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Backgrounds e Prelúdios

em Sab Nov 25, 2017 4:14 pm
Tópico destinado a Backgrounds e Prelúdios dos personagens do jogo online Roma - Império de Sangue.

Use as respostas abaixo para colocar seu background, da seguinte forma:

Nome do Jogador
Nome do Personagem

Background
(discorra)
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Re: Backgrounds e Prelúdios

em Sab Nov 25, 2017 7:36 pm
Jogador: Arthur
Personagem: Assur


O que veio antes das correntes? Não consigo me recordar. Minha história não começa do início, que está perdido no tempo. Ela começa sob a bota romana.

Minha memória mais antiga remonta a acordar cercado por soldados, sendo levado com um amplo conjunto de escravos para ser vendido. Haviam prisioneiros de guerra em larga escala, membros dos povos à quem os romanos chamam de “bárbaros”. Outros eram vítimas de dívidas absurdas que os levaram a se tornar objetos. Aqueles com quem conversei, disseram apenas que fui o único vendido por um estranho comerciante.

Naquele momento, estavamos sendo levados para um imenso leilão, onde acabei comprado para me tornar gladiador, devido ao meu físico de combate. Durante anos fui utilizado como instrumento de diversão para a população romana. Matei e quase morri inúmeras vezes. Até que a rebelião de Spartacus explodiu.

Logo me uni aos rebeldes em sua luta por liberdade e desafiando as hostes romanas. Por um momento, acreditamos que traríamos o Império abaixo, mas estávamos enganados. Após inúmeras derrotas, a rebelião acabou esmagada sob o comando de Marcus Crassus, que futuramente se tornaria um dos membros do Triunvirato, também composto por Caesar e Pompeus.

Enquanto Spartacus e outras lideranças, como Crixus, tombaram, alguns escaparam. Entre eles, eu. Sobrevivi à crucificação, mas morri no mesmo dia.

Um ancião Brujah de nome Numerius me transformou. Há tempos ele vinha atuando por dentro de Roma. Esteve envolvido com a conspiração de Catilina, que planejou incendiar a cidade para libertar a população das dívidas.

Numerius me tirou da cruz e me levou para um de seus esconderijos. Ele me ensinou a ler, me explicou sobre o Direito e a Política romana. Possuia carniçais, mas sua relação com eles era diferente da maioria dos vampiros. Tratava todos como iguais, e afirmava que o laço de sangue era apenas para evitar traições.

Ele disse que sua origem não era romana, mas cartaginense. Contou como naquela cidade, vampiros e humanos conviviam como iguais. Claro, haviam aqueles que acabavam por abusar do poder e também havia muito a ser melhorado, mas ainda sim era uma experiência inédita.

Isso até que os Ventrue, controlando o Império, destruíram tudo. Desde então, Numerius havia agido para subveter o poder imperial, primeiro passo para poderem restaurar os tempos de Cartago. Numerius, inclusive, não era seu verdadeiro nome, mas o adotou desde que se mudou para Roma.

Um dia, no entanto, o sonho teve fim. Apesar de todo cuidado, inevitavelmente descobriram o esconderijo, e assassinaram meu criador. Por sorte, consegui escapar.

VINGANÇA

Desde então, retomei os antigos sonhos de Numerius e de Spartacus. Comecei a expandir minha rede de influência entre todos os oprimidos. Os escravos começaram a sussurrar sobre liberdade novamente. Os plebeus, especialmente os mais pobres, começaram a questionar cada vez mais o poder dos patrícios.

Hoje eu lidero os Filhos de Spartacus, uma organização construída com claros objetivos: derrubar Roma e reconstruir Cartago. Igualdade à humanos e vampiros, independente de clãs ou origens territoriais, ou religiões.

Quanto mais o nosso poder crescia, mais ódio despertávamos. Os Ventrue exigem minha cabeça. Os Toreador e os Lasombra não ficam muito atrás em seu ódio. Carniçais seguem meus rastros todos os dias. Soldados mortos-vivos o fazem a noite.

Ainda sim, nossa organização se ramifica, possuindo núcleos por todo o Império, e cada vez surgindo mais. Mas temos membros por toda parte. Escravos e ex-escravos nos favorecem em fugas, isso quando não se juntam a nós. Muitos plebeus nos hospedam em suas casas. Os cristãos, tão amplamente perseguidos, esperam que nossa vitória favoreça ao seu Deus.

O Senador Cicerus Rufius Caecus é o principal defensor da perseguição a mim frente aos mortais. Ele, na verdade, é carniçal do Senador Eterno Marcus Verus, ancião Ventrue, responsável pelo assassinato de Numerius. No início, Marcus era voz isolada entre os outros vampiros, mas cada vez mais conquista apoio. Creio que quase metade dos Senadores o apoiam.

Camillus, até o momento, parece nos considerar uma ameaça menor. Mas tal atitude não deve demorar muito a mudar depois do nosso último ataque, onde libertamos mais de mil escravos.
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Re: Backgrounds e Prelúdios

em Dom Nov 26, 2017 8:20 am
Jogador: Danilo
Personagem: Dázbov

A primeira coisa da qual me recordo é o frio.

