

* Ele sorri*

- Contudo...é de minha natureza pensar o oposto do que seria o óbvio. Penso que poderíamos ousar em uma estratégia que elaborei nas últimas noites. Por gentileza, interrompam-me e corrijam-me se algo estiver me escapando.

* Era notável aos ouvintes que Arhmad dominava a língua, o Latim, em perfeita pronuncia embora não o tenha falado durante o Conclave*

- Roma estendeu-se de tamanha forma que necessita de um sistema de governadores provinciais. Cada um destes vampiros domina suas terras sob a bandeira da águia, com um certo contingente de legionários e tropas próprias de suas terras, chamadas de tropas auxiliares. Todos, contudo, prestam débitos à Capital.

- É de meu conhecimento que ao menos dois destes Governadores se negaram a pagar os tributos em grãos e especiarias no último inverno. Alegaram falta de recursos e a fome de seu povo. O Império apertou ainda mais as amarras e cobrou-lhes o devido assim que a primeira colheita do outono se fez presente. A insatisfação cresce. Do povo e de quem os governa.


* Um novo sorriso ganha a sua face*

- Me pergunto quão enérgicas seriam as ações da Capital se os tributos jamais chegassem e, mais importante, qual seria a resposta de alguns já insatisfeitos Governadores Provinciais e povos quando a represália lhes caísse mais uma vez.

* O Filho de Haqim encerra, Ta-Urt sorri e após o silêncio que se seguiu de Arhmad, continua*

- Quanto à minha influência, estará a vossa disposição. No entanto é necessário que seu uso seja muito bem arquitetado. Como Arhmad acabou de detalhar, a posição de Governadora Provincial que eu ocupo é uma lâmina dupla bastante afiada. Desfruto de recursos do Império, mas pago altos tributos e possuo uma série de obrigações para com a Capital. Se minhas ações começarem a ser falhas, não só a Dama do Deserto que vos fala mas o meu povo... * ela olha para Qaphsiel e faz uma pausa de alguns segundos*... será prejudicado e espremido pela insatisfação do Imperador.

- Minha posição é útil senhores, mas delicada. Reitero que confio plenamente em nossas apuradas mentes para encontrar o momento exato de usar de minhas capacidades políticas em prol da queda de Roma.
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Re: Meca - A Honrada

em Qua Mar 21, 2018 3:31 pm
Qaphsiel optou por manter-se em silêncio até que cada um dos presentes falasse algo. Queria ouvir o que Arhmad e Ta-Urt falariam, na esperança de conseguir uma pista a respeito do alerta de Dázbov. Sua aflição era tamanha que foi preciso se esforçar para não perder detalhes do planejamento proposto pelo Lasombra. Além disso, os olhares fixos de Ta-Urt estavam lhe perturbando.

Ao final da fala dos três Cainitas, Qaphsiel tomou a palavra.

- Se me permite, Kalif Arhmad, preciso discordar do Senhor. Entendo e respeito sua estratégia. Estou certo que utilizar a revolta dos Governadores Provinciais é um caminho quase infalível para insuflar os ânimos contra Roma. Contudo, de que adiantará desestabilizar o Império dessa forma, se os povos oprimidos sofrerão ao ponto de não restar mais nada para existir depois de sua queda?

- Eu sei que precisaremos fazer sacrifícios. Isso me foi dito com sabedoria por Damek, durante o Conclave. Mas neste ponto devo concordar com Ta-Urt - Ao dizer isso, Qaphsiel mantém o olhar fixo em Arhmad, evitando desviá-lo para a Ravnos - Não posso prejudicar meu povo mais do que o necessário. Não posso fazê-los sofrer de modo que não consigam mais lutar. Muitos já fugiram da Galiléia. Não podemos arriscar que mais o façam.

O Arcanjo se volta para Dázbov.

- Creio que o plano apresentado por Dázbov nos oferece um equilíbrio ideal de pressão sobre Roma. Uma guerra que desviará a maior parte dos recursos do Império, aliada a assassinatos e revoltas pontuais que abalarão estruturas e insuflarão revoltas. Se Roma identificar logo de início que existem lideranças poderosas fora do campo de batalha, pesará a mão sobre nossas ações nas sombras.

Qaphsiel olha para baixo e suspira. Seus reflexos humanos ficavam apareciam de modo mais evidente quando estava aflito.

- Entenda, Nobre Kalif. Não estou querendo poupar meu povo do sacrifício necessário à sua libertação. Mas temo perdê-lo por completo caso os desdobramentos dessa guerra saiam do controle.

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Re: Meca - A Honrada

em Qua Mar 21, 2018 4:28 pm
*O Kalif ponderou por alguns segundos e prosseguiu tomando um cuidado notável em suas próximas palavras*

- Qaphsiel, tenho um receio crescente dos efeitos que a guerra vindoura possa causar em teus princípios políticos. Custa-me dizer, mas não há cenário possível no qual o povo, em especial os servos e escravos, não paguem o maior preço dos acontecimentos que se seguirão. Seja fome, guerra ou morte.

