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Meca - A Honrada

em Sab Mar 10, 2018 12:21 pm

Meca é um dos centros comerciais mais relevantes de toda a extensão oriental neste período. Comerciantes oriundos do vasto Império Romano, dos desertos e das planícies livres encontram-se aos pés do Jabal al-Nour, o maior monte rochoso  da região, para trocarem e negociarem suas especiarias, animais e conhecimento.

Destacam-se o comércio de cavalos e camelos, além de incrementos para a alimentação, como pimentas diversas, frutas secas ao sol e sal. Especiarias de alto valor agregado nas províncias ocidentais romanas. Por isso, é comum que hajam negociantes de todas as partes do mundo conhecido a levar e trazer seus produtos para o comércio incessante e vasto que ocorre nestas terras cobertas por areia dourada e escaldante.

A divindade cultuada pelas tribos da região é Hubal. Um Deus adorado pelos Kuraischitas, um povo endurecido pela inóspita terra a qual vivem e que desfrutam da liberdade sempre ameaçada pelo avanço constante dos Romanos. Há um ídolo erguido a Hubal, feito de safira vermelha, próximo ao poço central da cidade em uma construção de pedra retângular e alongada que lembra em muitos aspectos as construções das províncias romanas do Egito. É chamada de Morada Sagrada e funciona como centro de reunião e culto ao deus do Sangue e da Fartura, Hubal. Não é incomum encontrar homens e mulheres cobertos de sangue de animais - alguns dizem que em certos rituais até mesmo de humanos - a caminhar pelas ruas à noite, prestando reverência ao seu Deus.


Ídolo à Hubal, Deus do Sangue e da Fartura.

Não há muros ou proteções físicas para a cidade. O pólo comercial é aberto e permissivo aos que desejam entrar e sair, desde que mantenham a palavra honrada em seus acordos e preservem o pacto à vida, que define claramente que nenhum tipo de embate físico ou atentado contra visitantes ou nativos deva ser realizado dentro dos limites de Meca. A punição para tais transgressões é a morte por desmembramento, na qual um ritual é desempenhado por um Sacerdote Kaischita e os membros superiores e inferiores do infrator são amarrados à camelos ou cavalos que são incitados a correrem em direções opostas.

O último ritual de desmembrado conhecido e amplamente disseminado nas ruas ocorreu vinte e três anos atrás, quando um destacamento romano perdeu-se de sua legião nas areais do deserto e invadiu a cidade clamando por seu direito concedido por César de explorar os mantimentos e as mulheres locais. Naquela noite, quase cem homens foram desmembrados e os mais crentes gritam aos quatro ventos que o próprio Hubal caminhou entre eles e levou a fúria do Deus-Sangue aos infratores.

Meca é uma terra convidativa à liberdade e à cultura diversa, contudo, tende a ser tão propensa aos louros da paz ou ao Sangue da guerra quanto àqueles que nela caminham.


Última edição por Storyteller em Sab Mar 10, 2018 2:55 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Meca - A Honrada

em Sab Mar 10, 2018 12:53 pm
*A viagem se encerra aos visitantes.

Ao longe, é possível ver inúmeras tendas dispostas sob a luz da lua e das estrelas vívidas do deserto alocadas uma ao lado da outra, formando um imenso corredor de comerciantes que se estende da entrada da cidade até uma construção de pedra amarelada e retangular, no limite do alcance da visão humana.

Sons diversos de animais, desde cavalos comuns até exóticos lagartos, além de inúmeras línguas conhecidas e dialetos tribais se misturam ao ar aquecido durante o dia e que começa a ganhar um aspecto frio e quase cortante. O cheiro é confuso aos mais sensíveis. O adocicado de algumas especiarias se mistura ao odor forte do suor dos homens e das fezes de animais, além de um cheiro forte e irreconhecível  para os visitantes que parece arder em suas narinas. Este cheiro emana de alguns vasos de cobre que são aquecidos em chama alta e, semi-fechados, despejam uma fumaça amarelada nos céus.

Três homens de pele negra e vestes leves e esvoaçantes, em tom rubro, com pequenas marcas feita em seus rostos aparentemente a ferro quente, parecem aguardá-los.

As carruagens interrompem seu curso quando um dos homens se destaca e se aproxima dirigindo-se à Caleb que lidera a comitiva do Arcanjo, sobre o cocho da primeira carruagem*


- Kalif Arhmad os aguarda, assim como àqueles que se encaminham do Jabal al-Nou.

* Ele o diz erguendo a mão em direção a um monte rochoso à oeste da cidade, de onde dois homens se aproximam em caminhada.

Dázbov começa a vislumbrar o horizonte após as cortinas de sombras se desfazerem. O homem  a seu lado veste-se com uma túnica escura, cobrindo seu corpo até então nú. Ambos se encontram aos pés de uma montanha e mais à frente é possível ver uma cidade com grande movimentação de mortais, a ir e vir, em grandes e estranhos animais, carregando fardos e mais fardos de grãos e demais materiais até então desconhecidos para o cainita do Ai-Petri.

O Guia começa a caminhar, decididamente, em direção à cidade esperando que o representante do Clã da Noite acompanhe seus passos. Aproximam-se e notam três carruagens na entrada de uma imensa fileira de tendas ocupadas por homens e mulheres com pele escura e vestes leves, mas que lhes cobrem todo o corpo. A profusão de cores e cheiros e a quantidade de mortais a ir e vir no corredor das tendas é impressionante aos olhos dos estrangeiros.

À frente das carruagens, dois homens aguardam um terceiro a conversar com o cocheiro, que ao notar a aproximação de ambos os viajantes, simplesmente conclui.*


- Estou aqui para guiá-los ao seu destino.


* O homem com o rosto marcado com pequenos traços horizontais, como queimaduras, caminha pelo corredor de comerciantes acompanhado por outros dois de semelhante aparência. Caleb e seus homens, assim como o Arcanjo, têm sua atenção chamada pelos dois homens que caminham ao lado de sua comitiva, também guiados pelo homem de Meca.

Ambos são de alta estatura, mas são tão diferentes fisicamente quanto possível.

O primeiro possui pele corada, em tom escuro, longos cabelos negros como a noite, barba alongada e trançada até o peito e inúmeras tatuagens tribais com símbolos irreconhecíveis que percorrem pescoço, peito e braços, nos locais descobertos por sua túnica. Seus olhos são tão escuros quanto a noite.

O outro impressiona ainda mais, visualmente. Sua pele é tão branca quanto mármore, seus pelos faciais e cabelos são igualmente brancos como se fossem feitos da luz da própria lua.

A comitiva do Arcanjo e os membros do Clã da Noite caminham juntos em direção à construção de pedra retangular, até que o guia lhes indica a entrada por um portal de rocha sólida e amarelada. De fora, é possível sentir um cheiro adocicado e forte vindo do interior, além de uma iluminação alaranjada.*


- A Morada Sagrada. Por favor, entrem.


* Indica o homem que os guiou, arqueando o corpo em direção à entrada*
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Re: Meca - A Honrada

em Sab Mar 10, 2018 3:21 pm
A viagem de Tveryah até Mecca foi, apesar de longa, revigorante. Durante as noites que se passaram, Qaphsiel saia da carruagem que o protegia dos raios de sol ao longo do dia, para sentir olhar a lua e as estrelas, bem como sentir o vento frio das noites do deserto em seu rosto. Muitos se esqueciam, outros sequer se davam conta, mas o Arcanjo sempre se lembrava que o povo de Y'srael era um povo do deserto. Foi no calor escaldante, em meio aos ventos cortantes da noite e a areia que drena o pouco de água que a toca, que seu povo conheceu Yahweh. Era nesse ambiente que o Criador lhes dava a vantagem sobre seus oponentes. Ali, na solitude do Negev, Qaphsiel sentia-se ainda mais próximo de seu Deus, tendo também o sangue do cordeiro que ainda corria em seu corpo.

Além da sua fé, outro sentimento que aumentava era o de liberdade. A cada noite que se passava em direção à Mecca, o Arcanjo sentia-se mais distante de Roma. Conforme saia do Negev e entrava no Deserto da Arábia, menos se viam evidências da dominação romana. O deserto era a casa de inúmeras tribos que nunca foram obrigadas a se curvar ao César. Em breve, pensou Qaphsiel, muito em breve, o povo de Y'srael estará entre os povos livres. Eles poderão voltar à Tziyon para seguir o caminho que Yahweh determinou.

O terceiro sentimento que acompanhava o Arcanjo era a ansiedade. Ele esperava poder se encontrar com os Filhos de Haqim em seu território, para que pudesse conhecer mais sobre suas tradições. Gostaria de poder treinar com eles, ensinar e aprender técnicas de guerra e juntos pensarem em estratégias para abater as Legiões Romanas. Também ansiava pela oportunidade de observar outros Cainitas com os quais se aliaria na luta contra Roma. Que poderes teriam? Quais histórias seriam capazes de contar? E, mais importante ainda: estariam dispostos a deixar o povo de Y'srael em paz?

Quando chegou com sua comitiva em Mecca, Qaphsiel se impressionou com a diversidade de sons, cheiros e cores. Então assim era uma cidade que não tombou sob o peso de Roma?
Um local livre para ir e vir, vender e comprar. Onde um homem poderia adorar deuses e demônios. A presença do deus dos Kuraichitas o incomodava. O culto ao deus de sangue daquele povo lembrava o Arcanjo das histórias que Za'aphiel havia lhe contatado sobre os infernalistas. A mera menção dos boatos sobre a realização de sacrifícios humanos naquele local era o suficiente para deixar Qaphsiel atento ao que ouvia conforme cruzava com as pessoas em meio às tendas de Mecca. Com seus Sentidos Aguçados [Auspícios 1] em meio à cacofonia, conseguia compreender trechos de hebraico, árabe, aramaico e até mesmo o latim dos romanos. Era verdade que também era fluente na língua de Enoch, mas não esperava escutar o idioma por ali. Apesar da atenção, Caleb lhe informou que mesmo que vissem um infernalista declarado, realizando um sacrifício para seus deuses das profundezas em meio à multidão, nada poderiam fazer ali dentro. Essa era a lei vigente em Mecca.