Foi sempre uma constante, o frio. Ali, onde nasci, nas estepes orientais onde os romanos jamais penetraram, o frio é um Deus Onipresente e implacável. O leste é considerado estranho e alienígena, mas pode ser extremamente acolhedor com quem sabe desvelar os seus mistérios.

Ali, no frio rasgante e violento foi onde nasci, cresci e me tornei homem.

Nos alimentávamos de animais pequenos, raízes e cereais que cultivávamos nos curtos intervalos do ano em que uma frágil primavera e um breve verão se faziam sentir. Minha família mortal se foi há séculos atrás, dragados pela doença e pela fome. O mesmo destino me esperava, morrer numa frágil e suja cabana de madeira, rodeado de ossos de pequenos roedores. Eu era o único sobrevivente de um inverno particularmente pavoroso. Nos meus últimos dias, convivi com os corpos de meu pai e irmãos menores, preservados pelo frio.

Não havia opção a não ser marchar para o Oeste.

Foram meses de caminhada. Meus instintos de caçador se aguçavam a cada passo, e a floresta me permitiu sobreviver. A escuridão era permanente, o sol pouco era visto. Dormia em cavernas e foi numa delas que descobri as pinturas que me levariam ao meu destino.

Naquelas paredes, a morte era transformada em vida numa longínqua montanha, pelas mãos de um Deus.

Segui, obstinado. Traria de volta à vida a minha família mortal. Venceria, uma última e definitiva vez, o Deus Frio.

Quando a encontrei, não foi difícil escalá-la. As marcas na rocha deixavam claro que milhares de peregrinos haviam feito aquele trajeto. Os ossos na estrada me fizeram compreender que o Deus era orgulhoso e seletivo. Senti muitas vezes Seus olhos sobre mim, estudando-me enquanto eu tentava alcançar o cume de Ai-Petri. Nos últimos estágio da subida, homens silenciosos em capuzes me encaravam ocasionalmente, sem nada dizer. Me deram de comer, o que acalmou minha fome. O néctar extremamente alcoólico ardia nos lábios destruídos pelo frio. Me apontavam a direção, mas aparentemente sorriam sob seus capuzes, crentes de que minha jornada terminaria como a dos viajantes anteriores.

Não riem tanto, hoje, quando me trazem meu alimento e cantam hinos em meu nome para que eu os abençoe nas guerras porvir.

Numa cachoeira congelada o encontrei. Era alto e belo, com longos cabelos escuros e dentes pontiagudos. Eu tremia, quase derrotado pelo frio. Ele estava nu, imponente. Não me disse nada, mas olhou meu espírito, pois pude senti-lo dentro de mim. Julgou-me. Sorriu.

Deixei cair as pesadas roupas que protegiam meu corpo. Chorei e minhas lágrimas congelaram. As imagens eram torrentes que invadiam meu cérebro. Nomes de ancestrais, mapas, cartas e amores perdidos. Eu era seu herdeiro e seu legado. Eu sabia tudo, eu conhecia tudo. Era a minha apoteose.

O frio estava me matando. Ele me matou antes disso.

Enquanto meu Sangue deixava meu corpo, nutrindo o Deus da Montanha, eu flutuei entre os espaços vazios do Cosmo, nos lugares reservados às Divindades, onde o homem mortal é proibido de pisar. Quando Seu Sangue invadiu minha alma, nutrindo-me e elevando-me acima da vida e da morte, compreendi que meus familiares jamais retornariam, mas que eu jamais pereceria. Eu era Eterno. O Sangue de Lasombra corria em minha veias agora e, embora eu jamais tivesse encontrado outro da minha estirpe, sabia tudo sobre eles. Sobre nós.

Então, escuridão. Frio. Mas não o frio de minha terra natal. Era o frio da ausência. O frio do nada. Ele me abraçou e eu jamais senti frio novamente. Havia dominado a morte. A venci.

A cachoeira congelada tornou-se uma torrente de sangue quando bebi do Sangue do meu Senhor, consumindo sua alma. Seu ciclo estava completo. Começava o meu. Os cânticos dos homens inundavam meus ouvidos. Os hinos a Dázbov, que compreendi ser meu novo nome, eram infinitos. A escuridão e a guerra eram meus portfólios. Ao longe, numerosas tribos nômades, em seus cavalos poderosos, chegavam para prestar-me homenagens de Sangue. Eu bebi deles, destes homens e mulheres violentos, e tornei-me um deles. Tornei-me seu Deus e Senhor, aquele que os protegeria, julgaria e abriria para eles os portões da Morte. Do alto de Ai-Petri, eu via tudo. No alto de Ai-Petri eu era O Todo.



Revoltoso e escuro era o mar em que navegavam. Ondas, imensas, insistiam em lançar as embarcações de um lado a outro, tendo como única testemunha o céu plúmbeo. Não fosse a perseverança de seus ocupantes, homens de semblante sisudo e barbas espessas, há muito já teriam sido dragadas rumo ao fundo, ao desconhecido.