*Uma nova pausa, e o olhar do Kalif se destina a Dázbov*

- Perdoe-me se o compreendi errado, Dázbov, mas creio que ao se colocar imerso nas terras do Império e buscar inimigos internos, será natural e necessário buscar a lideranças que movem poderes - Terras e Homens - para guiá-los a nosso favor e contra Roma.

- Minha sugestão, de onde posso ver, é uma consequência da tua ação e em minhas próximas palavras eu indicaria os dois nomes dos Governadores Provinciais que já demonstraram inclinações para ações contra o Império.

- Elucide-me, Dázbov, se meu raciocínio foi em demasiado curto para tua ação nas entranhas de Roma.
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Re: Meca - A Honrada

em Qui Mar 22, 2018 7:26 am
Dázbov observa atentamente os seus interlocutores. Parece ponderar por poucos segundos antes de prosseguir.

- Compreendo, Arhmad, que Roma tenha inimigos dentro das própria estrutura provincial. Entretanto, indivíduos que viveram tantos anos dentro da estrutura imperial serão, inevitavelmente, habituados a ela e a sua lógica de funcionamento. Imagino que estes governadores tenham problemas com a capital mas tendo a imaginar que as possibilidades que oferecerão passarão por dentro da institucionalidade, evitando um confronto direto e violento com o Império. Não esqueçamos que boa parte destes responsáveis imperiais podem tentar utilizar as nossas forças para melhorar sua posição relativa dentro do Império. Estou, no entanto, disponível a dialogar com esses dois Governadores e tentar encontrar pontos em comum. Não acredito, contudo, que se movam pelos mesmos motivos que nós.

- Quanto ao povo de Y'srael e todos os outros povos que estarão envolvidos neste processo, eu proponho que tenhamos cautela. O temor de Qaphsiel é o meu temor, mas a opinião de Ahrmad é relevante: é uma revolta contra a maior máquina militar já criada. Casualidades são inevitáveis. O que podemos pensar é como minimizar o impacto deste processo naqueles povos que são mais vulneráveis. Estou disposto a pensar contigo, Qaphsiel, e elaborar uma maneira de reduzir os impactos sobre o teu povo. Meus conhecimentos sobre a Palestina são, contudo, limitados.

Desta vez Dázbov se gira, fixando Ta-Urt.

- A Senhora Ta-Urt havia mencionado, ainda durante o Conclave, a questão dos Seguidores de Set e de como eles eventualmente poderiam ser de ajuda aos nossos objetivos. A minha opinião é a seguinte: não há absolutamente nada que as Serpentes toquem que não seja maculado com a sua marca de corrupção. O que queremos destruir poderia ser mantido por eles se mudassem de ideia. O que queremos construir poderá ser maculado por eles num eventual futuro. Cultuam um falso deus, exatamente como aquele que queremos destruir. Digo falso pois nenhum Deus pode ser levado em consideração enquanto seus servos defendem a destruição de qualquer estrutura moral que nos seja importante, sejam individuais ou coletivas. Não, deixemos as Serpentes onde elas merecem estar, nas fossas úmidas e fétidas de onde provém, onde vegetam em meio à Escuridão que tanto idolatram mas que pouco compreendem. Sinto muito que a Senhora Ta-Urt tenha de lidar com tais vizinhos incômodos, mas neste momento, assim como em todos os momentos da Família, as Serpentes são improváveis como aliados e seu amadorismo os torna a menor de nossas preocupações. Dizendo isso, me oponho também a uma eventual ida de Qaphsiel ao Egito. Como havia mencionado, o seu lugar é na Palestina, entre os seus.
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Re: Meca - A Honrada

em Qui Mar 22, 2018 9:30 am
Qaphsiel observa e escuta com atenção as reações à sua colocação e as réplicas do Cainitas ali presentes.

- Perdoe-me Kalif, se não me fiz compreendido. Eu sou um soldado. Fui um soldado quando em vida e continuo sendo. Como soldado, eu sei o preço que devemos pagar pela guerra. Morte e sofrimento daqueles que amamos serão realidades nos dias vindouros. Minha colocação foi feita apenas para deixar claro a todos vocês os motivos que me levam à guerra. Não desejo glória ou poder, mas liberdade para meu povo. Conquistar essa liberdade só fará sentido se ainda houver povo.

O Arcanjo troca os olhares entre Arhmad, Dázbov e Ta-Urt.