Ao se deparar com os homens que o guiariam até seu destino dentro da fervilhante cidade, bem como com os dois estrangeiros que se juntaram ao grupo, Qaphsiel ativou sua Visão da Alma [Auspícios 2] para ter certeza da natureza daqueles que o cercam. Contudo, não falaria nada por enquanto. Sentia que esse era um momento de prestar mais atenção em seus olhos e ouvidos, conforme seguia com os guias. Ao chegarem em frente à Morada Sagrada, Qaphsiel os agradece respondendo com uma reverência, e adentra pela porta.
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Re: Meca - A Honrada

em Sab Mar 10, 2018 4:49 pm
Dázbov se sentia bem na Escuridão. Era seu lar, seu Legado e seu Sangue. As duas viagens que havia feito através da Noite Eterna o haviam revigorado. O mar ainda ecoava em sua mente, como se o envolvesse acima e abaixo da Escuridão Primordial. Contudo, duas coisas lhe tiravam a serenidade. O homem do trono do meio ainda perturbava seus pensamentos. Era como se Dázbov se sentisse, realmente, diante de um Deus a cada vez que se recordava de suas formas escuras e longilíneas.

O segundo pensamento constante era o conteúdo do pergaminho. O nome de Juno Prestes ecoava em sua cabeça. Ansiava por obter o restante do pergaminho e desvelar o mistério que poderia colocar Roma de joelhos.

Quando o horizonte novamente se fez visível, Dázbov inspirou o vento do deserto. O odores suspensos no ar inundaram suas narinas e Dázbov os absorveu, um a um, tão exóticos como eram. "Quantas coisas desconhecidas há no mundo!", pensou Dázbov enquanto observava a ida e vinda dos mercadores, montados em animais altos e estranhos. A cidade, belíssima, se desvelava diante de seus olhos, em cores de dourado e carmim. Dázbov sentiu saudades de Ai-Petri, mas estava, por alguma razão, feliz de estar ali.

Enquanto avança seguindo silenciosamente o guia, o Deus Branco observa os mortais ao seu redor. São belos e régios, inundados de uma fé estranha e palpável. Aproximou-se do acesso à cidade, onde divisou outros homens acompanhados de uma comitiva. Vestiam-se de forma diferente dos guias, mas davam a Dázbov uma sensação semelhante aos primeiros. Preferiu não pronunciar-se neste primeiro momento.

Diante da Morada Sagrada, Dázbov aceita o convite a entrar feito pelo homem. Não sem antes realizar uma profunda reverência ao local sagrado.
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Re: Meca - A Honrada

em Sab Mar 10, 2018 6:20 pm
* Durante o percurso ao longo do corredor de comerciantes, imenso e repleto de novidades, Qaphisiel aguça seus sentidos e é invadido por uma série de informações desconexas e estranhas. As palavras apreendidas em hebraico e aramaico são triviais e dão conta de negociações em curso, das mais diversas possíveis desde especiarias até escravos. Outras, ditas em línguas incompreendidas pelo Arcanjo lhe escapam ao conhecimento. Naquele local, são incontáveis os dialetos falados em uma só noite.

Ao utilizar sua percepção da aura, nota que ambos os homens que vieram caminhando do Jabal al-Nou são vampiros. Suas auras são pálidas. A do homem com a pele branca como a face da lua, contudo, possui notórios traços e veias negras a lhe contornar. Os outros três homens, locais, possuem auras vívidas que descartam a possibilidade de que pertençam aos filhos da noite.

Dázbov, ao reverenciar a entrada da Morada Sagrada, nota que o guia o encarou profundamente e havia respeito em seu olhar.

Os visitantes adentram ao portal de pedra, apenas Dázbov e o homem que o acompanha e Qaphsiel, e percorrem um corredor de rocha amarelada. Ambos têm a nítida impressão de que o avançar da caminhada os levam a um nível abaixo do solo, embora a descida não seja íngreme. Notam que as luzes que emanam daquele local são de chamas colocadas dentro das paredes, há cerca de dois metros de distância do corredor e em espaços pequenos do tamanho de um punho humano. De lá, o fogo propaga luz mas o seu calor não é sentido.

As paredes são cobertas de pinturas rupestres. Desenhos simples em tom de barro retratando colheitas, animais e veneração a Deuses, todos em tom marrom a revestir as pedras amareladas.

Prosseguindo, chegam a uma espécie de salão, único e central. É um ambiente retangular, assim como visto de fora, mas imensamente maior e mais alto do que se poderia supor. Ao centro há uma espécie de púlpito de pedra, não muito alto mas extenso, com cerca de quatro metros de circunferência. Ao redor deste, prolongam-se andares que se parecem com escadarias indo do solo até praticamente o teto da Morada Sagrada.

As paredes neste local não possuem pinturas, mas seu tom amarelado quase toca o dourado conhecido pelo homem. Para além disso, somente  uma figura esculpida em pedra avermelhada no centro do púlpito com inscrições em Aramaico.*


Hubal, Deus do Sangue e da Fartura, Senhor das Areias.

* Os visitantes notam um homem acima do púlpito. Suas vestes são negras, seus cabelos longos e amarrados, pele escura como a noite. Assim que entram ele os indica os andares que circundam os púlpitos, então  Dázbov e Qaphisiel notam que há outros presentes e já distribuídos por entre os grandes "batentes" de pedra em torno do salão.

O homem aguarda que se acomodem, para então tomar a palavra. Seu discurso é dito em Aramaico e repetido em Latim por uma figura feminina com pele igualmente escura e vestes leves. Suas palavras são polidas e sua voz é leve, embora haja alguma autoridade a elas imbuídas*



-  É uma honra tê-los reunidos. Sou Kalif Arhmad, Mestre dos Espadas do Deserto, Cria do Ancião da Montanha Sha'hiri, progênie de Haqim.

* Ele curva-se em respeito aos presentes*

- Sou grato pelas presenças de Damek, o Senhor do Leste. Aníbal, oriundo das planícies douradas da África. Ta-urt, a Dama do Deserto. Odoacro, Rei dos Godos das terras ao norte. Varla, a Vermelha. Dázbov, o Deus Branco do Ai-Petri e de Qaphsiel, o Arcanjo.


* Conforme as palavras ditas, os presentes meneiam levemente suas cabeças. As aparências são tão distintas quanto possível. Aníbal é um homem negro, de físico imponente, usa roupas em couro batido e possui um olhar que traz uma violência implícita. Damek, o Senhor do Leste, parece um homem senil com a testa muito alongada e os cabelos presos acima dela, sua longa roupa carmesim arrasta-se pelo chão. Ta-urt é uma bela mulher com vestes egípcias e olhar penetrante. Odoacro é um homem que certamente ultrapassa os dois metros de altura, longos cabelo e barba loiros e veste uma armadura de couro e aço trançado. Varla é, contudo, a visão mais peculiar da noite. Sua face é coberta por uma ossada de algum animal, uma caveira entalhada e ornamentada por chifres e folhagens secas. Suas vestes negras se alongam em um vestido desgastado pelo tempo que revelam apenas suas mãos, grandes e disformes, onde longas garras ocupam os lugares das unhas.*

       

* O homem ao centro do púlpito retoma a palavra*




- O Império dos Romanos cresceu nos últimos séculos e adentrou a alguns lares ancestrais e pertencentes a nossas famílias. Os Filhos de Haqim deliberaram entre si e me honraram para representá-los nesta reunião, com o fim único e exclusivo de forjarmos um pacto em prol da expulsão e destruição sumária de Roma e daquilo que ela representa. Esta é a vontade dos meus, que se transformará em ação junto aos Senhores, se assim for de sua vontade a partir desta e para todas as noites a seguir, até que o intento seja concluído.



- Como anfitrião do Conclave, devo pedir que os representantes de suas famílias tomem a palavra e nos tragam a posição oficial dos seus e informações relevantes sobre o inimigo e - para além disso - consigam sobrepujar mágoas passadas e feridas ainda abertas em virtude de um objetivo comum.


* Ele olha os presentes, parando o olhar sobre Qaphsiel*

- Àquele ao qual chamam de Arcanjo, dê-nos a honra de ouví-lo quanto ao posicionamento do povo de Y'srael e dos filhos de Saulot e, após ele neste sentido do círculo de pedra, todos os outros manifestem-se um por vez.


* Todos demandam silêncio e devotam sua atenção à Qaphisiel. Pela ordem descrita, o próximo a ter o direito à palavra é Dázbov, das terras geladas.*
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Re: Meca - A Honrada

em Sab Mar 10, 2018 10:41 pm
Olhando para aqueles Cainitas ali presentes, Qaphsiel pôde sentir a solenidade daquele momento. Estava diante de representantes de grandes clãs. Alguns deles falariam em nome de famílias das quais nunca havia tido contato. Todos representavam povos ou terras violados pela ganância e ambição romana.