O primeiro avistamento de terra foi acompanhado de suspiros de emoção e interjeições de alegria que ofuscavam, parcialmente, os gritos de piedade dos prisioneiros localizados nos porões das embarcações leves e rápidas.

Quão bondoso havia sido o Deus que, com paciência e dedicação os havia ensinado a domar o mar de obscuridade?

Pisaram em terra firme. Arrastaram pela praia de areia escura os prisioneiros. Aqueles homens, ensanguentados e assustados, sofriam com o frio extremo que suas armaduras romanas de metal eram incapazes de conter. Choravam e clamavam aos Deuses por justiça e piedade. Cantavam hinos, os mais resignados, à Júpiter e a Vênus, esperando a intervenção de seus ancestrais.

Deuses estrangeiros, contudo, não detinham poder ali.

Forçados a caminhar quilômetros sem fim, nas estepes geladas, muitos homens pereceram. Rumavam em direção ao norte, na ligação do que os romanos chamavam de Península Táurica com o continente. Seus captores, que os romanos não ousavam sequer encarar nos olhos, lhes davam de beber e comer, o que aprofundava a dúvida sobre o que seria de suas existências quando chegassem ao destino final.

Ali, não existia dia. O céu era sempre escuro e o vento, onipresente. Quando Ai-Petri, o maior dos picos do Norte, passou a dominar o horizonte, os cativos sentiram um calafrio. O vento ali era insuportável e, não obstante, seus captores se aproximavam cada vez mais da montanha. Era imponente, altiva e orgulhosa. Subiram-na.

Uma vez no pico, onde o vento era o Senhor de tudo, foram dispostos em um círculo. Cansados, famintos e quase congelados, não tinham mais forças para tentar lutar por suas vidas. Aquele lugar havia destruído seus espíritos e corpos. Notando que o momento havia chegado, os captores começaram a entoar seus cânticos enquanto o céu se tingia de negro, as nuvens cinzentas se dispersando com a força do vento que aumentava de intensidade.

Então, em pânico, os cativos o viram. O viram quando a rocha da montanha foi arrebentada, lançando pedras e poeira ar. Viram a pele branca como a lua e os cabelos igualmente brancos. Tremeram diante do olhar ameaçador, dos olhos violetas, dos músculos fortes.

Tremeram diante das presas, expostas. Concluíram estar diante de um Deus. Pois um Deus o era, já que o mundo se havia acinzentado e desaparecido. Somente o Deus permanecia ali, diante deles.

Curvaram-se, forçados pelos captores. Deviam respeito. Pois estavam diante de Dazbóv, o Senhor da Noite e da Escuridão, aquele que tudo vê. Do qual não se escapa.

Regozijaram-se, os romanos. Antes de morrer lhes foi permitido olhar na face de um Deus.

Regozijaram-se os Citas. O sol nasceria novamente amanhã.

Regozijou-se Dazbóv, quando o sangue, espesso e carmesim, fluiu dos cativos para um grande crânio de animal, de onde Dazbóv bebeu e se banhou.

Sim, o sol nasceria de novo para o seu povo.
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Re: Backgrounds e Prelúdios

em Dom Nov 26, 2017 3:13 pm
Jogador: Bidoia.
Personagem: Gaius Septimus.

BACKGROUND

As notícias da morte de um falso profeta voavam pelos ventos. Um homem que se dizia o filho de um Deus estranho fora crucificado e traído pelos seus e os poucos seguidores remanescentes espalhados pelas terras do império.

Em uma das caravanas rumando para a grande capital, estava Valerius, um jovem que como todos os outros naquele bando de desesperados, não tinha nada além de esperança.
A cidade grande se provou menos acolhedora ainda, a caça aos cristãos estava declarada, suas opções eram esconder sua fé ou morrer como seu messias.

Apesar de acreditar nos ensinamentos de Cristo, é difícil “Amar uns aos outros” quando sua vida está em perigo. E “Não roubarás” não passava de um mito diante da dor da fome.

Por muitos anos fez o que era preciso, roubou, mentiu, trapaceou e enganou para sobreviver, não ficou apenas bom em mentir e ouvir as coisas certas, pegou jeito e gosto pela coisa.

Uma noite, no entanto, sua sorte acabou. Foi descoberto quando ouviu um guarda extorquir um taverneiro em virtude de algum segredo escandaloso que envolvia alguém muito importante.

A surra que levou foi mais do que um corpo mortal poderia aguentar, quando eles foram embora, Valerius se arrastou em cima dos ossos esmagados, não sabia se era para pedir ajuda ou para achar um lugar para morrer.

Foi então que o demônio veio, um demônio chamado Caelius, que mais tarde chamaria de Senhor.  Escapar do abraço gélido da morte tinha seu preço, tornar-se um Nosferatu, um monstro entre monstros.