- Sabendo que todos iremos pagar o preço da guerra, rogo para que tomemos o caminho que gere menos sofrimento para os mais fracos. Minha impressão inicial é que envolver governadores provinciais em nossa resistência poderá gerar maior reação de Roma. Contudo, Kalif, se achas que os governadores que tens em mente são pessoas hábeis para jogar o jogo do Império, e se contam com o apoio de parte do povo que governam, talvez tenhamos um bom caminho para seguir.

Qaphsiel fixa o olhar em Ta-Urt.

- Por fim, devo dizer que concordo com o que Dázbov acabou de dizer. Preciso ficar com meu povo. Eles precisarão de alguém que os oriente nos dias difíceis que teremos adiante. Quanto aos setitas, mantenho o que disse diante do Conclave: não sou a favor de alianças com serpentes.
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Re: Meca - A Honrada

em Qui Mar 22, 2018 9:44 am
*Arhmad parece concordar, com leve um meneio de sua fronte, e conclui*

- Estou de acordo. Os motivos dos Governadores são muito próprios e absolutamente individuais. Há de se lembrar, e se usar, que a maioria deles eram vampiros livres e senhores de seus territórios antes de serem dominado pelo avanço romano. Sua posição política é decorrente de um acordo, na maior parte dos casos, para que mantivessem seu controle de suas regiões desde que se submetessem ao Império. Não tenho dúvidas de que muitos, os que possuem espírito mais livre, detestam sua atuação condição e a suportam somente por necessidade.

- Creio que serás sábio o suficiente para avaliar quais dentre eles podem ser potenciais aliados, Dázbov. Peço apenas que considere minhas palavras e a posição estratégica que estes seres ocupam.

- Quanto aos filhos de Set, em pleno acordo. Cortar a cabeça de uma cobra é o único caminho a se tomar quando as encontramos.


* Ta-Urt até então, parecia apenas observar o debate até que o cainita do Ai-Petri se dirige a ela. Ouve, atenciosamente todas as palavras e ao final, comenta*

- Ocupo divisas com o povo da Serpente há mais tempo do que posso lembrar. Observei de perto deus avanços, seus domínios e até mesmo seus modos. E, ouvindo as palavras de um vampiro que vêm de tão longe e parece saber tanto sobre as outras famílias eu indico que...

* Ela sorri*

- Todas as tuas palavras estão...corretas. Tu serás o líder ideal para a nossa frente.

* Em seguida, ela olha para Qaphsiel*

- Minha preocupação consiste no povo, entretanto. As Serpentes mantém sob seu julgo, nas areias mais adiante de minhas terras, centenas dos seus. Afinal, o mito da abertura do mar vermelho é apenas isso...um mito. Muitos fugiram durante uma incomum maré baixa, é verdade, outros tantos perderam-se no caminho e ficaram para trás. Capturados, servem através de seus descendentes até hoje.

- Imaginei que uma aproximação com os Setitas, minha falha aparentemente, permitiria não só contar com territórios mais amplos e livres para o alojamento dos soldados de Hannibal Barca, por exemplo, que se vêem acuados em terras africanas com o avanço do império e não possuem para onde recuar e também para, quem sabe, através dessa aliança negociar a libertação do Povo de Qaphsiel que se juntariam a nossa causa com o seu verdadeiro líder a frente.


* Novamente, ela sorri*

- Equivoquei-me, senhores, deixemos as Serpentes em suas tocas.
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Re: Meca - A Honrada

em Qui Mar 22, 2018 10:20 am
- Não existem verdadeiros líderes, Senhora Ta-Urt. Existem líderes reconhecidos, mas não verdadeiros.

Dázbov deixou de olhar Ta-Urt. Seus olhos passaram por Ahrmad e Qaphsiel antes de continuar.

- Imagino que os mais versados nas artes militares dentre nós, a exemplo de Odoacro e Hannibal, encontrarão facilmente estratégias de recuo e de avanço. Concentremo-nos em nossas funções. Quanto ao povo de Qaphsiel, devo lembrar-lhes que nosso inimigo é uma estrutura que funciona em base ao trabalho escravo. Destrui-la nos oferecerá bases concretas pra discutir outros problemas, escravidão incluída. Sou simpático à causa e imagino que será uma das nossas prioridades discuti-la num futuro próximo.

Dázbov se levanta.

- Senhores, se entendi bem temos poucos ou nenhum desacordo. - A postura do Lasombra retornava ao normal, à frieza e rigidez do Deus da Montanha - Se houverem outras considerações, tentemos fazê-las brevemente. Temos muito trabalho pela frente.
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Re: Meca - A Honrada

em Qui Mar 22, 2018 3:21 pm
Conforme os Cainitas falavam, Qaphsiel ia pensando que a reunião se aproximava de um ponto perigoso. Estando Dázbov correto quanto à falsa identidade de Arhmad ou Ta-Urt, eles teriam um grande problema para resolver. As ideias propostas poderiam ser uma ou se tornar uma armadilha. Se Ahrmad não era quem dizia ser, lançá-los em a procura de apoio dos Governadores poderia colocá-los em uma posição vulnerável para serem derrotados por Roma. Por outro lado, se era Ta-Urt uma impostora, revelar os nomes com quem buscariam ajuda e dar detalhes do plano colocaria tudo a perder.