O Arcanjo trajava o peitoral de couro que usou enquanto esteve em Massada. O mesmo que vestiu após seu Rito de Sangramento, quando deixou para trás sua identidade mortal e assumiu o nome do misterioso arcanjo Qaphsiel, mencionado nos feitiços da Kabbalah e nas maldições que seu povo usava para assustar inimigos: a fúria de Deus. Mesmo com o keffyeh na cabeça, o Salubri fazia questão de mostrar e manter seu terceiro olho à vista e aberto. Não havia motivos para escondê-lo ali. Ao contrário, o olho era o símbolo que mostrava a todos sua ligação com a linhagem de Saulot e Samiel.

Qaphsiel fitou o Califa dos Filhos de Haqim e tomou a palavra, tal como foi ordenado.

- Eu sou Qaphsiel, filho de Za’aphiel, filho de Samiel, filho de Saulot. Sou chamado de Arcanjo pelo povo de Y’srael, meu povo. Agradeço o Senhor, Kalif Arhmad, pelo convite para este Conclave.

O Salubri pausa, agora olhando para todos os presentes. O que teriam sofrido nas mãos dos romanos? Teriam perdido sua liberdade? Seus entes queridos? Suas riquezas? Ou viam ali apenas uma oportunidade de lucrar com a queda do Império? Não seriam alguns ali piores do que Roma, caso tivessem os meios para tal?

- Meu povo fugiu do Egito para ser livre na terra que Yahweh nos prometeu. Com Ele temos uma Aliança, e me considero como um instrumento de Sua vontade. Por muitos anos vivemos nossa liberdade em Tziyon, até que os usurpadores romanos surgiram. Eles nos humilharam, subjugando Y’srael. Resistimos, mas a força do Império foi maior. Hoje o povo de Y’srael vive espremido, proibido de entrar em sua mais sagrada cidade e obrigado a pagar tributos a Roma.

- Alguns de nós se espalharam pelo mundo conhecido. Neste momento, é muito provável que vários estejam vivendo nos domínios dos Senhores. Contudo, por mais cansado que o povo de Y’srael esteja, muitos estão apenas aguardando o momento certo para, novamente, resistir.

- Quanto a todos os filhos de Saulot, se os Senhores bem conhecem minha família, sabem que não estamos unidos por uma causa comum. Saulot nos deixou livres para assumirmos as batalhas que julgássemos dignas e apoiássemos os mortais sempre que necessário. Eu afirmo que esse Conclave tem meu apoio e o apoio do povo de Y’srael, enquanto nossos interesses convergirem. Não posso falar em nome de Saulot, pois disso não fui incumbido. No entanto, tenho certeza que, onde quer que exista sofrimento humano, lá estaremos. Para curar os que sofrem e para punir os que fazem sofrer.

Qaphsiel encerra assim sua fala, aguardando para ouvir o que os demais teriam a dizer.
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Re: Meca - A Honrada

em Sab Mar 10, 2018 11:11 pm
* Os vampiros reagem às palavras de Qaphsiel, cada um a seu modo. O vampiro do Leste, Damek, esboça um leve e talvez malicioso sorriso. Ta-Urt, a Dama do Deserto, franze o cenho ao ouvir sobre a fuga do Egito.

Em sua maioria, os demais não esboçam grandes reações, com exceção de Odoacro - o Rei dos Godos, que ergue sua grave e pouco polida voz em um único questionamento.*


- De quantos guerreiros, e não artesãos ou trabalhadores de lavouras, estás a falar Salubri?

* O questionamento do bruto homem de longos cabelos e barba loiros parece ter chamado a atenção dos demais, que destinam um olhar questionador à Qaphsiel*
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Re: Meca - A Honrada

em Dom Mar 11, 2018 12:00 am
Qaphsiel escuta com atenção as palavras daquele que se chama Odoacro. Ele sabe o que o gigante está insinuando. Sabe também que está lidando ali com incrédulos, que não viram com os próprios olhos o poder de Yahweh. Com uma voz calma, porém convicta, o Arcanjo responde:

- Estou a falar de artesãos, lavradores e pastores, meu Senhor. Pois foram estes que destruiram quartéis romanos e derrotaram legiões. Foi um pastor de ovelhas que matou um gigante e se tornou nosso rei. Dê a um povo motivação, fé e liderança, que qualquer ancinho, foice ou arado se tornará uma arma.

O Arcanjo desvia o olhar de Odoacro, para novamente fixá-lo no Califa:

- Porém, creio que uma guerra pode ser vencida de outras formas, não se reduzindo a exércitos se degladiando. Nossos sicários colocaram medo no coração dos romanos atacando da escuridão. Durante anos, todo cidadão romano caminhava na Judea com medo da própria sombra. As vezes, a morte súbida e sem autoria pode causar mais impacto do que um campo de batalha repleto de cadáveres e estandartes.
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Re: Meca - A Honrada

em Dom Mar 11, 2018 12:12 am
* Odoacro fita o cainita de três olhos e, com os largos dedos entrelaçados à barba, apenas bufa em discordância destinando o olhar ao próximo que terá a palavra. O estranho homem branco ao lado do Arcanjo.

Arhmad, o mediador, arqueia o corpo após as palavras de Qaphsiel e em seguida faz um gesto erguendo e abaixando a mão, conferindo a palavra ao vampiro das terras longíquas e geladas aos pés do Ai-Petri.

Dázbov, antes de iniciar seu discurso, nota que o homem que o trouxe através das sombras mantém-se em silêncio, mas com o olhar firme e fixo em Aníbal, que retribui de igual forma. Há um clima de tensão tangível entre os dois.*
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Re: Meca - A Honrada

em Dom Mar 11, 2018 5:56 am
Dázbov se alça, os olhos acinzentados percorrendo lentamente as paredes do salão. Havia ouvido com atenção as palavras do Califa e observado atentamente, mas por poucos segundos, cada um dos cainitas ali presentes. Não tinha motivos para desconfiar das intenções daqueles homens e mulheres, até por não conhecê-los, mas os anos lhe haviam ensinado a ter prudência. Sua raça era imersa em conflitos particulares e pontos de vista diferentes, unir-se em torno de uma causa era cada vez mais difícil a medida em que a Jyhad avançava.

Alguns daqueles convidados haviam lhe chamado a atenção. O homem do norte e a mulher mascarada pareciam ser representantes de povos que, geograficamente, estavam próximos ao povo da montanha. O homem que se intitulava Arcanjo era visivelmente um dos Salubri, o que enchia o coração de Dázbov de curiosidade. Em seu exílio autoimposto nas montanhas geladas, a sabedoria de Dázbov era limitada, baseada principalmente nas memórias de Borghav. Aquele local e aqueles cainitas serviriam a forjar suas próprias convicções. As tensões já visíveis, como a que existia entre seu guia e o homem chamado Aníbal, eram também um elemento interessante mas os problemas alheios não deveriam guiar o Deus Branco em seu julgamento.

- Sou Dázbov, progênie de Borghav, cria de Ekimmu, descendente de Khanon-Mehr, progênie de Lasombra. Sinto-me honrado em estar entre vós.

- O norte sofre com as contínuas incursões romanas. Nós somos o que eles jamais conquistaram, assim como o são os povos que alguns de vós representam. A pretensão universal do Império é o que o define, e nada torna uma organização deste tipo mais mortífera do que a obsessão em centralizar a tudo e a todos sob o seu comando. Dito isso, imagino que somos todos cientes do que está diante de nós: a maior máquina militar jamais criada. Criada por nós mesmos. É o Ouroboros que devora a própria cauda. Nós a fizemos grande, Roma, e em sua grandeza o Império ameaça devorar tudo aquilo que consideramos caro e querido.


- O povo do norte, aqueles que estão sob a minha jurisdição, luta continuamente para defender o território de seus Ancestrais, para manter sua liberdade e o direito de não se submeter à estrangeiros. E continuará lutando nas noite por vir, até a queda do último homem, se necessário, pois essa é a sua natureza. Se aliará aos outros povos, se necessário, a despeito de quão diferentes sejam nossas culturas e aspirações, pois aprenderam a respeitar aqueles que, como eles, são espremidos pelo Império - lança um olhar breve e respeitoso ao Salubri.

- No entanto, o meu povo não lutará se o objetivo for a tomada de Roma, para organizá-la em modo diferente, para ocupar os cargos administrativos, para usá-la como arma contra os inimigos que eventualmente venham a surgir ou que já existam. O povo do Norte lutará pela destruição do Império e de tudo o que ele representa, pois essa é a condição essencial para que cada povo se realize com achar melhor.

- O Castelo das Sombras acredita que Roma cumpriu o seu papel. Nos fez crescer e fez crescer também os mortais. É, contudo, uma máquina inchada que ameaça a existência de nações inteiras que não se submetem ao seu jugo. Roma dispõe de espaço para todos nós? Creio que não. Quando Roma nos conquistar a todos, pois o fará se não atuarmos em conjunto, restará espaço para nós nos centros de decisão? Não, não será assim. Nossos povos continuarão livres ou se submeterão à pesada tributação imperial, tão gananciosa os fará morrer de fome em pouco tempo? Roma foi importante. Não é mais. E, por isso, está destinada a morrer para que outros sobrevivam.
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Re: Meca - A Honrada

em Dom Mar 11, 2018 10:19 am
* As palavras de Dázbov ganham forma nas expressões dos presentes. Damek, o próximo a ter a palavra, sorri levemente.

O mediador, o homem árabe de vestes negras e leves agradece as palavras do descendente de Lasombra arqueando o corpo e em seguida passa a palavra ao Demônio do Leste.*




* O homem a falar é uma criatura peculiar. Suas mãos permanecem junto ao peito, trêmulas. Sua face envelhecida esboça um leve e malicioso sorriso. Sua alongada testa chama atenção ao passo de que seus olhos inteiramente amarelados brilham como faróis enquanto seu discurso é dito.*

- Me alegra ver tão jovens cainitas aspirarem tão grandes posições. Embora, em ambos os casos, seja presunção ou ingenuidade.