Se acostumar com a mudança drástica foi uma tarefa lenta e dolorosa, o Abraço já é uma experiência árdua para qualquer Cainita, mas para um Nosferatu, é ainda pior já que nem mesmo seu semblante é capaz de lembrá-los do que lhes resta de humanidade.

A única coisa que o manteve são, foi um senso de propósito. Com poderes que vão além dos limites mortais e uma literal eternidade a sua frente poderia conseguir muito mais do que apenas sobreviver, poderia mudar a situação decadente do seu povo.

Tornou-se não apenas forte e capaz de se defender, mas inteligente e culto quando o mundo da escrita foi revelado, tornou-se fascinado pelo comportamento humano, pelas razões, paixões e motivos que impelem alguém a atos de extrema nobreza e a extremos criativos de sadismo.

Mas o mais importa, Caelius ensinou os meios dos Nosferatu. O que começou como o básico para forçar os mortais a ignorá-lo evoluiu para invisibilidade, o que começou como um mero fascínio sobre as feras tornou-se controle verdadeiro, mas o mais importante, as fofocas que ouviu logo se tornaram segredos devastadores, capazes de fazer e desfazer homens de poder.

O preço para tamanho poder e conhecimento era alto, nunca mais poderia sequer sonhar andar pelas ruas e fingir ser um humano, e mesmo conversas casuais após um esforço considerável em esconder sua face grotesca tinham que ser meticulosamente calculadas e cada possibilidade pensada, mesmo após aprender o básico da Presença após cobrar vários favores.

Por quase três séculos, Valerius aprendeu não apenas as regras do jogo de manipulação, traição e mentiras, como começou a pegar jeito e gosto pela coisa do mesmo modo que aprendeu a roubar, mentir e trapacear quando pisou pela primeira vez em Roma como um mendigo desesperado.

Agora com um nome falso, uma máscara para disfarçar sua aparência de Nosferatu e diversos planos que vão do B até pelo menos o X, tentará acabar a perseguição a seu povo acreditando que do mesmo jeito que Cristo se sacrificou para absolver os pecados mortais, seu sacrifício em se tornar um monstro seria um preço por um bem maior...
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Re: Backgrounds e Prelúdios

em Sex Jan 26, 2018 7:54 pm
Jogador: Glauco
Personagem: Appius Galerius Buteo

Background

Há tolos que definem a morte como o oposto da vida. Como poderia? Um alimenta o outro, num ciclo perpétuo que sustenta o firmamento.
Outros, ainda mais tolos, definem a morte como o fim. Como poderia? Já fazem algumas décadas desde que eu ri pela última vez, mas essa noção me deixa estranhamente… tentado.

Se houvesse uma definição simples, ou mesmo correta, para a morte, o Clã dos Capadócios deixaria de existir, mas ainda assim, eu cheguei a algo próximo de uma resposta ao longo de meus anos: é uma fase transição. Observe a mim mesmo, enquanto humano: patrício, filho de patrícios, com conexões o suficiente para servir como equus nos exércitos do cônsul Júlio César. O que restou daquela vida? Uma coisa. Uma lâmina gaulesa em minha barriga, que me levou ao Submundo. E lá eu vi Dis, o Deus da Morte, em pessoa, falando comigo; sobre a Morte e seus mistérios, e sobre a… transitoriedade de tudo.

A verdade é que eu me lembro pouco do evento. Me lembro do rosto do Deus, seus olhos vermelhos, e sobre a Morte. Mas todo o resto, caberia a mim descobrir, e lembrar, sozinho. Embora curto, foi um momento que marcou de forma permanente o que seguiu de minha vida. Eu sobrevivi ao ferimento, mas com sequelas o suficientes para me tirar para sempre da vida de soldado. Mas tudo isso era irrelevante. O clangor das espadas, desfiles, triunfos e carreira se tornaram secundários em virtude do que eu havia passado, e de volta à Roma, ingressei no sacerdócio, onde em pouco tempo assumi todos os deveres ritualísticos ligados aos deuses do Submundo: Dis, Plutão, e todos os outros deuses estrangeiros acorrentados e arrastados até Roma para que a República os chamasse de seus.

Esta vida teria me deixado satisfeito. Rituais diários e comunhão com os deuses do submundo, intercalado com a dor aguda e sempre presente do meu ferimento de guerra que cedo ou tarde me mataria. Porém, como eu já havia sido ensinado, nada é eterno. Eu era observado, desde meus dias de campanha, e especialmente após minha experiência com o divino. Fui abordado uma noite por um velho usando uma toga senatorial, mas um que jamais havia visto no Senado. E ele me contou sobre a Noite. Sobre como ela era comandada pelos mortos, e como eu, já a meio caminho da cova, tinha o potencial para ingressar naquela irmandade seleta.