À Qaphsiel só restava torcer para que Dázbov estivesse levando isso em consideração naquele momento.

Quando ouviu as palavras de Ta-Urt, seguidas por Dázbov, o Arcanjo se adiantou.

- Devo dizer, Ta-Urt, que não sou um líder para o povo de Y'srael. Sou apenas mais uma espada e mais uma voz em seu exército. Alguns bons homens optaram por seguir minhas orientações por que em mim tiveram confiança. Mas não se engane, eu mesmo estou disposto a seguir orientações desses mesmos homens, pois neles também confio.

- Como eu já lhe disse antes, tenho uma dor profunda em meu coração ao saber que hebreus ainda persistem como escravos no Egito. Também sei que vários dos meus vivem na pobreza dentro de Roma. Porém, tenho Fé que a libertação do povo de Y'srael começa com a retomada de Tzyion e Yerushalayim. É para lá que devo ir primeiro. Quando o povo hebreu puder dormir em cima da Terra Prometida novamente, iremos buscar aqueles que ficaram para trás.
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Re: Meca - A Honrada

em Sex Mar 23, 2018 10:10 pm
* Arhmad se levanta, embora Ta-Urt permaneça sentada. O Kalif coça a precisamente desenhada barba que lhe contorna a face escura e reflexiva*

- De fato avançamos consideravelmente esta noite e, não se espera que resolvamos os problemas do mundo em um simples debate. Estou satisfeito e honrado com vossas presenças e deliberações. Apenas indicarei os nomes dos Governadores Provinciais que lhe prometi, Dázbov, para que prossigas com o plano conforme lhe parecer mais apropriado.

- O primeiro deles, o que eu buscaria primeiro por razões óbvias é chamado de Canatos. Assim como vós, um descendente de Lasombra. Ele é o responsável pela Macedônia e consequentemente pelo porto da Tessalônia. Uma passagem de provisões e soldados romanos de suma importância para o Império.


* Ele faz uma pausa, seu olhar fica um tanto quanto pesado e após um quase suspiro ele continua*

- O segundo é Titus Petronius, Cria de Beshter, Filho de Arikel. Ele é um caso complicado...mas julgo promissor. Beshter, ou Miguel, desapareceu há algumas décadas após um longo debate no Domus do Imperador, Camilla. Obviamente, um caos na aliança entre o Clã da Rosa e os descendentes de Ventrue caiu sobre Roma. Petronius acusou deliberadamente o Império de tramar contra seu senhor e alguns meses de disputa interna correram o Senado, com perdas casuais de servos e vampiros mais jovens.

-  Nero, um dos lacaios de Titus Venturus Camillus, inspirado por Petronius - sussurram - incendiou dez das quatorze áreas de Roma. Alguns já clamavam pelo fim do Império, mas nossa incapacidade de união e planejamento não nos permitiu tomar vantagem e dar o golpe final em um momento tão propício. Nossa incapacidade e...


* Uma nova pausa e mais um pesaroso olhar*


- A chegada de Juno Prestes que, em poucas noites, reuniu antigos Senadores como Mithras, o Ventrue da Britânia e Helena, a Toreadora Grega e findou os conflitos entre as famílias.

- De forma desconhecida à mim, Petronius vive. Não só desfruta da noite mas ocupa o cargo de Governador Provincial na Gália, que estrategicamente é uma passagem rumo à Capital. Miguel continua desaparecido, Mithras retornou às ilhas e Helena aos seus caprichos de sangue em sua terra natal. Petronius é o único vampiro presente e - segundo meus espiões - ressentido e amargurado a conhecer os detalhes do acontecimento.

- Deixo em vossas mãos o que fazer quanto a ele e, de fato, se faremos algo.


* Ta-Urt finalmente levanta-se*

- Tuas capacidades de obter informações são impressionantes, Kalif Arhmad. Mas, algumas histórias romanas também chegam aos meus ouvidos.

- Neste mesmo evento, não só Prestes conseguiu apaziguar os ânimos e reconstruir Roma ao lado do Imperador quanto conquistou, também, a animosidade de Mithras no processo. Dizem na noite que Marcus Crassus, cria do matusalém Ventrue, assumiu sua cadeira no Senado e que ele - Mithras - jurou jamais retornar à Roma. Imagino o que pode ter causado isso, já que Camilla era o seu...

* Ela olha fixamente para Dázbov*

- Reconhecido Líder.
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Re: Meca - A Honrada

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