* Ele arqueia o corpo, lentamente*

- Oh, as apresentações. Sou Damek, cria de Ruthven, filho de Tzimisce. Deram-me a alcunha de Senhor do Leste ao longo das eras.

* Voltando a posição ereta, ele ergue um dos longos dedos terminados em uma unha ainda mais longa*

- Vejam, meus caros Qaphsiel e Dázbov, eu aprecio vossa inclinação para a derrocada de Roma. Contudo é preciso conhecer o alcance de nossas capacidades antes de poder clamar um auxílio efetivo em nossa causa.

* Ele volta-se para o Arcanjo*

- Falas do povo de Y'srael e de seus levantes como se liderasse a todos, Salubri. Me impressiona a tua capacidade de oratória, mas me dei a liberdade de analisar os fatos acerca dos presentes e tu, neste presente momento, lidera apenas um punhado de homens em um templo escondido da visão romana em províncias mais acima.

* O sorriso retoma o seu rosto*

- No atual contexto, uma vez que não falas pelos filhos de Saulot, tua participação nas decisões a seguir são pautadas em uma contribuição limitada a vós e alguns parcos mortais. O questiono, não com intenções desdenhosas, mas reflexivas.

- Serás capaz de reunir o teu povo, o povo de Y'srael, espalhado pelas províncias romanas e além para que de fato contribua com nossa causa?

* Em seguida, o velho cainita destina o olhar para o cainita albino*

- Ah, Dázbov. Vi, de minhas terras, a chegada de Bhorgav. Pois foi Ekimmu, seu ancestral, que veio à mim negociar a presença de um filho seu em meu território.

* Erguendo novamente um dos dedos, ele continua*

- Portanto, não te excedas. O território ao qual está o Ai-Petri jamais esteve ou estará sob tua jurisdição. É parte das terras ancestrais que a nós pertence, filhos do Dragão. Ou como alguns insistem em chamar, Demônio. Estás onde estás porque eu permiti, os homens que chama de teus, são em verdade meus.

- De igual forma dita ao Arcanjo de Y'srael, eu reitero quanto a ti. Abaixo do Ai-Petri reside uma tribo com não mais que trezentos guerreiros. Valorosos e dignos, contudo, insuficientes.

* Ele sorri, uma vez mais*

- No entanto, carregas o peso do Clã das Sombras em tuas palavras e isso tem um valor inestimável para nossa causa. É sabido que os filhos de Lasombra possuem influência magnânima em terras de todos os lados do Império e fora dele. Exércitos inteiros, até mesmo de Legionários, são comandados por aqueles que compartilham de teu sangue.

- Desdobro a pergunta feita ao Arcanjo a ti, Dázbov. És capaz de reunir os seus primos e irmãos e arrastar consigo as legiões que eles lideram? Somente assim serás útil e indispensável para a causa.

* Ele volta-se aos demais e continua*


- Antes dos jovens responderem educada e cordialmente minhas perguntas,  trago a vós a posição dos filhos de Tzimisce e de todas as terras que a nós pertence.

* Ele inspira, como se precisasse*

- O Branco, Byelobog, lutará a meu lado na guerra que se seguirá. Os homens sob nosso comando totalizam nove mil guerreiros ferozes e forjados na neve e no frio excruciante que os cercam. Conhecedores do terreno e valorosos com uma espada ou machado em punhos. Para além disso, nossos servos pessoais que se igualam a dez ou mais homens cada, estarão incluídos em nossas forças.

* Ele ergue, como um tique nervoso, novamente o indicador*

- No entanto, somente sairemos de nosso lar ancestral que podemos defender plenamente por quanto tempo for necessário, se este conclave rumar à destruição completa e absoluta de Roma e dos seus. Supondo que os Senhores consigam reunir as forças necessárias de seus territórios para tal.

- Assim, encerro minhas palavras que refletem o desejo dos nossos.

* Ele volta a olhar, inclinando a cabeça lateralmente em um ângulo impossível, na direção de Qaphsiel e Dázbov.*
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Re: Meca - A Honrada

em Dom Mar 11, 2018 9:50 pm
Ouvindo os vampiros que já haviam se manifestado e observando a reação de todos os presentes, Qaphsiel percebeu que estava diante de Cainitas com ambições e valores muito distintos. Cada fala era repleta de subtextos e intenções ocultas, rivalidades e tensões. Sorrisos discretos, cenhos franzidos e olhares cruzados eram os códigos para interpretar o que de fato estava acontecendo. A diplomacia entre os membros do Conclave era sofisticada, mas ainda assim insuficiente para esconder a Besta que espreitava em cada um deles.

Qaphsiel não era tolo para pensar que ele próprio não tinha sua Besta para domar. A vontade do Arcanjo era de desafiar todos os incrédulos que, disfarçadamente, desdenhavam da fé do povo de Yahweh. Ele havia visto com os próprios olhos o poder do Criador e as conquistas passadas de seu povo. Contudo, sabia que estava lidando com criaturas antigas e astutas, cuja sede de sangue e instinto de sobrevivência havia evoluído para um pragmatismo extremo. Talvez, apenas por agora, seria interessante aprender com os antigos.

Porém, achou digno de nota e respeito o Cainita que se apresentava como Dázbov. Parecia que o Lasombra compartilhava com Qaphsiel um amor profundo por seu povo, bem como uma vontade legítima de protegê-lo, seja qual fossem as maquinações que os clãs viessem a tramar. O Salubri não podia deixar de admirar qualquer vampiro que colocasse o bem estar de seus protegidos acima de qualquer política dos mortos-vivos. Para ele, era o contato com os sentimentos mortais que os impedia de cair nos braços da Besta.

Preparou-se para responder aos questionamentos de Damek. Sentia que era preciso navegar com cuidado, pois estava convicto de que a gentileza e a polidez do Tzimisce eram uma fachada.

- Suas palavras trazem sabedoria, Senhor do Leste. E, de fato, fizestes uma boa investigação quanto ao poder militar que cada um possuí. Diante disso, creio que sua astúcia já lhe permite inferir uma série de respostas para perguntas que surgiram aqui. Tens razão quando dizes que atualmente lidero apenas um punhado de homens. Imagino que também estejas correto quanto ao tamanho da força de Dázbov. Ainda não sei quantos homens conseguiríamos reunir se somássemos as forças de todos que estão aqui presentes, mas já tenho certeza que seus 9 mil homens treinados são um poder a ser reconhecido por si só.

Qaphsiel circula o olhar entre todos os membros do Conclave.

- Serei pragmático como vocês. Não perderei meu tempo tentando convencê-los de algo que não posso prometer. Creio que seria perda de tempo dizer que conseguirei reunir todo o povo de Y’srael para tentar um novo levante contra Roma. Confio na força e na fé de meu povo, mas não quero ver seu sangue derramado em vão.

O Arcanjo fixa o olhar no Deus Branco.

- Dázbov está correto. Roma é a maior força militar já criada. Meu punhado de homens não é o suficiente. Os 300 homens que dizem estar no norte também não o são.

Qaphsiel retorna o olhar para Damek.

Mas, diante do poder das Legiões, nem mesmo seus 9 mil homens podem fazer algo. Qualquer lugar livre dos domínios do Império assim o está por uma mera questão de tempo e oportunidade. Não há exército que possa pará-los.

Por fim, Qaphsiel termina seu discurso olhando para o Califa.

- Por isso insisto, Kalif Arhmad. Não vim aqui para discutir estratégias de uma batalha aberta contra o Império Romano, muito menos para contar quantas cabeças mortais estamos dispostos a colocar em jogo. Devemos ser ágeis e precisos. Eliminar lideranças e peças-chave. Cortemos as cabeças do Império, estejam elas vivas ou mortas, e o corpo cairá.
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Re: Meca - A Honrada

em Dom Mar 11, 2018 10:15 pm
* As palavras ecoam pela construção de pedra e ganham forma. Kalif Arhmad parece concordar com algumas das palavras do Arcanjo, mas pondera*

- Qaphsiel, peço-lhe cautela e parcimônia. Os vampiros aqui reunidos possuem tanto poder quanto astúcia. Evidentemente, ataques precisos e arquitetados contra as lideranças - nossos pares na noite que ocupam cadeiras de comando do Império Romano - se farão necessários. Contudo...

* Damek ergue um dos seus alongados dedos e Arhmad prontamente interrompe seu discurso, dando lugar ao ancestral dos filhos de Tzimisce*

- Contudo, líder do povo de Y'srael, engana-se que cortando cabeças escolhidas a dedo a besta cairá. Devo elucidar o fenômeno Roma, para que meças tuas palavras mais sabiamente daqui em diante.

* Ele sorri, antes de retomar o discurso. Sua voz é rouca e há um forte sotaque ao pronunciar o Latim*


- A fera sedenta que se tornou Roma aproxima-se de um milênio. Ela é, por si só, mais velha que muitos dos presentes. Não todos, vale destacar. Cortar-lhe cabeças de comando pura e simplesmente derrubará uma besta ancestral e esfomeada? Não, jovem Salubri. Não é a resposta para os seus anseios.

- Devo trazer o mito da Hidra de Lerna, na Argólida. Hércules, o semi-Deus grego, cortava-lhe incessantemente as cabeças uma após a outra somente para ver duas surgirem em seus lugares. Assim, Arcanjo, é a política intricada de Roma.