Eu ouvi seu discurso com a mente maravilhada. Via no senador, que se apresentou como Dionysius, um arauto do Submundo em pessoa, o que não era difícil de acreditar, tendo o velho a aparência de um cadáver fresco, portanto aceitei sua oferta sem pestanejar.
Foi com um pouco de decepção que me lembrei ainda menos da segunda morte do que da primeira. Eu sabia que havia morrido novamente, mas desta vez não vi nada. Apenas olhos, no céu, e não na terra. E a visão me atormenta até as noites de de hoje.

E sobre as noites de hoje, ao mesmo tempo muito e pouco mudou desde aquele dia fatídico. O Abraço apenas reforçou minha devoção à contemplação e a meus deveres com os deuses ctônicos, e, como meus companheiros de Clã, avanço desde então na busca pela verdade sobre a morte, e tudo que me foi trazido pelo Abraço apenas aumentou minha reputação como emissário do submundo no meio religioso. Poucos dedicam sua fé aos deuses dos mortos, graças ao medo, mas me atrevo a dizer que também poucos mortos ou rituais aos deuses abaixo acontecem na cidade sem minha participação ou ciência.

Mas, lamentavelmente, não era o que o velho Dionysius esperava num pupilo. O ancião dedicava todas as suas noites à obra de sua não-vida, seu assento no Senado Eterno. E eu, por minha vez, pouco me interessava por conflitos de ego enfadonhos entre os membros de minha espécie. O pouco interesse que nutria por política se refletia em incentivar, sempre que possível através de minha posição como sacerdote, novas guerras e novas expansões para o Império, para que novos deuses, novos povos e novos conhecimentos fossem trazidos à capital. A minha relação com meu mentor chegou a tons perigosamente antagônicos por uns anos, mas regrediu para uma frieza cordial desde que ele adotou um novo (e promissor, segundo dizem) pupilo. Que lhe sirva bem, afinal, as noites ainda possuem muito para me revelar, e quanto menos interrupções, mais a se descobrir.
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Re: Backgrounds e Prelúdios

em Sab Fev 17, 2018 7:23 am
Jogador: Pedro Augusto
Personagem: Qapshiel (nee. Eli ben Yehuda)

Dizem que enquanto houver uma alma judaica pulsando no fundo de qualquer coração e essa alma olhar para Tziyon, a esperança de ser um povo livre em Yerushalayim não estará perdida. Quis Yahweh que minha alma imortal ficasse presa ao meu coração morto, sem descanso. Que assim seja, pois eu sou um instrumento para Seus planos. Enquanto minha alma caminhar por essas terras, a esperança continuará.

Background

Ao contrário dos meus pais, avós e todos que vieram antes deles, eu não nasci em uma Yerushalayim livre. As terras de nossos antepassados foram transformadas na Província Romana da Iudaea e a religião do povo de Y'srael foi oficialmente reconhecida como uma "religião legal" pelo Império Romano. O Senado havia inclusive designado um "Rei dos Judeus". O que poderia parecer uma atitude de respeito por parte de Roma eram apenas migalhas jogadas àqueles que consideravam nada mais do que porcos, ferramentas para dominarem sem muito esforço um povo que outrora era livre.

Meu pai era um rabi, tal como foi meu avô. Ele nos dizia que diante do poderio de Roma, deveríamos ter paciência e sermos espertos. Qualquer ataque frontal resultaria em uma represália ainda pior. Se Yahweh colocou Roma em nosso caminho, deveríamos aceitar o desafio e enfrentá-lo com inteligência, tal como David fez com o gigante Golias. Eu começava meus estudos para seguir o caminho que meu pai e avô seguiram, tornando-me também um professor para minha comunidade. Eu deveria respeitar os ensinamentos e as ordens de meu pai, tal como Yahweh nos instruiu, mas algo dentro de mim me dizia que Ele esperava algo maior de nós. Essa dúvida me perturbava: obedecer meu pai ou buscar meios de lutar? Até que uma noite, após estudar a Torah e ter me repousado, um anjo de Yahweh entrou nos meus sonhos e me entregou uma mensagem. Em meio às chamas, ele me mostrou que o povo de Y'srael seria expulso de Yerushalayim e Tziyon, que nosso exílio duraria milênios e que nossa luta deveria se estender por todo esse tempo. O anjo me disse que eu deveria me preparar e que meu caminho seria a espada, pois eu seria um defensor do meu povo. Ao se despedir, o anjo me disse que era um mensageiro da Luz, mas eu deveria me preparar para receber um mensageiro das Trevas, pois muitos são os meios que Yahweh encontra para se manifestar.

Ao amanhecer, eu estava decidido. Eu procurei Eleazar ben Simon, um dos líderes dos kana'im: aqueles que são zelosos em nome de Yahweh. Outros os chamavam de Zelotes. Os Zelotes eram judeus que discordavam diretamente daqueles que pensavam como meu pai. Para eles, o povo da Judea deveria ser incitado a se rebelar contra os romanos, para expulsá-los das nossas terras e reestabelecer um novo reino judaico. Eleazar me recebeu de braços abertos, pois o filho de um rabi lutando por sua causa ajudaria no convencimento de outros. Porém, um zelote não pode ser apenas um erudito e, tal como o anjo me instruiu, logo fui colocado para treinar com uma espada.