* Ele olha Qaphsiel com certa ternura no olhar. Ou seria malícia?*


- O quadro acima pintado é ainda pálido se comparado a realidade. Algumas das cabeças, meu jovem, possuem idade e poder que rivalizam com os mais antigos de nós. Roma é um tabuleiro de alianças, favores, poderes e seres que a controlam das cadeiras do senado e das cortinas que sequer podemos ver de nossas terras.

* O sorriso desparece de sua face*


- Por isso, quando as cabeças que você acredita que deve cortar caírem e o inimigo de Roma se revelar, outras ainda mais poderosas surgirão e lançarão exatos sessenta e cinco mil homens, o total de suas treze legiões, contra nós. Ou contra vós, se for o caso. Em tal situação, eu ficaria mais aliviado se aproveitarmos o Conclave para contarmos as cabeças dos que nos servem, de nossos aliados, e medirmos nossas reais forças antes de estabelecer um plano de ação.

* Novamente, ele ergue um dedo e sua longa unha parece girar na ponta deste*

- No entanto, sou grato por sua sincera resposta. Me preocupa apenas a ingenuidade de acreditar que os teus não morrerão nas noites a seguir. Ao entrar por aquela porta, tu condenastes todos os que caminham com você a lutar e possivelmente perecer. Se tal empreitada será em vão ou não, estimado Salubri, cabe a vós decidir e - sugiro - o faça antes de empenhar sua espada nesta causa.

* O Sorriso retoma o seu rosto e seu estranho olhar é direcionado a Dázbov*

- Minha curiosidade e, imagino, de boa parte deste Conclave está na resposta e na possível capacidade do representante de Lasombra. Se nos permitir ouví-lo, será um júbilo.
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Re: Meca - A Honrada

em Seg Mar 12, 2018 9:28 am
Dázbov ouviu atentamente as palavras do ancião Tzimisce. Internamente sorria, mas não gostaria de deixar transparecer uma expressão que poderia ser interpretada como arrogância juvenil. Há muito havia percebido como seus próprios pensamentos haviam se tornado mais alienígenas e menos vinculados à realidade com a idade, e podia imaginar o que ocorria com os cainitas mais velhos que ali se encontravam. Permaneceu, portanto, sério quando respondeu às intervenções dos presentes.

- Decerto Lorde Damek tem razão em alguns aspectos. Nossos número são pequenos e, aparentemente, irrelevantes. Contudo, as lições da história nos indicam que pequenas mudanças podem fazer diferença a longo prazo. Ou não foram os Hebreus aqueles que derrotaram o aparentemente invencível Império Egípcio? Ou, para dar um exemplo mais próximo, não foram somente dois irmãos, os Graco, que forçaram a uma readequação do sistema político romano? Devo concordar com Qaphsiel: números importam, mas fervor e coerência nas ideias importam tanto quanto. Roma não é invencível, e já vimos provas contundentes disso. Lorde Damek deve saber exatamente o nível de furor dos homens aos pés do Ai-Petri afinal, são seus homens.

- As forças do Clã Lasombra estarão à disposição da causa. Se esse Conclave terminar com resoluções positivas espero que os presentes não tenham dúvida da capacidade do meu Clã de mobilizar suas forças quando assim desejamos. Nossa autoridade dentro e fora do Império é grande e não deve ser desconsiderada pelos nossos inimigos. Na verdade, se procederem desta forma, tanto melhor para nós.

- Fazendo uma outra menção ao que explicitou o descendente do nobre Saulot: nossas forças são diminutas se comparadas à máquina imperial. Outras táticas precisam ser pensadas. Tomando novamente o exemplo dos egípcios: por qual razão uma diminuta tribo de pastores tornados escravos derrotou a maios potência imperial da época? Fizeram guerra aberta? Não, senhores. Haviam um sistema de crença diverso - e não entro no mérito se real ou não, se o Deus de Israel deva ser seguido ou não - Foi o seu sistema de crenças que possibilitou a eles negar a verdade fundamental da sociedade egípcia que é a mesma verdade da sociedade romana: nenhum homem é um Deus. E, se nenhum homem é um Deus, qualquer homem pode ser destruído. Assim como qualquer sistema regido por este homem. Os mais argutos dentre vós já entenderam qual é a minha proposta. Aos que não entenderam, peço um minuto de ponderação e de consulta às vossas sabedorias milenares.
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Re: Meca - A Honrada

em Seg Mar 12, 2018 12:11 pm
* Damek sorri ao ouvir as palavras de Dázbov, repetindo em voz  rouca e alta*


- As forças do Clã Lasombra estarão à disposição da causa. As forças do Clã Lasombra estarão à disposição da causa.


* Seu sorriso cresce, de forma inquietante, quase de orelha a orelha.*

- Excelente, Dázbov. Excelente. Estou satisfeito com as respostas dos jovens.

* Disse o Tizmisce, ao destinar um olhar para o mediador do Conclave. Arhmad inclina a cabeça em direção ao Senhor do Leste, compreendendo seu olhar e suas intenções e, em seguida, toma a palavra*

-  Senhores, devo lembrá-los que a mediação neste Conclave é de fundamental importância para que possamos nos compreender e avançar no debate. Inicialmente, solicitei que os Senhores se manifestassem sobre as posições dos seus, na ordem descrita, e sobre possíveis informações acerca do inimigo de que tenham posse.

* Ele faz uma pausa, olha em direção a Dázbov e Qaphsiel, antes de continuar*

- Enumerar nossas forças disponíveis se faz necessário, para que possamos nos conhecer  antes de nos aprofundarmos no conhecimento sobre o inimigo, com o intuito de planejarmos de acordo com nossas reais capacidades. Por isso, os questionamentos de Damek, o Senhor do Leste, nos ajudaram a preencher lacunas em vossas falas.

- E, para acalmar vossos ânimos, peço novamente um pouco de parcimônia. O momento para a discussão sobre o plano de ataque e seus desdobramentos - se houver um - se apresentará após os cainitas aqui, diante de vós, se apresentarem e oferecerem seus devidos auxílios a causa, como solicitado no início do Conclave.

* Ele estende a mão em direção a próxima no sentido descrito, a mulher de nome Ta-Urt, que se prepara para iniciar seu discurso.*
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Re: Meca - A Honrada

em Seg Mar 12, 2018 3:16 pm
* A mulher, trajando vestes egípcias e jóias chamativas e brilhantes,  dá um passo a frente e olha todos os presentes por um momento, parando seu olhar no Salubri chamado Qaphsiel.*

- Meus senhores, chamo-me Ta-Urt, Cria de Amenófis, Progênie de Zapathasura.



*  Sua voz é suave e de certa forma bem-vinda aos que a ouvem. Seu sotaque é muito forte e estranho ao pronunciar o latim. Além disso, por trás daqueles olhos maquiados com tinta negra há uma certa autoridade.

- Receio que, assim como os filhos de Saulot, os que descendem de Zapathasura estejam dispersos onde quer que haja indícios de civilização. Assim sendo, não falo por minha família e não carrego o peso de nenhuma palavra além da minha. Que isso não seja motivo para diminuí-las, contudo.

- Assim como, uma vez mais, o cainita chamado Qaphsiel eu possuo apenas um punhado de bons homens sob minhas ordens. Mas ofereço mais que os olhos rasos podem enxergar, para  a causa que discutimos.

* Ela estende a mão e dela um pergaminho ganha forma, como se estivesse ali todo o tempo mas invisível aos presentes. É possível ver o selo imperial de Roma no papiro, enquanto ela começar a ler*

Concedo, do alto da divindade a mim imbuída e de minha posição política determinante, o direito e o dever para com Roma da gestão das terras desérticas anexadas ao Império que compreendem-se de Alexandria às terras longínquas do Nilo, em forma de governo provincial à Dama do Deserto, Ta-Urt, que deve carregar os louros e o fardo da responsabilidade de manter o território unificado e fortalecido e suas devidas rotas comerciais e portos abastecidos e prontos para acatar os comandos da Capital.

Faça-se a honra e o dever,

Titus Venturus Camillus.

* Ela deixa o pergaminho cair, com certo desdém*

- Como podem observar, minha posição junto ao Império que ajudarei a derrubar me garante alguma influência. O principal porto do Mediterrâneo, Alexandria, jaz sob minha autoridade.  Vale salientar que no momento existem duas legiões romanas, aproximadamente oito mil homens, vagando pelo deserto e rumando às estepes douradas do oeste. Terras, temo, de Aníbal que aqui se faz presente.

- O ponto é que minha intervenção garantirá que grãos diversos, demais mantimentos e tropas possam ou não cruzar o mediterrâneo.  Obviamente, de acordo com os intricados e complexos planos traçados por aqueles mais capazes dentre nós.


* Ela entoa as palavras sobre o plano olhando específicamente para Dázbov*

- Esta é a minha posição.

* Ela parece ter concluído, mas retoma as palavras e o olhar destinado  à Qaphsiel*


- Senhores, há um segundo ponto. Minhas terras fazem fronteira com as terras dos...Filhos de Set.


* Ao erguer uma das pintadas e bem marcadas sobrancelhas, ela continua*


- Selamos uma paz, até então firme, embora eles permaneçam arredios e reclusos nas partes mais profundas das areias do Egito.Talvez, se deliberássemos a favor, pudessem se tornar potenciais aliados.

* Olhando uma vez mais para o Arcanjo, ela conclui*

- Além disso, Arcanjo, talvez devesse visitar-me ao fim do Conclave. É de meu conhecimento que alguns dos teus, o chamado povo de Ysrael, permanecem nas terras dos Setitas. Servem como lhes convém, escravos, tal qual os Hebreus o foram há séculos atrás.

- Obviamente aponto um conflito de interesses, mas seja qual for a decisão aqui tomada - envolver os filhos da serpente em nossa empreitada ou libertar o povo liderado pelo Salubri para que se juntem as nossas fileiras - precisarei de um de vós comigo e Qaphsiel me parece a melhor opção.

* Ela encerra e volta ao silêncio. Na ordem, o próximo a ter a palavra será Aníbal, o Brujah. As novas informações reverberam em Dázbov e, sobretudo, Qaphsiel.*
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Re: Meca - A Honrada

em Seg Mar 12, 2018 4:00 pm
As palavas de Ta-Urt soavam estranhas aos ouvidos e coração de Qaphsiel. O chamado para libertar descendentes dos hebreus que, por algum motivo, permaneceram em terras egípcias mesmo após o Êxodo, o mobilizava. No entanto, qual seria o interesse da Ravnos nisso tudo? Pelo pouco que ouvira falar daquela família, sabia que eram seres cheios de artimanhas e subterfúgio. Quais eram as ilusões que Ta-Urt manipulava?

Ele olha para Ta-Urt com atenção.

- Agradeço a informação, Senhora. Me comove saber que parte do meu povo ainda se encontra nessa situação. Cruzamos o deserto para sermos livres mas, aparentemente, deixamos alguns para trás.

- Me causa revolta e repulsa saber que essa situação perdura por causa da ação ou omissão dos Filhos de Set. Para mim, não se deve afagar a cabeça de nenhum ser que parece, sibila e deita como uma serpente. Ao encontrar uma serpente em um jardim, o único ato a se fazer é cortar-lhe a cabeça. Os Setitas não são muito diferentes dos Infernalistas que foram dizimados em Chorazin, mediante o sacrifício daquele do qual meu sangue descende.

Qaphsiel volta o olhar para o Califa.

- Contudo, respeito as palavras de Kalif Arhmad. Esse é um espaço para tomarmos decisões em conjunto. Se o Conclave decidir que uma aliança com os Setitas é o caminho a ser tomado, que assim seja. Não contestarei a sabedoria dos que aqui se reunem, nem colocarei minha posição acima dos Senhores.

Mas não colocarei meus homens nem minha fé em prol dessa causa. - pensou o Arcanjo. [i]

O Arcanjo se acalma e dirige a palavra à Ta-Urt.

- Dito isso, conversaremos após o Conclave, Dama do Deserto.
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Re: Meca - A Honrada

em Seg Mar 12, 2018 9:50 pm
* Os olhares trocados são tensos. Quando o nome dos Filhos de Set veio à mesa de discussões, ao menos metade dos cainitas presentes esboçou um visível desdém em seu olhar. Ta-Urt, contudo, permaneceu impassiva e deu espaço para o próximo que teria a palavra.

O homem que se apresentou impressionava por seu porte. Apesar do físico protuberante e definido, não era exagerado e não eram seus músculos que chamavam a atenção. Era algo mais.

Sua simples presença intimidava. Olhá-lo era como encarar um predador maior, mais rápido, pronto para o ataque a qualquer momento. Ainda assim, impunha mais respeito que medo.*



* Sua voz ecoou pelo salão de pedra, grave, firme, mas sem agressividade*

- O que vejo, desaprovo.

* Ele circula o olhar, interrompendo-o no homem que acompanha Dázbov*


- Vejo cainitas tentarem elevar-se, em argumentos ou clamadas posses, uns sobre os outros. Reivindicarem feridas abertas que não passam de arranhões. Disputarem grãos de areia quando o mundo lhes é tomado.

* Ele ergue um dos dedos, ainda em direção ao homem ao lado do Cainita branco do Ai-Petri*

- A minha ferida está aberta. Dói a cada noite que me levanto. E tu, Daharius Sarosh, estava lá na noite em que foi aberta.


* Ele abaixa a mão e continua o discurso*


- Lembro-me dos meus perecerem sob tuas mãos esmagadoras e envoltos em teus tentáculos sombrios. Lembro-me do feiticeiro, teu irmão, a conjurar criaturas de pura escuridão sobre os meus. Lembro do pacto que selastes com os filhos de Ventrue.

* Seus olhos emanam um brilho avermelhado*

-  Lembro-me das crianças, idosos e mulheres a queimarem com o avanço dos teus e da aliança que engoliu a Terceira Cidade e regurgitou a besta sedenta chamada Roma.


* Seus dentes se cerram, a ponto de estalarem*


- Lembro-me, acima de tudo isso, de minha senhora atada a seu amante e enterrada nas profundezas da terra para todas as noites que virão pelas mãos de Cybele que a alcançaram graças a vós.


* Um minuto de silêncio se segue, o homem que acompanha Dázbov retira sua túnica revelando sua face e em seus profundos olhos negros há a exata sensação que todos sentiram quando o cainita que tomou a palavra se fez presente. O homem, alto e negro como a noite, continuou a falar*

- Tua família, assim como as demais, feriram a mim e aos meus com tamanha violência que o ato jamais será esquecido ou perdoado. É uma dívida de Sangue a ser paga com Sangue.

* Os olhos se cruzam e uma onda temerária atinge o Conclave. As próprias paredes amareladas parecem tremular perante a tensão crescente entre aqueles dois cainitas. O homem continua*

- A dívida será cobrada, Filho de Laza, e eu serei o coletor.

* Ambos ignoravam o ambiente a seu redor e se encaravam, como duas feras prontas para o ataque. As seguintes palavras do homem selaram o destino naquela noite*


- Esta noite e até a noite na qual o Império dos Romanos se reduza a pó, haverá trégua. Engolirei minhas lágrimas de sangue e o orgulho que fervilha em minhas veias para lutar ao vosso lado, Daharius, e não espero menos que tua presença no campo de batalha até o fim. Teu pai o ordenou a vir aqui, esta noite, acompanhando o jovem para que ouvisse a minha resposta e tomasse uma ação.

- Eis a minha resposta. Haja, Filho da Noite.

* O homem ao lado de Dázbov diz poucas e simples palavras, sua voz é grave e firme e emanam uma autoridade incomum que chega a pesar sobre os ombros dos presentes. Seus olhos, como dois globos de pura escuridão, se mantém fixos em seu interlocutor.*

- Hannibal Barca, não ouses clamar o nome de meu Pai ou suas ordens para com seus filhos. De fato, acompanhei Dázbov esta noite para encontrá-lo e, se necessário, confrontá-lo com palavras ou punhos. Me traz satisfação vê-lo agir com a razão e empossar sua força necessária na causa que se apresenta.

- Nesta demanda, ao contrário daquela que citastes, me coloco apenas como um guia e um acompanhante para Dázbov - O Branco. É ele quem porta a palavra e a vontade do Clã da Noite e assim será, nesta e nas noites a seguir até que Roma caia.


* Ambos trocam olhares que variam entre desafio e concordância, o homem negro retoma a palavra, dirigindo-se a todos*


- A língua de seu Império me impõe o nome de Aníbal. Chamo-me Hannibal Barca, Cria de Troile, General da Terceira Cidade. Represento aqui os que dela descendem e que vagam das planícies africanas até o norte gelado. Empenharei cada homem que possa empunhar uma espada sob o meu comando para ver Roma cair e queimar. Aproximadamente quatro mil guerreiros de diversas tribos seguem os meus passos nas planícies e estarão dedicados á causa.

* Lança um último olhar a todos*

- Engulam seus orgulhos, suas maquinações, seus anseios e dívidas. Apeguem-se a sua fé sem que abram mão do solo firme ao qual pisam. Se esta aliança falhar, O Império prosperará e nossa liberdade - aquela que lhes permite ter orgulho, maquinar, ansiar e ter fé - lhes serão arrancadas junto a seu povo e suas terras.

- Esta é a minha posição e daqueles que me seguem.
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Re: Meca - A Honrada

em Ter Mar 13, 2018 6:28 am
Parecia a Dázbov que havia muito mais em jogo naquele Conclave do que a destruição de Roma. Conhecia sua espécie e os rancores ancestrais que se formavam nas relações entre os Cainitas. Estava também ciente da natural prepotência dos mais velhos, sempre prontos a defender seu ponto de vista independentemente das óbvias adversidades das circunstâncias. Mal havia chegado e já estava cansado.

Não obstante, sentiu-se surpreso quando a identidade do seu guia foi revelada por Aníbal. Sarosh era o mesmíssimo homem que o havia recebido no Castelo das Sombras. Munido de uma autoridade muito maior do que a sua, ainda assim optou per permanecer calado a na maior parte do tempo. Dázbov sabia que sua atuação no Conclave era também um teste para determinar suas capacidades. O que, exatamente, estava sendo avaliado era uma incógnita.

Ouviu atentamente o pronunciamento da Dama do Deserto e suportou seus olhares. Apreciou sua estratégia, mas identificou a mesma pobreza que havia identificado na de Damek: falta de projeção a longo prazo. Isso o incomodava. Os cainitas presentes falavam de muitas coisas, mas não contavam nos seus cálculos o bem estar daqueles que os sustentam. Nem pensavam no que aconteceria quando, eventualmente, tivessem vencido. Talvez isso fosse discutido em uma outra etapa do Conclave. Talvez não.

Permaneceu impassível diante das acusações de Aníbal que, ainda que reclamasse da tendência dos cainitas de expor suas feridas, tenha sido o primeiro a fazê-lo quando a oportunidade se apresentou. Não concordava com o que havia acontecido em Cartago, mas lhe faltava o conhecimento profundo sobre os fatos para apurar e dar uma opinião mais contundente.