E assim foi até que os romanos decidiram apertar ainda mais a mão que segurava o pescoço dos judeus, cobrando impostos em nome do imperador. Os Zelotes começaram a incitar protestos na população e logo iniciamos uma série de pequenos ataques a cidadãos romanos. Nossa ideia era incitar-lhes o medo, mostrando que apesar do poderio de Roma, eles não estavam seguros em nossas terras. A resposta romana foi dura, tal como meu pai nos alertava: o governador romano na Judea atacou o nosso Templo, saqueando-o em nome do Imperador, sob a alegação de que aquele dinheiro pertencia à Roma. Além disso, figuras importantes do nosso povo foram presas. Nossa reação, porém, foi à altura. Os Zelotes conseguiram reunir uma força rebelde que atacou e dominou o quartel romano na Judea. Essa foi minha primeira grande batalha. Eu estava lá e vi que os romanos sangravam tanto quanto nós. Eu vi o medo nos olhos de cada soldado romano que foi morto por nossas lâminas. E eu vi que Yahweh só estava esperando que nós nos levantássemos, pois ele guiaria nossa fúria. Aos poucos, com os romanos confusos, fomos conquistando outras pequenas cidades fora de Yerushalayim.  Nossa confiança aumentou ainda mais durante a Batalha de Beth Horon, quando o Imperador, se dando conta que a "Grande Revolta" havia saído fora de controle, enviou a XIIª Legião para nos combater. Nós os emboscamos antes de chegarem em Yerushalayim, na pequena cidade de Beth Horon. Enquanto cruzavam um vale, nós os atacamos com flechas, para em seguida descermos sobre eles com nossa infantaria. Novamente, eu estava lá. Após massacrarmos 6 mil legionários romanos, eu fui um dos que tive a honra de segurar a aquila romana capturada.

Tal era nossa felicidade que ignoramos a força com que Roma cairia sobre nós. Mais do que isso, o poder que íamos conquistando fez com que disputas internas surgissem entre os diferentes grupos políticos dos judeus. Em alguns momentos, parecia que esquecíamos que éramos todos o povo de Y'srael. Aproveitando de nossa desorganização, o Imperador enviou três legiões e cercou Yerushalayim. A invasão foi brutal e culminou com a destruição do Segundo Templo. Muitos pereceram. Alguns Zelotes - sicários, os mais radicais entre nós - conseguiram fugir, tomando a fortaleza romana em Massada e nela se abrigando. E eu estava lá.

Em Massada, fomos cercados pela Xª Legião. Os romanos sabiam que precisariam de tempo para invadir, mas, ao contrário de nós, eles tinham todo o tempo do mundo. Foi ali, em uma noite das muitas que haviam se passado enquanto resistíamos, que eu fui visitado pelo segundo anjo. Assim como o primeiro anjo havia me dito, esse era um mensageiro das trevas. Ao contrário do primeiro, esse não veio em sonho, mas enquanto eu fazia a vigília em um trecho dos muros da fortaleza. Ao vê-lo de pé, nas bordas do muro, senti que aquela criatura não era um de nós. Saquei minha espada e disse:

*Não sei como chegou até aqui, invasor, mas se és um espião romano, não terás chance de reportar-se de volta ao seu comandante*

Com sua face coberta pelas sombras de um capuz, o invasor falou, em um tom grave, porém calmo:

*Não é em nome de Roma que venho até aqui. Nem é para eliminar o seu povo que entro nesta fortaleza. Meu Senhor não é aquele que senta no trono de Roma. E é por você que estou aqui, Eli, filho de Yehuda*

*És um assassino? Alguém do meu povo lhe enviou para me matar? Ao menos tenha a honra de mostrar-me seu rosto, dizer-me seu nome e enfrentar-me frente a frente!*

O intruso retirou seu capuz. À luz da lua, eu vi que sorria. Vi que sua pele era branca como o mármore. Vi que mesmo no frio da noite do deserto, sua respiração não se transformava em vapor. Tudo isso eu vi, mas só fui lembrar tempos depois. Naquele momento, a única coisa que consegui olhar era o terceiro olho que o invasor tinha na testa.

*O nome que me deram está perdido no tempo, mas hoje me chamo Za’aphiel, filho de Samiel. Eu não sou do povo de Y'srael, mas trago em meu nome a palavra de Yahweh. Eu não sou um assassino, apesar de muitos me considerarem como tal. Tal como você, sou um guerreiro. E essa noite, Eli ben Yehuda, você lutará comigo*

A luta que se seguiu foi rápida, mas hoje sei que Za’aphiel poderia ter me eliminado antes mesmo de eu levantar minha espada. Porém ali ele já estava me testando. Enquanto lutávamos, o seu terceiro olho brilhava com uma luz divina e eu tinha certeza que estava lutando com um dos anjos do Senhor. Por fim, a espada de Za’aphiel perfurou meu ombro. Porém, antes que eu conseguisse gritar de dor, ele me tocou e adormeci.