Quanto a Damek, imaginava que o velho Demônio tinha seus próprios planos e objetivos. De todos os Clãs da Família, porém, o que menos o amedrontava sempre haviam sido os Tzimisce.

Ansiava, no entanto, saber onde e com quem estaria a segunda parte do pergaminho que lhe fora confiado.
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Re: Meca - A Honrada

em Ter Mar 13, 2018 1:09 pm
* Kalif Arhmad faz uma mensura ao homem que se coloca, em silêncio, ao lado de Dázbov. Embora nada diga, há um respeito notável em seu olhar. O homem meneia a cabeça em retribuição.

Em seguida, o mediador dos Filhos de Haqim indica a Odoacro para que este tome a palavra. O bruto homem se encaminha e entona sua grave e poderosa voz. Seu corpo é um amontoado de músculos recobertos por uma armadura de couro e placas. Os longos cabelos loiros misturam-se com a barba, espessa e com algumas tranças. Seus olhos são grandes amarelados, a distância parecem ser fendados como os de um grande felino. Não há traços tão estranhos em sua aparência, mas há uma brutalidade explicita e algo de animalesco em seus modos*




- Odoacro, Rei dos Godos é o nome que ecoa pelo norte gélido. Nas terras Vikings que a maioria de vós desconhece. Entre os nossos, os que habitam a noite, chamo-me Wulfgar, Cria de Vola - a Vermelha, que o seu idioma força a pronunciar Varla. Minha Senhora aqui presente é progênie de Ennoia, a primeira de nossa linhagem.

* Ele observa a todos, parando um tempo maior em Aníbal e no guia ao lado de Dázbov*

- Me parece que a queda do Império dos Romanos interessa, ferozmente, as famílias aqui presentes. Meu tributo para esta  aliança é de sangue e guerra. Meus vinte e seis mil homens marcham sob a voz que os guia. A minha voz. E, embora eu tenha ouvido alguns citarem que nossas forças são insuficientes, eu lhes atesto o contrário.

- Na noite anterior, conquistamos a província da Panônia. A Sarmátia, Récia, Nórica e Dácia são domínios de Odoacro. Em todas estas províncias testamos as forças romanas e em todas prevalecemos.


* Ele repousa a mão sobre o cabo da espada em sua cintura, larga e descomunalmente grande*

- Não subestimo a máquina de guerra criada pelos Romanos. Ao invés disso, aprendo com suas falhas. A maior delas, o abraço contínuo e sem limites a todas as crenças dos povos que conquistaram. Misturaram deuses, enfraqueceram a crença dos homens. Dentre os legionários, há os líderes e orgulhosos romanos, mas há mais e neles reside sua desunião. Tropas auxiliares compostas de povos conquistados, insatisfeitos com suas posições completam suas fileiras e correm, morrem ou rendem-se facilmente. Em seu íntimo desdenham tanto do Império que os conquistou que não são, em batalha, metade dos homens que poderiam ser.

- Lhes digo, incontestável, que meus vinte e seis mil homens equivalem aos mais de cinquenta que Roma apresenta pois são livres, guiados por um único Rei e um uma única crença. Desfrutam dos espólios da guerra conforme a conquistam e vivem suas vidas pautados no fio de suas espadas.

- Temos, ainda, uma frota naval de poder notável. Nós, muito antes dos Romanos, navegávamos de nossas gélidas e longíquas terras por todos os mares. Das terras da britânia até as terras do povo das arábias, chegamos e navegamos antes. Agora, estamos a beira de um cerco, que depende exclusivamente da tomada da Dalmácia que nos permite acesso ao Mar que levará a Capital dos Romanos.


* Ele olha os presentes, fazendo um adendo*

- Não sou quem sou e não ocupo o Trono do Norte por ser um tolo. Meus batedores deram conta de Legiões Romanas que seguem para a Dalmácia. Jamais subestimarei um rival em Guerra e conheço sua força e organização. Os vi, os testei, os enfrentei e conheço seu poderio de perto. Conheço o cheiro de seus homens quando morrem.

- A tomada da Dalmácia levará tempo e estratégia. Roma se verá obrigada a proteger o último território antes do mar que os guarnece e, por isso, lá acontecerá a grande batalha a seguir. Os ventos da calmaria já prenunciam a carnificina que virá.

- Seguindo as palavras de Arhmad, quando o momento de discutirmos as estratégias militares se apresentarem, eu os indicarei que acredito ser nesse momento, no auge da batalha em Dalmácia, que vocês devem  mover suas peças. Assassinar os devidos, atacar de onde puderem e massacrar a besta que sangrará até a morte. Coordenados e planejados, prevaleceremos.


* O Senhor da Guerra do norte encerra suas palavras quando a estranha mulher caminha, tomando a frente a palavra. Ele, o homem que ultrapassa os dois metros, curva-se em respeito a sua Senhora. Suas vestes negras arrastam-se pelo chão, ela é alta, esguia, uma máscara óssea cobre-lhe a face e suas mãos são alongadas e revestidas em garras pontiagudas. Sua voz ressoa estranha, como se mulher e animais falassem em conjunto em um misto de sons e grunhidos que chegam a incomodar. Percebe-se que cada palavra deixa a sua boca com imensa dificuldade*



- Vola, Cria de Ennoia. Atesto as palavras de minha Cria e indico que os meus, que caminham livres em minhas terras, juntaram-se a batalha quando convocados por mim.

* Ambos recuam e kalif Arhmad toma, novamente, a palavra*


- Temos agora ciência de nossas forças conjuntas, recursos e...perfis. Senhores, solicito que aqueles que julguem sua analise do inimigo, dos nossos e do desafio que se apresenta, bem formulada que nos apresentem sugestões de ações. É chegado o momento de discutirmos os passos tomados por esta Aliança.
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Re: Meca - A Honrada

em Ter Mar 13, 2018 4:15 pm
Qaphsiel ouviu com atenção as palavras dos últimos Cainitas que se apresentaram no Conclave. Até antes dos Gangrel falarem, o Arcanjo estava cansado. A ansiedade e curiosidade que o levaram até ali, que o colocaram na esperança de conseguir algo colaborando com aqueles que com ele compartilhavam a Maldição de Caim, haviam se dissipado. O que ouvia e via eram exibições de força, afirmações de poder e trocas nem sempre veladas de ofensa. Lembrou do conforto de seu Templo na Galiléia, das noites de estudo junto a seu povo. Até mesmo as lembranças de luta ao lado dos zelotes lhe era mais confortável do que este Conclave. Sentia que as política Cainita era complexa demais, endógena demais. Esse não era o seu campo de batalha...

Até que escutou as palavras de Odoacro e Vola. Os Gangrel apresentaram possibilidades concretas. Tinham pelo menos 25 mil homens e um princípio de estratégia em mãos!

Ao longo de sua vida e não-vida, o Arcanjo havia aprendido a falar duas línguas: a da religião e a da guerra. Nenhum daqueles Cainitas parecia disposto a compreender sua crença ou sequer levá-la em consideração. Mas Odoacro falou a linguagem da guerra.

Absorto em seus pensamentos, Qaphsiel desperta com as palavras do Califa. Ele se adianta:

- Se os Senhores me permitem, posso adiantar minha posição, que já deve ter ficado clara...

Qaphsiel pondera, e decide mudar o tom que vinha assumindo inicialmente.

- Primeiramente, lhes peço desculpas se minhas colocações os ofenderam. Minha fala é a fala de um povo cansado. Represento pessoas que foram oprimidas séculos atrás e que voltaram a ser oprimidas por Roma. Nasci em morri em uma Yerushalayim dominada. Meus companheiros de espada preferiram tirar a própria vida, diante da possibilidade de serem capturados por uma Legião. Eu estaria entre eles, caso não tivesse sido escolhido para integrar o exército de Samiel.

- A fala de Odoacro e Varla me impressionam e enchem meu coração de esperança. Creio que a estratégia que apresentaram é um começo a ser considerado.

Qaphsiel fixa os olhos em Odoacro.

- Como eu lhe disse, Senhor. O povo de Y'srael é composto de lavradores, pastores e artesãos. Comerciantes e pescadores. Homens de fé unidos por uma aliança com Aquele que está acima de nós. Talvez isso lhe soe como nada. Mas afirmo que estes mesmos homens simples estão espalhados pelo Império Romano e além. Eles passam quase que invisíveis. São desprezados e usados como servos.

- É por isso, senhores, que eles ocupam a melhor posição para atacar com precisão e surpresa. Dê uma adaga para um lavrador e ele atacará pelas costas o feitor romano que o oprime. Dê uma funda ao pescador, e ele arrebentará a cabeça do patrício que passa pela margem de um rio sem suspeitar de qualquer tocaia. Conforme forem tendo sucesso - e isso eu posso afirmar - o povo de Y'srael será um exército invisível dentro de Roma e além.

- Ataque o local que chama de Dalmácia e dê-me a ordem. Eu lhe garanto que nós faremos com que em pouco tempo nenhum membro da nobreza de Roma dormirá em paz. E aqueles que dormirem terão pesadelos.

Ao terminar sua fala. Qaphsiel volta a olhar para Kalif Arhmad.

- Essa, meu Senhor, é a forma como posso contribuir.
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Re: Meca - A Honrada

em Ter Mar 13, 2018 6:11 pm
Dázbov estava impressionado com as palavras de Odoacro. O cainita havia se impusera acima das vontades dominantes e das vendetas pessoais, apontando um caminho e colocando à disposição uma imensa quantidade de homens. Além disso, a ferocidade dos homens do norte era lendária e suas batalhas chegavam aos ouvidos de Dázbov, ainda que ele estivesse isolado em Ai-Petri.