***

Quando acordei, não estava mais em Massada. Quando acordei, eu não era mais um homem.  Za’aphiel havia me transformado em algo como ele, um anjo das trevas. Naquela noite em que acordei sem sentir meu coração batendo, Za’aphiel começaria o meu treinamento. Desde o início ele deixou claro que a luta do povo de Y'srael poderia ser importante para mim, mas que agora eu havia sido recrutado para uma guerra maior. Caso perdêssemos essa guerra, ele disse, não haveria mais Tziyon, mas também não haveria Roma. Não haveria mundo para que humanos e mesmo seres como nós pudessem caminhar, apenas trevas e sofrimento.

Assim, o primeiro teste que Za’aphiel me colocou foi me manter afastado do que estava acontecendo em Yerushalayim. Ele disse que eu era livre para sair a qualquer momento, mas duvidava que eu sobreviveria sozinho após minha transformação. Ao contrário, caso ficasse, Za’aphiel afirmou que eu me tornaria mais um soldado da fúria divina.

E assim foi, durante 7 anos. Za’aphiel se tornou meu mentor. Ele me ensinou os talentos e fraquezas da nossa espécie, como combater usando meus novos poderes. Me ensinou sobre os dons do sangue e da necessidade de obtê-lo, sem nunca sucumbir a besta. Os homens de fé deveriam ser protegidos, enquanto que aqueles que se entregavam às trevas deveriam ser julgados. Mais do que isso, Za’aphiel me contou sobre nossa herança e história, sobre o que é ser um Cainita e um descendente de Saulot e Samiel. Ele me contou sobre a Segunda Cidade e a tragédia que sobre ela caiu. Com ele aprendi a língua de Enoch, usada por aqueles que carregavam o sangue de Saulot.

Por fim, meu mestre me contou sobre o Mal que vive nos cantos escuros da terra e sobre os seus seguidores, bem como sobre o sacrifício que Samiel fez ao combatê-los em Chorazin. Entre os poucos que sobreviveram e carregaram sua herança estava Za’aphiel. Propagar o Código de Samiel era sua missão e eu era um dos eleitos mais novos para integrar essa luta. Nosso papel era proteger os inocentes, enquanto caçaríamos e eliminaríamos todo o Mal que encontrarmos. Assim seria a eternidade do Guerreiro.

Ao final desses 7 anos, Za’aphiel disse que estava na hora de retornarmos a Massada, para meu último teste. Foi ali, nas ruínas da última resistência Zelote, onde os últimos entre nós decidiram se sacrificar antes de cairem em mãos romanas, que passei pelo meu Ritual de Sangramento. Ali, onde o sangue do povo de Y’srael foi derramado, quis Yahweh que eu deixasse de ser Eli ben Yehuda para me transformar em Qaphsiel, um dos arcanjos do Senhor.

Za’aphiel disse que agora eu poderia caminhar livre pela noite, pois me tornara um instrumento da justiça e vingança divina. Eu poderia retornar ao povo de Y’srael e protegê-los da corrupção romana. Roma havia eliminado Cartago, e junto com ela os infernalistas que ali habitavam. Mas os cainitas romanos eram soberbos demais para enxergar o Mal que havia entre eles.

Na minha ausência, meu povo havia sido expulso de proibido de voltar a Yerushalayim. Estavam exilados na Galileia, e muitos haviam decidido tentar a sorte no coração de Roma. Para Galileia eu fui, e ali comecei a reunir aliados para, aos poucos, construirmos um exército que expulsaria Roma e o Mal que se instalaram em nossas terras. Agora eu não tinha pressa, pois tal como dizem,  enquanto houver uma alma judaica pulsando no fundo de qualquer coração e essa alma olhar para Tziyon, a esperança de ser um povo livre em Yerushalayim não estará perdida.
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O eremita

em Qua Mar 28, 2018 12:42 pm
[b] Os legionários avançavam em marcha pelas estradas romanas. Graças à política expansionista, grande parte do território romano, senão todo, havia sofrido uma urbanização exemplar. As estradas eram impecáveis, onde mercadores poderiam ir e vir da capital sem medo de perder as mercadorias devido ao terreno acidentado. Além disso, haviam dezenas de fortificações ou torres ao longo das estradas, para vigiar e salvaguardar os cidadãos romanos que utilizavam aqueles caminhos. O púrpura e o azul já começavam a se fundir, tornando o céu mais escuro. As aves e os pequenos roedores começavam a adentrar na floresta que margeava a estrada pelo lado esquerdo. A direita, havia um grande descampado, onde os soldados certamente montariam acampamento. Os homens não estavam tão empolgados com esta viagem. A maioria ouvira estórias sobre bárbaros ferozes, destemidos, que enfrentavam os soldados de mãos e peitos nus, como se a morte nada representasse para eles. Estavam inquietos. Esta é a verdade. O tenente ordenou que parassem e montassem o acampamento no descampado. Em menos de três quartos de hora, as barracas e fogueiras já estavam armadas e prontas. Os vigilantes foram escolhidos, os postos sinalizados. Nenhum homem em sã consciência atacaria aquela destacamento com mais de dois mil homens, pensou um sentinela qualquer para aliviar sua alma. Alguns soldados amolavam suas armas e poliam seus escudos e armaduras. Outros jogavam dados e outros jogos populares em Roma. No centro do acampamento, os militares de mais alta patente conversavam energicamente sobre o próximo passo a ser dado. O exército estava a cinco horas de marcha do território caledônio. Um dos capitães sugeriu um avanço rápido e avassalador. Outro optou por um reconhecimento feito pela cavalaria. Cerca de cem homens montados deveriam fazer uma ronda antes do ataque fulminante. Enquanto isso, no lado de fora, não muito longe dali, alguém observava todo o movimento. A noite já se fazia alta, plenamente escura e sombria. A lua minguante pela metade, pouco iluminava o terreno, apesar das fogueiras e tochas espalhadas por todo o acampamento. O observador mantinha seu ódio contido enquanto analisava a melhor forma de atacar. Ele caminhou por entre as árvores, acompanhado por seus pares de perto. Um sorriso brotou-lhe nos lábios. Os caninos, muito maiores que o comum ficaram expostos. O cheiro de sangue humano começava a inflamá-lo por dentro. Todos caminharam em completo silêncio, espalhando-se pelo perímetro. O grupo era formado por dez indivíduos. Todos da mesma família. Um corvo soltou seu pio agourento e dezenas de soldados sentiram um arrepio subir-lhes as costas. De repente, as cavalos ficaram inquietos e trotaram, atropelando os soldados que as vigiavam. Uma horda de morcegos invadiu o acampamento, deixando-o ainda mais escuro. Algumas cabanas já estavam pegando fogo e o acampamento tornara-se um pandemônio. Grandes animais saiam da floresta, escolhiam um alvo e o arrastava para a floresta. Até aí, ainda não havia pânico, apenas uma grande confusão que em pouco tempo estaria resolvida, até que... A discussão dentro da cabana central estava atingindo um grande nível. Estratégias e táticas que não levariam o exercito a lugar algum, quando o barulho interrompeu a conversa dos capitães. Um soldado apareceu pela entrada da cabana e anunciou o ataque dos animais. Ainda olhando para seus superiores, o soldado mijou-se ao ver uma figura alta, de olhos vermelhos, cabelos longos e emaranhados, de aspecto velho e sujo. Vestia-se com um saco de pano ou talvez menos que isso. De suas mãos projetavam-se dedos longos e rubros, sustentados por braços peludos e fortes. O rapaz teve tempo apenas de apontar, com a expressão mais descrente e temerosa do mundo. A voz lhe faltou inclusive para o grito. Ainda em choque, o meninote que se achava um soldado, caiu não chão e pôde ver algo que jamais desejara ou sonhara em ver. Os capitães viraram-se de imediato e viram aquela figura atrás deles. Mesmo tendo visto seu assassino, pouco puderam fazer. Num único golpe, o homem desconhecido atingiu a barriga de dois dos capitães. O corte foi rápido e indolor. As barrigas se abriram e sangue, merda e vísceras escaparam pela abertura do corte, tingindo a toga branca de carmim e marrom. Um dos capitães, não vacilou e atacou com sua espada num ataque mortal de cima para baixo, que certamente teria matado qualquer homem. Infelizmente não foi o que aconteceu. A espada atingiu a cabeça do homem e ficou estagnada no meio da testa dele. De repente, uma dor assombrosa tomou conta de seu corpo. O capitão pode sentir o braço daquele monstro, só poderia ser isso, um monstro, atravessar-lhe o corpo. Com a mão livre, o monstro rasgou o homem ao meio. A esta altura, o tenente já corria para fora da cabana mas, o que encontrou lá fora não foi melhor do que havia lá dentro. Gritos, choros, sangue e morte. Essa era a visão. Ele virou-se para encarar seu assassino e pôde ver a figura se aproximar, segurando a cabeça decapitada de seu ultimo Capitão. O homem falou coisas ininteligíveis pra ele e então a sensação de liberdade. O mundo parecia girar. O céu virou chão e o chão virou céu. Até que pode ver as botas de seus soldados apavorados correndo de um lado para outro. Antes de se dar conta do ocorrido, a escuridão o abraçou. O massacre durou algumas horas. Na campina estavam espalhados corpos ou o que restara deles. Alguns animais já se refastelavam com o banquete. A grama que outrora era verde, estava pintalgada de vermelho. Mais de dois mil homens foram mortos por dez homens, ao menos pareciam isso. Ao leste o céu já ganhava tons anis quando o ultimo e mais temível daqueles seres abandonou o acampamento. Entre todos os soldados, apenas o que foi avisar sobre o ataque aos seus superiores ficara vivo. E o pior, ele sabia que estava vivo apenas para dar o recado. O norte resistiria. [b]
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