Posteriormente, prestou especial atenção às palavras de Qhapsiel. Não pode deixar de notar, enquanto o ouvia, o sofrimento que aquele homem carregava em seus ombros. Dázbov jamais teve contato com um filho de Saulot, mas conhecia suas histórias através de Bhorgav, que nutria pelos Salubri uma enorme consideração. Sabia das histórias de abnegação e de como os Lasombra e Salubri haviam colaborado durante as Guerras Baali. Qhapsiel, contudo, parecia carregar um sofrimento extra, relacionado ao destino de seu povo. Se perguntou se, em certa medida, não invejava a fé do Filho de Saulot na vitória dos seus.

Dázbov não tinha um povo. O homem que se tornou o Deus Branco da Montanha tinha somente sua família, a qual havia sido roubada pela fome e pelo frio. Dázbov vagou sozinho até encontrar Bhorgav, que permaneceu com Dázbov não mais que algumas horas. Tudo o que aprendeu foi através das memórias de Bhorgav, cainita de uma inteligência ímpar, mas foi temperado pelas suas próprias e solitárias observações sobre o homem comum. O adorado Deus de Ai-Petri só tinha experimentado sofrimento e solidão.  

Quando Qhapsiel terminou, Dázbov desejou falar. Mas o que tinha ele a oferecer?

- Senhores, não sou um homem de armas. Em vida fui um refugiado, escapando da penúria e da morte. Pouca é minha intimidade com as lâminas mas grande é a minha empatia e acesso ao coração e mente dos homens comuns. E é sobre o homem comum que creio que devemos - além das manobras militares - operar. Meto a disposição meus homens, aqueles que habitam aos pés do Ai-Petri. São poucos, mas são convictos e lutarão, até o fim, para que seus descendentes sejam livres. Quanto à mim, me ofereço para entrar em Roma e de lá operar de dentro. Nenhum Império cairá se aqueles que o sustentam não se convencerem dessa necessidade. Se existirem forças de oposição internamente à Roma e eu puder descobri-las, incentivá-las ou mesmo construi-las, eu o farei. Embora pense que não precisarei criá-las do nada, pois elas já estão lá, bem debaixo dos nossos olhos e nós as desprezamos. É essa a minha contribuição.
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Re: Meca - A Honrada

em Qua Mar 14, 2018 1:10 am
* Parece haver uma concordância unânime após as palavras de Qaphsiel e Dázbov. Arhmad leva uma das mãos ao queixo enquanto caminha pelo púlpito central, lentamente. A iluminação alaranjada a se chocar contra seu corpo tornam sua pele negra mais vistosa e brilhante. Após alguns segundos ele inicia um discurso*


- Senhores, ouvindo vossas palavras eu consigo enxergar e dividir dois grupos muito específicos neste Conclave. Ambos fundamentais para a nossa vitória. Corrijam-me, caso eu cometa algum equívoco em minha análise.

* Ele destina o olhar à Odoacro, Varla, Aníbal e Damek, um por vez enquanto cita seus nomes*

- Os Senhores da Guerra: O Rei Odoacro, ou Wulfgar, com o maior contingente de ferozes guerreiros e Aníbal, lendário general cartaginense. Ambos se atrelam magnificamente aos Senhores da Terra: Damek, o Senhor do Leste que comanda as valorosas tribos de sua terra  e Varla, a Vermelha, que possui a autoridade do chamado aos de sua linhagem.

- Estes possuem vastas habilidades no campo da guerra, além de juntos se somarem enquanto recursos e homens disponíveis para as vindouras e inevitáveis batalhas.


* Em seguida, guia seu olhar igualmente para Dázbov, Qaphsiel e Ta-urt quando os cita*

-  O outro grupo, me permitirei chamar de Senhores das Sombras, em função de suas atuações. Dázbov, Qaphsiel, Ta-urt e eu possuímos habilidades e campos de ação mais específicos e precisos.

- Sob meu comando, os Espadas do Deserto executarão o assassinato daqueles que julgarmos necessários em nosso plano. Ta-urt controla um dos mais relevantes portos de Roma e, com isso, pode facilitar ou impedir a travessia de homens e provisões quando nos couber melhor. Isso inclui atrasar consideravelmente a travessia das legiões que caminham nas planícies africanas dificultando o reforço chegar até a Dalmácia a tempo, por exemplo.


- Qaphsiel tocou em um ponto importantíssimo. Os servos, os escravos. E não somente o seu povo, mas todos os outros. Se conseguirmos acender a fagulha nos corações dos serviçais para que se rebelem, de dentro, teremos um caos gerado no Império Romano. Lembremos que cada mestre possui diversos escravos e os grilhões que os prendem são morais, culturais e invisíveis.

- Dázbov é membro de uma família fundamental para todo o plano. Se é  a voz dos Lasombra na questão, é também aquele que pode dialogar com os seus que estão dentro do Império romano e lideram milhares de homens, além de possuir influência em diversas áreas de funcionamento em Roma. E, como bem citado pelo próprio, ele possui a liberdade de caminhar livremente nas entranhas da besta. Ao menos enquanto a sua família lá permanecer.


* Ao fim, ele sugere*

- Por isto, Senhores, sugiro a criação de duas frentes de planejamento. A Frente de Guerra e a Frente das Sombras. Com dois líderes, um para cada caso.

- Desta forma, reduziremos as discussões e nos dividiremos com especialistas em seus campos de ação e, apesar da divisão estratégica, os planos seriam compartilhados e entrelaçados para um melhor resultado.

- Como o mediador do Conclave e após ouvir a todos, eu sugiro que O Rei Odoacro lidere a Frente de Guerra e que Dázbov lidere a Frente das Sombras. Minha indicação é pesada, principalmente, pelos recursos que ambos dispõem para ambas as frentes.

- Se concordarem com a divisão e alguém pleitear a liderança, que agora fale.



* Os cainitas se entreolham por um breve momento e parece haver a concordância dos mais velhos, embora Aníbal tenha trocado uma ou duas palavras com Odoacro antes de aceitar. Restando apenas os votos de Qaphsiel e Dázbov para decidir o pleito.*
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Re: Meca - A Honrada

em Qua Mar 14, 2018 8:07 am
Dázbov estava satisfeito com a indicação do presidente do Conclave. O seu era um grupo heterogêneo, anormal, considerando as alianças tradicionais construídas pelos Lasombra. Não tinha nenhum sentimento, positivo ou negativo, por Ta-Urt, tampouco por Arhmad. No entanto, em poucas horas de Conclave, se identificava com Qhapsiel. Seria o Salubri capaz de responder as dúvidas que martelavam a mente e o coração de Dázbov desde que ele havia ouvido falar do Profeta Crucificado? O pouco que sabia era que aquele homem era, também, do povo de Israel. Desconhecia mais detalhes, mas havia algo nas ações e palavras de um homem morto mais de um século atrás que lhe atraía, como o fogo atrai uma mariposa.

- Sou de acordo com a decisão deste Conclave. Não por considerar-me mais apto a liderar do que os meus companheiros, mas por crer que a minha possibilidade de operar dentro da capital me permitirá conhecer, profundamente, as motivações dos nossos inimigos. Contar com cainitas distintos e capazes é, também, um grande alívio e fonte de inspiração. Comprometo-me a fazer o possível dentro de minhas capacidades para dar cumprimento às nossas decisões. O sofrimento imposto pelo Império àqueles que não se deixam escravizar, corromper ou cooptar precisa encontrar um fim.

Não olhou para Sarosh, não buscou sua aprovação. Dázbov era um cainita sem aspirações, atípico para um Lasombra. A autoridade que o Castelo das Sombras lhe havia dado seria utilizada de acordo com o que ele achava ser melhor e mais eficiente. Contudo, uma fagulha de ambição existia. Dázbov era, sobretudo, fiel ao Clã que representava. E, em sua mente, as peças começaram a se encaixar, lentamente. O vácuo deixado pela destruição de uma autoridade dava espaço para a construção de uma nova. Seria o seu dever assegurar que o Clã Lasombra fosse, quando chegasse a hora, o pilar de sustentação do que quer que surgisse com a aurora seguinte ao eclipse do Império.
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Re: Meca - A Honrada

em Qua Mar 14, 2018 3:00 pm
As palavras de Kalif Arhmad trouxeram esperança pra Qaphsiel. Enfim, sairiam daquele Conclave com um plano. Mal esperava para retornar ao encontro do seu povo dar-lhes a notícia de que, finalmente, poderão recomeçar a resistência ao domínio de Roma.

Contudo, sabia que era preciso cautela. Aquela reunião foi apenas uma pequena amostra do quão complexa é a política Cainita. A vaidade e a sede por poder orientam as ações dos mortos-vivos. Sentia que poucos ali tinham como motivação a libertação dos mortais que viviam em seu território. Poucos nutriam amor pelos povos com quem compartilhavam o mundo. Muitos já haviam deixado de lado sua humanidade, para se tornarem algo... diferente.

Felizmente, entre os poucos que pareciam nutrir alguma espécie gratidão e respeito pelos humanos, estava Dázbov, o escolhido como líder do que talvez viesse a ser o grupo da "Frente das Sombras". O Lasombra foi o único que, em sua fala, não se referiu aos mortais como meras ferramentas para seus objetivos. Era preciso, no entanto, conhecer melhor seus companheiros, antes de mergulhar no plano que se desenhava.

- Estou de acordo com as decisões deste conselho. - Afirmou Qaphsiel, sem muitas delongas. Sabia que a partir de agora seria preciso prosseguir com cautela. O fim do Conclave seria
o início de disputas políticas pelo futuro depois de Roma.


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Re: Meca - A Honrada

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